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Compre-Me

Compre-Me

Autor:: KayCe
Gênero: Romance
Endividada até o pescoço e vendo a saúde da mãe se deteriorar por falta de recursos, Isabela luta com unhas e dentes para manter as contas em dia. Trabalhando em dois empregos e dormindo poucas horas por noite, ela ainda assim não consegue pagar os remédios caros que sua mãe precisa com urgência. Quando tudo parece perdido, sua melhor amiga sugere um "cliente especial" disposto a pagar uma quantia absurda por uma noite - uma proposta indecente que Isabela, orgulhosa e sonhadora, rejeita de imediato. Mas o colapso repentino da mãe a obriga a reconsiderar. Desesperada, ela aceita encontrar o tal cliente. O que ela não esperava era que seu primeiro cliente seria Leonardo De Santis, o bilionário mais cobiçado e frio do país, conhecido por sua beleza estonteante, sua fortuna colossal e seu desprezo por envolvimentos emocionais. O que era para ser apenas uma noite... pode mudar tudo.

Capítulo 1 Quando a Esperança Acaba

A luz azul do celular piscou pela terceira vez. Suspirei antes de virar a tela para cima. Outra notificação bancária.

Abri a mensagem como quem encara um monstro já conhecido.

"Saldo insuficiente para realizar o débito automático do aluguel."

Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede fria da cozinha. Eu já sabia. Sabia que não tinha o dinheiro. Sabia que nada entraria na conta hoje. Ainda assim, dói ver em palavras aquilo que eu tentava fingir que não existia: a vida está me engolindo.

Respirei fundo. Uma respiração profunda, cansada, do tipo que tenta encontrar forças não se sabe mais onde. Olhei ao redor. A pequena cozinha era apertada, mas até aconchegante. Se não fosse pelos azulejos lascados, pelo fio da geladeira remendado com fita isolante e pelo cheiro de mofo vindo da parede que dividia a área de serviço com o banheiro, quase poderia parecer lar.

Mas não era. Era o campo de batalha onde eu lutava todos os dias para manter minha mãe viva.

Do quarto, ouvi a tosse fraca dela. Me pus de pé na hora. Corri até lá e a encontrei sentada na cama, com o travesseiro nas costas e os olhos marejados de cansaço.

- Mãe, você está bem?

Ela forçou um sorriso. Aqueles sorrisos que toda mãe dá para fingir que está tudo bem, mesmo quando está despedaçada.

- Estou... só tossi um pouco.

- Eu vou preparar seu chá - falei, pegando o termômetro. - Deitou direitinho? Tomou os remédios?

Ela assentiu, mas eu sabia que mentia. Estava poupando os comprimidos. Já tinha feito isso antes, e eu percebi. Não porque ela quisesse, mas porque sabia que eles estavam acabando - e porque eu ainda não tinha conseguido pagar a última caixa que pegamos na farmácia, mesmo com o desconto da moça que se comoveu com a nossa história.

Abaixei o olhar, tentando engolir a culpa. Eu fazia tudo que podia. Trabalhava de manhã até o início da tarde como atendente numa cafeteria no centro e, à noite, em uma loja de conveniência 24h. Dormia quando dava, comia restos da cafeteria ou alguma coisinha vencida da loja. Vivia à base de café. A energia que me movia já não era mais física. Era necessidade.

Aos vinte e seis anos, minha vida se resumia a sobreviver.

Quando o chá ficou pronto, voltei ao quarto e entreguei a xícara à minha mãe com cuidado. Os dedos dela tremiam um pouco.

- Você vai melhorar - sussurrei, como se falando baixo pudesse tornar aquilo mais real. - A cirurgia está chegando. Só mais um pouco, tá?

Ela sorriu de novo. Aquela mulher era feita de aço e ternura. Aguentava dores intensas com a mesma dignidade com que fazia carinho no meu rosto. Sofria calada para não me preocupar, mesmo quando tudo dentro dela gritava.

Voltei à cozinha e me encostei na porta. Peguei o caderno velho onde anotava as contas. Aluguel: em atraso. Luz: vencida. Água: também. O cartão do mercado já estava estourado. E o principal: o dinheiro do remédio acabou.

Só tínhamos mais dois comprimidos.

Dois.

Fechei os olhos com força. Não adiantava chorar. Chorar não pagava conta, não salvava vidas, não comprava medicamento.

Peguei o celular e mandei uma mensagem para a Cinthia.

"Tá por aí?"

Ela respondeu em segundos.

"Tô sim, amiga. Tá tudo bem?"

"Posso te ver hoje à noite?"

"Claro. Te encontro no mesmo lugar de sempre?"

"Sim. Preciso conversar."

Cinthia era minha melhor amiga desde a faculdade, que eu infelizmente tive que abandonar no segundo semestre. Ela continuou. Arrumou um estágio, depois um emprego... e depois algo muito diferente.

Ela nunca me contou abertamente. Mas eu sabia. E hoje... pela primeira vez... eu estava cogitando ouvir.

O bar onde nos encontrávamos ficava num bairro boêmio da cidade. Não era caro, mas também não era o tipo de lugar onde se via pobreza escancarada. Cheguei atrasada, com o avental da cafeteria ainda sujo de café.

Cinthia me olhou com aquele olhar de quem já sabia. Não disse nada até que eu falasse.

- Eu não tenho mais como continuar, Cin. - Meus olhos arderam. - O dinheiro acabou. A farmácia me ligou hoje dizendo que não podem mais liberar o remédio. E a cirurgia... mesmo pelo SUS, ainda vai demorar. Ela precisa de tratamento enquanto espera. E eu...

Ela segurou minha mão. Eu tremia.

- Me diz o que você quer saber - ela disse, calma.

- Aquilo que você me falou, da outra vez... sobre... um cliente. Ainda é verdade?

Cinthia não respondeu de imediato. Ela me olhou nos olhos, séria, e suspirou.

- É. Ainda é verdade. - Ela fez uma pausa. - Mas, Isa... isso não é brincadeira. Não é um date. Não é um jogo.

- Eu sei.

- Não sabe. - Ela apertou minha mão. - É um caminho sem volta. Não tô falando de você virar garota de programa - ela abaixou a voz - mas esse tipo de cliente... ele paga por silêncio, por aparência. Por submissão, às vezes. Alguns são escrotos. Outros... só estão quebrados. Mas nenhum quer envolvimento. E a maioria deles paga alto pra garantir que não vai haver sentimento.

Engoli seco.

- E por que você faz?

Ela sorriu. Mas foi um sorriso triste.

- Porque eu me cansei de sofrer por amor e de aceitar esmola. E porque tem gente rica o suficiente pra pagar por companhia... E eu aprendi a colocar preço no meu tempo. Eu escolho quem aceito. Mas cada escolha tem seu peso.

Fiquei em silêncio.

- Se você quiser... - ela continuou - eu posso indicar uma pessoa. Alguém que já tá acostumado. Que não machuca. Que só quer companhia, sem perguntas.

- Como assim... companhia?

- Uma noite. Só isso.

Meus olhos arderam. E antes que a emoção me engolisse, balancei a cabeça com firmeza.

- Não. Eu não consigo.

Cinthia respeitou. Apenas assentiu.

- Tudo bem. Só não demore muito para se decidir. Porque às vezes, quando a gente cai, não tem mais quem segure.

Voltei pra casa me sentindo suja. Não por ela. Por mim. Por ter cogitado. Por ter considerado vender meu corpo por dinheiro.

Passei a madrugada ao lado da minha mãe, controlando a febre e fazendo compressas.

No dia seguinte, saí de casa sem tomar banho. Tive que pedir ao síndico para me dar mais cinco dias para pagar o aluguel. Ele disse que se eu atrasasse de novo, chamaria o advogado.

Na cafeteria, um cliente grosseiro me fez derrubar um copo de suco no chão. Na loja, quase adormeci no caixa.

Mas nada... nada foi pior que o que aconteceu dois dias depois.

Cheguei do trabalho por volta das sete da manhã. Estava exausta. Minhas pernas doíam, minha cabeça latejava. Entrei em casa e encontrei minha mãe caída no chão do banheiro.

Corri até ela, desesperada.

- Mãe! Mãe, me ouve! - Ela estava consciente, mas fraca demais pra falar.

Chamei a ambulância aos prantos.

No hospital, os médicos disseram que ela teve uma crise respiratória. Ela estava com o pulmão comprometido. A falta dos remédios agravou tudo. Eles conseguiram estabilizá-la, mas me olharam com aquele ar de julgamento quando souberam que ela não estava em tratamento constante.

- Não é por falta de cuidado - expliquei. - É por falta de dinheiro.

Eles não responderam.

Voltei pra casa sozinha, o coração em ruínas. Minha mãe ia ficar internada por tempo indeterminado. Eu ainda precisava continuar trabalhando. Mas agora tudo em mim gritava desespero.

Foi só então, quando não havia mais saída, quando não havia mais onde cair... que peguei o celular.

As mãos tremiam enquanto eu digitava.

"Cin... ainda posso aceitar aquela proposta?"

A resposta veio quase instantaneamente.

"Pode sim. Me dá alguns dias, Vou dar o meu melhor por você"

Capítulo 2 O Preço da Coragem

Isabela:

Demorou 3 dias para Cinthia me mandar os detalhes.

Nesse tempo, minha mente foi um campo minado. Cada passo que eu dava parecia pisar em algo que podia explodir. A vergonha, o medo, a dúvida. A cada batida do coração, uma nova pergunta: E se ele for violento? E se for um velho nojento? E se quiser algo que eu não consiga fazer?

Mas a pior de todas era: E se eu não conseguir olhar pra mim mesma depois disso?

A resposta que vinha era sempre a mesma.

E se minha mãe morrer por minha causa?

Quando a notificação chegou no meu celular, eu quase deixei o aparelho cair no chão. Era uma mensagem da Cinthia.

"Sexta-feira, às 20h. Hotel Saint Régis. Suíte presidencial. Nome no balcão: Sr. De Santis. Ele já sabe de tudo. Está esperando você. E sim, ele é real. E sim, é exatamente como você está imaginando."

Sr. De Santis. O nome soava como algo saído de um livro. Mas não havia nada de fictício na minha situação.

Olhei para o espelho do banheiro. O reflexo que me encarava estava pálido, com olheiras fundas e um nó preso no estômago. Eu não era mulher de saltos caros, nem de vestidos justos. Eu era a que servia o café, que limpava o balcão, que chegava em casa exausta e dormia de uniforme. E agora eu estava prestes a me deitar com um homem por dinheiro.

Passei o resto da semana tentando não enlouquecer. Fui trabalhar nos dois empregos, fingindo que tudo era normal. A diferença é que agora tudo parecia mais vazio. Como se eu estivesse andando por um corredor estreito, onde ao final havia apenas uma porta: a do hotel.

Na sexta-feira, por insistência de Cinthia, fui até a casa dela para me arrumar. Quando cheguei, ela já tinha separado um vestido preto justo, feito de um tecido que moldava o corpo com perfeição. Era sofisticado, elegante, com um decote na medida certa. Ao lado, um par de saltos pretos de tiras finas e uma maquiagem completa em cima da bancada do banheiro.

- Não posso usar isso - falei, encostando na porta.

- Você vai usar. - Cinthia apareceu na sala com um copo de vinho na mão. - E vai se olhar no espelho depois pra entender que você é mais forte do que pensa. Isso aqui não é sobre ele, Isa. É sobre você. Sobre sua mãe. Sobre o que você está disposta a fazer por ela.

Eu engoli em seco. Queria chorar. Mas eu estava cansada de chorar. Agora era hora de agir.

Demorei quase uma hora pra me arrumar. Cinthia me ajudou com o cabelo - fizemos um coque alto com alguns fios soltos - e com a maquiagem - olhos marcados, pele iluminada, batom nude. Quando terminei e me olhei no espelho... eu não me reconheci.

Eu estava bonita. Não bonita como uma modelo de revista. Bonita como uma mulher decidida. Intensa. Irresistível.

Ou pelo menos era isso que eu tentava acreditar.

- Ele vai gostar - Cinthia comentou, me observando. - Na verdade... todos gostam. Mas com ele... é diferente. Ele não se envolve. Nunca. Ele paga alto porque não quer complicações. Mas é respeitoso. E direto. Não te julga, não te trata como lixo. Só quer presença. Beleza. Sexo sem amarras.

- Quantos anos ele tem?

- Trinta e três. - Ela sorriu. - E é um pecado.

- Você já esteve com ele?

Ela balançou a cabeça.

- Não. Já recusei. Ele prefere iniciantes, acredita? Diz que não gosta de "profissionais". Gosta da emoção da primeira vez. Mas é seletivo. Muito. Você foi aprovada em uma única foto.

Meu coração disparou.

- Uma foto?

- Aquela que eu tirei escondido de você no bar, lembra? - ela riu. - Quando você estava reclamando da vida e fazendo careta pro copo de refrigerante.

Revirei os olhos.

- Ótimo. Ele me escolheu por uma careta.

- Ele te escolheu porque tem olhos treinados. E você... - ela segurou meu rosto com carinho - tem uma beleza rara. Daquelas que ninguém percebe até ser tarde demais.

O carro chegou às 19h30. Um motorista me esperava em frente ao prédio da Cinthia, com um terno preto impecável e uma placa com meu nome. Me senti em um filme - mas não era uma comédia romântica. Era um suspense.

O caminho até o hotel durou cerca de vinte minutos. A cidade lá fora parecia mais barulhenta do que nunca. Dentro do carro, silêncio. Um silêncio que pesava no ar como um presságio.

Quando o carro parou na frente do Hotel Saint Régis, minhas mãos estavam geladas. Era um dos hotéis mais luxuosos da cidade. Candelabros, mármore branco, tapetes vermelhos, recepcionistas em trajes finos. Senti meu corpo todo se contrair.

Entrei com passos curtos, tentando não demonstrar que minhas pernas estavam tremendo. Me aproximei da recepção.

- Boa noite. Estou procurando pelo Sr. De Santis. Meu nome é Isabela.

A recepcionista me olhou de cima a baixo com um sorriso profissional. Digitou algo no computador e me entregou um cartão magnético.

- Suíte presidencial. Último andar. Elevador exclusivo à sua direita.

Agradeci com um aceno. Caminhei como quem pisa em um campo de gelo fino. Tudo em mim gritava: volta. Mas meu coração dizia: vai. Por ela. Por sua mãe.

O elevador subiu em silêncio absoluto. Quando as portas se abriram, me vi em um corredor amplo, decorado com obras de arte modernas e iluminação suave. No fim dele, uma única porta. Respirei fundo. Coloquei a mão na maçaneta. E girei o cartão.

A porta se abriu.

E o mundo... parou.

A suíte presidencial parecia saída de um filme de Hollywood. Uma sala ampla, com janelas do chão ao teto mostrando a vista deslumbrante da cidade à noite. Cortinas esvoaçantes, um sofá gigante de veludo escuro, champanhe em um balde de prata. E, por um momento, achei que estava sozinha.

Até ouvir o som da porta do quarto se abrindo.

Virei devagar. O tempo desacelerou.

E então, eu o vi.

Ele entrou com passos calmos, como quem não precisava correr por nada na vida. Usava uma camisa preta parcialmente aberta no peito, calça escura impecavelmente alinhada. O cabelo castanho escuro estava levemente bagunçado, como se tivesse sido ajeitado com os dedos. Tinha a barba por fazer - aquela barba que não era descuido, era charme calculado. E os olhos...

Ah, os olhos.

Eram de um verde profundo, penetrante, com um olhar que parecia te despir com um piscar. Um olhar que dizia eu sei quem você é, mesmo que você não saiba ainda.

Ele parou a poucos metros de mim.

Alto. Ombros largos. Porte firme. Corpo de homem feito. Perigoso. Magnético.

Um pecado.

- Isabela? - ele perguntou, com a voz rouca, grave, cheia de algo que me fez tremer por dentro.

Assenti. Tentei falar, mas minha garganta secou.

Ele sorriu de leve. Um sorriso lento, controlado. Como se estivesse testando meu efeito sobre ele - ou o dele sobre mim.

- Que bom que veio.

Meus dedos apertaram a alça da bolsa.

Apenas uma noite.

Era só isso que eu precisava lembrar.

Mas quando ele se aproximou, mais alguns passos... e ficou perto o bastante para que eu sentisse seu perfume - uma mistura amadeirada com algo quente e proibido -, percebi algo terrível.

Eu estava ferrada.

Muito ferrada.

Capítulo 3 Uma Noite Sem Retorno

Ele se aproximou com passos lentos, mas firmes. Como se fosse o dono do espaço, do tempo e... de mim.

E talvez fosse.

Eu não conseguia me mover. Cada parte do meu corpo parecia congelada de nervosismo e calor ao mesmo tempo. Aquele homem era feito de contrastes. Frio nos olhos, calor nas intenções. Elegante como um rei, perigoso como um pecado.

Leonardo De Santis.

Ele parou a poucos passos de mim, observando como se lesse pensamentos escondidos em camadas que nem eu conhecia. Não me tocou. Apenas... olhou.

E esse olhar me queimou mais do que qualquer toque ousaria fazer.

- Sente-se. - Sua voz grave soou como uma ordem envolta em seda.

Sem questionar, obedeci. Sentei-me na beirada do sofá enorme da sala, mantendo as mãos juntas no colo para disfarçar o tremor.

Ele deu a volta, pegou uma taça de vinho na bandeja de prata e me entregou. Eu hesitei.

- Relaxa. Não coloco nada na bebida. Não preciso disso.

Assenti, sem coragem de dizer que minha hesitação não era por medo de algo na taça - mas por tudo que estava prestes a acontecer. Dei um gole curto, só para molhar os lábios.

Leonardo sentou-se à minha frente, apoiando o antebraço no joelho e inclinando-se ligeiramente.

- Seu nome completo?

- Isabela... Moura da Costa.

- Idade?

- Vinte e seis.

Ele assentiu.

- Trabalha com o quê?

- Atendente em uma cafeteria. E... caixa à noite.

Leonardo observou em silêncio. O que quer que ele estivesse pensando, não deixava transparecer. Apenas continuou, com aquele ar de entrevistador sensual.

- Já fez isso antes?

A pergunta veio seca. Fiquei vermelha na hora, e desviei o olhar.

- Não.

- Bom.

Ele se recostou no sofá, pegou sua própria taça de vinho, deu um gole lento e voltou a me encarar. Um olhar analítico, como se me estudasse em cada gesto.

- Está com medo?

A pergunta me pegou de surpresa. Eu abri a boca, fechei, e então só balancei a cabeça. Uma confirmação muda.

Leonardo se levantou.

Andou até o aparador, colocou a taça sobre o tampo de mármore e, ao voltar, começou a desabotoar a camisa. A primeira coisa que vi foram os músculos do peito. Definidos, bronzeados, sem exageros. A luz indireta do teto acentuava cada linha.

- Quero que entenda uma coisa, Isabela. - Sua voz estava mais baixa, mas ainda firme. - Eu não forço. Nunca. Mas também não finjo. Essa noite é o que você aceitar que seja.

Enquanto falava, abriu os últimos botões e tirou a camisa por completo, revelando braços fortes, tatuagens discretas e um corpo que parecia talhado à mão.

Eu tentei prestar atenção nas palavras dele. Juro que tentei. Mas meus olhos... meus olhos traíram tudo. Percorriam cada centímetro de pele exposta como se meu cérebro estivesse em silêncio, mas meu corpo, atento a tudo.

Ele percebeu. E sorriu de leve.

- Está corando. - Ele se aproximou de novo. - Gosto disso.

Deixou a camisa sobre a poltrona ao lado. Começou a desabotoar a calça. Lento. Metódico. Como se não houvesse pressa, porque ele já sabia do resultado.

- Você tem uma beleza perigosa, Isabela. Não é a que se vê de cara. É aquela que cresce devagar. Que consome em silêncio. - Ele tirou a calça, ficando apenas de cueca preta. - E esse tipo de beleza me interessa mais do que qualquer uma.

Minhas mãos suavam. O coração batia tão alto que eu temia que ele ouvisse.

Ele se ajoelhou à minha frente, me obrigando a olhar para ele, tão perto, tão presente.

- Posso te tocar?

Engoli seco. Assenti. Foi o máximo que consegui fazer.

O primeiro toque dele foi na minha mão. Apenas isso. Um toque leve, como se me ancorasse ali. Depois, sua outra mão subiu pelo meu braço, até encontrar meu ombro. Os dedos firmes, quentes, explorando minha pele com reverência e desejo.

- Está tremendo - ele murmurou. - Mas não é medo. É tensão. Gosto de tensão. Ela prepara o corpo... para o prazer.

Meu corpo se acendeu com aquela frase.

Ele se inclinou e tocou meu rosto, os dedos traçando minha mandíbula. Seus olhos estavam fixos nos meus.

- Não tem que fazer nada que não queira. Só... sinta.

E então, ele me beijou.

O beijo não foi apressado. Nem voraz. Foi... profundo. Como se cada segundo contasse. Como se ele quisesse me provar que sabia como conduzir sem ferir. Como excitar sem pressionar.

Quando seus lábios se afastaram dos meus, ele levou a mão ao zíper do meu vestido.

- Posso?

Fechei os olhos. Assenti.

Ele puxou o zíper devagar. O vestido escorregou pelos meus ombros, caindo até minha cintura. Fiquei apenas de sutiã. E, ainda assim, me senti nua.

Ele puxou o zíper do vestido devagar. O som do fecho se abrindo ecoou entre nós com uma intensidade quase simbólica - como se naquele deslizar ele estivesse desabotoando mais do que tecido... como se tirasse camadas da minha resistência, uma a uma.

O vestido deslizou pelos meus ombros, escorregando como água até minha cintura. Fiquei ali, com o sutiã de renda preta marcando os contornos do meu corpo, meu peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Ele me olhou com tanta intensidade que minha pele ardeu sob o olhar.

- Você é mais bonita do que qualquer foto permitiria - ele murmurou, com uma voz baixa, quente e autoritária. - Mas é a forma como você tenta esconder isso que me excita mais.

Ele ajoelhou-se à minha frente. E pela primeira vez, Leonardo De Santis - o homem que parecia intocável - passou a mão lentamente pela minha coxa, subindo até alcançar o cós da saia que ainda restava em mim. Com um puxar firme, ele a removeu, deixando-me apenas com a lingerie.

- Sente isso? - ele perguntou, as mãos agora pousadas nas laterais do meu quadril. - Seu corpo reagindo ao meu. A tensão... a curiosidade... o desejo.

Assenti, incapaz de dizer qualquer coisa. Minha pele vibrava, como se cada centímetro estivesse faminto pelo toque dele.

Então ele me deitou, de forma firme, porém cuidadosa, no sofá. Sua boca encontrou a curva da minha barriga, beijando de forma lenta e provocante. Depois subiu, alcançando o centro do meu peito, onde ele pressionou os lábios sobre o sutiã, apenas para me fazer arfar com o calor.

Seus dedos encontraram as alças e, com habilidade, deslizaram para baixo. Fiquei nua da cintura para cima.

- Linda - ele sussurrou, encarando meus seios com um misto de admiração e fome. Seus lábios logo se fecharam sobre um deles, sugando com força controlada, a língua provocando movimentos circulares enquanto suas mãos seguravam firme minha cintura, me mantendo ali - entregue, entregue a ele.

Um gemido escapou de mim sem que eu pudesse conter.

Leonardo ergueu os olhos e sorriu contra minha pele.

- Quero ouvir mais disso.

Então ele desceu. Lento. Sem pressa. Como quem saboreia um presente. Suas mãos alcançaram minha calcinha. Ele a puxou com cuidado, mantendo contato visual o tempo inteiro. Quando me deixou completamente nua, suspirei. Não de vergonha - porque ele tirou isso de mim com cada beijo - mas de antecipação.

E então ele me explorou.

Com a boca. Com a língua. Com os dedos.

Começou com beijos na parte interna das coxas, depois subiu até alcançar meu centro. Quando senti a língua quente dele em mim, arqueei o corpo. Ele era habilidoso. Preciso. A cada movimento da língua, ele me levava mais fundo no prazer. Sua mão pressionava minha barriga, mantendo meu corpo no lugar, controlando meu ritmo - até que ele decidisse me deixar ir.

E quando permitiu... eu me desfiz nos braços dele, com um gemido rouco, sem vergonha, sem pudor.

Ainda ofegante, ele subiu e me beijou, como se quisesse que eu sentisse o gosto de mim em seus lábios. E eu senti. Com prazer. Com entrega.

Depois ele se ergueu, retirou a última peça de roupa que lhe restava - a cueca preta - revelando o restante de um corpo que parecia esculpido.

Meus olhos se arregalaram. Ele era... grande. Muito. E completamente no controle.

- Está pronta? - ele perguntou.

Respirei fundo. E assenti.

Leonardo se posicionou sobre mim, os olhos nos meus, enquanto se encaixava. Quando entrou, o mundo girou. Havia pressão, calor, preenchimento. Cada centímetro me fazia perder o fôlego. E ele ficou ali, imóvel por um instante, permitindo que eu me acostumasse à sensação.

- Me diga se for demais - ele sussurrou, com a boca perto da minha.

- Não pare - foi o que consegui dizer, quase sem ar.

E ele não parou.

Movia-se em mim com precisão e ritmo. Os quadris ondulando, os músculos tensionados, os olhos fixos nos meus. A cada investida, meu corpo cedia mais. A cada gemido, ele acelerava o ritmo. Ele me tomava como se fosse dele. E, naquela noite, eu era.

As mãos dele passaram pelas minhas pernas, ergueram meus quadris, aprofundando o encaixe. Os sons que escapavam de mim já não eram tímidos. E ele adorava cada um deles.

Sussurrava palavrões roucos no meu ouvido.

Palavras quentes. Frases sujas. E promessas perigosas.

- Você foi feita pra isso... pro meu toque. Pro meu corpo.

Quando ele sentiu que eu estava perto de novo, seu polegar encontrou meu ponto mais sensível, pressionando com perfeição, acelerando meu prazer até que meu corpo inteiro arqueou debaixo do dele.

Gozei mais uma vez, tremendo, gritando seu nome sem vergonha alguma.

E ele veio logo depois. Com um gemido grave, profundo, soltando meu nome como se fosse a única coisa no mundo.

Quando tudo acabou, ele caiu sobre mim, ainda dentro de mim, com o rosto escondido no meu pescoço. E por alguns segundos, tudo parou. O quarto ficou silencioso, exceto por nossas respirações descompassadas.

Ali, naquele momento, suada, despida e nos braços dele, entendi que essa noite jamais seria apenas uma transação.

Porque o que Leonardo De Santis fez comigo não foi só sexo.

Foi domínio. Foi entrega.

E foi o início da minha perdição.

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