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Cinzas do Amor, Fogo da Vingança

Cinzas do Amor, Fogo da Vingança

Autor:: Yan Huo Si Yue Tian
Gênero: Moderno
Grávida de oito semanas, eu esperava que meu noivo, Gabriel Tavares, anunciasse nosso noivado na festa de gala da empresa. Mas, no palco, ele pediu a mão da minha manipuladora meia-irmã, Mariana, em casamento. O anúncio foi feito pelo meu próprio irmão, Henrique. Humilhada, fugi da festa e acabei em meio a uma explosão na fábrica. Gabriel, ao invés de me salvar, me empurrou para o perigo para proteger Mariana, o que me fez perder nosso bebê. No hospital, ele me ligou, não para saber de mim, mas para me culpar por assustar sua "frágil" noiva. "Filho? Pare de ser dramática", ele zombou, enquanto eu ainda sentia a dor da perda que ele mesmo causou. Aquelas palavras mataram meu amor. Eu não chorei. A dor se transformou em uma frieza mortal. Eu peguei as cinzas do nosso filho, coloquei em uma caixa e entreguei a ele. "Você matou nosso filho e, com ele, o meu amor", eu disse, antes de desaparecer de sua vida para sempre.

Capítulo 1

Grávida de oito semanas, eu esperava que meu noivo, Gabriel Tavares, anunciasse nosso noivado na festa de gala da empresa. Mas, no palco, ele pediu a mão da minha manipuladora meia-irmã, Mariana, em casamento. O anúncio foi feito pelo meu próprio irmão, Henrique.

Humilhada, fugi da festa e acabei em meio a uma explosão na fábrica. Gabriel, ao invés de me salvar, me empurrou para o perigo para proteger Mariana, o que me fez perder nosso bebê.

No hospital, ele me ligou, não para saber de mim, mas para me culpar por assustar sua "frágil" noiva.

"Filho? Pare de ser dramática", ele zombou, enquanto eu ainda sentia a dor da perda que ele mesmo causou.

Aquelas palavras mataram meu amor. Eu não chorei. A dor se transformou em uma frieza mortal.

Eu peguei as cinzas do nosso filho, coloquei em uma caixa e entreguei a ele.

"Você matou nosso filho e, com ele, o meu amor", eu disse, antes de desaparecer de sua vida para sempre.

Capítulo 1

Aline Lobo POV:

A respiração presa na garganta doía mais do que eu imaginava ser possível. O amargor do café recém-coado, um aroma que antes me remetia a casa e paixão, agora me parecia o cheiro da traição. De onde eu estava, escondida atrás de uma coluna de mármore frio do salão de gala da Tavares, eu podia ver tudo.

Gabriel Tavares, meu Gabriel, estava no palco, um sorriso radiante brincando em seus lábios. Ele era o CEO carismático, a personificação do sucesso, e por anos, eu acreditei que eu era sua parceira em tudo, no amor e nos negócios. Grávida de oito semanas, eu esperava o anúncio do nosso noivado, da nossa parceria oficial.

Mas a voz de Henrique, meu próprio irmão, rompeu o silêncio do salão. Sua voz, que um dia me chamou de "minha heroína" , agora ecoava, exaltando a mulher que estava ao lado de Gabriel.

"E agora, o momento que todos esperávamos!" Henrique proclamou, a veneração em seus olhos dirigida não a mim, mas a Mariana Tavares. "Gabriel Tavares, nosso CEO, irá presentear a mulher que ele escolheu para ser sua parceira de vida e nos negócios, a guardiã do futuro de nossa família e da nossa empresa!"

Meu coração despencou. O ar rarefeito se tornou pesado, quase palpável, como se uma mão invisível me esmagasse o peito. A promessa, que eu havia acariciado por tanto tempo, se desfez em mil estilhaços. Eu senti o gosto metálico da decepção na boca.

Todos os olhos estavam em Mariana. Ela, com seu vestido esvoaçante e um sorriso que eu sabia ser falso, parecia a personificação da fragilidade. Seus olhos brilhavam, não de doença, mas de triunfo. Ela fingia uma doença crônica debilitante, uma farsa que Gabriel engoliu sem questionar. E Henrique. Meu irmão. Ele estava ali, sorrindo para ela, como se ela fosse a luz da sua vida.

Gabriel se virou para Mariana, seus olhos, que um dia me olharam com tanto amor, agora transbordavam de uma adoração cega por ela. Ele tirou do bolso um colar, a joia de família dos Tavares, o símbolo de um legado, do qual eu, Aline Lobo, agrônoma brilhante e sua noiva em segredo, deveria ser a próxima guardiã.

Mas não. Ele o colocou no pescoço de Mariana. Os diamantes cintilaram sob as luzes do salão, refletindo a crueldade daquela cena. O sorriso de Mariana era exultante, quase maníaco, enquanto ela se inclinava para beijar o rosto de Gabriel. Um beijo que durou demais. Um beijo que roubou meu futuro.

O salão explodiu em aplausos. Gritos de "Parabéns!" e "Viva os noivos!" ecoaram, cada som um golpe direto no meu tímpano. Eu me senti invisível, transparente, como se não existisse. A dor se tornou um buraco negro em meu estômago.

Eu estava ali, grávida do filho dele, em um vestido que ele mesmo me ajudou a escolher para "a nossa noite". E ele estava ali, entregando meu lugar, meu futuro, meu amor, para outra mulher. Para a mulher que destruiu a vida da minha mãe, que manipulou meu irmão e agora fingia uma doença para roubar o que era meu por direito.

Eu queria gritar. Queria vomitar a dor que me consumia. Mas eu apenas me agarrei à coluna, sentindo o mármore frio contra a testa quente. O chão parecia girar, e o som dos aplausos se transformou em um zumbido distante. O bebê em meu ventre parecia reagir, uma pontada aguda em meu baixo ventre.

Meus olhos se moveram, procurando por um rosto familiar, um amigo, um olhar de compaixão. Mas todos estavam sorrindo, celebrando a farsa. Eu vi o sorriso radiante de Henrique, meu irmão, o mesmo que eu havia protegido ferozmente após a morte de nossos pais. Ele estava hipnotizado por Mariana, cego às suas manipulações.

Aquele sorriso me atingiu mais forte do que qualquer golpe. Henrique, meu doce irmão, que estava ao meu lado no hospital quando mamãe se foi, que chorou em meus braços. Ele era o apresentador daquela farsa. Ele era cúmplice.

Minha cabeça girou. A memória da noite em que mamãe se foi me invadiu. O acidente. As palavras de Gabriel, anos atrás, me confortando, "Eu sempre estarei aqui para você, Aline." Mentiras.

O zumbido em meus ouvidos aumentou. A festa continuava. Gabriel e Mariana dançavam, seus corpos próximos, seus sorrisos compartilhados. Pareciam um casal perfeito, um conto de fadas cruel.

Eu me senti um animal encurralado, acuada, humilhada. Minha dignidade se evaporou junto com as promessas dele. O bebê em meu ventre, nossa semente de amor, tremia incontrolavelmente. A dor se espalhou, do meu coração para o meu útero. Eu apertei os dentes para não chorar, para não gritar.

Meu celular vibrou. Gabriel. Eu o olhei, o nome dele piscando na tela, um fantasma do que eu acreditava ser. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o telefone cair. Eu o peguei, com os dedos frios e suados.

"Aline?" A voz dele estava ríspida, impaciente. "Onde você está? Não me faça perder mais tempo com suas birras."

Eu engoli em seco, tentando manter a voz firme. "Onde eu estou? Estou na festa, Gabriel. Aonde mais eu estaria?"

Ele riu, um som seco e zombeteiro. "Pare de fazer cena, Aline. Você está com ciúmes da Mariana, não está?"

Minhas palavras morreram na garganta. Ciúmes? Ele estava me acusando de ciúmes, depois de me humilhar em público?

"Não seja ridícula," ele continuou, a voz subindo de tom. "Eu tenho responsabilidades, Aline. Não posso ficar correndo atrás de você toda vez que você se sentir excluída. Mariana precisa de mim."

Meu coração se quebrou em mil pedaços. Ele estava me chamando de ciumenta, me invalidando, justo quando eu mais precisava dele. As palavras de todos os amantes feridos se formaram em minha mente: "Você não me ama."

"Nós temos um filho, Gabriel!" Eu sussurrei, a voz embargada, a mão instintivamente tocando minha barriga. "Você se esqueceu de tudo o que prometemos?"

Ele hesitou. A música da festa podia ser ouvida ao fundo, abafada pela distância, mas ainda presente, uma melodia triste para o meu coração.

"Filho?" ele zombou, a voz cheia de desprezo. "Não seja infantil, Aline. Você sabe que não é o momento certo para essas conversas. Você está delirando de novo, não está? Sempre tão dramática."

A dor se tornou física, como se ele tivesse me dado um soco no estômago. Minha visão escureceu. Não era só ciúmes. Era manipulação. Era traição. Ele estava me descartando, me humilhando, e meu próprio irmão assistia a tudo sem um pingo de remorso.

Eu me lembrei de todos os sacrifícios que fiz por ele, pela empresa dele. Eu larguei minha carreira promissora para o ajudar a erguer o império Tavares. As noites em claro, os estudos, a dedicação. Tudo por ele.

E agora, ele me acusava de "birras", de "ciúmes". Ele não me amava. Ele nunca me amou. Ele me usou.

Eu senti uma frieza mortal me percorrer. A raiva, um fogo gelado, começou a queimar em meu peito. As lágrimas secaram. A dor se transformou em uma força sombria. Eu não era mais a Aline que o amava.

Eu sabia o que ele estava fazendo. Ele estava me preparando para sair de cena, para que Mariana pudesse assumir meu lugar. Ele estava me descartando como um brinquedo velho, e eu, tola, estava me apegando a um passado que nunca existiu. Meu filho. Nosso filho. Ele não existia para ele.

Eu não iria chorar mais. Não por ele. Meu filho e eu passaríamos por isso juntos.

Meu corpo tremia. Eu sabia o que tinha que fazer.

Capítulo 2

Aline Lobo POV:

"Aline, você está me ouvindo?" A voz de Gabriel no telefone era um chicote, estalando em meu ouvido. "Pare de me envergonhar. Volte para casa e pare com essa bobagem. Mariana está fraca, precisa de mim. Você não tem nada melhor para fazer do que criar problemas?"

Ele não esperou por uma resposta. A ligação foi cortada abruptamente. Eu segurei o telefone contra o ouvido por mais alguns segundos, ouvindo apenas o silêncio cortado pela música distante da festa. O amor, que um dia eu jurei que era eterno, agora era apenas um eco vazio.

Eu voltei a espiar pelo espaço estreito entre o pilar e a parede. Gabriel estava de volta ao palco. Mariana se inclinou contra ele, sua cabeça repousando em seu ombro, os olhos fechados, como se estivesse à beira de um colapso. Mas um pequeno sorriso, quase imperceptível, brincava em seus lábios enquanto Henrique acariciava seu braço.

Henrique. Meu irmão. Ele estava ali, ao lado deles. A maneira como ele olhava para Mariana, com preocupação e ternura, fez meu estômago revirar. Ele era o guardião dela, o protetor. E eu, sua irmã mais velha, que o havia salvado daquele incêndio anos atrás, que o havia criado, era agora uma estranha para ele.

Eu me lembrei daquele dia fatídico. O fogo consumindo nossa casa, a fumaça sufocante. Eu o peguei em meus braços, correndo pelas chamas, protegendo-o com meu próprio corpo. A cicatriz em meu ombro queimava, um lembrete físico de um sacrifício que ele parecia ter esquecido.

Mariana pegou a mão de Henrique, apertando-a suavemente. Ele estremeceu, um rubor subindo ao seu rosto. Ela sussurrou algo em seu ouvido, e ele riu, um riso leve e descontraído. O riso que um dia foi só meu.

Aquela cena, a imagem deles, tão próximos, tão cúmplices, me atingiu mais forte do que qualquer palavra. Eu não era mais a Aline que ele amava. Eu não era mais a Aline que ele protegia. Eu era a intrusa.

A dor que irradiava do meu útero se intensificou. Eu toquei minha barriga, sentindo o pequeno inchaço. Nosso filho. Filho? Não. Meu filho. Eu estava sozinha. Mais sozinha do que nunca.

Eu me afastei da coluna, cambaleando levemente. A festa, os risos, os aplausos - tudo parecia distante, abafado. Eu precisava sair dali. Eu precisava respirar.

Eu saí do salão, ignorando os olhares curiosos dos poucos convidados que me notaram. Eu tropecei, mas me recuperei rapidamente. Eu não iria cair. Não mais.

Eu caminhei pelos corredores do luxuoso hotel, a dor em meu corpo e em minha alma se tornando um peso insuportável. Eu só queria um canto escuro para desabar. Mas eu não podia. Não ainda.

Quando cheguei ao meu carro, meu celular tocou novamente. Era a Dra. Clara, minha antiga mentora na Faculdadede Agronomia. Ela era a única pessoa que parecia se importar comigo.

"Aline? Você está bem? Eu ouvi umas coisas estranhas sobre Gabriel e Mariana." A voz dela estava cheia de preocupação. "Fiquei sabendo que algo grave está acontecendo na fábrica da Tavares. Você está segura?"

Eu fechei os olhos, a cabeça girando. A fábrica. Eu tinha um projeto lá, um sistema de irrigação inovador que eu havia desenvolvido.

"Eu estou bem, Dra. Clara," eu menti, a voz fraca. "O que está acontecendo na fábrica?"

"Não sei direito," ela disse, a voz cheia de urgência. "Mas há rumores de um vazamento de produtos químicos, e parece que uma explosão é iminente. Eles precisam de alguém para desligar o sistema de segurança. Gabriel está lá, mas ele não tem o conhecimento técnico para isso."

Meu coração gelou. Gabriel estava lá. E a fábrica. Meu projeto. Minha responsabilidade.

"Eu preciso ir," eu disse, sem hesitar. "Eu sei como desligar o sistema. Eu o projetei."

"Não, Aline! É muito perigoso!" Dra. Clara gritou. "Deixe a equipe de segurança fazer isso!"

Mas eu já estava ligando o carro. Eu precisava ir. Não por Gabriel, mas pela minha consciência. Pelo meu trabalho. Pela minha vida que estava desmoronando, mas ainda podia ser útil para algo.

Eu dirigi em alta velocidade, o vento chicoteando meu rosto. As notícias nas rádios confirmavam os rumores: um desastre estava se desenrolando na fábrica da Tavares. Eu senti uma pontada de preocupação por Gabriel. Apesar de tudo, ele ainda era o pai do meu filho.

Quando cheguei à fábrica, a cena era caótica. Sirenes uivavam, luzes de emergência piscavam. Eu vi Gabriel, ao longe, com Mariana nos braços, correndo em direção à saída. Ele parecia pálido, assustado, mas seus olhos estavam fixos nela.

Eu ignorei a dor em meu corpo, a fraqueza em minhas pernas. Eu precisava desligar o sistema. Eu corri para dentro, para o coração da fábrica, onde a fumaça e o cheiro forte de produtos químicos eram quase insuportáveis.

Eu encontrei a sala de controle. As luzes piscavam, os alarmes soavam. Eu comecei a trabalhar, meus dedos voando sobre os painéis, seguindo os procedimentos que eu havia criado. Eu podia sentir o calor da explosão se aproximando.

De repente, uma mão agarrou meu braço. Era Gabriel. Ele estava ali, ofegante, com Mariana em seus braços.

"O que você está fazendo aqui, Aline?" ele gritou, a voz cheia de raiva. "Você quer nos matar?"

"Estou desligando o sistema, Gabriel!" Eu gritei, tentando me soltar. "Você não sabe como fazer isso!"

Mariana tossiu, uma tosse fraca e teatral. "Meu amor, eu estou com medo," ela sussurrou, se agarrando a ele. "Cuidar de mim. Salve-me."

Gabriel me olhou, os olhos cheios de ódio. Ele hesitou por um segundo, seus olhos se movendo entre mim e Mariana. E então, ele me empurrou. Ele me empurrou para a direção oposta, para o perigo iminente.

"Saia daqui, Aline!" ele gritou, a voz distorcida pelo desespero. "Não precisamos de você!"

Eu caí, a perna se dobrando em um ângulo antinatural. Uma dor excruciante me percorreu. Eu gritei, um som agudo e desesperado. Eu senti um calor intenso, a explosão me atingindo, me arremessando contra a parede.

A última coisa que vi foi Gabriel correndo com Mariana em seus braços, me deixando para trás, enquanto as chamas lambiam o ar.

E então, tudo ficou escuro.

Capítulo 3

Aline Lobo POV:

A luz branca queimava meus olhos quando os abri. O cheiro de antisséptico invadia minhas narinas. Eu estava em um hospital. Minha perna latejava com uma dor lancinante, e o gesso branco a imobilizava. Eu senti uma mão em minha testa.

"Aline, você está acordada," uma voz suave disse. Era Dra. Clara. Seus olhos estavam cheios de preocupação. "Você nos deu um susto enorme. Quase te perdemos."

Quase perdemos. A palavra ecoou em minha mente. Eu me lembrei da explosão, da dor, do empurrão de Gabriel. Ele me deixou para trás. Ele me deixou para morrer.

"E o bebê?" Eu sussurrei, a voz rouca, o coração batendo forte no peito. "Nosso bebê?"

Dra. Clara hesitou, seus olhos se desviando. "Aline... Eu sinto muito. O impacto foi muito forte. Você perdeu o bebê."

Meu mundo desabou. Eu senti um vazio dentro de mim, um buraco negro que engolia toda a minha esperança, toda a minha razão de viver. A dor física se transformou em uma agonia emocional, mil vezes pior. Meu filho. Nosso filho. Morreu. Por causa dele.

Eu não chorei. Não tinha mais lágrimas. Apenas um frio glacial me tomou. Eu olhei para minha barriga, que agora parecia vazia, o local de um sonho destruído.

"Eu quero que tirem tudo de mim," eu disse, a voz fria e firme. "Eu quero acabar com a gravidez. Eu não quero mais nada que me ligue a ele."

Dra. Clara me olhou, os olhos arregalados. "Aline, você tem certeza?"

Eu assenti, a voz embargada. "Eu tenho. Eu não quero mais essa criança. Eu não posso tê-la."

Uma enfermeira entrou no quarto, segurando meu celular. "Senhora Lobo, seu noivo está ligando."

Meu noivo. A palavra soava como uma piada cruel. Eu peguei o telefone. A voz de Gabriel estava irritada, impaciente.

"Aline! Onde você está? Eu estou aqui no hospital com a Mariana. Ela está traumatizada. Você precisa vir aqui e se desculpar com ela. Você a assustou, sabia?"

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Ele estava me pedindo para me desculpar com Mariana? Depois de tudo o que aconteceu?

"Mariana? E eu, Gabriel? Eu quase morri. Eu perdi nosso filho!" Eu gritei, as palavras rasgando minha garganta.

Ele riu, um som seco e zombeteiro. "Filho? De novo com essa história? Aline, pare de ser dramática. Você sabe que não teríamos um filho agora. Você sempre foi tão carente, não é? Sempre querendo chamar atenção."

A raiva me consumiu. As palavras dele eram facas, cortando minha alma. Eu era carente? Eu era dramática? Ele era o monstro.

"Você me empurrou, Gabriel!" Eu gritei, a voz tremendo. "Você me deixou para morrer! Você é um assassino!"

"Não seja ridícula, Aline," ele disse, a voz ficando fria. "Você está delirando. Você sempre foi instável. É por isso que Mariana é tão importante para mim. Ela é a única que consegue me dar paz."

"Paz?" Eu ri, um riso amargo. "Ela é uma manipuladora! Ela fingiu uma doença! Ela roubou meu lugar, meu amor, meu futuro!"

"Pare de caluniar Mariana!" A voz dele explodiu em raiva. "Ela é uma santa! Você é a invejosa, a ciumenta. É por isso que Henrique se afastou de você. Você é tóxica, Aline."

Henrique. Ele ainda se atrevia a mencionar Henrique.

"Você sabe por que Henrique me odeia, Gabriel? Por causa da sua meia-irmã e da mãe dela. Elas manipularam Henrique, mudaram as memórias dele sobre o acidente da mamãe. Elas fizeram ele me odiar!"

"Que absurdo!" ele zombou. "Você sempre foi a culpada, Aline. Você sempre foi egoísta, focada em si mesma. Henrique só se afastou de você porque você o sufocava. Mariana é uma luz na vida dele, e na minha. Você é apenas uma sombra."

Sombra. As palavras dele me atingiram com a força de um raio. Eu era uma sombra. Uma sombra do que eu um dia fui. Mas não mais.

Eu me lembrei de todas as vezes que ele me prometeu o mundo, todas as vezes que eu acreditei em suas palavras doces. Eram todas mentiras. Eu era um peão em seu jogo, um meio para um fim.

"Você nunca me amou, não é, Gabriel?" Eu sussurrei, a voz vazia, sem emoção. "Você nunca me quis como sua parceira. Eu era apenas uma conveniência."

Ele riu, um som vazio e cruel. "Você finalmente entendeu, Aline. Você nunca foi boa o suficiente para ser uma Tavares. Mariana é a mulher que eu sempre quis. Ela é a minha noiva. Ela é a mãe dos meus filhos."

Aquelas palavras. Elas foram a última pá de terra sobre o meu caixão. Meu coração, que um dia foi um vulcão de amor, agora estava morto. Congelado.

"Eu te odeio, Gabriel Tavares," eu disse, a voz clara e forte. "Eu te odeio mais do que qualquer coisa neste mundo. E você nunca mais vai me ver."

Eu desliguei o telefone. Minhas mãos não tremiam mais. Eu olhei para Dra. Clara, que me observava em silêncio.

"Eu quero que você comece os procedimentos, Dra. Clara," eu disse, a voz firme. "Eu quero acabar com essa gravidez. E eu quero ir embora daqui. Para sempre."

Ela assentiu, os olhos cheios de tristeza. "Eu entendo, Aline. Eu farei tudo o que puder para te ajudar."

Naquela noite, enquanto eu me preparava para a cirurgia, eu recebi uma notificação em meu celular. Era uma foto. Gabriel e Mariana, sorrindo radiantes, com uma legenda: "Celebrando nosso amor e o futuro da família Tavares. #Noivos #AmorEterno #CaféTavares".

Eu vi a joia da família em seu pescoço. Aquele colar, que Gabriel prometeu que um dia seria meu. E ao lado deles, Henrique, sorrindo, oferecendo um brinde.

A imagem me atingiu como um choque elétrico. Não havia mais dúvidas. Eu não tinha mais nada aqui. Nada.

Eu saí do grupo da família no WhatsApp. Meu celular tocou imediatamente. Era Gabriel. Eu ignorei. Ele ligou novamente. Eu ignorei. Novamente.

Meu médico entrou. "Aline, estamos prontos."

Eu olhei para o meu celular, que continuava a vibrar com as ligações de Gabriel. Eu o desliguei.

"Vamos," eu disse, a voz firme, o coração em paz. Eu não era mais a Aline de antes. Eu era uma mulher nova. E eu nunca mais olharia para trás.

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