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Contrato de Casamento - Livro 2

Contrato de Casamento - Livro 2

Autor:: Nalva Martins
Gênero: Romance
Samanta Belfort é filha única, portanto é a única herdeira da família Belfort. Órfã de mãe desde muito cedo, ela foi criada pelo seu pai Hugo Belfort. Um homem rígido e intolerante, mas que pela filha ele é capaz de tudo. Até mesmo que forçá-la a se casar para passar-lhe o poder. Contudo, a moça tem aversão a relacionamentos e casamentos não está no topo da sua lista. "Mandar e desmandar foi para isso que eu nasci." Ela disse. Ethan Stanford o primogênito de Kalel e Luna Stanford está sendo preparado pelo seu pai para assumir a presidência de uma das maiores empresas contábeis de Seattle. Inteligente, bem-humorado, lindo e multimilionário, esse rapaz promete arrasar alguns corações desavisados. Mas ele nunca contaria que um sexo que deveria ser de penas uma noite, se transformasse em um casamento por conveniência. Ela é determinada e mandona. Ele é atrevido e possessivo. Um relacionamento cheio de altos e baixos que promete envolver o leitor em cada página.

Capítulo 1 1

Samanta

- Bom dia para o pai mais lindo desse mundo!

Digo amorosamente e acredite, não é falsidade. O meu pai e eu temos um relacionamento perfeito. Ele conhece tudo sobre a minha vida, principalmente um fato que eu pretensiosamente mantenho escondidinho lá no fundo de um poço escuro. Devo dizer que foi um grande... grande não, um enorme erro que pretendo não cometer outra vez. No entanto, o Senhor Arthur Belfort se manteve firme do meu lado e os seus conselhos muito bem-vindos foram prontamente ignorados. Confuso? Basta saber que eu sei exatamente do que estou falando. - O Senhor mandou me chamar?

- Mandei. Sente-se, filha! - Ele faz um gesto para eu me sentar em uma cadeira de frente para a sua mesa, mas só faço isso após deixar outro beijo carinhoso na sua bochecha. Ok, vamos nos preparar para a boa notícia do dia. Penso completamente empolgada e finalmente me sento na cadeira. - Não é novidade que pretendo me afastar das atividades dessa empresa definitivamente. - Não, não é. Penso ansiosa pela continuação dessa conversa. - Você sabe, longos anos preso a essas quatro paredes de vidro e me dedicando unicamente a você. Eu não estou reclamando, filha, sabe disso, não é? - Meu sorriso se alarga.

- Eu sei disso, papai.

- Ótimo! Filha, eu sei o quanto você se preparou para esse momento. O seu desempenho não passou despercebido aos meus olhos em nenhum momento. Você é simplesmente fantástica no que faz! Essa sua força, a sua autoridade, o jeito como resolve as coisas e como pensa... - Agora me diz se não é satisfatório ouvir tantos adjetivos da boca do seu próprio pai? Confesso que estou quase redonda de tanto inflar. - Mas... - O quê?! De onde veio esse, mas?! O que ele quer dizer com, mas?

- Mas?

- Eu preciso de mais, querida. - Bato os cílios algumas vezes tentando entender isso.

- Como assim, o Senhor precisa de mais, papai?

- Querida, você já fez vinte e três anos, está formada e preparada para assumir uma empresa de grande porte como essa.

- Por que eu estou sentindo que vem algo bem desagradável por trás desse mais? - ralho um tanto nervosa. Ele solta uma respiração profunda, se levanta da sua cadeira e vai para perto de uma parede de vidro transparente.

- Relacionamentos. - Ele diz enfático e eu reviro os olhos para essa palavra. - Você sabe o que quase aconteceu da última vez.

- Papai, você não precisa se preocupar com isso. - Me levanto e vou ao seu encontro. - Eu não pretendo me casar...

- Como não? - Ele me interrompe bruscamente. - Eu quero ter netos, Samanta! - Sorrio confiante.

- Nada que uma adoção não resolva, papaizinho.

- Você não entendeu, filha, eu quero netos legítimos.

- Papai, vê não fode!

- Olha essa boca suja, mocinha! - Ele rosna mal-humorado e eu bufo em resposta. - Você quer muito assumir a Belfort LTDA, não quer?

- Você sabe que sim!

- Ótimo, então me traga um marido.

- O QUÊ?! - grito a indagação.

- Mas, eu não quero qualquer marido, Samanta Belfort.

- Pai, se isso é algum tipo de brincadeira...

- Eu não brinco quando o assunto é a minha única filha e essa empresa! - Ele brada me deixando extasiada. - Eu preciso ter certeza de que esse patrimônio estará seguro, filho e para isso você tem trinta dias para me apresentar o marido perfeito. - Abro a boca para rebater uma malcriação, mas o seu telefone começa a tocar e ele faz um gesto de mão me pedindo para esperar. - Eu preciso atender, filha.

- Como assim? Papai, essa conversa ainda não acabou!

- Você tem razão. Então lá vai, se você se recusar aos meus termos eu ficarei feliz em torná-la vice-presidente da Belfort LTDA e o seu primo Erick assumirá a presidência definitivamente. - Mais uma vez penso em rebater, porém, ele me dar as costas e atende o maldito telefone. - Erick, meu querido, estávamos falando de você exatamente agora... - Solto um grunhido irritado e saio pisando duro do escritório, direto para a minha sala. Assim que entro bato a porta com força e me sento na minha cadeira, girando-a de frente para uma parede de vidro e fito a nebulosa Seattle em um dia chuvoso.

Para uma família com o alto escalão e dona de uma enorme rede farmacêutica reconhecida no mundo inteiro, o ideal seria nascer homem e assim assumir as empresas sem ser observado pelos olhos julgadores dos associados o tempo todo. Infelizmente Arthur Belfort – meu pai não teve essa sorte. O jovem CEO descobriu muito cedo o sucesso de criar um dos melhores laboratórios medicinais e acabou se casando muito cedo também. Uma linda história de amor que eu conheço de cor. Contudo, uma história bem curta também, pois Leslie Belfort morreu na sala de parto. Ou seja, eu deveria ser duas vezes mais indesejada, mas o presidente da Belfort LTDA nunca me menosprezou por roubar a vida do seu grande amor, e menos ainda por eu ter ousado nascer menina. Pelo contrário, ele se doou para me educar e me amou incondicionalmente ao ponto de não se casar outra vez. Portanto, como gratidão me empenhei a vida inteira para lhe agradar. Fiz um curso de administração, outro de empreendedorismo e estudei três línguas estrangeiras. Tudo para ser o seu orgulho e me tornar a melhor presidente que essa rede industrial já teve. Estão se perguntando se eu consegui? Quase. Sabe o fator nascida mulher? Pesou um pouco mais, pois os assédios masculinos caíram como uma onda gigante sobre a minha cabeça e logo me vi apaixonada. Isso me distanciou um pouco do meu propósito, mas não vamos entrar nos detalhes sórdidos dos meus erros e sim dos meus acertos. Com a aposentadoria do meu pai as portas tenho me empenhado como nunca para atrair a sua atenção para mim. Contudo, Erick Belfort, meu primo tem feito o mesmo e devo afirmar que ele é um adversário à altura, mas daí exigir me levar ao altar do dia para a noite?

- Ele não tem o direito de fazer isso comigo! - sibilo baixo, segurando uma explosão.

***

- Samanta Belfort, se antes existia alguma dúvida sobre os seus dotes persuasivos, agora eu não os tenho mais. - Penelope Blum ralha invadindo o meu escritório, provavelmente abraçada ao seu tablet de estimação. Impaciente, reviro os olhos. Penelope é a minha melhor amiga desde os tempos do colegial. Ela é uma garota bem tagarela e gosta de falar sobre tudo o que pensa, principalmente sobre o seu relacionamento maluco com Tyler Harris. Ela é também a garota que me aguenta, porque eu sei que às vezes eu posso ser um pouquinho difícil desde que... Enfim, sempre que estou na merda é para ela que eu corro. - Acabei de receber o e-mail da Stanford Corporation e advinha? - Giro a cadeira para olhá-la com nítido interesse no assunto. - Eles querem uma reunião amanhã de manhã. - Abro um sorriso amplo.

- Mas isso é perfeito! Quem sabe essa parceria fará o meu pai mudar de ideia?

- Ideia, que ideia?

- Papai quer que eu me case.

- O quê?

- Ele pensa que uma mulher sozinha no controle não é capaz de administrar uma empresa. Puro machismo!

- Você sabe que não se trata disso, não é?

- Uma vez, Penelope! Eu errei apenas uma vez e juro que aprendi com o meu erro. Quem ele pensa que é para determinar o que eu devo ou não fazer?!

- O dono da porra toda? - Ela rebate e enfia a cara no seu tablet. - Você já viu a família Stanford?

- E isso é importante? - retruco com nítida irritação.

- Gente, Kalel Stanford é uma perdição de bonito! - Ela continua com os seus comentários, ignorando a minha rabugice. - A esposa dele então, é muito linda! Olha para essa pele de pêssego! - bufo audivelmente e volto a girar a minha cadeira de frente para a parede. - O casal tem três filhos, você sabia disso? Quê que isso, gente?!

- Você não vai parar, não é? - ralho incomodada.

- Já viu a carinha de bebê desse Ethan Stanford? Ele é o deus da perdição. Eu não pegaria, simplesmente o devoraria.

- Seu namorado sabe desse seu desejo descabido pelo primogênito Stanford?

- Tem certeza de que não quer ver essa lindeza?

- Não tenho interesse, Penelope!

- Eu tenho certeza de que o seu pai o aprovaria.

- Não importa, porque eu não vou me casar!

- Você sabe que nem todos são como ele, não é?

- Que se foda! Eu vou mostrar para esses machistas de merda do que uma mulher como eu é capaz!

- Ok, entendi, você hoje está impenetrável. Que tal sairmos essa noite? - Volto a fitá-la. - Dançar um pouco, hum? - Ela se remexe em cima da cadeira me fazendo abrir um meio sorriso. - Prometo que vamos beber até as nossas pernas tremerem e perdermos a consciência.

- Meu Deus, você é louca!

- Topa ou não topa? - Ela ignora o meu comentário e o meu sorriso se amplia.

- Eu topo!

Capítulo 2 2

Ethan

- Por que você vive com essa cara enfiada nesses livros? - resmungo assim que entro na sala de visitas da casa dos meus pais e encontro Eleanor, a minha irmã caçula deitada em um dos sofás e lendo um livro de romance.

Meninas!

Por que elas acreditam nessas baboseiras? Estão sempre suspirando pelos cantos e sonhando acordadas. Eu entendo que o amor existe. Eu tenho vários exemplos clássicos girando ao meu redor. O Timothy, o Tomás, Tio Mateo e até mesmo o meu pai. Cada um deles tem uma história para contar, mas vamos ser sinceros? Não dá para viver de sonhos. Não sou um homem de coração duro e nem nada assim. Estou mais para um cara pragmático. Atualmente eu sou o vice-presidente da Stanford Corporation e logo serei o presidente dessa empresa, mas não cheguei até aqui com sonhos e suspiros. Eu estudei, me esforcei e dei o meu melhor para ser visto pelo meu pai, e reconhecido pelos meus méritos. Sou determinado e tenho os meus pés fixados no chão.

- Eu amo acompanhar o amor crescendo em seus corações. Você deveria tentar. - Ela diz fechando o exemplar e salta para fora do sofá, me envolvendo com os seus braços em seguida. Retribuo o seu gesto, deixando um beijo carinhoso no topo da sua cabeça.

- A Marie já chegou? - Procuro saber assim que me afasto dela.

- Deve estar na varanda agarrada ao pescoço daquele monumento do Victor. - Rolo os olhos para esse comentário. O que há de errado com essas garotas de hoje em dia? Resmungo mentalmente e olho para o relógio o meu pulso. - Vou falar com o papai e dar um beijo na mamãe. Sairemos vinte minutos após os parabéns, certo? - aviso e me afasto imediatamente, direto para o seu escritório.

Não vou dizer que não quero um amor como o dos meus pais para mim, mas eu bem sei que ele é um sentimento tardio, que chega desavisadamente e que adora nos dar as suas rasteiras. Contudo, conheço bem os seus sintomas e estou atento a cada um deles. Pode ter certeza de saberei quando ele bater a minha porta. Mas principalmente, eu saberei o momento exato de abri-la para ele. No entanto, enquanto isso não acontece estarei brincando de fazer amor, se é que me entendem. Duas batidas leves na madeira anunciam a minha chegada e logo que abro a porta recebo uma visão um tanto constrangedora de Luna – a minha mãe sentada no colo do meu pai por trás da sua mesa. Fecho imediatamente a porta, abrindo um sorriso nervoso. Droga, eles precisam ficar se pegando o tempo todo? Segundos depois, a porta se abre e a mamãe surge no meu campo de visão. Devo dizer que não foi exatamente um flagrante, porque eles não estavam fazendo nada demais, mas ainda assim é constrangedor.

- Olá, querido!

- Boa noite, mamãe, e meus parabéns! - A abraço bem apertado e beijo carinhosamente o seu rosto, recebendo o seu afago, e encontro o seu sorriso assim que me afasto dos seus braços.

- Obrigada, querido! As suas irmãs já chegaram?

- A Marie está na varanda com o namorado e a Eleanor está lendo um livro na sala.

- Entendi. O seu pai pediu para entrar. - É claro que ele pediu! Ralho mentalmente. Se tem uma coisa que o meu pai tem de sobra é o poder. Mesmo que as nossas garotas não percebam isso, ele mantém tudo sobre o seu olhar altivo e está sempre atento aos detalhes. Penso e assim que ela se afasta, adentro a sala. Kalel Stanford é mais do que o meu pai, ele é o meu herói, o meu exemplo de luta e de sobrevivência. O homem que me ensinou tudo o que eu sei, inclusive sobre as coisas do coração. A sua história de amor é um ícone para Eleanor e a Marie, mas para mim não passa de um romance estendido. É claro que amo os ver juntos e aos beijos, sempre trocando olhares, sempre se declarando, mas de verdade? Não quero um amor pegajoso assim para mim. Eu prefiro aquele amor comportado, com tudo sobre controle, na medida certa e com hora certa para explodir. Eu sei, pareço pedir demais. Entretanto, me encarregarei de manter as rédeas desse sentimento ou serei eu a ser controlado por ele. E sinceramente, ninguém me controla. - Mandou me chamar? - indago assim que ocupo a cadeira de frente para a sua mesa.

- Mandei. Como sabe, hoje é aniversário da sua mãe.

- Sim, eu sei.

- E após cantarmos os parabéns eu quero levá-la para Roma. Você pode cuidar da empresa para mim por uma semana inteira? - CA. RA. LHO! Rosno mentalmente eufórico. Eu esperei por esse momento praticamente a minha vida inteira! Ok, é só maneira de dizer, a final, vinte e quatro anos não se trata da minha vida inteira. Mas voltando ao assunto. Se Heitor, o presidente da Stanford quer entregar a empresa em minhas mãos, isso quer dizer que já estou preparado. Yes! Chego a vibrar por dentro, mas como um homem de negócios lhe respondo como tal.

- Claro! - Firme e calmo. Pareço controlador? Ótimo, é isso mesmo que eu quero.

- Perfeito! Avisarei para o Tomás e para o Timorhy que estarei fora por alguns dias. Fique de olho nos meus e-mails e se precisar de mim... - Não tenho dúvidas de que herdei a sua perspicácia, o seu jeito mandão e autoritário, entre outras qualidades profissionais que me renderão muito sucesso em minha carreira. Por fim, não demorou para estarmos reunidos na sala, cantando parabéns e assistindo mamãe apagar as velas com um sorriso estravagante no rosto. E logo após isso, eles saíram apressados para o aeroporto, e nós para uma danceteria. A final, somos jovens e diversão nunca é demais.

A Vênus é a nossa casa noturna preferida e devo confessar que adoro me aventurar nesse lugar. É aqui que costumo caçar e depois me proporciono uma noite maravilhosa de prazer. A coisa é bem simples. Eu arrasto os olhos de um canto a outro do lugar, avalio a multidão e paro bem em cima do meu alvo. A escolha não é feita à primeira vista e sim, na quinta vista. Ou seja, primeiro o contato visual, depois presto a atenção nas suas curvas, em seguida observo o comportamento da garota. Então procuro ter a certeza de que ela está sozinha e por fim o meu ataque. E falando em presa. Eu já encontrei a dessa noite. Morena, corpo esguio, sorriso fácil e pelo jeito ela gosta de dançar. Falo isso porque ela está na pista de dança desde que cheguei aqui. Os seus movimentos e a sua sensualidade em conjunto com o seu sorriso é de tirar o fôlego. A melhor parte? Ela está sozinha. E como eu sei disso? Já tem quase uma hora que ela está dançando e nenhum marmanjo chegou perto ainda.

- Eu vou pegar uma bebida para as meninas. Você quer algo? - Victor, o namorado da Marie pergunta e sem olhá-lo faço não com a cabeça. No entanto, sigo para a escadaria de ferro. Como se fosse atraído por ela, e vou direto para a pista, bem no meio da multidão de corpos suados, parando bem atrás dela. Ousadamente as minhas mãos tomam posse da sua cintura. Ela dá aquela olhadinha de lado, o seu sorriso se amplia e eu tenho a minha carta branca. Portanto, me encosto no seu corpo delicioso e me mexo seguindo o seu ritmo. A coisa toda é uma droga sensual que me embriaga, que me envolve e me deixa completamente alucinado. O meu corpo inteiro está fervilhando por dentro e porra, eu estou louco para provar do seu sabor. Mas calma, Ethan, você precisa ir devagar. Primeiro alimente o seu desejo, desperte o seu fogo adormecido, faça-a querer mais e aí ela será todinha sua. Não demora para os nossos corpos estrem colados e suados. As nossas respirações estão pesadas e ofegantes, e para completar já estamos no terceiro copo.

Está na hora de levá-la para a cama!

Capítulo 3 3

Ethan

Conhecem a expressão aos trancos e barrancos? Foi exatamente assim que entramos no seu apartamento e eu tenho certeza de que nada ficou inteiro pelo caminho. No meio da madrugada os nossos sons se misturaram e se espalharam pelo seu quarto, enquanto suávamos os seus lençóis. O seu calor e o seu aperto me deixaram fora de órbita e em algum momento fiz questão de fazê-la gritar o meu nome, enquanto a fodia com força por três vezes consecutivas. E quando ela literalmente apagou o dia já estava amanhecendo. Ninguém sabia o nome de ninguém e nem era preciso. A final, isso não passou de uma transa de uma noite só. Portanto, assim ela que começou a ressonar, vesti as minhas roupas, peguei a minha carteira e as chaves, e saí do seu AP de fininho com uma única certeza. Nunca mais a verei outra vez.

- Bom dia, Senhor Stanford! - Lena, a secretária do meu pai diz assim que saio de dentro do elevador.

- Bom dia, Lena, a sala de reuniões já está pronta? - procuro saber enquanto caminho apressado devido a um atraso mínimo de dez minutos. Essa porra tinha que acontecer logo no meu primeiro dia como presidente interino, droga!

- Sim, Senhor, e a equipe Belfort já o está aguardando há algum tempo. - Solto uma respiração consternada.

- Porra, onde eles estão?

- Aguardando na sala de reuniões número três, Senhor! - Puxo uma respiração profunda, soltando-a de modo audível pela boca em seguida.

- Prepare um mimo para eles, Lena. Como um pedido de desculpas pelo meu inconveniente.

- Certo, Senhor! - Lena se afasta rapidamente e eu vou direto para a primeira reunião do dia. Só espero que não seja um desastre como esse pequeno fiasco inicial. Penso e levo uma mão a maçaneta, encontrando dois Senhores acomodados a uma mesa retangular me esperando.

- Bom dia, Senhores! Me desculpem por esse atraso, infelizmente o trânsito estava uma loucura! A propósito, eu sou Ethan Stanford, o presidente interino da Stanford Corporation - Me apresento, lhes estendendo a minha mão que eles apertam no mesmo instante. Contudo, os homens mal chegam a dizer qualquer coisa.

- E o Senhor Kalel Stanford, ele não vem? - Uma voz feminina questiona os interrompendo e eu me viro para trás, para ver de quem se trata. E eu posso afirmar com todas as letras que praticamente me engasguei com a minha própria saliva. No ato, franzo a testa e começo a suar frio. Puta que pariu, é a garota na noite passada!

- E você quem é? - questiono um tanto seco, tentando manter a minha voz firme.

- Me chamo Samanta Belfort e sou a atual dona e presidente da Belfort Farmacêutica LTDA. - PUTA. QUE. PARIU! Rasgo um palavrão quando percebo que eu fodi literalmente com a cliente mais importante da Stanford. A garota mantém o seu olhar firme no meu, enquanto me estende a sua mão e após afrouxar a minha gravata, eu a seguro com um aperto firme. Contudo, estou sem ação. - Vamos começar? - Um sorriso vem junto com esse convite presunçoso e após sacudir sutilmente a minha cabeça para jogar essa lerdeza para longe de mim, ocupo no meu lugar na cadeira e escuto a presidente da Belfort falar por longos minutos sobre a sua perspectiva com os números da sua empresa. A porra toda é que eu não consigo tirar os meus olhos da sua boca pintada de vermelho, que não para de se mexer e a minha mente está povoada de imagens desses lábios macios me tocando, sentindo o meu gosto e me beijando arduamente. Porra, Ethan você precisa ligar o seu botão profissional ou porá tudo a perder! Rosno mentalmente irritado comigo mesmo.

- E então, eu posso contar com você? - Ela inquire e eu desperto, fitando os seus olhos perspicazes. Contar comigo? Com o que mesmo?

- Claro, nós da Stanford teremos um imenso prazer de lavá-la ao topo, Senhorita Belfort. - Santo bordão!

- Ótimo! - Ela diz satisfeita.

- Verei um dos nossos melhores contadores para esse trabalho.

- Não! Eu quero você a frente das minhas finanças. - Ela exige com uma certa firmeza. Fodeu! Penso completamente consternado. Não dá para assumir um trabalho com uma transa de uma noite, certo? Quer dizer, eu posso cair em tentação e Deus do céu, levar esse corpo monumental para a cama de novo é um... problema? Não seria mais uma transa de uma noite e sim de várias noites. Que droga, Ethan e toda aquela história de autocontrole? Pois é, está indo de água abaixo. Samanta exala um poderio enquanto fala, gesticula e até quando anda. No seu olhar escuro e cheio de brilho, na voz aveludada e determinada, nos gestos das mãos enquanto fala e principalmente no seu perfume. Ah, esse perfume!

Que porra é essa? Como ela ousa me envolver dessa maneira?

- Que seja! - Me pego dizendo e internamente dou uma bofetada na minha cara.

- Ótimo! Nesse caso, espero por você no meu apartamento para um jantar de negócios.

- Como assim? - indago aturdido quando ela se levanta e os homens fazem o mesmo em seguida.

- Creio que você já sabe o meu endereço, Senhor Stanford. - Não acredito que ela fez o meu rosto queimar com essa pergunta absurda! Que porra está acontecendo com você, Ethan que ainda não rebateu a sua ousadia?

- Espere, Senhorita Belfort, eu não... - A filha da mãe nem esperou eu terminar a minha frase e simplesmente saiu, fechando a porta atrás de si. Um movimento lá embaixo me fez olhar na mesma direção e eu me vi completamente duro. Eu fiquei excitado com essa droga de reunião, sério? - O que é isso, você é adepto a mulheres mandonas agora, porra?! - ralho furioso para o meu pau e bufo audivelmente irritado.

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