༺ Mia Carrozzini ༻
Jamais imaginei que precisaria fugir da minha própria casa às três da madrugada, tudo por culpa do meu pai. Ele ligou rapidamente pedindo que eu arrumasse minhas coisas e saísse o quanto antes, pois me vendeu para um CEO mafioso e bilionário para quitar parte de sua dívida.
Quando ele me revelou isso, meu mundo desabou. Como meu próprio pai teve coragem de fazer isso comigo? Será que não sentiu nem um pingo de remorso por conduzir isso? Sou a única que está ao seu lado depois de tudo o que ele destruiu e arruinou. Agora ele resolveu se livrar de mim para se dar bem. Não posso perdoá-lo pelo que me fez desta vez.
Meu pai era viciado em jogos de cassino e não escondia de ninguém. Acabou com todas as nossas economias da noite para o dia, apesar de sermos uma família de classe média com um status importante e um nome perante a sociedade. Agora, nosso nome é apenas um nome em cinzas.
Minha mãe, cansada de tudo, decidiu deixá-lo por outro homem. Eu fiquei com meu pai, pois ela não queria carregar o fardo de cuidar de uma filha de um fracassado sem futuro. Essa foi a última coisa que ela me disse antes de sair pela porta.
Apesar do vício do meu pai, eu acreditava que um dia ele pudesse parar e mudar. Trabalhava meio período em uma lanchonete e estudava no outro, escondendo todo o dinheiro que possuía para que ele não pegasse e nos deixasse sem nada durante o mês. A vida era um pouco dura, mas eu acreditava que dias melhores viriam. Mesmo com todos os problemas que tinha, nunca reclamei. Tinha todos os motivos para ser a pessoa mais dramática do mundo.
No entanto, o que meu pai foi capaz de fazer comigo esta noite foi demais para suportar. Enquanto andava apressadamente para fugir e me esconder, senti que havia alguém atrás de mim. Então, aumentei a velocidade dos meus passos, mas a pessoa fez o mesmo. Comecei a ficar desesperada e nervosa e corri dobrado na esquina do quarteirão. Porém, um carro me cercou pela frente e outro atrás de mim. Meu Deus, e agora? Não havia como escapar dessa situação.
Senti meu peito subir e descer de desespero. Provavelmente, esses carros pertenciam ao homem para o qual meu pai havia me vendido. Vi um homem de jaqueta preta sair do carro e andar até mim, enquanto eu me afastava para trás e me encostava no muro. Essa sensação de desespero era terrível. Ele me lançou um sorriso malicioso e me observou de cima a baixo.
- Para onde a nova mercadoria do senhor Mourett pensa que vai? Você pretendia fugir, garota? Realmente, você gosta de brincar com o perigo, mas você não irá longe. Meu patrão me mandou buscar o seu novo brinquedo.
- Não me chame assim! Não sou um pedaço de carne e muito menos um objeto para ser tratada dessa forma. E, respondendo à sua pergunta, estou indo embora. Não devo nada a esse homem, ele só está cobrando a dívida do meu pai... - afastei-me para tentar sair dali, mas outro segurança ficou na minha frente.
Então, o homem que estava falando comigo me puxou pelo braço, me observando seriamente, e respondeu:
- Garota, não brinque comigo! Seu pai a vendeu ao senhor Mourett. Você pensa mesmo que ele deixará você sair assim, andando por aí? Coloque-a no carro. Ela não tem escolha. O chefe foi bem claro, se ela não quisesse vir por bem, era para levá-la à força!
- Não se atrevam a me tocar, senão vou começar a distribuir mordidas. E aviso que tenho dentes bem afiados! Me soltem... me larguem agora! Socorro... alguém me ajuda? - o homem se aproximou de mim, apertando meu queixo com bastante força, e comentou, sem paciência alguma:
- Olha, garota, cale a boca! Se você pensa que sou um monstro, é porque não conhece a quem foi vendida. É bom você começar a baixar essa bola e ficar na sua, senão o meu patrão saberá muito bem como te colocar no eixo e te adestrar.
Contudo, eu não aceito esse destino e começo a me debater. Um dos seguranças perde a paciência e olha para o outro que segura uma maleta. Rapidamente, ele a abre e retira uma injeção, que é aplicada em mim. Tudo começa a girar ao meu redor. Eles realmente decidiram me drogar e, antes de apagar completamente, ainda ouço aquele maldito capanga comentar:
- Isso, belezinha, vai dormir! Bom, pelo menos o seu Mourett fez um bom negócio, pois vejam que, apesar de brava, é muito bonita. Com toda a certeza, se tornará a sua nova preferida.
Continuo apenas ouvindo a risada desses malditos desgraçados, e tudo gira e escurece diante de mim. Quando recupero a consciência, percebo que estou em uma espécie de escritório. Ouço vozes do lado de fora, inclusive reconheço uma delas: é do meu pai, que parece implorar:
- Por favor? Mudei de ideia. Não quero dar minha filha em troca para pagar a parte da minha dívida! Posso vender a casa, é bem valiosa, por favor, Mourett, aceite?
- De forma alguma! Você já assinou o acordo. Não sou um homem que volta atrás em sua palavra. Afonso deveria saber disso. - porém, meu pai não aceita isso e continua insistindo.
- Mas mudei de ideia! Não deveria ter feito isso com a minha filha. Mia é uma menina boa, eu que sou um desgraçado imprestável que acabou com a nossa vida. Ela não merece passar por isso. Por favor, então, me mata e esqueça essa dívida...
- Matar você seria fácil demais, Afonso! Você me deve muito dinheiro, talvez nem aquela casa cubra tudo o que você me deve. E transformar a sua filha na minha nova cadelinha seja uma maneira de me vingar por tudo o que já gastou e não me devolveu. Agora vamos? Acredito que o efeito do tranquilizante está passando. Quero que você olhe para ela e perceba que destruiu a vida dela devido a um vício que você não tem controle.
Então, a porta se abre, e vejo dois homens entrando com meu pai. Em seguida, um outro homem muito bem-vestido em seu paletó preto entra. Percebo que ele é muito bonito, apesar de ser um pouco mais velho, talvez com 37 a 40 anos. Engulo em seco, observando tanto meu pai quanto o homem que esboça um sorriso, me olhando e comentando:
- Veja só? Então, a princesinha acordou? Que bom que você está acordada, assim pode se despedir do seu pai pela última vez!
- Filha, você me perdoar? Eu não deveria ter agido dessa forma com você. Não merecia que passasse por tudo isso. Realmente, sou um desgraçado por ter feito isso, a ponto de até a sua mãe ter me deixado. Destruir a sua vida foi um erro terrível. Me perdoa, meu amor?
Eu não conseguia dizer nada ao meu pai. A mágoa de saber que ele foi capaz de fazer isso comigo era grande demais. Além disso, sentia uma dor profunda. Apenas o empurrei para trás, me afastando, e respondi:
- Eu nunca vou te perdoar pelo que você fez comigo. Você me vendeu como se eu fosse um animal ou uma mercadoria. Esse vício seu não tem limites. Vendeu a única pessoa que ficou ao seu lado. Eu deveria ter pego minhas coisas anos atrás e ido embora, assim como minha mãe fez com você. Eu te odeio, principalmente pelo fato de ter vivido uma vida desgraçada todos esses anos ao seu lado.
- Filha, por favor, não fale assim. Eu vou dar um jeito de recuperar tudo o que perdemos, eu prometo. Vou te tirar dessa situação. - ele tentou se aproximar de mim, mas eu o empurrei para trás, completamente furiosa, e respondi:
- Não prometa algo que você não pode cumprir! Se realmente pudesse recuperar tudo o que perdemos, não estaríamos falidos hoje em dia. O que me assusta é a sua coragem de fazer isso comigo. Você é monstruoso.
Sentia-me completamente destruída, mas não iria derramar uma lágrima, pois o meu pai não merecia nenhuma delas. Então, o homem novamente se pronunciou, me observando com seriedade:
- Bom, acredito que já se despediram, certo? Derek, leve imediatamente essa garota para a minha casa e peça para Lupita cuidar dela. Assim que eu sair do Cassino, irei para casa. E quanto a você, garota, acredito que seja bom começar a se comportar. Já ouvi dizer que é bem malcriada, mas costumo adestrar bichos selvagens, e você não seria diferente.
- Só para você ter ideia, eu não sou um bicho, caso não tenha reparado. Sou um ser humano, e exijo que você me respeite.
O homem me observou com bastante desdém e se aproximou, apertando meu queixo com certa brutalidade enquanto respondia:
- Preste bem atenção em como fala comigo, garota! Eu não sou seu pai, muito menos um moleque. Ou você me respeita daqui para frente, ou sofrerá as consequências de tudo o que me responder. Derek, leve-a daqui antes que eu resolva levá-la para aquela sala e dar uma correção que ela merece.
O homem rapidamente puxou-me para fora enquanto observava aquele homem maldito que tinha um semblante sério, me analisando com aqueles olhos amarelados. Eu não sabia se sentia medo ou atração. Talvez fosse uma mistura dos dois. Deveria estar louca por sentir algo assim por esse homem tão perverso e frio que mal conheço.
༺ Mia Carrozzini ༻
Eu não tive escolha senão acompanhar aquele homem. Percebi que o Senhor Mourett não brincava em serviço quando o segurança me advertiu para não provocar sua fúria. Não conseguia acreditar que isso estava acontecendo comigo. Tudo o que eu queria era terminar meus estudos, começar uma nova vida e me formar, mas mais uma vez meu pai destruiu meus sonhos e minha vida.
Enquanto era levada por um dos homens do Senhor Mourett, eu chorava. Agora, ficaria trancafiada em uma mansão contra minha vontade. Meus sonhos seriam interrompidos e eu não tinha ideia de quanto meu pai devia a esse homem, mas provavelmente era uma grande quantia. Isso faria com que eu vivesse como escrava dele pelo resto da vida.
Às vezes, me perguntava por que minha mãe me deixou com meu pai. Se ela tivesse me levado, talvez eu fosse poupada de ser vendida como uma mercadoria. Observava as casas rapidamente enquanto era levada para esse lugar maldito e não conseguia parar de chorar. O motorista do carro me olhou seriamente pelo espelho e comentou:
- Se me permite dar um conselho, é melhor parar de chorar. O Senhor Mourett não gosta de mulheres choronas, isso o irrita. E, outra coisa, não ouse responder a ele. Achei que ele foi até bonzinho com você, mas se você fizer isso de novo, ele vai te punir.
- Não é surpreendente que ele aja dessa maneira. Ele é um bandido! Ainda não consigo acreditar que meu pai fez isso comigo. Foi muita crueldade da parte dele me vender para um desconhecido. - por um momento, percebi que o motorista me olhou com compaixão.
Talvez ele estivesse apenas cumprindo ordens, mas fazia parte da corja desse homem maligno.
- Sinto muito por você. Mas o que estou dizendo é um conselho. Agora, você decide se quer segui-lo ou não. Seu Mourett não suporta que mulheres o desafiem. Se ele te bater, não reclame depois. Ele é sempre cruel e frio e não costuma ter bondade com ninguém! A única pessoa que ele trata bem é a governanta, Lupita, que o criou desde criança.
- Entendi perfeitamente! Você não precisa me dizer duas vezes. Mas não consigo aceitar ser tratada como uma prostituta e ser obrigada a ser escrava sexual dele também. - O motorista continuou me observando pelo espelho e não respondeu.
- Não reclame muito! Seu Mourett é ainda mais tolerante do que os irmãos. Não sei o que ele fará com você, pois geralmente eles mandam mulheres como você para um harém. Porém, ele decidiu levá-la para a mansão. Se me perguntar o motivo, não sei dizer, mas deve haver alguma intenção por trás.
- Se você não sabe, imagine eu, que estava em casa dormindo e acabei acordando com uma ligação desesperada do meu pai, pedindo que eu fugisse, pois homens estavam indo invadir minha casa para me levar a um lugar desconhecido. - o homem ouve calmamente o que digo, talvez já esteja acostumado com esse tipo de situação.
- Como eu disse antes, sinto muito! Mas aqui, eu sou apenas um motorista que segue ordens!
- Tudo bem, entendi! No final, não tenho muita escolha a não ser aceitar meu novo destino...
Quem diria que, aos meus 19 anos, eu estaria sendo vendida para um desconhecido com muito dinheiro, que, segundo o motorista, deve ter irmãos tão poderosos quanto ele. Certamente, ele deve fazer parte de uma grande quadrilha criminosa. Eu nem gosto de imaginar.
Meu pai se envolve com todo tipo de gente ruim. Tinha que se envolver com um bandido. Às vezes, penso que minha mãe o deixou por medo de morrer devido a esses jogos sujos dele. Queria saber onde ela está agora. Nem sei por que estou pensando nela. É melhor esquecê-la, pois ela já partiu há muito tempo. Nunca entenderei uma mãe que é capaz de abandonar um filho.
Minha cabeça está fervilhando com várias perguntas sobre o que será da minha vida daqui para frente. Não sei o que esperar desse homem, pois percebi através daqueles olhos amarelados que ele não é alguém carinhoso ou educado. Talvez ele seja quando é preciso, mas parece ser bem mal, principalmente com a maneira que se pronunciou para mim, não gostando do meu comportamento.
Saio dos meus devaneios ao perceber que o carro parou e engulo em seco, pois não sei o que me espera dentro dessa mansão. Não posso imaginar o que acontecerá comigo lá dentro, só espero que esse homem não seja algum tipo de maníaco. O motorista, comenta sorrindo, talvez tentando ser um bom anfitrião:
- Senhorita, pode descer! Dona Lupita já está aguardando por você. Antes que eu esqueça, meu nome é Jean.
- Obrigada, Jean! Você foi muito gentil comigo desde que entrei no carro. - ele acena concordando com as minhas palavras e responde seriamente.
- Se precisar de algo, pode me dizer! A Lupita está esperando por você na varanda da mansão, pode ir...
Apenas aceno concordando e me afasto indo em direção àquela enorme mansão. Meu Deus, o que será da minha vida agora? Assim que chego mais perto, percebo uma senhora com uma roupa toda preta, provavelmente a governanta da casa. Ela tem um olhar sério e também é ruiva. Ela me observa por alguns segundos e dá um sorriso acolhedor. Acredito que ela seja gentil.
- Você deve ser a Mia? Mourett já me avisou sobre você. Até preparei um quarto e roupas para você, porque pelo que percebo, não trouxe nada.
- Bom, eu não tive muito tempo. Fui arrancada e trazida à força. Ainda estou inclusive com a roupa de dormir! Estou tentando assimilar tudo o que aconteceu comigo, sabe? - a senhora parece triste ao saber disso responde entendendo a minha angústia e principalmente o meu desespero.
- Oh, menina, eu entendo! Mas aqui você será tratada bem. Prometo. Só não afronte seu Mourett, pois ele me falou no telefone que você é muito abusada e petulante. Isso o deixa irritadíssimo. Evite que ele a coloque de castigo.
- Me desculpe, eu vou tentar me manter na linha! Porém, eu não queria estar passando por nada disso! Ainda é difícil acreditar que meu pai teve coragem de me vender para pagar sua dívida. - mais uma vez, a senhora parece comovida com a minha confissão e respondeu.
- Novamente, sinto muito, minha querida! Mas Mourett trouxe você aqui por algum motivo especial, você deve ter algo de valor, nem todas as garotas têm a mesma sorte. Ainda não entendi por que ele decidiu mandá-la para a mansão. Geralmente, quando um pai troca uma filha assim, ele a envia diretamente para o harém dos irmãos. Você não é a primeira a passar por isso, acredite.
- Só tenho medo do que vai acontecer comigo daqui para frente, dona Lupita! Não consigo aceitar essa nova realidade...
Não consegui me controlar e acabei chorando, porque não queria ficar naquele lugar. Só queria voltar para casa e esquecer que tudo aquilo não passava de um pesadelo, mas não era possível, pois era real. Não podia acordar e dizer: "Nossa, foi apenas um sonho ruim". Aquilo era a realidade nua e crua. Lupita então me abraçou e me consolou.
- Sei que está assustada, Mia! Mas Mourett não é uma pessoa tão ruim, só quando ele quer. Tem um temperamento forte, porém, se for uma garota boa, ele a tratará bem. Eu também estarei aqui para cuidar de você, não se preocupe. Agora, vamos subir? Vou levá-la para o seu quarto. Quer comer alguma coisa antes de se deitar?
- Obrigada, a senhora parece uma pessoa muito gentil! Será bom ter ao menos a sua companhia, já que agora sou a nova moradora da casa.
Acompanhei Lupita para dentro da mansão e não deixei de notar o quão luxuosa era por dentro. Tudo era muito moderno e, ao mesmo tempo, chique. Realmente, esse cara tinha muito dinheiro. Não entendia por que ele pegava mulheres como pagamento de seus devedores. Mas também não ia perguntar isso para Lupita. Era cedo para encher-lhe de perguntas.
Como me deitei cedo, acabei não jantando. Então, Lupita fez questão de me oferecer um bolo com um copo de leite e, claro, aceitei de imediato, pois meu estômago estava roncando. Assim que terminei, ela me levou até meu quarto e me disse que tudo estava preparado. Havia separado algumas roupas e disse que Mourett mandaria um de seus fornecedores para trazer roupas novas, tudo o que eu precisasse, incluindo sapatos. Concordei e decidi me deitar naquela imensa cama. Nem parecia minha cama apertada do quartinho.
Soltei um suspiro tentando controlar as lágrimas, por que meu pai tinha que fazer isso comigo? Ele deveria ter oferecido a casa, ou sei lá, o seu carro, mas escolheu a mim, que sempre o ajudei. Não entendo isso. Acredito que nunca vou perdoá-lo pelo que acabou fazendo comigo. Antes de fechar os olhos e dormir pela exaustão, pensei:
"Que vida cruel fui fadada a carregar? Abandonada pela minha mãe e vendida na vida adulta pelo meu próprio pai... Por que tanto sofrimento? Será que algum dia serei feliz de verdade?"
༺ Oliver Mourett ༻
No meu cassino, havia os piores tipos de pessoas, desde viciados em jogatina até contrabandistas e traficantes de drogas, e todos eles vinham aqui jogar e acabavam perdendo muito dinheiro. Não entendia esse bando de idiotas que, quanto mais perdiam dinheiro, mais continuavam se afundando em dívidas, como era o caso de Afonso Ricardo Carrozzini. Ele me devia até os cabelos do rabo por gostar tanto de jogar e sair com as mulheres do cassino.
Todas as vezes, ele assinava uma promissória me dando alguma coisa para garantir o dinheiro que ele gastava quando pegava emprestado comigo por mês, e sua dívida foi só acumulando. Então, fui até o meu contador para saber quanto ele estava me devendo. Já passava de dois milhões e meio, e eu não podia deixar essa dívida continuar, então mandei investigar a vida dele.
Acabei descobrindo que ele não possuía nada, a não ser uma casa que ficava no Brooklyn. Não acreditava que eu tinha caído em um golpe com aquele, já que sou sempre precavido. Claro que, quando ele chegou com um nome daqueles, bem vestido, eu acreditei que ele era mais um milionário idiota que estava ali torrando todo o seu dinheiro, e fui abrindo crédito para esse imbecil.
Quando o chamei até o meu escritório, ele afirmou que não tinha o dinheiro, mas que emprestaria de um amigo. Porém, percebi que ele estava tentando fugir. Mandei que os meus homens o segurassem e lhe dessem uma surra para que ele aprendesse, e avisei que, se ele não pagasse tudo que me devia, ele provavelmente perderia sua vida, porque eu não sou o tipo de homem que tolera dívida em dinheiro. Ou me paga o que deve, senão infelizmente acabo cobrando de outra maneira. Sempre foi assim.
Tinha que manter o respeito que o cassino possuía. Se eu fraquejasse com ele, todos se achariam no direito de fazer o mesmo. O homem implorou tentando hipotecar o carro e a casa, porém afirmei que o que ele tinha não pagava nem metade da dívida. Continuou implorando até que resolveu me oferecer a sua filha. Olhei desacreditado como ele teve essa coragem de fazer isso? Um homem como ele era nojento, pois não tinha escrúpulos. Continuei ouvindo a sua proposta.
Ele me falou que sua filha valeria a pena, pois era uma mulher muito bonita, sem falar que tinha apenas 19 anos e era virgem. Confesso que quando ele me disse aquilo, atiçou minha curiosidade.
Eu nunca havia ficado com uma mulher virgem. Geralmente acabava transado com essas mulheres de dívida, mas quando passava alguns meses eu simplesmente as liberava e afirmava que a dívida estava paga e claro, mandava elas sumirem do mapa.
Então mandei os meus homens irem atrás da garota. Eu realmente queria vê-la para ver se valeria a pena. O segurança me afirmou que ela havia dado trabalho para entrar no carro. Eles tiveram que dopá-la para que ela pudesse vir sem se recusar. O homem me observava nervoso e claro, parecia arrependido de ter me proposto isso.
Quando a garota chegou, afirmei para que ele fosse comigo até lá, pois eu queria ver a cara que ele iria encarar filha após tê-la vendido para pagar parte da dívida. Ele de imediato recusou e disse haver mudado de ideia. Porém, fui sincero quando disse que não aceitava que alguém retrocedesse da sua palavra e assim que entramos percebi que a garota acabara de acordar. Ela era realmente um anjo de tão bela e parecia assustada com tudo que acontecia.
Mas além de ter muita beleza, ela também era bastante petulante e respondona e aquilo me atiçava ainda mais. O homem praticamente implorou para que eu mudasse de ideia, porém não voltei na minha palavra e quando ele tentou pedir perdão para filha, ela simplesmente virou a cara e pediu que ele se afastasse, pois jamais iria perdoá-lo pelo que ele havia feito.
No final fiz. Ele assinou um documento que ele havia aceitado vender a filha como parte do pagamento e afirmei querer o restante do dinheiro e que desse um jeito de me pagar, porque eu não tolerava gente caloteira. A garota ainda tentou me responder, porém, a coloquei em seu devido lugar.
Depois disso, mandei que a levasse para minha casa. Eu não costumava tomar essa decisão, no entanto, a tal de Mia tinha me atraído muito, até mesmo me deixado bastante excitado por me afronta daquela forma.
Mulheres como elas me davam fetiche de puni-las de uma forma gostosa e as calarem com o meu pau, para baixarem essa crista de petulância e ousadia.
Continuo trabalhando no cassino e, mesmo cansado, preciso cuidar dos meus negócios. Quando finalmente decidi ir para casa, já passava das 4 da manhã. Passei pela gerência e falei com meu contador para fechar tudo. Assim que saí do cassino, Jean já me aguardava do lado de fora. Entrei rapidamente na limousine e ele me deu boa noite.
- Boa noite, senhor! Foi mais um dia cansativo, não é?
- Nem imagina como foi estressante! E a garota deu bastante trabalho quando você a levou para casa? - enquanto ele ligava o carro, responde com sinceridade.
- Bom, ela continua indignada, não acreditando que o pai teve coragem de fazer aquilo com ela!
- Eu imagino! Já pensou, você está dormindo e acaba tendo que fugir da sua casa de homens armados sem saber o que está acontecendo? Mas a culpa não é minha, ele devia muito dinheiro ao cassino e, já que não tem como pagar, resolvi tomar a sua filha. - Jean apenas concordou com as minhas palavras e continuou dirigindo enquanto me deixava perdido em meus pensamentos.
Não faço ideia de como será minha convivência com essa garota, mas espero que ela colabore. Se ela for petulante, não vai durar muito tempo ao meu lado. Vou mandá-la para o harém do meu irmão. Depois de alguns minutos, finalmente cheguei em casa. Assim que passei pela porta, Lupita ainda se encontrava acordada. Ela se aproximou sorrindo e perguntou:
- Meu menino, finalmente você chegou? Como foi no trabalho?
- Lupita, o que você faz acordada uma hora dessas? Já são mais de 4 da manhã. - pude perceber que ela ainda estava de pijama.
- Ah, menino, levantei para beber água, pois estava com muita sede! Então, acabei ouvindo o seu carro chegar e vim ver se era você.
- Como sempre, não deixa de agir como uma mãe preocupada! Volte para a cama, já está muito tarde. Eu agradeço, mas não gosto que você fique acordada até tarde. - ela apenas sorriu concordando e respondeu.
- Menino, não se preocupe comigo, eu só estou cumprindo uma função porque mesmo que você não aceite, eu me sinto a sua mãe! Sabe que sua mãe não está mais aqui, mas ela me pediu para continuar cuidando de todos vocês com muito amor.
- Agradeço pelo carinho, minha nona! Você sempre foi uma mãezona, pois eu te considero assim. Mas me diga, minha nova hóspede se adaptou bem à mansão? - Lupita olhou para o andar de cima e respondeu.
- Ela já chorou muito, senhor! Você vai mesmo mantê-la aqui contra a própria vontade?
- Sim, Lupita, eu vou! Seu pai me vendeu ela para pagar metade da dívida, e eu planejo fazer essa mulher virar minha esposa, pois é a primeira que me interesso após anos. - Lupita me olha surpresa e responde.
- Nossa, isso é novidade. Geralmente, você sempre fica com uma até enjoar e depois manda para o harém do seu irmão! Mas acredito que não será fácil, viu? Porque ela não concorda com o que seu pai fez com ela.
- Por mim, eu não ligo! Ela querendo ou não vai virar minha mulher, e deve se dar por satisfeita, pois as mulheres que costumo mandar para o harém recebem um tratamento não muito amigável. - percebo que Lupita me observa com tristeza.
Talvez ela não goste do que estou conduzindo, mas essa é minha vida. Cresci nesse meio, meu pai era assim e, se duvidar, até pior. Então, ela responde:
- Menino, me prometa que você não vai fazer mal a ela? Por favor, tenha paciência. Ela parece ser uma boa garota, acredito que não merece muita maldade.
- Isso vai depender dela. Se me tratar bem, talvez eu seja um homem bom! Agora, se ela resolver ser petulante e respondona, pode ter certeza de que as consequências virão! - entendo como Lupita se sente por ela ser mulher.
Deve ser horrível ouvir uma coisa dessas. Mas, como um milionário e ainda por cima tendo que assumir outros negócios obscuros do meu pai, não me importo muito com os sentimentos de ninguém, exceto os dela, que me criou como se eu fosse seu filho.
- Tenho certeza de que ela vai ser uma boa garota! Só não a faça sofrer. Ela parece que não teve muita sorte na vida. O pai dela deve tanto dinheiro a você assim?
- Sim, ele deve mais de dois milhões de dólares. Nunca vai ter esse dinheiro para me pagar, Lupita. Você entende a gravidade da situação? - Lupita parece muito chocada ao perceber o valor que o pai da garota me deve e responde.
- Nossa, não entendo como um cara faz uma dívida tão grande dessas se não vai ter dinheiro para pagar. É muita coisa para eu administrar. Vou me deitar, tenha uma boa noite, menino.
- Pode ter certeza de que terei, Lupita! Agora, vai descansar....
Ela apenas concorda com as minhas palavras e segue na direção do seu quarto. Eu, por minha vez, sirvo-me de uma dose de uísque e continuo olhando seriamente para a área de cima. Decido subir e dar uma olhada na petulante. Assim que chego em seu quarto e aperto a maçaneta da porta, percebo que está aberta. Ótimo, ela entendeu que não está em sua casa para fechar ou simplesmente trancar a porta.
Entro silenciosamente no quarto e percebo que ela está dormindo. A única coisa que ilumina o quarto é a luz da lua. Então, aproveito para admirá-la. Mia é realmente uma mulher bastante bonita e tem uma inocência que me atrai, que não sei explicar. Continuo percorrendo com meus olhos do seu rosto para o seu busto e finalmente aos seus seios.
Não deixo de retirar o lençol para terminar de admirar seu corpo. Apesar de estar com um pijama um pouco grande, ela realmente tem uma silhueta linda. Ela se espanta ao perceber que está sendo observada e quando faz menção de gritar ou algo assim, rapidamente tampo sua boca com uma das minhas mãos e comento de maneira séria, a observando.
- Xi! Não se atreva a gritar. Eu não vou te fazer mal. Porque se você acabar abrindo a sua boca, vai acordar os funcionários da casa. Não quero isso. Se você não me obedecer, já sabe o que vou te fazer, né? - ela apenas balança a cabeça concordando, enquanto me observa amedrontada.
Percebo que ela está com bastante medo de mim. Realmente tenho um jeito de causar um impacto ameaçador nas pessoas.