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Clímax

Clímax

Autor:: Rose Cross
Gênero: Romance
Uma repórter determinada e um guarda-costa implacável protagonizam uma envolvente narrativa de amor e aventura. Exausta após o banho, arrastei-me para a cama apenas com a toalha; não tinha forças nem para me vestir. Envolvi-me no edredom e adormeci antes mesmo de ele retornar. Eu me encontrava em um lugar que não desejava estar: o restaurante, aquele maldito restaurante. Mas, desta vez, a situação era diferente; não era o Dr. Nicolas que estava à minha frente, mas sim Ethan. Ele exibia um sorriso, como era habitual quando estávamos juntos, enquanto segurava minha mão e afirmava que tudo ficaria bem. De repente, a porta da frente se fechou com um estrondo. Um homem usando um boné preto subitamente entrou no ambiente, dirigindo-se em nossa direção. Ele sacou uma arma e disparou duas vezes contra o peito de Ethan. "Ethan, não, não!" gritei, em meio às lágrimas, enquanto sua mão se soltava da minha. "ETHAN, POR FAVOR, NÃO." Desorientada e entrecortada por soluços, despertei com ele me envolvendo em um abraço apertado. - Querida, acorde, foi apenas um sonho. Estamos bem, fique tranquila. - Você está realmente bem? Não está ferido? Em meio ao choro, retirei sua camisa para verificar se ele havia se machucado. Minhas mãos exploravam a área que eu temia estar sangrando. Eu precisava tocá-lo; sentia-me aliviada por não precisar de permissão, pois ele era meu, e eu era dele. - Veja, estou bem, foi apenas um pesadelo. - Apenas um pesadelo. Repeti enquanto acariciava seu peito. Ele passou a mão em meu cabelo ainda úmido, olhando em meus olhos, visivelmente indeciso sobre como proceder. - Ethan, faz amor comigo? Minha solicitação soou mais como uma súplica, mas, naquele instante, ele se tornava uma necessidade única para mim. - Não é necessário pedir. Com um único movimento, ele me posicionou em seu colo. Eu já estava completamente despida, tendo me deitado apenas com uma toalha, e o beijei de forma intensa e ansiosa. Minhas mãos, trêmulas, esforçaram-se para desabotoar sua calça. Assim que tive acesso ao seu membro ereto, sentei-me sobre ele; sua penetração vigorosa me libertou daquele temor noturno recorrente. Sua boca quente beijava minha orelha, provocando-me e despertando minha excitação. Suas mãos exploravam meus seios enquanto ele sugava meus mamilos, intensificando meu desejo por ele. Seus gemidos ecoavam como o rugido de uma fera imponente, aumentando ainda mais meu êxtase. - Eu te amo! Preciso de você. Suspirei enquanto ele se movia dentro de mim. - Querida, eu também te amo! Ele segurou minha cintura com firmeza, puxando-me para mais perto. Em um ritmo constante e prazeroso, sua penetração continuava implacável. Movendo-me e rebolando em seu colo, Chegamos ao clímax.

Capítulo 1 Um joelho ralado, e um coração partido

"O que almejamos nem sempre corresponde ao que o destino tem preparado para nós. E, mesmo que não acreditemos em fábulas encantadas, isso não impede que um final feliz surja em nossa jornada."

Era uma vez uma menininha que, apesar de residir em uma rua chamada Floresta Encantada, não tinha fé no conceito de "felizes para sempre". Desde muito cedo, absorveu da história contada por sua mãe que os contos de fadas eram apenas narrativas para embalar o sono das crianças. Ela até cogitava a possibilidade de existirem Cinderelas em uma ou outra noite da semana, mas acreditava que, na maior parte do tempo, todas as garotas não eram nada além de gatas borralheiras. Afinal, mesmo sendo tão jovem, ela já havia percebido que a ideia de "viver felizes para sempre" poderia desmoronar assim que o príncipe encontrasse uma princesa mais jovem ou quando a primeira conta do cartão de crédito chegasse.

No final das contas, as vestes das princesas modernas não são confeccionadas por aves mágicas, mas sim pelas grifes Christian Dior, Louis Vuitton e Chanel. Hoje em dia, elas também têm uma queda por sapatos de Manolo Blahnik e bolsas da Fendi.

**PRÓLOGO**

Floresta Encantada, Brasil

julho de 1994

Eram 16 horas de uma tarde gelada de uma terça-feira. A sonhadora Allison aguardava, cheia de expectativa, na entrada da escola pela chegada de seu pai. Embora estivesse bem agasalhada, o vento cortante fazia seu rosto arder. Mesmo com a impaciência crescendo, ela se confortava na ideia de que o pai estava apenas atrasado. Ao olhar ao redor, notou que a escola estava deserta.

Cansada de ficar em pé, decidiu acomodar-se em um banco próximo. Depois de reler duas vezes o único livro que carregava na mochila, começou a observar as folhas dançando ao vento, até que a noite se instalou, sem que ela percebesse.

Ao longe, ela escutou uma voz familiar, mas carregada de desespero, chamando seu nome: era sua mãe. Allison não tinha a menor ideia de que horas eram, mas sentia que já passava das 19 horas, o horário em que sua mãe costumava voltar do trabalho.

- Desculpe, minha querida, eu não sabia que você estava aqui esperando; me preocupei tanto com você - disse a mãe, entre lágrimas e soluços.

Allison ainda não compreendia o motivo da presença da mãe, mas sentiu um alívio por não estar mais sozinha. A partir daquele momento, percebeu que o "felizes para sempre" da sua mãe havia chegado ao fim.

Os anos passaram, e sua mãe lutava como podia, dividindo-se entre dois empregos para sustentar a casa e a filha. De vez em quando, tentava se envolver em relacionamentos que não eram nada glamourosos.

Allison, que antes escrevia em seu diário, começou em blogs e, da faculdade, foi direto para revistas online. Aos 32 anos, ela foi contratada para uma grande revista online, onde tinha certeza de que sua vida mudaria. Seu sonho era criar matérias que transformassem a vida das pessoas, mas a jornada dela nunca havia sido fácil.

O que ela ignorava era que, tanto histórias inspiradoras quanto um amor genuíno, estavam apenas à espera do momento certo para surgir, mesmo quando perde a fé nos contos de fadas.

Você já se pegou pensando se um dia cruzaria o caminho da sua alma gêmea? Ou se viveria uma história de amor digna de conto de fadas? Pois é, após tantas tentativas frustradas, decidi deixar essas indagações de lado.

Talvez algumas almas estejam destinadas a navegar sozinhas, em uma existência sem brilho, ou a preencher o vazio de suas vidas com sucesso profissional. Isso me faz lembrar daquela velha frase: "sorte no jogo, azar no amor".

Mas calma, essa não é a minha realidade. Eu sou a Allison, tenho 38 anos e, há seis anos, faço parte da equipe da prestigiada revista online "Sinceros Segredos". Acredito que, de certa forma, me acomodei.

As disputas por matérias entre Joyce e eu sempre foram uma constante. Joyce, com seus 32 anos, é conhecida por sua "gentileza" com todos os homens da redação. Ela está conosco há dois anos e, de alguma forma, sempre consegue o que deseja; talvez porque não hesite em exibir seus decotes generosos na frente do chefe.

Se alguém me perguntasse se eu estava exausta, eu diria com toda a certeza: sim, estava saturada da mesmice e da monotonia das matérias sem graça, cansada da eterna competição com a Joyce. Sempre pensei que tinha as rédeas da minha vida nas mãos; ou, pelo menos, era essa a ilusão que eu cultivava.

Acostumei-me a uma existência sem surpresas e sem desafios, pois, de certo modo, isso era confortável. Mas, decidida a romper com essa apatia, fui em direção ao meu editor-chefe, um verdadeiro alpinista social: Peter, de 42 anos. Não que ele fosse um magnata ou algo do tipo, mas, por razões que me escapam, ele sempre aparece cercado por pelo menos dois seguranças. Talvez isso se deva ao conteúdo polêmico que publicamos. Frequentemente, recebemos cartas ameaçadoras na revista.

Temos a fama de revelar verdades, custe o que custar. Passei semanas tentando convencê-lo de que eu poderia criar algo mais vibrante, algo que realmente impactasse a vida das pessoas. Em cada visita ao seu escritório, era um verdadeiro jogo de cintura para desviar dos homens de preto que o acompanhavam. Não que isso fosse algo desagradável, pois, na verdade, todos eram incrivelmente bonitos, embora lembrassem os ciborgues do Exterminador do Futuro: frios e distantes.

Em uma segunda-feira gelada e chuvosa, às seis da manhã, saí para mais um dia de trabalho, mas, antes, precisava passar na casa do meu querido namorado, Noah.

Sim, eu tinha um namorado e, acreditem, nesse quesito eu acreditava ter me saído muito bem! Obrigada! Sempre gentil e atencioso, com seu corpo atlético e um sorriso encantador, Noah atraía olhares por onde passava.

Nos conhecemos há quatro anos; ele é um fotógrafo freelancer dedicado que trabalha para a "Sinceros Segredos". Contudo, raramente nos encontramos no ambiente de trabalho.

Ocasionalmente, trabalhávamos em seu apartamento. Mesmo não sendo os mesmos artigos, era comum eu deixar algo meu para trás em sua casa.

Apesar do vento forte e da chuva incessante, entrei em uma adorável confeitaria e comprei seu café da manhã favorito: bolo de chocolate e chocolate quente. Apesar de seu paladar ainda infantil, ele já era bem crescidinho, acreditem.

Duas quadras depois, e com um jeans encharcado, lá estava eu em frente ao seu prédio, segurando um molho de chaves e lutando contra o vento que tentava levar meu guarda-chuva. Como em todo dia chuvoso, este não seria uma exceção.

O velho elevador estava fora de serviço, então, após subir quatro lances de escadas, eu me esforçava para encaixar a chave na fechadura do seu apartamento.

- Noah! - chamei seu nome assim que entrei, mas o silêncio respondeu.

Colocando seu café na mesa de centro, fui direto ao quarto em busca do meu pendrive e, quem sabe, acordá-lo com deliciosos beijos matinais. Assim que atravessei a porta, fui surpreendida por uma cena nada agradável: Noah, que me prometera um conto de fadas, estava dormindo em sua cama com outra.

Eu queria gritar e arremessar tudo que estivesse ao meu redor contra eles; em vez disso, me forcei a correr, mesmo que em vão.

Meu desejo era escapar dali o mais rápido possível; entretanto, com o golpe do destino, acabei tropeçando e caindo em suas pilhas de roupas amontoadas no chão. O estrondo que fiz ecoou pelo quarto silencioso, despertando-os.

- Allison! - ele berrou, levantando-se e tentando esconder algo que não condizia com seu caráter.

- Fique longe de mim! - resmunguei, ainda no chão, segurando meu joelho esfolado, que com certeza doía menos do que a dor do meu coração despedaçado.

- Noah, quem é essa? O que está acontecendo?

A outra se sentou na cama, interrogando-o sem se preocupar em se cobrir. Com o que restava da minha dignidade, levantei-me, peguei o pendrive na mesa de cabeceira e, sem olhar para trás, afastei-me, enquanto ele corria nu, gritando meu nome em desespero.

Um dia chuvoso, um joelho esfolado e um encontro de amor arrasador deram início ao meu dia. E, pela primeira vez naquela manhã cinzenta, encontrei gratidão na chuva que escorria sobre mim, misturando-se com as lágrimas que deslizavam pelo meu rosto.

Com o pendrive em mãos e o coração em frangalhos, desci as escadas correndo, ignorando a dor no joelho e o frio que me castigava. Cada degrau era um eco da promessa quebrada de Noah, um lembrete da minha ingenuidade. A chuva, antes uma companhia melancólica, agora era uma aliada, lavando a sujeira da traição e disfarçando as lágrimas que teimavam em cair.

Chegando à rua, cambaleei até um ponto de ônibus, sentando-me no banco frio e molhado. As lágrimas já não eram mais discretas, escorrendo livremente pelo meu rosto, misturando-se à água da chuva. Eu me sentia exposta, vulnerável, como se o mundo inteiro estivesse testemunhando minha dor.

Enquanto esperava o ônibus, repassava cada cena em minha mente, tentando entender como Noah, o homem que eu amava e em quem confiava, poderia ter me traído daquela forma. As promessas, os planos, os sonhos que compartilhamos... tudo parecia uma grande mentira.

Finalmente, o ônibus chegou, e eu embarquei, procurando um lugar vazio no fundo. Encolhi-me no assento, tentando me proteger do olhar dos outros passageiros, que pareciam curiosos com minha aparência desolada.

Durante o trajeto, peguei o pendrive na bolsa e apertei-o com força. Ele continha o trabalho que havíamos feito para a "Sinceros Segredos", artigos aos quais havia dedicado horas para escrever. Era a minha forma de contribuir para a empresa, de mostrar meu valor. Mas, naquele momento, tudo parecia insignificante. Cheguei ao escritório da revista encharcada e com os olhos vermelhos.

Cerca de trinta minutos depois, na recepção da revista, lá estava Joyce, completamente impecável, sem um único sinal de imperfeição na maquiagem, exibindo um decote em V que quase revelava seu piercing no umbigo.

Isso me fez questionar: será que toda aquela tempestade era um capricho do destino, destinada apenas a mim e a alguns reles mortais? Não tinha como saber, mas tudo apontava para uma batalha acirrada: cérebro contra seios. Acreditem, essa competição não é nada justa quando seu chefe julga ser o próprio Giacomo Casanova. Sem querer perder tempo, fui direto para o elevador, quase implorando para que as portas se fechassem rapidamente. Eu precisava me secar e chegar à sala do Peter antes da "Srta. Seios".

- Segure a porta! - gritou ela com sua voz estridente, mas fiz de conta que não a ouvi.

Okay, não me julguem ainda. O que vocês não sabem é que ela adora esfregar na minha cara que sempre consegue as melhores pautas. O pior é que todos na revista conhecem bem o "talento" dela, e acreditem, não é escrever.

Antes que pudesse comemorar, as portas que estavam se fechando se abriram novamente; uma mão com um relógio de pulseira preta impediu que se fechassem.

O som dos saltos finos ecoando no piso de porcelanato e um "obrigada" exagerado me fizeram desejar subir as escadas. Assim que ela entrou, o príncipe encantado das donzelas atrasadas apareceu, deslumbrante, com seus grandes olhos negros e um perfume que poderia enlouquecer qualquer um. Um arrepio percorreu minha espinha. Era um dos seguranças de Peter, a quem eu apelidara internamente de "Ciborgue". Ele me encarou com aqueles olhos intensos, sem demonstrar qualquer emoção. Joyce, é claro, aproveitou a oportunidade para sorrir e acenar, como se o conhecesse intimamente.

"Preciso de um banho quente e uma dose cavalar de café", pensei, tentando ignorar a presença do segurança e a vibração de vitória de Joyce.

- Bom dia, Allison! Pensei que você tivesse me escutado quando pedi para segurar as portas - comentou ela ao entrar no elevador, destilando todo o seu veneno.

- Bom dia! Sim, ouvi você gritando, mas optei por não segurar - respondi, deixando um sorriso breve escapar.

Ela arregalou os olhos, fingindo uma falsa surpresa diante da minha sinceridade. Habitualmente, eu tolerava situações desconfortáveis e mantinha uma expressão forçada para evitar conflitos; no entanto, naquele dia, minha paciência parecia ter se ausentado. O elevador iniciou sua ascensão, e o silêncio era interrompido apenas pelo sutil zumbido do mecanismo.

- Nossa, Allison, que agressividade! - disse ela, finalmente, com um tom afetado. - Não sabia que você era tão... competitiva.

- Competitiva? - repeti, levantando uma sobrancelha. - Joyce, você transforma o ambiente de trabalho em um ringue de luta a cada nova pauta. Não venha com essa narrativa de "competitividade", como se eu estivesse inovando em algo fundamental.

- Você ainda está ressentida comigo por ter assumido a matéria que você desejava? Peço desculpas, mas o Peter acredita que possuo mais talento do que você - ela afirmou, lançando um olhar provocativo aos demais presentes.

- Joyce, não se preocupe com meus sentimentos pois, na verdade, não nutro nenhum por você. - Ela bufou e cruzou os braços.

O elevador, que parecia se mover em câmera lenta, finalmente chegou ao nosso andar. As portas se abriram, mas antes de me retirar, deixei minha última observação.

- Ah, e Joyce lembre-se: sabedoria e experiência são elementos que se adicionam ao currículo, mas, querida, os seios não, a menos que você esteja buscando uma carreira em um campo diferente.

- Uau, Allison, como você consegue dormir à noite com esse tipo de atitude? - perguntou ela, fingindo-se indignada.

Mesmo com o rosto manchado por duas faixas de lápis preto escorrendo sob meus olhos, respirei fundo e, soltando o ar com um sorriso, respondi:

- Como uma pedra. Tenham um ótimo dia!

Saí o mais rapidamente que pude, sentindo o olhar penetrante do Ciborgue em minhas costas. No corredor, deparei-me com Marcos, o estagiário, que se encontrava sobrecarregado por uma pilha de documentos que parecia prestes a desmoronar.

- Você precisa de ajuda? - indaguei.

Ele sorriu, visivelmente aliviado. - Por favor! Acredito que vou ter um colapso nervoso antes do almoço.

Enquanto organizamos os papéis, Joyce passou por nós, acompanhada pelo "príncipe encantado", rindo em voz alta e gesticulando, enquanto ele a ignorava completamente. Ela me lançou um olhar de lado, repleto de um sentimento de superioridade, com ele a ignorando totalmente.

"Que se dane", refleti. Eu tinha responsabilidades profissionais a cumprir e, pela primeira vez em um longo período, experimentava um certo prazer ao desafiar a dinâmica incômoda daquele ambiente. Talvez, apenas talvez, estivesse começando a apreciar uma postura um pouco mais agressiva. O dia parecia promissor.

Ao chegar à minha mesa, encontrava-me encharcada e desmotivada. A visão do meu computador e da pilha de papéis só piorou meu humor. "Preciso elaborar um plano", murmurei para mim mesma. Decidi que a estratégia mais eficaz seria recompor-me, secar minhas roupas e dirigir-me imediatamente a Peter.

Enquanto me trocava no banheiro improvisado da redação (um espaço pequeno com um espelho embaçado), escutei a voz de Joyce do lado de fora.

- Ah, Peter, você está ciente de que eu frequentemente apresento as melhores ideias! Além disso, estou plenamente disposta a dedicar-me arduamente a esta revista...

Revirei os olhos. A sua retórica era invariavelmente a mesma. Após concluir a troca de roupas, respirei profundamente e deixei o banheiro, preparada para enfrentar os desafios que se apresentavam.

Trinta minutos depois, com um misto de ansiedade e determinação, entrei no elevador em direção ao escritório dele. Ao chegar ao andar correspondente à sala de Peter, deparei-me com Joyce saindo de sua sala, exibindo um sorriso de triunfo. Ela lançou-me um olhar condescendente e sussurrou: "Boa sorte, querida. Você irá precisar." Em frente à porta, exercendo sua função de vigilância, encontrava-se ele, ereto, com uma postura profissional, o herói das donzelas atrasadas, o protetor do meu superior. Nossos olhares se entrelaçaram. Não sei se um sutil sorriso surgiu em seus lábios ou se foi apenas uma ilusão, dado que foi tão momentâneo.

É verdade que ele havia bagunçado meus planos no elevador? Sim, sem dúvidas. Contudo, devo ser franca: ele é o tipo de homem que qualquer mulher almejaria. A recepcionista já havia desabotoado três botões de sua blusa, na tentativa de atrair sua atenção, mas parecia que essa disputa a pobrezinha já havia perdido. Com tamanha beleza, não era qualquer mulher que conseguiria causar impacto naquele homem. Sem delongas, dirigi-me à reunião. Ao chegar à porta, não consegui resistir e lancei um olhar furtivo, pois a visão de perto é sempre mais cativante.

Por um breve momento, nossos olhares se encontraram; eu mal consegui mover as pernas; mesmo assim, fiz um esforço para adentrar a sala. Senti-me aliviada por não ter mais vestígios de lápis escorrendo pelos olhos. Engoli em seco e bati à porta.

- Entre!

Peter estava sentado em sua cadeira, com uma expressão fatigada. - Allison, o que a traz aqui?

- Peter, necessito da sua aprovação para uma nova matéria. Algo que realmente tenha impacto. Estou exausta de redigir sobre futilidades.

Ele me observou com desconfiança.

- E o que você tem em mente?

Respirei fundo e comecei a apresentar minha ideia. Falei sobre a necessidade de abordar temas relevantes, de dar voz a pessoas que não são ouvidas, de criar um impacto positivo na sociedade. Peter me ouviu atentamente, sem interromper. Quando terminei, um silêncio pairou no ar. Peter se levantou e caminhou até a janela, olhando para a cidade chuvosa lá embaixo.

- Allison, você sabe que nossa revista tem uma reputação a zelar. No momento, não podemos nos dar ao luxo de arriscar com matérias polêmicas.

- Mas é justamente o risco que nos torna relevantes, Peter! Se continuarmos fazendo o mesmo de sempre, vamos nos tornar irrelevantes.

Ele se virou e me encarou.

- Eu vou pensar no assunto. Deixe-me seu projeto e eu te dou uma resposta em breve.

Saí da sala de Peter com uma mistura de esperança e frustração. Sabia que a batalha seria difícil, mas estava determinada a lutar pela minha ideia. Enquanto voltava para minha mesa, esbarrei no "Ciborgue". Ele me segurou pelo braço para que eu não caísse.

- Você está bem?

Sua voz era surpreendentemente suave, diferente da imagem fria que ele transmitia.

- Sim, obrigada! - respondi, um pouco sem graça.

Ele me soltou e me encarou por um momento.

- Não desista da sua ideia - disse ele, antes de se afastar.

Fiquei chocada enquanto caminhava, surpresa com suas palavras. Talvez, por trás daquela armadura de frieza, existisse um coração.

O resto do dia passou lentamente. A cada hora que se arrastava, a ansiedade aumentava. Joyce não perdia a oportunidade de me provocar, mas eu me recusava a ceder.

No final do expediente, quando já estava quase desistindo, Peter me chamou em sua sala.

- Allison, eu pensei muito sobre sua proposta. E decidi lhe dar uma chance.

Um sorriso radiante surgiu em meu rosto.

- Sério? Peter, muito obrigada! Eu não vou te decepcionar.

No fim do dia, em minha baia, na minha pequena mesa desordenada, agendei minha primeira entrevista com um informante. A tela do computador brilhava, iluminando os papéis amontoados e as canetas espalhadas. O ar-condicionado zumbia fracamente, abafando o burburinho do escritório quase vazio.

Eu já possuía algumas informações sobre as redes ISLAND FARMACÊUTICAS, um legado que atravessa três gerações e que, nos últimos anos, parecia ter se expandido a passos largos desde que o mais recente herdeiro, Gael, assumiu o comando. Gael, que lidava com diversas acusações de tráfico de drogas, embora nenhuma tenha sido confirmada até agora, viu sua riqueza crescer rapidamente após assumir o controle da ISLAND. Aquele crescimento exponencial era o que me incomodava, o que me fazia cavar mais fundo. Algo não se encaixava.

O informante, um tal de "Corvo", era uma incógnita. Nenhuma foto, nenhum histórico, apenas um endereço de e-mail criptografado e a promessa de "informações que o mundo precisa saber". A entrevista estava marcada para o dia seguinte , em um restaurante pouco frequentado no centro da cidade. Um lugar sombrio, perfeito para encontros clandestinos e segredos obscuros.

Senti um frio na espinha. A ISLAND era poderosa, com tentáculos que se estendiam por toda a cidade. Mexer com eles era como cutucar uma colmeia de vespas. Mas a ideia de Gael, impune, lucrando com a miséria alheia, me dava forças para continuar.

As informações que eu tinha, por mais escassas que fossem, rodavam na minha cabeça. Gael, o herdeiro charmoso, com seu sorriso de galã e seus ternos impecáveis. A fachada perfeita para esconder a podridão por baixo.

Naquela noite, mal preguei os olhos, depois de descobrir a traição de Noah e conseguir a aprovação do artigo. A mente fervilhava, um turbilhão de emoções conflitantes. A alegria efêmera da conquista acadêmica era constantemente ofuscada pela amargura da traição. Cada vez que tentava relaxar, a imagem de Noah com outra pessoa em sua cama invadia meus pensamentos, como um filme em loop.

O sucesso do artigo, que antes me enchia de orgulho, agora parecia um prêmio de consolação, um pobre substituto para a confiança e o amor que eu acreditava ter. A ironia era cruel: no dia em que alcançava um marco importante na minha carreira, meu mundo pessoal desmoronava.

Revirei-me na cama inúmeras vezes, tentando encontrar uma posição confortável, mas o desconforto era interno, não físico. As lágrimas escorriam silenciosamente pelo meu rosto, molhando o travesseiro. A dor era lancinante, uma ferida aberta que pulsava a cada lembrança compartilhada com Noah.

A raiva também se fazia presente, um fogo ardente que me impelia a confrontá-lo, a exigir explicações, a gritar toda a minha frustração. Mas a exaustão emocional me paralisava, impedindo qualquer ação.

Finalmente, quando o sol começou a despontar no horizonte, um sono inquieto e fragmentado me envolveu. Mas mesmo nos meus sonhos, a sombra da traição pairava, obscurecendo qualquer resquício de paz. O dia que se anunciava prometia ser longo e difícil, um desafio a ser enfrentado com a força que eu mal conseguia reunir.

Naquela manhã, mergulhei de cabeça na pesquisa. Vasculhei registros públicos, notícias antigas, qualquer migalha de informação que pudesse me dar uma vantagem. Descobri que a ISLAND tinha uma história de acordos suspeitos, de licenças obtidas de forma duvidosa e de desaparecimentos misteriosos. Pequenos indícios, mas que, juntos, formavam um padrão perturbador.

A cada nova descoberta, a ansiedade aumentava. Sabia que estava me aproximando da verdade, mas também sabia que a verdade poderia ser perigosa. Gael não era um homem que deixaria alguém atrapalhar seus negócios.

O dia da entrevista chegou rápido demais. Fui com a sensação de que estava caminhando para uma armadilha. Mas a curiosidade e a sede por justiça eram mais fortes do que o medo. Peguei meu gravador, uma caneta e um bloco de notas, e saí em direção à zona portuária. O armazém me aguardava, e com ele, a promessa de desvendar os segredos obscuros da ISLAND FARMACÊUTICAS. Eu esperava que a verdade valesse o risco.

Capítulo 2 Anjo da guarda ou anjo da morte

Às treze horas de um dia chuvoso e nublado, na mesa dos fundos de um restaurante pouco frequentado, encontrei minha "fonte".

Era um homem de cabelos grisalhos, com profundas olheiras que denunciavam um cansaço acumulado. Parecia que o descanso de oito horas já não era uma realidade para ele há tempos.

Sentando-se à minha frente, suas mãos tremiam enquanto me entregava um pendrive. Com um olhar desconfiado e apavorado, ele espiava ao redor, como se temesse ser observado.

- Olá, boa tarde! Tudo bem com o senhor? Sou Allison. Como posso te chamar?

- Eles estão aqui, estão em todos os lugares.

Proclamou ele num tom frenético que ecoava a urgência de suas palavras, segurando meu braço com firmeza, sua voz carregada de medo e ressentimento.

- A farmacêutica ISLAND está envolvida com armas biológicas. No início, seu foco era apenas em medicamentos, vacinas e substâncias terapêuticas, mas acreditaram que uma arma biológica poderia render muito mais lucro.

Aquelas palavras me atingiram como um soco no estômago. A farmacêutica ISLAND, um gigante da indústria, envolvida em armas biológicas? Era uma bomba. Uma bomba que, se confirmada, abalaria o mundo.

- Calma - eu disse, tentando manter a voz firme, apesar do meu próprio coração acelerado. - Me explique melhor. Como você sabe disso? O que tem nesse pendrive?

Ele respirou fundo, tentando controlar o tremor nas mãos.

- Eu trabalhei lá, Allison. No começo, era tudo dentro da lei, pesquisas para curar doenças, desenvolver novas vacinas... Mas depois, as coisas começaram a mudar. Novos projetos, financiamento secreto, eufemismos como "pesquisa de defesa". Eu percebi que não estávamos mais criando remédios, mas sim armas.

Ele olhou para o pendrive, como se estivesse segurando uma serpente venenosa.

- Aqui está quase tudo: documentos, e-mails, relatórios... Provas de que a ISLAND está desenvolvendo um vírus altamente contagioso e letal, com o objetivo de controlar populações. Eles querem criar a "doença perfeita", que cause pânico e dependência, para depois venderem a cura.

- E por que você está me contando isso? Por que arriscar sua vida? Perguntei, sentindo um nó na garganta.

Ele me encarou, seus olhos marejados. - Porque eu não consigo mais viver com essa culpa, Allison. Eu vi o que eles são capazes de fazer. Eu vi o potencial de destruição que essa arma tem. Eu preciso que o mundo saiba a verdade, antes que seja tarde demais.

Com um olhar cético, ele prosseguiu: - Assim, desenvolveram uma arma biológica e realizaram testes em pessoas que acreditavam estar participando de um novo programa de vacinação.

- Vacina? Mas contra que doença? Contra o quê? Perguntei, tomada por um misto de medo e incredulidade.

- Não tenho certeza. Mas isso parecia irrelevante; as pessoas estavam satisfeitas, recebendo dinheiro para participar dos testes. Logo, começaram a surgir corpos, dezenas enterrados como se fossem indigentes.

Um arrepio percorreu minha espinha. A incredulidade lutava com a crescente sensação de pavor. "Dinheiro? Eles pagaram para terem as cobaias? Isso é... monstruoso," pensei, assustada.

Ele assentiu, o olhar fixo em um ponto distante, como se revivesse as cenas em sua mente. - A ganância, minha cara, é uma doença tão devastadora quanto qualquer vírus. Prometeram um futuro melhor, uma vida mais fácil. E eles, desesperados, aceitaram. Não questionaram. Não investigaram.

- Mas... como ninguém percebeu? Médicos, enfermeiros, alguém tinha que saber! - exclamei, a voz embargada.

- Ah, perceberam. Alguns. Mas o poder é uma droga poderosa. Promessas de ascensão, ameaças veladas... o silêncio foi comprado a peso de ouro. E aqueles que se atreveram a falar... bem, desapareceram. Simplesmente desapareceram.

Ele fez uma pausa, um sorriso amargo curvando seus lábios. - A história está cheia de exemplos, não é mesmo?

- E a arma biológica? Qual era o efeito? O que ela causava? - perguntei, sentindo o estômago embrulhar.

Ele suspirou, um som cansado e desesperançoso. - Os sintomas variavam. Alguns apresentavam febre alta, delírios, convulsões. Outros, uma deterioração gradual, uma espécie de definhamento lento e doloroso. O mais assustador, no entanto, era a mudança no comportamento. Tornavam-se apáticos, desinteressados, como se a vida lhes fosse sugada lentamente.

- E o objetivo? Qual era o propósito de tudo isso? - insisti, precisando desesperadamente de uma resposta, por mais sombria que fosse.

Ele me encarou, seus olhos carregados de uma tristeza profunda. - O objetivo? - Poder, minha cara. Controle. A capacidade de manipular, de subjugar, de eliminar aqueles considerados "indesejáveis". Uma limpeza social, disfarçada de progresso científico.

Aquelas palavras ecoaram em minha mente, pesadas e implacáveis. A realidade que ele pintava era sombria e aterradora, um pesadelo que se infiltrava na tênue barreira entre a ficção e a verdade. O que eu faria com essa informação? Deveria acreditar nele? E, se acreditasse, como poderia lutar contra uma conspiração tão vasta e cruel? O medo, antes um sussurro, agora gritava dentro de mim. A jornada que acabava de começar seria longa e perigosa, mas eu sabia, no fundo do meu coração, que não podia simplesmente ignorar o que acabara de ouvir. O silêncio, afinal, era cúmplice. E eu me recusava a ser cúmplice.

Naquele momento, eu soube que aquela era a matéria de uma vida, ou seria uma vida pela matéria? Puxei meu braço e coloquei o pen drive dentro do bolso da frente da minha calça. Poucos instantes depois, a porta se escancarou; um homem armado avançou em nossa direção, proclamando um assalto.

Agarrado minha mochila e a puxando da cadeira, num piscar de olhos, um estrondo atingiu os meus ouvidos, causando-me um profundo zumbido ensurdecedor. No peito do meu informante, cujo nome ainda era um mistério para mim, uma grande mancha vermelha e pegajosa começou a se espalhar.

Diante de mim, seus olhos, agora sem foco e sem vida, estavam abertos, fitando-me, enquanto seu corpo flácido se inclinava para trás. Mesmo tomada pelo terror, pude ouvir gritos e o som de cadeiras sendo arrastadas, seguido por um segundo BANG. Meu corpo desajeitado caiu para frente sobre a mesa, e uma dor lancinante irrompeu em meu peito, acompanhada por uma sensação de queimação, enquanto uma escuridão total me engolia. Se aquilo era a morte, eu só desejava que tudo acabasse rapidamente. Minha garganta estava seca e ardente, e uma ânsia de vômito me invadiu.

Uma luz branca e difusa ofuscava minha visão, como se meus olhos estivessem se abrindo pela primeira vez em muito tempo. Aquilo não poderia ser o céu, mas também não era o inferno. Com um esforço para focar em algo ou alguém, uma mulher se aproximou, sua voz suave e acolhedora quebrando a névoa ao meu redor.

"Eu estava viva. De alguma forma, eu estava viva", pensei.

- Calma, minha querida, não se aflija, tudo ficará bem. Você está a salvo agora

- disse ela, tentando me tranquilizar.

- A salvo! A salvo de quê?

Naquele instante, minha memória parecia um borrão, e as lágrimas brotavam incontroláveis dos meus olhos. Um anjo ou um ceifador? Na verdade, não acreditava em nenhuma das duas opções; era o guardião das donzelas atrasadas. Alto, com grandes olhos escuros, cabelos negros como a noite e uma expressão que exalava perigo, ele se aproximou, dirigindo-se à enfermeira com gentileza:

- O que aconteceu? Ela está bem?

- Sim, ela está. Apenas precisa de um tempo para processar tudo. Já faz dias que ela estava inconsciente e acaba de sair da intubação. Mas o perigo já passou.

Como assim, dias inconsciente? Há quanto tempo eu estava ali? Minha mente girava em um turbilhão de perguntas. Por que ele estava ali? Por que me observava com tanta preocupação e curiosidade? E o que um completo estranho estava fazendo ao meu lado em um quarto de hospital?

Como se pudesse ler meus pensamentos, a enfermeira segurou minha mão e começou a me explicar o que havia acontecido. Ela me disse que aquele homem estava ali para me proteger, que ele era um guarda-costas e que sua missão era garantir minha segurança.

Com a mente sobrecarregada de informações e o auxílio de um sedativo potente intravenoso, logo voltei a adormecer.

Os dias se arrastaram, e aquelas manhãs no hospital estavam me deixando à beira da loucura. Assim que abria os olhos, ele era a primeira pessoa que eu avistava ao despertar e também a última antes de mergulhar no sono. Sempre muito profissional, suas palavras se resumiam a um simples "bom dia" e "boa noite".

Uau! Até agora, nada de novo. Vamos lá, pensei, decidida a quebrar o gelo.

- Você, por acaso, é um ciborgue?

Ele me lançou um olhar confuso, com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse tentando decifrar meu questionamento.

- Desculpe, não quero parecer indelicada ou algo assim. É como se você estivesse sempre ali, sentado com uma postura impecável, vestindo seu terno preto perfeito. Com um sorriso encantador e sutil, ele se levantou e se aproximou de mim, respondendo à minha indagação.

- Meu nome é Ethan e estou a serviço do Peter, e não sou um ciborgue ou algo do tipo.

- Agora, Ethan, que tal me contar um pouco sobre você? Já sei que você não é um ciborgue, mas ainda restam muitas perguntas.

Ele sorriu, um sorriso genuíno que me deixou sem fôlego. - Estou aqui para protegê-la.

- Entendo... um protetor, então? Tipo um anjo da guarda contratado? - provoquei, sentindo um fio de ousadia percorrer minhas veias. Aquele tédio hospitalar estava me transformando em alguém que eu não reconhecia.

- Você está sempre presente, mas ainda não me contou quem arca com essa proteção.

Ele sorriu, um sorriso que iluminou seu rosto fazendo algo estranho acontecer no meu estômago.

- Srta. Allison, acredito que os anjos da guarda geralmente não usam ternos e não carregam armas. Ele disse afastando parte do terno, mostrando seu coldre.

- Armas? - Arregalei os olhos, genuinamente surpresa. Aquele homem era um mistério em camadas, como uma cebola. - Você está armado aqui dentro?

- É uma precaução necessária. Sua segurança é minha prioridade.

- Ah, entendi, a entrevista com a minha fonte. - Pensei comigo mesma, sem perceber que havia falado em voz alta.

- E como ele está? Ele está bem? - perguntei, mesmo temendo a resposta. Ele hesitou e, por um breve instante, vi uma sombra cruzar seus olhos.

- Isso não é importante agora. O importante é que você se recupere.

- Mas eu preciso saber! Estou presa aqui, sem saber o que aconteceu, ou por que um homem misterioso está me vigiando 24 horas por dia!

- Infelizmente, ele não sobreviveu ao atentado.

Ele respondeu, parecendo sensibilizado pela minha dor. É claro que aquilo nunca tinha sido realmente um assalto. Que tipo de assaltante se arriscaria a abordar duas pessoas em vez de ir direto ao caixa? Não sou do tipo que se veste sempre com roupas de grife; estava apenas com uma camiseta branca, uma jaqueta e calça jeans.

Minha mochila era tão antiga quanto os pares de silicone da Joyce, que, devido à sua falta de simetria, já ultrapassavam o tempo de uso permitido. Meu informante, se estivesse sentado em um banco de praça, facilmente poderia ser confundido com um andarilho. Naquele instante, lembrei-me do seu olhar angustiado; parecia que o medo era um companheiro constante em sua vida, e toda aquela dor e terror voltaram a me atingir, trazendo à tona memórias aterradoras.

As palavras de Ethan caíram como um balde de água fria. Meu informante estava morto? A entrevista... o atentado... tudo se encaixava agora com uma clareza brutal. As lágrimas voltaram a inundar meus olhos, mas, desta vez, eram lágrimas de luto, de culpa e de raiva. Aquele homem era mais que uma fonte; era uma prova, uma testemunha. E agora, ele se fora, vítima de uma conspiração que eu mal começava a desvendar.

"Não sobreviveu ao atentado..." A frase ecoava na minha mente, misturada com imagens fragmentadas daquela tarde: o cheiro acre da pólvora pairava no ar, denso e persistente como um fantasma. Era um aroma metálico e cortante que queimava as narinas, uma lembrança tangível da violência que havia acontecido. Misturava-se com o cheiro de sangue, criando um coquetel nauseante que grudava na garganta, o som dos tiros, o pânico...

- Preciso saber tudo - eu disse, a voz mais firme agora, apesar das lágrimas. - Quem fez isso? E por quê?

Ethan hesitou por um momento, como se estivesse pesando suas palavras.

- É complicado. Parece que ele estava envolvido em algo perigoso, algo que o colocou em conflito com pessoas poderosas. Ele estava prestes a revelar informações importantes, informações que alguém não queria que viessem à tona.

- Que tipo de informações? - pensei em voz alta, sem me dar conta.

- Informações que poderiam derrubar impérios - respondeu Ethan, com um tom grave. - E é por isso que estou aqui. Peter me contratou para protegê-la.

A revelação me deixou atordoada. Agora eu era um alvo?

Com as lágrimas escorrendo descontroladamente e um nó na garganta, ele me envolveu em um abraço, como se me conhecesse há eras, sabendo exatamente o que eu precisava. Permaneci em seu peito por um tempo, absorvendo seu perfume envolvente: uma mistura doce e amadeirada que não era comum, mas que parecia ser exclusivamente dele. Não sei dizer quanto tempo durou aquele abraço, mas sei que há muito não me sentia tão segura e protegida.

Os dias seguintes seguiram um ritmo semelhante. Ele continuava ali, silencioso e observador, respondendo apenas com o mínimo necessário. Eu tentava puxar assunto, fazer perguntas, mas ele sempre se esquivava, alegando que eu precisava descansar.

Apesar da frustração, comecei a me acostumar com sua presença. Era como ter uma sombra constante, uma presença silenciosa que me fazia sentir, paradoxalmente, segura e intrigada. Comecei a notar pequenos detalhes: a forma como seus olhos se suavizavam quando eu dormia, a maneira como ele ajustava o cobertor quando eu me mexia, a leve tensão em seus ombros quando alguém entrava no quarto. Em uma tarde, enquanto ele estava sentado em sua habitual cadeira, lendo um livro, eu o observava quando a porta se abriu.

- Olá, minha querida! Como está a minha paciente favorita hoje? - exclamou a enfermeira, radiante.

- Estou bem, obrigada!

- Que maravilha! Fico contente em ouvir isso, pois hoje você receberá alta, logo após o almoço. Eu estava animada com a notícia, mas também um pouco apreensiva.

Ali, sentia-me protegida; já em casa, não tinha tanta certeza se conseguiria manter essa sensação. Assim que minha enfermeira dedicada deixou sobre a cama um pacote com minhas roupas sujas, manchadas de sangue, ela me entregou a tão esperada alta, despediu-se e nos deixou a sós. Ethan, com seu olhar gentil, apanhou do chão uma sacola preta de papel e me entregou, dizendo: - Enquanto você descansava, comprei isso para você assim que soube da sua alta. Ao olhar dentro da sacola, vi um par de tênis, uma camiseta branca e um jeans preto, que eram exatamente a minha cara.

- Muito obrigada!

- Não por isso. Ainda não deu seu depoimento. Preciso te levar a uma delegacia; você vai relatar sua história e testemunhar contra a ISLAND FARMACÊUTICA.

- VOCÊ SABE DE TUDO ISSO? - eu exclamei, sem perceber, com uma voz aguda e descontrolada.

- Calma, o chefe da redação. O Peter esteve aqui e me contou sobre suas investigações e sua fonte.

Respirando fundo, voltei a me sentar na cama e, segurando minha mão, disse: - Fique tranquila, você vai dar seu depoimento. Passaremos na sua casa e te levarei para um lugar seguro.

- Tudo bem! Só preciso pegar algumas coisas.

Levantei, com as roupas em mãos, mas seus olhos insistentes não se desviaram de mim.

- Ethan, preciso me vestir.

Ele apenas se virou de costas. Derrotada pela teimosia daquele homem, agradeci com ironia.

- Muito obrigada! Privacidade é essencial.

Talvez eu não tenha sido irônica o suficiente, ou ele era mais sarcástico do que eu, pois simplesmente respondeu com um "à disposição".

Vesti-me rapidamente, sentindo o olhar de Ethan nas minhas costas, mesmo que ele estivesse virado. A camiseta era macia e o jeans, surpreendentemente, do tamanho certo. Era como se ele me conhecesse melhor do que eu mesma.

- Estou pronta - anunciei, ajeitando o cabelo com os dedos. Ethan virou-se, analisando-me de cima a baixo. Seus olhos pararam nos meus e um sorriso discreto curvou seus lábios.

- Você está ótima - disse ele, com uma sinceridade que me desarmou.

- Vamos?

Assim que finalizei a papelada do hospital, ele me conduziu até o elevador, com a mão na parte inferior das minhas costas. Seu toque em meu corpo provocou uma corrente elétrica que eu nunca havia sentido antes. Alto e imponente, com um olhar que penetrava a alma, Ethan me conduzia pelo estacionamento. Entramos em seu carro, um sedã negro com bancos de couro que exalavam seu perfume, proporcionando-me uma sensação de conforto. O silêncio era confortável, mas carregado de tensão.

- Para onde vamos primeiro? - perguntei, quebrando o silêncio.

- Para a delegacia. Você precisa depor.

Fomos até a delegacia, onde prestei meu depoimento. Eu ainda estava processando tudo: a investigação, a ISLAND FARMACÊUTICA, o perigo que me rondava e, principalmente, a presença constante de Ethan. E então seguiríamos rumo ao meu saudoso lar.

Chegamos ao meu apartamento e percebi que a porta estava entreaberta; a cena era de caos. O que restava era um cenário de destruição: livros rasgados, móveis estilhaçados, papéis espalhados, gavetas reviradas e a sensação de que um tornado havia passado por ali.

- Eles estiveram aqui - murmurei, sentindo um arrepio na espinha.

Ethan me segurou pelo braço. - Não toque em nada. Vamos pegar o que você precisa e sair daqui.

Ele empurrou a porta com firmeza, sacando a arma de seu coldre e me instruindo a ficar atrás dele. Com a arma em punho, ele fez uma busca meticulosa, assegurando-se de que não havia mais ninguém ali.

- Rápido, pegue o que precisar. Aqui não é seguro - disse ele com sua voz profunda.

- Claro, tudo bem! - respondi, enquanto minhas mãos tremiam.

Com pressa, peguei uma mochila e coloquei alguns itens pessoais.

- Pronto - disse eu, com a voz embargada.

Saímos do apartamento e Ethan encostou a porta. - Não se preocupe, a polícia vai investigar - disse ele, tentando me confortar.

Segurando minha mão, ele me levou ao elevador. A descida pareceu uma eternidade, cada rangido do cabo soando como um prenúncio de desgraça. Ethan mantinha o olhar fixo nos números que diminuíam, sua mandíbula travada em tensão. Eu, por outro lado, não conseguia desviar os olhos da arma em sua mão. Nunca tinha visto uma de perto, até o ataque que eu havia sofrido; agora eu via armas frequentemente.

Ao sairmos do prédio, o ar da noite me atingiu como um tapa. A rua, antes tão familiar, agora parecia ameaçadora, cada sombra escondendo um potencial perigo. Ethan me guiou rapidamente até o carro, estacionado discretamente a alguns metros de distância.

- Para onde estamos indo? - perguntei, depois de um tempo.

- Para um lugar onde você estará segura. Um lugar onde poderá aguardar até o dia do julgamento - respondeu ele, com um olhar determinado.

- E depois disso, vou descobrir quem está por trás de tudo isso e fazê-los pagar - afirmei, esforçando-me para parecer convincente.

No carro, o silêncio era palpável, quebrado apenas pelo ronco do motor. Ethan dirigia com uma concentração intensa, e as lágrimas escorriam silenciosamente até que o sono me envolveu. Acordei com a suavidade da mão de Ethan acariciando meu rosto.

- Desculpe. Não queria te assustar - sussurrou ele, com um olhar cansado.

- Que horas são? - perguntei, sentindo meu corpo dormente após tantas horas sentada.

- 21:00 em ponto - respondeu ele com um lindo sorriso, olhando para o relógio de seu pulso.

- Tudo bem! E onde estamos?

- Na minha casa. Venho aqui sempre que preciso escapar da loucura da cidade. É um lugar tranquilo e sereno, longe de tudo.

Ao olhar ao redor, percebi que só havia árvores: enormes árvores e nada mais. As únicas luzes ali eram os faróis do carro e a luz suave da lua. Não havia casas por perto, um verdadeiro santuário para a solidão. Apesar da distância de tudo, uma sensação de segurança me envolveu. Peguei minha mochila e a sacola com as roupas do restaurante e saí do carro. Retirando um chaveiro do bolso, Ethan destrancou a porta.

- Seja bem-vinda! Este será seu lar temporário.

Era uma charmosa casa de dois andares, completamente revestida de branco, com janelas e portas de estilo colonial em preto e um lindo piso de madeira, um verdadeiro oásis moderno e acolhedor em meio à natureza.

- Uau! É deslumbrante! Não parece nada com uma cabana de pescadores.

- Fico feliz que tenha gostado! Recentemente, fiz algumas reformas. Os quartos ficam no andar de cima; venha, vou te mostrar. Um quarto amplo, com uma enorme cama king size e edredons que pareciam fofos como algodão.

- Sinta-se à vontade, guarde suas coisas e desça. Vou preparar algo para a gente comer. Após guardar meus poucos pertences, senti um cheiro prazeroso vindo da cozinha.

- Parece delicioso! - disse eu enquanto ele cozinhava.

Sorrindo, ele respondeu:

- Sente-se, já vou nos servir.

Com obediência, acomodei-me em uma banqueta ao redor da ilha.

- O prato do dia é frittata com presunto de Parma. Bom apetite! - ele exclamou, sentando-se ao meu lado.

- Está delicioso, obrigada!

- Disponha!

Ele respondeu, exibindo um sorriso genuíno.

- Sério, está incrível! Depois de tantos dias no hospital, eu havia esquecido como a comida caseira pode ser tão saborosa.

Enquanto desfrutávamos da refeição, conversamos sobre sua bela casa, recém-reformada por ele, e descobri que aquele grande corpo definido havia sido esculpido por seu pesado trabalho braçal. Organizamos a cozinha e seguimos rumo aos quartos.

- Tome banho e descanse. Precisamos conversar pela manhã - disse, com um ar de preocupação.

- Tudo bem, boa noite!

Respondi, ainda preocupada com a destruição do meu apartamento.

Entrei no quarto, desfrutando de um momento de privacidade após dias dividindo o quarto de hospital com ele. Depois de um banho revigorante, percebi que não havia trazido pijama algum, o que, dadas as circunstâncias, era compreensível, já que a morte parecia estar sempre à espreita. Acabei dormindo apenas de calcinha e uma camiseta preta que encontrei no armário do meu quarto, que suspeitava ser do Ethan. A noite estava quente e abafada; o lençol era tudo o que eu precisava. A cama era tão aconchegante que não demorei a cair no sono.

Quando abri os olhos, lá estava eu novamente, no restaurante, frente àqueles olhos cansados e profundos.

A porta se escancarou, e um homem armado entrou, gritando e anunciando o assalto.

BANG!

Gritei. Não, por favor! As lágrimas escorriam pelo meu rosto.

BANG! O som ecoou ensurdecedor, abafando meus próprios gritos desesperados. Meus olhos, fixos nos do homem à minha frente, capturaram uma súbita compreensão, um lampejo de resignação. Ele sabia. Ele sempre soube.

O caos se instalou no restaurante. Clientes gritavam, se jogavam no chão, tentando se proteger. O assaltante, com a arma em punho, exigia dinheiro e celulares. Mas eu não conseguia desviar o olhar. Estava presa naqueles olhos cansados, na dor silenciosa que emanavam.

BANG! De repente, tudo aconteceu em câmera lenta: outro tiro e, em meu peito, uma dor lancinante. Alguém gritou. O pânico me paralisava. Eu queria correr, me esconder, mas meus pés estavam pregados ao chão. Um último grito, rasgando minha garganta, e logo me senti sendo puxada para longe do perigo iminente.

- Abra os olhos, isso não é real, abra os olhos.

A voz insistia, tentando me puxar para a realidade. Meus olhos lutavam para se adaptar à luz intensa; minha mente ainda estava emaranhada, tentando recordar onde eu realmente estava.

- Foi só um pesadelo, você está a salvo, estou aqui com você. Sim, era isso. Eu estava com ele, não no restaurante, com meu carrasco, mas sim sentada na cama ao lado de Ethan, que me envolvia em um abraço apertado, me protegendo com seu calor reconfortante. Apesar do calor que emanava dele, eu tremia de frio; minha camiseta, colada ao corpo e encharcada de suor, provocava ondas intensas de arrepio.

- Você está gelada. Ele pegou o edredom e se deitou ao meu lado, cobrindo-nos.

- Durma, vou ficar aqui com você esta noite.

Não que compartilhar a cama fosse algo comum ou habitual, mas ao lado dele eu me sentia segura, dia após dia.

Acordando e dormindo com ele no hospital, aquela situação para mim não foi constrangedora. Mesmo deitada sobre seu peito, demorei a dormir, e aquele fim de noite havia chegado; a luz do sol entrava pela janela, acompanhada do barulho dos pássaros cantando lá fora. Ethan ainda dormia quando decidi que me levantaria escondida dele, porque não estava vestida o suficiente. Ao me levantar, nas pontas dos pés, olhei ao redor à procura da minha toalha.

- Já de pé, tão cedo?

Sua voz rouca e sexy me tirou do foco anterior. Quando o olhei, ele estava me analisando de cima a baixo. Constrangida, me esforcei ao máximo para puxar para baixo a barra de sua camiseta, que, no momento, eu vestia.

- Então, é que, bem, eu...

E, mais uma vez, eu estava completamente gagá, me perguntando: como eu poderia descrever aquele ser? A resposta me veio à mente: conhece o Apolo? O deus da beleza, da poesia e da sabedoria, com sua aparência sem igual. Se ele estivesse entre nós, teria que batalhar pelo seu título, porque, olhando para Ethan naquele instante, tenho certeza de que o coitado do Apolo não teria chance alguma.

Como sempre, ele tinha o poder de me fazer esquecer até as coisas mais simples, como construir uma frase ou até mesmo pronunciar um simples "bom dia". Com aquele sorriso encantador, ele se levantou, se aproximou de mim e me deu um leve beijo nos lábios.

- Bom dia, garota-problema!

- É, bom dia!

- Você está bem? - perguntou ele, com um olhar curioso.

- Sim, estou. Ah, e a propósito, muito obrigada! Você sabe, por ter passado a noite comigo. Não, não é bem isso. Por ter dormido comigo. Bem, também não era isso que eu queria dizer.

Minha voz estridente alcançava um tom constrangedor, totalmente embaraçoso.

- Na verdade, era por ter me feito companhia.

- Não por isso - ele esboçou um sorriso.

Com um gesto delicado, ele afastou um dos meus cachos de cabelo atrás da orelha e sussurrou:

- Essa camisa te deixou maravilhosa.

- É, que bom!

Respondi, sentindo meu rosto arder de vergonha.

E assim, ele se despediu.

Uau, que resposta brilhante, Allison! Uma repórter que fica muda ou tropeça nas palavras toda vez que um homem fala com ela.

Só poderia ser o karma. Já tinha ouvido falar que o karma era uma vadia; o pior é que tinha que concordar.

Depois de um banho revigorante, desci determinada a preparar nosso café da manhã como forma de agradecer pela noite anterior, mesmo sabendo que, na verdade, já era hora do almoço.

Eu não era uma especialista na cozinha, mas torradas, panquecas e um bom café preto, isso sim, eram o meu forte. Ele entrou pela porta da frente, suado e vestido com um moletom.

- Que cheiro bom! - exclamou ele, com um sorriso no rosto.

- Preparei um café fresquinho.

Aproximando-me, entreguei-lhe uma caneca generosa, repleta do líquido fumegante. Como era de se esperar, de perto pude analisar melhor o conjunto da obra.

- Que maravilha! Estou morrendo de fome!

Eu também, pensei com ironia, perdida em meus pensamentos eróticos. Enquanto saboreamos o café, ele me questionou sobre o sonho da noite passada. Foi nesse momento que uma lembrança inesperada surgiu em minha mente, uma recordação que até então não havia se manifestado.

Capítulo 3 Êxtase

- Allison? Allison, você está bem?

- Sim, estou. É que me lembrei do pendrive.

- Que pendrive?

- O que recebi no restaurante. Eu não o coloquei na mochila; não queria correr o risco de perdê-lo.

Levantei-me correndo e fui até o quarto, onde estavam minhas roupas retalhadas do rápido atendimento médico, ainda dentro do saco plástico que recebi do hospital.

Os tecidos estavam grudados e endurecidos pelo sangue seco. Um forte cheiro salgado de ferrugem me atingiu em cheio, fazendo meu estômago se contorcer.

Peguei o pendrive e corri para o banheiro. De joelhos, vomitei. Ethan chegou e me levantou do chão, segurando uma toalha úmida, que ele passou em meu rosto.

- Respire fundo, isso vai passar.

- Me desculpe, é que as lembranças, o cheiro do sangue...

- Calma, está tudo bem, é natural.

- Nada disso está sendo natural para mim, Ethan. Há algumas semanas, eu escrevia sobre o tempo ou as novas tendências de decoração residencial.

Agora estou aqui em uma casa, no meio de uma selva, fugindo de um assassino, com um guarda-costas cujo codinome deve ser Perigo.

- Okay, Allison! Eu entendo seu ponto de vista; sua vida está de cabeça para baixo, mas isso não é o fim. Você vai depor em poucas semanas e tudo isso vai acabar.

Por alguns segundos, enquanto ele falava, permiti-me pensar que tudo aquilo era loucura.

E o que poderia ter de tão importante naquele pequeno pedaço de plástico com metal que causaria insanidade em uma pessoa?

- Allison, o que está pensando?

- Você tem um computador?

- Sim.

Vimos tudo em seu notebook: vídeos, fotos, históricos médicos e obituários. O pior era que minha fonte era um renomado médico, famoso entre vários cientistas.

Ao longo de sua extensa trajetória na medicina, ele acumulou uma série de prêmios. E quem diria que o responsável por toda aquela confusão era ele, Dr. Nicolas? Aquele pequeno pendrive nos havia revelado um nome: mais uma vítima da farmacêutica ISLAND.

Uma vítima que, ironicamente, também era um assassino, talvez um assassino atormentado pelo remorso. Minha mente estava a mil por hora; uma enxurrada de pensamentos invadia minha cabeça.

- Preciso voltar, preciso ir até a revista para publicar essa matéria.

- Allison, você não pode retornar antes do julgamento. Aquilo não foi um simples assalto, foi uma queima de provas. Você ainda não percebeu? Seu apartamento estava uma bagunça, tudo destruído, porque eles estavam em busca disso.

- Sim, eu sei. Eles estavam atrás disso, mas faltam semanas para o julgamento.

- Você terá que ter paciência e esperar. Não posso te levar de volta antes da hora.

- Uau! Ethan, você sempre foi assim?

- Como assim?

- Mandão. Respondi, tentando me controlar para não revirar os olhos.

- Pois é, e pelo que percebo, você sempre foi assim, não é? Teimosa.

- Vou considerar isso um elogio, já que, para a minha profissão, preciso ser obstinada.

Ele, demonstrando pouca paciência, passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais.

Isso me fez sentir uma vontade irresistível de enfiar meus dedos entre aqueles longos e macios fios.

O que eu estava pensando? Ele estava ali apenas porque era pago para me proteger, nada mais. Não havia nenhum outro interesse da parte dele.

- Alisson, em que está pensando? Você parece tão distante. - Ele disse, estreitando os olhos na tentativa de decifrar minha expressão.

- Não é nada, é impressão sua . Ufa, essa foi por pouco.

Pegando minha mão, ele me puxou da cama para que eu ficasse de pé.

- Vem cá, quero te mostrar algo especial. Acredito que você precisa sentir a brisa das montanhas.

"Brisa das montanhas, claro. Ele não faz ideia, o ingênuo."

Após quinze minutos de trilha, estávamos sentados sobre uma grande rocha, à sombra de uma árvore, contemplando um pequeno lago.

- Uau! Aqui é realmente deslumbrante! Parece um cenário perfeito para fotos, como aquelas de cartões postais, se ainda usássemos cartões postais hoje em dia claro.

- Com certeza! Sabe, antes mesmo de conhecer a casa, avistei essa parte do terreno e já estava convencido de que era ali que eu queria estar. Assinei os documentos da compra sem sequer ter visitado a residência. Meus irmãos acharam que eu estava maluco, mas não liguei. Acredito que, na vida, todos nós passamos muito tempo em busca de nossas almas gêmeas ou do nosso pedacinho de paraíso. Sinto que tive a sorte de não precisar procurar por muito tempo.

- Entendi. Então, você já encontrou seu paraíso?

- Não apenas o paraíso.

Aquelas palavras simples me fizeram refletir. Será que ele tinha uma namorada?

- E você, Alisson, o que está buscando?

Ele me perguntou, me tirando de repente da minha fantasia. Enquanto contemplava o lago, pensei na questão e percebi que nunca busquei nada; estava tão absorvida em viver o presente que nunca havia parado para ponderar sobre isso.

- Não que isso não tenha seu valor, mas nunca me dei ao trabalho de pensar em um porto seguro ou na minha alma gêmea, se é que isso realmente existe.

Respondi, ainda com os olhos fixos no vasto lago escuro.

- Sério? Eu sempre pensei que todas as mulheres fossem românticas incuráveis, sonhando em ser uma Julieta à procura do seu Romeu - disse ele com um sorriso cheio de certeza.

- Não me interprete mal, Ethan, mas desde quando um falso suicídio que resulta em um suicídio real se tornou algo romântico? Para mim, isso é apenas trágico.

- Então, nada de sacadas, cavalos brancos ou um beijo de amor verdadeiro? -perguntou ele, com seus olhos presos aos meus. Virando-se para mim, deslizou os dedos pelo meu cabelo e comentou: - Quem estragou seus sonhos, garota-problema?

- Acredito que os homens.

- Teve algumas histórias complicadas, então? - murmurou ele, mudando de posição, afastando-se levemente, mas mantendo o olhar intenso em mim.

- Algumas, sim. Mas não é só isso.

Cresci em um lar marcado por separações; meus pais se separaram quando eu tinha apenas 8 anos. Minha mãe sempre foi minha heroína e, em certos momentos, chegou a trabalhar em dois empregos. Quanto aos relacionamentos, ela se esforçava para evitar se envolver com algum cretino abusivo, mas não teve muito sucesso nesse quesito.

Quanto ao meu pai, não tenho certeza de quantas aventuras ele teve. Eu era bem jovem quando ele decidiu fugir com a minha babá, Isabel, que era apenas oito anos mais velha do que eu. Nós vivíamos juntas como se fôssemos irmãs. Naquele dia, ele me deixou sozinha por horas na porta da escola. A primeira traição que experimentei veio dele. Por isso, a confiança não é exatamente o meu forte.

Ele pareceu surpreso com o que eu disse e comentou:

- Acredito que você prefira os contos de Grimm.

- Acredite, essas histórias são bem mais românticas do que os dias gloriosos da minha mãe.

- Então, você deveria escrever a sua própria narrativa.

- Isso seria incrível; só preciso me certificar de que não vire um conto de terror.

- Posso te ajudar com isso.

Para mim, aquilo soou mais como uma certeza do que uma pergunta. Com os olhos fixos nos meus, ele se aproximou um pouco mais. Sua mão acariciou meu rosto, e seus lábios se dirigiram aos meus ele se aproximou um pouco mais. De repente, uma rajada de vento forte nos envolveu, fazendo meu corpo tremer involuntariamente.

- Vamos? Preciso te levar para casa; está esfriando e parece que vai chover.

Acabei culpando Zeus e Leto pela tempestade inesperada. Achava que eles poderiam estar irritados com a comparação que fiz de Apolo.

Mas tudo bem; eu não queria me transformar em uma "Isabel", uma destruidora de esperanças. Não que ela fosse a única responsável; se não fosse com ela, seria com outra qualquer. No caminho de volta, o silêncio reinou entre nós. Mesmo de mãos dadas, eu sentia um leve arrependimento pela nossa nova "intimidade". O restante do dia passou voando, sem segredos revelados, sem dramas familiares.

Após o jantar, nos acomodamos na sala, e ele escolheu um filme em minha homenagem.

- Sério, uma comédia romântica? - perguntei, com uma falsa incredulidade.

- Risos. Acredito que você anda precisando de um pouco de romance.

- E você está convencido que esse romance que eu preciso está na TV?

Ele foi passando de filme em filme, perguntando minha opinião.

- Esse? - ele indagou.

- De jeito nenhum. Para ficar com o cara legal, eu teria que me tornar uma prostituta.

- E quanto a este? Minha irmã sempre disse que é um clássico.

- Também não.

Cadê o romance? Dentre os dois, só ela sobrevive ao naufrágio; é apenas mais uma tragédia.

- A lista está encolhendo - comentou ele, com um sorriso no rosto.

- Esse é bom, não dá para negar - disse ele, animado.

- Sim, é - confirmei.

- Eu sabia que tinha algum romance escondido aí dentro.

- (Risos). Eu não disse que os outros eram ruins; só mencionei que, para mim, essas histórias não são contos de fadas.

- Entretanto, você acha que este é romântico?

- Ethan, se ser romântico é entrar sorrateiramente pela janela do quarto onde a garota dorme e observá-la a noite toda, então sim, sem dúvida, ele é romântico.

Ainda assim, no mínimo, eu chamaria a polícia para o stalker. Mas quem sou eu para julgar? Se o cara for bonitão, a mulherada adora romantizar.

- Tudo bem, você ganhou.

Ele me passou o controle.

E, ironicamente, eu coloquei "O Guarda-Costas". Não me julguem ainda, isso não era uma indireta.

- Sério, esse?

Ele sorriu.

- Sim, existem apenas dois motivos para se levar um tiro por outra pessoa: ou você a ama muito, ou é muito bem compensado por isso. Mas ele demonstra gostar dela, e eu sei que você se amarra em um drama com catástrofes.

- Engraçadinha.

Não havia chegado à metade do filme quando peguei no sono, e minha cabeça acabou em seu ombro. Atordoada, acordei sem saber quanto tempo tinha se passado após o filme.

Seu perfume invadiu os meus sentidos, trazendo-me de volta à realidade.

- Olá!

Sussurrou ele, com um sorriso genuíno que poderia iluminar toda aquela floresta ao nosso redor.

- Dormir apoiada em você novamente está se tornando um hábito.

- Tudo bem para mim; eu posso me acostumar com isso.

- Acredito que o nosso passeio me deixou um pouco cansada. Ethan, eu vou subir, preciso de um banho.

- Ok, até amanhã, então. Tenha uma boa noite!

- Você também.

No meu quarto, decidi que iria fazer as coisas voltarem ao normal, mesmo não sabendo o que era normal entre nós. Após o banho, vesti novamente uma de suas camisas. Não sabia por quanto tempo ficaria nesta casa, mas, certamente, sabia que precisava ir às compras.

Lá fora, o vento soprava forte e a chuva caía incessantemente. Entretanto, com todo o barulho da tempestade, peguei no sono. Já se passavam das vinte e três horas quando o galho da árvore arranhou a janela, o que me deixou assustada.

Levantei-me rapidamente, procurando o interruptor, mas, quando o encontrei, não havia luz. Eu estava em pânico, convencendo-me de que a falta de luz se devia ao temporal.

Amedrontada, saí do meu quarto tateando as mãos pela parede até entrar no quarto do Ethan.

Sonolento, com sua voz rouca, ele me chamou pelo meu nome, ainda desorientado pelo sono.

- Allison, você está bem?

- Desculpe-me, estou com muito medo. Estamos sem luz; ouvi um barulho vindo de fora. Acredito que seja algum galho batendo na janela, mas, na verdade, não tenho muita certeza de que realmente seja um galho.

Levantando-se, ele olhou para o lado de fora da janela, trancou a porta, deitou-se novamente ao meu lado, só que, dessa vez, foi diferente. Ele me trouxe mais para perto dele e me abraçou de forma protetora, sem dizer uma palavra. E, como algo natural, eu dormi a noite toda, sem pesadelos, sem medo.

Quando acordei, Ethan não estava mais na cama, e eu me senti agradecida por não ter que me levantar semi-nua novamente perto dele.

Sentei-me em sua cama, ainda com a visão turva, e pude ver seu quarto. Ele era grande e claro, apesar da ausência de luz solar, pois o dia estava nublado e chuvoso.

A decoração mesclava o rústico com o moderno, com paredes brancas, vigas de madeira expostas no teto e móveis contemporâneos. Ele realmente tinha um gosto impecável.

Levantei, contando com a sorte para não encontrar-me com ele no corredor. Ao chegar à porta, sua voz atrás de mim me chamou pelo nome, o que me fez saltar de susto.

- Allison, bom dia!

- Oh, minha nossa!

Falei sem pensar em voz alta.

Lá estava ele, apenas com uma toalha na cintura e outra na mão, secando os cabelos.

Seu abdômen definido escorria pequenas gotas de água, e seu braço flexionava os músculos enquanto se secava. Adeus à normalidade, seja bem-vindo, total constrangimento.

- ETHAN! - gritei, sem me dar conta do volume da minha voz.

- Bom, é bom dia! - gaguejei, me sentindo envergonhada.

- Bom dia! Dormiu bem? - Com um sorriso malicioso, ele me perguntou.

- Sim, dormi como uma pedra. Bem, se é que a pedra dorme. Na verdade, até hoje não entendi essa história da pedra, já que elas só ficam ali paradas. Aff, já nem sei mais o que estou dizendo. Sorri desconcertada, parecendo uma colegial, boba apaixonada.

- Enfim, as pedras não vêm ao caso; quer dizer, isso não vem ao caso. Respirei fundo e, finalmente, saiu algo coerente de minha boca.

- Na verdade, eu só queria agradecer por não ter me expulsado de seu quarto.

- Jamais faria isso - ele disse com um sorriso caloroso.

- Então vou para o meu quarto; preciso me vestir. Não que eu esteja nua, na verdade, não é isso. Só tenho que me trocar, sabe como é, né? Vesti um pouco mais de roupa - eu disse, tropeçando enquanto pegava a maçaneta.

Olhei para o chão, em total constrangimento, tentando encontrar uma saída.

Quando ergui a cabeça, ele estava a centímetros de distância de mim.

- Preciso de roupas - eu disse, olhando fixamente para baixo.

- Não havia nada que não estivesse destruído em meu apartamento. Estou sem meus cartões, porque estavam na mochila que foi roubada. E dinheiro eu só guardo no banco.

Encontrei uma muda de roupas femininas no armário que está em meu quarto, mas fiquei com receio de me vestir com elas e a sua namorada achar ruim.

Ele segurou meu queixo, erguendo minha cabeça para cima.

- Não se sinta envergonhada. Assim que essa tempestade passar, vou te levar para fazer compras. Não precisa se preocupar.

- Obrigada!

- Não por isso - disse ele, segurando uma das minhas mãos.

- Ah, e só para esclarecer, eu não tenho namorada; essas roupas devem ser da minha irmã.

Meus olhos pareciam não obedecer, fixados em seu corpo; meu coração acelerado, minha boca salivando por um de seus beijos e minhas mãos trêmulas tocando seu abdômen, não respeitando seu espaço pessoal.

Um breve gemido saiu de seus lábios enquanto se aproximava mais de mim. Colocando a mão em minha nuca, Ethan me beijou.

Ele me pegou no colo, com minhas pernas entrelaçadas em sua cintura, me encostando contra a porta. Seus beijos ficavam cada vez mais envolventes; eu estava louca por ele.

Colocando-me de pé, ele tirou minha camiseta e uma onda de dor insuportável percorreu entre minhas pernas.

- Você é deslumbrante!

Eu o puxei para mais perto, e ele me envolveu pela cintura, suas mãos deslizando lentamente pelo meu corpo. Seus dedos acariciaram minha pele suave, impregnada de desejos.

- Ethan. Tentei, sem sucesso, formar uma frase coerente.

- Leve-me para a cama.

Enquanto eu sentia sua ereção latejante em meu abdômen, ele me pegou no colo e me levou até a cama. Beijando meu pescoço, descendo até meus seios, sugando-os com dedicação.

Sua ereção estava tão dura que me deixou ainda mais louca para tê-lo dentro de mim. Ansiosa, elevei os quadris, implorando por mais.

Ajoelhado na cama, ele se inclinou, pegando um pequeno envelope metálico de sua mesa de cabeceira. Rasgando-o com velocidade, tirou o preservativo e o colocou, com um movimento sexy e provocador, em seu membro pesado e ereto.

Senti-me tomada por uma onda de luxúria, a excitação pulsando em cada fibra do meu ser. Puxei-o para mais perto, e finalmente ele começou a me penetrar com uma suavidade que me fazia delirar, aprofundando-se cada vez mais.

- Não pare, não pare - supliquei, enquanto ele me beijava com ternura. Seus implacáveis movimentos se tornaram um ritmo hipnotizante.

Gemendo em meu ouvido, ele sussurrava o quanto eu era linda e como meu perfume o deixava fora de si. Ele conseguiu intensificar cada momento, transformando tudo em pura paixão.

Sua ereção firme deslizava para dentro de mim com uma facilidade surpreendente, em um ritmo constante, enquanto aquela deliciosa dor se tornava uma tortura de prazer.

- Tão molhadinha e quente - ele exclamou com um rugido, enquanto se deliciava com um de meus seios. Eu estava prestes a alcançar um clímax irresistível. Suas investidas se tornavam cada vez mais profundas.

- ETHAN! - clamei, com a voz abafada pelo seu abraço apertado.

- Você é uma delícia - ele disse, acelerando o ritmo de suas estocadas. E, juntos, atingimos o auge do prazer.

Ele se deitou, olhando para o teto, e puxou o edredom para nos cobrir. Aconcheguei-me em seu peito, ouvindo sua respiração pesada e cansada.

- Você está bem? - perguntou, enquanto beijava o topo da minha cabeça.

- Sim, estou ótima. E você, como se sente?

- (Risos). Como você diria que estou?

Sem precisar pronunciar uma palavra, senti meu rosto queimar.

- Depois de tudo isso, ainda se sente envergonhada? Preciso confessar: desde o instante em que a vi no elevador, soube que você era minha.

Mas também percebi o aroma de complicação que emanava de você, mesmo no hospital, enquanto dormia. E, nossa, ao acordar todas as manhãs, você me deixava maluco com seu jeito sarcástico e essa timidez que surgia do nada. Ontem de manhã, ao te ver vestida com uma das minhas camisas, pensei em mil maneiras de te proporcionar prazer, mas consegui me controlar diante das circunstâncias. Para responder à sua pergunta, eu me sinto completo.

- Jamais faria isso - ele disse com um sorriso caloroso.

- Então vou para o meu quarto; preciso me vestir. Não que eu esteja nua, na verdade, não é isso. Só tenho que me trocar, sabe como é, né? Vesti um pouco mais de roupa - eu disse, tropeçando enquanto pegava a maçaneta.

Olhei para o chão, em total constrangimento, tentando encontrar uma saída.

Quando ergui a cabeça, ele estava a centímetros de distância de mim.

- Preciso de roupas - eu disse, olhando fixamente para baixo.

- Não havia nada que não estivesse destruído em meu apartamento. Estou sem meus cartões, porque estavam na mochila que foi roubada. E dinheiro eu só guardo no banco.

Encontrei uma muda de roupas femininas no armário que está em meu quarto, mas fiquei com receio de me vestir com elas e a sua namorada achar ruim.

Ele segurou meu queixo, erguendo minha cabeça para cima.

- Não se sinta envergonhada. Assim que essa tempestade passar, vou te levar para fazer compras. Não precisa se preocupar.

- Obrigada!

- Não por isso - disse ele, segurando uma das minhas mãos.

- Ah, e só para esclarecer, eu não tenho namorada; essas roupas devem ser da minha irmã.

Meus olhos pareciam não obedecer, fixados em seu corpo; meu coração acelerado, minha boca salivando por um de seus beijos e minhas mãos trêmulas tocando seu abdômen, não respeitando seu espaço pessoal.

Um breve gemido saiu de seus lábios enquanto se aproximava mais de mim. Colocando a mão em minha nuca, ele me beijou.

Ele me pegou no colo, com minhas pernas entrelaçadas em sua cintura, me encostando contra a porta. Seus beijos ficavam cada vez mais envolventes; eu estava louca por ele.

Colocando-me de pé, ele tirou minha camiseta e uma onda de dor insuportável percorreu entre minhas pernas.

- Você é deslumbrante!

Eu o puxei para mais perto, e ele me envolveu pela cintura, suas mãos deslizando lentamente pelo meu corpo. Seus dedos acariciaram minha pele suave, impregnada de desejos.

- Ethan. Tentei, sem sucesso, formar uma frase coerente.

- Leve-me para a cama.

Enquanto eu sentia sua ereção latejante em meu abdômen, ele me pegou no colo e me levou até a cama. Beijando meu pescoço, ele desceu até meus seios, sugando-os com dedicação.

Sua ereção estava tão dura que me deixou ainda mais louca para tê-lo dentro de mim. Ansiosa, elevei os quadris, implorando por mais.

Ajoelhado na cama, ele se inclinou, pegando um pequeno envelope metálico de sua mesa de cabeceira. Rasgando-o com velocidade, tirou o preservativo e o colocou, com um movimento sexy e provocador, em seu membro pesado e ereto.

Senti-me tomada por uma onda de luxúria, a excitação pulsando em cada fibra do meu ser. Puxei-o para mais perto, e finalmente ele começou a me penetrar com uma suavidade que me fazia delirar, aprofundando-se cada vez mais.

- Não pare, não pare - supliquei, enquanto ele me beijava com ternura. Seus implacáveis movimentos se tornaram um ritmo hipnotizante.

Gemendo em meu ouvido, ele sussurrava o quanto eu era linda e como meu perfume o deixava fora de si. Ele conseguiu intensificar cada momento, transformando tudo em pura paixão.

Sua ereção firme deslizava para dentro de mim com uma facilidade surpreendente, em um ritmo constante, enquanto aquela deliciosa dor se tornava uma tortura de prazer.

- Tão molhadinha e quente - ele exclamou com um rugido, enquanto se deliciava com um de meus seios. Eu estava prestes a alcançar um clímax irresistível. Suas investidas se tornavam cada vez mais profundas.

- ETHAN! - clamei, com a voz abafada pelo seu abraço apertado.

- Você é uma delícia - ele disse, acelerando o ritmo de suas estocadas. E, juntos, atingimos o auge do prazer.

Ele se deitou, olhando para o teto, e puxou o edredom para nos cobrir. Aconcheguei-me em seu peito, ouvindo sua respiração pesada e cansada.

- Você está bem? - perguntou, enquanto beijava o topo da minha cabeça.

- Sim, estou ótima. E você, como se sente?

- (Risos). Como você diria que estou?

Sem precisar pronunciar uma palavra, senti meu rosto queimar.

- Depois de tudo isso, ainda se sente envergonhada? Preciso confessar: desde o instante em que a vi no elevador, soube que você era minha.

Mas também percebi o aroma de complicação que emanava de você, mesmo no hospital, enquanto dormia.

E, nossa, ao acordar todas as manhãs, você me deixava maluco com seu jeito sarcástico e essa timidez que surgia do nada. Ontem de manhã, ao te ver vestida com uma das minhas camisas, pensei em mil maneiras de te proporcionar prazer, mas consegui me controlar diante das circunstâncias. Para responder à sua pergunta, eu me sinto completo.

Conversamos sobre as reformas na casa durante seus momentos livres e sobre algumas cicatrizes que ele adquiriu na sua carreira como guarda-costas, que não eram poucas.

Lá fora, a chuva caía incessantemente e, nos braços protetores de Ethan, acabei adormecendo.

Já passava das duas da tarde quando despertei ainda em seu braço. Ele continuava dormindo e, ao me levantar, puxei suavemente um dos lençóis para não perturbá-lo. Fui direto para o meu quarto; precisava de um banho para me reconectar com a realidade.

Não queria complicar ou confundir as coisas. Aquela situação era pura poesia: uma casa isolada, passeios à tarde com piqueniques; parecia até o enredo de um filme.

Talvez uma comédia romântica, se não fosse pela sombra do psicopata que me perseguia.

Depois do banho, enquanto me enrolava na toalha, fiquei refletindo sobre o que vestir, já que minhas opções para um dia frio e chuvoso eram limitadas. Muito obrigada, senhor assassino, por dificultar cada vez mais a minha humilde vida sem graça.

Ao sair do banheiro, lá estava ele, sentado na minha cama, com seus grandes olhos negros emoldurados por cabelos bagunçados e úmidos, vestido com um moletom preto que escondia perfeitamente sua musculatura bem definida, que eu sabia estar ali.

- Ethan?

Apertei a toalha com mais firmeza.

- Desculpe, te assustei?

- Ele se levantou, tentando se desculpar.

- Não, eu só estava distraída.

- Vim trazer isso para você.

- E o que seria?

- Algumas roupas da minha irmã. Lembrei que ela deixou aqui na última visita.

Abracei-o, grata pela gentileza. Sua respiração profunda, tão perto do meu ouvido, fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.

- Uau! Eu estava enlouquecendo de desejo, ansiando por seu toque.

- Você está com um cheiro maravilhoso.

- E eu poderia dizer o mesmo de você.

Ele beijou o lóbulo da minha orelha. Num movimento involuntário, inclinei a cabeça para trás, abrindo espaço para sua boca sedenta e quente explorar. Uma de suas mãos tocou minha pele por baixo da toalha, acariciando entre minhas coxas. Até que fomos interrompidos pelo som estrondoso da minha barriga roncando.

- (Risos) Parece que você está com fome.

- Sim, um pouco - respondi timidamente.

- Vou descer e preparar algo para comer. Espero que as roupas fiquem bem em você.

- Ethan, obrigada!

- De nada.

Vesti uma calça de ginástica justa, uma camiseta de malha e um moletom do Ethan. Sentia-me quentinha e confortável, agradecida por ter aproximadamente a mesma altura da pessoa a quem as roupas pertenciam. Respirando fundo para me encorajar, fui para a cozinha, que exalava um aroma maravilhoso de café.

- Você está linda! - disse ele, com um grande sorriso de satisfação.

- Obrigada! - respondi, aproximando-me dele.

- Precisa de ajuda?

- Não, obrigada! Já está tudo pronto. Fiz café e panquecas; espero que goste.

- Parece delicioso! - disse, pegando os pratos e talheres.

Comemos em uma pequena mesa em frente a uma grande janela da cozinha. Embora não fosse noite, o dia estava bem escuro devido ao temporal que caía lá fora.

- Em que você está pensando? - ele perguntou, segurando uma das minhas mãos.

- Nada de especial. - menti descaradamente, pois não queria que Ethan soubesse que ocupava todos os meus pensamentos, que aquela manhã tinha sido mágica, com seus braços me envolvendo, sua maneira carinhosa de fazer amor; tudo foi perfeito. Para mim, não foi apenas sexo, foi algo muito mais profundo.

- E você, em que está pensando?

- Na única coisa que me ocupa a mente todos os dias desde que te conheci. - confessou ele, com um olhar provocativo.

Senti meu rosto esquentar, mas, mesmo assim, me arrisquei a perguntar.

- E o que seria isso, Sr. Perigo?

- Risos, Sr. Perigo?

- Sim, você sempre tão sério, com essa expressão de quem não está para brincadeiras e sempre armado.

- Entendi, isso realmente parece arriscado. - afirmou, sorrindo, enquanto seu olhar permanecia fixo no meu.

Em pé, ele entrelaçou seus dedos aos meus, levantando-me da cadeira e afastando a louça para o canto. Com um gesto decidido, acomodou-me sobre a mesa, abrindo espaço entre minhas pernas e se posicionando entre elas. Suas mãos, apesar de grandes, eram incrivelmente delicadas ao acariciar meu rosto.

Seus olhos mergulhavam nos meus enquanto ele cuidadosamente colocava os cachos rebeldes do meu cabelo atrás da orelha. Sua beleza era de tirar o fôlego, e eu me sentia como uma adolescente apaixonada, sonhando com um ídolo distante.

Ele beijou minha mão, mantendo o olhar fixo no meu, antes de se inclinar para um beijo suave em meus lábios. Suas mãos seguravam meu rosto e, com um olhar penetrante que parecia tocar minha alma, ele deslizou os lábios pelo meu pescoço. Os beijos eram leves e gentis, como se cada toque estivesse desnudando meu autocontrole, se é que eu tinha algum autocontrole quando estava com ele.

Um gemido involuntário escapou da minha garganta.

- Ethan?

Ele me beijou delicadamente.

- Querida, fique tranquila, quero te saborear como uma deliciosa sobremesa - sussurrou ele em meu ouvido, enquanto mordiscava a ponta da minha orelha.

Coloquei as mãos para trás, apoiando-me na mesa. Lentamente, ele desceu o zíper do meu moletom, fazendo uma pausa para suspirar e passar a mão pelos cabelos.

- Nossa, você é deslumbrante! - ele exclamou, acariciando meus mamilos endurecidos por cima do tecido leve da blusa.

Eu o segurei pela calça; ele estava firme e pulsante em minha mão.

- Quero você agora.

Envolvi-o com os braços e o abracei com ternura.

- Boa menina! - ele disse, enquanto me carregava escada acima.

E, pela primeira vez em muito tempo, permiti-me entregar completamente, sem amarras, sem inibições.

Quando acordei, ele ainda dormia.

Parte de seu corpo não estava coberta; pude ver seu abdômen definido, marcado com algumas cicatrizes obtidas pelo trabalho de guarda-costas, e uma tatuagem da fênix que começava no quadril esquerdo e descia até a coxa. Em seu pescoço, havia uma veia alta pulsante, o que me deixou cheia de desejo por ele.

- No que você está pensando?

disse ele, sorrindo e me afastando de minhas fantasias.

- Então, você sabe como é? É que...

- Você tem dificuldade em formular frases quando acorda? Ou fica assim só quando está comigo? - Ele sorriu.

- Eu fico confusa quando estou com você.

- Isso é interessante; eu gosto disso em você.

- Gosta do fato de eu me sentir uma boba?

- Não. Gosto de você me olhando ao acordar e imaginando cada coisa que eu posso fazer com você ou de cada coisa que você quer fazer comigo.

Passando a ponta de meus dedos sobre o início da ave impressa em seu corpo, eu mordi os lábios com um breve sorriso.

- O que aconteceu, querida?

- Ah, não é nada, nada que importe.

Ele me lançou um olhar curioso, quase investigativo.

- É algo, e não venha dizer que não tem importância. Se está na sua cabeça, com certeza é relevante.

- É que ainda não vi o final dessa tatuagem.

Mordi os lábios, sentindo um rubor de vergonha.

- Risos, então é isso?

- Sim, é.

- Pode tirar o edredom.

Ele entrelaçou as mãos atrás da cabeça, exibindo um sorriso travesso.

Com um movimento lento, puxei parte do edredom para baixo. Sua tatuagem, agora revelada, mostrava uma grande ave, mas logo perdi o foco ao notar seu membro, imponente e semi-ereto, repleto de veias pulsantes, que me fazia salivar de desejo.

- Allison?

Reunindo coragem, ajoelhei-me na cama, entre suas pernas, segurando suas coxas. Minhas unhas arranharam delicadamente sua pele, fazendo seu membro endurecer ainda mais. Minhas mãos deslizavam pelo seu abdômen, provocando uma respiração pesada que aumentava ainda mais minha vontade.

Deslizando a língua pelos lábios, fixei meu olhar nele e, inclinando-me, o envolvi com a boca. Com as mãos entrelaçadas atrás da nuca, ele soltava gemidos de desejo, chamando meu nome. Esforcei-me para levá-lo cada vez mais fundo, o que intensificava meu prazer.

A cada movimento, eu o lambia e chupava com mais intensidade, acelerando o ritmo sem hesitar. Ele não retirou as mãos de trás da cabeça e, sentindo-me no controle da situação, conduzi-o até o clímax, enquanto ele gemia meu nome de forma descontrolada. Ao me deitar ao seu lado, puxei o edredom para nos aquecer naquele dia frio e chuvoso.

- Você realmente sabe como seduzir um homem.

- Mas não parecia tão seduzido, já que suas mãos permaneceram atrás da cabeça o tempo todo.

- Você não faz ideia do autocontrole que precisei ter, mas me foquei em não te pressionar.

- Obrigada! E acredite, o prazer não foi só seu.

Sussurrei em seu ouvido.

- Sério? Então você estava me usando?

Ele perguntou, com um sorriso no rosto enquanto me envolvia em seus braços.

- Sim, só um pouquinho, preciso confessar.

Ele se posicionou sobre mim, radiante, me beijando e fazendo cócegas.

- Pare, pare!

Gritei, entre risos.

- Vou te dar um tempo, mas não se acostume.

Ele disse, enquanto me beijava novamente.

- Preciso de água.

Falei, procurando minhas roupas.

- Não se preocupe em se vestir com muitas roupas, já que, em breve, vou tirar tudo de novo.

Ele comentou, com um grande sorriso. Vestida apenas com sua blusa de moletom, calcinha e meias, desci.

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