Eu tinha 27 anos quando tudo aconteceu. Uma viagem de trabalho que deveria durar poucas semanas acabou se estendendo por tempo indeterminado. O hotel, antes confortável, passou a pesar no meu orçamento e no meu humor. Foi aí que recebi uma proposta inesperada de Júlia, uma antiga colega de faculdade: ficar temporariamente na casa dela, onde havia um quarto vago. Aceitei sem pensar duas vezes.
A casa era ampla, aconchegante, com janelas grandes e muita luz natural. Júlia era gentil, mas vivia ocupada com seus plantões - ela era enfermeira e quase não parava em casa. Eu teria paz, espaço e uma cama decente. Não esperava muito mais que isso. Até conhecer Daniel.
Daniel morava ali também, ocupava o quarto do fundo. Ele era fotógrafo freelancer, vivia em horários bagunçados e tinha um charme despretensioso que me desarmou desde o primeiro instante. Alto, cabelos escuros levemente ondulados, ombros largos e um sorriso que parecia prometer segredos. Havia uma intensidade tranquila nele, uma confiança que vinha sem arrogância.
Na primeira semana, trocamos apenas cumprimentos educados e algumas palavras soltas entre uma refeição e outra. Mas eu percebia o modo como os olhos dele passeavam por mim quando achava que eu não estava olhando. Sentia o ar mudar quando entrávamos no mesmo cômodo. Havia algo ali - tensão elétrica, densa, como o silêncio antes de uma tempestade.
Comecei a buscar mais esses encontros casuais. Passava mais tempo na cozinha, aparecia na sala quando sabia que ele estava lá. Uma noite, sentei no sofá com uma taça de vinho, usando um vestido leve demais para o clima. Daniel apareceu, parou na porta e me olhou de cima a baixo. Seu olhar queimava.
- Está esperando alguém? - perguntou, com aquele sorriso de canto de boca.
- Só o sono - respondi, dando um gole provocante na bebida.
Ele se aproximou e sentou do meu lado, mais perto do que o necessário. Seus olhos passeavam pelo meu corpo sem disfarce.
- Esse vestido... parece feito pra provocar acidentes - disse, olhando para minhas coxas.
Meu corpo respondeu na hora. O calor subiu pelas minhas pernas e se instalou entre elas.
- Talvez eu esteja provocando um - retruquei, sentindo a tensão crescer como uma corda esticada demais.
Nos dias seguintes, os flertes ficaram mais explícitos. Ele se inclinava para pegar algo na cozinha e sua mão "por acaso" roçava minha cintura. Eu deixava a porta do meu quarto entreaberta ao trocar de roupa. Certa tarde, ao me ver de toalha depois do banho, ele parou no corredor e me encarou com olhos famintos.
- Se continuar andando assim pela casa, vai acabar me obrigando a fazer algo que talvez não seja certo - disse, com a voz rouca.
- E se eu quiser exatamente isso? - devolvi, sem hesitar.
Ele se aproximou até ficarmos com os rostos quase colados. Sua respiração batia quente na minha boca. Mas ele não me beijou. Sorriu e se afastou. Estava me provocando de volta. O jogo tinha começado.
Foi numa quinta-feira quente que tudo foi além do limite.
Cheguei mais cedo do trabalho. O sol ainda entrava pelas janelas quando fechei a porta atrás de mim. A casa parecia vazia. Mas ao passar pelo corredor, ouvi um som abafado vindo do quarto de Daniel. Não foi o tipo de som que se ignora. A porta estava entreaberta, e mesmo sabendo que não devia, meu corpo agiu antes da razão.
Me aproximei em silêncio. O que vi me deixou imóvel, com o coração na garganta.
Daniel estava deitado na cama, nu, uma das mãos acariciando lentamente o próprio sexo. Seus olhos estavam fechados, a respiração pesada, os músculos contraídos. Ele se tocava com precisão, com um ritmo sensual, como quem se conhece bem demais. Sua ereção era impressionante - grossa, pulsante, erguida como uma promessa indecente.
Meu corpo reagiu na hora. Os mamilos endureceram sob a blusa fina. Um calor úmido se formou entre minhas pernas, pulsando com o mesmo ritmo das carícias dele. Saí dali com dificuldade, trêmula, cambaleando de volta ao meu quarto. Me joguei na cama e me toquei sem vergonha, com pressa, com fome. Imaginei a boca de Daniel no meu corpo, suas mãos segurando minha cintura, sua pele contra a minha. Gozei forte, mordendo o travesseiro, ainda ouvindo seus gemidos na memória.
No dia seguinte, tentei agir normalmente, mas cada vez que o via, meu corpo se acendia. Ele percebia. Eu sabia que percebia. Os olhares duravam mais tempo. As conversas tinham silêncios carregados de segundas intenções. Começamos a esbarrar com mais frequência nos corredores apertados. O calor aumentava.
Em uma noite especialmente abafada, Daniel entrou na sala e me encontrou sentada no chão, encostada na parede, de regata e calcinha. O ventilador girava preguiçoso. Ele me olhou por longos segundos e se sentou ao meu lado.
- Está muito quente - ele murmurou.
- Dentro e fora de mim - respondi sem pensar. Nossos olhos se encontraram e o silêncio seguinte foi denso como fumaça.
- Você fica tão linda quando provoca... - Ele se aproximou mais, sua coxa encostando na minha.
- Eu fico molhada quando você me olha assim - sussurrei.
A tensão quase tinha gosto. Nossos rostos estavam tão próximos que podíamos sentir o calor um do outro. Quando seus dedos tocaram meu rosto e desceram pelo meu pescoço, segui o movimento, inclinando a cabeça. Mas de novo, ele se afastou.
- Hoje não. Ainda não. Eu quero que você esteja implorando. - E se levantou, deixando um rastro de desejo.
Era sábado. Júlia estava de plantão. Eu estava no sofá da sala, de pijama curto, bebendo uma taça de vinho, fingindo assistir a um filme. Daniel apareceu com uma cerveja na mão e se sentou ao meu lado. Perto. Muito perto.
- Você anda me evitando - ele disse, depois de um tempo.
Engoli em seco. - Como assim?
- Desde aquele dia. Quando chegou mais cedo...
Meu rosto ardeu. Ele sabia. Claro que sabia. Sorriu devagar, como um lobo que sente o cheiro do desejo.
- Eu pensei em parar... mas saber que você estava me assistindo me deixou mais excitado do que deveria admitir.
Meu coração disparou. Minhas pernas ficaram moles. Eu já não sabia se era o vinho ou o jeito como ele me olhava, mas tudo em mim pulsava.
- Eu não devia ter olhado - sussurrei.
- Mas você olhou. E agora está aqui, tremendo, com vontade de repetir aquilo... comigo te assistindo.
Soltei um suspiro entrecortado. Ele se aproximou mais e me tocou pela primeira vez. Os dedos deslizaram pela minha coxa exposta, subindo devagar, como se testasse limites. Quando sua mão encontrou minha pele nua por baixo do pijama, não recuei. Abri as pernas. Recebi o toque. Implorava por ele sem dizer uma palavra.
Ele me beijou então. Um beijo quente, faminto, daqueles que consomem o fôlego. Suas mãos estavam por toda parte: em minha cintura, minhas costas, meus seios. Me pegou no colo com facilidade e me levou até o quarto dele.
Quando me jogou na cama, subiu por cima de mim e rasgou meu pijama com as mãos, senti um arrepio de prazer que percorreu cada nervo. Ele não queria me despir com calma - queria me desnudar como quem tem fome.
Meus seios estavam à mostra, e ele os devorou com a boca. Sugava com força, alternando entre lambidas circulares e mordidas suaves. Eu gemia alto, arqueando o corpo sob ele, implorando por mais.
Suas mãos abriram minhas pernas, e ele desceu com a boca até minha intimidade. Quando sua língua me tocou, soltei um grito. Ele sabia exatamente o que fazer. Seu rosto afundado entre minhas coxas, chupando meu clitóris com precisão, enquanto dois dedos entravam e saíam de mim num ritmo delicioso.
Meu corpo tremia. Meus quadris se moviam involuntariamente, buscando mais, pedindo mais. Gozei na boca dele, gritando seu nome, segurando seus cabelos com força.
Mas ele não parou.
Subiu por cima de mim, e senti o toque da sua ereção contra minha entrada ainda úmida e sensível. Ele não perguntou. Me olhou nos olhos, esperou meu sinal. E eu apenas empurrei meu quadril contra ele.
A penetração foi lenta, profunda. Meu corpo se abriu para recebê-lo. Senti cada centímetro invadir meu corpo, preenchendo espaços que eu nem sabia que existiam. Ele começou a se mover. No início devagar, depois mais rápido, mais forte, com os quadris batendo nos meus, o som do sexo preenchendo o quarto.
Eu gemia sem pudor. Dizia coisas que nunca tinha dito. Ele me chamava de "minha" no ouvido, dizia que estava obcecado, que sonhava comigo todas as noites. Mudamos de posição. Fui por cima. Rebolei lentamente, vendo seus olhos revirarem de prazer. Depois ele me virou de costas, e me tomou por trás com força, segurando minha cintura, falando coisas sujas no meu ouvido que me faziam gozar ainda mais.
Gozei de novo, sentindo as pernas falharem, e ele gozou logo depois, enterrado até o fim, rugindo de prazer.
Caímos na cama, ofegantes, suados, completamente saciados - por ora.
O silêncio que se seguiu foi diferente. Não havia culpa, não havia confusão. Apenas um calor compartilhado, um desejo que havia finalmente se concretizado.
- Isso muda tudo - ele disse, a voz rouca.
- Eu sei. - Sorri, passando a mão no peito dele. - E eu não mudaria nada.
Nos dias que seguiram, continuamos. Não era mais apenas um desejo passageiro. Era uma obsessão. Aproveitávamos cada momento em que Júlia saía. Fazíamos sexo na cozinha, no banheiro, contra a parede da sala. Eu me tornava outra mulher nas mãos dele - mais ousada, mais viva, mais intensa.
Mas também havia carinho. Daniel me olhava como quem vê algo raro. Me beijava depois do orgasmo. Me cobria com o lençol. Me fazia café.
O desejo virou vício. O vício virou paixão.
E, mesmo sabendo que aquela hospedagem era temporária, que tudo acabaria quando meu trabalho terminasse, eu me joguei por inteiro. Porque algumas experiências não pedem permissão. Elas apenas tomam conta de você.
Com 22 anos, passar o feriado de Ação de Graças sozinha não me parecia o fim do mundo - mas, para a minha irmã Anne, isso era impensável. Ela insistia que eu precisava "socializar mais", e foi assim que acabei praticamente arrastada para uma viagem com ela e o namorado. Iríamos para o chalé da família dele, nas montanhas, cercados pela natureza, com lareira acesa... e um bando de desconhecidos.
Chegamos no final da tarde. O ar fresco da serra batia no rosto, e o chalé era lindo - grande, de madeira rústica, com janelas enormes que deixavam o pôr do sol pintar as paredes com tons dourados. Mal havíamos tirado as malas do carro quando eu o vi.
Fernando.
Ele era o sogro da minha irmã. Pai do namorado dela. E era impossível não notar sua presença. Um homem maduro, de postura firme, cabelo grisalho bem cortado, olhos intensos e um sorriso que parecia perigoso. Tinha 49 anos, mas não era um daqueles pais caretas e acomodados. Seu corpo era definido na medida certa, com músculos firmes que preenchiam a camiseta sem exagero. Nada de marombeiro de academia - ele era viril, sólido, natural.
Fernando nos cumprimentou com um abraço caloroso, mas, quando seus olhos encontraram os meus, senti um arrepio subir pela espinha. Talvez tenha sido coisa da minha cabeça, mas aquele olhar durou um segundo a mais do que deveria. Um segundo carregado de curiosidade. E desejo.
Achei que aquele feriado seria mais um daqueles fins de semana entediantes, com jogos de tabuleiro em família e jantares longos demais. Mas bastou um olhar de Fernando para transformar tudo.
Logo descobri que ele era casado. Sua esposa - Maristela - estava presente. Um sorriso forçado, comentários cortantes, sempre reclamando de algo. Ela era o tipo de mulher que fazia questão de se impor, mas sem perceber que ninguém realmente prestava atenção.
Nem mesmo o próprio marido. Fernando a tratava com educação distante. Sempre solícito, mas jamais carinhoso. E eu percebi: ele não a desejava mais. Talvez há anos.
Foi aí que tive certeza: eu podia avançar.
Estava ali apenas por educação, mas agora tinha um plano. Fernando não sairia daquele chalé sem sentir o gosto do meu corpo. Eu ia seduzi-lo até que ele não conseguisse mais resistir. E não pararia até tê-lo dentro de mim, me tomando como um homem toma uma mulher que sabe que não deveria querer - mas quer mesmo assim.
Na primeira noite, me comportei. Fingi ser a boazinha. Jantei, ri das piadas sem graça do cunhado, ajudei a lavar a louça. Mas, por dentro, eu observava cada movimento de Fernando: como segurava a taça de vinho, como se sentava no sofá, como me olhava quando achava que ninguém estava vendo.
Minha pele ardia. Meu corpo reagia só de imaginar o dele sobre mim.
Era madrugada quando minha irmã entrou no quarto que dividíamos e, rindo baixinho, me contou que a sogra tomava remédios fortes para dormir. Para ela, um detalhe irrelevante. Para mim, uma porta se abrindo.
Quando ela dormiu, fiquei acordada. O chalé já estava silencioso. Apenas o som do vento lá fora e da madeira rangendo com o frio da serra.
Foi então que vi a sombra.
Descendo a escada lentamente, com passos firmes e silenciosos. Era ele. Só podia ser.
Levantei da cama e vesti um robe leve de cetim, curto, que mal cobria a calcinha. Saí descalça, sem pressa, o coração acelerado. Atravessei o corredor como quem já sabe o que vai acontecer.
Encontrei Fernando na cozinha, com um copo de água na mão. Ele estava de costas, apenas de calça de pijama. O torso nu. A luz da geladeira aberta iluminava seu corpo forte, e por um instante, fiquei parada, apenas admirando.
Ele se virou, surpreso. Mas não assustado.
Ele se virou, surpreso. Mas não parecia incomodado.
- Não conseguiu dormir? - perguntou com a voz baixa, rouca, densa como o próprio silêncio da madrugada.
- Meu corpo está inquieto... demais pra descansar - respondi com um meio sorriso, avançando devagar, os pés descalços no piso frio, o cetim roçando nas minhas coxas.
Ele bebeu um gole de água, o olhar vagando pelas minhas pernas nuas, subindo com calma até encontrar meu decote entreaberto. A tensão no ar era palpável.
- Você sabe que não deveria estar aqui - ele murmurou, sem mover um centímetro.
- E você sabe que me quer aqui - rebati, deixando a voz arrastar como um convite.
- Gosta de brincar com fogo, Luana?
- Eu adoro me queimar - sussurrei, parando a centímetros dele, sentindo o calor que emanava da sua pele nua.
Ele respirou fundo, os olhos fixos nos meus.
- Eu sou casado...
- Você está sozinho... comigo - deslizei meus lábios até o pescoço dele, deixando o calor da minha respiração provocar sem tocar.
- Isso é loucura.
- É o que você tem desejado desde o primeiro segundo. Eu senti.
Minhas mãos pousaram devagar no peito dele. A pele quente, firme, pulsava sob meus dedos. Deslizei até sua barriga, provocando uma leve contração em seus músculos.
- Você quer isso tanto quanto eu.-
Minhas mãos pousaram em seu peito. A pele quente, firme, com poucos pelos. Deslizei até seu abdômen. Ele arfou.
- Diga que não quer. E eu paro agora.
Ele não disse nada.
Apenas me puxou com força e colou sua boca na minha.
O beijo explodiu com urgência. Ele segurou minha nuca, me prensando contra o balcão da cozinha, enquanto suas mãos desciam pelas minhas costas, agarrando minha bunda e me puxando contra a ereção pulsante sob a calça.
Minhas pernas se abriram para ele. Meu corpo implorava. Ele puxou o robe, que caiu ao chão. Eu estava só de calcinha, os mamilos duros de frio e excitação.
Ele chupou meus seios com fome. A boca quente contrastava com o ar gelado. Seus dentes arranhavam levemente minha pele, fazendo meu corpo vibrar.
- Você é perfeita... - ele sussurrou, deslizando os dedos pela minha barriga até alcançar o meio das minhas pernas.
Minha calcinha estava ensopada. Ele passou os dedos por cima do tecido, massageando o clitóris com a ponta, fazendo meu quadril se arquear.
- Tão molhada pra mim... - murmurou, roçando os lábios no meu pescoço.
- Tira a roupa... quero ver você inteiro.
Ele obedeceu. Lentamente. Primeiro a calça. Depois a cueca. O pau dele saltou - duro, grosso, veias marcadas. Lindo. Viril. Do tipo que faz qualquer mulher implorar.
Me ajoelhei. Coloquei-o na boca devagar, saboreando. A textura, o gosto. Ele gemeu baixo, enfiando os dedos no meu cabelo, guiando o ritmo com cuidado, como quem quer aproveitar cada segundo. Olhei para ele enquanto chupava, a língua massageando a glande, a boca quente e apertada. Os músculos dele retesavam a cada movimento.
- Para... se continuar, vou gozar agora - avisou, puxando-me para cima.
Me ergueu e me sentou sobre a bancada. Afastou minha calcinha. Sua língua encontrou meu sexo com precisão - lambendo, sugando, explorando. Eu gemia, puxando seus cabelos, os quadris se movendo por instinto.
Gozei assim, tremendo, a respiração entrecortada.
Ele me virou de costas, me inclinando sobre o balcão. A cabeça do pau roçando na minha entrada, me torturando, até finalmente me penetrar. Devagar no começo. Depois, fundo. Com força.
Cada estocada fazia meu corpo estremecer. O som das nossas peles se chocando preenchia o ambiente. Ele segurava meus quadris, me puxando contra si, me preenchendo por completo.
- Você queria isso, não queria? - rosnou no meu ouvido. - Ficar de quatro pra mim, sendo comida como uma putinha safada.
- Sim... me fode... me usa...
O ritmo aumentou. Eu gemia sem medo, entregue. As mãos dele apertavam minha bunda, depois desceram até a frente, massageando meu clitóris enquanto me comia. Explodi de prazer de novo, um orgasmo intenso que fez minhas pernas cederem. Ele me segurou firme, continuando até gozar dentro de mim com um gemido rouco, profundo, possessivo.
Ficamos ali. Suados, colados, ofegantes. O cheiro do sexo misturado ao perfume dele, à madeira do chalé, ao frio da madrugada.
Ele se afastou, respirando fundo, e me puxou para um abraço silencioso.
- Isso foi loucura... - murmurou.
- Foi tudo o que eu queria - respondi, encostando a testa em seu peito.
Ele me olhou. Sério. Em conflito. Mas nos olhos havia algo mais.
Desejo. Fome.
E eu sabia: aquele feriado ainda estava longe de terminar
O sol castigava com força naquele domingo, escorrendo pelas telhas e fazendo o ar parecer mais denso. Meus pais, animados, decidiram fazer um churrasco à beira da piscina - o velho som de pagode ecoava da caixa de som, cerveja estalando de gelada nos copos e o cheiro da carne assando preenchendo o quintal. Tudo parecia um domingo qualquer, mas não para mim.
Minha mente estava em um único lugar. Ou melhor, em um único homem: Jonas.
Ele era amigo do meu pai há anos. Sempre presente nas festas, nas conversas animadas de fim de tarde, nas viagens de pescaria. Jonas era aquele tipo de homem que não precisava dizer muito. Quarenta e três anos muito bem vividos, com um corpo forte, definido pela rotina fiel na academia e marcado por um bronzeado de quem conhece o sol. Ombros largos, mãos grandes, barba bem feita e olhos escuros que, quando se fixavam em mim, pareciam atravessar qualquer disfarce.
Havia algo no jeito dele me olhar - não era comum, não era casual. Era um convite silencioso, um desafio. Era como se dissesse: eu sei o que você quer. E ele sabia.
Eu era mais nova, sim. Mas não era ingênua. E fazia tempo que o desejo me corroía em silêncio. Queria sentir aquelas mãos explorando meu corpo, ouvir aquela voz grave dizendo meu nome ao pé do ouvido. Queria saber o gosto daquele homem que me observava como se, a qualquer momento, fosse me tomar por completo.
Subi para o quarto antes dos convidados começarem a chegar. Era hora de escolher minha armadura - ou melhor, minha arma. Abri a gaveta lentamente, como quem sabe que está prestes a provocar um incêndio. Escolhi o biquíni preto, o menor que eu tinha. Fio-dental, com o sutiã mínimo, que mal cobria meus seios. Ajustei as alças, passei óleo no corpo com movimentos lentos, prestando atenção ao brilho que se espalhava pela minha pele dourada. Retoquei o brilho nos lábios, soltei o cabelo e me olhei no espelho.
Eu estava pronta para seduzir. E sabia que seria impossível para ele resistir.
Quando Jonas chegou, eu soube antes de vê-lo. A voz grave ressoou pelo quintal, seguida de uma risada solta que me fez arrepiar. Me aproximei da varanda, segurando a toalha contra o peito e rebolando sutilmente a cada passo. Lá estava ele: short bege, camisa branca entreaberta, óculos escuros e uma cerveja na mão. A pele morena reluzia sob o sol, e o peito largo aparecia por entre os botões abertos.
Quando nossos olhos se encontraram, algo silencioso se acendeu entre nós.
- Oi, Jonas - sorri, fingindo inocência, mesmo sabendo que minha intenção era tudo, menos pura.
Ele tirou os óculos, me olhando dos pés à cabeça com calma, como quem saboreia.
- Oi, Luana. Tá... diferente hoje.
- Diferente bom?
- Muito bom - ele respondeu, com aquele sorriso torto e indecente que fazia meu ventre estremecer.
Passei a tarde flertando com o olhar, provocando com gestos e silêncios. Me abaixava perto dele de propósito, deixando o biquíni esticar entre as curvas. Molhava os lábios com a língua e entrava na piscina com movimentos lentos, deixando as gotas escorrerem pelo meu corpo. Cada passo meu era um convite. E ele, silenciosamente, aceitava.
Eu podia ver o desejo crescendo nele. Os olhares prolongados, os suspiros disfarçados, os olhos que às vezes caíam nos meus seios e voltavam como se nada tivesse acontecido. A tensão entre nós era tão forte que poderia ser cortada com uma faca.
Conforme a noite caía, os convidados começavam a se dispersar. Meu pai ria alto com os amigos, já meio bêbado, sentado na varanda contando piadas antigas. A música agora vinha baixa, misturando-se ao som dos grilos e da carne ainda chiando na grelha.
Foi então que vi Jonas se afastando, indo em direção ao banheiro externo. Meu corpo reagiu antes da minha mente. Esperei um minuto - tempo suficiente para parecer natural - e fui atrás.
Bati na porta com a mão trêmula.
- Pode entrar - ele disse, a voz mais rouca do que o normal.
Abri devagar e fechei atrás de mim, girando a chave com um clique baixo. O ambiente era pequeno, quente, com o cheiro da madeira misturado ao da minha pele. Ele estava encostado na parede, me olhando como se soubesse exatamente o que ia acontecer. Como se tivesse esperado por isso tanto quanto eu.
Fiquei parada por um segundo, sentindo o coração acelerar. Depois, caminhei até ele, lentamente, até nossos corpos quase se tocarem.
- Você sabe que eu te quero, né? - sussurrei.
Os olhos dele se estreitaram, escurecendo. Ele não respondeu. Apenas me puxou com força pela cintura, colando nossos corpos, e me beijou.
O beijo foi feroz. Fome, desejo, urgência. Ele me puxou contra seu corpo com tanta força que quase perdi o equilíbrio. As suas mãos, grandes e firmes, correram pela minha cintura, subiram até os meus seios e apertaram com possessividade. Eu gemi baixinho, e ele correspondeu com uma intensidade ainda maior, aprofundando o beijo, explorando minha boca com a língua de uma maneira que me deixou sem fôlego.
Meu corpo estava pegando fogo. Cada toque, cada movimento me fazia querer mais. Suas mãos estavam por toda parte, mas eram seus olhos que me enlouqueciam. Aqueles olhos escuros, carregados de desejo, de poder, me observavam com uma mistura de malícia e excitação. Ele me queria, eu podia sentir isso em cada segundo que passava.
A cada movimento, nossos corpos se colavam mais. O calor era insuportável. A camisa dele estava amassada contra o meu peito, e o leve toque de sua pele morena me incendiava. Ele estava com fome de mim, e eu de tudo o que ele podia me dar. A tensão entre nós se acumulava, e não havia mais volta.
Ele quebrou o beijo e me olhou nos olhos, respirando pesadamente.
- Você me provoca tanto, Luana... - disse ele, a voz grave e rouca.
Eu sorri de volta, um sorriso travesso, sabendo exatamente o que ele queria ouvir.
- Eu sei o que você quer, Jonas. Você me quer tanto quanto eu te quero.
Ele rosnou baixinho, e então, sem mais palavras, me empurrou contra a parede. O som do meu corpo batendo no azulejo gelado foi abafado pelos seus lábios nos meus, agora mais ferozes. Minhas mãos subiram até o pescoço dele, puxando-o para mim, como se quisesse fundir nossos corpos de uma vez.
Ele me afastou apenas o suficiente para me olhar com aquele sorriso de predador.
- Vai ser do meu jeito agora, Luana. Você vai fazer tudo o que eu mandar, entende?
Eu assenti, não conseguindo falar. Meu corpo já estava completamente entregue. Não queria mais nada além dele.
Ele afastou o biquíni com um movimento rápido, o tecido agora amontoado ao meu lado. Seus dedos, quentes e ágeis, correram pela minha pele até o centro da minha intimidade. Eu estava molhada, muito molhada. O desejo se espalhava por mim, quente e insuportável. Quando ele me tocou, um gemido involuntário escapou dos meus lábios.
- Você é tão apertadinha... - ele murmurou, se curvando para me beijar no pescoço. O som de sua voz rouca me fez tremer.
Minha cabeça estava em chamas, os nervos em fogo. Ele me explorava lentamente, sentindo cada reação minha. Quando ele finalmente afastou a parte de baixo do biquíni, expôs minha pele a ele por inteiro, e seu toque em minha intimidade me fez estremecer.
- Me faça sentir você, Luana. Quero ouvir seus gemidos. Quero ver você se entregando pra mim.
Eu não consegui mais me conter. Meus quadris se moveram, e eu me pressionei contra ele, sentindo sua ereção pulsando contra minha barriga. Eu queria sentir tudo. Cada centímetro dele.
Com um movimento rápido, ele me virou de costas. Minhas mãos estavam na parede, meus seios pressionados contra a superfície fria, o que aumentava a sensação de prazer. Ele me puxou para perto, seus dedos fortes na minha cintura. A sensação de seus músculos contra meu corpo me fez sentir um desejo ainda mais profundo.
Eu não conseguia mais pensar, só sentir. O som da minha respiração, os gemidos baixos que escapavam dos meus lábios, e a pressão do corpo dele me faziam querer mais. Ele posicionou-se atrás de mim, e, com um movimento firme, penetrou-me de uma vez. O impacto foi profundo, e um grito abafado se formou em minha garganta. A dor momentânea logo se transformou em prazer, e eu me entreguei completamente.
Ele não foi gentil. Sua penetração era firme, decidida. Cada empurrão me fazia desejar mais, mais forte, mais rápido. Eu estava perdida. Ele me possuía de uma forma que nenhuma outra pessoa jamais tinha feito. Seus golpes contra meu corpo eram profundos, rítmicos, como se estivesse me moldando, me completando.
A cada estocada, meu corpo respondia. Eu me movia para encontrá-lo, meus gemidos mais altos, mais intensos. O som do nosso prazer era a única música que preenchia o ambiente. Ele me segurava com força, me impedindo de fugir, e ao mesmo tempo me entregava algo que eu nunca soubera que queria.
- Isso é o que você quer, Luana? - ele sussurrou no meu ouvido, as palavras carregadas de desejo. Eu não consegui responder, apenas gemi, me afundando ainda mais no prazer que ele me proporcionava.
Ele aumentou o ritmo, mais rápido, mais pesado. Eu não conseguia pensar em nada, só sentia. Cada movimento dele, cada toque, fazia meu corpo explodir em sensações. Quando ele me empurrou mais forte, senti a pressão crescente, e então a onda de prazer finalmente me dominou. Eu gozei, meu corpo se contraindo, minhas pernas tremendo. Mas ele não parou. Ele queria mais. Queria me fazer gozar de novo.
Ele me girou, colocando-me de frente para ele, e me beijou de forma possessiva. As mãos dele estavam por toda parte, arranhando, tocando, explorando. E então ele me penetrou novamente, desta vez mais profundo, mais intensamente.
Eu perdi a conta de quantas vezes gozei. O prazer parecia não ter fim. Quando ele finalmente se entregou, seu corpo tenso, ele gemeu meu nome, e eu senti o calor dele me preencher, marcando-me por dentro. O silêncio após o clímax foi denso, pesado.
Ficamos ali, em silêncio, nos olhando. Nossos corpos ainda estavam colados, ofegantes, e eu sabia que não havia mais volta. Ele me possuía. E eu já não queria mais nada além disso.