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Contrata-se uma noiva

Contrata-se uma noiva

Autor:: Rutiéle Alós
Gênero: Romance
Ao encontrar Jeniffer Lorenzzi fugindo do próprio casamento, Enzo Bittencourt não teve escolha, senão ajudá-la...

Capítulo 1 Noiva em fuga

Jennifer não acreditava no que acabara de ver. Ricardo, seu noivo, com a calça social preta, aberta e arriada até os joelhos e Clarice, sua prima, chupando seu pau!

Resolvera chegar mais cedo a igreja, para poder descer as escadas na hora da marcha nupcial, ao invés de entrar pela porta, como todos esperavam. E teve uma péssima surpresa. Saía a passos rápidos, passando por vários convidados que olhavam a noiva sem entender nada.

Correu por entre alguns carros, estava com tanta raiva, que não derramou uma lágrima sequer. Ouvia Ricardo gritando atrás dela. Dobrou em uma esquina e viu um homem entrando dentro de um carro. Correu até lá e abriu a porta de trás.

- Vamos! Por favor, rápido!

Enzo virou-se assustado para o banco de trás de seu carro. Uma mulher vestida de noiva, parecia nervosa, olhava para trás, pedindo que saísse logo dali. Mas como ela entrara em seu carro tão rápido?

Arrancou cantando pneu, ainda perdido em como e porque uma noiva estava fugindo.

Longe dali, Jeniffer conseguiu respirar. Então olhou para o rosto do homem pelo espelho em que ele lhe encarava.

- Desculpa invadir seu carro. - Passou as mãos no rosto. - E obrigada por sair de lá. - Ele a olhava de cenho franzido.

- O que aconteceu lá? Porque está vestida de noiva? - Era óbvio, mas ela podia estar apenas fotografando, sendo modelo...

- Acabei de pegar meu noivo, ou melhor, ex-noivo, com minha prima...

Enzo faz um movimento de desgosto com a boca. Sabia o que era ser enganado, se compadeceu da jovem. - Como se chama? - Perguntou sem desviar o olhar da estrada.

- Jeniffer, e você? - Ele lançou-lhe um olhar pelo espelho, e pode ver os olhos cor de mel da garota, pareciam tão sinceros e meigos, que o fez odiar o tal noivo, como pudera trair um anjo como ela?

- Enzo Bittencourt. - Ficou a admirando por um momento antes de voltar os olhos para a estrada. - Estou atrasado para um almoço, não tenho como desviar. Vai ter que ir comigo.

Jeniffer suspirou e se recostou no carro. - Tudo bem... quanto mais tempo eu tiver antes de encarar meu pai, melhor...

- Como assim? - Enzo não entende como um pai poderia ficar contra a filha em um caso como esse.

- Ai, é complicado, mas meu pai queria fazer uma fusão de empresas com Ricardo, então estava muito feliz com esse casamento. - Jeniffer baixa a cabeça, pensando se realmente gostara de Ricardo ou se só se deixara levar pelo pai e pelas cantadas baratas de seu ex noivo. - Ainda bem que descobri essa traição antes de me amarrar a ele... - Fala triste, fazendo Enzo sentir seu sangue ferver. Era capaz de esganar o idiota que a fez sentir assim.

- Esqueça esse idiota! - Sua pensamento saiu em voz alta.

- Não será difícil, ele era um idiota mesmo. - Ela responde dando-lhe um sorriso meigo. - Para onde vamos? - Pergunta se inclinando e aproximando seu rosto do banco do motorista.

- Aniversário de casamento dos meus avós. - Ele a vê arregalar os olhos.

- Acho que não estou vestida apropriadamente... - Diz baixando os olhos, para seu enorme vestido, com metros de tecido branco.

Enzo acha graça, afinal era aniversário de casamento, ela estava vestida à caráter. - Bem... difícil vai ser explicar o porque de estar vestida assim... - Jeniffer faz uma cara de desespero.

- E agora?

- Podemos dizer que nos casamos, antes de ir para o almoço. - Ele solta uma risada. Nunca que acreditariam nisso. Depois que Valéria, sua noiva, o traíra, jurou nunca mais se comprometer. E isso já fazia mais de 5 anos. No início não levaram a sério, mas agora já acreditavam e até se preocupavam. Sua família era um bando de românticos incuráveis. Pensando bem, não era má ideia, assim o deixariam em paz, pelo menos por um tempo.

Jeniffer acompanhou a risada. Mas pensava que seria uma boa ideia, arrumar outro noivo, assim seu pai não poderia mais incomodá-la para se casar com Ricardo. Porque ela poderia jurar que ele ia convencê-la perdoar aquele cretino.

Ambos ficaram sérios e se encararam. Seria muita loucura? Muito desespero?

Capítulo 2 Noiva pelada

Chegando no sítio de seus avós, Enzo parou.

- Vou ligar para minha irmã, ela deve ter trazido alguma roupa, aí ela traz aqui para você, e evitamos de ter que explicar sua roupa de noiva para todos. - Ele diz com um sorriso divertido, imaginando a loucura que seria.

Jeniffer assente. Nunca poderia agradecer o suficiente àquele homem por tê-la ajudado a fugir de seu casamento.

Enzo ouve sua irmã Carolina atender já o repreendendo. - Onde você está? Está atrasado! Vovô que está assando churrasco!

Dou uma risada. É um velho metido mesmo! - E o pai?

- Tá ajudando, mas sabe como o vô é, disse que não gosta do churrasco dele, que tinha que ser você ou ele.

- Tá bom, estou na entrada... - Olha de soslaio para Jeniffer. - preciso de uma ajudinha sua.

- O que foi? - Ela diz curiosa, fazendo-o pensar se era boa ideia. Carolina era um ano e meio mais nova, mas era metida e controladora como a parte da família de sua mãe. Tinha um namorado há cerca de 5 anos, mas ainda não falavam em casar e ninguém intervia, já ele, por ter sido noivo, era cobrado todos os almoços ou jantares, quando lhes dariam, uma nora, ou cunhada, ou netos... a vontade era de fugir para as montanhas!

- É, eu queria que me trouxesse uma roupa sua aqui...

- Porque? - Ele fecha os olhos pensando em uma desculpa, mas nada parece ter cabimento.

- Estou com uma amiga, ela está com uma roupa inapropriada...

- Amiga? - Ele percebe que ela está sorrindo. - Ou namorada...?

- Amiga...

- Mãe...

- Carol! - Grita para que ela não faça isso!

- Enzo está com uma namorada pelada na entrada...

- Ela não está pelada! - Ele grita enquanto olha para Jeniffer que o encara atônita. - Está vestida de noiva!

- Eles estão noivos! Ai meu Deus!

- Deixa... - Desliga e coça a nuca.

- Não deveria ter ligado, esqueci que minha família é um bando de maluco casamenteiros.

Jeniffer ri. - Como assim?

- Estão achando que estou com minha noiva pelada no carro...

Jeniffer explode a gargalhar, Enzo não se aguenta e ri junto.

- Como essa breve conversa virou isso ?

- Pra você ver... - Enzo suspira forte. E agora? Como concertar a confusão?

- Se quiser posso fingir ser sua noiva...

- O que ? - Ela a olha incrédulo. Os olhos cor de mel estão brilhando em divertimento, ele relaxa. - Está brincando...

Jeniffer ri. O homem era bonito e tinha bom humor. Os olhos verdes, cabelos escuros e uma barba rala. Ele tinha os ombros largos, e aparentava ser alto.

- Estou brincando, mas se quiser não me importo, pelo que vi estão doidos para você aparecer com uma noiva. - Solta uma risada gostosa que faz Enzo estreitar os olhos, com o frio em seu estômago. - Além do mais, te devo uma... - Arregala os olhos e sorri amplamente.

- Tá... - Jeniffer ergue as sobrancelhas surpresa, mas animada, afinal nunca fizera nada arriscado ou impensado em sua vida. Seu pai sempre foi controlador, mas ela não permitiria mais que ele a dominasse.

- Tá... - Ri e se perde na floresta dos olhos verdes dele.

- Podemos dizer que você é modelo e estava provando e não teve tempo de destrocar a roupa...

Jeniffer franze o cenho. - Péssima desculpa para eu estar vestida assim, mas melhor do que dizer que você já casou sem a presença deles, né?

Enzo faz uma cara de confusão e coça a nuca. - Qualquer opção vai dar rebuliço naquela família...

Ele se põe a dirigir novamente, com Jeniffer sentindo seu coração aos pulos com a ideia de mentir que está noiva de um desconhecido. Se bem, que o seu noivo real, ou melhor ex-real-noivo era um desconhecido também, visto que acreditou em suas palavras e o pegou sendo chupado por outra. Sua prima ainda...

Não reparou que ele havia estacionado. Só quando ele abriu a porta para ela e lhe estendeu a mão é que saiu de seu devaneio. Pegou a mão estendida e saiu do carro, sentindo um friozinho na barriga.

Capítulo 3 Família

Jeniffer sentia os saltos brancos afundando no gramado a cada passo que dava. Virou o rosto e olhou para Enzo, que olhava fixamente para frente com o cenho levemente franzido.

- Podemos dizer a verdade... - Jeniffer fala sentindo um estranho frio na espinha.

- Não importa o que dissermos... - Ele sorri amplamente para ela. - Vão fazer de você minha noiva. - Segura o riso. - Minha família vive por uma boa fofoca, um bom romance... então vamos caprichar nos detalhes. - Ele pisca, e o coração de Jeniffer se acelera no peito.

Sentia que cometia um erro, mas de tantos que poderia ter cometido, ter aceitado se casar com Ricardo tinha sido o maior deles. Por sorte o pegara cometendo aquela loucura no dia de seu casamento. Assim evitou transtornos futuros, ainda maiores. Então, quem está na chuva, é para se molhar.

- Ok... - Suspirou ao ver uma moça jovem, aparentando ter sua idade correndo em sua direção.

A moça arregalou os olhos e encarou Enzo. - Você casou! Sem nos convidar? - Logo atrás vinha uma mulher mais velha e um senhor de idade avançada.

- Enzo, como pode fazer isso com sua família? Casar-se escondido! - A mulher que parecia ser a mãe dele falava, desviando dele e envolvendo Jeniffer em um abraço. - Bem vinda a família, filha...

- Prazer, sou Jeniffer. - Tento dizer, mas quando dou por mim estou cercada por familiares, que não consigo contar. Vejo Enzo tentando explicar, que sou modelo, vestido de prova, interjeições desconfiadas e gritos de euforia.

Por fim conseguimos chegar a uma grande área coberta com duas mesas de madeira, enormes, com bancos para sentar.

- Carol pode encontrar uma roupa para emprestar para Jenif...

- Claro... venha Jeni, eu trouxe uma muda de roupa para mim, que posso te emprestar.

Jeniffer é arrastada para dentro da grande casa, estilo de campo, com apenas um andar, comprida cheias de portas e quartos, com partes de madeira e outras em alvenaria.

- Aqui está! - Carol lhe entrega um cropped lilás, e um short jeans. Jeniffer não crê no que vê. A roupa era de adolescente. A garota parecia maior que ela, como cabia naquilo?

- Obrigada... ahn será que pode me ajudar? - Jeniffer pergunta sem jeito. - Estou com espartilho... - A garota a sua frente sorri e sai correndo do quarto.

Jeniffer suspira e começa a tirar seus sapatos, seus pés estão vermelhos pelo esforço de caminhar no gramado e nas britas do local, sente-se aliviada só de tirá-los. A porta do quarto se abre violentamente e ela se assusta. Carol traz Enzo pela mão e praticamente o joga para dentro do quarto.

- Ajude sua noiva, ela pediu ajuda... - Carol sai e pisca com um olhos só para mim, me deixando boquiaberta.

- Mas... o que ?

- Tudo bem... não tente entender, eu já desisti. - Enzo balança a cabeça. - No que precisa de ajuda?

Jeniffer fica o encarando por alguns segundos então decide-se. - Bem... os botões de trás do vestido... - Vira-se de costa engolindo seco.

Enzo repara que a garota a sua frente está mais baixa, percebe os sapatos altos jogados de lado, caminha até ela, virada de costas e tranca a respiração. Os cabelos sedosos estavam para o lado, dando-lhe espaço para desabotoar o enorme vestido.

Sua manhã tinha sido tranquila, acordara cedo, tomara um bom café da manhã, perdera tempo a mais do que de costume no banho, ligara para seu amigo Pedro e combinara um happy hour na próxima sexta. Saíra em cima da hora propositalmente, pois sabia que nos encontros de família, ele era o alvo de especulações, sobre quando arrumaria uma namorada e blábláblá... ele não pretendia arrumar uma namorada tão cedo. Já fora feito de besta o suficiente. Estava em um momento de aproveitar a vida, curtir as festas, os bares, as variadas companhias.

E agora se via desabotoando o vestido de uma noiva. Uma noiva de verdade, que se escondera em seu carro fugindo do seu próprio casamento. E como se não fosse o bastante, agora era sua noiva. De mentirinha, mas sua noiva. Ergueu as mãos e começou pelo botão mais de cima.

Os botões pareciam pequenas pérolas, envoltas por um fino cordão de cetim. Vagarosamente foi libertando-os, e com isso ganhava uma visão de tirar o fôlego. As costas de Jeniffer. Praguejou mentalmente, sentindo sua ereção despontar.

Mas que inferno! Era só a pele das costas! O que havia com ele?

Seguiu até chegar no último, que se encontrava na altura dos quadris. Dando-lhe uma breve visão da calcinha de renda.

- Obrigada! - Jeniffer se afastou, nesse momento, um pouco ofegante. Sentira cada toque dos dedos quentes de Enzo em sua pele, conteve os arrepios, e engolira seco ao sentir a respiração dele em suas costas. - Daqui eu consigo sozinha. - Virou-se e encontrou-o fixado nela. - Enzo...

- Ah.. ok, se precisar é só chamar. - Ele dá um sorriso forçado e sai do quarto.

Enzo vai direto para o banheiro. Molha as mãos, os pulsos e o rosto. Suspira enquanto encara-se no espelho. - Cuidado Enzo! - Alerta a si mesmo. - Você sabe o que acontece quando entrega o coração... - Alonga o pescoço, estalando-o e sai do banheiro rumo a área externa, com sua família. Família essa que aguarda ansiosa por cada detalhe do romance entre ele e Jeniffer.

Rodeados de pessoas, Jeniffer admira a desenvoltura de Enzo, apesar de fazer caretas e suspirar, responde a todos e gargalha ao ouvir alguns absurdos.

Enzo tentava se concentrar na família e não no perfume adocicado que vinha do seu lado, nem na marca de biquíni a mostra pelo cropped que Carol havia emprestado a Jeniffer. Estava sentindo que perderia as forças e a agarraria, dando mais munição para sua família louca.

- Pessoal a carne está pronta! - Seu avô e pai, levavam duas bandejas repletas de carnes para a mesa.

- Vou pegar a salada de maionese... - Carol gritara.

- Eu pego o arroz. - Sua mãe se prontificara.

- Eu pego as saladas verdes. - Enzo levanta-se para poder respirar um momento, sem ser enfeitiçado pelo perfume da noiva em fuga. Segura o riso de seu próprio pensamento.

Mas para seu azar, ou sorte, Jeniffer se ergue e o acompanha. - Não ficarei sozinha com eles... - Ela cochicha próximo a seu ouvido e ele não consegue segurar a risada, nem o arrepio .

- Eu te entendo, completamente. - Ele diz se aproximando, para que somente ela possa ouvir.

Jeniffer se segura para não sair correndo dali. Nunca havia sentido-se tão bem recebida em um lugar. A família de Enzo era por vezes inconveniente e metida, mas eram simpáticos e amorosos, era nítido, que só queriam o bem dele. Sentiu-se até culpada por mentir assim para eles.

O almoço foi tranquilo, com pouca conversa, a comida estava maravilhosa e Jeniffer, estava morta de fome, e nem havia se dado conta. Não havia comido na noite anterior, pelo nervosismo, e de manhã também não tinha comido nada, apenas uma xícara de chá de camomila.

Ao final, as crianças corriam brincando, os mais velhos descansavam nas cadeiras de balanço e o restante, revezava, cuidando das crianças e descansando, enquanto conversavam.

Uma menina de cerca de 7 anos chamou Jeniffer.

- Amiga, você me ajuda a subir naquela árvore?

Jeniffer encarou a bela garotinha, que tinha os olhos inocentes arregalados e esperançosos. - Claro que sim... vamos lá.

Enzo observa "sua noiva" com aquele short curto e o cropped deixando a mostra parte de sua barriga. Ela não era magra como as modelos que costuma procurar para sair, nem tinha gominhos no abdômen, ela era acinturada, com uma barriga que formava dobrinhas ao sentar. Mas por Deus, sua boca salivava por morder cada pedacinho dela. As pernas bronzeadas e grossas, uma bunda redonda e saltada, que o estava tirando a sanidade.

Viu-a apoiar um pé na árvore e o outro manter no chão, segurando a Manu. Manu era filha de um primo seu, muito seu amigo, sempre juntos aprontaram várias na infância. Agora casado, com dois filhos, não se viam mais com frequência, mas ficara a boa camaradagem de sempre.

- Posso ver em seus olhos, que ela é a mulher da sua vida. - Enzo congela ao ouvir a voz de seu pai. Ele fora quem mais sofreu quando soube do golpe que o filho havia recebido.

Olha nos olhos de seu pai e vê o brilho de esperança, pela primeira vez naquele dia, sentiu-se um monstro, pela mentira.

- Que isso, pai? - Força um sorriso. - Lembra-se que nada é para sempre, hoje estamos bem. - Diz voltando seu olhar para Jeniffer, que ria animada com as crianças.

- Não meu filho... - Ele dá um tapinha nas costas de Enzo. - Eu sinto, nela e em você...

Enzo não responde, mas agora sabe, que seu pai está tão empolgado, que está vendo coisas onde ele, de fato, sabe que não tem.

A noite começa a cair, e Jeniffer suspira, pensando que logo terá de voltar para sua casa e enfrentar seu pai.

- Que tal dormirem aqui? - Carol fala animada. - Eu e Claudio vamos dormir aqui também... a mãe e o pai, também... amanhã ainda é domingo, podemos aproveitar o dia.

- Tenho que levar Jeniffer para casa. - Enzo responde tentando se esquivar. Já estava exausto daquele dia. Mentir e fingir era cansativo. Ainda que conseguiram se esquivar o suficiente para não se beijarem na frente de todos. Mas só o fato de ter que abraçá-la pela cintura, já fora tortura o suficiente. Queria um banho, e quem sabe chamar alguém para transar, porque seu pau, doía de tanto desejo.

- Podemos ficar... - Ele ouve Jeniffer sussurrar em seu ouvido. Ele a encara incrédulo. A mulher perdera o resto de juízo que tinha?

- Viu, Enzo, ela quer ficar... - Sua mãe intercedeu.

- Pensei que tivesse compromisso amanhã, amor... - Enzo falou manhoso para Jeniffer, quem sabe ela percebesse que ele estava no limite e precisava ir embora.

Jeniffer encarou Enzo com olhos suplicantes, se ela pudesse adiar o momento do reencontro com seu pai e Ricardo, ela o faria. Vendo que ele esperava dela uma resposta, chegou o mais próximo que pode e sussurrou.

- Não quero ter que voltar... não ainda. - Engoliu as lágrimas que estavam querendo se formar.

Enzo sentiu seu coração falhar uma batida, vendo os olhos cheios d'água de Jeniffer. Pensou em si o dia inteiro, em como ele queria que sua família ficasse feliz, como ele queria parar de ser incomodado por não ter uma namorada, em como ele não aguentava de tesão por ela, que esqueceu-se que ela acabara de sair da igreja, com seu ex-futuro marido a traindo. A abraçou em um gesto de conforto e ela retribui, escondendo o rosto em seu peito.

- Vamos ficar. - Respondeu a sua irmã e beijou o alto da cabeça de Jeniffer. Sabia como era ser traído.

Falou o mais baixo que pode para somente ela escutar. - Vou com você, falar com seu pai, se você quiser.

Jeniffer sabia que era adulta e precisava enfrentar seus medos, e conflitos, mas seu pai era muito manipulador, e por mais que fosse adulta, sentia-se presa as vontades dele. - Vou querer. - Deixou escapar em um suspiro.

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