Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Colisão do Amor
Colisão do Amor

Colisão do Amor

Autor:: Lana Novaes
Gênero: Romance
Ömer perdeu a fé no amor. Marcado por uma traição devastadora e um abandono que o deixou em pedaços, ele escolheu refugiar-se na carreira, convencido de que o amor não passa de uma ilusão destinada ao fracasso. Para ele, viver sem laços emocionais é a única maneira de se proteger da dor. Mas sua vida toma um rumo inesperado quando Elif cruza seu caminho. Estudante de jornalismo, audaciosa e cheia de energia, ela é o oposto do que Ömer procuraria - se estivesse disposto a procurar. O primeiro encontro entre os dois é tudo, menos promissor. Entretanto, à medida que suas vidas começam a se entrelaçar, uma conexão inesperada floresce, desafiando as barreiras que ambos ergueram em torno de si. Enquanto se entregam a um relacionamento que promete tanto intensidade quanto complicações, Ömer e Elif enfrentam uma série de obstáculos: o julgamento alheio, as diferenças de idade e os traumas pessoais que ameaçam separá-los. Para Ömer, isso significa confrontar medos profundos e redescobrir sua capacidade de confiar e se entregar. Para Elif, é uma jornada de amadurecimento e força, enquanto ela luta por seu espaço em um amor que desafia convenções. Em meio a desafios e transformações, Ömer e Elif descobrem que o verdadeiro amor exige coragem, vulnerabilidade e, acima de tudo, a disposição de recomeçar. Uma história de superação, autodescoberta e o poder do amor para curar até os corações mais feridos.

Capítulo 1 Batida do Amor

- Acorda, garota, ou você vai se atrasar para a faculdade!

Elif se espreguiçou e esfregou os olhos antes de finalmente se sentar na cama. Com um bocejo sonoro, ela olhou para sua mãe com um sorriso sonolento.

- Tudo bem, mãe, estou me levantando. Só mais cinco minutinhos, por favor.

Eda balançou a cabeça, rindo.

- Cinco minutos é tudo que eu te dou, jovem senhorita. Mas não se atrase para o primeiro dia de aula. Você sabe como é importante começar com o pé direito.

Elif concordou com um aceno de cabeça e se levantou da cama. Ela se dirigiu ao banheiro, ainda sonolenta, para se arrumar rapidamente. Enquanto escovava os dentes, pensava nas expectativas que tinha para seu primeiro dia na faculdade de jornalismo. Estava animada para aprender mais sobre a profissão que sempre a fascinou.

~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~

Ömer Divit, 36 anos, publicitário, é dono de uma das melhores agências de talentos e propaganda da Turquia. Abandonado e desacreditado no amor, três meses atrás, na noite em que pediria a namorada em casamento, ao invés de fazer uma surpresa para Sevda, foi surpreendido ao ouvir que, além de estar indo embora para a Itália, ela o abandonou depois de cinco anos de namoro. Na mala, ela levaria seu novo amor, que era ninguém menos que seu rival.

Naquela manhã, o publicitário acordou tarde, tendo perdido a hora após passar quase a noite toda em claro, tentando se concentrar na nova campanha em que sua agência estava disputando.

Tudo lembrava Sevda, e depois de muito tentar, ele acabou desistindo.

Saiu da cama e foi para o banho. Uma nova semana começava e ele tinha certeza de que teria sucesso em criar algo.

~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~

- Elif, presta atenção no primeiro dia de aula. Cuidado ao andar na rua com o fone de ouvido porque te conheço e sei bem que a senhorita ouve isso nas alturas. Você sabe que mesmo uma caminhada curta até a faculdade é perigosa com o movimento dos carros a essa hora do dia.

Furkan, o pai da jovem, repreendeu a esposa.

- Querida, pare de tratar Elif como uma criança. Ela é adulta e sabe bem o certo e o errado. Filha, aqui está o dinheiro do lanche da semana. Se precisar de algo, me fale.

Ahmet, que tomava o café em silêncio, reclamou com o pai que enquanto ele levava o lanche, a irmã ganhava dinheiro.

- Olha a minha idade para sua, garoto. Pai, mãe, me desejem sorte e que eu me saia bem no primeiro dia de aula. Tchau, seu chatinho. Você também se cuida na escola e vê se não vai arrumar confusão.

A jovem se despediu da família e saiu. Com a mochila nas costas, viu se a mãe não estava olhando, tirou o celular e conectou o fone de ouvido. Guardou na bolsinha que ficava de lado e saiu caminhando para a faculdade. Da sua casa até lá eram menos de quinze minutos, assim ela aproveitava para fazer seu exercício logo cedo.

~ * ~~ * ~~ * ~

Ömer conversava com a irmã, que em meio à décima crise no casamento, incomodava o irmão naquela hora do dia.

- Bahar, minha querida, podemos conversar quando eu chegar ao trabalho? Estou dirigindo, o trânsito está caótico e, com você chorando desse jeito, não consigo entender nada.

- Irmão, eu juro que tentei, mas Aras não entende que quero me firmar na carreira e não penso em ter filhos agora.

Ömer era o irmão mais velho e sua irmã caçula era tudo que ele tinha na vida. Os pais moravam em uma cidade no interior e os filhos viviam na grande Istambul.

- Tudo bem, Bahar. Passo na sua casa hoje à noite. Agora eu realmente preciso desligar! Conversamos mais tarde.

Os dois se despediram e Ömer parou no sinal, em uma rua que não estava tão movimentada. O sinal abriu e, quando ele virou a esquina, ouviu apenas o baque de algo se chocando contra seu carro.

- Que não seja nenhum motoqueiro. - Ömer parou o carro, desceu apressado e se surpreendeu com o que encontrou.

Uma adolescente havia batido na lateral do carro. A garota estava caída no chão, gemendo de dor por conta do impacto.

- Menina, você não presta atenção por onde anda? - Ömer brigou com a jovem que permanecia caída, gemendo de dor.

- O senhor é que não presta atenção para onde está dirigindo, é cego ou o quê? Eu estava dobrando a esquina, seu carro se aproximou de mim e acabou me atropelando.

Ömer não acreditava no que ela falava. Ali mostrava que a preferência era dele e aquela menina estava errada e queria culpá-lo.

Ela tentou levantar e Ömer foi até ela e a ajudou a ficar de pé.

Quando a garota mexeu no cabelo, Ömer viu os fones de ouvido. Com certeza ela ouvia a música nas alturas e não prestou atenção no trânsito.

- Se estivesse sem esses fones, tenho certeza de que teria prestado atenção e não iria entrar ao mesmo tempo que eu.

Elif estava indignada, ela estava certa e tinha certeza disso. Aquele homem estúpido e péssimo motorista que aproximou o carro dela.

- Vem cá, seu sabe-tudo, você é que deve ter comprado a carteira e tá pagando de bom motorista.

Assim que a menina falou, reparou na calça suja e na pulseira da sorte quebrada.

- Inferno! Olha o que você fez! Seu idiota, a minha pulseira da sorte está quebrada. Hoje é meu primeiro dia na faculdade e, por sua culpa, chegarei atrasada! E ainda por cima levar um grande sermão dos meus pais.

Ömer nunca encontrara uma garota tão sem educação e boca suja como aquela.

- Ei, mocinha, eu não tive culpa de nada e você é quem virou a esquina ao mesmo tempo que eu.

Elif sabia que ele tinha razão, mas não iria assumir seu erro e agora precisava arrumar sua pulseira e não sabia como. Se contasse a verdade para os pais, levaria uma bronca por ser irresponsável e provavelmente Eda a deixaria de castigo.

Então uma ideia veio à sua mente.

- Olha só, você me deixa na faculdade, arruma a minha pulseira da sorte e eu não conto nada para os meus pais e nem chamo a polícia de trânsito para você.

Ömer não acreditava no que ouvia. Aquela garota estava fazendo chantagem e ainda por cima queria que ele pagasse o conserto da pulseira.

- Garota, eu...

- Tudo bem, vai recusar, então ligo agora mesmo para o meu pai, que é advogado, e ele virá até aqui resolver essa situação.

Ömer pelo jeito teria uma segunda-feira infernal ao encontrar aquela garota mal-educada e ainda por cima chantagista.

- Tudo bem, garota. Eu te deixo na faculdade e mando consertar a sua pulseira e você esquece o que aconteceu aqui.

O publicitário auxiliou a garota a entrar no carro. Ela havia entregado a pulseira para ele, que guardou no bolso do terno. A chantagista se acomodou no banco do carona e, quando entrou no automóvel, notou como ela estava instalada.

- Com licença? - Ömer apontou para os pés dela, que estava mexendo no celular e não prestou atenção. - Você pode, por favor, tirar os pés de cima do banco?

- Ops, desculpa, senhor. É que já estou acostumada.

Ömer ligou o carro e respirou fundo. Perguntou o endereço da faculdade e descobriu que era a menos de dez minutos dali a pé e a garota estava fazendo ele de idiota. Achou melhor não falar nada. Já teve confusão demais em menos de cinco minutos ao lado dela.

Ela ouvia som no último volume e ele ouvia o ruído que vinha dos fones no ouvido dela.

Foi por isso que não prestou atenção no trânsito. Adolescentes sem noção e sem educação, Ömer pensava consigo mesmo e, em menos de três minutos, estacionou na porta da faculdade dela.

- Senhorita... - Ömer deu carona para a jovem e nem mesmo sabia o nome dela.

- Elif! E qual é o nome do senhor?

- Ömer!

- Bom... você está entregue. Peço que consertem sua pulseira e peço para um funcionário trazer para você.

- Por que você não me busca às 13h e traz a minha pulseira? Assim posso te desculpar por quase me atropelar e por estragar algo que tem um valor importante para mim.

A menina olhou o horário no relógio e falou um palavrão que Ömer até se assustou com os modos daquela moça.

- Espero você aqui na frente às 13h? Não se atrase, porque preciso estar em casa antes das 13h30 ou minha mãe come meu fígado.

Ömer ficou sem saber o que responder, apenas concordou com a garota e ficou surpreso com o beijo que ela deu em seu rosto.

Ela saiu do carro e, antes de entrar, se despediu novamente dele.

- Tchau, Ömer. Não se atrase e leve a minha pulseira para uma joalheria que preste.

A jovem correu, atrasada, deixando Ömer totalmente sem reação.

Capítulo 2 Manhã complicada

Elif entrou apressada na sala e a professora da primeira aula do dia estava fazendo a chamada. A jovem pediu licença e foi se sentar em uma das mesas do fundo, já que as primeiras fileiras estavam todas ocupadas. Tirou o celular da bolsa e olhou as mensagens no grupo do WhatsApp "Melhores amigas para sempre ❤ ️".

Elifaaa, cadê você, garota?

Ei, ta dormindo ainda? Olha que horas são!

Elif, querida, onde você está? Elçin e eu já entraremos e você não chega.

Elif riu das mensagens das amigas: Elçin e Sâmia.

As três garotas cresceram juntas e estudaram juntas desde o jardim de infância. Decidiram entrar na mesma faculdade. Enquanto Elif escolheu Jornalismo, Elçin escolheu Moda e Sâmia decidiu por Nutrição.

Foi difícil encontrar uma faculdade onde os três cursos, totalmente diferentes entre si, existissem. Com muito esforço, as mães das jovens acabaram por escolher a Istambul Üniversitesi.

Meninas, aconteceu um imprevisto, eu conto na hora do intervalo.

Guardou o celular na bolsa e respondeu à chamada quando a professora falou seu nome. Era o primeiro dia dos quatro anos da jovem, e ela iria se esforçar, se formar e se tornar uma profissional de sucesso.

~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~~ * ~

Ömer estacionou na joalheria cujo endereço sua assistente havia fornecido. Ficava próximo ao escritório e ele estava atrasado. Olhou a hora no relógio e já passava das 8h30.

Com certeza Kerem, seu sócio e um dos melhores amigos, estava preocupado com o seu atraso, mesmo após ele ter avisado Aisha que um problema havia surgido.

- Bom dia, senhor! - Ömer cumprimentou o homem que arrumava uma joia, sentado em um cubículo repleto de peças de relógios.

- Bom dia, no que posso ajudar?

- Estou com uma pulseira com o fecho quebrado. Pelo que percebi, é de um modelo antigo. Será possível soldar agora?

Ömer tirou a pulseira do bolso e entregou para o homem, que analisou a peça com cuidado.

- Olha, eu não tenho como fazer esse serviço no momento, porque estou com esse par de alianças agora de manhã. Mesmo sendo uma pulseira de modelo simples, preciso de um tempo para soldar a peça. Se o senhor quiser deixar aqui e passar para buscar depois das 14h.

A garota precisava da pulseira antes, e Ömer não pretendia rever aquela criatura sem educação novamente.

- Não tem como arrumar antes das 13h? Pago o triplo do serviço, se possível.

- Senhor, não é pelo dinheiro, mas não posso passar o serviço na frente. Se quiser, esse é o horário que posso entregar.

Ömer pensou por alguns minutos. Ele estava bastante atrasado, precisava organizar seu próximo projeto e aquela garota atrapalhou todo o seu dia. Ou ele deixava a pulseira ali na joalheria perto do trabalho, ou teria que se deslocar para outro lugar, o que levaria tempo. E para Ömer, tempo era dinheiro.

- Tudo bem. Pode ficar com a pulseira. Deixo aqui, assino o que for preciso e passo para buscar depois das 14h.

Ömer e o ourives acertaram o pagamento. Ainda bem que era uma pulseira barata e não uma cravejada de diamantes. Já pensou ter que desembolsar um dinheiro por conta de uma chantagista universitária?

Ömer iria até a faculdade da garota, levá-la até a joalheria e devolveria a pulseira. E ele esperava nunca mais se reencontrarem na vida.

Despedindo-se do homem, seguiu para o trabalho.

No caminho, seu celular tocou e ele só atendeu porque era sua mãe ligando.

- Mamãe, não posso falar agora, estou dirigindo e já sei o assunto. Converso com a Bahar à noite.

- Filho, sua irmã me ligou desesperada. Ela acha que Aras irá abandoná-la e seu pai já está ao meu lado reclamando. Ele insistiu para que Bahar não se casasse e veja no que deu.

Pelo jeito, todos os problemas do mundo resolveram aparecer antes das 9 horas da manhã e Ömer já queria que o dia acabasse.

- Mamãe, falo com a senhora depois. Realmente tenho que desligar. Estou dirigindo e não quero ser multado ou bater em alguém novamente.

Desligou o celular antes que a mãe respondesse algo. Entrou na garagem do prédio, estacionou na vaga reservada, saiu do carro, trancou e entrou no elevador. Em menos de três minutos já estava entrando na agência.

- Ömer, até que enfim! Kerem está estressado no escritório dele, porque o projeto que a E&K iria assumir foi para outra agência.

- Outra agência? Como? Eu nem fiz esboço, nem nada.

Ömer entrou no escritório do amigo, que estava ao celular com alguém.

- Aisha, pode voltar para sua sala. Conversarei com ele. Melhor: não vá para sua sala não. Traga um café bem forte porque estou precisando.

- Tudo bem! - A secretária saiu e, assim que Ömer se sentou na poltrona, o amigo desligou o telefone. Ömer notou o nervosismo dele.

- O que aconteceu? - Ömer perguntou ao amigo, que tentava manter a calma.

- Não precisa se preocupar com nenhum projeto! Eles me enviaram um e-mail pela manhã avisando que outra agência assumiu.

- Mas como? Eu nem tive a chance de começar a trabalhar nele.

Ömer pensou que a assistente se referia a outro projeto menor e não ao que ele tinha tentado fazer, mas não conseguia porque sua mente estava na ex-namorada.

- Por que eles cancelaram? Havíamos acertado tudo e eu nem comecei a pensar na ideia da campanha.

- Eles não me contaram, simplesmente avisaram que, como o contrato não havia sido assinado, outra agência entregou o projeto que eles desejavam e pronto. Agora, você tem noção do que isso causará na agência? Perdemos dois grandes projetos em menos de um ano.

Ömer sabia o que o amigo queria dizer. O primeiro projeto foi embora com Sevda, e ele desconfiava que tinha dedo daquele inútil do Onur.

- Me fale a verdade: foi a agência em que aquele babaca está trabalhando? Sevda! Tenho certeza de que ela passou todas as minhas ideias e, como ele foi mais rápido do que eu, acabei sendo feito de trouxa duas vezes.

Kerem não tinha intenção de contar para o amigo qual era a agência escolhida, mas não adiantava esconder nada de Ömer.

- Eu não ia te falar nada, mas foi à agência do Onur. Sabe Deus como, lá da Itália, ele conseguiu passar na nossa frente. Provavelmente, Sevda deve ter dado a ideia do que você pretendia fazer.

Aisha entrou no escritório e viu os chefes desolados com o que estava acontecendo. Ela trabalhava para ambos desde a faculdade. Foi estagiária deles e acabou conseguindo a vaga de secretária/assistente. Tinha Ömer e Kerem como patrões e amigos.

- Não fique assim. Tenho certeza de que tudo vai se resolver e Ömer conseguirá novas ideias em breve.

Ömer pegou a xícara de café e bebeu um gole. Seu dia, que começou ruim, acabou piorando ao ouvir aquela notícia. Ele culpava a chantagista universitária. Ela foi quem trouxe o azar para o seu dia.

Capítulo 3 Eu pago o almoço

Elif e as amigas lanchavam sentadas na cantina da faculdade. As três contavam como havia sido o primeiro dia de aula, mas Sâmia notava que a amiga não parava de olhar o relógio.

- Elif, você está preocupada com algo? Mandou mensagem no grupo falando de um imprevisto. Contamos como foi nosso primeiro tempo de aula e você fica olhando o relógio. Tá acontecendo algo e você não quer dizer? - Sâmia, a mais discreta das três, percebeu que Elif escondia algo.

- Ela aprontou algo, tenho certeza! Conta logo, Elif, o que você fez para chegar atrasada? - Elçin interrogou a amiga, que estava pensando no homem que a atropelou e curiosa para saber se ele teria coragem de ir até a faculdade deixar sua pulseira.

- Não aconteceu nada, eu apenas tive um probleminha logo de manhã. Um sem noção quase me atropelou, minha pulseira da sorte foi para o conserto e agora tenho que ficar aqui esperando.

Sâmia e Elçin se assustaram com o que ela disse.

- Você não tem nenhum arranhão nem nada. Como assim "um sem noção"? Explica isso direito. - Sâmia questionou, e Elif explicou como havia acontecido o acidente e que, por sorte, a pulseira foi a única "machucada" no meio de toda a confusão.

- E foi isso, minhas queridas amigas do coração. Tudo bem, eu estava errada, ele também não prestou atenção e acabou encostando o carro em mim, o que me fez desequilibrar e cair no chão.

- Elif, você é louca mesmo, garota. Já pensou se algo pior acontecesse? E você é mais louca ainda de entrar no carro de um estranho.

- O carro dele era luxuoso e, pela roupa que usava e o relógio no pulso, te garanto que pobre ele não era.

- Mesmo assim, você brinca com o perigo - Elçin chamou a atenção.

- Se eu soubesse do sermão, não teria contado.

O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. Cada uma voltaria para sua sala.

- Vou ficar esperando você até esse homem chegar com sua pulseira. Depois sigo com você para sua casa. - Sâmia foi logo avisando.

- Concordo com a Sâmia - Elçin concordou.

- Tudo bem, minhas queridas melhores amigas. Vamos ou vou acabar chegando tarde. Até depois do intervalo.

As três seguiram cada uma para sua sala e Elif desejava apenas que a aula acabasse logo para poder reencontrar Ömer.

~ * ~~ * ~~ * ~

Ömer e Kerem, mais calmos, decidiram o que o publicitário faria dali para frente. Sua ex sabia tudo sobre ele, o que pensava e o que faria em várias situações.

- Irmão, me desculpe o que vou te falar, mas Sevda, além de apaixonada, vai entregar de bandeja tudo que sabe sobre você? O que fez de tão errado assim para que a mulher que "morria de amor" por você agora virou namorada do homem que te odeia e inveja desde sempre?

Ömer sentia um completo fracasso. Mesmo com Aisha tentando animar o chefe, ele se sentia um inútil pela primeira vez em seus 36 anos de vida.

- Se eu dormi com ela por cinco anos e até agora não sei o que fiz, como vou te responder algo que estou tentando entender?

Ömer viu a hora no relógio e faltavam 15 minutos para às 13h. Ele precisava buscar a chantagista antes que ela chamasse a polícia, e quando ele chegasse à faculdade, o pai dela estaria lá esperando.

- Preciso ir agora. Tenho que procurar alguém ainda e, com a confusão, não te contei. Bati o carro, quer dizer, alguém bateu na minha porta e, enfim, eu te conto depois que voltar do almoço. Devo chegar depois das 15h hoje. Você volta para a agência ou vai se encontrar com Zeynep?

- Vou almoçar por aqui mesmo. Na verdade, eu pensei que você também ficaria.

- Vontade não falta, mas preciso buscar a garota que quase atropelei. Eu te conto depois o que aconteceu.

Ömer se despediu do amigo e passou na sala de Aisha, avisando que qualquer coisa ele estaria no celular.

Desceu até o estacionamento e se apressou para buscá-la e deixá-la na joalheria. Depois, iria até sua casa tomar um banho. Quem sabe assim a dor de cabeça que estava começando a aparecer fosse embora.

~ * ~~ * ~~ * ~

- Elif, eu acho que esse homem te enganou. Você perde sua pulseira da sorte e ainda leva bronca da sua mãe.

A jovem olhou a hora. Ömer estava atrasado quinze minutos. Ela achou melhor inventar uma desculpa para a mãe até resolver o que fazer com a pulseira. Seu pai entenderia, mas sua mãe com certeza iria encher tanto seu saco que ela ouviria o sermão pelas próximas dez gerações.

- Vou ligar para minha mãe. Vocês duas, fechem o bico. Sâmia, se mamãe perguntar, confirma que almoço com você.

Elif ligou para a mãe, que atendeu perguntando por que a menina ainda não havia chegado em casa.

- Mãe, eu acabei de sair da aula e vou almoçar com a Sâmia. Comemorar nosso primeiro dia de aula e não se preocupe, não chego tarde.

- Tudo bem, senhorita Elif. Espero você em casa antes das 15h. Seu irmão tem tarefa da escola e você precisa auxiliar o Ahmet. Seu pai também não veio almoçar, apareceu um problema no escritório e ele ficará por lá para resolver. Cuidado e mande um abraço para Sâmia.

A jovem agradeceu em silêncio que a mãe havia acreditado. Já estava nervosa por não saber o que fazer, até que o carro de Ömer estacionou em frente à faculdade.

- Estou salva! Meninas, minha carona chegou. Não quero sermão e ligo para vocês quando chegar em casa. Sâmia, não fale nada para minha mãe enquanto eu não te avisar.

Elif entrou no carro sem esperar a resposta das amigas. Conhecendo as duas, ela sabia que iriam impedir de entrar no carro.

Ömer mal estacionou e a garota já foi entrando no carro e, como da primeira vez, colocou

os pés em cima do banco.

- Pensei que você tinha fugido com a minha pulseira. - Antes que Ömer pudesse falar algo, a menina já se sentia como se fosse a dona do carro, perguntando pela pulseira da sorte.

- Se puder tirar os pés daí, eu agradeço. Buscamos a sua joia agora. Na verdade, ela ficará pronta só depois das 14h. Vou te deixar na joalheria e já está tudo pago. Não tenho mais nenhuma responsabilidade e você pode seguir seu caminho que seguirei o meu.

Elif quis falar algo, mas Ömer ligou o som do carro. Ela percebeu que ele não queria conversar e achou melhor assim.

Além de grosso, era mal-humorado. Tirou os fones de ouvido da bolsa, colocou no Spotify e deu play na sua playlist favorita.

Ömer dirigia com todo cuidado. Depois da péssima manhã, tinha até medo de ficar perto daquela garota e alguma coisa ruim acontecer. Parou em frente à joalheria e a garota estava de olhos fechados, cantando baixinho uma música que ele não conseguia entender.

Desligou o veículo e Elif abriu os olhos, notando que haviam chegado ao local onde o ranzinza levou sua pulseira. Se ele soubesse a importância daquela joia barata, não agiria da forma que estava agindo.

A joalheria até era organizada, pelo menos do lado de fora.

- Ao menos trouxe minha pulseira num lugar decente. Agora vamos que eu preciso almoçar. Espero que esteja pronta e assim vou logo para casa.

Elif desceu e Ömer a seguiu. Ao entrarem no lugar, a primeira coisa que ele notou foi o homem trabalhando em outra joia ao invés da pulseira dela.

- Senhor, me perdoe pelo atraso. O par de alianças demorou mais do que pensei e, como o senhor não deixou contato, não tinha como avisar.

- Isso só pode ser brincadeira! - Ömer falou consigo mesmo, enquanto ao seu lado a chantagista universitária olhava com um sorriso debochado.

- Senhor, podemos esperar? Acredito que em dez minutos o senhor conserta essa pulseira. Penso que é só colocar uma solda no fecho e pronto. - Ömer perguntou desesperado.

Elif, que se mantinha calada, respondeu primeiro que o ourives.

- Senhor, essa pulseira é especial para mim e tenho certeza de que em dez minutos o senhor não vai consertar. Então, eu e meu amigo aqui, almoçamos e voltamos daqui a uma hora.

Elif saiu primeiro e Ömer não acreditava que, além de pagar o conserto, ela queria que ele pagasse o almoço.

- A moça tem razão, me perdoe, senhor. Em uma hora garanto que ficará pronta e eu entrego como nova para vocês. Vou até aproveitar para dar uma limpeza nos berloques que notei que são antigos e precisam apenas de um polimento.

Ömer tentou entender o senhor, mesmo que não concordasse. A manhã já tinha sido um horror e agora teria que pagar o almoço para a chantagista.

Quando saiu, Elif aguardava encostada na porta do carro.

- Então, o joalheiro disse que horas fica pronta?

- Daqui a uma hora. Vou te deixar no primeiro restaurante que encontrar. Tive uma manhã difícil e preciso ir para casa.

Elif notou que aquele homem estava bem estressado e não era por causa dela. Resolveu deixar a gracinha de lado e perguntar se ele estava bem.

- Ei, se quiser, posso te fazer companhia no almoço. Somos estranhos, eu sei. Contudo, li uma vez que estranhos podem ser os melhores ouvintes. Podemos almoçar juntos e você me conta seus problemas e eu te falo como foi meu primeiro dia na faculdade.

Pela primeira vez, desde que encontrou aquela garota, Ömer sorriu. E foi um sorriso sincero.

- Tudo bem, vamos. Eu pago o seu almoço e podemos conversar um pouco.

Elif entrou no carro e, antes que Ömer desse a partida, a jovem respondeu que ela iria escolher o lugar.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022