Meu marido é bilionário. Não digo isso para exibir luxo. Só tenho uma pergunta: todo bilionário trai?
Neste exato momento, ele está com o rosto enterrado nos seios 36D de uma loira sentada no seu colo. Daqui, os dois parecem uma escultura moderna chamada "Interrompido".
Antes que sua mão puxasse o vestido dela para cima, eu abri a porta. Chega. Não sou voyeur de ménage - principalmente quando o homem da cena é meu próprio marido.
Não sei como as outras esposas-troféu aguentam. Mas eu? Não consigo ficar quieta. Se não fosse pelo meu dilema particular, jogaria café fervendo nele.
Tossi de novo. Meu marido, Cary, ergueu o rosto perfeito daquele decote generoso (como ele não sufocava?) e me encarou com raiva.
"Ninguém te ensinou a bater?" ele rosnou, irritado.
"Desculpe. Na próxima vez, penduro um sino na maçaneta. Aí você ouve", respondi, rangendo os dentes.
"Meu Deus, Cary. Sua secretária é tão grosseira. Devia demiti-la", resmungou a loira.
Quase senti pena. Ela não sabia que selara o próprio destino. Cary odiava que mexessem em seus negócios.
"Lisa, pode ir", ele disse, gelado. O ar pareceu congelar.
Mas ela não percebeu. A mão foi até o cinto dele. "Sei que você está excitado. Posso resolver agora. Até ficaria mais picante com plateia."
Em um segundo, Cary a empurrou. Ela caiu no chão.
Ele pegou o telefone. "Segurança. Tirem a Lisa do prédio. Não a deixem voltar."
Em momentos, os seguranças a arrastaram para fora, desesperada.
O escritório ficou em silêncio. Só eu e Cary. Mas não me senti vitoriosa - no fundo, eu era igual a ela.
Seus olhos queimavam em mim, intensos a ponto de furar minha pele. A mensagem era clara: eu precisava de um bom motivo para estar ali, ou acabaria pior que Lisa.
Ele nunca quis uma esposa ciumenta. Tinha me avisado no dia do casamento.
Antes que explodisse, peguei rápido um documento. "Precisa da sua assinatura aqui."
Forcei-me a folhear até a página certa. Meu coração batia tão forte que parecia sair do peito. Não ousei olhá-lo nos olhos - um gesto e ele me leria como um livro aberto.
Cary pegou a caneta e rabiscou a assinatura sem ler. Ele nunca precisava ler - porque eu nunca errava.
Mas naquele instante, parei de respirar - até ele terminar de assinar nossos papéis de divórcio.
Meu coração disparou de novo. Consegui. Estava livre. Divorciada. Deveria sentir alegria, mas um vazio profundo me invadiu. Três anos de casamento, acabados.
Precisava sair antes que ele notasse algo.
Mas então sua mão forte agarrou a minha. "Ah!" Soltei um grito. Ele descobriu?
Em vez de soltar, Cary me puxou para o seu colo com facilidade, a mão deslizando sob meu sutiã.
Se não tivesse acabado de ver a cena com a loira, talvez - só talvez - topasse uma aventura no escritório.
Mas o ciúme já me corroía por dentro. Sem pensar, levantei a mão e dei um tapa forte em seu rosto. Plaf! O som ecoou no silêncio.
"Que porra é essa? Enlouqueceu? Ousa me bater?" Ele me empurrou, incrédulo.
"Sim." Nem tentei negar. As câmeras provariam.
Seus dentes rangeram. Não duvidava - se ele quisesse morder minha garganta, meu sangue jorraria pelo carpete luxuoso.
Antes que virasse uma cena de crime, tentei fugir. Mas a altura dele era vantagem. Com um passo, agarrou meu braço.
"Como você ousa?!" Ele rugiu como um animal. O medo me dominou.
"Responda! Como ousa me bater? Eu sou seu chefe!" Seu aperto aumentou. Mais um pouco e meu pulso quebraria.
"E meu marido", revidei. Mal disse as palavras, me arrependi. Que humilhação viria agora?
Como previsto, Cary congelou. Abri a boca para explicar, mas ele de repente me soltou, com um sorriso cortante. "Querida, por que isso importa agora? Nunca se importou quando eu beijava outras."
Porque eu precisava do seu dinheiro, idiota. Mas agora sua mãe já me pagou. Claro que não podia contar - o acordo de confidencialidade nos prendia. Pelo menos por trinta dias.
Fingindo submissão, murmurei: "Deve ser a TPM. Sabe como os hormônios afetam a gente."
Os lábios de Cary formaram uma linha fina, seu olhar afiado como o de um predador. Engoli seco, ainda segurando os papéis do divórcio. Se ele os visse, sua mãe cortaria o pagamento na hora.
De repente, meu celular tocou. O nome da mãe dele piscava. Salvação. "É sua mãe", falei rápido. "Ela só quer checar se ainda sou uma esposa adequada."
Cary sabia que ela nunca aprovou nosso casamento. Mas ele me precisava. Casar comigo foi sua rebeldia contra o preconceito dela.
Ele acariciou meu rosto e sussurrou: "Não importa o que ela diga, nunca me divorciarei de você. Nunca acharia uma esposa mais perfeita."
Uma esposa perfeita. Alguém que tolera as traições do marido. A ironia era sufocante.
"Agora vá. Confio em você para lidar com ela." Seu tom voltou a ser gelado. Mantive a compostura, virei e saí.
"O Miles vai te trazer um presente depois. Esqueceu? Seu aniversário está chegando", Cary gritou.
Minha espinha gelou. Por um instante, minha determinação vacilou.
Cary era irresistível - o rosto de capa de revista, o corpo esculpido e dominante. Rico, extravagante, generoso demais com a esposa. Poderia me dar o mundo.
Mas tinha um defeito fatal: não me amava.
Três anos atrás, ao assinar o contrato, ele foi claro: sem sentimentos. Não prometia fidelidade, mas seria um marido responsável.
E foi. Quem quebrou a regra fui eu.
"Obrigada", forcei, duas sílabas abafadas. Sem olhar para trás, fechei a porta.
Lá fora, Miles esperava. Sorri para ele.
"Sra. Galloway, o presente do presidente para seu aniversário."
Olhei a caixa elegante. Reconheci a marca. O colar lá dentro valia uma fortuna. Minha penteadeira estava cheia daquilo. Nunca os usei.
Não passava de uma esposa invisível de CEO. Não precisava aparecer em eventos com Cary. Como os colares, era um pássaro na gaiola.
Talvez pudesse dar um sentido a aquilo.
Devolvi o pingente à caixa, fechei com um clique e a coloquei na bolsa. "Pode me fazer um favor?"
Miles piscou e assentiu. "Claro."
"Coloque isso em leilão online. É edição limitada - deve valer bastante. Doe todo o valor para uma instituição de caridade."
Antes que ele reagisse, entrei no elevador. As portas se fecharam.
Uma lágrima solitária escorreu. Limpei rápido. Nada de chorar. Estava apenas deixando um homem que não me amava. Só isso.
Meu celular tocou de novo. Olhei.
Respirei fundo e apertei o verde. "Cary assinou. Vou te enviar a foto."
Desliguei, fotografei a assinatura e enviei para minha sogra, Tanya Grant, com uma mensagem:
[Cumpri minha parte. Agora cumpra a sua. Minha conta: xxxxx]
"Tá falando sério?" Portia Pierce perguntou pela milésima vez.
"Tô."
"Vai mesmo largar o playboy?"
"Vou."
"Você é a Hyacinth de verdade ou um alienígena te possuíu?" Minha melhor amiga gritou no telefone. "Quem quer que seja, saia do corpo dela! Pelo poder de Cristo, saia agora!"
Franzi a testa no sofá do novo apartamento e afastei o celular do ouvido. "Andou revendo 'O Exorcista'?"
"O fato de saber meu filme favorito prova que é você mesma." Portia aceitou minha decisão num instante e mudou de assunto. "Temos que comemorar! The Verve, onze horas. Vestido mais ousado, maquiagem mais brega! Só saio de lá quando te apresentar o homem mais gato da pista!" Ela desligou antes que eu pudesse responder.
Ótimo - porque não ia recusar.
Balada não era meu estilo, mas se queria cortar Cary Grant da minha vida, só os papéis do divórcio não bastavam. Casar com um bilionário exigia conformidade corporativa e aprovações de diretoria - ou foi o que a mãe dele me disse.
Ela precisava de tempo para garantir que minha saída não abalasse os negócios da família. Trinta dias.
Eu já tinha duas cópias assinadas do acordo. Fingir ser a esposa obediente nos últimos trinta dias não foi difícil.
Depois de deixar o Cary, precisaria de um novo emprego. Sem pressa - o acordo me manteria confortável.
O que mais me preocupava era contar aos meus pais.
Eles são conservadores. Quando disse que tinha me casado de repente, há três anos, desaprovaram. Acharam que me vendi a um bilionário para pagar o tratamento da minha mãe.
A atenção do Cary acalmou as preocupações deles na época. Tudo um ato.
Não adianta sofrer por antecipação. Por enquanto, eu queria um pouco de liberdade. Levantei e, como ordenado pela Portia, passei uma maquiagem pesada, brilho labial gritante, mas ignorei o vestido mais provocante.
Claro que tinha minissaias - sim, algumas quase mostravam tudo - e saltos altos. Mas queria que os playboys da balada me vissem como uma mulher com curvas e cérebro, não uma garota fácil.
Quando cheguei, Portia quase me fez usar um vestido de gala.
Segurei seu braço. "Quero beber algo caro primeiro, depois encontrar um cara para me divertir."
Ela cedeu, mas seus olhos prometiam que isso aconteceria ainda naquela noite.
Ela me levou ao mezanino. As paredes grossas e o carpete abafaram o baixo, e pude finalmente ouvir meus pensamentos.
"A galera bonita só chega depois da meia-noite", disse ela, acomodando-se numa cabine de veludo. "Temos uma hora. Pode desabafar tudo, beber o suficiente para limpar as toxinas do Cary do seu sistema e ficar pronta para comemorar com o primeiro homem que der vontade de beijar."
Um garçom charmoso pigarreou, lembrando-nos do pedido.
Portia piscou para ele, pediu um martini francês, um cosmopolitan para mim e uma garrafa de champanhe. Quando ele saiu, virou-se para mim.
"Vamos, conta tudo", disse.
E contei. Portia era a ouvinte perfeita - reagia na hora certa, xingava a outra mulher sem piedade e reservava a maior fúria para o Cary.
"Devem ser os seios", concluiu. "Seu rosto é lindo, todo mundo vê. Só pode ser os seios."
Revirei os olhos. "Quer me convencer a colocar silicone?"
"Ei, sou dona da Clínica Seraphina. Tenho orgulho dos nossos resultados." Ela ergueu o busto como numa demonstração de TV.
Eu ri. "Não força - os 'bebês' podem escapar."
"É lucro para ele." Ela flertou com o garçom que trazia outra rodada; ele piscou de volta.
Com medo de que Portia transasse com ele ali mesmo, sinalizei que ele podia ir. Foi quando ouvi meu nome.
Nosso reservado não era totalmente fechado; uma tela nos separava da mesa ao lado, então a conversa chegava fácil.
"Sério?" disse uma voz jovem - aguda e flutuante, de bêbado ou chapado.
"Sério. Tenho uma fonte no escritório do chefe. Viu uma mulher entrar no escritório do Cary e não sair por meia hora. Quando a Hyacinth chegou, a mulher ainda estava lá." Outra voz, rouca e áspera, acrescentou.
Portia me olhou, atenta. Eu encolhi os ombros.
"Meu Deus - sexo no escritório. O Cary é uma lenda!" continuou a conversa.
"Nenhuma surpresa. Todo mundo sabe que ele não respeita a - como dizem - esposa plebeia. Ela devia aceitar em silêncio. Perdeu a dignidade, mas ganhou uma fortuna, né?"
"Hoje ela viu o marido transar ao vivo. É diferente", disse o bêbado com um tom de deboche. "Aposto que está em casa chorando. Coitada - até dá vontade de abraçá-la."
O de voz rouca zombou. "Abraçar? Ou transar?"
"Quem disse que não posso fazer os dois?" O bêbado sorriu. "Tenho o número dela. Talvez ligue depois. A bunda dela é a mais firme do SoHo - quero transar com ela desde o primeiro dia."
Recostei-me, achei o painel de controle e apertei um botão. A parede à direita piscou e ficou transparente. Rick Hatchett, bêbado, congelou no meio da frase.
Portia me passou um spray de pimenta.
"Não", balançei a cabeça, apertei o botão de chamar o garçom e me levantei. Fui direto ao reservado deles. Quatro homens me encararam - olhos arregalados, bocas abertas.
Aproximei-me do Rick. "Oi, Rick."
Quando nos conhecemos num baile beneficente no ano passado, ele parecia o cavalheiro perfeito. Mas, ao que tudo indicava, aquele comportamento era só um prelúdio para ele passar a mão na minha "bundinha".
"Oh - oi, Hyacinth. Não esperava te ver aqui. Não sabia que o Cary estava por perto." Seu sorriso era forçado; ele não tirava os olhos da parede de vidro, torcendo para que fosse à prova de som.
"Claro que ele não está", eu disse, sorrindo de volta. "Mas essa não é a melhor parte?"
"O quê?!" Rick arregalou os olhos.
"Quero dizer - você acabou de falar que estava morrendo de vontade de pegar na minha bunda." Repeti suas palavras.
"Não, eu estava brincando." Rick levantou-se, constrangido. "Peço desculpas."
"Tá falando sério?" Inclinei a cabeça, sorrindo docemente. "Já que você tem tanto interesse na minha bunda, por que não me paga uma bebida?"
Seus olhos se arregalaram, mas meu tom inflou seu ego. "Claro. O que você quiser", disse, sorrindo.
"Perfeito." Peguei a garrafa de whisky mais cara do bar e caminhei até ele com um sorriso que faria qualquer um se ajoelhar.
"Deixe-me-" ele começou, tentando bancar o cavalheiro.
Sem hesitar, quebrei a garrafa na cabeça dele. O vidro estilhaçou; o líquido dourado se misturou ao sangue, manchando o terno.
Tudo aconteceu tão rápido que todos ficaram paralisados.
Eu estava perfeitamente calma. Virei-me para o garçom mais próximo e sorri. "Coloca na conta dele. Ele insistiu."
Rick voltou a si. "Sua pu-"
Antes que a palavra saísse, uma voz cortou o ar, grave e familiar, ecoando pelo mezanino:
"Você ia chamar minha esposa de quê?"
Todos congelaram, transformados em estátuas. Ninguém ousaria me zoar na frente do Cary. Eu o conhecia - ele podia me humilhar, mas isso não significava que qualquer um tivesse o direito. Até sua mãe não podia. Resumia isso como uma possessividade masculina doentia.
Cary era alto; mesmo de terno, sua presença tornava o ar pesado. Ele dominava o espaço como um predador. O rosto do Rick estava pálido como um cadáver.
"Cary, eu estava bêbado. Foi só uma brincadeira-", o homem gaguejou.
"Cary? Não me lembro de nós termos intimidade," a voz de Cary ecoou profunda, e Rick caiu de joelhos no mesmo instante.
"Sr. Grant, me perdoe. Fui estúpido, um lixo; como ousei insultar sua esposa." Rick implorou.
"Peça desculpas à minha esposa, não a mim," Cary ordenou, gelado.
"Sra. Grant, me desculpe. Me perdoa?" Rick olhou para mim; o ferimento na cabeça precisava de pontos. Não quis prolongar.
"Pode ir," disse.
Mas Cary agarrou a gola de Rick novamente. "Ouça bem. Último aviso. A partir de hoje, não quero ver sua cara nesta cidade. Entendeu?"
Rick assentiu freneticamente e saiu cambaleando, quase sumindo no corredor.
Vendo Rick naquele estado, ninguém mais estava a fim de festa; todos assustados, se dispersaram. Portia segurou meu braço - ela sabia da separação e que não podia ser divulgada por mais trinta dias. Não podia simplesmente me arrastar dali.
"Quer ir embora?" ela sussurrou, olhando para mim.
Assenti e então me virei para Cary. "Obrigada. Vou para casa," disse, mantendo a formalidade. Cary era um idiota, eu sabia, mas ele agia quando necessário. Se não tivesse me apaixonado, teria sido o final perfeito.
"O que você está fazendo aqui?" Cary me segurou pelo braço, então olhou meu vestido. "E por que está vestida assim?"
Vestida assim? Olhei para baixo - apenas um vestido justo, ombros e braços à mostra. A única coisa exagerada era como ele marcava minhas curvas, como uma segunda pele. Até a Portia havia brincado que não era roupa de balada.
"Não lembro de ter assinado um toque de recolher," rebati. "Metade do clube está vestida com menos tecido que eu."
"Você é minha esposa. Não devia estar num lugar desses," Cary disse, frio.
"Novidade: temos um acordo. Sou sua esposa secreta; ninguém me conhece além do seu círculo," retruquei.
Cary apertou mais meu pulso. Franzi a testa. De repente, não queria ceder. Sabia que, se dissesse "Tudo bem, exagerei", ele me soltaria, e eu receberia meu pagamento mais rápido.
O pensamento me deixou vazia. Odeio essa sensação. "Ou quer anunciar publicamente que sou sua esposa?" provoquei.
O olhar de Cary poderia me reduzir a cinzas.
"Cary, o que está acontecendo? Meu irmão está te esperando." Uma voz feminina e suave cortou a tensão.
A mulher se aproximou e passou o braço pelo dele. Seus olhos pousaram no meu rosto com um leve ar de perplexidade.
"Ela não é ninguém importante - só minha secretária. Vi que estavam incomodando ela e vim ajudar," disse Cary, soltando meu braço.
Senti o olhar da Portia queimando em mim. Encarei seus olhos. De repente, cansei de ser invisível.
Deixei-me desmoronar contra o Cary. "Chefe, estou passando mal. Pode me levar ao hospital?"
Vi o aviso nos olhos dele, mas ousei empurrar a mulher para o lado. A reconheci - não era uma interesseira qualquer, era a Vanessa, irmã do responsável pelo grande projeto que nossa empresa acabara de fechar.
Era uma cliente crucial.
Enterrei o rosto no peito de Cary. "Sério - acho que preciso de um médico."
Imaginei que Cary me afastaria no segundo seguinte, mas, inesperadamente, ele pôs a Vanessa de lado e me puxou para perto. "Diga ao seu irmão que preciso levar minha secretária ao hospital."
"O quê?! Não! Cary?!" Vanessa gritou. "Você sabe como esse projeto é importante!"
Mas Cary a ignorou e me guiou para dentro do elevador. Seu coração batia rápido; eu não sabia o que ele planejava.
Eu estava assustada; raramente o provocava tanto. Assim que as portas do elevador se fecharam, tentei me soltar.
Cary me pressionou contra a parede, irritado. "Olha, sei que ainda está chateada com o que aconteceu no escritório. Deixo passar - vamos chamar de um desentendimento."
Ele mordiscou minha orelha enquanto falava. Eu não ousava me mexer; encolhi o corpo o máximo possível. Então, de repente, Cary levantou minha saia.
"Está louco? Tem câmeras aqui!" Gritei e segurei sua mão. Sabia que ele daria um jeito nas filmagens, mas a exposição ainda me aterrorizava.
"A louca é você. Me seguiu até aqui para me pegar no flagra," ele zombou.
O quê? Eu estava aqui só para curtir com a Portia. Como ia saber que ele traria a nova conquista? "Eu não te segui! Por que faria isso? Eu não te amo."
O ar parou. O olhar de Cary ficou gélido, diferente da fúria de antes - como se minhas palavras tivessem perfurado seu orgulho.
Eu não te amo - não era exatamente isso que ele sempre quis?
De repente, o elevador fez um ding e as portas se abriram. Cary me bloqueou com o corpo; olhei para baixo e vi sapatos de couro impecáveis, pernas longas em calça social preta, mãos grandes nos bolsos. Cary acenou com educação. "Preciso ir."
Claramente, alguém do mesmo nível.
Mantive a cabeça baixa e segui Cary. Não ousei demorar, mas ainda senti o olhar do homem, um misto de desdém e indiferença, como se eu fosse uma distração barata.
E eu era - nenhum homem que respeitasse a esposa a humilharia num elevador.
Assim que entrei no carro de Cary, o motorista levantou a divisória discretamente. Me encolhi o máximo que pude, me afastando dele. O silêncio só era quebrado pela minha respiração. Me recusei a falar.
Cary suspirou. "Tenho que resolver o projeto. Sua cena no clube não ajudou - você ficou parecendo uma meiga. uma megera, não acha?"
Quis revidar, mas pensei no divórcio. Não precisava explicar nada. "Algo mais?" perguntei, esperando os insultos.
"Se quer ficar comigo, pare com esse ciúme infantil. Não tenho tempo para suas crises," Cary disse, franzindo a testa.
"Tá bom. Mais alguma coisa?" continuei na pose obediente.
Cary se inclinou, segurou meu queixo e falou baixo: "Hyacinth, você tem noção de como está insuportável?"
Foi como uma facada. As lágrimas ameaçaram vir. Apertei as mãos com força. Um sorriso forçado surgiu.
"Sabe, tem um jeito de eu parar de ser insuportável."
"O quê?!" Os olhos perigosos de Cary se estreitaram.
"Se divorcie de mim."
Ergui o olhar e encarei o dele.