Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > Comprada por você (Dark Romance)
Comprada por você (Dark Romance)

Comprada por você (Dark Romance)

Autor:: Cass Razzini
Gênero: Bilionários
Após a perda da mãe, Mariana se tornou o pilar que sustenta sua família. Com apenas 17 anos, ela trabalha arduamente como garçonete para garantir o sustento dos dois irmãos pequenos enquanto seu pai se deixou levar pelo álcool. Quando seu pai toma uma decisão desesperada e oferece Mariana como pagamento a Pedro, um mafioso temido pela redondeza. Inicialmente, o mafioso rejeita a ideia, mas seu lado sombrio o leva a um acordo desumano. Ele compra a Mariana não por desejo genuíno, mas como uma oportunidade lucrativa, planejando negociar a pureza dela com para lucrar no seu bordel, assim que ela completar dezoito anos. Enquanto a maioridade de Mariana se aproxima, ela se vê arrastada para o perigoso mundo de Pedro, onde surge uma atração inevitável entre eles, desafiando todas as probabilidades e colocando à prova a determinação de Pedro em entregá-la a um homem ainda mais cruel e impiedoso. ME SIGA NAS REDES SOCIAIS @CASSESCREVE / AUTORA CASS RAZZINI

Capítulo 1 Laços de Sangue

MARIANA

Sinto-me como se estivesse observando o mundo através de um vidro embaçado, distante e turvo. Sentada à beira do jardim, vejo Gabriel e Sofia brincarem, suas risadas ecoando no ar como pequenos raios de sol tentando penetrar a densa névoa que envolve meu coração. O sorriso nos rostos inocentes dos meus irmãos é como uma luz frágil em meio à escuridão que nos cerca. Mas, por mais que eu queira me deixar envolver por essa alegria infantil, uma sombra persistente de tristeza e preocupação paira sobre mim.

- Mariana, olha só o que eu fiz! - Gabriel chama, exibindo orgulhoso sua última construção de blocos de madeira.

- É incrível, Gabriel! - respondo, forçando um sorriso. Mas por dentro, meu coração está apertado, ciente da dor que se esconde por trás da fachada de normalidade que tentamos manter.

Sofia corre em minha direção, seus cachos dourados balançando ao vento, e me abraça com força.

- Mariana, a mamãe está no céu, não é?

As palavras dela cortam como facas afiadas, perfurando meu peito já machucado pela saudade e pela perda.

- Claro, querida. - Minha voz soa fraca, e as lágrimas ameaçam transbordar.

Enquanto Sofia volta a brincar, meu olhar se volta para meu pai, sentado no banco do jardim, uma garrafa de whisky em uma mão e o olhar perdido no horizonte. Ele costumava ser meu porto seguro, mas agora é apenas uma sombra, um eco distante do homem que um dia conheci. E assim, com o peso da responsabilidade sobre meus ombros e o vazio da perda pesando em meu peito, sinto-me como se estivesse lutando para manter a cabeça acima da água em um mar de incertezas e desolação.

Meu coração dói ao ver meu pai se levantar do banco, seu corpo balançando desajeitadamente como uma marionete desgovernada. Seus olhos, antes tão cheios de vida e ternura, agora estão opacos e vazios, refletindo a escuridão que o consome por dentro.

- Pai... - minha voz sai como um sussurro frágil, perdido no vento.

Ele me encara por um momento, seus lábios se movendo em uma tentativa de formar palavras que nunca chegam a sair. É como se ele estivesse preso em um pesadelo do qual não consegue acordar, perdido em um labirinto de dor e arrependimento.

- Mariana... - ele finalmente murmura, sua voz um eco distante do homem que costumava ser.

Tento encontrar algum resquício do pai amoroso que um dia conheci, mas ele parece tão distante agora, envolto em uma névoa de tristeza e desespero. E enquanto ele luta para manter o equilíbrio, sinto-me afundando em um mar de angústia e impotência.

Um soluço escapa dos meus lábios, e eu me obrigo a engolir as lágrimas que ameaçam transbordar. Preciso ser forte, não apenas por mim mesma, mas por Gabriel, por Sofia e, de alguma maneira, também por ele. Mas a dor de ver meu pai tão perdido é quase insuportável, uma ferida aberta que parece nunca cicatrizar.

Com cada batida do meu coração, sinto uma chama de determinação se acender dentro de mim, desafiando a escuridão que ameaça me consumir. Ergo-me do banco do jardim com os olhos fixos no horizonte, determinada a não me render ao desespero que tenta me arrastar para baixo.

- Mariana, você vai brincar com a gente? - Gabriel me chama, seus olhos brilhando com expectativa.

- Claro, Gabriel. - Minha voz é firme, embora meu coração esteja pesado. Não posso permitir que meus próprios medos atrapalhem a felicidade deles.

Com um suspiro profundo, faço uma promessa silenciosa a mim mesma. Prometo ser forte, não importa quão difícil seja o caminho que temos pela frente. Prometo proteger Gabriel e Sofia com todas as minhas forças, mesmo que isso signifique sacrificar minha própria felicidade.

Olho para eles, meus preciosos irmãos, e uma sensação de determinação renovada toma conta de mim. Não importa o que o destino nos reserve, enfrentaremos juntos. Juntos, enfrentaremos o futuro com coragem e esperança, prontos para qualquer desafio que possa surgir em nosso caminho.

Com um sorriso forçado nos lábios, eu me uno a Gabriel e Sofia, deixando que a inocência e a alegria da infância me envolvam, mesmo que seja apenas por um breve momento. Seguro suas mãos pequenas e frágeis com ternura, prometendo protegê-los do mundo cruel lá fora, mesmo que isso signifique enfrentar meus próprios demônios.

À medida que nos entregamos à brincadeira, o jardim parece ganhar vida ao nosso redor. Gabriel corre atrás de Sofia, suas risadas infantis cortando o ar como facas afiadas, dissipando a quietude que antes pairava sobre nós. O sol lança seus raios dourados sobre a grama verde, criando padrões de sombra e luz que dançam ao sabor do vento.

Enquanto observo meus irmãos pequenos se divertirem, um calor reconfortante se espalha pelo meu peito, dissipando o frio que a tristeza e a incerteza trouxeram. É como se um raio de esperança tivesse encontrado seu caminho através da escuridão que nos envolve, iluminando nosso caminho com uma suave luminosidade.

Talvez, apenas talvez, haja uma chance para nós. Uma chance de encontrar a felicidade, mesmo nos momentos mais sombrios e desafiadores. Nossas risadas misturam-se ao som dos pássaros cantando nas árvores próximas, criando uma sinfonia de alegria que parece ecoar através do tempo e do espaço.

O sol derrama seus raios dourados sobre nós, criando uma aura de calor e felicidade enquanto brincamos no jardim. Meus irmãos, Gabriel e Sofia, estão radiantes de alegria, seus rostos iluminados pelos sorrisos contagiantes que parecem banir qualquer sombra de tristeza. Eu me uno a eles, deixando-me envolver pelo espírito leve e despreocupado da infância, mesmo que seja apenas por um momento fugaz.

- Gabriel, você consegue alcançar aquela bola lá no alto? - pergunto, incentivando-o a desafiar os limites que parecem tão distantes para uma criança pequena.

- Acho que sim, vou tentar! - responde ele, determinado a conquistar o desafio.

Sofia, não querendo ficar de fora da diversão, oferece sua ajuda com um brilho travesso nos olhos.

- Eu quero ajudar também!

Com um sorriso, eu os encorajo a trabalharem juntos, unindo suas forças e habilidades em prol de um objetivo comum. Vejo-os unirem-se em uma colaboração instintiva, seus corpos pequenos e ágeis se movendo em harmonia enquanto buscam alcançar a bola presa no galho mais alto da árvore.

- Isso mesmo, vocês estão quase lá! - incentivo, sentindo meu coração se encher de orgulho ao ver a determinação nos olhos deles.

Finalmente, com um grito de triunfo, Gabriel alcança a bola, e Sofia comemora ao lado dele. O brilho de conquista em seus rostos é como uma luz brilhante em meio à escuridão que ameaça nos engolir.

- Vocês são incríveis! - exclamo, meus olhos se enchendo de lágrimas enquanto abraço meus irmãos, agradecendo silenciosamente por esse momento de felicidade fugaz.

E, apesar das sombras que pairam sobre nossas vidas, eu me agarro a essa lembrança, prometendo guardar este momento de alegria como um tesouro precioso em meio à escuridão que nos cerca.

Capítulo 2 A Tempestade se Aproxima

MARIANA

A segunda-feira se arrasta até a noite, envolvendo minha casa em uma sombra pesada de desespero. Ao chegar da rua após mais um exaustivo dia de trabalho como garçonete, sinto o peso da fadiga se acumulando em meus ombros já cansados. Atravesso a porta com passos pesados, a atmosfera carregada no ar me envolvendo como um manto sombrio.

Meu olhar cai sobre os papéis amontoados sobre a mesa, uma pilha de contas não pagas e cartas de cobrança, como uma montanha de desespero que ameaça nos engolir por inteiro. Meu pai está tenso, as olheiras profundas e o semblante abatido revelando a batalha silenciosa que ele enfrenta contra as dívidas que parecem crescer a cada dia. Seus ombros curvados sob o peso do fardo financeiro que ele não consegue suportar sozinho.

Eu observo com um aperto no peito, consciente de que a situação da nossa família está se deteriorando rapidamente. A tensão no ar é palpável, como uma corda esticada até o limite, pronta para se romper a qualquer momento. E eu, impotente diante da avalanche de problemas que nos assola, me sinto como se estivesse afundando em um abismo sem fim.

Os meus passos ecoam pelo ambiente, mas parece que mesmo o silêncio ao meu redor está carregado de angústia e preocupação. Enquanto observo meu pai enfrentar a pilha de papéis, sinto uma mistura de tristeza e determinação se agitar dentro de mim.

- Pai... - murmuro, minha voz falhando diante da magnitude dos problemas que nos cercam.

Ele ergue os olhos cansados para me olhar, um lampejo de tristeza refletindo em seu olhar.

- Mariana, eu... Eu estou tentando, mas parece que nunca é o suficiente... - ele confessa, a voz embargada pela frustração.

Eu me aproximo lentamente, deslizando minha mão sobre seu ombro em um gesto de conforto silencioso. Mas por dentro, sinto o peso esmagador da responsabilidade sobre meus próprios ombros, a necessidade desesperada de encontrar uma solução para os problemas que ameaçam nos engolir vivos

Meu pai abaixa a cabeça, a vergonha pintando suas feições cansadas enquanto ele murmura:

- Sinto muito, filha... As dívidas hospitalares da sua mãe... Elas acabaram com a gente. Eu... Eu não tive outra escolha.

Uma onda de compaixão misturada com frustração me invade enquanto o escuto. As lágrimas ameaçam brotar dos meus olhos, mas eu me forço a ficar forte, pelo menos por enquanto.

- O que está acontecendo, pai? O que você fez? Você... Você está alucinado por tanto álcool? - questiono, a voz trêmula de emoção contida.

A companhia toca e meu pai se apressa para atender, seu semblante tenso revelando a urgência de encontrar uma solução para nossos problemas. O coração aperta dentro do meu peito enquanto observo a cena se desenrolar diante dos meus olhos, temendo o que pode vir a seguir.

O toque insistente da campainha irrompeu no silêncio pesado da sala, arrancando-me dos meus pensamentos tumultuados. Meu pai se moveu com pressa para atender, sua expressão tensa revelando a urgência de encontrar uma solução para nossos problemas financeiros. Eu me mantive onde estava, observando com uma mistura de apreensão e curiosidade enquanto ele abria a porta.

Um calafrio percorreu minha espinha quando me deparei com o homem parado do outro lado. Seus traços sombrios e o olhar penetrante me deixaram arrepiada, e sua presença na minha casa era como um aviso silencioso de perigo iminente.

- Quem é esse, pai? O que está acontecendo? - minha voz saiu trêmula, incapaz de ocultar a preocupação que se instalara em mim.

Meu pai hesitou por um momento, antes de responder com uma voz tensa:

- É apenas um amigo, filha. Precisamos conversar sobre alguns assuntos.

Os olhares nervosos que trocaram não passaram despercebidos por mim, e eu senti o peso da tensão que pairava no ar. Havia algo obscuro e sinistro nessa reunião improvável, e eu sabia que não podia ignorar as advertências silenciosas que ecoavam na minha mente.

Eu me aproximo lentamente, sentindo uma mistura de medo e curiosidade percorrer minhas veias enquanto observo a troca de olhares entre meu pai e homem. Uma sensação de inquietação se instala no fundo da minha mente, uma advertência silenciosa de que o caminho que estamos prestes a seguir pode nos levar para além do ponto sem retorno.

O silêncio tenso paira sobre nós enquanto meu pai e homem continuam sua conversa em murmúrios ansiosos. Meus olhos buscam os dele, implorando por uma explicação que ele parece incapaz de fornecer. Finalmente, ele se vira para mim, sua expressão carregada de dor e culpa.

- Mariana, eu... - ele começa, mas as palavras parecem se perder em sua garganta, engolidas pela sombra dos segredos que ele guarda.

Eu o encaro com olhos cheios de questionamentos, minha mente lutando para entender o que está acontecendo. Mas antes que eu possa dizer mais alguma coisa, o homem se volta para mim, um sorriso frio nos lábios.

- Você é Mariana? - sua voz é suave, mas há um peso sinistro por trás de suas palavras.

Eu engulo em seco, sentindo um calafrio percorrer minha espinha enquanto assinto lentamente. A tensão no ar é quase palpável, como uma tempestade prestes a desabar sobre nós a qualquer momento.

- Boa noite, senhorita Mariana. Seu pai e eu estamos apenas discutindo alguns assuntos de negócios. Nada com que você precise se preocupar.

Sinto um arrepio percorrer minha espinha ao ouvir suas palavras, um instinto primal me alertando para a verdade oculta por trás da fachada de normalidade que ele tenta projetar. Há algo de errado, algo obscuro pairando no ar, e eu temo que minha família esteja prestes a ser arrastada para um abismo do qual não há retorno.

Meu coração martelava descompassado dentro do peito, e minhas mãos tremiam ligeiramente quando finalmente encontrei coragem para falar.

- Eu sou a Mariana, e o que o senhor está fazendo aqui? Quem é o senhor? - Minha voz saiu num sussurro trêmulo, carregado de nervosismo e incredulidade diante da situação.

O homem dirigiu seu olhar sombrio na minha direção, seus olhos parecendo penetrar minha alma com uma intensidade intimidadora. Um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu me mantinha firme, lutando para não ser dominada pelo medo que ameaçava me paralisar.

Meu pai lançou-me um olhar rápido, uma mistura de preocupação e frustração refletida em seus olhos cansados. Ele abriu a boca como se fosse dizer algo, mas então hesitou, como se estivesse lutando contra alguma batalha interna que eu não conseguia compreender.

- Mariana, por favor... Vá para o seu quarto. Isso não é assunto para você se preocupar. - sua voz soou áspera, mas contida, como se ele estivesse tentando proteger-me de algo que ele próprio não compreendia completamente.

A sensação de inquietação que me consumia só aumentava, e eu sabia que não poderia simplesmente ignorar o que estava acontecendo diante dos meus olhos. Eu precisava descobrir a verdade, custasse o que custasse.

Capítulo 3 Um Pacto Sombrio

MARIANA

Relutantemente, subi as escadas em direção ao meu quarto, mas a curiosidade e a inquietação me mantinham ancorada no último degrau. Meu coração batia descompassado, e uma sensação de perigo iminente pairava no ar, como se o ambiente estivesse carregado com a eletricidade estática de uma tempestade prestes a desabar.

No silêncio da escada, esgueirei-me sorrateiramente para um canto, meu corpo tenso enquanto observava a cena se desdobrar diante de mim. Pedro exalava uma aura enigmática, sua presença sinistra preenchendo a sala com uma tensão palpável que fazia os pelos da minha nuca se arrepiarem.

Os murmúrios da conversa entre meu pai e Pedro ecoavam no corredor, como o sussurro sinistro de uma tempestade se aproximando. Eu me sentia como uma intrusa em minha própria casa, presa entre a necessidade de descobrir a verdade e o medo do que eu poderia encontrar.

- Você sabe que isso não é certo, Pedro. Não podemos continuar assim... - a voz do meu pai soou carregada de preocupação e hesitação, enquanto ele tentava manter uma fachada de controle diante da presença ameaçadora do homem à sua frente.

- Você sabia no que estava se metendo desde o início, meu caro amigo. Não há como voltar atrás agora. - a resposta de Pedro foi impregnada com um tom sombrio e enigmático, como se ele soubesse algo que meu pai não estava disposto a admitir.

Eu me encolhi no último degrau da escada, os músculos tensos e os olhos fixos na porta entreaberta. Cada palavra trocada entre os dois homens parecia carregar um peso obscuro, e eu temia o que isso significava para o futuro incerto da nossa família.

Cada segundo que passava parecia uma eternidade, e eu mal conseguia conter a respiração enquanto aguardava, os músculos tensos e os sentidos aguçados. Uma sensação de desconforto crescente se instalou no meu peito, como se eu estivesse prestes a descobrir segredos que mudariam tudo que eu achava que sabia.

Meu coração martelava descompassado dentro do meu peito enquanto eu ouvia as palavras que selariam nosso destino. Consumido pelo desespero, meu pai concordava em um acordo arriscado, sem perceber as consequências terríveis que aguardavam no horizonte. Em troca de Pedro pagar suas dívidas, ele prometia entregar algo de valor inestimável - sua própria filha, eu, Mariana.

- Pai, você não pode estar falando sério... - minha voz saiu trêmula e embargada de incredulidade, enquanto eu lutava para processar a magnitude da revelação.

Meu pai desviou o olhar, uma expressão de dor e desespero se formando em seus olhos cansados.

- Eu sinto muito, Mariana. Eu não queria chegar a esse ponto, mas... não vejo outra saída. - ele murmurou, sua voz carregada de angústia e arrependimento.

Eu senti as lágrimas ameaçarem inundar meus olhos, o peso da traição e da desolação se abatendo sobre mim como uma avalanche imparável. A sensação de ser vendida como mercadoria, de ter meu destino determinado por um acordo obscuro, era avassaladora e inescapável.

- Isso não pode estar acontecendo... Não pode... - murmurei, minhas palavras soando como um lamento abafado no ar carregado de tensão.

Mas apesar da minha resistência, eu sabia que não podia mudar o curso dos eventos que estavam se desenrolando diante de mim. Eu era apenas uma peça no jogo sombrio que meu pai tinha sido forçado a jogar, e agora minha vida estava sendo leiloada em troca de um alívio temporário das dívidas que nos sufocavam.

Um nó se formou em meu estômago enquanto eu testemunhava a terrível decisão que meu pai era forçado a tomar. Meus olhos se arregalaram em choque e horror diante da revelação, incapazes de acreditar no que estava acontecendo diante de mim. Era como se o chão tivesse sido arrancado sob meus pés, deixando-me à mercê de forças além do meu controle.

As palavras ecoavam em minha mente como um mantra sinistro, repetindo-se incessantemente e enchendo-me de um terror indescritível. Eu queria gritar, correr, fugir daquela realidade distorcida que ameaçava me engolir inteira. Mas eu estava paralisada, enraizada no lugar pela magnitude da tragédia que se desenrolava diante dos meus olhos.

Meu pai lançou-me um olhar de angústia e pesar, uma expressão de dor e arrependimento marcando cada linha do seu rosto. Ele estava lutando contra seus próprios demônios, uma batalha silenciosa que eu mal podia compreender. E, apesar da torrente de emoções que me assolava, eu sabia que estava sozinha. Eu era a moeda de troca em um jogo cruel onde não havia vencedores, apenas perdedores.

O silêncio pesado que se instalou na sala era ensurdecedor, prenunciando o desastre iminente que nos aguardava. Eu me sentia como uma marionete nas mãos de forças além da minha compreensão, incapaz de escapar do destino sombrio que se desenrolava diante de mim. E enquanto o peso da decisão de meu pai ecoava em meus ouvidos, eu sabia que nada jamais seria o mesmo novamente.

O acordo é selado com um aperto de mãos sombrio entre o meu pai e Pedro. Meus olhos arregalados capturam cada detalhe desse momento, enquanto observo da escada, presa em um misto de horror e desespero. O gesto parece ecoar no ar, carregado com a gravidade sombria do pacto que acabara de ser feito, como se os próprios ecos do acordo ressoassem no âmago da minha alma.

- Está tudo resolvido, então? - a voz de Pedro soa como um sussurro sinistro, perfurando o silêncio carregado que envolve a sala.

Meu pai assente lentamente, uma expressão de resignação se formando em seu rosto tenso.

- Sim, está. Espero que você mantenha sua palavra, Pedro. - sua voz soa áspera, carregada com a tensão de quem sabe que está fazendo um pacto com o diabo.

Pedro abre um sorriso malicioso, o brilho de maldade dançando em seus olhos enquanto ele contempla o que está por vir.

- Pode ter certeza de que eu sempre cumpro minhas promessas, meu caro amigo. - sua voz é como melodia sombria, um presságio do que está por vir.

Eu assistia à cena de um canto escuro da escada, meu coração pesado e oprimido pelo peso do que estava acontecendo. Cada batida era como um eco do meu desespero silencioso, enquanto eu me sentia impotente diante da terrível escolha que fora feita.

Pedro abre um sorriso malicioso, o brilho de maldade dançando em seus olhos enquanto ele contempla o que está por vir. Seus olhos se encontram com os meus, e um arrepio percorre minha espinha enquanto eu me encolho ainda mais no canto, incapaz de desviar o olhar.

Lágrimas escorrem silenciosamente pelo meu rosto, um testemunho mudo da minha angústia e desespero diante do destino sombrio que me aguarda. Mas mesmo enquanto eu choro, eu permaneço inconsciente do que está prestes a acontecer, presa em um torpor de choque e negação. O futuro se estende diante de mim como um abismo negro e impenetrável, e eu me sinto como uma marionete nas mãos de forças além da minha compreensão.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022