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Contrato com o CEO

Contrato com o CEO

Autor:: Grazi Domingos
Gênero: Romance
Isabela Price construiu sua vida com muito trabalho duro, discrição e orgulho próprio. Inteligente, organizada e extremamente competente, ela se tornou a melhor assistente executiva da Capell e Company, assim como a única que não se deixava intimidar pelo temido CEO da empresa, Alexander Capell. Frio, controlador e brilhante nos negócios, Alexander é conhecido como um homem inalcançável, alguém que enxerga sentimentos como fraqueza. Porém, sua imagem impecável começa a ruir quando fotos comprometedoras e um boato devastador ameaçam derrubar sua reputação e colocar em risco um contrato bilionário, essencial para o futuro da empresa. Sem saída e pressionado pelo conselho administrativo, Alexander faz uma proposta chocante para Isabela, a única mulher que nunca havia demonstrado o mínimo de interesse sequer por ele: fingir ser sua esposa perfeita diante do público e em troca ele garantiria sua estabilidade financeira e um cargo de diretoria no final do acordo, algo que Isabela recusa imediatamente, até descobrir que seu próprio nome fora envolvido no escândalo.

Capítulo 1 O escândalo

O relógio marcava 7h02 quando Isabella Price atravessou o saguão de mármore da Capell & Company. O som de seus saltos ecoava no piso brilhante como um ritmo calculado e preciso, assim como tudo o mais em sua vida.

Ombros eretos, cabelo preso em um coque impecável, olhar direto e uma confiança inabalável, afinal, foram todas essas características e muitas outras que fizeram dela a melhor assistente executiva da Capell & Company desde que fora contratada fazia dois anos.

Durante dezoito meses ela trabalhara para o fundador da empresa, Eduard Capell, até ele decidir se aposentar e passar a coroa para seu filho mais velho, Alexander Capell, para quem ela trabalhava agora.

Desde o início Eduard a tratara com respeito e lhe ensinara muitas coisas. O carinho e respeito que ela sentia pelo senhor de cabelos grisalhos e olhos gentis era igual ao de uma filha por seu pai. Claro que esse carinho não havia se estendido para o atual CEO da empresa.

Frio, extremamente controlador e arrogante...

Isabela poderia citar vários outros adjetivos a esses, mas também precisava admitir que o homem era uma fera nos negócios, talvez até melhor do que o próprio pai.

Uma prova disso era o contrato bilionário que estavam prestes a assinar, o que levaria a Capell & Company para um nível internacional.

Lembrar-se disso fez com que Isabela fechasse a abrisse novamente as mãos em um gesto ritualístico, enquanto parava diante do elevador e acionava o andar desejado.

Assim que as portas de metal se abriram, Isabela respirou fundo e entrou, fazendo uma revisão mental de sua agenda para aquele dia: reunião com investidores as nove, alinhamento com o conselho às dez e meia, almoço estratégico às doze e, às quinze horas, apresentação final daquele projeto que seria crucial para a expansão internacional da empresa.

Tudo sob controle. Como sempre! Ela disse a si mesma, sorrindo com o canto dos lábios.

Sorriso esse que se desfez imediatamente assim que as portas se abriram no último andar da empresa.

O escritório principal da Capell & Company mais parecia um cenário de filme: paredes de vidro do chão ao teto, vista panorâmica da cidade, móveis minimalistas de design europeu... Tudo estava perfeito como sempre, menos o silêncio absoluto que chegava a ser intimidante.

Ela estava acostumada a chegar naquele lugar e ouvir o som de teclas de computador, telefones tocando..., mas tudo o que via naquele momento eram assistentes murmurando baixinho uns com os outros, tão baixo que era impossível ouvir o que estavam dizendo. Executivos circulavam com expressões tensas. Um dos diretores quase trombou com ela sem sequer pedir desculpas.

Isabela franziu o cenho, continuando o seu caminho, quando viu sua assistente júnior a alguns passos de distância.

"Marina" chamou, e quando a garota se voltou para ela, Isabela percebeu que a mesma estava branca feito papel, abraçando o tablet contra o peito como se tentando lhe esconder algo. "O que está acontecendo?"

Marina engoliu em seco e lhe estendeu o tablet sem dizer nada.

Isabela o pegou, confusa. Até que a manchete explodiu em seus olhos:

"ESCÂNDALO NA CAPELL & COMPANY: CEO ENVOLVIDO EM RELAÇÃO IMPRÓPRIA COM FUNCIONÁRIA?"

Abaixo, algumas fotos borradas, mas reconhecíveis.

Alexander Capell saindo de um restaurante de luxo à noite, com uma mulher ao seu lado. E embora o rosto dela estivesse parcialmente oculto, o corpo, cabelo e postura lembravam... Ela mesma!

Seu estômago gelou, enquanto Isabela deslizava a tela, lendo o restante da manchete.

Mais fotos, mais insinuações... mais palavras venenosas.

"FONTES INTERNAS AFIRMAM QUE O CEO MANTÉM UM RELACIONAMENTO SECRETO COM SUA ASSISTENTE PESSOAL, LEVANTANDO DÚVIDAS SOBRE ÉTICA, PROFISSIONALISMO E FAVORITISMO DENTRO DA EMPRESA."

O coração de Isabela bateu mais rápido dentro do peito, enquanto ela olhava novamente para todas aquelas fotos.

Ela jamais tivera qualquer relação com Alexander além da profissional. Nunca sequer jantaram sozinhos. Nunca cruzaram a linha de chefe e funcionária.

Ainda assim, ali estava o seu nome, implícito, mas evidente para quem conhecia a rotina da empresa.

"Isso está em todos os sites." Marina murmurou. "Os acionistas já estão ligando, o conselho está reunido desde cedo. E... o senhor Capell pediu para vê-la imediatamente, assim que colocasse os pés na empresa."

Isabela devolveu o tablet para sua assistente júnior, com o maxilar rígido. Não precisava olhar em volta para saber que todos os presentes estavam olhando para ela, mesmo que disfarçadamente.

"Cancele minha agenda da manhã." Ordenou, já reassumindo o controle. "Diga ao jurídico que preciso falar com eles assim que sair da sala do CEO e prepare um comunicado preliminar para a imprensa. Nada oficial ainda, apenas 'a empresa está apurando os fatos'." ¬¬

Marina assentiu, aliviada por ver a chefe em ação.

Isabela caminhou até o final do corredor, parando diante das portas de vidro fosco do escritório de Alexander.

Duas batidas firmes, antes de ouvir a ordem do outro lado.

"Entre".

Isabella empurrou a porta e o ar mudou imediatamente.

O escritório de Alexander era enorme, minimalista e frio... exatamente como ele!

Alexander estava de costas para ela, olhando a cidade lá embaixo, mãos apoiadas na borda de uma mesa de vidro. Impecável, como sempre: terno escuro sob medida, postura reta, presença magnética que dominava qualquer ambiente sem esforço.

Mas Isabela percebeu algo diferente nele, naquele dia.

Seus ombros largos estavam tensos, maxilar travado e um silêncio ainda mais pesado do que o habitual.

Alexander se virou lentamente e seus olhos encontraram os dela através do cômodo.

Escuros. Intensos. Implacáveis.

"Você viu". Ele disse, sem rodeios.

Não era uma pergunta e seu tom de voz lhe dizia que não adiantava mentir e fingir que não sabia do que ele estava falando.

"Vi". Isabela respondeu, mantendo o tom de voz firme. "E é um absurdo!"

Ele deu um passo em sua direção.

A distância entre eles diminuiu o suficiente para que ela sentisse o seu perfume. Amadeirado, caro e perturbador.

"Absurdo ou não, isso já está afetando a empresa". Ele disse, cortante. "As ações caíram três por cento em menos de uma hora, desde que essa manchete foi publicada".

Isabela cruzou os braços, sem recuar¬.

"Nunca houve nada entre nós além do trabalho. Essas fotos são manipuladas".

Alexander a estudou por um momento, como um predador analisando sua presa, de maneira calculada.

"Não importa o que é verdade" ele disse friamente. "Importa o que o público acredita".

"Claro que a verdade importa!" ela retrucou. Afinal, era o seu nome que estava sendo enfiado na lama por culpa daquela manchete idiota e completamente falsa. Mas ela sabia que de nada adiantaria ir por aquele caminho. "O jurídico já deve estar preparando medidas legais. Podemos processar por difamação, emitir nota oficial, rastrear a origem das imagens..."

"Não" ele a interrompeu, firme. "Isso não será o suficiente".

Isabela arqueou uma sobrancelha.

"O que exatamente você sugere, senhor Capell?" Ela indagou, com um leve toque de ironia em suas palavras.

Pai e filho eram completamente diferentes, ela pensava. Enquanto Eduard era gentil e educado, o filho era um completo imbecil, arrogante e controlador. Mas, apesar disso, eles trabalhavam bem juntos. Pelo menos fora isso o que Eduard lhe dissera na última vez em que se encontraram e ela havia deixado escapar o que pensava a respeito do novo CEO.

Ele inclinou levemente a cabeça, e algo no brilho de seus olhos a deixou em alerta.

"Precisamos de uma solução definitiva". Ele respondeu.

Isabela franziu o cenho, sem compreender o que ele estava falando. Mas antes que pudesse perguntar, a porta se abriu sem aviso.

O presidente do conselho entrou, acompanhado de dois diretores e um advogado da empresa.

O clima ficou ainda mais tenso.

"Alexander" disse o presidente, sério. "Isso é um desastre de relações-públicas. Investidores estão questionando sua liderança. Alguns já ameaçaram retirar apoio financeiro".

Alexander permaneceu impassível.

"E qual é a sua proposta, Henrique?" ele perguntou.

Henrique olhou de relance para Isabela, um olhar calculado demais para o gosto dela.

"Precisamos restaurar a sua imagem imediatamente. Mostrar estabilidade, seriedade, compromisso familiar".

Isabela sentiu um arrepio.

"Compromisso familiar?" ela repetiu, sem saber onde é que ele queria chegar com aquela conversa.

A manchete era a respeito dela e de Alexander, e os dois não faziam parte da mesma família.

O advogado pigarreou, entrando na conversa.

"A melhor estratégia seria apresentar uma narrativa que elimine qualquer suspeita de relacionamento impróprio."

Isabela franziu o cenho.

"E como pretendem fazer isso?" ela quis saber.

Alexander respirou fundo, antes de responder:

"Com um casamento."

Capítulo 2 Proposta indecente

O silêncio reinou no lugar, por um momento.

Isabela riu, um riso seco, sem humor, enquanto olhava para os três homens dentro da sala, sem acreditar no que estava ouvindo.

"Isso é uma piada?"

Alexander, porém, não estava rindo. Ele desviou o olhar do advogado, voltando-se novamente para ela.

"Não é." Ele respondeu. "É a única saída."

"Posso não saber muito a seu respeito, mas não creio que seja um homem aberto a relacionamentos, senhor Capell." Ela respondeu, tentando disfarçar a ironia em sua voz.

Na verdade, parando para pensar, que mulher aceitaria ter um relacionamento sério com um homem feito ele? Frio, seco...

Tudo o que Alexander Capell tinha a oferecer era um físico maravilho e uma conta muito, muito recheada. Então outra ideia lhe ocorreu, fazendo seu estômago se revirar no mesmo instante.

"Vocês estão sugerindo que 'eu' me case?!" ela perguntou, proferindo as palavras lentamente enquanto todo o seu corpo tensionava.

A última vez que ela se sentira assim fora em sua entrevista para trabalhar naquela empresa. Seu primeiro trabalho desde que terminara a faculdade.

Os três apenas a encaravam de volta, uma mensagem silenciosa em seus olhos.

"Com quem?" El disparou a pergunta, sentindo que estava perto de perder o controle sobre sua postura. "Um figurante? Um ator contratado?"

Henrique trocou um olhar com Alexander.

Então o CEO falou, baixo e claro:

"Comigo."

Sua resposta ecoou no escritório como um trovão silencioso.

Isabela ficou imóvel, enquanto o encarava, imaginando se estava ouvindo coisas.

Talvez fosse a falta do café da manhã, que ela não tivera tempo de tomar antes de sair às pressas de casa para não chegar atrasada no trabalho. Fome e falta de cafeína podiam fazer as pessoas delirarem, não podia? Ela se perguntava.

Mas a seriedade no olhar do homem a sua frente lhe dizia que estava errada.

Não era uma alucinação.

Era a coisa mais absurda que ela poderia ouvir, em toda a sua vida.

"Você só pode estar brincando!" disse, finalmente, mas sua voz não estava tão segura e firme como o habitual.

Alexander deu mais um passo em sua direção.

"Um casamento por contrato. Doze meses. Aparências perfeitas. Imprensa controlada. Problema resolvido."

Ela o encarou, chocada e furiosa.

"Você perdeu completamente o juízo."

Henrique interveio:

"Senhorita Price, pense estrategicamente. Isso protegerá a empresa. E a sua reputação também."

Isabela se voltou para ele, como uma tempestade.

"Minha reputação não precisa de um casamento falso para ser salva!"

Alexander ergueu a mão, fazendo o conselho recuar.

"Você já está envolvida, Isabela." Disse ele, usando seu nome pela primeira vez naquela conversa. "Seu nome está naquela manchete, mesmo que não apareça explicitamente. Sua carreira está em risco, tanto quanto a minha."

A verdade atingiu-a como um soco.

Ela engoliu em seco, enquanto imagens passaram por sua mente: anos de trabalho duro, noites sem dormir, sacrifícios pessoais para chegar onde estava. Tudo poderia ruir por causa de fotos manipuladas e boatos maliciosos.

"E porque eu aceitaria isso?" ela perguntou, finalmente compreendendo a situação em que se encontrava, mas recusando-se a aceitar o que eles sugeriam.

Alexander se aproximou ainda mais.

Perto demais.

Perto o suficiente para que Isabela sentisse o calor de sua presença, algo que ela sempre fora capaz de ignorar com maestria... até agora.

"Porque posso garantir sua segurança, sua carreira e seu futuro." Disse ele. "E porque, no fundo, você sabe que é a escolha mais lógica."

Ela levantou o queixo, desafiando-o com o olhar.

Como aquilo poderia ser a escolha mais lógica? Ela pensou.

Lógico seria se você mantivesse o seu brinquedinho dentro das calças ou ao menos não se deixasse fotografar durantes seus encontros, seu imbecil! Ela xingou em pensamento, quando sua vontade naquele momento era jogar isso na cara dele, naquele instante.

"Você fala como se eu fosse uma peça em seu tabuleiro.

Um músculo em seu maxilar se contraiu, antes que ele respondesse:

"No momento, você é."

Isabela sentiu a fúria tomar conta de seu corpo, enquanto todo o seu autocontrole caía por terra.

"Saia." disse ela, de repente, olhando para o conselho. "Agora!"

Henrique hesitou.

"Senhorita Price..."

"Eu disse para saírem!" ela repetiu, com um tom de voz cortante e uma autoridade que eles nunca viram antes.

Algo que impressionou Alexander naquele momento.

Ele fez um leve gesto com a mão e, um a um, eles deixaram a sala.

A porta se fechou e o silêncio pairou no ar enquanto os dois permaneciam ali, sozinhos.

Isabela respirou fundo, andando até a enorme janela de vidro.

A cidade parecia pequena lá embaixo. Insignificante. Caótica.

Então ela se pegou imaginando qual seria o pensamento daquele homem enquanto ele ficava parado ali, no mesmo lugar em que ela estava, todos os dias, olhando para aquela mesma imagem.

"Você acha que pode simplesmente comprar a minha vida com um contrato." Disse ela, sem se virar.

"Não estou comprando sua vida." Ele respondeu. "Estou propondo uma parceria."

Ela girou nos calcanhares, olhando para ele novamente.

"Uma parceria onde você decide tudo?"

Ele deu um passo à frente.

"Uma parceria onde ambos ganham."

Seus olhares se encontraram e, por um instante, algo surgiu perigosamente no ar entre eles. Tensão. Desafio. Algo que nenhum dos dois queria nomear naquele momento.

"E se eu disser não?" ela perguntou.

Alexander a olhou por um momento, em silêncio.

"Então verá sua imagem sendo destruída em rede nacional." Ele explicou, tranquilamente. "E eu terei que encontrar outra solução."

Isabela sentiu um nó no estômago. Ela sabia que ele estava certo, e era isso o que a deixava ainda mais irritada.

"Você planejou isso desde o início?" ela quis saber, olhando para ele com desconfiança.

Ela via todas as mulheres olhando para ele, por onde quer que ele passasse.

Na verdade, elas, praticamente, babavam aos pés dele.

Ela era a única que não agia de tal maneira. Estaria ele usando aquela situação para testá-la, de alguma maneira? Ela se questionou.

Ele balançou a cabeça, negando.

"Não. Mas aproveito oportunidades quando elas aparecem."

Isabela riu, sem humor.

"Você é impossível."

Ele deu um meio sorriso, o primeiro desde que ela entrara naquela sala.

E foi... devastador.

"Você também não é fácil.

O silêncio caiu novamente.

Isabela então caminhou até a mesa dele, apoiando as mãos na superfície de vidro.

"Doze meses." Disse ela, lentamente. "Sem interferência na minha vida pessoal. Sem controle sobre minhas decisões fora desse acordo."

Ele assentiu.

"Aceito."

"Casas separadas." Ela sugeriu, algo que ele negou no mesmo instante.

"Sem chance. Vai ser pior se descobrirem isso." Ele respondeu, fazendo com que Isabela concordasse com suas palavras.

Se descobrissem que eles moravam em residências separadas, de nada adiantaria toda aquela ideia de contrato de casamento, ela pensou, suspirando em frustração.

"Quartos separados, então." Ela exigiu.

Um brilho divertido passou pelos olhos dele.

"Por enquanto."

Ela o fulminou com o olhar.

"E ao final do contrato, quero um cargo na diretoria."

Alexander inclinou a cabeça.

"Feito."

Isabela respirou fundo novamente.

Ela não queria admitir, mas estava encurralada.

E, de alguma forma perturbadora, parte dela também estava curiosamente intrigada com aquele homem impossível à sua frente.

"Tudo bem." Ela disse, finalmente. "Eu aceito."

Por um segundo, algo mudou na expressão de Alexander. Algo como alívio.

Ou quase isso.

Ele estendeu a mão para selar o acordo e Isabela ainda hesitou por um instante antes de apertá-la.

O toque foi eletrizante.

Mais intenso do que qualquer um deles estava preparado para sentir.

Isabela puxou a mão de volta, tentando disfarçar sua reação ao toque da mão dele na sua.

Enquanto isso, o rosto dele nada transparecia.

"Bem-vinda ao nosso acordo, futura senhora Capell." Disse ele, com voz baixa.

"Não se acostume com o título." Ela respondeu, sentindo seu coração se acelerar por um momento.

Que diabos está acontecendo comigo, afinal? Ela se perguntou.

Ele deu um passo para trás, recuperando sua postura de sempre.

"Prepare-se." Disse ele. "Sua vida acaba de mudar."

Isabela olhou para ele e, pela primeira vez, percebeu que talvez a vida de Alexander Capell também estava prestes a mudar, muito mais do que ele imaginava.

Capítulo 3 O peso da manchete

O trânsito estava insuportável.

Isabela manteve as mãos firmes no volante, mas seus pensamentos corriam muito mais rápido do que os carros ao seu redor. O rádio estava desligado, afinal, ela não suportaria ouvir comentaristas discutindo o escândalo, repetindo seu nome nas entrelinhas, especulando sobre sua vida como se fosse um espetáculo público.

O céu de fim de tarde estava tingido de laranja e violeta, mas nada parecia bonito naquele momento para ela.

A cada minuto que se passava, Isabela repassava o que acontecera no escritório.

O olhar de Alexander, a proposta absurda, o conselho e a sensação de ter sido encurralada.

E acima de tudo, a dura verdade da qual ela não poderia escapar: aquilo não ficaria apenas nos corredores da Capell & Company.

Tudo aquilo chegaria à sua família.

Era nisso que Isabela pensava quando estacionou em frente à casa dos pais. Seu coração desacelerou e depois acelerou novamente.

A casa era grande e acolhedora, com varada branca e jardim sempre bem cuidado por sua mãe. Luzes quentes brilhavam pelas janelas e o cheiro de café recém passado flutuava pelo ar, convidativo.

Aquele era o lugar onde Isabela sempre se sentira segura.

Hoje, parecia um campo minado.

Ela respirou fundo, desligou o carro e ficou alguns segundos parada, mãos ainda no volante.

No banco do passageiro, seu telefone vibrou.

Mais notificações. Mais manchetes. Mais fotos circulando nas redes sociais.

Ela o ignorou, pegou a bolsa e saiu do carro.

Caminhou até a entrada da casa com passos mais lentos do que o habitual e, antes que pudesse tocar a campainha, a porta se abriu bruscamente.

"Isa!" Sua irmã mais nova, Emily, apareceu primeiro com os olhos arregalados e o celular na mão.

Atrás dela, Alice, a irmã do meio, cruzava os braços com uma expressão tensa e um olhar repleto de dúvidas.

No mesmo instante sua mãe apareceu na sala de estar, levando a mão ao peito ao vê-la parada na porta de entrada.

"Meu Deus, minha filha..." murmurou dona Helena, preocupada.

Isabela forçou um sorriso que não lhe alcançava os olhos, enquanto entrava e fechava a porta novamente atrás de si.

"Boa noite, família." Disse, tentando soar normal.

Mal havia dado dois passos e Emily falou, alterada:

"Você viu isso?!Está em todo lugar, Isa! Em todo lugar!

Ela ergueu o celular, mostrando a mesma manchete que Isabela vira pela manhã, agora com novos comentários e especulações cruéis.

O que ela havia feito de tão ruim ao universo, para merecer isso? Isabela se perguntou, desviando os olhos da tela.

Seu pai apareceu no corredor, o terno ainda meio amassado, claramente havia acabado de chegar do trabalho assim como ela.

O olhar dele era sério, protetor... e repleto de dúvidas.

"Senta, filha." Ele pediu, apontando para o sofá. "Precisamos conversar."

Isabela sentiu o peso do mundo desabar sobre seus ombros naquele momento.

Ela precisava esclarecer toda aquela situação, para que sua família não pensasse o pior dela.

Isabela largou a bolsa na poltrona e sentou-se entre as duas irmãs, que imediatamente se aproximaram como se quisessem cercá-la, tamanha a curiosidade das duas.

Dona Helena lhe trouxe uma xícara de café e colocou diante dela com mãos trêmulas.

"Aqui meu amor, você deve estar exausta..."

Isabela agradeceu com um aceno e pegou a xícara, mas não bebeu de imediato.

O silêncio ficou denso, até que finalmente seu pai falou:

"Queremos ouvir de você a verdade. Sem rodeios."

Isabela respirou fundo e segurou a xícara com ambas as mãos.

"Eu não tenho nada com Alexander Capell." Disse ela, firmemente, olhando para todos eles. "Nunca tive. Nunca jantamos juntos, nunca saímos juntos, nunca cruzamos qualquer linha.

Emily mordeu o lábio inferior.

"Mas essas fotos..."

"São manipuladas." Isabela a cortou. "Porque não há a menor chance dessa mulher a foto ser eu! O restaurante onde dizem que fomos juntos? Eu estava em uma reunião com outros diretores, e ele saiu em um horário diferente. Só juntaram tudo para criar uma narrativa.

Dona Helena levou a mão ao coração.

"Mas porque fariam isso com você?"

Isabela suspirou, cansada.

"Acho que nada disso tem a ver comigo, na verdade. Estamos prestes a obter um enorme contrato no exterior e pessoas poderosas brigam de formas sujas." Respondeu, por fim.

"Isso é verdade." Seu pai concordou, recostando-se no encosto do sofá, parecendo um pouco mais aliviado, mas não menos preocupado.

Alice inclinou-se para frente.

"E ele? Esse tal Alexander Capell? Ele te protegeu? Fez alguma coisa para limpar o seu nome?

A pergunta ecoou dentro dela.

A imagem de Alexander parado a sua frente, firme, impassível, oferecendo aquele contrato.

Como ela poderia contar a sua família que a única ideia que ele tivera fora fingir serem um casal, para acabar com os boatos e manter a honra do nome de sua família?

"Ele... está lidando com a crise." Ela respondeu, com cautela;

Emily arregalou os olhos.

"Ele te demitiu?!"

"Não." Isabela respondeu rapidamente. "Pelo contrário."

O pai franziu o cenho.

"O que quer dizer com 'pelo contrário'?

Isabela fechou os olhos por um instante.

O que deveria dizer a eles? Ela pensou, aflita. Porém, ela sabia que não poderia mentir. Mais cedo ou mais tarde novas notícias surgiriam e eles saberiam a verdade.

Seria melhor que ouvissem dela, ela decidiu. Então, quando ela reabriu os olhos, encontrou o olhar atento de todos a sua frente.

"O conselho sugeriu... uma solução."

Silêncio.

"Que solução?" Alice perguntou.

Isabela respirou fundo.

"Um casamento."

O choque foi imediato.

Emily quase derrubou o celular.

"Casamento?!" ela gritou. "Com quem?"

Isabela engoliu em seco, encontrando o olhar de seus pais.

"Com ele."

A sala ficou em completo silêncio.

Dona Helena levou as mãos à boca, horrorizada.

Seu pai se levantou de repente.

"Isabela Price, você enlouqueceu?!" ele falou, aborrecido. "Isso é um absurdo. Inaceitável! Um casamento de fachada por causa de uma manchete?!

Isabela se levantou também, sentindo a pressão explodir em seu peito.

"Eu ainda não aceitei nada definitivamente. "mentiu. "Mas vocês precisam entender a gravidade disso tudo. Minha carreira está em risco. Meu nome está sendo arrastado pela lama."

Alice cruzou os braços novamente.

"Você sempre foi tão correta... tão cuidadosa. E agora querem te usar como peça de marketing?

Isabela sentiu os olhos arderem, ofendida com o título adquirido.

Ela odiava chorar, mas naquele momento, a emoção quase a venceu.

"Eu passei anos construindo minha reputação." Disse ela, com a voz embargada. "Quando consegui esse emprego, passei meses trabalhando até tarde, sacrifiquei minha vida pessoal... apenas para chegar onde estou. E em uma única manhã, tudo isso pode desmoronar.

Emily levantou-se e abraçou a irmã mais velha.

"Nós estamos com você, Isa. Sempre."

Dona Helena se aproximou e segurou o rosto da filha entre as mãos.

"Eu não criei você para ser troféu de nenhum homem poderoso."

Isabela respirou fundo, sentindo o calor do toque de sua mãe.

"Eu sei, mãe. Eu sei."

Seu pai, parecendo um pouco mais calmo, voltou a falar:

"O que você quer fazer?"

Isabela hesitou.

A lembrança do olhar de Alexander voltou à sua mente. Intenso, impossível de ignorar.

A proposta dele. O contrato. A promessa de proteção...

"Eu... ainda estou decidindo." Respondeu, finalmente. "Mas preciso agir com a cabeça e não apenas com o meu orgulho.

Alice suspirou.

"Agir com a cabeça é uma coisa. Vender sua vida é outra."

Isabela deixou escapar um riso fraco.

"Eu não vou vender nada. Se eu aceitar, será nos meus termos."

Seu pai assentiu lentamente.

"Então faça o que achar ser o melhor, minha filha. Mas nunca esqueça quem você é."

Isabela sentiu um nó na garganta.

"Eu nunca me esqueço."

O clima na sala suavizou um pouco.

Dona Helena se levou e foi até a cozinha.

"Vou preparar o jantar." disse, tentando trazer normalidade ao ambiente. "Ninguém vai enfrentar isso de estômago vazio.

Emily puxou a irmã para o sofá novamente.

"Me conta tudo." Ela pediu, em voz baixa. "Como ele é pessoalmente? Ele te intimidou?"

Isabela pensou por um momento.

"Ele é... frio. Controlador. Inteligente e assustadoramente bom no que faz.

Alice ergueu uma sobrancelha.

"E bonito?"

Isabela hesitou.

Não adiantava mentir.

"Ridiculamente." Admitiu por fim, fazendo suas irmãs trocarem um olhar significativo.

Emily abriu um sorriso travesso.

"Ahhh... Então o escândalo não é totalmente impossível, hein?"

Isabela jogou uma almofada nela.

"Pare já com isso!"

As três riram, a primeira risada sincera do dia.

Mas o peso de tudo o que estava acontecendo ainda estava lá.

Mais tarde, já à mesa, a família conversava em tom mais baixo. O noticiário passava ao fundo, inevitável, e em determinado momento, uma foto de Alexander apareceu na tela.

Dona Helena desligou a TV imediatamente.

"Chega." Disse firme. "Na minha casa quem manda sou eu.

Isabela sorriu levemente.

Depois do jantar, Isabela subiu para o quarto que sempre fora seu refúgio. Fechou a porta, recostou-se nela, e soltou o ar que vinha segurando desde aquela manhã.

O quarto estava igual ao de sempre: cama grande, fotos de família na parede, livros empilhados na escrivaninha e um abajur suave iluminando o ambiente.

Ela caminhou até a janela e olhou para a rua silenciosa. Então pegou o celular e, por impulso, abriu a galeria de fotos.

Lá estava uma das imagens que circulava na internet.

Alexander Capell ao lado da mulher que se parecia tanto com ela, próximos demais, segundo a imprensa. Distantes demais, segundo a realidade.

Ela estudou o rosto dele na foto.

A postura impecável. O olhar sério. A aura de poder quase palpável.

Isabela sentiu algo estranho no peito.

Raiva, fascínio, irritação... curiosidade.

O celular vibrou em sua mão, uma mensagem de um número desconhecido.

Ela abriu.

'Precisamos conversar amanhã às 7h. Esteja no meu escritório antes de todos.'

O nome apareceu logo embaixo:

Alexander Capell.

Isabela encarou a tela por longos segundos, o coração batendo mais rápido.

Ela digitou de volta:

'Estarei lá'.

Antes mesmo de bloquear a tela do telefone, outra mensagem apareceu.

'Descanse. Você vai precisar.'

Isabela soltou um suspiro longo.

Descanse...

Como se isso fosse possível! Ela pensou.

Isabela deixou o celular sobre a mesa de cabeceira, apagou a luz e se deitou, mas o sono demorou a vir.

Na escuridão, imagens do dia se misturavam: O conselho pressionando, a proposta absurda, o olhar intenso de Alexander, o abraço das irmãs e o olhar preocupado de seus pais.

E, inevitavelmente, a pergunta que não saía de sua cabeça:

Até onde ela estaria disposta a ir para proteger o sua reputação e sua carreira?

Quando ela finalmente fechou os olhos, sabia de uma coisa:

Nada, absolutamente nada, seria como antes.

E, querendo ou não, Alexander Capell já fazia parte de sua vida.

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