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Construindo Meu Próprio Futuro

Construindo Meu Próprio Futuro

Autor:: Orange
Gênero: Horror
A dor aguda no meu abdômen era a última sensação, um fogo que me consumia. Pedro estava sobre mim, seus olhos outrora cheios de carinho, agora vazios e frios. "Por que, Maria? Por que você não pôde simplesmente me deixar em paz?", ele gritava, a voz rouca de raiva. Eu queria responder, mas o sangue enchia minha boca. A culpa era minha por amá-lo demais, por tentar salvá-lo de um futuro que eu via claramente que o destruiria. Um futuro com a Sofia. Sua mão apertou meu pescoço, e a última coisa que vi foi seu rosto distorcido pelo ódio, um monstro que eu mesma ajudei a criar. "Se eu não posso ter sucesso, você também não vai ter!", foram suas últimas palavras para mim. E então, tudo ficou escuro. ... "Maria, você não vai mesmo dizer nada?" A voz de Pedro, irritada e impaciente, cortou o silêncio. Abri os olhos, confusa. Não estava no chão frio do nosso apartamento, sangrando. Estava na varanda da minha casa de infância, o sol aquecendo meu rosto, o cheiro de jasmim no ar. Ele parecia... jovem. "Eu já decidi, Maria. Eu não vou para a universidade." Gelei. Essa frase. Eu já tinha ouvido essa frase antes. Foi o começo do fim. O ponto exato em que minha vida, e a dele, começou a desmoronar. Na minha vida passada, eu chorei, implorei, argumentei. Ele me chamou de egoísta. Agora, olhando para o rosto do meu assassino, eu não sentia nada além de um vazio gelado. A dor, o amor, a esperança, tudo havia sido queimado na minha morte. Eu tinha voltado. Voltei para o dia da decisão. Pedro me olhava, esperando a explosão, a cena de choro. Era o que ele esperava, o que seu ego precisava. Respirei fundo. Olhei diretamente nos olhos dele. "Tudo bem, Pedro." A expressão dele mudou para pura confusão. "O quê? Só isso? 'Tudo bem' ?" Eu me levantei. "Sim. A vida é sua. A escolha é sua." Passei por ele e entrei em casa, deixando-o boquiaberto. Desta vez, eu não iria tentar salvá-lo. Desta vez, eu iria me salvar.

Introdução

A dor aguda no meu abdômen era a última sensação, um fogo que me consumia.

Pedro estava sobre mim, seus olhos outrora cheios de carinho, agora vazios e frios.

"Por que, Maria? Por que você não pôde simplesmente me deixar em paz?", ele gritava, a voz rouca de raiva.

Eu queria responder, mas o sangue enchia minha boca.

A culpa era minha por amá-lo demais, por tentar salvá-lo de um futuro que eu via claramente que o destruiria. Um futuro com a Sofia.

Sua mão apertou meu pescoço, e a última coisa que vi foi seu rosto distorcido pelo ódio, um monstro que eu mesma ajudei a criar.

"Se eu não posso ter sucesso, você também não vai ter!", foram suas últimas palavras para mim. E então, tudo ficou escuro.

...

"Maria, você não vai mesmo dizer nada?"

A voz de Pedro, irritada e impaciente, cortou o silêncio. Abri os olhos, confusa.

Não estava no chão frio do nosso apartamento, sangrando.

Estava na varanda da minha casa de infância, o sol aquecendo meu rosto, o cheiro de jasmim no ar.

Ele parecia... jovem.

"Eu já decidi, Maria. Eu não vou para a universidade."

Gelei.

Essa frase. Eu já tinha ouvido essa frase antes. Foi o começo do fim. O ponto exato em que minha vida, e a dele, começou a desmoronar.

Na minha vida passada, eu chorei, implorei, argumentei. Ele me chamou de egoísta.

Agora, olhando para o rosto do meu assassino, eu não sentia nada além de um vazio gelado. A dor, o amor, a esperança, tudo havia sido queimado na minha morte.

Eu tinha voltado. Voltei para o dia da decisão.

Pedro me olhava, esperando a explosão, a cena de choro. Era o que ele esperava, o que seu ego precisava.

Respirei fundo. Olhei diretamente nos olhos dele.

"Tudo bem, Pedro."

A expressão dele mudou para pura confusão.

"O quê? Só isso? 'Tudo bem' ?"

Eu me levantei.

"Sim. A vida é sua. A escolha é sua."

Passei por ele e entrei em casa, deixando-o boquiaberto.

Desta vez, eu não iria tentar salvá-lo.

Desta vez, eu iria me salvar.

Capítulo 1

A dor aguda no meu abdômen era a última sensação que eu lembrava, um fogo que me consumia por dentro.

Pedro estava sobre mim, seus olhos, que um dia foram cheios de carinho, agora estavam vazios, frios.

"Por que, Maria? Por que você não pôde simplesmente me deixar em paz?" , ele gritava, sua voz rouca de raiva e desespero.

Eu queria responder, mas o sangue enchia minha boca.

A culpa era minha por amá-lo demais, por tentar salvá-lo de um futuro que eu via claramente que o destruiria.

Um futuro com Sofia.

Ele escolheu a paixão de verão, a herdeira de uma fábrica, em vez de nossos sonhos, em vez da universidade, em vez de mim.

Ele me acusou de inveja, de não querer vê-lo feliz.

Mas a felicidade que ele encontrou foi uma vida de mediocridade, ressentimento e, no final, violência.

Sua mão apertou meu pescoço, e a última coisa que vi foi seu rosto distorcido pelo ódio, um monstro que eu mesma ajudei a criar por nunca ter desistido dele.

"Se eu não posso ter sucesso, você também não vai ter!" , foram suas últimas palavras para mim.

E então, tudo ficou escuro.

...

"Maria, você não vai mesmo dizer nada?"

A voz de Pedro, irritada e impaciente, cortou o silêncio.

Abri os olhos, confusa.

Eu não estava no chão frio do nosso antigo apartamento, sangrando.

Estava sentada na varanda da minha casa de infância, o sol do fim de tarde aquecendo meu rosto. O cheiro de jasmim do jardim da minha mãe estava no ar.

Olhei para minhas mãos. Elas não tinham feridas. Meu abdômen não doía.

Pedro estava de pé na minha frente, com a mesma expressão teimosa e mimada que eu conhecia tão bem. Ele usava a camiseta do nosso time de futebol do colégio.

Ele parecia... jovem.

"Eu já decidi, Maria. Eu não vou para a universidade."

Gelei.

Essa frase. Eu já tinha ouvido essa frase antes.

Foi o começo do fim. O ponto exato em que minha vida, e a dele, começou a desmoronar.

Na minha vida passada, eu chorei. Eu implorei. Eu argumentei por horas, listando todos os nossos planos, todos os sacrifícios que fizemos para passar no vestibular.

Ele não me ouviu. Ele me chamou de egoísta.

Agora, olhando para o rosto dele, o rosto do meu assassino, eu não sentia nada além de um vazio gelado. A dor, o amor, a esperança, tudo havia sido queimado na minha morte.

Eu tinha voltado.

Voltei para o dia da decisão.

Pedro me olhava, esperando a explosão, a cena de choro, a súplica. Era o que ele esperava, o que seu ego precisava.

Respirei fundo, o ar fresco enchendo meus pulmões de uma forma que eu não sentia há anos.

Eu olhei diretamente nos olhos dele.

"Tudo bem, Pedro."

A expressão dele mudou de irritação para pura confusão.

"O quê? Só isso? 'Tudo bem' ?"

Eu me levantei da cadeira, a madeira rangendo suavemente.

"Sim. A vida é sua. A escolha é sua."

Passei por ele e entrei em casa, deixando-o parado na varanda, boquiaberto.

Eu o ouvi gritar meu nome, mas não parei.

Desta vez, eu não iria tentar salvá-lo.

Desta vez, eu iria me salvar.

Capítulo 2

Fechei a porta do meu quarto e me encostei nela, meu coração batendo descontroladamente.

Memórias da minha vida passada vieram como uma avalanche.

Lembrei-me de passar semanas tentando convencer Pedro.

"Pense no nosso futuro!" , eu dizia. "Nós planejamos isso desde os quinze anos!"

"Sofia precisa de mim agora" , ele respondia, com uma convicção cega. "A família dela me ofereceu um emprego na fábrica. É uma oportunidade real, Maria. Não um sonho distante como a faculdade."

Lembrei-me de vê-lo se afundar. O trabalho na fábrica não era o "cargo de gerência" que Sofia havia prometido. Ele era apenas mais um operário, fazendo o mesmo trabalho pesado e repetitivo todos os dias.

O dinheiro era curto. As discussões com Sofia eram constantes. Ela o culpava por não serem ricos, por não poderem viajar. Ele a culpava por tê-lo convencido a desistir de tudo.

Eles estavam presos um ao outro, em um ciclo de ressentimento e frustração.

E eu? Eu fui para a universidade sozinha. Foi difícil no começo. A solidão era esmagadora. Mas eu me concentrei. Estudei, consegui um estágio, me formei com honras.

Conheci um homem bom, um homem que me apoiava, que celebrava minhas conquistas. Nós nos casamos, construímos uma casa, tivemos uma filha.

Eu era feliz.

E isso os enfurecia.

Pedro me ligava bêbado no meio da noite, dizendo que eu o havia abandonado, que minha felicidade era uma traição. Sofia espalhava boatos maldosos sobre mim na nossa cidade natal. Eles não suportavam ver que a vida que eu construí sem ele era muito melhor do que a que ele escolheu com ela.

A inveja deles cresceu e se tornou uma obsessão doentia.

Até aquele último dia.

Ele apareceu no meu escritório. Parecia mais velho, acabado. Cheirava a álcool. Ele me pediu dinheiro. Quando eu recusei, ele explodiu.

Ele disse que tudo era minha culpa. Se eu o tivesse amado de verdade, teria desistido da faculdade com ele. Teríamos enfrentado as dificuldades juntos na fábrica.

Ele me agarrou, me arrastou para o chão.

A dor foi insuportável.

Ele não era o Pedro que eu amava. Ele era um estranho, um monstro consumido pelo fracasso e pela amargura.

Agora, de pé no meu quarto de adolescente, senti uma clareza assustadora.

Eu recebi uma segunda chance.

O universo, por algum motivo, me deu a oportunidade de fazer tudo de novo.

E eu não ia desperdiçá-la.

O amor que eu sentia por Pedro estava morto, enterrado junto com meu corpo na vida passada. A única coisa que restava era a lição.

Não se pode salvar alguém que não quer ser salvo.

Não se pode construir um futuro com alguém que está determinado a se destruir.

Desta vez, eu não vou lutar por ele. Eu não vou chorar por ele.

Eu vou sorrir, acenar e seguir em frente.

Vou para a universidade. Vou construir minha carreira. Vou encontrar o homem que me amará de verdade.

E Pedro?

Pedro pode ter a vida que ele escolheu. Ele e Sofia podem se afogar em sua própria mediocridade.

Eu não vou interferir.

Vou apenas observar. E desta vez, será de uma distância segura.

Abri a gaveta da minha escrivaninha. Lá estava, o envelope com o símbolo da universidade. Minha carta de aceitação.

Na vida passada, eu a mostrei a Pedro com tanto orgulho, esperando que isso o convencesse.

Desta vez, eu a guardei em segurança.

Este era o meu bilhete para a liberdade. E eu não ia deixar ninguém tirá-lo de mim.

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