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Cinco Anos, Um Nome Esquecido

Cinco Anos, Um Nome Esquecido

Autor:: Yue Man Shuang
Gênero: Moderno
Ele se lembrava do nome do meu bicho de estimação de infância, do nosso primeiro encontro e da minha marca obscura de chá, mas em cinco anos, Breno não conseguiu se lembrar que eu era alérgica a camarão. O fruto do mar brilhava no meu macarrão, um lembrete cruel do quão pouco de mim realmente existia na mente dele, especialmente enquanto ele ria com uma loira conhecida do outro lado do salão. Meu estômago se revirou, não pela alergia, mas por uma doença mais profunda. Naquela noite, em uma festa badalada num terraço, Breno entregou a Isabela Fontes, uma jovem loira, uma pulseira delicada - uma réplica da que a avó dela usava, uma história que ele já tinha me contado cem vezes. "Bela, isso me lembrou você", ele disse, com a voz suave, íntima. Ela sorriu radiante, inclinando-se para ele, os olhos brilhando, e então seu olhar cruzou com o meu, com um brilho triunfante e venenoso. Quando Isabela ronronou sobre a inauguração de uma galeria, Breno riu. "A Eliza vai com a gente. Nosso jantar de aniversário é nessa noite." Ele se virou para mim, um sorriso forçado implorando para que eu entrasse no jogo. Mas eu já tinha chegado no meu limite. "Acabou, Breno", sussurrei. "E meu nome é Eliza." Ele pareceu genuinamente perdido, incapaz de se lembrar do meu nome verdadeiro, enquanto Isabela e seus amigos zombavam do seu esquecimento. Seus olhos, arregalados e confusos, buscaram meu rosto. "Eliza? Do que você está falando? Seu nome é... sempre foi..." Ele parou, completamente desnorteado. Um gosto amargo de fel encheu minha boca. Ele se lembrava de cada detalhe trivial da vida de Isabela, mas do meu nome de verdade? Era um branco total. Mais tarde, ele me deixou abandonada em uma estrada escura e sinuosa depois que me recusei a pedir desculpas a Isabela. Meu celular estava sem bateria, e eu tropecei, quebrando o tornozelo. Enquanto eu estava ali, sozinha e ferida, soluçava: "Por que eu fiquei? Por que desperdicei cinco anos com ele?". Breno, enquanto isso, ia embora, uma inquietação que o corroía por dentro borbulhando sob sua raiva, apenas para retornar a uma cena de horror.

Capítulo 1

Ele se lembrava do nome do meu bicho de estimação de infância, do nosso primeiro encontro e da minha marca obscura de chá, mas em cinco anos, Breno não conseguiu se lembrar que eu era alérgica a camarão. O fruto do mar brilhava no meu macarrão, um lembrete cruel do quão pouco de mim realmente existia na mente dele, especialmente enquanto ele ria com uma loira conhecida do outro lado do salão. Meu estômago se revirou, não pela alergia, mas por uma doença mais profunda.

Naquela noite, em uma festa badalada num terraço, Breno entregou a Isabela Fontes, uma jovem loira, uma pulseira delicada - uma réplica da que a avó dela usava, uma história que ele já tinha me contado cem vezes. "Bela, isso me lembrou você", ele disse, com a voz suave, íntima. Ela sorriu radiante, inclinando-se para ele, os olhos brilhando, e então seu olhar cruzou com o meu, com um brilho triunfante e venenoso.

Quando Isabela ronronou sobre a inauguração de uma galeria, Breno riu. "A Eliza vai com a gente. Nosso jantar de aniversário é nessa noite." Ele se virou para mim, um sorriso forçado implorando para que eu entrasse no jogo. Mas eu já tinha chegado no meu limite. "Acabou, Breno", sussurrei. "E meu nome é Eliza." Ele pareceu genuinamente perdido, incapaz de se lembrar do meu nome verdadeiro, enquanto Isabela e seus amigos zombavam do seu esquecimento.

Seus olhos, arregalados e confusos, buscaram meu rosto. "Eliza? Do que você está falando? Seu nome é... sempre foi..." Ele parou, completamente desnorteado. Um gosto amargo de fel encheu minha boca. Ele se lembrava de cada detalhe trivial da vida de Isabela, mas do meu nome de verdade? Era um branco total.

Mais tarde, ele me deixou abandonada em uma estrada escura e sinuosa depois que me recusei a pedir desculpas a Isabela. Meu celular estava sem bateria, e eu tropecei, quebrando o tornozelo. Enquanto eu estava ali, sozinha e ferida, soluçava: "Por que eu fiquei? Por que desperdicei cinco anos com ele?". Breno, enquanto isso, ia embora, uma inquietação que o corroía por dentro borbulhando sob sua raiva, apenas para retornar a uma cena de horror.

Capítulo 1

Ele se lembrava do nome do bicho de estimação dela de infância, do dia exato em que se conheceram e da sua marca favorita de um chá artesanal super específico - mas em cinco anos, ele não conseguiu se lembrar que eu era alérgica a camarão. Estava bem ali, rosado e brilhante no meu macarrão, um lembrete cruel do quão pouco de mim realmente existia na mente dele. Olhei para o prato, depois para Breno, o homem que eu amava, o homem que no momento ria com uma loira conhecida do outro lado do restaurante. Meu estômago se revirou, não pela alergia, mas por uma doença mais profunda e corrosiva.

"Eliza? Está tudo bem?" A voz de Breno cortou o falatório do restaurante.

Ele finalmente tinha olhado na minha direção. Seus olhos, geralmente tão quentes, agora tinham um brilho de preocupação distante. Ele nem tinha notado o camarão até eu empurrar o prato para longe.

"Camarão", eu disse, com a voz vazia. "Você sabe que sou alérgica."

O sorriso dele vacilou. Um rubor subiu pelo seu pescoço. "Ah, meu Deus, Eliza, me desculpe. Eu esqueci completamente. Deixa eu pedir outra coisa pra você. Chef, uma nova massa para a minha namorada, sem camarão, por favor! Erro meu!"

Ele era rápido em agir, sempre. Rápido em se desculpar, rápido em consertar o problema visível. Mas o problema real, aquele que apodrecia dentro de mim, ele ignorava todas as vezes. Um novo prato chegaria, mas meu apetite tinha desaparecido. O vazio no meu peito tinha se tornado grande demais para qualquer comida preencher.

Mais tarde naquela noite, chegamos a uma festa badalada num terraço. As luzes da cidade se borravam lá embaixo, uma tapeçaria cintilante que eu mal notei. Breno, como sempre, era um ímã. No momento em que entramos, seus olhos varreram a multidão, encontraram seu alvo, e ele se foi.

Ele passou por mim, um toque fantasma nas minhas costas, e foi direto para Isabela Fontes. Ela era jovem, loira e linda, envolta em um vestido que brilhava sob a luz da lua. Ela era como uma sereia.

Ele entregou a ela uma pulseira delicada e brilhante. Era uma réplica de uma que a avó dela usava, uma história que ele já tinha me contado cem vezes.

"Bela, isso me lembrou você", ele disse, com a voz suave, íntima.

Ela sorriu radiante, seus dedos traçando as pequenas joias. "Breno, você sempre se lembra das coisas mais doces. Sabe exatamente o que me dar."

Ela se inclinou para ele, a mão repousando casualmente em seu peito. Era um gesto familiar, um que fez meu maxilar travar. O jeito que ela olhava para ele, com os olhos brilhando, era uma performance antiga e dolorosa.

Então os olhos dela piscaram na minha direção, um sorrisinho brincando em seus lábios. Um brilho triunfante e venenoso. Ela desviou o olhar rapidamente, voltando-se para Breno.

"A gente tem que ir naquela inauguração da galeria nova no próximo mês, Breno", ela ronronou. "Lembra? Você prometeu que iríamos juntos, como nos velhos tempos."

Breno riu, balançando a cabeça. "Bela, podemos ir, mas a Eliza vai com a gente. Na verdade, já temos planos para essa noite."

Ele se virou para mim então, um sorriso forçado no rosto. "Não é, meu bem? Nosso jantar de aniversário é nessa noite."

Seus olhos pareciam implorar para que eu entrasse no jogo, para amenizar o constrangimento. Mas eu já tinha chegado no meu limite. Cansada da farsa, cansada de ser um segundo plano.

"Acabou, Breno", eu disse, minha voz mal um sussurro, mas que cortou o barulho festivo como um caco de gelo. "E meu nome é Eliza."

As risadas, a música, a conversa - tudo morreu. O silêncio repentino foi ensurdecedor, esmagador. Os olhos de Breno, arregalados e confusos, buscaram meu rosto.

"Eliza?", ele repetiu, a testa franzida. "Do que você está falando? Seu nome é... sempre foi..." Ele parou, genuinamente perdido.

Um gosto amargo e ácido encheu minha boca. Ele tinha feito de novo. Por cinco anos, eu o corrigi pacientemente. "É Eliza, Breno. Não Elisa. Nem Alisa. Eliza." Todas as vezes, ele prometia se lembrar. Todas as vezes, ele esquecia. Mas ele conseguia se lembrar do nome da professora do jardim de infância de Isabela, seu tom de azul favorito, o sabor exato do sorvete pelo qual ela chorou quando tinha sete anos. Ele se lembrava de cada detalhe trivial da vida dela, mas do meu nome de verdade? Era um branco total.

Isabela soltou uma risadinha aguda e zombeteira. "Ah, Breno, querido. Ela só está fazendo drama. Você sempre erra o nome dela. É fofo, na verdade."

Os amigos de Breno, um grupo de socialites ricos e superficiais, se juntaram à risada.

"É, Breno, lembra quando você a chamou de 'Brenda' no baile de caridade?", um deles gargalhou. "Clássico!"

Outro interveio: "O cara é uma enciclopédia ambulante de fatos inúteis, mas nomes? Esquece!"

As palavras deles me atingiram, me deixando dormente. Senti meu corpo esfriar, a última centelha de calor se apagando. Breno viu meu rosto então, viu de verdade. A zombaria no ar desapareceu de sua expressão, substituída por um horror crescente.

"Eliza, eu... eu sinto muito", ele gaguejou, estendendo a mão para mim. "Eu não sei o que há de errado comigo. Vou melhorar, eu prometo."

Era tarde demais. A fonte de emoção dentro de mim havia secado. Não havia mais raiva, apenas um vazio doloroso. Eu não podia fazer uma cena aqui. Não agora. Não assim.

Respirei fundo, forçando o nó na minha garganta a descer. "Só me leve para casa, Breno", eu disse, com a voz vazia.

Ele pareceu aliviado, quase desesperado. "Claro, meu bem. Vamos."

Isabela, sempre oportunista, deu um passo à frente. "Ah, Breno, minha casa não é longe. Pode me deixar lá? É no seu caminho, né?" Ela olhou para ele com expectativa, depois para mim com outro sorriso de escárnio.

Breno olhou para mim, uma pergunta silenciosa em seus olhos.

Eu não respondi. Apenas me virei e fui embora, passando por eles, em direção à saída. Que me seguissem. Ou não. Não importava mais.

Capítulo 2

O ar frio da noite me atingiu quando pisei na rua, mas pouco fez para esfriar o fogo que queimava em meu peito. Breno e Isabela estavam logo atrás de mim, seus passos ecoando no asfalto. Quando chegamos ao carro, movi-me para abrir a porta do passageiro, um movimento robótico. Mas Isabela foi mais rápida.

Ela se lançou para frente, um flash loiro, e deslizou para o banco da frente. O impacto de seu quadril contra o meu enviou uma pontada de dor pela minha lateral. Eu tropecei, me segurando na moldura da porta.

"Opa! Foi mal, Eliza!", ela chilreou, sem parecer nem um pouco arrependida. Seus olhos encontraram os meus, um brilho triunfante em suas profundezas. "Parece que cheguei primeiro, não é?"

Eu não disse nada, apenas fiquei ali, esperando. Esperando que Breno fizesse algo, qualquer coisa, para reconhecer o desrespeito flagrante. Ele não fez.

"Bela, você senta aí. Eliza, pode entrar atrás", disse Breno, com a voz seca. "A Bela enjoa fácil no carro."

Meu estômago se contraiu. Enjoa? Eu também enjoava. Por anos, eu carregava um pequeno kit de emergência na minha bolsa: balas de gengibre, uma compressa fria, remédios para enjoo. Não porque Breno se lembrava, mas porque ele nunca se lembrava. Ele esquecia minha alergia, meu nome, meu desconforto. Ele esquecia tudo o que realmente importava. Percebi com uma nova onda de desespero que minha bolsa, com seu conteúdo vital, ainda estava na festa.

"Eu também enjoo", afirmei, minha voz surpreendentemente firme.

Breno suspirou, um som impaciente. "Eliza, por favor. Não comece. Está tarde, todo mundo está cansado. Apenas entre." Ele esfregou as têmporas. "Não seja dramática."

Dramática. Essa era a palavra dele para a minha dor. Minha frustração. Minha existência. Olhei para ele, olhei de verdade, e vi um estranho. Não adiantava discutir. Peguei meu celular, na esperança de chamar um Uber, mas a tela permaneceu teimosamente escura. Bateria morta. Que sorte a minha.

A rua estava deserta, as sombras se estendendo longas e ameaçadoras no brilho fraco das luzes distantes. O ar estava mais frio agora, cortando meu vestido fino. O medo, frio e agudo, me cutucou. Imaginei o pior. Qualquer coisa poderia acontecer aqui fora. Mas eu não daria a ele a satisfação de me ver com medo.

"Entra, Eliza!", Breno estalou, sua paciência esgotada.

Engoli uma resposta atravessada, meu maxilar doendo. Com um suspiro pesado que parecia vir das profundezas da minha alma, deslizei para o banco de trás.

Isabela, enquanto isso, tagarelava na frente, sua voz brilhante e irritantemente alegre. "Ah, Breno, lembra daquela vez que escapamos da mansão dos seus pais e fomos observar as estrelas? Fomos pegos voltando e seu pai ficou furioso!" Sua risada tilintou no espaço fechado, amplificada pelo interior do carro, cada som um golpe de martelo nas minhas têmporas.

Breno riu, um som quente e genuíno que eu não ouvia dirigido a mim a noite toda. "Como eu poderia esquecer? Você estava apavorada, mas fingiu ser tão corajosa."

A conversa deles tecia uma tapeçaria de memórias compartilhadas, um mundo particular do qual eu estava trancada do lado de fora. Minha cabeça começou a latejar, meu estômago a revirar. A náusea familiar do enjoo de carro, amplificada pelo estresse e pelo som implacável da voz de Isabela, subiu rapidamente. Pressionei minha testa contra o vidro frio, tentando respirar, tentando segurar.

"E Breno", continuou Isabela, sua voz baixando para um sussurro conspiratório, "lembra daquela promessa que você me fez quando éramos crianças? Que você sempre cuidaria de mim?"

Foi isso. O ponto de ruptura. Meu controle se quebrou.

"Será que vocês dois podem, por favor, ficar quietos?", gritei, minha voz crua e tensa, cortando a bolha íntima deles. Minha cabeça latejava, meu estômago se rebelava.

Isabela se virou no assento, os olhos arregalados, fingindo choque. "Ah, Breno, ela é tão grossa! Eu só estava tentando te animar. Você parece tão estressado ultimamente, e eu só queria te lembrar de tempos mais felizes." Ela agarrou o braço dele, seus olhos se enchendo de lágrimas falsas.

O rosto de Breno era uma máscara de pedra, seu maxilar tenso. Ele me olhou no espelho retrovisor, seus olhos frios e distantes. Ele não disse nada, mas seu silêncio foi mais alto que qualquer grito. Foi um julgamento.

Capítulo 3

Fechei os olhos, pressionando a cabeça contra a janela fria, tentando bloquear o mundo. O zumbido rítmico do motor e o chilrear abafado de Isabela haviam se tornado um tormento. Mas logo, o zumbido se transformou em uma vibração desconfortável, e o trajeto ficou mais acidentado. Não estávamos mais no asfalto liso.

Abri os olhos e espiei para fora. As poucas luzes da rua haviam desaparecido, substituídas pela escuridão profunda e densa do campo. Árvores esqueléticas e fantasmagóricas arranhavam o céu noturno. O pânico explodiu no meu peito.

"Onde estamos?", exigi, minha voz afiada de medo.

Breno me ignorou, seu olhar fixo na estrada à frente. Isabela riu baixinho. O silêncio de Breno enviou uma nova onda de terror através de mim. Este não era o caminho para casa.

"Breno, para o carro!", gritei, minha voz subindo em histeria. "Para o carro agora mesmo!"

O carro cantou pneu e parou bruscamente, me jogando para frente. Minha cabeça bateu na parte de trás do banco do passageiro. Um raio de dor atravessou meu crânio, seguido por uma tontura vertiginosa. Eu arquejei, agarrando minha testa latejante.

Antes que eu pudesse sequer registrar o ferimento, Breno se virou, seus olhos queimando com uma fúria gelada que eu nunca tinha visto antes. Era um olhar que me desnudava, que me via como uma inimiga.

"Peça desculpas", ele rosnou, sua voz baixa e perigosa.

Eu o encarei, minha mão ainda pressionada na minha cabeça dolorida. "Você está louco? Você acabou de frear com tudo, eu bati a cabeça! E você quer que eu peça desculpas?"

"Peça desculpas para a Isabela", ele repetiu, sua voz inabalável. "Peça desculpas por ser grossa, por estragar o clima, por sempre fazer uma cena."

O absurdo da situação me atingiu como outro golpe. Este não era o homem com quem passei cinco anos. Este era um monstro.

"Pedir desculpas?", zombei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Ela é quem me provocou deliberadamente, quem me deu uma cotovelada, quem falou sem parar apesar de saber que eu enjoo no carro!"

Isabela, vendo a raiva de Breno, imediatamente começou a chorar teatralmente. Ela agarrou o braço dele, enterrando o rosto em seu ombro. "Breno, ela sempre faz isso! Ela sempre implica comigo! Ela é tão má!"

Ela olhou para ele, com os olhos brilhando. "Talvez eu devesse simplesmente sair. Não quero causar problemas entre vocês dois." Suas palavras estavam carregadas de falsa humildade, um veneno manipulador.

O rosto de Breno era de ferro. Ele se virou para mim, seus olhos em chamas. "Você é egoísta, Eliza! Você é mesquinha e mal-intencionada! Tudo o que ela faz é tentar me fazer feliz, e você a retribui com essa negatividade!" Ele respirou fundo, de forma trêmula, seu peito subindo e descendo. "Esta é sua última chance, Eliza. Peça desculpas. Agora."

Minha resposta foi um balançar de cabeça silencioso e desafiador. Meu orgulho, estilhaçado em um milhão de pedaços ao longo de cinco longos anos, era a única coisa que me restava. Eu não o entregaria a ele, não por ela.

O maxilar de Breno se contraiu. Com um empurrão violento, ele abriu a porta do carro e saiu. Uma rajada de vento gelado, afiada e impiedosa, rasgou o interior do carro. Me arrepiou até os ossos.

Ele abriu a porta de trás com um puxão. Antes que eu pudesse reagir, ele agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha carne. Ele me puxou para fora, bruscamente. Eu tropecei, minha perna ferida cedendo, mas ele não se importou. Ele me arrastou para a beira da estrada escura e sem iluminação.

Ele apontou para a escuridão opressiva, uma paisagem sinistra de horrores invisíveis. "Você quer ser teimosa? Ótimo. Fique aqui. Reflita sobre seu comportamento. Quando estiver pronta para se desculpar, me ligue."

Ele não esperou por uma resposta. Ele virou nos calcanhares e voltou para o carro, batendo a porta com um baque final e ecoante. O motor rugiu para a vida.

"Meu celular está sem bateria!", gritei, minha voz falhando, um apelo desesperado e fútil na noite. "Breno, meu celular está sem bateria!"

Mas ele nem sequer olhou para trás. As luzes traseiras brilharam, depois diminuíram, desaparecendo na escuridão vasta e indiferente. Ele me deixou. Sozinha.

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