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Contrato de Prazer: A Mãe que o CEO jurou Dominar

Contrato de Prazer: A Mãe que o CEO jurou Dominar

Autor:: Priscila Ozilio
Gênero: Romance
"Vamos lá, Juliet... é hora de escrever uma nova história." Após anos presa em um casamento abusivo, Juliet Pierce decide fugir. Sozinha, com dois filhos e uma mala cheia de traumas, ela abandona o luxo e George Monroe, o homem que um dia amou, em busca de um recomeço. O destino? Manhattan. O plano? Apenas sobreviver. Mas tudo muda na sua primeira noite como garçonete, na boate Paradise. Um clube exclusivo de BDSM onde o prazer encontra o poder. Com medo de ser reconhecida, ela usa uma máscara, como se fosse uma proteção. E é lá que ela cruza com Noah Blake: CEO bilionário, dominador implacável e sócio do clube. Ele a vê. Ele a deseja. Ele não sabe quem ela é... ainda. Dias depois, Juliet se candidata a uma vaga como assistente na empresa de Noah. Dessa vez, ela está sem máscara, e ele começa a juntar as peças. Juliet quer distância. Ele quer domá-la. "Adoro um desafio.", ele diz. Juliet é tudo o que ele não esperava: divertida, ousada, intensa, aparência frágil, mas olhos que mostram o quanto é incontrolável. Ele quer colocá-la de joelhos. Ela quer provar que pode amar sem se perder. O que começa como um contrato perigoso vira uma guerra silenciosa entre o medo e o desejo, o passado e a redenção. Mas o passado de Juliet está mais perto do que ela imagina. E quando tudo voltar para assombrá-la... ela precisará escolher: se render ou lutar por si mesma e talvez, pelo amor de um homem que jurou nunca amar. "Foi nesse momento que percebi, que estava prestes a descobrir: Se isso seria um pesadelo... ou a melhor experiência da minha vida."

Capítulo 1 Prólogo – Recomeço

Prólogo – Recomeço

Juliet Pierce

​​Estava dentro do carro, parada no acostamento da noventa e cinco, enquanto a chuva caía lá fora. O som da chuva sempre me acalmava, meu pai costumava dizer: "um banho de chuva pode lavar a alma". Olhei para o banco de trás por um instante, onde meus pequenos dormiam tranquilos, como se o nosso mundo não tivesse acabado de desabar. Depois... me encarei no retrovisor. O roxo em volta dos olhos ainda estava ali. Assim como as marcas nos pulsos e nos braços.

​​Uma lembrança dolorosa, de que tantos anos de dedicação sempre foram retribuídos da pior forma, com gritos, tapas, chutes...

​​Endireitei a postura, apertando o volante com força. A partir de hoje, não sou mais Juliet Monroe. Voltei a ser Juliet Pierce.

​O telefone tocou mais uma vez. Era ele. Não havia mais nada a ser dito. Eu assinei os papéis, e ele... mesmo enganado, também assinou. Sequei as lágrimas que escorriam pelo rosto, liguei o carro e voltei à estrada.

Não fazia ideia de para onde ir, mas precisava decidir logo. O dinheiro que meu pai deixou nos sustentaria por um tempo... mas não por muito.

Ouvi a voz do meu menino:

- Estamos chegando, mamãe? Tô com fome.

- Ah, querido... mais alguns minutos e encontraremos uma lanchonete. - Me virei para olhá-lo. - E vamos comer panquecas deliciosas.

- Eu quero hambúrguer com batata frita. - Ri ao vê-lo pelo retrovisor.

- Bem, são oito da manhã, mas hoje vou permitir um delicioso hambúrguer com batata frita.

- Posso tomar milk-shake? - A voz sonolenta da Laurinha ecoou dentro do carro.

- Claro, minha princesa.

Eu realmente precisava de uma pausa. Dirigi a noite inteira. Lembrei de ter passado por uma placa que indicava um motel e uma lanchonete. Seria perfeito para alimentar meus filhos e descansar um pouco.

Alguns minutos depois, chegamos ao local. Para minha surpresa, o motel tinha um ar aconchegante, quase familiar. Suspirei aliviada. Não suportaria ter que ficar com as crianças em um daqueles motéis de beira de estrada cheios de motoqueiros e usuários.

Antes de sair do carro, vesti uma blusa que escondesse as marcas. O olho, mesmo com base, ainda era visível. Respirei fundo, desci e segurei as mãos dos meus pequenos.

Ao entrarmos, uma senhora simpática atrás do balcão nos cumprimentou:

- Bom dia!

- Bom dia! - Respondemos, retribuindo o sorriso.

- Sentem-se, já levo o cardápio.

Assenti, e nos sentamos ao fundo, perto de um fliperama, o que deixou Heitor empolgado. A senhora trouxe o cardápio, fizemos os pedidos e, em poucos minutos, a mesa estava cheia: tudo o que as crianças pediram e, ainda, um bolo de chocolate "por conta da casa".

Depois do café, as crianças foram brincar, e eu apoiei os cotovelos na mesa, escondendo o rosto entre as mãos. O cansaço era visível, meu corpo gritava mas não era só pela dor física. A tensão... essa era maior ainda. As mensagens de George não paravam. Eu precisava me livrar desse celular.

- Posso me sentar? - perguntou a senhora.

- Sim, claro - respondi, ajeitando-me.

- Seus filhos são lindos - disse ela, olhando para eles, que brincavam como se hoje fosse só mais um dia comum.

- Obrigada - respondi.

​​- Você denunciou? - apontou discretamente para os meus pulsos, que apareceram quando a blusa escorregou um pouco. Olhei para ela, incomodada com a abordagem direta.

- Me desculpe pela intromissão, querida. Mas vi seu olho, e agora as marcas... só me preocupei com você e com as crianças.

- Agradeço, senhora... - Fiz um gesto para que ela dissesse seu nome.

- Anne - respondeu. - Anne Thompson. Sou a dona do lugar.

- Prazer, senhora Thompson. Sou Juliet Mon... - Hesitei. Ia dizer meu sobrenome de casada, mas respirei fundo e corrigi:

- Juliet Pierce.

- Prazer em conhecê-la, Juliet.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que ela retomou:

- Ele sabe onde vocês estão?

Pisquei algumas vezes, tentando controlar o nervosismo.

- Não. Assinei os papéis do divórcio e saí com as crianças no meio da noite.

- E para onde estão indo?

Suspirei. Anne era uma estranha, mas eu estava tão sozinha... Tão exausta. Todos ao meu redor sabiam dos abusos. Mas a família Monroe era influente demais. E, para eles, a violência de George sempre era justificável... sempre perdoada.

- Eu não faço ideia... - respirei fundo. - Minha mãe morreu quando eu era pequena. Meu pai há sete anos. Não tenho irmãos, nem parentes próximos. Muito menos amigos.

- Oh, minha querida... - disse ela, colocando sua mão sobre a minha. Apesar da invasão inicial, não podia negar: o olhar de Anne era acolhedor.

- Quer conversar sobre isso?

- Não tem muito o que falar, Anne... - respondi, já com a voz embargada. - Nos conhecemos na faculdade e nos casamos logo depois. Abandonei minha carreira para ajudar na dele. Um ano depois, meu pai morreu... eu estava grávida do meu menino. Quando ele nasceu, George mudou.

- Eles nunca mostram a verdadeira face no começo - ela disse, indignada.

- Ele dava sinais... Mas eu era apaixonada demais para enxergar. Hoje vejo como fui estúpida.

- Não se culpe. O importante é que agora você viu. E teve coragem. E vai vencer. Sabe como sei disso?

Balancei a cabeça, chorando em silêncio.

Anne olhou para as crianças, sorrindo com ternura.

- Porque você tem um motivo lindo para isso. Quando achar que não vai conseguir... olhe para eles. E lembre-se: por eles, você consegue.

Sorri para ela, foi minha forma de agradecer pelas palavras.

Conversamos por mais alguns minutos. Foi bom desabafar sem ser julgada. Depois, ela nos levou até um quarto. Era estranho como um simples quarto de motel, me trazia a paz e o aconchego que minha casa com George não foi capaz de me proporcionar em anos.

O banheiro tinha um cheiro agradável de lavanda, dei banho nas crianças, e tomei um logo em seguida, por alguns minutos fiquei ali, parada, só deixando a água cair. Era como se aquele banho, aquela água... estivesse levando embora tudo que ainda restava do George em mim.

Saí do banho, as crianças com a atenção voltada na TV. Os deitei na cama comigo, e descansamos um pouco. Anne me ofereceu o notebook da filha para que eu fizesse algumas pesquisas.

Tentei encontrar um lugar para ir. Já estava longe de Charleston, mas George ainda poderia me encontrar.

Estava quase desistindo, quando apareceu uma propaganda, era uma boate, mas não foi o lugar que me chamou atenção e sim onde ela ficava...

- Manhattan... - murmurei para mim mesma.

Fechei o computador, arrumei nossas malas. Ajeitei as crianças no carro. Anne preparou algumas coisas para levarmos.

- Um presente para você - disse ela, entregando um walkman.

Sorri, surpresa.

- Quando tomei a mesma decisão que você, peguei minha filha, entrei na caminhonete... e dirigi. Sem rumo. E no final... eu venci. Por ela. Por mim.

As lágrimas brotaram de novo.

- Então você... - Não consegui terminar.

- Uma sobrevivente reconhece a outra. Trouxe esse walkman comigo. Coloquei na primeira estação de rádio e fui. Agora é sua vez, querida.

Nos abraçamos. Nos despedimos. Entrei no carro, olhei para meus filhos no banco de trás.

- Estão prontos?

- SIIIIM! - gritaram os dois ao mesmo tempo.

Meu telefone vibrou, era mais uma das mensagens de George. Dessa vez decidi responder.

"Acabou cretino!"

Um sorriso surgiu em meus lábios, nunca o respondi, nunca o xinguei, eu nunca agi. Abri a janela, joguei o aparelho nos asfalto. Dei uma última olhada na Anne que sorria para mim com orgulho.

Coloquei os fones, liguei o walkman na primeira estação. Tocava Natasha Bedingfield:

"No one else, no one else

Can speak the words on your lips

Live your life with arms wide open

Today is where your book begins

The rest is still unwritten."

(Tradução...)

"Ninguém mais, ninguém mais

Pode dizer as palavras em seus lábios

Viva sua vida de braços abertos

Hoje é onde seu livro começa

O resto ainda está por ser escrito."

- Vamos lá, Juliet... é hora de escrever uma nova história.

Capítulo 2 1- É só um trabalho.

​Capítulo 1 – É só um trabalho.

Juliet Pierce

Estava no meu quarto me arrumando. Samantha havia conseguido mais um freelancer para nós duas. Ainda preciso de um emprego fixo, mas já fui a cinco entrevistas só neste mês e nada.

Minha reserva está se esgotando, e esses freelas em que a Samy sempre nos coloca ajudam nas contas. Mas, em dois dias, tenho uma nova entrevista, e algo dentro de mim me diz que vou conseguir.

Já faz alguns meses que não tenho notícias do George, e que assim permaneça. O Brooklyn é perfeito. Fiz bons amigos, as crianças adoram e, o mais importante, fica a mais de mil quilômetros de Charleston.

- Querida, vou levar as crianças para casa. - A voz da Celeste ecoou atrás de mim.

- Obrigada. - Eu disse, me virando e segurando suas mãos.

Celeste é minha vizinha, assim como a Samy. E, nos últimos meses, tem me ajudado muito com as crianças, que a chamam de "Vovó Celeste" e ela adora.

- Não precisa me agradecer, eu adoro essas crianças. - Sorri para ela.

- Vou só me despedir deles. - Ela concordou, e seguimos para a sala, onde meus pequenos estavam com a mala pronta.

- Pensei que iam passar só uma noite... por que a mala? - Coloquei as mãos na cintura como se estivesse realmente indignada.

- A vovó Celeste vai nos levar ao parque amanhã cedo. - Disse Laurinha.

- E a senhora sempre dorme até tarde quando trabalha com a tia Samy. - Foi a vez do Heitor.

- Tudo bem. - Respondi, abrindo os braços, e os dois correram para me abraçar. - Se comportem. E amanhã, no parque, não saiam de perto da Celeste.

Os dois assentiram. Abracei apertado meus pedacinhos de amor, os beijei, e nos despedimos. Celeste pegou em suas mãos e seguiu para a porta. Antes de sair, sussurrou um "bom trabalho", e eu respondi com um "obrigada", lançando um beijo para ela e para as crianças novamente.

Voltei para o quarto para colocar o salto e terminar de arrumar meu cabelo.

- Ju! - Samy me gritou da sala.

- Tô indo! - Peguei minha bolsa, e coloquei o celular dentro, encontrei Samy, peguei minhas chaves e fomos. Eu quase não uso o carro, mas o tal lugar de hoje era bem distante, e para voltar seria nossa melhor opção.

- Tem certeza que é aqui? - Perguntei, olhando com desconfiança para o local, assim como ela.

- Sim, é o endereço. O Ed disse que é um lugar mais reservado, aberto só a membros. Pediu para falarmos com um homem chamado Atlas.

Assenti, e descemos do carro. Nos ajeitamos e caminhamos até a porta. Não havia maçaneta, nem campainha. Era uma enorme placa de aço escuro, fundida à parede.

Mas estávamos em Hell's Kitchen. O bairro inteiro gritava ousadia. Um tipo de ousadia que beirava o perigoso.

- Acho que você precisa bater - eu disse, meio em tom de brincadeira, meio séria.

- Será que é um daqueles lugares ultra secretos, cheios de mafiosos? E pra entrar precisa de uma batida secreta tipo toc-toc... pausa... toc-toc-toc? - Samy murmurou, fazendo gestos. Nós duas rimos baixinho, nervosas.

- Bate logo, garota - incentivei, mesmo sentindo meu estômago revirar.

Antes mesmo que ela estendesse a mão, a porta deslizou com um chiado suave, revelando um homem com quase dois metros de altura, ombros largos e expressão de poucos amigos.

- Posso ajudar? - A voz dele era grave e firme, como um trovão abafado.

- Sou Samantha Jones, e essa é Juliet Pierce. Eduardo Garcia quem nos mandou. Seremos garçonetes essa noite. - Ela respondeu, tentando manter a voz estável.

- Deixe-as entrar, Wolf - disse uma voz masculina firme, que ecoou por um visor acima. Um ponto vermelho piscava, indicando que estávamos sendo vigiadas desde que chegamos.

Wolf nos deu passagem, e apenas disse:

- Sigam o corredor até o final.

Assentimos em agradecimento e entramos. O corredor era largo, mas mergulhado em penumbra. O piso de cimento queimado refletia luzes vermelhas muito sutis, saindo de luminárias escondidas nas laterais e criando sombras que dançavam conforme nos movíamos. Era como atravessar um segredo.

Segurei a mão da Samy com mais força.

- Estou começando a achar uma péssima ideia ter aceitado esse emprego - sussurrei.

Ela apenas sorriu, mas não respondeu.

Seguimos pelo corredor escuro, que parecia se estender sem fim. As paredes davam a impressão de estarmos entrando em algum tipo de abrigo subterrâneo ou prisão. O som abafado da música ficou mais forte a cada passo, até que, de repente, o corredor terminou em uma porta espelhada que se abriu sozinha.

Eu parei no mesmo instante.

- Juliet... - Samy sussurrou. Sua voz saiu trêmula, como se ela também não soubesse o que dizer.

Diante de nós, não havia uma simples boate.

O espaço era imenso, com tetos altíssimos e uma iluminação dramática feita de luzes vermelhas e douradas, que criavam sombras misteriosas nas paredes escuras. Mas não era só isso. Havia algo... diferente. Algo quase palpável no ar. Como um segredo sussurrando nos ouvidos.

Meus olhos tentavam absorver tudo de uma vez, mas pareciam não dar conta. Do lado esquerdo, havia um tipo de palco com um pole dance no centro, mas ao invés de dançarinas, havia um casal. Ela estava vendada, usando apenas lingerie, de joelhos. Ele, com o peito à mostra, exibia uma tatuagem que descia do ombro até as mãos. Apenas a observava, como se estivesse decidindo o que faria com ela.

De repente, como se sentisse meus olhos sobre ele, virou-se na minha direção. Tentei desviar o olhar, mas não consegui. Era como se, de alguma forma, ele tivesse me prendido ali.

Desviei rapidamente para o canto oposto. A imagem não ajudou: uma mulher presa pelos braços a uma estrutura de metal arqueava o corpo em resposta a toques leves de algo que parecia uma fita de couro. O homem, como o outro, usava apenas calça, com uma tatuagem parecida. Havia risos. Sussurros. Gemidos. Mas nenhum deles soava vulgar. Era tudo... assustadoramente elegante.

- Meu Deus... - murmurei, sentindo minhas bochechas queimarem. Meu estômago deu um nó.

Era como se tivéssemos atravessado uma porta para outra realidade.

- Ju... que lugar é esse? - Samy sussurrou, apertando minha mão.

Eu apenas balancei a cabeça. Não sabia o que dizer. Não fazia ideia do que era aquele lugar...

Foi então que um homem alto, de blazer escuro e camisa preta com alguns botões abertos, surgiu à nossa frente com uma presença marcante. Ele parecia ter saído de um filme: cabelo preso num coque baixo, olhos castanhos intensos demais para serem ignorados, e um ar tão sério que dava medo de piscar errado.

- Samantha Jones e Juliet Pierce? - A voz dele era profunda e segura.

Assentimos quase em sincronia.

- Sou Atlas. Bem-vindas ao Paradise. - Ele deu um leve sorriso, mas seus olhos não sorriram.

- Nós... - comecei, mas minha voz saiu fraca. Tentei de novo: - Viemos para trabalhar como garçonetes. Eduardo Garcia nos indicou.

- Sim. Fui informado. - Atlas passou os olhos por nós como se analisasse cada detalhe. Não de maneira vulgar, eu conhecia bem um olhar cretino. Ele nos observava como quem precisava ter certeza de que estávamos mesmo no lugar certo. - Imagino que esta seja a primeira vez de vocês em um clube assim.

- Está tão óbvio assim? - Samy perguntou, tentando disfarçar o nervosismo com um sorriso.

- Extremamente. - Ele respondeu sem um pingo de sarcasmo. Apenas constatação.

Meu coração batia forte demais. O perfume no ar era doce e amadeirado, a música vibrava no meu peito, e cada canto daquele lugar parecia esconder algo que eu não estava pronta para ver.

- Venham. Vou mostrar onde podem deixar seus pertences. - Atlas virou-se, nos dando passagem. - Depois, explicarei as regras.

- Regras? - perguntei, engolindo seco.

- Sim. Temos regras aqui, e é estritamente necessário que vocês as obedeçam.

- Não somos quebradoras de regras... - Samy disse nervosa. - A Ju nem mesmo atravessa fora da faixa.

Olhei para ela arqueando uma sobrancelha, como quem diz "o que é isso?", e claro que ela entendeu, sussurrando logo em seguida:

- Desculpa, tô nervosa.

Atlas observava nossa interação, mas não interveio. Ele parecia se divertir com nosso jeito "inocente".

- Podemos seguir, senhor Atlas. Nos desculpe. - Ele deu um sorriso de canto, mas não era por simpatia. Era como se tivesse gostado do que eu disse.

Ele nos pediu para continuarmos seguindo. Abriu uma porta:

- Esse aqui é o vestiário de vocês. Podem deixar suas coisas aqui. No banco estão as roupas que vão usar. - Fez sinal para que entrássemos. - Vou dar privacidade a vocês. Assim que terminarem, fiquem aqui na porta me esperando. Não andem pela boate antes de saberem as regras por aqui.

Assentimos e ele saiu, fechando a porta. Dei dois passos. E o que meus olhos viram...

- Minha Nossa Senhora das Mães Solteiras...

- Puta merda! - Samy disse.

E foi nesse momento que eu soube: essa noite estava só começando. Eu só ainda não sabia se seria um pesadelo... ou a melhor experiência da minha vida.

Capítulo 3 2 – O que foi que a gente arrumou.

​Capítulo 2 – O que foi que a gente arrumou.

Juliet Pierce

Eu ainda estava decidindo qual sensação esse lugar me causava. Mas no instante em que meus olhos encontraram aquelas coisas, eu não sentia nada, apenas paralisei.

Ficamos paradas por alguns segundos. Nem eu, nem Samy nos mexemos. Era como se nossos olhos não conseguissem decidir para onde olhar primeiro.

- Isso... isso aqui é um vestiário? - sussurrei.

- Não. Isso aqui é um set de filme pornô de outro planeta - ela respondeu, abrindo os braços. - Nós realmente estamos aqui só para sermos garçonetes, né?

Samy me perguntou, sem nem ao menos olhar pra mim.

Engoli em seco, antes de responder:

- Eu espero que sim...

Permanecemos paradas, observando o lugar, avaliando e claro absorvendo tudo aquilo.

O lugar era amplo, com armários escuros de madeira nas paredes e caixas organizadoras perfeitamente etiquetadas. Em um cabideiro, no entanto, havia roupas que, honestamente, são peças que nem para uma festa à fantasia eu consideraria. Eram espartilhos de couro, vestidos de renda transparentes e máscaras.

Caminhei devagar, como quem pisa em terreno sagrado. Ou minado.

Em cima do banco havia duas peças de roupa embaladas em plástico transparente. Uma para mim. Outra para Sammy. Abri o saco, e peguei as roupas. A roupa era ousada demais para simples garçonetes, uma blusa decotada de couro e uma meia-calça preta que, ao tocar, percebi ser transparente. Usar aquilo, era o mesmo que estar sem nada.

A saia cobria somente o necessário, e embaixo do banco haviam saltos.

- A gente vai usar isso? - perguntei com a voz meio trêmula.

- Parece que sim. - ela respondeu.

- Isso é um espartilho? - Sammy me perguntou.

- Parece que sim. - respondi e sorrimos uma para a outra, mas não era de alegria.

Tentei ignorar o arrepio que correu pela minha espinha. Mas era impossível.

No canto da sala, uma estante exibia uma série de... objetos.

Alguns eu reconheci de filmes. Outros... preferia nem imaginar para que serviam.

Algemas de couro com forro vermelho, mordaças com bolas de silicone, vendas de cetim, chicotes curtos e longos, colares com argolas metálicas, o que parecia um bastão de acrílico com luz embutida, e... uma peça de metal que definitivamente não era um brinco.

- Juliet... o que é isso aqui? - Sammy segurava uma espécie de cinto largo com fivelas e tiras que mais pareciam saídas de um filme do Mad Max.

- Não sei... mas parece complicado. E caro.

Nós rimos, nervosas.

Mas a verdade é que, por trás do susto, alguma coisa dentro de mim... se acendeu. Não era desejo ainda. Era curiosidade. Medo, também. Mas havia algo a mais. Uma espécie de frio na barriga que não era só por nervosismo.

- Ju... será que a gente entrou numa furada? - Sammy perguntou.

- Não sei. Mas acho que estamos prestes a descobrir.

Voltei até a porta para garantir que ela estivesse fechada. Depois, Sammy e eu nos trocamos, Deus essas roupas revelam mais do que esperava. Olhei no espelho, e não me reconheci, soltei meus cabelos e conferi a maquiagem.

e virei para Sammy, nos encaramos, ainda em choque pelo lugar e pelas roupas que usávamos. Saímos do vestiário, e ficamos no lugar como Atlas mandou, passaram poucos minutos até que ele retornasse.

Ele nos observou, um brilho de algo que não consegui identificar passando por seus olhos.

- Prontas? - perguntou, a voz grave e calma.

- Sim senhor Atlas... - Eu disse, e assim como antes vi algo em seus olhos. O que me deixou mais nervosa, me ajeitei sentindo o tecido do espartilho me sufocar.

Atlas notou nosso desconforto e fez um gesto para que o seguíssemos até uma área mais reservada, perto de uma pilastra, onde a música era um pouco mais baixa.

- Antes de começarem, precisam entender algumas coisas sobre a Paradise - começou ele, a voz baixa e séria. - Este não é um clube de sexo, e sim um espaço de exploração, onde as pessoas vêm para viver suas fantasias de forma consensual e segura. O que vocês viram lá fora é o BDSM: Bondage, Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo.

Ele fez uma pausa, dando tempo para que a gente processasse a informação. Sammy me apertou a mão, os olhos arregalados.

- A regra mais importante aqui é o consentimento. Tudo o que acontece neste clube é previamente acordado entre as partes. Ninguém faz nada com ninguém sem permissão. Isso também vale para vocês. Se alguém, seja um cliente ou outro funcionário, se aproximar de forma indesejada, vocês devem dizer "Não" ou "Pare". Imediatamente.

Sammy levantou a mão, hesitante, como uma aluna na escola.

- E se eles não pararem? - perguntou ela.

- O Wolf, que vocês conheceram na porta, está sempre de olho. Se ele não estiver por perto, gritem o nome dele. Se não puderem, procurem por mim. A segurança de vocês é nossa prioridade.

Atlas continuou, sua voz mantendo a calma que eu tanto invejava.

- As outras regras são simples. Primeiro: observem, mas não toquem. O que acontece aqui dentro é um espetáculo particular. Não se intrometam, não comentem, não tirem fotos. Sejam invisíveis.

- Segundo: o Código de Conduta. Vocês são garçonetes. Isso significa que devem estar prontas para servir qualquer pessoa, mas não são obrigadas a aceitar um pedido que as faça sentir desconfortáveis. Se o pedido for... peculiar, recusem educadamente. Se o cliente insistir, chamem-me.

- E por último: os Safewords. Vocês ouvirão pessoas usando palavras de segurança para indicar quando querem parar ou diminuir a intensidade de uma cena. As palavras são: "Verde" para continuar, "Amarelo" para diminuir, e "Vermelho" para parar imediatamente. Essas palavras são sagradas. Se ouvirem "Vermelho", a cena para, sem perguntas.

Ele nos olhou, um olhar de avaliação em seus olhos castanhos.

- Entendido?

Samy e eu nos entreolhamos, os corações acelerados. O mundo que ele descrevia era estranho, mas as regras faziam sentido. Era uma forma organizada de caos. Um caos seguro.

- Entendido - respondi por nós duas, com mais firmeza do que esperava.

- Ótimo. Agora, vamos ao bar. O bartender, Caio, vai explicar o cardápio.

Atlas se virou e caminhou em direção ao balcão iluminado, deixando Samy e eu para trás, trocando um olhar que dizia: O que foi que a gente arrumou?

Quando chegamos ao bar, atrás do balcão havia um rapaz, sorriso cativante, cabelos negros bem cortados e olhos curiosos.

- Meninas, esse é o Caio.

Ele nos cumprimentou, Atlas pediu que o rapaz nos instruísse e ajudasse no que fosse necessário. Avisou que estaria pelo salão, e que deveríamos chamá-lo se houvesse algum problema.

Mas antes dele sair, eu o chamei.

- Senhor Atlas. - Ele se virou.

- Gostaria de fazer um pedido.

- E o que seria?

- Sei que pode parecer besteira, e já peço desculpas por isso. - engoli seco. - Mas por acaso, seria possível usarmos uma das máscaras do vestiário?

Atlas me olhou curioso.

- Por qual motivo, precisaria de uma máscara?

- Me sentiria mais confortável. Acho que com ela, irei sentir mais segurança, as pessoas não vão saber quem eu sou.

- Algum conhecido seu frequenta nosso clube?

- Que eu saiba não, mas acredito que as pessoas aqui não costumam contar algo assim durante um café.

Atlas sorriu pra mim.

- Desculpe, se eu pareci atrevida demais. Se não tiver como, eu entendo.

Ele se aproximou, parando bem na minha frente.

- Está tudo bem, querida. Você não foi atrevida, acho que entendemos o significado dessa palavra de forma diferente.

Ele me encarou, deu um sorriso de lado, se virou para o caio.

- Arrume máscaras para elas. - E com essa última ordem, ele saiu.

Caio rapidamente nos trouxe as máscaras, nos explicou como o bar funcionava e pediu para circularmos. Sammy foi para um lado, e eu para o outro.

Caminhei pelo lugar, repassando as regras do Atlas na minha cabeça como se aquilo fosse um mantra. E distraída, acabei esbarrando em um armário de aço.

Ele vestia uma camisa preta, com alguns botões abertos, barba bem feita, cabelo castanho e olhos verde escuro, daqueles raros e que hipnotizam. Sua tatuagem descia pelos braços até as mão e dedos.

Por alguns segundos, ou talvez tenham sido minutos, eu não fazia ideia. Fiquei admirando, quer dizer olhando... é estou só olhando, sem interesse.

- Imagino que seja a nova garçonete? - Ele perguntou, a voz dele era grave, e sexy.

Sexy? O que tá acontecendo Juliet?

Não consegui falar, eu só balancei a cabeça freneticamente em um "sim".

- Sou um dos donos, Atlas te passou as regras?

- Sim senhor. - Eu disse e minha voz saiu mais baixa do que deveria.

Os olhos dele brilharam, o mesmo brilho que vi nos olhos de Atlas. E por reflexo acabei abaixando a cabeça. Senti os dedos dele em meu queixo, o levantando com cuidado, mas também firmeza.

- Então volte ao trabalho querida.

- Siii... - Eu quase não conseguia responder tamanha a intensidade daquele olhar.

Tentei novamente.

- Sim senhor, me desculpe.

Ele me soltou, e eu saí quase correndo. Encontrei Sammy no caminho, os olhos arregalados, acho que seu tour pelo salão foi tão interessante quanto o meu.

Nós duas voltamos para perto de Caio, no bar. Mas eu senti um arrepio na minha nuca, uma sensação de que alguém estava me olhando.

Quando virei para trás, meus olhos encontraram os dele.

O homem dos olhos verdes raros.

Sammy chamou minha atenção...

- Ju?! Está tudo bem?

Sem desviar os olhos dele, respondi para ela:

- Sim, só estou pensando... Que a noite, só está começando.

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