Bem-vindo(a), viajante!
É um prazer ter você aqui. Meu nome é Thiago Mondel, e nesta jornada literária, convido você a embarcar em uma experiência única-um conto que mistura emoção, desejo, encontros inesperados e a busca pela liberdade.
A vida é feita de momentos, alguns passageiros, outros inesquecíveis. E, dentro destas páginas, você encontrará uma história pulsante, que bebe da intensidade das relações humanas e do imprevisível caminho das escolhas. Se há algo que aprendi ao escrever este conto, é que cada diálogo, cada olhar trocado e cada decisão podem mudar completamente o rumo de uma história-ou de uma vida.
Esta narrativa é inteiramente fictícia, mas como sabemos, a linha que separa a ficção da realidade pode ser surpreendentemente tênue. Quem nunca viveu um instante que parecia saído de um livro ou de um filme? Quem nunca cruzou o caminho de alguém que, por um breve momento, fez o tempo desacelerar e trouxe a sensação de que aquela história poderia durar para sempre?
Aqui, você acompanhará personagens que, de certa forma, refletem pedaços de mim, talvez de você e, quem sabe, de alguém que já passou pela sua vida. Entre viagens, encontros marcantes e decisões que carregam consequências, esta história é um convite para sentir, imaginar e se permitir viver cada detalhe intensamente.
Então, ajuste seu cinto, pegue sua bebida favorita e prepare-se para embarcar nesta viagem. Que este conto seja tão envolvente para você quanto foi para mim ao escrevê-lo.
Boa leitura!
Thiago Mondel
Dia após dia, ano após ano, fui moldando minha vida em torno de um ideal. Um ideal que não era só meu, era herdado, cultivado, repetido em voz alta como uma verdade inquestionável: conquistar um bom emprego, construir uma carreira sólida, garantir estabilidade financeira. Esse era o caminho. Essa era, diziam, a rota segura para uma vida de sucesso.
E eu acreditei.
Mais que isso: abracei esse sonho com todas as forças. Não me contentei com pouco. Fui além do esperado. Conquistei um ótimo emprego, altamente respeitado, que me rendia um salário excelente e todas as comodidades que um adulto deveria desejar: conforto, segurança, previsibilidade. Eu tinha o que muitos chamariam de "vida feita". E, por muito tempo, achei que era verdade.
Não posso negar: fui bem-sucedido. Sem falsa modéstia, alcancei patamares que orgulhariam qualquer um. Cresci profissionalmente, recebi reconhecimentos, acumulei bens, construí uma reputação. No papel, minha trajetória era impecável, quase exemplar.
Mas existe um lado dessa história que não está nos currículos, nas fotos de conquistas ou nos brindes em reuniões de equipe.
A verdade é que essa carreira, essa vida aparentemente perfeita, me custou vinte anos. Vinte anos inteiros. Vinte anos de tempo, de energia, de vontades sufocadas em nome de metas. Vinte anos de sonhos adiados, de páginas não escritas, de caminhos jamais explorados. E agora, olhando para trás, percebo que o que vendi não foram apenas horas de trabalho. Foi a minha vida.
O tempo não devolve o que leva. Não se poupa, não se acumula, não se recupera. Ele escorre, impassível, implacável. E quando finalmente tiramos os olhos do relógio e olhamos pela janela, muitas vezes já é outro dia. Outra década. Outro eu.
Estou sentado na beira da cama, observando uma mala aberta ao meu lado. Dentro dela, poucas roupas, um livro desgastado pelo tempo e um velho caderno de anotações que carreguei comigo por anos, sempre prometendo preenchê-lo com histórias que nunca escrevi. Pego a caneta e, pela primeira vez em muito tempo, sinto que há algo novo para ser registrado.
Hoje, parado diante de mim mesmo, me faço uma pergunta incômoda, daquelas que evitamos por medo do que podemos descobrir: valeu a pena?
A resposta, confesso, ainda não tenho. Talvez nunca venha em forma de frase pronta. Mas carrego comigo a certeza de que algo precisa mudar. Porque, no fundo, o que me trouxe até aqui já não me serve mais. Como uma peça de roupa que um dia me abrigou, mas hoje aperta, sufoca. E essa inquietação que cresce em silêncio talvez seja o meu verdadeiro ponto de partida.
Agora, decido recomeçar. Não com a arrogância de quem busca um novo troféu, mas com a humildade de quem finalmente quer viver com sentido. Talvez eu precise desaprender tudo o que achei que sabia sobre sucesso. Talvez precise me reinventar. Talvez, ao fim dessa nova estrada, encontre respostas mais honestas, mais minhas.
E se você estiver aqui, lendo estas palavras, caminhando ao meu lado, quem sabe não possamos descobrir juntos o que realmente importa?
Depois de anos confinado atrás de uma mesa, soterrado por e-mails urgentes e reuniões que não levavam a lugar nenhum, finalmente rompi as correntes. Não foi um rompante, tão pouco um gesto de rebeldia vazia. Foi uma decisão construída em silêncio, ao longo de noites mal dormidas e domingos ansiosos. Um chamado interno que cresceu com o tempo, até se tornar ensurdecedor.
Eu cansei. Cansei de fingir que aquilo era o suficiente. Como cantava Renato Russo, "não sou mais um dos tais". E se em algum momento me deixei levar pelo conforto previsível da rotina, hoje sei que não quero mais viver no automático. Quero sair da linha, questionar o roteiro, quebrar o ciclo.
A liberdade que conquistei não veio fácil, ela veio da renúncia, do medo, da coragem crua de abandonar uma vida estável em troca do desconhecido. Mas agora que a tenho em mãos, quero honrá-la. Quero vivê-la em cada detalhe, sem reservas, sem a culpa de estar "jogando tudo para o alto". Porque, na verdade, o que eu estava jogando era a minha própria vida fora. E isso eu não aceito mais.
Foi assim que nasceu o projeto: quarenta e cinco destinos, um para cada ano vivido até aqui. Um para cada fase, cada queda, cada vitória silenciosa. Não escolhi os lugares, virão de muitas sugestões de leitores e amigos. Cada cidade é uma peça de um quebra-cabeça maior. Algumas promessas que fiz ou farei, e pretendo cumprir.
Não quero apenas viajar. Quero transformar cada fim de semana em algo simbólico. Em entrega. Em presença real. Quero viver intensamente, como João de Santo Cristo quando resolveu mudar sua vida, cansado de "morrer na marra como um condenado". Quero cruzar estradas, conhecer histórias, ouvir sotaques e deixar que o inesperado me ensine. Quero viver sem máscaras, sem desculpas, sem medo do que acontece quando finalmente deixamos o controle escorregar por entre os dedos.
Meu primeiro destino? Brasília. A cidade onde "o sol é tão bonito e onde parece que tudo pode acontecer". Um lugar que nasceu de um sonho grandioso e improvável, exatamente como esse momento da minha vida. Há algo em Brasília que me atrai há muito tempo. Talvez seja o céu que parece não acabar nunca. Talvez seja a arquitetura que mistura futuro e passado. Ou talvez seja simplesmente porque, como João, "eu sempre fui um pouco diferente dos outros".
Brasília me faz pensar em recomeço. Em ousadia. Em ruptura. Quero andar pelo Eixo Monumental como quem percorre um livro em voz alta. Sentir o calor seco grudando na pele ao desembarcar. Observar o pôr do sol refletindo dourado nos vidros dos edifícios. Ouvir o som distante de um violão em uma praça, misturado ao burburinho dos bares cheios de histórias e personagens. Quero sentir o vento nos corredores do Congresso e imaginar os fantasmas da história brasileira sussurrando entre os arcos de Niemeyer. Quero me perder na noite brasiliense, que carrega a rebeldia dos anos 80, das guitarras distorcidas e dos versos que mudaram uma geração.
Carrego na mochila roupas, livros e uma playlist com Legião Urbana do começo ao fim. Mas, acima de tudo, carrego a vontade genuína de me reconectar com aquilo que fui deixando pelo caminho. Com os pedaços de mim que se calaram em nome da "vida adulta". Quero reencontrar o jovem que um dia acreditou que tudo era possível. Que cantava aos gritos: "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã."
Esse é apenas o começo. Brasília será o primeiro capítulo de uma história que espero escrever com mais coragem, mais verdade e mais entrega. E se, ao longo dessa estrada, eu descobrir que nem tudo sai como o planejado, que seja. Porque viver de verdade, como bem sabemos, nunca foi para os fracos.
Como diz o velho Faroeste Caboclo, "não tinha medo o tal João de Santo Cristo", e eu também não tenho mais. Não de partir. Não de mudar. Não de viver.