"Laura"
Mudar nunca foi fácil para mim. Sempre gostei de rotinas.
Nasci numa cidade pequena, onde praticamente todo mundo se conhece. Era romântica e sonhadora. Esperava um príncipe encantado, um verdadeiro cavalheiro! Imaginava namorar com um cara tão ou mais carinhoso e dedicado que o meu pai. Mas acabei me envolvendo com o extremo oposto.
Meu primeiro beijo foi com meu amor de infância, Augusto! Acho que ele foi o crush da maioria das garotas, em algum momento. Afinal ele era muito bonito com seus cabelos lisos e loiros bagunçados, tinha um olhar penetrante e apesar de andar com aquela turminha mais popular de meninos, era muito simpático.
Eu também era bastante assediada na escola, sempre tive cabelos longos e lisos, castanhos claros. Tinha os olhos azuis iguais aos da minha mãe, meu corpo era bonito, com a cintura fina e quadril mais largo. Nunca consegui me interessar por mais ninguém. Alimentei essa paixonite até finalmente dar o meu primeiro beijo nele, eu tinha quatorze anos e ele dezesseis. Ele me pediu em namoro no mesmo dia. Pra mim foi mágico! Depois de tanto tempo nutrindo aquele sentimento por ele, agora estávamos namorando.
Hoje acredito, que ele só gostava de me exibir, já que muitos garotos tentaram ficar comigo e só ele tinha conseguido. Eu ficava incomodada com o jeito dele falar e agir, como se eu fosse uma espécie de troféu mas como eu já gostava muito dele eu relevava.
Quando conheci o Guto eu tinha três melhores amigas. E conversava praticamente com todo mundo.
Depois de dois meses juntos muita coisa começou a mudar. Ele ficava muito incomodado com minhas amigas, me pedia para me afastar delas, pois elas não namoravam e eu sim. Ele não achava certo e discutíamos frequentemente por isso. Acabei cedendo, tinha medo de perdê-lo. Ele se tornou bastante possessivo e se caso eu reclamasse de algum comportamento dele, ele ficava agressivo e passava dias sem falar comigo. Eu me sentia muito culpada e acabava procurando-o e me desculpando. Com o tempo eu nem falava mais nada. Já sabia no que ia dar e não gostava de ficar longe dele.
Algumas vezes eu achava que o nosso relacionamento não era saudável, que não devia ser assim. Só eu cedia, abandonava as coisas para agradá-lo. Porém eu não tinha nenhuma experiência nisso e logo ele estava todo carinhoso outra vez, trazendo meu chocolate preferido e me enchendo de carinhos. Cada vez mais ele foi se tornando mais ciumento e controlador, justificando sempre que me amava e que estava cuidando de mim.
Quando me formei, ele já tinha se mudado pra cidade próxima pra estudar havia dois anos. Vinha todos os finais de semana e mesmo com alguma distância ele ainda conseguia me controlar. Mas quando passei em publicidade e propaganda, em Belo Horizonte, com bolsa integral, totalmente gratuita foi o auge. Tivemos uma briga terrível! Ele não queria que eu estudasse, já que ele jamais me permitiria trabalhar. Queria terminar nosso namoro de três anos, caso eu decidisse ir.
Esse sempre foi meu sonho, estudei muito pra conseguir e não podia desistir. Meu coração quase parou. Não sabia o que fazer pra que ele entendesse. Por fim com muita relutância, ele aceitou. Claro, depois de fazer muitas exigências e impor muitas condições, como por exemplo manter distância de tudo. Não me enturmar de mais!
Antes de ir ele me pediu em casamento e eu aceitei. Eu o amava. Imaginava nosso futuro juntos e não me via sem ele.
Morava sozinha e minha vida era um completo tédio. O que me consolava era que cada dia eu me apaixonava mais pelo curso. Tinha três colegas de faculdade que eu gostava, geralmente fazíamos os trabalhos juntas. Elas eram muito diferentes de mim, e a liberdade delas era o que mais me atraia.
Não me aprofundava em nenhuma amizade. Sabia que seria um problema para o Guto, essa era inclusive uma das condições que ele mais me lembrava. "Fique longe de pessoas solteiras. Evite criar laços, pois você pode mudar e acabar fazendo besteiras", era o que ele sempre dizia.
Hoje consigo enxergar o quão narcisista e abusivo ele era. Mas naquela época eu entendia como medo de me perder, de eu ficar diferente e deixar de amá-lo. Ele estava apenas cuidando do nosso relacionamento e do nosso futuro, que seria perfeito juntos.
Pra ele eu nem precisava fazer faculdade, ele era de uma família muito rica na nossa cidade e não era preciso que eu trabalhasse. Mas ele dizia entender que era um "teimosia" minha. Sempre que alguém perguntava do meu curso e eu ia responder com toda empolgação, ele ficava nervoso, e dizia que era apenas um capricho e que eu nem pensava em trabalhar quando acabasse o curso. Que eu era muito mimada e queria cumprir com os requisitos da sociedade pra me "parecer" mais inteligente.
Confesso que doía muito! E foi exatamente por causa disso que eu comecei a perder o encanto
por ele.
Seis meses antes de me formar, toda a minha turma se candidatou para uma vaga de emprego incrível, numa das maiores empresas de tecnologia do país. Eu não ia me inscrever, pois sabia que ele jamais aceitaria, mas acabei me inscrevendo, por pressão da Camile, uma das três colegas de faculdade que eu tinha mais afinidade.
Sabia que eu era boa, na verdade sempre fui a melhor da minha turma mas não acreditava que iriam me chamar.
Quase caí para trás quando oito meses depois eles entraram em contato comigo, para marcar uma entrevista. Fiquei tão feliz na hora que nem pensei e confirmei para daqui a duas semanas. Tinha que pelo menos saber como seria.
"Laura"
Eu estava trabalhando na loja de móveis do meu pai desde que voltei da faculdade. Assim que recebi a ligação, chamei meus pais pra contar. Eles ficaram tão felizes! Agora eu precisava contar para o Guto. Minha mãe nunca foi muito fã do jeito dele, então me deu a ideia de ir fazer a entrevista e dizer a ele que ia me consultar e se eu fosse realmente contratada, aí sim eu conversaria com ele.
Ele acreditou, afinal era um costume. Falei que ia ficar três dias fora e fui.
A entrevista foi bem rápida, me contrataram de imediato! O que me deixou extremamente feliz e orgulhosa, eu sempre me esforcei tanto na faculdade, eu queria ser uma excelente profissional! Apesar dos comentários do meu noivo.
Resolvi voltar para minha cidade antes do previsto e fazer uma surpresa pra ele. Depois contaria sobre a entrevista. Eu tinha a chave do apartamento dele, então fui direto para lá, nem passei em casa. Só não esperava que a surpreendida seria eu!
O encontrei na cama com a "melhor" amiga dele.
Não consegui pensar direito quando vi aquela cena. Senti dor, arrependimento e muita, muita raiva!
Virei as costas e corri, antes que eu fizesse alguma idiotice. Ouvi ele chamando meu nome mas não me virei e nem parei pra escutar qualquer merda que ele pudesse tentar dizer. Ele tinha o dom de me ludibriar, só que dessa vez eu não ia permitir.
Entrei no carro, e assim que eu arranquei ele saiu pela portaria, ainda assim não parei. As lágrimas queimavam meu rosto, escorrendo sem cessar. Meus sentimentos e pensamentos estavam uma bagunça.
Pensava no quanto me privei todos esses quase oito anos, em todas as amizades que abandonei. Todos os dias que passei fazendo tudo por esse relacionamento horrível!
Tudo desmoronou! Nosso casamento seria em alguns meses! Mas eu jamais o perdoaria!
Entrei na minha casa e meus pais estavam na sala, sentados assistindo um filme qualquer com um balde de pipoca entre eles, olhei para aquela cena, e senti tanto conforto!
Meus pais tinham me criado com muito amor! O casamento deles era feliz. Meu pai era carinhoso e romântico, minha mãe era dedicada à nossa família ! Eram um exemplo e tanto, não sei como eu entrei numa relação de merda, com eles pra eu me espelhar.
Olharam pra mim e se levantaram de imediato, preocupados.
- Filha, o que aconteceu? Por que você está nesse estado? - meu pai me perguntou receoso.
Eles sabiam o que eu realmente tinha ido fazer em Belo Horizonte. Tinham me apoiado muito.
Contei a eles o que tinha passado, contei sobre o quanto eu estava feliz com o resultado da entrevista. Que resolvi fazer uma surpresa e o que encontrei no apartamento do meu agora,"ex" noivo.
Eles ficaram sem reação por um instante sem saber como me consolar. Me abraçaram apertado e eu me apoiei na única coisa que eu amava e não perdi por causa do Augusto, minha família!
Minha mãe estava muito brava, meu celular não parava de tocar e eu não sabia o que eu ia fazer.
Só queria poder desaparecer, voltar ao passado! Mas como nenhuma das duas coisas era possível eu me senti perdida.
- Você não vai se abater! Acabou de realizar seu sonho. Por mais que isso seja difícil para nós, a melhor solução no momento é você se mudar e começar uma vida nova! - meu pai falou e eu não tinha pensado nisso, mas era uma boa saída.
- Pai, a empresa me deu uma semana para começar, eu não tenho pra onde ir lá. É uma boa ideia, porém, preciso de alguns dias pra resolver tudo.
- Vou te ajudar a organizar tudo. Amanhã mesmo você irá voltar, e por enquanto fica num hotel, até encontrar um apartamento para você morar.
- Não atenda as ligações desse crápula, caso ele venha até aqui, vamos fingir que você ainda não veio para casa. Não vamos dar oportunidade pra ele inventar qualquer desculpa e te enganar mais uma vez, te impedir de viver e concretizar seus sonhos. - minha mãe falou com lágrimas nos olhos e eu não podia negar que ela tinha razão.
Muitas vezes eu tinha certeza que conseguiria dar um basta no nosso namoro, depois de alguma humilhação ou quando eu acabava sabendo de alguma traição mas quando eu ia conversar com ele, não entendo como, ele conseguia contornar a situação e eu acabava me sentindo culpada por pensar em terminar com um homem tão bom, que me amava como um louco.
Mas dessa vez seria diferente! Aceitei o que meus pais propuseram e subi para o meu quarto. Ao entrar, vi uma foto nossa ao lado da cama, peguei o porta-retratos e joguei, foto com moldura no lixo do banheiro. Entrei no banho e pedi aos céus que junto com a água, fosse embora toda a dor que eu estava sentindo naquele momento.
Desliguei meu celular, sequei o cabelo e peguei meu notebook, deitei na cama e comecei a procurar por apartamentos próximos à empresa que eu iria trabalhar. Me concentrei nessa tarefa e logo já tinha uma lista com dez apartamentos muito bons e já mobiliados salvos.
Me deitei e comecei a imaginar como seria a minha vida agora. Ia viver um dia de cada vez e dar o meu melhor para ser feliz. Com esse pensamento eu caí no sono.
Acordei com o interfone da minha casa tocando sem parar, imaginei quem poderia ser. Puxei meu cobertor até cobrir minha cabeça e fechei os olhos na esperança de conseguir conter as lágrimas que já se formavam no canto dos meus olhos.
Pensei em descer, gritar tudo o que estava entalado na minha garganta. Me contive e logo ouvi alguém descendo as escadas pra atender a porta. Tapei os ouvidos e respirei fundo, tentei pensar em algo bom. Me lembrei que como fui bem recebida e elogiada na Teylor' s softwares, empresa na qual eu começaria a trabalhar daqui há menos de uma semana!
Seria a nova gerente de marketing e estava ansiosa para começar. Não deixaria que o que aconteceu com o Guto mudasse isso.
Levantei, tomei banho e desci para tomar café com meus pais.
Chegando a cozinha, vi que a mesa do café estava posta, com várias coisas que eu gostava, meu pai me olhou apreensivo e disse:
- O Augusto veio aqui. - não respondi nada, então ele continuou:
- Disse que precisava muito falar com você, então eu disse a ele que você ainda não tinha voltado, que não tinha conversado com você ontem à noite. Mais a tarde quando conversamos, você disse que só voltaria amanhã. Ele ficou um tanto surpreso. - meu pai deu um sorrisinho e continuou: - mas não desconfiou. Disse que estava te ligando mas seu telefone estava desligado. Que ele estava preocupado.
- Sei bem o motivo da preocupação. Ainda bem que não foi eu quem atendeu a porta, não sei se conseguiria ficar calma e não dizer umas boas verdades para ele! - completou minha mãe.
- Obrigada! Não sei o que eu faria sem vocês! - eu disse isso e abaixei a cabeça pra que eles não vissem meus olhos se enchendo de lágrimas. Respirei fundo e tomei meu café.
Subi pra arrumar minha mala, precisava levar o máximo possível. Queria sair da minha cidade depois do almoço.
Organizei tudo o que podia, me vesti de forma confortável e resolvi ligar meu celular. Assim que liguei vi que tinha 60 ligações do Guto e no WhatsApp 32 mensagens. Pensei bem e decidi que só iria ler as mensagens quando chegasse em Belo Horizonte.
Procurei pelo contato das três colegas da faculdade que eu tinha afinidade e enviei uma mensagem, avisando que voltaria a morar em BH e que gostaria de marcar alguma coisa, sair qualquer dia desses.
Em questão de minutos todas me responderam, felizes pela notícia e dizendo que no próximo fim de semana tinham marcado de ir a um barzinho e que eu era mais que convidada!
Me senti feliz de ter pelo menos alguém que eu tivesse algum carinho por lá, que nem pensei muito, respondi logo que com certeza iria e que logo entraria em contato pra saber os detalhes.
Almocei, me despedi dos meus pais e saí. Meu pai me enviou o link de reserva do hotel onde me hospedaria assim que sai pelo portão.
Coloquei minha playlist mais animada e peguei a estrada.
Ainda sentia um nó na garganta mas estava confiante que logo ia passar. Ia chegar a noite, dormiria e no dia seguinte iria visitar alguns apartamentos. Tudo daria certo! Tinha que dar!
Acordei tarde no dia seguinte, tomei banho e vesti uma calça jeans wide leg, uma regata branca, meu tênis vert branco e fiz uma maquiagem leve para disfarçar minhas olheiras, amarrei o cabelo num rabo de cavalo alto e retirei o anel de noivado do dedo, guardando-o dentro da mala.
Por mais que estivesse doendo, eu me senti muito mais leve. Deveria tê-lo tirado antes de ontem quando tudo aconteceu, mas nem lembrei no momento e depois não consegui.
Tomei café no hotel mesmo. E logo saí pra conhecer o primeiro apartamento. Na hora do almoço, já tinha visitado seis apartamentos e ainda não tinha amado de verdade nem um. Estava cansada e desanimada. Liguei pra minha mãe e logo ela me animou. Disse que eu iria encontrar. Que estava orando por mim e confiante que logo as coisas iriam se ajeitar.
Havia chegado em Belo Horizonte na terça-feira a noite, passei a quarta e quinta-feira, procurando por um lar.
Na quinta, no fim da tarde, finalmente encontrei um bom lugar. O prédio era antigo, mas o apartamento era recém reformado. Os espaços eram amplos e bem iluminados. Tinha porteiro e garagem.
O apartamento tinha sala e cozinha integradas. Todos os móveis eram novos. A cozinha era pequena mas muito completa e bem dividida. Eu amava cozinhar e amei o estilo clássico e em tons claros.
A sala tinha uma porta de vidro enorme que dava acesso a uma varanda muito bonita, um banheiro social, e um corredor que levava a dois quartos. O primeiro deles, tinha com uma mesa para computador, um armário, uma estante e uma cama de casal.
O segundo, era uma suíte super confortável, no meio do quarto, havia uma cama king size, com cabeceira de madeira, um guarda-roupas enorme embutido e um banheiro grande em tons de bege, era realmente lindo!
Assinei os documentos de locação, paguei adiantado os três meses de garantia e mesmo cansada, eu estava animada de mais pra voltar para o hotel, então decidi ir comprar lençóis, cobertores e algumas coisas que faltavam, pretendia me mudar amanhã mesmo!
Acordei cedo e muito feliz e disposta, essa tinha sido uma ótima noite! Foi a primeira, que consegui dormi bem depois do que aconteceu.
Fiz checkout no hotel e fui direto ao supermercado comprar comida! Minha primeira compra, no primeiro dia na minha vida nova! Por mais que eu me sentisse apreensiva, acho que nunca me senti tão leve!
Organizei as minhas roupas e compras, coloquei na lava e seca os cobertores e lençóis e entrei no grupo que as meninas haviam me colocado pra falar da nossa saída à noite.
Combinamos de nos encontrar no bar às 19:00 horas. Faltava um bom tempo ainda, eu precisava finalizar meu passado, então, sentei e resolvi ler as mensagens do Guto, por um ponto final nessa história. As primeiras 30 mensagens eram "Onde você está?" ou "Me atende!".
A duas ultimas eram belos textões:
" Laura, sei que pode parecer clichê o que vou dizer agora, mas não é nada do que você está imaginando! Se tivesse parado, quando gritei como um idiota pelo seu nome e me ouvido, saberia que eu estava passando mal, bebi com o Carlos mais cedo, depois do futebol e passei muito mal. Como você não estava, liguei pra Ana e ela passou na farmácia e levou um remédio para mim, nada de mais né? Me dá notícias, estou preocupado!"
Como se eu tivesse imaginado aquela merda toda! Ele estava nu! O sutiã da vadia estava no corredor, e ela estava de quatro, enquanto ele metia nela! Só de lembrar eu sinto vontade de esmurrar a cara dos dois!
A última mensagem dizia:
"Laura meu amor, sei o quanto você é mimada, mas já tem quase 23 anos né? Está sendo infantil! Fui na sua casa e seu pai me disse que não voltou pra casa, onde é que você se meteu? Te liguei milhares de vezes!"
Então eu estava sendo infantil! Meu Deus! Me pergunto como pude me envolver com esse babaca! Só consigo sentir nojo! Resolvi responder suas mensagens, da forma mais adulta possível, depois de tudo que passei.
"Sei bem o que eu vi, Augusto! Acabou! Não quero te ver nunca mais!"
Enviei e em menos de um minuto recebi outra mensagem:
"Você enlouqueceu? Não sei o que você imagina ter visto, mas só pode estar alucinando! Pare de procurar problemas onde não existe Laura! Onde você está? Me diz que vou até aí pra nós conversarmos."
Não é possível tanto cinismo! Que homem abusivo!
"Augusto, não imaginei e muito menos alucinei! Nós dois sabemos o que aconteceu aquela noite, acho que jamais vou esquecer o que vi! Acabou!"
"Amor, nosso casamento é em dois meses, como pode pensar em término? Não aconteceu nada! Seja razoável, eu não aceito sua decisão! Onde você está Laura? Você já deu seu show, já desapareceu por dias e não estou chateado, estou preocupado com você, com a gente!"
Essa foi a gota d'água! Bloqueei sem nem responder! Ele não merece meu tempo. Nem um minuto se passou e ele começou a me ligar sem parar! Bloqueei o número para ligações também! Chega dessa história! Chega desse stress! Vou me arrumar e sair! Hoje a noite vai ser maravilhosa!
Tomei um banho, lavei meus cabelos. Fiz uma escova no cabelo e vesti um vestido preto colado ao corpo, de frente única. Atrás tinha um recorte em V, deixando as costas nuas. Tinha um comprimento no meio da coxa.
Calcei um sandália de salto fino com apenas uma tirinha nos dedos e presa ao calcanhar também preta. Fiz uma maquiagem simples, com olho esfumado marrom e um gloss na boca.
Pedi um uber e sai.
Estava ansiosa, com frio na barriga. Nunca sai sozinha, nunca sai só com amigas, na verdade, nem amigas eu tenho! Seria uma experiência completamente nova.