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Contrato Obscuro

Contrato Obscuro

Autor:: elainemoscardineves
Gênero: Romance
Alicia Costelli, é uma adolescente inteligente e determinada que enfrenta desafios complicados em sua vida. Apesar de sua capacidade acadêmica, sua situação familiar e financeira a obrigam a tomar decisões difíceis para alcançar seus objetivos. Alicia vive na periferia e consegue passar em uma universidade federal, algo que parece impossível para muitos em sua comunidade. No entanto, sua mãe, que não se preocupa com ela, a convence a se casar com um homem apenas para garantir sua entrada na universidade e ter uma vida aparentemente melhor. Determinada a não perder essa oportunidade, Alicia concorda com a proposta, convencendo-se de que poderá lidar com as dificuldades desse casamento infeliz. Mas, cansada dos maus tratos e humilhações de sua mãe, ela decide dar uma lição nela. Planeja cuidadosamente e evita entregar sua virgindade ao futuro marido, mantendo o valor do contrato de casamento para si. No entanto, nesse processo, Alicia acaba se apaixonando por seu melhor amigo. Enquanto isso, seu noivo mostra-se sedutor e charmoso, criando uma tensão emocional para ela. Percebe que os sacrifícios que fez para conseguir entrar na universidade talvez não valham a pena, especialmente considerando a falta de maturidade para lidar com essas situações complexas. No meio desse caos, surge um problema ainda maior. Alicia se encontra envolvida com a máfia e precisa enfrentar essa organização perigosa para salvar sua própria vida. Agora, além de enfrentar as complicações emocionais e familiares, ela precisa aprender a lidar com o perigo iminente de uma vida envolvida em atividades criminosas. A história de Alicia é uma jornada de auto descoberta, resistência e superação. Ela precisa encontrar forças para se libertar das amarras sociais, buscar seu próprio caminho e enfrentar os desafios que aparecem em seu caminho. No final, será uma experiência transformadora para Alicia, ensinando-lhe lições valiosas sobre amor, amizade, lealdade e coragem.

Capítulo 1 PRÓLOGO

Alícia sentiu a adrenalina desacelerar e percebeu que estava perdendo a consciência depois da forte pancada que levou na cabeça. Fernando entrou em seu campo de visão e em uma fração de segundos, enquanto seu corpo caía, viu o que jamais imaginou: Iago e Fernando no mesmo enquadramento!

Antes de atingir o chão, sentiu braços a amparar, e tudo ficou muito confuso. Não tinha mais consciência do que se passava em sua volta, estava presa em um looping de lembranças e auto comiseração. Pensou que um ano atrás, jamais sonharia de estar passando por aquilo.

Era apenas a filha do meio, rejeitada pelos pais assalariados, vinda do subúrbio e que tinha uma inteligência acima da média. Mas ralava muito, apesar de não ser reconhecida e mesmo dando conta das tarefas da casa e dar aulas de matemática, estava se preparando para o vestibular. Tinha o sonho de prestar para uma federal e cursar odontologia. Estava completamente focada nisso, mesmo que em alguns momentos se pegava distraída pensando nele!

Fernando era seu melhor amigo desde os 13 anos. Faziam tudo juntos, embora naquele ano ele tivesse meio afastado. Sentia falta dele, mas era melhor assim. Custou muito esconder seus sentimentos e não ceder a tentação. Sabia que ele era totalmente apaixonado por ela e precisava usar de toda sua força para garantir que não podia retribuir.

As vezes pensava que poderia ser mais fácil, mais tranquilo e menos sofrido aceitar seus sentimentos e os dele, se entregar a essa paixonite e ver no que daria. Mas sabia que isso não era possível. Se desviasse o foco, estragaria tudo: seu futuro, seus sonhos e sua amizade. Mesmo criada entre a malandragem em uma comunidade, nunca se imaginou mexendo com coisas erradas, enveredando pelo mundo do crime, em situações que poderiam levá-la a ser presa ou morta!

E por mais que ele fosse maravilhoso, gentil e educado, era tudo o que ele representava: Fernando era um criminoso. Ainda que de colarinho branco, era um criminoso!

Alicia sentiu que todo o sacrifício de anos evitando se marginalizar, de nada adiantaram! A mãe a vendeu para Iago, um pseudo CEO encantador que se dizia apaixonado por ela. Alícia aceitou em troca de cursar a universidade para a qual passou e de repente se viu envolvida com criminosos ainda piores do que Fernando, e descobriu que era parte de um plano macabro da máfia para destruir sua família!

Naquele caos que estava sua cabeça dolorida naquele momento, Alícia buscou em sua memória os últimos meses. Mas o que encontrou ali, a deixou tão horrorizada, que queria a todo custo esquecer. Porque do momento que Fernando a informou que passou no vestibular até a hora que aquela francesa acertou uma voadora em sua cabeça, não parecia que foi ela quem viveu aquela história...

Capítulo 2 ESFORÇADA

São Paulo - 1994

Alícia olhava pela janela do ônibus sem prestar mesmo atenção no que via. Sabia que era uma grande distância de onde morava até o centro da cidade e pior ainda de onde estava voltando, no extremo oeste da capital de São Paulo. Ela morava no extremo leste e estava voltando da cidade universitária, mas se sentia com uma enorme sensação de dever cumprido, mesmo muito cansada.

Tinha ido tentar o vestibular na USP, por insistência de sua professora de matemática, que a inscreveu e pagou a taxa de inscrição como um presente, dizendo que confiava no potencial dela. Alícia não acreditava tanto assim, por isso nunca pensou em dispôr do valor da taxa. Tinha uma vida muito pobre, estava desempregada e seus pais jamais tirariam das despesas da casa um valor relativamente alto para pagar a inscrição de uma universidade federal, onde ela disputaria 80 vagas para o segundo curso mais concorrido da USP.

Sua mãe Noêmia era costureira, jovem, linda, muito vaidosa. Sempre andava bem arrumada, ela mesma fazia as próprias unhas nos domingos que não fazia horas extras. Seu pai Pedro era segurança, nordestino bronco, ignorante por natureza, tinha muito ciúme de Noêmia, que era 15 anos mais jovem que ele.

Alícia tinha mais duas irmãs e um irmão. Matheo foi dado pra madrinha rica que foi viver na França com o marido quando era ainda um bebê. Ele é gêmeo de Mayara e os dois têm 20 anos. Ela vê algumas fotos antigas dele, há muito tempo perderam o contato. Eles são os brancos dos irmãos, e embora gêmeos, não se parecem muito. Talvez porque Matheo foi criado com dinheiro, saudável e Mayara na dificuldade dos assalariados.

Alícia é a do meio. Em tudo! Com 17 anos, é uma morena cor de papelão e a que mais evidencia a mistura do pai negro e a mãe loira. Apesar da cor, é a que mais se parece com o pai. Chega a ser gritante a semelhança. E depois vem Paola, uma negrinha de 14 anos, bem típica brasileira. Um arraso, corpo escultural, cabelos extremamente cacheados, lábios carnudos. Tão linda que chega dar vontade de bater! E tão meiga e carinhosa que dá vontade de morder.

Como toda filha do meio, Alícia tem a síndrome da rejeitada. Com Matheo longe, Mayara a preferida da mãe e Paola a preferida do pai, não sobrou nada para Alícia. Como sempre se achou sem graça, feinha até e não tinha ninguém pra dar toda a atenção que as irmãs recebiam, se dedicou a estudar. Sempre foi uma nerd de óculos que ninguém nunca notava e as visitas dos pais sempre achavam que ela era a empregada da casa.

Por que ela sempre tinha que fazer todo o serviço, pois Mayara era sempre a anfitriã junto com a mãe e Paola era a pequena. E quanto mais decepcionada ficava com a forma de a mãe tratá-la, mais estudava.

Tinha traçado um futuro pra si. Não era como essas adolescentes emocionadas que só pensavam em homens, em balada ou beijar na boca. Tinha pavor de drogas, homem tocando ela em lugares inapropriados ou coisas desse tipo. Queria estudar, sair da casa dos pais quando fizesse 18 anos, ter seu canto, trabalhar e se manter. Conseguir entrar em alguma universidade pública. Mas aí as dificuldades vieram desde logo. Mesmo trabalhando, a mãe pegava metade do seu salário pra ajudar nas despesas da casa. Também usava seu vale refeição pra fazer compras, mas quando ela chegava da escola, nunca tinha janta pra ela. Então ela tinha que almoçar com a metade dos tickets que recebia e não podia tomar café na rua, nem comer na escola. Seu salário de estagiária não era muito, tinha que comprar a cota de passagens para condução pra escola, livros...

Definitivamente não dava.

Aí a mãe disse que ela não podia mais trabalhar porque ganhava pouco e não estava passando fome, que era mais vantagem pra ela que Alícia ficasse em casa, cuidando de Paola, lavando e passando, e fazendo a comida das marmitas do pai, dela e de Mayara.

Em troca, a mãe com muito custo deixou ela continuar estudando na Etec e comprava a cota dela. Mas livros, tinha que ir à biblioteca fazer os trabalhos e copiar porque ela não pagava xerox, e se isso não atrapalhasse o serviço de casa.

Quando Alícia argumentava que precisava estudar e estava sobrecarregada, a mãe mandava ela parar de ser besta que no máximo ela ia conseguir lavar o banheiro de algum riquinho.

Noêmia dava pouca importância aos estudos de Alícia, porque na verdade ela queria que Mayara tivesse sido agraciada com um cérebro privilegiado. Mas a distribuição de dons não saíram como ela gostaria, e Mayara era linda, mas faltava inteligência e Noêmia entendia como desperdício tanta inteligência numa menina feia.

Alícia desceu do ônibus e começou a caminhada para casa, pensando que desde os 10 anos sabia que a mãe não gostava dela. Não era uma sensação, nem uma impressão. A mãe falou com a própria boca, cara a cara com Alícia. Na época, Celine achou libertador, pois finalmente pôde ter certeza do porquê a mãe tratá-la tão mal. Depois disso, começou a tentar entender o porquê de a mãe não gostar dela.

Sempre foi uma boa filha, fazia todas as tarefas da casa, cozinhava pra família toda, era estudiosa, não dava problemas com namorados nem com encrencas. Nunca questionava porque ganhava menos do que as irmãs, não era rebelde. E mesmo assim a mãe não a suportava de forma nenhuma.

Quando tinha 14 anos, a mãe aceitou pagar a taxa do vestibulinho pra Etec, porque se sentiu culpada ao extremo por um rompante.

Ela estava tentando tirar habilitação, e no dia do exame prático, chegou em casa mais cedo, na parte da manhã. Paola estava na escola e Mayara e o pai no trabalho. Alícia estava esfregando as calças jeans no tanque. Tinham máquina de lavar, mas a mãe não permitia ela usar a máquina para lavar, apenas para enxaguar e torcer. Todas as roupas deveriam ser esfregadas a mão. As piores eram as calças jeans, e eram bastante. Três adolescentes em casa, todos saiam todos os dias de casa para escola e trabalho, então era bastante coisa pra esfregar.

Noêmia foi até a lavanderia direto, sem nem tirar a bolsa do ombro, ficou de frente para Alícia, que olhou para ela assustada.

- Mãe, porque está em casa tão cedo? Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu sim. Eu não passei na prova de direção.

E sem quê nem porquê, estalou a palma no rosto de Alícia. As lágrimas vieram aos olhos da menina, mas não chorou. A mãe odiava demonstrações de fraqueza nela. Ela nunca podia chorar por nada. Então perguntou pra mãe, com os olhos vermelhos tentando controlar a lágrima.

- Porque me bateu?

- Não passei no exame porque estava nervosa. Saí de casa nervosa porque não achei a bermuda que queria usar. E sabe porque não achei? Porque você é uma incompetente, inútil, que não guarda as coisas no lugar certo. Então eu me atrasei procurando e fiquei mais nervosa ainda, porque nem podia te acordar pra procurar pra não me atrasar mais. E acabei reprovando na prova de direção. Por sua culpa, porque tudo o que me acontece de ruim é sua culpa, porque você é um inferno em minha vida!

A mãe deu as costas pra ela, mas antes de sair da lavanderia, parou e sem a olhar falou:

- E vai fazer meu prato que eu tô com fome.

Capítulo 3 PROPOSTA SURREAL

Alícia colocou a chave no portão, dando graças a Deus por estar em casa. Balançou a cabeça afastando os maus pensamentos. Tinha passado o dia inteiro na rua. Saiu muito cedo pra não perder o fechamento dos portões e era muito longe mesmo de lá até em casa de volta. Tinha comido um pacote de bolacha antes da prova, já eram quase 8 horas da noite. Queria tomar um banho, jantar e ir pra cama.

Desde o vestibulinho, tinha descoberto que sempre tinha dores de cabeça de ansiedade em fazer uma prova difícil. Não sabe se porque pensava demais, se tinha medo de decepcionar ou outro motivo, mas a cabeça começava a doer absurdamente quando ia preencher o gabarito e só parava depois que dormia. Então estava ansiosa por esse momento, mas se decepcionou consideravelmente quando entrou e viu a pia cheia de louças, pratos sobre a mesa e panelas vazias sobre o fogão. "Pelo menos esvaziaram as panelas e colocaram a comida na geladeira".

Percebeu que estava sozinha em casa quando viu o bilhete pregado na geladeira, quando foi ver o que tinha pra comer.

"Saímos para comer pizza, não tinha a menor condição de fazer janta com essa bagunça na cozinha. Espero que você não tenha intenção de ir dormir deixando essa cozinha nesse estado que eu te arrebento. Bateu pernas o dia inteiro, agora faça suas obrigações"

Novamente, os olhos de Alícia encheram d'água. Dessa vez, ela deixou rolar, não tinha ninguém pra ver sua fraqueza em casa. Foi para o quarto que dividia com as irmãs, pegou roupas e foi tomar banho. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo, limpou a cozinha inteira enquanto chorava, tentando ser o mais rápida possível. Estranhamente, a fome passou e o que sentia era um bolo na garganta.

Quando terminou a cozinha, deixando impecável, pensou em como era sortuda em completar 18 anos dali a três meses. Ela tinha que arrumar uma forma de sair da casa da mãe, passando ou não no vestibular. Se tiver passado, era mais importante ainda sair de lá, para que ela não fizesse o mesmo de quando começou a ETEC.

Passar no vestibular era uma honra, e isso era comemorado pelos veteranos. Quando passava numa instituição pública para colégio técnico não era diferente. Chamam de vestibulinho, pois seria curso técnico junto com ensino médio. Não era fácil passar e menos ainda agregar todas as matérias técnicas junto com a grade curricular regular.

E os bichos e bichetes, eram batizados em uma cerimônia similar da faculdade. Pintavam seus rostos, escreviam "bichete" na testa, espirravam desodorante barato, creme de barbear no cabelo, essas coisas. Ser pego no trote da Etec ou universidade, era motivo de orgulho.

E Alícia voltou pra casa toda pintada, com a testa bichete, fedendo desodorante vagabundo, os riscos verde e amarelo na bochecha, e nada disso chamava mais atenção do que o enorme sorriso estampado em seu rosto. Todos que entravam no ônibus e olhavam pra ela, sorriam junto e lhe davam parabéns. E quando chegou em casa, a mãe ficou doida, disse que bicho eram os alunos daquela escola e ela não iria mais se prestar aquilo. No outro dia, a levou na escola antiga para rematrícular.

Por sorte, as meninas da secretaria que a conheciam pela dedicação aos estudos, convenceram a mãe que o trote era um ritual pra encher um pai de orgulho.

Quando ela terminou a cozinha, secou o banheiro com desinfetante nas peças e paredes, escovou os dentes e foi deitar, antes que os pais chegassem com as irmãs. Queria evitar todo mundo. E mais ainda, que a mãe percebesse que ela andou chorando.

Conseguiu evitar todos por aquela semana. Como era semana de provas finais, todos estavam concentrados em estudar e os pais deixaram em paz.

Toda adolescente tem uma melhor amiga, Alícia era tão diferente que tinha um melhor amigo. Ela não gostava das meninas! Fernando seria o cara perfeito para namorar: era loiro, olhos verdes, dentes perfeitos, alto, atlético, tinha covinhas na bochecha. Educado, gentil, uma pessoa muito agradável. Se não se envolvesse com o crime, Alícia até tentaria. Mas ela sempre pensava que era só o que lhe faltava, depois de tudo que passava com a mãe, virar mulher de bandido!

Alguns dias depois, ele foi checar a lista dos aprovados pra ela. Quando ele chegou, Alícia estava colocando a mesa do almoço, Paola o recebeu. Ele entrou com uma cara muito séria, e o coração de Alícia parou uma batida. Como seria no ano seguinte? Ela tinha que sair de casa, trabalhar, se manter. Como pagaria a taxa pra tentar de novo? Valeria a pena?

Fernando pegou na mão de Pedro e deu um beijo na testa de Noêmia .

- Tia, trouxe uma notícia não muito boa.

-Pode falar, Fernando. O que aconteceu?

- A senhora vai ter que colocar essas duas folgadas pra cuidar da casa ano que vem, porque em fevereiro, começa a formar uma odontóloga pela USP, porque a Alícia passou em sexto lugar no vestibular!

Alícia segurou o coração, depois pulou no colo de Fernando, rindo. As irmãs pularam junto e começaram a gritar de felicidade, depois Paola saiu gritando em direção a rua, que Alícia ia se formar na USP.

Mas Noêmia mandou parar de escândalo que não tinha motivos para aquilo. Alícia estava abraçada com o pai que a estava parabenizando. Se soltaram e ela virou pra mãe:

- A senhora não pode ficar feliz por mim? Quantas pessoas você conhece que foram aprovadas na USP? Lá só entra bacana, é muito difícil um pobre entrar lá.

- Parabéns, você é muito inteligente, não precisava de uma prova pra gente saber disso. Mas não é esperta. Você passou, mas não vai cursar. Sacrifício de tolo ir fazer a prova e ficar nessa ansiedade esses dias todos.

- Porque não vou cursar, mãe?

- Porque você prestou para odontologia ao invés de escolher um curso mais fácil e acessível. Pra você cursar, precisa tomar duas conduções todos os dias, quem vai bancar essa farra? E a carga horária não é só 4 horas como na escola. Vai ter que sair cedo e voltar tarde. Quem vai fazer suas tarefas na casa? E pior, você não vai pagar mensalidades e matrícula, mas vai ter que comprar todos os livros porque a faculdade não dá o material didático e para odontologia tem que comprar todo o material cirúrgico para estudar. Onde vai arrumar todo esse dinheiro?

- Eu vou trabalhar, mãe. Vou me virar, mas vou cursar a universidade.

- Não, você não vai. Precisa cuidar da casa pra eu trabalhar.

- Mãe, desde muito pequena, cubro todas as suas obrigações como a senhora do lar. Lavo, passo, cozinho, limpo a casa e cuido das suas filhas, como se eu fosse a mulher da casa. Mas agora é o meu futuro, minhas escolhas, eu sou quase uma adulta e não vou me afundar lavando seu banheiro e o de ninguém em troca de um prato de comida.

- Sai todo mundo. Mayara, serve o almoço pra sua irmã, seu pai e o Fernando. Vou conversar com Alicia.

Quando estavam só as duas na sala, a mãe virou pra ela muito calma e falou:

- Você ainda é menor de idade, eu preciso te matricular como sua responsável. Se você esperar até completar maioridade, vai perder o prazo e a vaga vai pra outra pessoa.

- Eu tenho pai, sabia?

- Sério que você acha que seu pai vai fazer algo contra a minha vontade?

- O que você quer para me matricular?

- Você vai noivar antes da matrícula, e se casar quando terminar a faculdade.

- Aceito, não sei com quem vou casar, mas aceito.

- Você pensa que sou idiota? Depois da maioridade, você cancela o acordo. Já vai estar matriculada mesmo. Por isso, você vai selar o noivado com a primeira noite antes do casamento. E vai servir seu noivo sempre que ele quiser...

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