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Cem Dias Para Mudar o Destino

Cem Dias Para Mudar o Destino

Autor:: Nancy
Gênero: Romance
"Ana, acorda, a gente vai se atrasar." A voz fria de João Pedro me tirou de um pesadelo, só para me jogar em outro: o dia do nosso casamento, dez anos atrás. Eu havia voltado no tempo. Em minha vida passada, João morreu salvando minha vida em nosso décimo aniversário de casamento, um acidente que era, para ele, uma libertação. Ele morreu infeliz, preso a mim por uma promessa feita ao meu pai, e não por amor, pois seu coração pertencia a outra mulher, Ana Clara. A pontada aguda de arrependimento em meu peito era real: eu o sufoquei com meu amor egoísta. Desta vez, eu não ia assinar aquele papel. "Eu não vou me casar com você," eu disse, para o choque dele e de meus pais. Parecia que eu estava enlouquecendo, mas eu tinha uma segunda chance, um limite de cem dias para realizar todos os desejos não cumpridos de João, aqueles que eu descobri em seu diário oculto após sua morte. Porém, o destino não se dobrava tão facilmente. No cartório, minha recusa escrita sumiu, substituída por minha assinatura perfeita. A voz etérea que me concedeu essa segunda chance ecoou: "O destino não pode ser mudado tão facilmente, você deve desfazer os nós, não apenas cortá-los." Ainda estávamos casados, ao menos legalmente. O primeiro dos desejos de João era ficar com Ana Clara, sua grande paixão. Então Lúcia, a Ana Clara desta linha do tempo, ligou: "Eu... eu sofri um acidente de carro. Estou no Hospital Santa Maria." João não hesitou, correu para ela, me deixando para trás mais uma vez. Ao tentar explicar o ocorrido em casa, a desculpa fraca de uma emergência familiar se esvaiu quando soube do que me acusavam no hospital. "O carro dela foi sabotado! E a polícia disse que a última pessoa que ligou para ela, ameaçando-a, foi você!" João gritou, minha suposta ameaça o deixava cego. Eu, a vilã? Meu desespero crescia. No hospital, João me tratou como um objeto, um mero reservatório de sangue raro para Lúcia. "Tirem o quanto for necessário!" ele ordenou, e eu, exausta e invisível, permiti, me sacrificando ao limite da vida. Mais tarde, ele ainda me acusou, esfaqueando-me com uma ingratidão que me fez desistir. "Significa que eu cansei, João. Acabou," eu declarei, cortando os laços. Minha missão agora era libertá-lo de mim, mesmo que isso ferisse a mim e aos meus pais. "Eu vou estudar no exterior, vou fazer aquele mestrado em artes que eu sempre quis," anunciei, uma mentira com fundo de verdade para quebrar as correntes. Para convencer meus pais a libertá-lo da promessa, inventei um pesadelo premonitório. "No sonho... ele... ele morria em um acidente de carro, porque se sentia preso a mim," eu gaguejei, as lágrimas genuínas. Eles hesitaram, mas o medo de uma tragédia os fez ceder. Quando João voltou, ouviu seu mundo desabar. Uma gravação de Lúcia revelou sua verdadeira natureza vil, zombando dele e de mim. A ironia era esmagadora: ele havia pisoteado o verdadeiro amor que eu lhe dei por uma miragem. Pela primeira vez, vi seu rosto pálido e chocado de vergonha. Ana estava viva, mas longe. Dez anos depois, eu era uma curadora de arte em Paris, e ele um arquiteto de sucesso. Nesse reencontro, sob o céu estrelado, ele pediu: "Eu posso... eu posso ser seu irmão?" Eu, a antiga Ana que um dia implorou pelo amor dele, aceitei. "Irmão. Eu aceito." E assim, em vez de se odiarem, eles foram curados.

Introdução

"Ana, acorda, a gente vai se atrasar." A voz fria de João Pedro me tirou de um pesadelo, só para me jogar em outro: o dia do nosso casamento, dez anos atrás. Eu havia voltado no tempo.

Em minha vida passada, João morreu salvando minha vida em nosso décimo aniversário de casamento, um acidente que era, para ele, uma libertação.

Ele morreu infeliz, preso a mim por uma promessa feita ao meu pai, e não por amor, pois seu coração pertencia a outra mulher, Ana Clara.

A pontada aguda de arrependimento em meu peito era real: eu o sufoquei com meu amor egoísta.

Desta vez, eu não ia assinar aquele papel.

"Eu não vou me casar com você," eu disse, para o choque dele e de meus pais.

Parecia que eu estava enlouquecendo, mas eu tinha uma segunda chance, um limite de cem dias para realizar todos os desejos não cumpridos de João, aqueles que eu descobri em seu diário oculto após sua morte.

Porém, o destino não se dobrava tão facilmente.

No cartório, minha recusa escrita sumiu, substituída por minha assinatura perfeita.

A voz etérea que me concedeu essa segunda chance ecoou: "O destino não pode ser mudado tão facilmente, você deve desfazer os nós, não apenas cortá-los."

Ainda estávamos casados, ao menos legalmente.

O primeiro dos desejos de João era ficar com Ana Clara, sua grande paixão.

Então Lúcia, a Ana Clara desta linha do tempo, ligou: "Eu... eu sofri um acidente de carro. Estou no Hospital Santa Maria."

João não hesitou, correu para ela, me deixando para trás mais uma vez.

Ao tentar explicar o ocorrido em casa, a desculpa fraca de uma emergência familiar se esvaiu quando soube do que me acusavam no hospital.

"O carro dela foi sabotado! E a polícia disse que a última pessoa que ligou para ela, ameaçando-a, foi você!" João gritou, minha suposta ameaça o deixava cego.

Eu, a vilã? Meu desespero crescia.

No hospital, João me tratou como um objeto, um mero reservatório de sangue raro para Lúcia.

"Tirem o quanto for necessário!" ele ordenou, e eu, exausta e invisível, permiti, me sacrificando ao limite da vida.

Mais tarde, ele ainda me acusou, esfaqueando-me com uma ingratidão que me fez desistir.

"Significa que eu cansei, João. Acabou," eu declarei, cortando os laços.

Minha missão agora era libertá-lo de mim, mesmo que isso ferisse a mim e aos meus pais.

"Eu vou estudar no exterior, vou fazer aquele mestrado em artes que eu sempre quis," anunciei, uma mentira com fundo de verdade para quebrar as correntes.

Para convencer meus pais a libertá-lo da promessa, inventei um pesadelo premonitório.

"No sonho... ele... ele morria em um acidente de carro, porque se sentia preso a mim," eu gaguejei, as lágrimas genuínas.

Eles hesitaram, mas o medo de uma tragédia os fez ceder.

Quando João voltou, ouviu seu mundo desabar.

Uma gravação de Lúcia revelou sua verdadeira natureza vil, zombando dele e de mim.

A ironia era esmagadora: ele havia pisoteado o verdadeiro amor que eu lhe dei por uma miragem.

Pela primeira vez, vi seu rosto pálido e chocado de vergonha.

Ana estava viva, mas longe.

Dez anos depois, eu era uma curadora de arte em Paris, e ele um arquiteto de sucesso.

Nesse reencontro, sob o céu estrelado, ele pediu: "Eu posso... eu posso ser seu irmão?"

Eu, a antiga Ana que um dia implorou pelo amor dele, aceitei.

"Irmão. Eu aceito."

E assim, em vez de se odiarem, eles foram curados.

Capítulo 1

"Ana, acorda, a gente vai se atrasar."

A voz de João Pedro soou fria e distante, sem nenhum traço da gentileza que ele costumava ter.

Abri os olhos devagar, a luz do sol que entrava pela janela do quarto me incomodou um pouco, senti a cabeça pesada e o corpo estranho, como se não fosse meu. Olhei para João, ele já estava de pé, vestido com um terno escuro que o deixava ainda mais sério, seu rosto não tinha expressão, apenas uma impaciência contida. Ele me olhava com uma frieza que eu não via há muito tempo.

Olhei em volta, era o nosso antigo apartamento, o lugar onde moramos no primeiro ano de casados, mas tudo parecia novo, as paredes brancas, os móveis intactos. Olhei para o calendário na parede, a data marcada em vermelho me fez prender a respiração, era o dia em que fomos ao cartório registrar nosso casamento, dez anos atrás.

Eu voltei no tempo.

Eu realmente voltei para o dia que selou minha infelicidade e a tragédia dele.

Uma imagem terrível invadiu minha mente, tão nítida que parecia estar acontecendo de novo. O som de pneus cantando no asfalto molhado, o barulho ensurdecedor do metal se contorcendo, e o corpo de João voando antes de cair no chão com um baque surdo. Lembro do cheiro de chuva e sangue misturados, do calor da vida dele se esvaindo enquanto eu o segurava em meus braços, impotente. Ele tinha me empurrado para fora do caminho do carro desgovernado, me salvando, mas se sacrificando. Seu último olhar não foi para mim, mas para o nada, cheio de um arrependimento que na época eu não entendi.

Ele morreu no nosso décimo aniversário de casamento. Morreu infeliz, preso a mim por uma década.

Naquela vida, eu pensei que o amor dele por mim era a coisa mais certa do mundo, mas eu estava errada. O amor dele nunca foi meu, pertencia a outra pessoa, Ana Clara, uma colega de faculdade dele, uma mulher vibrante e cheia de vida, tudo o que eu não era. Ele só se casou comigo por causa de uma promessa que fez ao meu pai no leito de morte dele, uma promessa de cuidar de mim para sempre. E ele cumpriu, ao custo da própria felicidade. Ele viveu uma vida de mentiras, sorrindo para mim durante o dia e olhando para a foto dela no celular durante a noite, quando achava que eu estava dormindo.

A dor no meu peito era real, uma pontada aguda de arrependimento e tristeza. Eu desperdicei a vida dele. Eu o sufoquei com meu amor egoísta.

"João," eu disse, a voz saindo falha. "Não vamos."

Ele se virou, a testa franzida em confusão.

"O que você disse? Anda logo, Ana, seus pais já devem estar esperando a gente no cartório."

"Eu não vou me casar com você," repeti, agora com mais firmeza, sentando na cama. "Vamos cancelar tudo."

Ele me olhou como se eu tivesse enlouquecido, uma faísca de irritação surgiu em seus olhos.

"Você tá brincando? A gente já adiou isso por tempo demais por causa do luto do seu pai, não podemos simplesmente cancelar tudo agora, o que eu vou dizer para os seus pais?"

"Diga a verdade," eu insisti. "Diga que eu não quero mais, que eu mudei de ideia."

Ele se aproximou da cama, sua sombra me cobrindo.

"Ana, para com isso, é só nervosismo pré-casamento, vai passar."

Ele não entendia, ele não podia entender. Para ele, esse era um dever a ser cumprido, um fardo que ele carregava com resignação. Ele não me amava, e agora, com essa segunda chance, eu não podia forçá-lo a viver aquela mentira de novo.

Ele pegou o celular na mesa de cabeceira para ver as horas, e a tela se acendeu. A foto de bloqueio era ela, Ana Clara, sorrindo radiantemente em um dia de sol. O olhar de João para a tela, mesmo que por um segundo, foi cheio de uma saudade e um amor que ele nunca, nem por um momento, dirigiu a mim. Meu coração se partiu de novo, como se estivesse revivendo cada noite em que o vi olhando para aquela mesma foto.

Ele percebeu que eu vi, e rapidamente bloqueou o celular, um constrangimento palpável no ar.

Respirei fundo, a decisão se solidificando dentro de mim como concreto. Eu não ia assinar aquele papel, não desta vez. Eu o libertaria, mesmo que isso me destruísse.

No cartório, a atmosfera era tensa. Meus pais sorriam, alheios à tempestade dentro de mim. João estava ao meu lado, rígido e silencioso. Quando o oficial nos entregou a certidão e a caneta, minhas mãos tremiam. João assinou rapidamente, sem hesitar. Então foi a minha vez.

Peguei a caneta, o plástico frio contra meus dedos. Olhei para o espaço em branco onde meu nome deveria estar. Olhei para João, que me encarava com uma expressão indecifrável. Olhei para meus pais, radiantes.

E então, em vez de assinar meu nome, eu escrevi em letras grandes e claras na linha: "EU NÃO ACEITO."

O silêncio que se seguiu foi absoluto, antes do caos explodir.

Capítulo 2

"Você tem cem dias."

Uma voz etérea, sem corpo, ecoou na minha mente no momento em que a caneta tocou o papel no cartório, um instante antes de eu escrever minha recusa. A mesma voz que me deu as boas-vindas quando a escuridão da morte me envolveu na vida passada.

"Cem dias para realizar todos os desejos não cumpridos de João Pedro," a voz continuou, solene e imutável. "Se você tiver sucesso, a linha do tempo será reescrita, e a tragédia dele será evitada, mas se você falhar, tudo acontecerá como antes, e a morte dele no seu décimo aniversário de casamento será inevitável."

Cem dias. Um prazo cruel. Como eu poderia consertar uma década de erros e tristezas em pouco mais de três meses?

Na minha vida passada, depois da morte de João, encontrei um diário escondido no fundo do seu armário, um caderno simples onde ele desabafava a sua dor. As páginas estavam cheias de arrependimentos, de sonhos que ele abandonou por minha causa. A lista era longa e dolorosa.

Primeiro, seu maior arrependimento era não ter tido a coragem de ficar com Ana Clara, o amor da sua vida. Ele a amava desde a faculdade, mas a pressão da minha família e a doença do meu pai o forçaram a me escolher.

Segundo, ele odiava o trabalho no escritório de advocacia da minha família, um emprego que meu pai arranjou para ele. O sonho dele era ser arquiteto, desenhar prédios que tocassem o céu, não redigir contratos que o prendiam à terra.

Terceiro, ele queria consertar o relacionamento rompido com seus pais, que nunca aprovaram nosso casamento e o acusaram de se vender por dinheiro e status.

E o último, e talvez o mais doloroso para mim, ele desejava nunca ter me conhecido. Essa frase, escrita com a caligrafia tremida de quem chora, foi o que me quebrou por completo na vida passada.

Cada um desses desejos era um soco no meu estômago. A culpa me consumia. A morte dele foi o resultado direto da vida que eu o forcei a viver. O acidente de carro não foi um acidente, foi uma libertação para ele. E eu era a sua prisão.

Agora, eu tinha cem dias para dar a ele tudo o que eu tirei.

Quando saí do cartório, deixando meus pais em estado de choque e João lívido de raiva, senti um alívio estranho. O primeiro passo estava dado. Eu tinha recusado o casamento. Mas a certidão de casamento, que eu deveria ter rasgado, ainda estava na minha bolsa. Quando a peguei, vi que minha recusa tinha sumido, e no lugar, estava a minha assinatura, perfeita e caligráfica. A voz ecoou de novo: "O destino não pode ser mudado tão facilmente, você deve desfazer os nós, não apenas cortá-los."

Isso significava que, aos olhos da lei e das nossas famílias, nós ainda estávamos casados. A tarefa era muito mais difícil do que eu pensava.

Voltei para o nosso apartamento. João já estava lá, andando de um lado para o outro como um animal enjaulado.

"Você pode me explicar o que foi aquilo, Ana?" ele explodiu assim que eu entrei. "Você humilhou a mim e aos seus pais, fez uma cena ridícula!"

Eu não respondi, apenas o encarei, tentando encontrar o homem que eu amei por trás daquela máscara de raiva. Ele ainda não entendia.

"Eu vou ligar para os seus pais e dizer que foi um mal-entendido," ele disse, pegando o celular.

"Não," eu disse, minha voz calma. "O casamento acabou, João."

Ele parou e me olhou, seus olhos escuros tentando decifrar os meus. Ele viu algo diferente ali, uma determinação que eu nunca tive.

Passei por ele e fui até a varanda. A cidade se estendia abaixo de nós, cheia de vida e de possibilidades que ele nunca pôde explorar. Perto dali, casais saíam de mãos dadas de um restaurante, rindo. Eles planejavam futuros, enquanto eu tentava consertar um passado quebrado. A solidão me atingiu com força. Eu estava sozinha nessa missão, lutando contra o tempo e contra o amor que ainda sentia por ele.

Eu estava perdida em meus pensamentos quando ele apareceu ao meu lado, mais calmo agora.

"Eu sei que você ainda está de luto," ele disse, a voz mais suave. "Mas a gente pode fazer isso dar certo."

Eu balancei a cabeça.

"Não, não podemos."

Ele suspirou, derrotado. Ficamos em silêncio por um tempo, apenas observando a cidade.

Então, para minha surpresa, ele disse: "Lembra daquela vez que a gente disse que iria ver a chuva de meteoros no observatório? Vai ter uma hoje à noite, a maior em dez anos."

Meu coração deu um pulo. Ver a chuva de meteoros com ele era um dos meus maiores desejos na vida passada, um que nunca se realizou. Nós sempre tínhamos uma desculpa, um compromisso, uma briga.

Era uma armadilha ou um vislumbre de esperança? Eu não sabia. Mas era uma oportunidade, e eu não podia desperdiçá-la.

"Sim," eu respondi, olhando para ele pela primeira vez com um pingo de esperança. "Eu me lembro."

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