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Contrato bilionário

Contrato bilionário

Autor:: Letagli
Gênero: Romance
Jonas Shein é CEO de uma empresa renomada do meio musical, tem vinte e nove anos anos, é lindo, vaidoso e mulherengo. Durante um check-up rotineiro, devido um erro médico, ele recebe o diagnóstico que está com os dias contados devido um aneurisma inoperável. Katlyn Jonson, tem vinte e nove anos, linda, batalhadora. Um dia viu seu melhor amigo, Jonas Shein, se tornar um grande empresário do ramo musical. Eles se perderam o contato, após ele se mudar devido a separação dos pais e ter que ir para outro país. Um dia ainda na adolescência, os dois fizeram uma promessa de que se não se casassem até os trinta anos, eles iriam se casar. Mesmo distante, ela nunca esqueceu o amigo e nem a promessa feita. Com a ideia de que vai morrer em pouco tempo, Jonas decide procurar a amiga e fazer a proposta que pode mudar a vida dela. Carregar um filho seu para seu legado continuar após a sua morte precoce. Ele só não sabe como achar amiga e se ela já se casou. Após uma busca com a ajuda de um detetive, ele descobre que ela está solteira e que os sonho dela de ser uma grande cantora foi por água a baixo. Hoje, ela trabalha em uma loja de roupas como gerente e não é feliz por isso. Sem contar que teve alguns romances fracassados e por isso continua solteira. Estando de posse dessas informações, ele decide procurá-la e fazer uma proposta bilionária, onde ela deveria engravidar do seu herdeiro e viver os últimos momentos da vida dele ao seu lado. Um amor de infância... Amigos que nunca se esqueceram apesar da distância... Uma proposta que poderá mudar a vida dela... Será que o destino irá dar um empurrãozinho e Jonas irá deixar sua vida de mulherengo para trás? O que esperar desse reencontro é o que veremos nesse romance leve e divertido.

Capítulo 1 01

JONAS SHEIN

Sabe aquele momento em que parece que tudo ao seu redor para?

É assim que me sinto agora, observando o médico a minha frente que sorri tentando me confortar.

Vim fazer meus exames anuais como é de costume e de repente tenho a notícia de que estou com os dias contados.

Sim, um homem de vinte e nove anos, que faz exercícios regularmente, não fuma, bebe socialmente e come da forma mais saudável possível está com seus dias contados.

Como isso é possível?

Eu não sinto nada, mesmo assim segundo os exames que fiz nos últimos dias, posso morrer a qualquer momento.

- Só um momento, doutor Otávio. Quer dizer que eu tenho um aneurisma inoperável e que ele pode romper a qualquer momento? Tenho uma bomba-relógio na cabeça?

- Isso mesmo, Jonas. A imagem não mente, o aneurisma está um local de difícil acesso e não há o que fazer. Desculpa dar notícias tão ruins, afinal sei o quanto se preocupa com sua saúde, mas isso foge da nossa alçada.

- Doutor, mas eu não sinto nada, nem sequer dor de cabeça eu sinto. Isso tem que estar errado.

- Não há erro, está bem aqui e o laudo está bem explicado. Há uma anomalia aqui e não há explicação para seu aparecimento, já que nem pressão alta você tem.

- E não há o que fazer?

- Tem sim, viva como se fosse o último dia de sua vida e seja feliz. Torne o seu tempo agradável e continue fazendo o que você faz sempre. Cuide de sua alimentação, faça exercícios e qualquer coisa que sinta de diferente vá ao hospital rapidamente.

Balanço a cabeça em concordância e saio do consultório após me despedir do doutor Otávio, um grande amigo da minha falecida mãe.

Ah, que saudade da minha mãezinha...

Ela infelizmente morreu faz dois anos e mesmo assim ainda sinto sua presença em cada segundo do meu dia.

Mamãe sempre fez tudo por mim, seu filho único, além de ser uma grande incentivadora dos meus sonhos mais malucos.

Hoje, meu nome é referência no ramo fonográfico, detenho o selo de uma gravadora de renome e os maiores nomes da música country do EUA fazem parte do meu portfólio.

Ainda me arrisco como compositor, inclusive tenho músicas compostas por mim, no ranking das músicas mais tocadas.

Sou detentor de uma grande fortuna e tenho a mulher que eu quiser em minha cama.

Amor?

Acho que além da minha mãe, amei uma única pessoa e infelizmente hoje não sei nada sobre ela.

Chego no prédio ostentoso da gravadora Shein, localizado na rua principal do centro da magnífica Nashville, em Tenesse.

É aqui onde a magia acontece e as músicas que escutamos nas rádios dos carros e nas plataformas digitais são gravadas e produzidas.

Já acompanhei um grande sucesso surgir de uma conversa entre amigos, ou de um insight em uma gravação.

Não é à toa que minha mesa vive cheia de demos e onde por passo novos talentos tentam se aproximar de alguma forma para mostrar seu trabalho e quem sabe cair no meu encanto.

Adoro o que faço e construí a minha reputação com o suor do meu trabalho e a força da minha mãe que nunca me deixou desanimar.

Passo pela recepção e cumprimento todos que cruzam meu caminho, não é porque sou o CEO daqui que devo menosprezar qualquer outra pessoa, afinal se cheguei até aqui devo ao trabalho conjunto de todos ao meu redor.

Entro no elevador e sigo para o último andar, onde fica meu espaçoso e confortável escritório.

Ao passar pela recepção, cumprimento minha secretária, Jesse, uma senhora de cinquenta anos que me acompanha desde o começo da minha empresa.

Sem a Jesse, eu me sinto perdido, já que é quem me lembra de todos os meus compromissos e faz meu dia ser funcional.

Sigo para minha sala e assim que abro a porta, olho ao redor. Há diversos prêmios que conquistei nesse tempo todo, fotos com as estrelas da gravadora nas paredes, um sofá confortável em um dos cantos, TV, mesa de bilhar e uma mesa imponente com uma janela panorâmica atrás dando a visão da cidade que aprendi a amar.

Vou até a janela e observo o pôr do sol.

Fazia muito tempo que não me dava ao luxo de apreciar essa vista.

Tantas coisas simples que deixei de apreciar e fazer devido a correria do dia a dia, mas agora sabendo que tenho tão pouco tempo, sinto a necessidade de me dar a esse luxo e aproveitar o tempo que tiver nessa terra.

Ainda não acredito que irei morrer...

O que fiz da minha vida?

Não tenho nem para quem deixar tudo que conquistei nessa minha vida...

Nem um herdeiro eu tenho, afinal sempre achei que teria muito tempo para encontrar a pessoa ideal e construir uma família, bem diferente da que tive, já que meu pai e eu não nos damos bem.

Volto a olhar para minha mesa e vejo minha agenda aberta.

Eu me aproximo e folheio suas páginas.

Tantos compromissos, só não sei se terei tempo para ir à todos.

Paro no dia cinco de junho, onde há um asteriscos colorido, coisa da Jesse.

Meu aniversário de trinta anos será em três meses e nem sei se estarei aqui para comemorar essa data que nunca dei muita importância, mas hoje, na situação em que me encontro, se tornou um marco a ser conquistado.

Sou tão novo e ainda sinto que tenha tanta coisa a fazer...

Sento em minha cadeira e fecho os olhos. Acabo lembrando dela e da promessa que fizemos um ao outro anos atrás.

"Se ainda estivermos solteiros quando completarmos trinta anos, podemos nos casar e construir uma família, afinal somos bons juntos."

Sorrio ao lembrar daquela menina franzina, cabelo longo ruivo, sardas no rosto e lindos olhos azuis.

Kat, Kat...

Apesar de se parecer um anjo, não se engane ela era bem altiva e seu gênio forte não passava despercebido, afinal não era à toa que seu apelido era pinscher.

Pequena e raivosa, assim como os cães dessa raça.

Lembro que a menina era ranzinza e conseguia botar medo em qualquer valentão que se aproximasse, ou seja, o apelido era perfeito e traduzia bem o seu jeito de ser.

Como será que ela está hoje em dia?

Por onde ela andará?

Será que já se casou?

Será que me esqueceu?

Ah, certamente ela deve ter seguido sua vida e já deve estar casada, afinal ela era a menina mais linda da escola do Kansas.

Lembro que ela tinha o sonho de ser a mais nova Britney Spears e ela tinha potencial para isso, afinal sua voz era incrível, inclusive ganhou vários concursos.

Sei disso porque a acompanhei em todos os concursos que participou e se hoje sou alguém reconhecido nesse ramo é graças a ela.

O engraçado é que mesmo estando nesse ramo, eu nunca cruzei com ela e quando voltei ao Kansas anos depois, descobri que ela tinha se mudado.

A verdade é que perdemos o contato, mesmo prometendo que isso não aconteceria, e nunca mais soube da minha amiga de infância, a minha melhor amiga.

Ela seria a mãe perfeita para o meu herdeiro.

Levanto, vou até o bar que tenho em minha sala e faço algo inédito, pego a garrafa de vodka, coloco uma dose no copo e bebo de uma vez sentindo o líquido queimar por onde passa.

Faço uma careta e volto a comtemplar o céu que começa a ganhar tons mais escuros.

Mas onde ela está?

Preciso encontrar a minha amiga e quem sabe convencê-la de ter o meu herdeiro, aquele para quem deixarei o meu legado.

Mas como?

Redes sociais?

Durante esses anos procurei e nada...

Google?

Sabe quantas Katlyn Jonson tem nos EUA?

Muitas.

Talvez um detetive?

Será que terei tempo para encontrá-la?

Bom, se eu nunca tentar, nunca saberei.

Kat pinscher, eu vou te encontrar e quem sabe a nossa promessa possa se concretizar, só espero não chegar tarde demais.

Capítulo 2 02

JONAS

Ano 2000

Estou terminando de escovar os dentes com a preguiça habitual de sempre, quando minha mãe aparece na porta do banheiro.

- Jonas, já está pronto para ir à escola? Hoje é seu primeiro dia de aula e não é bom chegar atrasado.

Cuspo a espuma e lavo a boca.

- Deixa a mamãe ver se escovou esses dentinhos direitinho.

Dou um sorriso com os dois dentes de cima faltando e minha mãe sorri para mim.

- Lindo! Mamãe ama demais esse menino banguelinha. O banguelinha mais lindo desse mundo. - Bagunça meu cabelo.

- Mãe, eu tô com medo. - Faço bico e coloco o dedão na boca.

Eu ainda chupo dedo quando estou nervoso, mesmo tendo sete anos.

- Meu amor, a mamãe vai te deixar no portão de entrada e quando você sair estarei lá, a sua espera. Você é um homenzinho, está na primeira série, já tem sete anos e precisa estudar.

- Mas lá é tão grandão, cheio de criança maiores do que eu. - Abro os braços para mostrar como é grande.

Eu frequentava em uma escola pequena, onde fazia parte dos maiores do local, mas a coisa agora parece ter mudado e isso me assusta.

- Sei que a escola parece ser assustadora, mas lá você vai encontrar novos amigos, aprender muitas coisas novas e se divertir. Por mais que a mamãe o ame, você precisa conhecer novas pessoas e ares.

- Mas, mamãe, eu não conheço ninguém aqui.

- Assim como ninguém se conhece.

- Eu queria continuar na nossa antiga casa - choramingo.

- Meu amor, sei que lá você já tinha amiguinhos onde morávamos, mas papai foi transferido para cá e precisamos acompanhá-lo. Agora é fazer novos amigos e descobrir como aqui é igual ou melhor que onde estávamos. Com o tempo você vai se acostumar e nem vai se lembrar da antiga casa.

Eu duvido disso, mas concordo com a cabeça e ela sorri, me olhando com carinho.

Meu pai é xerife, foi transferido de condado, por isso acabamos nos mudando do Texas para o Kansas faz uma semana.

Meu pai é um homem sério, rígido e muito respeitado por onde passa. Nunca o vi dar um sorriso ou falar uma palavra de carinho dirigida a mim, ou a minha mãe.

Ele sempre foi bruto e grosseiro.

Talvez, tenha sido devido a educação que recebeu do meu avô que diziam ser um homem ruim e que se foi antes mesmo do meu pai conhecer a minha mãe.

Na verdade, nunca vi os dois sorrindo um para o outro como os pais de meus amiguinhos, ou tendo uma demonstração de afeto, pelo contrário, já vi muitas brigas e discussões.

Uma vez, inclusive, vi meu pai levantar a mão para minha mãe que se encolheu e ele desistiu de bater nela.

Já em mim, ele sempre bate quando tem oportunidade, mesmo minha mãe me defendendo sempre, ou me manda engolir o choro.

Ele diz que faz isso para me ensinar a ser homem.

Minha mãe sempre conversa comigo e diz que não é sinal de fraqueza o homem chorar ou demonstrar o que sente, por isso, não levo muito em conta o que meu pai diz, até porque não quero ser como ele quando crescer.

Pego a mochila, a lancheira e então sigo à pé com minha mãe, já que a escola fica pertinho de onde moramos.

- Meu filho, comporte-se e não faça bagunça. Obedeça a professora e aprenda tudo o que puder para se tornar um homem sábio - minha mãe diz e balanço a cabeça, disfarçando o medo que sinto do desconhecido.

Assim que chegamos na escola, vejo outras mães segurando as mãos de seus filhos e acredito que eles estão com tanto medo quanto eu.

Abraço as pernas da minha mãe e tento buscar forças para enfrentar o desconhecido.

Logo o sinal toca, o portão se abre, minha mãe solta a minha mão e se agacha na minha frente.

- Vá, meu passarinho, voe. O céu é o limite. - Beija meu rosto e sorrio.

Entro na escola e vou dando tchau para minha mãe que parece chorar. Vejo que ela seca as lágrimas e me acompanha com o olhar até eu sumir das suas vistas.

Já no pátio, uma mulher simpática pergunta meu nome, coloca um crachá em mim e então me leva até uma sala, onde uma outra mulher simpática sorri e olha o meu crachá.

- Seja bem-vindo, Jonas, eu sou a professora Sara e irei te acompanhar durante esse ano.

Sorrio para a mulher e procuro um lugar para me sentar. Vejo uma mesa vaga logo na frente e me acomodo.

Estou tão apavorado que nem olho para os lados.

Um tempo depois o sinal toca novamente, a professora se senta em sua mesa e começa a conversar com a gente sobre as letras e os números de uma forma divertida, com música.

Confesso que o medo até vai embora.

Estou tão entretido com a história que nem vejo a hora passar e muito menos sinto falta da minha mãe.

A professora diz que é hora do lanche, então pego a lancheira e saio da sala. Já no pátio, me sento em um cantinho mais afastado de todos e pego meu sanduíche de pasta de amendoim quando um menino bem maior que eu, se aproxima dando uma risada que me dá medo. Ele se agacha perto se mim, olha meu lanche e simplesmente toma da minha mão.

Começo a chorar e ele ri de mim.

- Mais um bebezão da mamãe. - Dá uma mordida no meu lanche. - Hum, isso está uma delícia, amanhã traz mais. Ele me observa. - Vou te chamar de bebezão.

- Meu nome é Jonas e não bebezão.

- Para mim, será bebezão e pronto, aqui minha palavra é lei. - Ele ri e soluço, tentando me acalmar.

- James, o que temos aqui? - um outro menino pergunta, se aproximando.

- Temos um lanche garantido e um bebezão da mamãe, toma aí - responde rindo, enquanto pega todo o meu lanche, me deixando sem nada.

Sinto a barriga roncar e a vontade de chorar e chamar por minha mãe só aumenta.

- Que bonito! Por que não procuram alguém do seu tamanho?

Escuto uma voz doce e quando levanto os olhos me deparo com um anjo em forma de menina.

Ela é linda, cabelo vermelho trançado, sardas no rosto e óculos redondos cobrindo os olhos zuis como o mar.

Fico admirando aquela menina baixinha, com as mãos na cintura, tentando intimidar dois meninos bem maiores que ela.

- Ora, mas o que temos aqui? - O garoto de nome James se aproxima da garota que continua o encarando. - Veio defender o bebezão aqui? Quem você pensa que é?

- Eu sou a Kat e não gosto de como estão tratando o meu amigo.

Continuo a olhar para ela, encantado.

Nunca vi essa menina, mas ela está aqui enfrentando esses dois e ainda se diz ser minha amiga.

- Você não tem medo não? - Ele dá uma gargalhada enquanto o amigo dele se aproxima de forma ameaçadora.

- Não tenho medo de dois babacas como você. - Ela não se move e muito menos aparenta ter medo dos dois que a encaram.

Quando o tal de James se aproxima dela, parecendo que irá avançar em cima dela, me encolho de medo.

Porém, ela dá um chute na canela do menino que se abaixa e geme de dor. O outro olha a cena e tenta pegá-la, mas por ser menor, ela se esquiva e o chuta também, deixando os dois caídos no chão.

- VOCÊ ME PAGA, QUATRO OLHOS! SUA... SUA, PINSCHER! - um deles grita.

- Eu nem ligo, pode vir que eu vou te bater de novo e de novo até você perceber que não deve mexer comigo. E outra, não mexa mais com meu amigo, estamos entendido? - Aponta para mim.

Estou tão admirado que minha voz não sai.

Ela dá outro chute neles que se encolhem enquanto gemem de dor.

- Se eu souber que você mexeu com ele de novo, conto para todo mundo que você apanhou de uma menina menor que você. - Ela sorri mostrando sua janelinha igual a minha.

- Vamos, James, essa pinscher não está de brincadeira e o chute dela é forte para caramba. Está doendo. - O menino se levanta e ajuda o amigo que continua deitado, encolhido. - Vamos sair daqui antes que a inspetora chegue e ainda sobre para a gente.

- Olha, só um aviso, se me ver por aí, desvie senão irei chutar de novo e de novo - ela diz o encarando.

Essa menina não tem medo do perigo, incrível!

Ela bate o pé o chão e os dois saem correndo sem olhar para trás, então se vira para mim e sorri de forma amigável.

- Prazer, sou Katlyn, mas pode me chamar de Kat. Qual é o seu nome?

- Jonas - digo limpando as lágrimas.

Ela se senta ao meu lado, abre sua lancheira e me entrega um pedaço do seu pão.

- Não chora, eles são uns babacas, metidos a valentões, mas já escutou aquele ditado, cão que ladra não morde. - Sorri e vejo suas sardas sendo iluminadas pelo sol. - Toma, tem bastante aqui e você deve estar com fome, já que aquele babaca tomou o seu lanche. - Arruma seu óculos.

Pego o lanche que ela me entrega e dou uma mordida no lanche que está muito gostoso.

- Gostou?

Balanço a cabeça e dou mais uma mordida no lanche.

- É a especialidade da minha mãe, geleia com requeijão. Amo as misturas que ela faz do doce com o salgado. - Fecha os olhos e saboreia um pedaço do seu lanche. - Você é novo, não? Nunca te vi na cidade e olha que conheço todo mundo. Meu pai é carteiro e as vezes o ajudo a separar as correspondências para entregar no dia seguinte.

- Cheguei faz um semana, sou filho do novo xerife do condado e vim de mudança com a minha mãe para morar aqui.

- Uau, temos aqui o filho do homem da lei. Você deveria usar isso para afastar esse babacas.

- Eu nem tive tempo de pensar e confesso que fiquei com medo do tamanho deles.

Ela ri e me olha.

- Você é maior do que eu, filho do xerife e deveria colocar a banca neles. Mas não se preocupe a partir de hoje você andará comigo e irei te proteger.

Olho para a menina que é menor do que eu e sorrio com o que ela diz.

- Sabe, vou te contar um segredo, nunca demonstre estar com medo, mesmo estando. O medo te torna fraco e dá uma vantagem ao outro. Não pense que não estava com medo deles, mas eu não abaixei a cabeça e vi uma oportunidade quando se aproximaram - cochicha e concordo dando um sorriso tímido.

Pego o suco que tenho na garrafinha, abro e encho a tampa que pode ser usada como copo.

- Toma um pouco, foi minha mãe que fez, é de maracujá. - Estico o copo em sua direção.

- Ah, obrigada. - Toma um gole e lambe os lábios. - Nossa que delícia! Podemos combinar e trocar os lanches no intervalo, o que acha?

- Eu aceito!

Ela coloca o copo do seu lado, me olha, cospe na mão e estende na minha direção.

- Amigos?

Olho para ela que faz sinal com a cabeça para aceitar a sua mão, então cuspo na minha e aperto sua mão.

- Amigos.

Ali estava nascendo uma amizade verdadeira, uma amizade que infelizmente se perderia no tempo.

Capítulo 3 03

JONAS

Abro os olhos e volto a pensar na minha amiga, em tudo o que vivemos.

Depois daquele dia, Kat e eu nos aproximamos e nos tornamos melhores amigos. Passamos a sentar um ao lado do outro na aula, já que descobri que ela estudava na mesma sala que eu, e no intervalo, lanchávamos juntos, tanto que a mãe dela mandava sanduiches a mais, já que se tornaram os meu preferidos, e minha mão passou a mandar mais suco, que minha nova amiga simplesmente amou.

As idas à escola passaram a ser mais agradáveis e passei a contar os minutos para encontrar minha nova amiga todos os dias.

Minha mãe fez amizade com a mãe de Kat e descobrimos que morávamos perto um do outro.

Assim começamos a passar o dia todo juntos, de manhã íamos para a escola e à tarde, após o almoço e fazer a lição de casa, nos encontrávamos e brincávamos a tarde toda.

Kat não gostava de brincar de boneca, como de costume as meninas gostavam, já que cresceu no meio de cinco meninos, seus primos.

De quem eu tinha ciúmes pelo simples fato de estar ao lado dela.

Passávamos a tarde brincando de bola, estilingue e subir nas árvores para tacar bexigas com água nos meninos que passavam por nós.

Apanhamos muito de nossas mães por essas traquinagens, mesmo um não entregando o outro.

Éramos confidente e totalmente fiéis um ao outro.

Assim como eu, ela era filha única e vimos um no outro a chance de ter alguém para sempre ao nosso lado.

Era capaz de fazer de tudo para proteger a minha amiga, assim como ela por mim.

Apesar que ela era a valentona entre nós dois e com o tempo ela ficou conhecida por todos como Kat pinscher.

Pequena, mas que faz barulho e impõe medo a todos que se aproximavam.

Ninguém ousava mexer com ela e como consequência comigo, tanto que passei até a ser respeitado na escola por terem medo da minha melhor amiga, que para mim, sempre foi a pessoa mais doce que já conheci.

Um anjo em forma de menina.

Durante as quatro primeiras séries estudamos na mesma sala e era uma alegria só a cada ano quando víamos nossos nomes na lista da mesma sala.

Mas essa alegria durou pouco quando na quinta série caímos em salas diferentes. Implorei para minha mãe me mudar de sala, assim como a Kat fez o mesmo e não adiantou a diretora não quis nos juntar.

Ela até falou que seria bom para que pudéssemos fazer novas amizades.

Passamos aquele ano em salas diferentes e para os trabalhos em grupo ou em dupla precisei encontrar novos parceiros.

Kat ficou enciumada quando comecei a andar com Klaus e James, assim como fiquei enciumado com ela andando com Margareth e Marjorie.

Prometemos um ao outro que eu não teria uma outra amiga e ela não teria outro amigo.

Mesmo com novos amigos, o nosso horário do intervalo era sagrado e um esperava o outro para poder dividir os lanches.

Nem preciso dizer que com o passar do tempo passaram a rir de nós, falando que erámos namorados.

Eu nunca liguei para isso até porque seria maravilhoso ter a Kat como namorada, já ela ficava vermelha e falava com todas as letras que eu era o seu melhor amigo.

Ela sempre deixou claro que eu era seu amigo e isso reprimiu o que eu sentia por ela.

Sim, como o tempo passei a ter uma admiração muito maior do que amizade por ela.

Eu sonhava com ela, sentia meu coração bater forte e morria de ciúme de qualquer menino que se aproximava dela.

Na minha cabeça, seria perfeito ter a minha melhor amiga como namorada.

Mas cada vez que ela falava que não sentia nada por mim, apenas amizade, eu guardava esse sentimento dentro de mim.

Minha mãe desconfiava que sentia algo a mais por Kat e até torcia por nós dois, mas eu não tinha coragem de dizer o que sentia, mesmo demonstrando em gestos como cartões feitos por mim, no Dia dos Namorados; bombons, chocolates e florzinha que eu pegava do jardim dos vizinhos.

E mesmo que Kat gostasse do que fazia por ela, na frente dos outros ela ainda continuava afirmar que eu era seu melhor amigo e nada mais.

Lembro quando os meninos começaram a se aproximar dela, já que Kat do dia para noite se transformou em uma linda mulher.

Aquela menina franzina, com os dentes faltando, sarda e duas trancinhas vermelhas como o fogo, se transformou em uma menina com lindos dentes brancos alinhados, as sardas se tornaram um charme especial, as trancinhas deram lugar a um penteado mais modernos e seu corpo ganhou curvas.

Ela simplesmente se tornou a menina mais bonita e popular da escola.

Já eu continuava magrelo e alto, meio desengonçado, confesso, mas por fazer parte do time de beisebol e sem um bom rebatedor, passei a ter um fã clube.

As meninas passaram a se jogar em cima de mim e Kat morria de ciúme de todas, mesmo que não confirmasse isso.

- Essas meninas não se tocam não? Você é magrelo, desengonçado... Só seus olhos são lindos.

- Eu me resumo a olhos lindos?

- E cabelo, claro, esse seu cabelo jogado de lado é um charme.

- Então você me acha charmoso?

- Não falei isso, Nah, para tá! Já tá se sentindo.

Ela era a única que me chamava de Nah e amava aquele gesto de carinho vindo dela.

Com o tempo, as brincadeiras foram mudando e Kat já não jogava mais bola, nem subíamos em árvores. Tinha dias que se isolava e depois fiquei sabendo que foi porque ela se tornou uma mocinha e não podia mais ficar como um moleque pelas ruas do bairro.

Os shorts folgados deram lugar ao jeans mais apertados e curtos, assim como as camisetas folgadas viraram camisetas justas que marcavam seus seios que começavam a tomar forma.

A única coisa que não mudou foi o All Star em seus pés.

Meu corpo também mudou e os pelos começaram a crescer, assim como a barba rala que eu cultivava com todo carinho. As espinhas começaram a aparecer e os hormônios começaram a ganhar vida, tanto que passei a ficar mais horas no banheiro, vendo revistas de mulheres peladas.

Inclusive uma vez vi Kat com uma saia curta, coisa que nunca tinha visto e meu corpo reagiu aquilo.

Fiquei com tanta vergonha que dei uma desculpa qualquer e corri para casa.

Eu simplesmente estava numa fase que não tinha controle sobre meu corpo.

Para falar a verdade tem momentos que ainda não tenho, já que hoje não consigo ver um rabo de saia que já quero me enfiar entre suas pernas.

A maioria do meninos já tinham beijado com seus treze anos e eu ainda não.

Kat me contava tudo, mas esse assunto de beijo nunca tínhamos falado até porque eu nem queria imaginar minha melhor amiga beijando outro que não fosse eu.

Teve um dia em que eu estava no quintal de casa, olhando o céu estrelado quando Kat chegou e se deitou do meu lado, na grama.

- Nah, sei que nunca falamos sobre isso, mas eu queria saber se você já beijou alguém.

Olhei para ela assustado com a sua abordagem.

- Eu... Eu... Não, Kat, eu nunca beijei.

Ela virou para mim, animada demais.

- Eu também não. Por que a gente não tenta? Sabe somos amigos e sei que você nunca me magoaria como um moleque idiota qualquer.

Sorri na expectativa de me aproximar mais da minha amiga e então aquele sonho de infância se concretizar.

- Eu concordo.

Ela então se aproximou e encostou seus lábios nos meus de forma suave.

Duas pessoas inexperientes experimentando o primeiro beijo, claro que foi uma péssima coisa.

Eu não sabia o que fazer e muito menos ela, então ficamos parados de olhos fechados com os lábios encostados um no outro.

Eu queria muito mais, mas ela assim que se afastou disfarçou e limpou a boca com a mão.

- Eca, é só isso? Não senti nada. Acho que teremos que ver alguns vídeos e treinar mais para quando acharmos a pessoas certa não fazer feio.

Confesso que fiquei chateado com suas palavras, mas decidi guardar aquilo para mim, afinal amava a Kat e a queria do meu lado, mesmo que fosse apenas como uma amiga muito querida.

- Vou ver uns vídeos e prometo que da próxima vez será melhor.

- Assim espero, porque senão os nossos crush irão rir da gente.

- Você tem um crush, Kat?

- Não, mas quando eu tiver não quero passar vergonha.

Em seguida, ela se levantou e foi embora, me deixando ali pensando no que tinha acabado de acontecer.

Eu tinha beijado a minha melhor amiga e tinha gostado.

Claro que depois passei a ver vídeos sobre como beijar e treinei na mão para não passar vergonha.

O problema é quando criei coragem para falar com a Kat, eu a vi beijando o meu amigo, Klaus.

Klaus até já tinha falado que achava a Kat linda, mas eu pensava que ele gostava da Margareth.

Fiquei tão triste que pedi para ir para a casa da minha vó no Texas, já que estava de férias escolares, para a minha mãe.

Nos dia seguinte, eu fui para a casa da minha avó e fiquei por lá por quinze dias.

Os quinze dias piores da minha vida, já que fiquei longe da minha melhor amiga e mais entediosos, já que não tinha mais amigos na cidade em que nasci.

Ainda saí alguns dias e até beijei uma menina, da forma certa.

Porém, não senti nada parecido com o que havia sentido com o selinho que troquei com Kat.

Quando voltei, descobri que Kat estava namorando com Klaus e decidi me afastar.

Eu não podia interferir na relação deles já que era apenas o amigo dos dois e nada mais.

Kat ainda tentou se aproximar, mas eu sempre dava um desculpa para não estar onde os dois estavam. Foi então que comecei a namorar a Jessica, a líder de torcida de escola, uma menina linda, mas ela não era Kat.

Éramos considerados o casal do ano, o rebatedor principal do time de beisebol e a linda líder de torcida.

Jessica era vaidosa, fútil e vivia olhando sua imagem no espelho.

Ela me deixava de lado para ficar se olhando nos espelhos por onde passávamos.

Confesso que aquilo me incomodava, mas era uma maneira de estar perto de Kat sem ficar um clima chato, já que tanto eu quanto ela, estávamos namorando.

Foi assim por um tempo, íamos nos lugares em casais e eu morria de ciúme de Kat, mesmo não tendo direito. Isso até Jessica perceber que tinha algo errado e me dar um ultimato.

Ela queria que eu escolhesse entre ela e Kat, e claro que escolhi a Kat, mesmo minha amiga estando namorando. Em seguida, Klaus e Kat terminaram por algo que nunca soube, pois, eles pareciam ser feitos um para o outro.

Eles nem brigavam.

Klaus depois que terminou com Kat se afastou da turma e deixou de ser meu amigo, algo que nunca entendi o motivo, confesso.

Ali eu tinha a minha chance de me declarar para a minha melhor amiga, era a minha chance.

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