- Merda... merda... merda!
Lisa pulou para a parte de trás do carro, passou apressada entre os bancos enquanto o irmão dirigia como um lunático. A curva a fez tombar. Arrancou a roupa do corpo com a agilidade de uma fugitiva da polícia.
O que, de certa forma, ela era.
O vestido branco alugado estava amarrotado. O zíper emperrou, e quando tentou passar o batom acabou manchando o rosto inteiro em vez de apenas a boca.
Ainda dava para ouvir as sirenes. A batida policial tinha feito um estrago e tanto. Agora, nem mesmo uma casa Lisa tinha para voltar.
- Eu vou dar um jeito, Mick. Acelera!
O irmão acelerou enquanto ela tentava calçar aqueles malditos sapatos e prender os cabelos.
Ele freou com tanta força que ela quase foi parar na frente do carro.
- Igreja de São José. É aqui!
Lisa ergueu a barra do vestido, desceu descalça. Os sapatos estavam menores. Largou os sapatos e foi sem pensar duas vezes.
Correu o mais rápido que conseguiu. Não podia falhar. A vida de Mick dependia disso.
O noivo parecia mais baixo do que na foto.
Mas o que importava?
Havia um altar e convidados. Flores ridículas e um homem em pé com o olhar tão perdido quanto o dela.
Tentou prender o brinco enquanto falava com o padre.
- Podemos casar de uma vez? Já estamos atrasados, né? Eu digo sim.
Olhou para o noivo.
Segurou a mão do homem. Sentiu a pele arrepiar.
Não esperava que ele fosse tão bonito. Os lábios grossos, o queixo angular, quase exótico. E por alguma razão ele tinha soltado a gravata borboleta.
Pretendia perguntar se ele também diria sim, apesar da óbvia resposta. Ele havia pagado vinte mil dólares por ela.
Andrew sorriu.
E o sorriso dele também parecia com o de um deus grego. Misterioso e sedutor.
- Tá bom. Por que não?
Se virou para o padre e ordenou com a voz firme.
- Siga com o casamento.
O padre ajeitou os óculos. Olhou em volta desconfiado. Tinha acabado de ouvir aquilo?
Nunca teria coragem de perguntar. Andrew Forts não era o tipo de homem que aceitava ser questionado, e todos naquela igreja sabiam disso.
O padre pigarreou e começou a cerimônia.
- Bom, se todos estão prontos, vamos começar.
Lisa puxou o ar. Tentou ajeitar o vestido. Alguma coisa estava pinicando. Pensou que deveria ter ido pessoalmente pegar aquela merda de vestido.
O tamanho estava errado. Só podia estar. Sentia as costelas serem esmagadas, e se aquela porcaria rasgasse, jamais teria como pagar.
A voz do padre parecia longe. Ela achou que estava prestes a desmaiar.
Um casamento devia ser demorado assim?
Ele dizia alguma coisa sobre união, compromisso, amor. Ela não ouviu os nomes. A visão estava embaçada, o rosto suando, os olhos ardendo pela maquiagem derretida.
O homem ao seu lado tinha uma presença forte. Se não fosse o fato de que ela era só um pacote caro que ele comprou para conseguir a cidadania americana, talvez ela pudesse se interessar por ele.
- Você, Andrew Forts, aceita esta mulher como sua legítima esposa?
Todos ficaram em silêncio, inclusive o homem ao seu lado, com um terno impecável.
Lisa franziu a testa. Andrew? Devia ser Andrew?
Pensou que talvez ele tivesse usado um nome falso para falar com ela da primeira vez. Mathew ou Andrew, tanto faz.
Ele olhou para o padre, depois para ela.
- Aceito.
Os convidados continuavam atentos, quase sem acreditar no que estava acontecendo.
- Você aceita este homem como seu legítimo esposo?
Ela aceitou. Claro que sim. Não era real. Jamais se casaria de verdade em meio a um acordo. Passaria três meses casada, pegaria o restante do dinheiro e sairia do país com o irmão.
- Aceito.
Ninguém se levantou. Não houve chuva de arroz. Lisa teve certeza de que os convidados também eram contratados.
Saíram da igreja e, como se não bastasse tudo o que ela tinha passado nas últimas vinte e quatro horas, a chuva caiu pesada.
Escorregou em uma das pedras, sentiu o pé cortar. O vestido colado nas pernas enquanto tentava manter a barra o mais longe da lama possível.
Andrew caminhava como se estivesse em uma espécie de desfile. A postura impecável, apesar da chuva. As mãos nos bolsos.
Passos firmes e lentos.
Pararam embaixo de um toldo amarelo tão ridículo quanto aquela situação.
Andrew olhou para ela de cima a baixo.
- O que esperava conseguir com essa palhaçada?
Para o empresário, as ações de Lisa só podiam significar uma coisa. Um golpe.
Ela queria dinheiro, e ele queria humilhar alguém.
- Os outros dez mil que me prometeu.
Andrew franziu a testa com um sorriso de lado que o fez ficar com uma covinha linda.
- Espera, você sabe que a minha noiva fugiu, né?
O coração da garota saltou no peito.
- Como assim, fugi? Eu não.
Lisa pensou que talvez ele estivesse se referindo ao problema que o irmão teve com a polícia. Mas como ele saberia?
Andrew continuou como se desabafasse.
- Entrou no carro do personal usando o vestido de noiva que eu comprei, mais ou menos uns cinco minutos antes de você chegar e se casar comigo.
Lisa arregalou os olhos, deu dois passos para trás e caiu sentada no concreto mofado.
- E você não é o...
Foi interrompida.
- Quem você pensa que eu sou? Estou louco para ouvir essa história. Você tem uma história para me contar, não tem? Algo bem triste, que acha que vai me derreter e te dar alguma grana.
- Eu... achei que você fosse. Qual é o seu nome?
Andrew gargalhou. Era no mínimo divertido que a esposa não soubesse seu nome.
Ela assentiu. Baixo. Engoliu seco.
- Eu ia me casar com um russo. Mathew. Espera. Você não é russo?
Andrew sorriu. Pelo menos achou a história criativa. Aquela menina achava mesmo que tiraria dez mil dólares dele o chamando de russo?
- Acho que não. Meus pais me dizem que nasci aqui mesmo na Virgínia.
- E agora? Mas era o meu casamento. Eu não cheguei tão atrasada assim. Quantos casamentos fazem por dia?
Começou a procurar o celular por instinto, porque sabia que estava no carro do irmão. Vestidos de noiva não têm bolsinho para o aparelho.
- Agora você é a senhora Forts. Qual o seu pedido para a nossa lua de mel?
Lisa o olhou brava e perguntou novamente.
- Qual seu nome?
- Andrew. E o seu?
- Lisa. Prazer em te conhecer, mas eu preciso muito do seu telefone.
O empresário soltou o ar, coçou a barba e achou que ainda havia espaço para se divertir.
- Lisa, esse foi o pior dia da minha vida. Mas você é engraçada. Quer um café?
Falou apontando para o bar do outro lado da rua.
- Quero um divórcio.
Nenhum dos dois teve o que queria, ao menos não naquela noite. Terminaram sentados em cadeiras de madeira velha, tomando café fervido.
Enquanto do outro lado da cidade, um homem segurava as grades escuras e enferrujadas da cela, gritando sem parar que mataria a todos.
O terno estava amarrotado. O cabelo, alinhado fio a fio.
Mas os olhos.
Os olhos mostravam do que Mathew Volkov era capaz.
- Eu iria me casar. Eu juro. Aquela...
Quase rosnou, mas não terminou a ofensa que Lisa merecia.
O policial respondeu como se falasse com um verme.
- Você está sendo deportado. Reclama com o consulado.
Mathew cuspiu no chão. Pisou em cima.
- Se eu sair daqui, juro por tudo o que sou... ela vai pagar. Cada pedaço dela.
E ele ia sair. Muito antes do que todos imaginavam.
Mas.
Lisa apertava o copo de café entre as mãos, tentando roubar o calor daquele líquido de sabor intragável.
Andrew pegou um dos donuts do prato e entregou a ela.
- Obrigada.
Ele balançou os ombros como se não se importasse.
- Casamento inclui benefícios. Disse que queria dez mil dólares, posso pagar por isso. E só isso!
- Você não vai me denunciar?
- Por quê? Por se casar comigo? Fica tranquila. Quem tinha dinheiro era a Georgina. Eu trabalhava de gogoboy até ela me tirar da noite.
Lisa o encarou sem saber se deveria rir ou chorar.
- Meu Deus.
Ele só mordeu o donut.
- O quê? À noite, com as luzes certas e uma cueca cavadinha, eu conseguia umas boas gorjetas.
Ela deu risada. Não tinha outra coisa a se fazer.
Mas enquanto Andrew brincava, outro homem, com o sotaque carregado e o peito cheio de ódio, usava uma linha clandestina para dar as ordens que selariam o destino de Lisa.
- Achar essa garota é uma questão de honra. Ela me deve um casamento. E não vai gostar disso
Lisa nunca quis estar naquela situação. Mas ali estava.
Quarenta e oito horas sem dormir. O corpo inteiro doendo, a cabeça latejando, os olhos ardendo.
Lembrou de quando seu futuro havia sido selado.
Chegou do trabalho com os pés latejando, tirou os sapatos ainda na porta, como sempre fazia. A casa estava escura, o ventilador velho fazia aquele barulho que indicava estar prestes a quebrar. Mick, como sempre, deitado no sofá.
Não deveria estranhar, ele sempre dormia de dia e saía a noite. Mas algo chamou sua atenção.
O pano vermelho na mão, o rosto inchado, o sangue escorrendo pela boca.
- Mick?!
Correu e se ajoelhou no tapete. Tentou puxar o irmão para sentar. O pano estava encharcado, e as mãos dele tremiam como se o rapaz tivesse visto uma assombração.
- Que merda aconteceu com você, Mick?
A voz do rapaz saiu estranha, misturada ao choro desesperado. Os olhos dilatados pelo medo.
- Fiz bobagem, Lisa.
A menina se afastou um pouco, não gostou do tom. Mick continuou.
- Eu só queria o remédio. Era a última vez. Eu juro.
Lisa esfregou as mãos no rosto sem paciência, perdida, com raiva.
Mick fazia entregas. Só pegava e deixava em algum lugar, mas todos sabiam que os pacotes que ele entregava não eram lanches.
Ela já tinha pedido para ele parar. Quando conseguiu aquele emprego de recepcionista no estacionamento da Plats&Oky, achou que mudariam de vida. Talvez alugar um apartamento decente. Comer sem contar moedas.
Ele prometeu. O problema é que ele nunca cumpria.
- Fala logo, Mick! O que você fez agora.
- Eu cheguei no ponto de encontro, pedi um lanche, eles demoraram pra caramba. Fiquei esperando, aí chegaram uns conhecidos, rimos, falamos bobagem e quando percebi, o pacote tinha sumido.
- Você perdeu a entrega? Como sumido, Mike? Esses caras são perigosos, eu te avisei.
- Alguém deve ter pegado. Eu juro que não vi, não fui perdi, Lisa.
- Quanto?
Mick ficou pálido antes de responder.
- Vinte mil dólares.
Lisa se sentou no tapete.
- Vinte mil? Porra, Mick!
- Era pura. Duas barras. Já tinha comprador. Eles me deram dois dias.
Lisa sentiu a sala inteira girar.
- Não temos nem vinte dólares, Mick. Quanto mais vinte mil.
- Eu sei. Mas tem uma coisa. Uma chance.
Mick arrumou a postura antes de falar.
- Um russo. Rico mesmo. Daqueles que acendem o charuto com notas de cem. Chegou nos Estados Unidos pra fechar um negócio de milhões. Mas tá enrolado com os documentos.
- E daí, Mick. Eu sou a porra de uma recepcionista de estacionamento. Como acha que vou conseguir um Green card para um russo?
- Ele só precisa se casar com uma americana. Rápido. Vinte mil agora, oitenta no divórcio. Tudo legal. Casamento arranjado. Assina, casa, divorcia. Simples.
Lisa franziu a testa torcendo para que não fosse o que estava pensando.
- Mick, você me ofereceu pra esse cara?
- Eles vão me matar, Lisa. E você sabe que, se me matarem, eles não param em mim.
Ela sabia.
Dívidas assim viravam heranças.
Lisa aceitou. Aceitou por medo, porque ela seria a próxima, mas também porque amava o irmão.
Assinou o contrato sem ler. Um intermediário entregou o endereço da cerimônia. Alugou um vestido usando parte do dinheiro que recebeu em um envelope de couro.
E quando pensou que nada mais podia dar errado.
Deu!
Uma batida policial, uma vizinha denunciou os irmãos. Afirmou que eles usavam drogas. E como sempre, Lisa só ficou sabendo que ele estava com outro pacote quando ele jogou pela janela e a puxou para as escadas de emergência.
Desceram correndo, fugiram, mas aconteceu justo o dia do casamento.
- Igreja de São José!
Ela acreditou. Era uma igreja. Tinha flores. Tinha convidados. Era o suficiente.
Correu até a porta lateral. Nem percebeu que estava entrando em outra cerimônia.
A certa era São Bento.
E agora ela estava casada com um homem que comia donuts como se o mundo fosse acabar, sentado à sua frente, na lanchonete mais deprimente da cidade.
- Merda! Andrew, né? Me diz que nosso casamento foi só religioso. Eu ainda posso me casar?
Andrew riu despreocupado.
- Não foi, não. Já assinaram. Bem certinho. Parabéns, senhora Forts.
- Não! Droga! Eu ainda podia me casar com o russo! Eu preciso desse dinheiro, Andrew. Sério, nada contra você, mas a gente precisa se separar.
- Assim que eu conseguir pagar o aluguel, a gente anula. Sem drama.
Ela ficou ainda mais brava.
- E por que, exatamente, você se casou comigo?
- Porque você entrou na igreja e praticamente obrigou o padre. Eu estava com tudo pronto. Convidados, fotógrafo, florista. Só faltava uma noiva. Achei que você fosse um presente do universo.
- Você é um idiota.
- E você é perigosa de salto alto que queria dar um golpe em um russo e terminou se casando com um pobretão.
Lisa tentou ir embora, mas voltou.
- Eu não tenho onde dormir essa noite.
Ele nem piscou.
- Tenho um sofá. E uma cama. Você pode ficar no sofá, ou vamos para a lua de mel, por mim sem problemas.
- Você não vai me perguntar nada?
- Como assim?
- Sobre mim. Não quer saber o porquê eu aceitei me casar com um cara que eu nem conheço, porque preciso do dinheiro, nem por que não tenho uma casa?
Andrew olhou para o donut que ela não havia terminado.
- Não vai comer?
- NÃO!
Ele pegou o doce, mordeu satisfeito e só então respondeu.
- Fui largado no altar e estou em um bar comendo um doce ruim pra caralho com uma mulher linda que se tornou minha esposa. Não sou um imbecil, só preciso de tempo para decidir se você é o pior desastre da minha vida, ou um presente do universo.
Lisa sorriu. Pela primeira vez em dias.
- Se eu fosse você, apostava na primeira opção.
- Talvez eu seja bom em apostas ruins.
Saíram juntos e o que Lisa mais odiava era a sensação de que por pior que tudo aquilo parecesse, Andrew Forts fazia o seu mundo parecer menos podre.
Caminhou pela rua com o vestido erguido até os joelhos, sentia o olhar de Andrew queimando sobre ela.
E gostava disso, estranhamente gostava do marido errado, mas continuou andando ao lado de um estranho com quem estava casada e sem saber, jurada de morte por outro.
Chegaram em um prédio abandonado, havia muitos naquela região, mas Lisa não entendeu o que estavam fazendo ali.
Apenas o seguiu e quando viu que o rapaz realmente pretendia entrar ela o segurou.
- Olha, não é uma boa ideia.
- Você que falou que não tinha onde dormir.
Ela teve certeza de que Andrew era um viciado, somente usuários e prostitutas moravam naqueles prédios. Os hotéis de Richmond deveriam ter sido implodidos pelo governo há anos.
Como não aconteceu.
Traficantes tomaram posse dos locais, organizaram pequenos estúdios que ficavam alugados para qualquer um, nem mesmo Mick tinha coragem de entrar em um lugar como aquele.
Pegava as entregas na parte de fora.
- Você mora aí, mesmo?
- Moramos! Você é minha esposa agora.
Lisa soube o motivo de Andrew nem sequer questionar quem ela era.
Olhou em volta, estava frio, não podia voltar para casa, o irmão estava sumido e agora ficar perto dele seria um risco.
- Se encostar em mim eu grito!
- É... não vai ser única.
Ela não entendeu de imediato, mas quando entrou pelo corredor que Andrew iluminou com a lanterna do celular a brincadeira ganhou sentido.
Tudo ali era a prova de que o inferno existe.
Choro de crianças se misturava com gemidos de mulheres, palavrões e cheiro de pólvora.
Seguiu o rapaz que simplesmente forçou uma das portas até a madeira ceder.
- Você não tranca?
- Não! Essa porta nunca nem teve chave. Está louca?
Lisa esperava o pior, mas quando Andrew acendeu algumas velas percebeu que o lugar era bonito.
Caminhou pelo lugar intrigada, passou os dedos em um cooktop.
- Como cozinha?
Andrew pensou que o segurança era um completo imbecil. Havia pedido para Mason organizar o pior lugar da cidade, só não esperava que ele colocaria um cooktop extremamente caro em uma pocilga como aquela.
Sorriu tentando disfarçar a raiva.
- Ora, cozinhando. Ganhei esse fogão de uma das minhas clientes, como eu disse com a cueca certa consigo muitas coisas.
Lisa franziu a testa, não entendeu o porquê de Andrew estar mentindo. Aquele era um cooktop de indução, já tinha visto um no trabalho, apesar de jamais nem sequer sonhar com aquilo.
- E você cozinha nele?
- Cozinho, sou quase um chef. Posso fazer alguma coisa para você, está com fome?
Ela pensou um pouco e respondeu.
- Morrendo de fome e gostaria de ver você cozinhar nesse fogão.
Andrew aceitou o desafio, cozinhava desde pequeno, sempre gostou disso. Estava se divertindo com aquilo como não se divertia há muito tempo.
Abriu a geladeira meio despretensioso, precisava saber o que Mason tinha comprado, sabia que não seria nada sensacional, o segurança teve pouco tempo.
Cortou os legumes com cuidado.
Mas se lembrou da ex-noiva. Costumava cozinhar para Georgina, ela detestava, dizia que não via nenhum sentido em ter um namorado fedendo a alho e ervas se podiam comer nos mais caros restaurantes.
Lisa ficou esperando e então o momento chegou.
Andrew só se deu conta do ridículo quando se aproximou do fogão, não havia energia elétrica no lugar, logo, um fogão de indução não funcionaria.
Soltou o ar.
- Ok, você me pegou. Eu nunca usei esse fogão.
- E por que mentiu?
- Sei lá, talvez eu quisesse que você pensasse que eu sou um bom partido. Não é muito bom para a minha autoestima ser abandonado duas vezes no mesmo dia.
A menina acabou rindo de novo.
Se levantou animada.
- Quero uma camiseta e uma cueca!
Andrew arregalou os olhos.
- Ok, devo dançar também?
- Pra você, não, pra mim.
Lisa trocou de roupas olhando para quatro baratas que pareciam estar fazendo uma reunião na parede do banheiro.
Não teve coragem de matar, sabia que se elas se mexessem a postura de mulher forte iria pelo ralo, mas também não pediria ajuda a um desconhecido.
Olhou para a cueca que havia recebido.
Esperava uma box para usar como shorts e não uma tanga!
Saiu do banheiro com a camiseta e a cueca, mas também puxou uma toalha e enrolou na cintura.
Caminhou tranquila até a cozinha e avisou.
- Tem baratas no seu banheiro.
- Também tem uma no seu cabelo, deixa eu tirar, não se mexe.
Lisa começou a pular, batendo no próprio cabelo em uma cena que mais parecia vinda de um hospício.
Andrew gargalhou só até que as pernas da menina ficassem expostas.
Ela também percebeu o silêncio, quase como se a energia vinda dele fosse mais forte do que o medo que estava da suposta barata.
O rapaz a puxou pela cintura e os rostos ficaram tão perto que ela não conseguiu nem sequer respirar.
Ele com certeza era um mentiroso, mas um mentiroso bonito demais!