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Contra Tudo e Todos: A Guerra de Laura

Contra Tudo e Todos: A Guerra de Laura

Autor:: Xigua Xiong
Gênero: Moderno
"Seu marido tinha razão", disse o médico, entregando-me o envelope pardo. Dentro, o teste de paternidade confirmava: o feto não era do Pedro. Eu sentia um vazio esmagador. O meu casamento estava acabado e, para ele, a culpa era minha. Pedro já me esperava no carro, com um sorriso de alívio. "Eu sabia. A minha mãe nunca se engana." A Sofia. A mulher que transformou a minha vida num inferno. Ele queria o divórcio e que eu saísse de mãos vazias, "dada a situação". Cheguei ao nosso apartamento, que agora parecia estranho. Vi sapatos de mulher caros na entrada. Ouvi vozes que não eram as minhas. "Ela já sabe?", perguntou Inês, a amante. "Sim", disse Pedro. "Mostrei-lhe o teste falso que a mãe mandou fazer. Ela acreditou em tudo." O meu coração parou. Falso. Era tudo mentira. "Ela vai assinar os papéis do divórcio sem pedir nada", continuou ele, orgulhoso. "E o bebé?", perguntou Inês. "Era mesmo teu?" "Claro que era", respondeu Pedro. "Mas era a única maneira de me livrar dela sem lhe dar um tostão." O meu mundo desmoronou. O nosso bebé foi sacrificado por dinheiro? A raiva ferveu em mim. Eles armaram-me, me humilharam, me fizeram acreditar na pior das traições. Levanto a cabeça, os olhos fixos na hipocrisia à minha frente. "O teste era falso", afirmo, não pergunto. Pedro empalideceu. Ele pode ter-me roubado o amor, a casa, o filho, mas não me vai roubar a dignidade. "Divórcio? Sim, Pedro. Mas não vai ser como tu e a tua mãe planearam." Eles pensavam que iam ganhar, mas mal sabem que esta é apenas a minha declaração de guerra.

Introdução

"Seu marido tinha razão", disse o médico, entregando-me o envelope pardo.

Dentro, o teste de paternidade confirmava: o feto não era do Pedro.

Eu sentia um vazio esmagador. O meu casamento estava acabado e, para ele, a culpa era minha.

Pedro já me esperava no carro, com um sorriso de alívio. "Eu sabia. A minha mãe nunca se engana."

A Sofia. A mulher que transformou a minha vida num inferno.

Ele queria o divórcio e que eu saísse de mãos vazias, "dada a situação".

Cheguei ao nosso apartamento, que agora parecia estranho.

Vi sapatos de mulher caros na entrada. Ouvi vozes que não eram as minhas.

"Ela já sabe?", perguntou Inês, a amante.

"Sim", disse Pedro. "Mostrei-lhe o teste falso que a mãe mandou fazer. Ela acreditou em tudo."

O meu coração parou. Falso. Era tudo mentira.

"Ela vai assinar os papéis do divórcio sem pedir nada", continuou ele, orgulhoso.

"E o bebé?", perguntou Inês. "Era mesmo teu?"

"Claro que era", respondeu Pedro. "Mas era a única maneira de me livrar dela sem lhe dar um tostão."

O meu mundo desmoronou. O nosso bebé foi sacrificado por dinheiro?

A raiva ferveu em mim. Eles armaram-me, me humilharam, me fizeram acreditar na pior das traições.

Levanto a cabeça, os olhos fixos na hipocrisia à minha frente.

"O teste era falso", afirmo, não pergunto.

Pedro empalideceu.

Ele pode ter-me roubado o amor, a casa, o filho, mas não me vai roubar a dignidade.

"Divórcio? Sim, Pedro. Mas não vai ser como tu e a tua mãe planearam."

Eles pensavam que iam ganhar, mas mal sabem que esta é apenas a minha declaração de guerra.

Capítulo 1

O médico entregou-me um envelope pardo. Dentro estava o teste de paternidade.

"Senhora, o seu marido tem razão," disse ele, com um tom neutro. "O feto não era dele."

Eu segurei o envelope. O papel parecia pesado nas minhas mãos.

"Obrigada, doutor," respondi, a minha voz soando distante.

Saí do consultório. Lá fora, o sol de Lisboa brilhava intensamente, mas eu não sentia o seu calor.

O meu marido, Pedro, estava à minha espera no corredor. Ele não olhou para mim. Os seus olhos estavam fixos no chão de azulejo.

"E então?" perguntou ele.

"Tinham razão," disse eu. "O filho não era teu."

Pedro levantou a cabeça. O alívio no seu rosto foi imediato e óbvio. Um sorriso quase escapou-lhe dos lábios.

"Eu sabia," disse ele. "A minha mãe nunca se engana."

A sua mãe. Sofia. A mulher que transformou a minha vida num inferno desde o dia em que me casei com o filho dela.

"Agora podemos finalmente resolver isto," continuou Pedro, já a caminhar em direção à saída. "Vou ligar ao meu advogado. O divórcio será rápido. Dada a... situação, não tens direito a nada."

Eu não disse nada. Apenas o segui para fora do hospital.

O silêncio no carro era denso. Eu olhava pela janela para as ruas familiares de Lisboa a passarem. Cada esquina, cada café, uma memória. Memórias que agora pareciam pertencer a outra pessoa.

O meu telemóvel vibrou na minha mala. Era uma mensagem da minha irmã, Clara.

"Como correu? Estás bem?"

Não respondi. O que poderia eu dizer?

Pedro parou o carro em frente ao nosso prédio.

"Podes ir buscar as tuas coisas," disse ele, sem me encarar. "Mas sê rápida. A minha mãe vem cá hoje à noite. Ela não te quer ver aqui."

Subi as escadas. O nosso apartamento, que antes era o meu refúgio, agora parecia um território inimigo.

Abri a porta. A primeira coisa que vi foi um par de sapatos de mulher caros perto da entrada. Não eram meus.

Do quarto, ouvi vozes. A de Pedro e a de outra mulher. Era a voz dela. A voz da amante dele, Inês.

"Ela já sabe?" perguntou Inês, a sua voz um sussurro conspirador.

"Sim," respondeu Pedro. "Mostrei-lhe o teste falso que a mãe mandou fazer. Ela acreditou em tudo."

O meu coração parou.

Falso. O teste era falso.

"Ela vai assinar os papéis do divórcio sem pedir nada," continuou Pedro, orgulhoso. "Pensa que a culpa é dela. A minha mãe é um génio."

"E o bebé?" perguntou Inês. "Era mesmo teu?"

Houve uma pausa.

"Claro que era," disse Pedro, a sua voz baixa. "Mas era a única maneira de me livrar dela sem lhe dar um tostão. Agora, finalmente, podemos ficar juntos."

Eu fiquei paralisada no corredor. O som do meu próprio sangue a pulsar nos meus ouvidos era ensurdecedor.

O bebé. O meu bebé. O nosso bebé.

Ele sacrificou o nosso filho por dinheiro.

A raiva subiu pela minha garganta, quente e amarga. Abri a porta do quarto com um estrondo.

Pedro e Inês viraram-se, os seus rostos uma mistura de choque e pânico.

Eu olhei diretamente para Pedro.

"O teste era falso."

Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação.

O rosto de Pedro ficou pálido.

"O que estás aqui a fazer? Eu disse para ires buscar as tuas coisas!"

"Responde-me," insisti eu, a minha voz a tremer de fúria. "Tu mentiste. Tu fizeste-me acreditar que eu te tinha traído."

Ele não respondeu. A sua cobardia era a única resposta de que eu precisava.

Eu ri. Um som oco e sem alegria.

"Divórcio? Sim, Pedro. Vamos ter um divórcio. Mas não vai ser como tu e a tua mãe planearam."

Virei-me e saí do apartamento, deixando-os ali, no meio da sua traição.

Na rua, finalmente respirei. O ar parecia diferente. Mais leve.

Eu tinha perdido tudo. O meu marido, a minha casa, o meu bebé.

Mas eles não me tinham destruído. Eles tinham-me libertado.

E eu ia fazê-los pagar.

Capítulo 2

A primeira pessoa para quem liguei foi Clara. A sua voz estava cheia de preocupação.

"Laura? O que aconteceu? Estou a ver as tuas chamadas perdidas."

"Clara, preciso de ti," disse eu, a minha voz firme, apesar do caos dentro de mim. "Encontra-me no nosso café de sempre. Em vinte minutos."

Desliguei antes que ela pudesse fazer mais perguntas.

Sentei-me no café, um galão à minha frente a arrefecer. Clara chegou a correr, o seu rosto ansioso.

"Laura! O que se passa? Pareces..."

"Livre," completei eu.

Contei-lhe tudo. O teste de paternidade. A conversa que ouvi. A mentira de Pedro e da sua mãe.

Clara ouvia, os seus olhos a escurecerem de raiva a cada palavra. Quando terminei, ela bateu com o punho na mesa.

"Aquele filho da mãe! E a bruxa da mãe dele! Eu vou matá-los!"

"Não," disse eu, calmamente. "Nós vamos fazer algo muito melhor. Vamos destruí-los legalmente."

Clara olhou para mim, a sua raiva a dar lugar à surpresa. Ela nunca me tinha visto assim. A Laura que ela conhecia era dócil, sempre a evitar conflitos.

Essa Laura morreu hoje.

"Preciso de um advogado," disse eu. "O melhor advogado de divórcios de Lisboa. Alguém implacável."

Clara pensou por um momento.

"Conheço alguém," disse ela. "Dr. André Vargas. Ele é caro, mas dizem que é um tubarão. Ele come advogados como o do Pedro ao pequeno-almoço."

"Perfeito," disse eu. "Marca uma reunião para amanhã."

Naquela noite, não dormi em casa. Fiquei no pequeno apartamento de Clara. Ela deu-me roupas limpas e um sofá para dormir.

Enquanto estava deitada no escuro, não chorei. Em vez disso, planeei.

Pensei em todos os anos de casamento. Todos os pequenos sacrifícios que fiz. As férias que cancelámos porque a mãe de Pedro "precisava" de algo. O dinheiro que poupei para a nossa casa, que ele gastou num carro novo para si. As vezes que ele me diminuiu em frente aos amigos.

Cada memória era um pedaço de combustível para a minha fogueira.

No dia seguinte, encontrei-me com o Dr. Vargas. O seu escritório era moderno e imponente, com uma vista sobre o Tejo. Ele era um homem de meia-idade, com um olhar aguçado que parecia ver através de mim.

Contei-lhe a minha história, de forma concisa e factual. Não mostrei emoção. Apenas os factos.

Quando terminei, ele inclinou-se para a frente, os seus dedos entrelaçados sobre a mesa.

"Senhora Martins," disse ele. "O que o seu marido e a sua sogra fizeram não é apenas moralmente repreensível. É fraude. Coerção emocional. Podemos usar isto."

"Eu quero tudo a que tenho direito," disse eu. "Metade da casa. Metade das poupanças. Pensão de alimentos. E quero que eles admitam o que fizeram."

Dr. Vargas sorriu. Não era um sorriso caloroso. Era o sorriso de um predador.

"Isso é exatamente o que vamos conseguir," disse ele. "Primeiro passo: vamos fazer o nosso próprio teste de paternidade. Um teste oficial, com uma amostra minha e uma amostra de ADN do feto, que o hospital ainda deve ter. Isso vai provar que o bebé era dele."

"Eles vão tentar esconder," disse eu.

"Deixe isso comigo," respondeu o Dr. Vargas. "A lei está do nosso lado."

Saí do escritório dele a sentir-me mais forte do que em anos. O medo tinha desaparecido, substituído por uma determinação fria.

O jogo tinha começado. E desta vez, eu ia ditar as regras.

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