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Cinquenta Trepadas de Pobre

Cinquenta Trepadas de Pobre

Autor:: Fabi Dias
Gênero: Contos
Um casamento num dia de azar; uma aluna que engravidou cedo e parou de estudar; uma professora vivendo uma aventura no trem; um vereador corrupto que não ama ninguém. Pessoas comuns, sonhos inacabados, história de desejos sobre trabalhadores apaixonados. Abordando temas como corrupção, machismo, preconceitos e descaso com a educação, o livro narra as aventuras eróticas e românticas de pessoas comuns e classes desvalorizadas. Tudo isso cercado de muito humor, amor e uma boa dose de críticas sociais.

Capítulo 1 PREFÁCIO

PREFÁCIO

A irreverência que permeia os contos desta obra já se denota na paródia contida no próprio título. De forma ousada e sem amarras, a autora transformou situações cotidianas em comédias que, no entanto, carregam em sua essência questionamentos sociais, políticos, culturais e morais dentre outros.

Não se iludam com as situações cômicas inusitadas ou triviais, elas foram cuidadosamente plantadas para que os leitores nelas escorreguem, como em uma casca de banana, e caiam de surpresa em sua armadilha de temas densos, falsamente disfarçados em piadas.

Preparem-se para abrir sua mente e, em meio a risadas, defrontarem-se com questões relativas à condição da mulher, à falsa moralidade, à corrupção política, à imposição estética, à liberdade sexual dentre outros temas que são abordados de maneira leve e debochada.

A veia satírica da autora também alcança as descrições eróticas. As cenas sexuais, frequentemente, ocorrem de maneira nada ortodoxa, criando um clima libertino e divertido em que o único limite para o desejo é o respeito ao próximo.

Se buscam romance, também vão encontrá-lo nesses contos. O amor também é elemento essencial de todos as histórias: um amor respeitoso e dedicado. Personagens como uma merendeira, um pedreiro, um mendigo, vários professores, entre outros, protagonizam envolvimentos românticos com sentimentos legítimos e altruístas que elevam essas emoções ao patamar onde devem estar: além do egoísmo humano.

Assim, de forma vanguardista, a autora nos presenteia com comédia, sexo, romance e discussões sociais, todos juntos como em um buffet variado. Qualquer fome será saciada nesta obra primorosa que disfarça causas profundas em gargalhadas rasas.

Eva K.

Capítulo 2 CHUMBO TROCADO 1

Eu estava exausta e não era apenas um cansaço físico, era psicológico também. Aquelas mulheres não queimaram sutiãs para que hoje eu estivesse lavando as fardas do meu marido, enquanto ele descansava do trabalho assistindo à televisão.

Sabe Amélia? Eu era uma Amélia com jornada dupla, uma Amélia do século XXI. Eu trabalhava fora, assim como o meu marido que estava vendo tv, e dentro de casa. Ele achava que as meninas tinham que me ajudar no trabalho doméstico. Teve filhas para quê? Claro! Homens têm filhas com o propósito de criarem Amélia, para que os homens, das próximas gerações, tenham empregadas quando saírem da casa dos pais. Minhas filhas, não! Com certeza elas teriam uma vida melhor do que a minha, era para isso que eu trabalhava, era por isso que elas estudavam até não poder mais. Estava cansada daquela vida e daquele homem que eu não admirava mais.

Casei-me jovem, nem tinha dezoito ainda. Quando fiquei grávida, meus pais só me deram duas opções: casava e iria morar com o Zeca ou iria para a rua. Não tinha como me sustentar, estava cursando o último ano do ensino médio e era apaixonada por ele. Por que não? Casei!

Zeca era legal, trabalhador, porém, machista! Concluí o ensino médio na raça, por ele nem isso eu faria. Faculdade? Só agora, depois de as filhas crescidas. Prometi a mim mesma que com minhas duas filhas seria bem diferente.

Eu trabalhava fazendo faxina, apesar de Zeca ser contra. Ele dizia que o SEU salário era suficiente para sustentar a nossa família. E era! Mas queria que minhas filhas tivessem coisas que para ele eram supérfluas. Em casa, elas cuidavam apenas de suas coisas e pequenos afazeres domésticos, passavam​ a maior parte do tempo estudando. Com o meu salário, as meninas tinham oportunidade de fazer um curso de inglês, a mais velha o pré-vestibular e ainda pagava minha faculdade EAD.

Com o tempo, o machismo de Zeca foi aumentando, não era agressivo, mas começou a exigir as camisas mais bem passadas, a comida do dia, a casa sempre limpa. Comecei a perceber que isso foi depois da faculdade, não sei se era insegurança ou pirraça mesmo, mas estava acabando com o nosso casamento. Para completar, Zeca começou a me negar sexo, só fazíamos quando ele queria, quando ele procurava. Se eu tomasse a iniciativa, sempre vinha com um: tô cansado hoje, trabalhei além da conta. Definitivamente, tinha algo errado com nós dois.

Estávamos em casa, no domingo, quando a nossa vizinha, do final da rua, apareceu pedindo que Zeca fosse ajudá-la a consertar a tubulação da máquina de lavar. Não era a primeira vez que Darlene aparecia para pedir alguma coisa ao Zeca, não era ciumenta, mas já estava cismada com aquilo. As coisas na casa dela só quebravam quando o marido estava trabalhando? Ela não sabia consertar sozinha? Acho que dona Hermínia não queria apenas fazer fofoca quando me pediu para abrir os olhos. Pois bem, eu os abriria bem, a partir de agora.

Zeca voltou uns trinta minutos depois, estava todo suado, alegou que foi o esforço do trabalho e o dia quente. Perguntei alguma coisa? Não! Mas quem tem culpa, se explica demais. Nosso casamento não estava bem, ok, mas traição eu não aceitaria, de jeito nenhum! Aproveitei que colocara os jeans na máquina e coloquei o short que ele havia acabado de tirar. O que era isso no bolso? Uma chave! De onde? Aposto que eu descobriria! Aguarde-me, seu traste!

Não dormi direito e teria um dia péssimo se não resolvesse logo isso, então não fui trabalhar. Tomei banho e me vesti, como se fosse para o emprego. Assim que todos saíram, peguei a chave e me encaminhei até o fim da rua.

Ainda era cedo, mas quem tinha de trabalhar já havia saído e as fofoqueiras de plantão só sairiam depois de colocar o feijão no fogo. Aproveitei o sossego e enfiei a chave na porta, não foi surpresa ela ter entrado e girado com a maior facilidade. A porta abriu, mas não tinha porque eu entrar, já que eu descobri o que queria. Mesmo assim, eu entrei e, silenciosamente, fechei a porta atrás de mim. Darlene era babá, saía cedinho de casa, o marido trabalhava em dias alternados e ela havia dito que ele não estava em casa, pelo menos, não no dia anterior.

Não sei por qual motivo, mas comecei a olhar tudo. Observei que ela era muito organizada e muito limpa, a casa estava impecável. Tudo muito simples, móveis básicos de departamento, porém, arrumados com primor. Fui até o único quarto e como era muito escuro, acendi a luz. O quarto era simples, continha uma cama de casal bem forrada, um armário médio e um espelho de corpo inteiro.

Tomada por uma curiosidade mórbida, eu abri suas gavetas. Queria descobrir o que tinha de especial nela para que meu marido me traísse. Éramos muito parecidas fisicamente, tínhamos praticamente o mesmo peso, altura e tonalidade de pele. Os vizinhos brincavam que éramos gêmeas e que fomos separadas na maternidade. Por que me trair com uma pessoa parecida comigo?

Mexi em todo o seu quarto, mas não encontrei nada que a ligasse ao Zeca. Decidi que olharia a última gaveta e logo depois iria embora. Nossa! Quantas fantasias eróticas ela tinha? Eram fantasias de várias cores, personagens e tecidos diferentes.

Fechei a gaveta e resolvi ir até a cozinha só para beber água, estava com a boca seca, não sei se de sede ou de ansiedade. Enquanto me refrescava, olhei para o quintal e vi, lá no varal, o que tanto procurava: uma cueca do Zeca pendurada. Era muita safadeza mesmo. Sentei na cadeira e chorei, me lembrei de uma vida dedicada a um casamento, que nos últimos anos, se tornou péssimo. Acalmei-me e disse a mim mesma que tudo isso teria um fim. Larguei o copo sujo de batom bem em cima da mesa, ela que se virasse para descobrir de quem era.

Voltei ao quarto para pegar a chave que deixei sobre a cama, olhei para a gaveta de fantasias e não resisti. Depois de remexer nas peças, escolhi a fantasia de enfermeira e a vesti. Como tínhamos o mesmo corpo, caiu como uma luva. Nunca havia usado uma fantasia antes, ficou linda! Zeca dizia que eu tinha bunda de passista de escola de samba. Nos últimos anos, ele já não dizia mais nada. A fantasia não só realçou as minhas curvas como deixou-me muito mais atraente. Nem parecia que era a dona de casa que vivia com o rosto cansando. Para finalizar, coloquei a touca e a máscara, que deixava apenas os olhos à mostra.

Olhei-me em um imenso espelho e vi o quanto ainda era bonita. Fui até o armário e peguei um perfume dela, usei um pouco no decote e atrás das orelhas. Voltei para o espelho e os questionamentos vieram à tona. Por que ele me traiu? Por que nosso casamento esfriou tanto? Agora nada disso tinha mais importância. Era o fim, não tinha mais volta. Acordei de meu momento de princesa e resolvi tirar a fantasia e voltar para casa. Mal coloquei a mão no top apertado e ouvi barulho na porta da frente.

Ai, meu Deus! Será um assalto? Apaguei a luz do quarto e não sei como, já que as pernas tremiam mais que gelatina, consegui sair do lugar e escondi-me atrás das cortinas.

A porta se abriu e fechou com facilidade, ouvi um barulho de algo sendo jogado sobre sofá, depois ouvi o som de tênis sendo jogados no chão. Os passos chegaram até o quarto, não conseguia ver quem era por causa da cortina de tecido grosso e de cor escura, mas ouvi um barulho de cinto sendo arrancado da calça, depois a calça sendo atirada ao chão e de um corpo sentando na cama. Quem tiraria a roupa para assaltar uma casa? Meu coração estava tão acelerado, que fiquei receosa de ele ser ouvido pelo estranho. De repente, senti algo andando em meu braço, bati a mão com nojo, mas acho que fui ouvida. Um silêncio precedeu o tapa barulhento, mas a respiração parecia ter mil decibéis.

- Quem está aí? Darlene? - Era o marido dela, reconheci aquela voz.

Ele levantou-se e, bem devagar, foi até a cortina. Fechei os olhos, suplicando ajuda divina, já que não conseguia imaginar como iria explicar aquilo tudo. Estava escuro e ele não me reconheceu.

- Amor! Que surpresa boa! Não sabia que folgaria hoje. - Agarrou minha cintura, puxando-me para mais perto e cheirou meu pescoço, com toda vontade. - Adoro o seu perfume!

Aquilo não estava acontecendo! Como ele não reconheceu que não era a esposa dele? Senti algo pressionando minha virilha e abri os olhos, ele estava completamente nu, completamente armado e duro. Pressionou-me contra a parede e começou a falar coisas obscenas.

- Enfermeira, acho que tem uma farpa no meu pau. Olha pra mim, por favor!

Fiquei sem ação e, no desespero, resolvi fingir ser Darlene. Um pouco sem jeito, toquei em seu membro e apalpei todo aquele volume. Por que Darlene o trocaria pelo Zeca? Não tinha comparação! Ele sentou-se na cama e pediu-me para molhar antes de tirar a farpa, para não doer. E agora? O que eu faço? Resolvi que seria melhor continuar fingindo do que ter que explicar o porquê eu estava ali. Ajoelhei-me e fiz um boquete nele, era muito grande, mas ainda lembrava como fazia. Chupei como se nunca tivesse chupado um homem na vida. Queria que ele gozasse logo para eu poder fugir dali.

- Enfermeira, que chupada gostosa da porra! Agora é a minha vez.

Não, isso não podia estar acontecendo. Como fugir disso agora? Ele me levantou pelos cotovelos e me atirou na cama, logo depois arrancou a minha calcinha e caiu de boca, lá. Há quanto tempo o Zeca não fazia isso! Ele chupava, lambia, enfiava a língua, depois chupava de novo. Eu não queria, não era certo, mas estava quase gozando quando ele parou, tirou uma camisinha do mesa de cabeceira e colocou no pênis dele. Não tinha mais como voltar atrás, agora só me restava continuar. Ele me penetrou com toda a força, era muito rápido, muito gostoso, não demorou muito e comecei a gemer de prazer, tentei me controlar para não gritar, mas era bom ao extremo, de repente comecei a me contorcer. Há quanto tempo não sentia aquilo? As ondas de prazer chegaram com a mesma velocidade com que me penetrava.

- Ah... ah... perdoa, Senhor! - Gozei como há muito não fazia.

Ele continuou se movimentando dentro de mim, ainda não tinha gozado. Acho que eu tive um orgasmo muito rápido por estar na seca há tempos.

- Ainda tem mais, gostosa! - Ele tirou o pênis de mim e me puxou para a ponta da cama. Depois virou-me e empinou o meu quadril, posicionando-me de quatro. - Se prepara para as estocadas, gata!

Ele ficou em pé no chão e eu, de quatro, na ponta da cama, olhei para trás e vi quando o seu dedão foi até a sua boca e depois entrou com tudo em meu ânus. Gemi e prendi o seu dedão, com força, ele voltou a penetrar-me novamente. Não tinha como resistir àquilo.

Senti um puxão e a parte de cima de minha fantasia foi arrancada, enquanto ele continuava me penetrando. Os bicos dos meus seios passavam pelos travesseiros, aumentando a excitação com a constante fricção. O meu corpo era chacoalhado para frente e para trás e eu senti que teria outro orgasmo. Ele era ótimo no que estava fazendo, não tinha como negar.

- Ah... socor... ro... ah! - Gozei de novo e dessa vez não consegui controlar o tom da voz. Fiquei com receio dele me desmascarar, mas ele parecia muito concentrado.

Quando achei que estava tudo acabado, ele saiu de mim novamente, sentou-se na cama, encostando-se à parede e me colocou em cima dele. Subi e desci naquele pau como se fosse o último da terra, ele aproveitou a posição e chupou meus seios com desespero, fui ao céu e voltei, gozei pela terceira vez e ele gozou junto comigo. Assim que acabamos ele foi para o banheiro, aproveitei e vesti minhas roupas na maior rapidez. Ele começou a conversar.

- Amor, cê tava mais gostosa hoje. O que aconteceu?

Eu não respondi. Como poderia?

- E por que tá tão calada? - Esperou por uma resposta. - Te dei uma canseira, né?

Terminei de me vestir e saí correndo daquela casa. Olhei para os lados, mas ao que parecia, ninguém me viu saindo de lá. Cheguei em casa e quase não consegui abrir o portão, estava trêmula, não sabia se de nervoso ou de tanto gozar. Entrei em casa, tomei um banho e esperei o Zeca chegar. Com certeza não o tinha traído já que decidi terminar nosso casamento quando descobri a sua traição, mesmo assim a minha consciência me acusava. Não importa mais, chumbo tocado não dói.

Capítulo 3 CHUMBO TROCADO 2

- Você não faz nada direito! Parece que faz só por fazer. - Estávamos brigando muito.

- Você gosta de me humilhar - Zeca respondeu, chateado.

- Para com isso! Não posso falar de um defeito seu, não posso dizer que cometeu falhas ou que fez errado, que vem dando uma de vítima. - Não tinha mais saco para essas conversas. - Chega de bancar o coitadinho! Eu não sou a bruxa da história.

- Ah, então sou eu o errado? - De novo, não!

Havia pedido o divórcio desde que descobri a sua traição e o Zeca estava se negando a me entregar. Ele não queria sair de casa, mas tínhamos duas filhas e não abriria mão do direito delas. Nossa vida estava um inferno, eu não abaixava mais a cabeça para ele e isso estava deixando-o ainda mais irritado.

- Tá, eu sei que errei, eu admito, sou corajoso para assumir meus erros. - Parou, me olhando com as mãos na cintura. - Nós temos uma família, duas filhas e não pode deixar que um vacilo meu acabe com o nosso casamento.

- O que você quer, uma medalha por assumir que errou? - Também coloquei minhas mãos na cintura. - O nosso casamento acabou há muito tempo, Zeca! A traição foi apenas a pá de cal. Você não me respeita, não me compreende, não me valoriza e por isso tudo, eu não te admiro mais. Acabou!

- Não! Só acaba quando eu disser que acabou! - Ele segurou a cabeça com as duas mãos. - Olha aqui, Ziele, não quis falar alto com você.

Confesso que aquele comportamento já estava me preocupando. Via na TV, lia na internet e conhecia mulheres que sofreram violência doméstica. Todas tiveram um começo parecido com o que eu estava vivendo no momento. Eu não queria ter o mesmo fim que elas.

Virei as costas e dei a discussão por encerrada. No outro dia mesmo, assim que as meninas estivessem na escola, eu procuraria um lugar para ficar. Debaixo do mesmo teto que ele, eu não ficaria mais.

Assim que acordei, dei com o Zeca de malas prontas. Ele estava com cara de choro, mas parecia menos irritado.

- Estou indo para a casa dos meus pais, você tem razão, eu não soube te dar valor. - Parecia realmente sincero. - Vi que me olhou com medo ontem, não sou um monstro e não me tornarei um.

Eu não sabia o que dizer, sentei na cama, puxei os lençóis até o peito e fiquei parada, olhando-o, enquanto minhas lágrimas desciam. Para muitas pessoas, terminar um casamento era a coisa mais fácil, mas na prática não era bem assim. Foram anos de convivência, construímos uma relação e por mais que ele tenha errado, não lhe desejava mal algum.

- Você não é um monstro, ainda bem, porque não hesitaria em te colocar na cadeia, se fosse necessário. - Estava realmente falando a verdade. - Suas filhas te amam e não merecem esse sofrimento. Está fazendo a coisa certa, pelo menos agora. Mande um abraço meu para seus pais.

Ele levantou-se, foi até a porta e voltou até mim, beijando minha testa. Depois partiu, deixando duas cartas sobre a cama, estavam endereçadas às nossas filhas.

Depois de dois meses de separação, eu estava mais feliz, me sentindo "mais eu". Ouvia as músicas que gostava, sabendo que o Zeca não implicaria e, sem querer, ganhei o respeito de minhas filhas. Elas se abriram mais comigo e disseram que não sabiam como eu aguentava aquele tipo de tratamento por parte do pai delas. Minhas filhas me encheram de orgulho com esse pensamento. Ao menos, escolheriam melhor os seus pares amorosos e não aceitariam nenhum tipo de relacionamento abusivo, caso ele se manifestasse em seus parceiros.

Separar-me foi a melhor coisa que fiz, mas confesso que já estava subindo pelas paredes. A minha última transa havia sido com o marido de Darlene e toda vez que me via na cama, só imaginava sendo com ele. Não era uma vadia destruidora de lares, mas não sei se por causa da seca ou a da teoria do chumbo trocado, sentia-me tentada a repetir tudo aquilo. E, o pior, sem culpa alguma.

Estava na porta, varrendo o passeio, quando, aquele que perturba meus sonhos, passou, sorrindo.

- Bom dia, Ziele! Seu marido está?

- Bom dia, Marcos! Meu ex-marido não mora mais aqui. Pode encontrá-lo na casa dos pais dele. - Fazia questão de dizer a todo mundo que eu não era mais casada.

Estava nervosa, suando, torcendo para ele não ter percebido que empreguei um pouco mais de ênfase na fala. Será que reconheceu a minha voz?

- Não sabia que tinham se divorciado, sinto muito por isso.

- Não sinta, estou muito feliz comigo mesma. - E não era nenhuma mentira. - E como está Darlene? - perguntei, só por educação. - Mande lembranças minhas a ela.

- Darlene está bem, foi para o trabalho e só retorna ao anoitecer. - Se afastou logo depois do que disse.

Mal terminei de limpar o passeio e corri para dentro, me jogando debaixo do chuveiro com roupa e tudo. Estava com um calor fora do comum, um mal-estar esquisito, meu coração parecia que ia sair pela boca. Saí do banho mais fresca, porém, continuava angustiada. Minha "gatona" não parava de miar. Precisava apagar aquele fogo e sabia como. Seria a última vez.

Peguei a chave escondida em meu baú de lençóis e segui o caminho da casa de Darlene. Olhei para todos os lados e entrei, assim que percebi o ambiente livre de bisbilhoteiros. Fui direto para o quarto, mexi em sua gaveta mágica e vi que ela havia organizado tudo em sacos individuais. Ela levava o sexo muito a sério.

Peguei o primeiro saco e me deparei com uma fantasia de She-Ra. Vesti às pressas, pois não sabia a hora que ele voltaria. Olhei-me no espelho e não pude deixar de rir, apesar de estar muito gostosa com aquela sainha branca e aquele tomara que caia apertado. Meus seios ficaram muito volumosos e parecia que saltariam pelo bojo. Revirei a gaveta e achei a coroa, a espada e a bota dobrável, tudo dourado.

Acho que juntaria dinheiro e investiria naquilo também. Peguei o seu perfume, era um detalhe crucial, e quando a porta da rua abriu, eu me assustei e o frasco caiu, partindo-se em dois. Esfreguei minhas mãos no líquido que se espalhava pelo chão e passei na nuca e em outras partes importantes. Precisava ter o cheiro dela. Chutei os cacos para debaixo do guarda-roupa, apaguei a luz, fechei as cortinas e me posicionei, segurando o cabo da espada, apoiando sua ponta no chão.

Ele foi direto para o quarto, apesar da escuridão, o seu olhar varreu o meu corpo de cima a baixo.

- Sua cachorra sem vergonha! - falou, enquanto arrancava a própria roupa. - Sabe que assim eu esqueço qualquer coisa, né?

Avançou, tirando a espada de minhas mãos e começou a me beijar. Eu já estava molhada, antes mesmo de ele enfiar a mão por baixo daquele saiote. A minúscula calcinha deu passagem aos seus dedos habilidosos, sem oferecer nenhuma resistência. Enquanto me beijava, me torturava com três dedos bem velozes. Não satisfeito, desceu os lábios até meu busto e rapidamente abaixou o bojo que cobria meus seios, enchendo-os de beijos, lambidas e chupões. Os seus dedos continuavam tão ativos quanto sua boca. Pegou um dos meus mamilos e prendeu-o nos dentes, esticando-o com leveza até começar a ficar dolorido. Fez a mesma coisa com o outro seio. Comecei a gemer ruidosamente e aí ele parou.

- Tá pensando que vai gozar assim, fácil? - Balançou negativamente a cabeça. - Na-na-ni-na-não!

Sentou na borda da cama com as pernas abertas e pediu que o chupasse. Ajoelhei-me e o fiz. Ele pressionou a minha cabeça com uma das mãos e se apoiou na cama com a outra. Me fez enterrar o membro até a garganta.

- Engole minha espada até o cabo, sua She-Ra gulosa!

Ele gemia muito e começou a impulsionar o quadril em direção à minha boca, enquanto fazia o mesmo com minha cabeça em direção à sua pélvis. Ele era muito tarado, mas já estava ficando sufocada quando parou.

- Agora é minha espada que vai entrar em você, mas antes vou dar uma molhadinha nessa xana de Etérea.

Marcos me ajudou a levantar e apoiou um de meus pés na cama, pegou a espada que atirou longe e me deu para que eu me apoiasse nela. Minha vulva ficou exposta naquela posição. Ele então se ajoelhou, arrancou a minha calcinha e começou a me penetrar com a língua, enquanto segurava minha bunda, pressionando-a de encontro a seu rosto. Eu estava no meu limite, ele percebeu e parou.

- Ainda não mandei gozar! Como ousa desobedecer a Hordak?

Como poderia não gozar daquele jeito? Estava louca de tesão e mais encharcada que oásis no deserto. Ele voltou a me chupar, mordiscou o meu clitóris e depois o sugou antes de penetrar sua língua novamente em minhas entranhas. Tremi a ponto de desequilibrar e deixar a espada cair. Ele percebeu que eu não aguentaria mais, sentou-se no chão e puxou-me para cima dele.

Eu me encaixei em seu quadril e ele se alojou dentro de mim. Marcos chupava um dos seios e esticava o outro com as pontas dos dedos. Minhas entranhas começaram a contrair-se e eu tive um orgasmo alucinante. Ele nos levantou e, com as pernas ainda bambas, me empurrou contra a parede e continuou fodendo-me, em pé. Senti que outro gozo se aproximava, minhas pernas não me sustentavam, então ele me ergueu, eu abracei e enlacei o seu quadril. Gozei novamente, enquanto ele me estocava com movimentos rápidos. Assim que terminei, ele me jogou na cama e gozou no chão, urrando feito um animal. Na hora da loucura, esquecemos a camisinha.

Quando ele parou, me olhou gelidamente e falou:

- Não pense que eu esqueci. - Parecia bem zangado. - Agora vamos conversar sobre o seu caso com o Zeca.

O quê? Como assim? Ele sabia do caso da Darlene? Ele foi até o interruptor e acendeu a luz. Eu devo ter desbotado. Não foi assim que imaginei aquela manhã.

- Mas que porra é essa?! - Olhou-me como se encontrasse o próprio Satã em sua cama.

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