Liana Magalhães, a única herdeira de um vasto império do agronegócio brasileiro, amava secretamente Tiago, um dos jovens órfãos adotados por seu pai para serem seus "protegidos". Ela acreditava que ele era o mais digno e competente entre eles, o único a quem ela realmente via.
Mas, em uma noite de festa, seu mundo desabou. Liana viu Tiago beijando sua "prima" Sofia com uma paixão avassaladora. Pouco depois, em choque, ela ouviu os outros "protegidos" tramando à beira da piscina: tudo era um plano para Liana, um teatro para que ela os rejeitasse, garantindo a Sofia uma vida de luxo e forçando Tiago a casar com a herdeira por obrigação.
A garota ingênua morreu naquele momento. Consumida pela dor e humilhação, Liana aceitou a proposta de casamento de Bruno. Mas a maldade não cessou: Tiago a armou para uma queda de cavalo, quebrou seu ombro, e depois a humilhou publicamente no leilão e em sua própria festa de noivado, vazando um vídeo íntimo com suas vulnerabilidades mais profundas.
Eles riram dela, fizeram-na de tola, traíram-na de todas as formas imagináveis. Como puderam ser tão cruéis, depois de tudo que sua família lhes deu? E como Sofia, a "flor do sertão", foi capaz de tamanha perfídia? Liana sentiu uma mistura avassaladora de raiva, nojo e uma sede fria por justiça.
Mas a Liana ingênua desapareceu para sempre. A nova Liana, fria e determinada, não aceitaria mais humilhações. Ela havia instalado câmeras secretas. Ela tinha provas. Preparem-se, "protegidos". O jogo apenas começou, e a verdadeira rainha do império vai reivindicar sua coroa e fazer justiça, doa a quem doer.
Liana Magalhães era a única herdeira do Grupo Magalhães, o império do agronegócio brasileiro, conhecido como o rei do café e da soja.
Seu pai, um viúvo poderoso e superprotetor, não confiava em ninguém de fora para cuidar de sua filha. Por isso, adotou sete jovens órfãos, todos talentosos e de origem humilde.
Eles foram criados como parte da família, os "protegidos". A esperança do meu pai era que um deles se mostrasse digno de se casar comigo e co-gerir o império.
Mas eu só tinha olhos para um.
Tiago.
Ele era o mais competente de todos, um gerente de fazenda brilhante, mas também o mais frio. Ele me tratava com uma distância que me deixava louca, e isso só aumentava minha obsessão.
Os outros seis? Eu mal os notava. Lucas era um "tigre sorridente", charmoso demais, bajulador demais, e eu detestava isso. Os outros adotavam personas que sabiam que eu desprezava: o bad boy, o artista sofredor, o intelectual arrogante. Eu não queria nenhum deles.
Hoje era a grande Festa Junina na fazenda principal. A fogueira queimava alta, a música tocava animada. Eu decidi que era a noite. Iria me declarar para Tiago, acabar com essa angústia de uma vez por todas.
Procurei por ele em meio à multidão, meu coração batendo forte. Finalmente, o vi.
Mas ele não estava sozinho.
Atrás da fogueira, na penumbra alaranjada, ele segurava o rosto de Sofia, sua "prima". Ela também era órfã, acolhida junto com ele. Todos a viam como a "flor do sertão", uma moça doce e pura.
Ele a beijou.
Não foi um beijo de irmão. Foi um beijo apaixonado, desesperado.
Meu mundo parou. O som da festa desapareceu. Eu só conseguia ver suas bocas se movendo juntas. Senti um frio que nada tinha a ver com a noite. Dei um passo para trás, depois outro, e fugi dali antes que alguém me visse.
No dia seguinte, durante o churrasco de domingo, a dor ainda estava cravada no meu peito. Eu me mantive afastada, sentada na varanda, fingindo ler um livro. Foi quando ouvi as vozes dos outros seis protegidos vindo da área da piscina.
"A Liana viu? Alguém sabe se ela viu o Tiago e a Sofia ontem?"
"Espero que não. Ia estragar todo o plano."
"Que plano? O Tiago vai ter que se sacrificar de qualquer jeito. Casar com a princesinha para garantir que a nossa Sofia continue vivendo no luxo."
"É, coitado do Tiago. Mas pelo menos a gente fica livre. Já pensou ter que aguentar aquela mimada pro resto da vida? Ainda bem que ela odeia a gente."
"É verdade. Ser bajulador como o Lucas funciona. Ela detesta. Ser rebelde também. Ela nunca olharia pra mim."
Eles riram. Zombando de mim.
Tudo era uma farsa. A bajulação, a rebeldia, a arrogância. Tudo para que eu os rejeitasse. Para que eles pudessem "competir de forma justa" por Sofia. Todos eles a amavam.
E Tiago, o homem que eu amava, ia se casar comigo por obrigação, por pena, para que a mulher que ele realmente amava pudesse continuar vivendo como uma rainha às minhas custas.
A humilhação me sufocou. A traição era total, vinda de todos os lados.
Meu pai me encontrou ali, pálida e tremendo.
"Filha, o que aconteceu?"
Eu levantei a cabeça, as lágrimas secas no meu rosto. A garota ingênua morreu naquela varanda.
"Pai, ligue para o Bruno. Diga a ele que eu aceito a proposta de casamento."
Bruno era filho de um magnata industrial de São Paulo, amigo da nossa família. Um playboy, sim, mas que me pedia em casamento desde a adolescência. Ele sempre disse que me amava de verdade.
Meu pai me olhou, confuso. "Mas e o Tiago? Pensei que você..."
"Eu ouvi tudo, pai."
Contei a ele sobre a conversa na piscina. Sobre a farsa dos protegidos. Sobre o sacrifício de Tiago. Sobre Sofia.
A expressão de meu pai endureceu. Ele me abraçou forte.
"Eles ousaram magoar a minha filha."
Sua voz era baixa, perigosa.
"Pai", eu disse, minha voz fria como gelo. "Comece o processo para remover os protegidos de suas posições de poder. E corte cada centavo do financiamento ilimitado da Sofia. Agora."
Ele me olhou, vendo a nova determinação em meus olhos.
"Será feito, minha filha. Será feito."
Lembrei-me do dia em que meu pai os trouxe para a fazenda. Sete meninos assustados. Tiago, o mais velho, segurava a mão de uma garotinha pequena, Sofia.
"Eu só vou se ela for também", ele disse ao meu pai.
Meu pai, querendo dar a mim uma família, aceitou. Ele os criou para me apoiar, para me proteger.
E eles, todos eles, protegeram Sofia. De mim. O beijo na fogueira não foi um deslize. Foi a confirmação de um plano. O plano deles.
Agora, eu tinha o meu próprio plano.
Com a decisão tomada, uma estranha calma tomou conta de mim. A dor ainda estava lá, mas agora era combustível.
Lembrei de todas as vezes que Tiago me tratou com frieza, de todas as vezes que os outros me irritaram de propósito. Não era desprezo, era estratégia. E eu, cega de amor, nunca percebi.
"Pai, eles não podem saber que eu sei. Não ainda", eu disse, enquanto ele estava ao telefone, já dando as primeiras ordens.
"Eles vão pagar, Liana. Um por um."
"Eu sei. Mas faremos do meu jeito. Depois do meu casamento com o Bruno, você os remove da casa. Não quero mais conflitos sobre os bens da família. Quero eles fora da minha vida."
Meu pai concordou. Ele me daria tudo o que eu pedisse. Ele sempre deu.
Mais tarde, eu estava descendo as escadas quando dei de cara com Sofia. Ela abriu um sorriso doce, inocente.
"Liana, querida! Ouvi dizer que você não está se sentindo bem. Fiquei tão preocupada."
Ela tentou pegar minha mão. O toque dela me deu nojo.
"Não me toque", eu disse, a voz ríspida.
Puxei meu braço para trás com força. Sofia, sempre a atriz, se desequilibrou. Ela não apenas caiu, ela rolou escada abaixo de forma exagerada, soltando um grito agudo.
"Aaaah!"
Imediatamente, os protegidos apareceram de todos os lados, como se estivessem de guarda.
"Sofia!"
Lucas foi o primeiro a chegar perto dela. Ele me olhou com acusação. "Liana, o que você fez? Como pôde empurrá-la?"
Os outros fizeram coro, cercando Sofia, que chorava nos braços de um deles.
"Eu não fiz nada...", ela soluçou, "Liana só está chateada. Não foi culpa dela, não a culpem."
O vitimismo dela era perfeito. Ela me defendia, sabendo que isso só faria os outros me odiarem mais.
Então, Tiago apareceu.
Ele nem olhou na minha direção. Não pediu nenhuma explicação. Seus olhos foram direto para Sofia, deitada no chão. Ele a pegou no colo com uma delicadeza que nunca usou comigo.
"Vamos para o quarto", ele disse, a voz fria como sempre.
Ele passou por mim como se eu fosse invisível e subiu as escadas, levando-a. A mensagem era clara. Eu não importava. Minha versão da história não importava.
Eu fiquei ali, parada, observando-os desaparecer no corredor. Eu não sentia mais a necessidade de chorar ou de me justificar. Eu só sentia uma resignação fria. Eles não mereciam minhas explicações. Não mereciam mais nada de mim.
No dia seguinte, todos estavam na beira do rio. Uma atividade em família. Eu fiquei sentada em uma cadeira, afastada, observando.
Tiago estava com Sofia. Ele descascava uma laranja para ela, tirando cada fiapo branco com uma paciência infinita. Algo que ele sempre se recusou a fazer para mim.
"Não sou seu empregado", ele dizia.
Mas para Sofia, ele era.
A cena me trouxe uma lembrança dolorosa. Uma vez, quando éramos adolescentes, eu estava com os sapatos desamarrados e, de brincadeira, pedi para ele amarrar. Ele se recusou. Meu pai, vendo a cena, ficou furioso.
"Tiago! Ajoelhe-se e amarre os sapatos da minha filha. Agora!"
Ele obedeceu. Seu rosto queimava de humilhação enquanto ele se ajoelhava na minha frente. Na época, eu achei que era orgulho ferido.
Agora, vendo-o servir Sofia voluntariamente, com um sorriso suave no rosto, eu entendi. Não era só orgulho. Era ódio. Ele me odiava. E eu era a idiota que nunca viu.