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Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia

Contrato de Vingança: A Bastarda e o Herdeiro da Máfia

Autor:: Pann Ludovica
Gênero: Bilionários
Ela foi criada como um erro. Grávida, humilhada e rejeitada pela própria família, Isadora Monteiro já não tem mais nada a perder - exceto o filho que carrega. Mas quando ela bate à porta de Matteo Bianchi, o homem mais frio (e mais perigoso) da elite mafiosa, o que começa como um acordo de sobrevivência vira uma jogada letal. Um casamento por contrato. Uma proposta ousada. E uma promessa: ninguém sai ileso. Matteo quer vingança. Isadora quer o mundo em chamas. E juntos, eles vão transformar um casamento falso na sentença de todos que os feriram. "Você quer ser minha esposa, mesmo carregando o bastardo do meu primo? Pois então, queime com meu nome no dedo."

Capítulo 1 Onde Não Se Pertence

POV: ISADORA

O copo de cristal antigo rangia sob o pano de algodão, e Isadora limpava cada curva como se sua vida dependesse disso. Talvez dependesse.

A superfície translúcida refletia seu rosto, mas distorcido - o que ela mais reconhecia nele. Um olho mais largo, a boca fina puxada para o lado errado, o nariz achatado pelo ângulo do vidro. Ela olhou por alguns segundos, hipnotizada. Às vezes, era assim que se sentia: um erro de forma, uma presença deslocada no lugar errado.

Estava descalça. Os pés sujos pelo mármore lustroso da mansão Diniz. Suava sob a camisa branca de manga longa, que era dois números maiores e emprestada da lavanderia. Invisível - como sempre.

- Senhorita Isadora, a senhora quer que eu leve os vinhos agora? - perguntou o novo ajudante, um adolescente com olhos gentis e a camisa amassada.

Ela abriu a boca para agradecer, mas antes que qualquer som saísse, a governanta cruzou o salão com passos firmes.

- Não a chame assim - disse, ríspida. - Ela não é da família. Não confunda.

O garoto piscou, envergonhado, e não disse mais nada.

Isadora apenas assentiu, segurando o pano com mais força.

A mansão estava em silêncio cerimonial. Preparavam-se para um jantar de negócios - empresários importantes da alta sociedade paulistana viriam negociar investimentos com o patriarca, que agora vivia mais trancado no escritório do que na própria casa.

Mas Clarisse, como sempre, fazia questão de que tudo estivesse impecável.

O arranjo de flores no centro da mesa tinha sido trocado três vezes desde o início da tarde.

- Isso aqui está horrível. - A voz cortante de Clarisse invadiu o ambiente. Ela usava um vestido de seda lilás que parecia feito sob medida para seu corpo esguio. O perfume cítrico a precedia em todos os cômodos. - Eu pedi orquídeas brancas, não essa palhaçada de flores mistas. Quem aprovou isso?

Isadora deu um passo à frente.

- Fui eu, senhora. As orquídeas chegaram com as pétalas manchadas, e achei que...

- Achou? - Clarisse ergueu uma sobrancelha, sorrindo com desdém. - Se vai viver aqui de favor, ao menos sirva para algo. Não pagamos você para pensar.

Pagando? Isadora abaixou os olhos. Não disse nada. Nunca dizia.

A música clássica preencheu o ambiente antes mesmo que os saltos de Valentina batessem nos degraus. Era sempre assim - ela chegava com trilha sonora, como se o universo soubesse que precisava de atenção.

Valentina desceu as escadas como se desfilasse num tapete vermelho. O vestido dourado abraçava seu corpo como seda líquida. Os olhos castanhos estavam realçados com sombra dourada, os lábios perfeitos com um batom nude de revista.

- Meu amor! - Clarisse abriu os braços, a voz adoçando como um milagre. - Você está deslumbrante. Como sempre.

Valentina aceitou o elogio como uma rainha entronada. Seu olhar caiu sobre Isadora, que ainda segurava o pano com o copo reluzente.

- Ainda aqui? Pensei que tivessem mandado embora junto com os entulhos.

O coração de Isadora bateu seco no peito. Ela não respondeu.

- Ajude sua irmã a se arrumar - ordenou Clarisse, já se afastando. - E vê se não estraga o vestido com essas mãos de lavadeira.

No quarto de Valentina, o clima era pior.

A irmã se jogou diante do espelho de corpo inteiro e apontou para a bancada de maquiagem.

- Pega o iluminador. O dourado. Não o rosado. Se errar, eu te mato.

Isadora obedeceu.

- Aperta esse laço. Mais forte. Mais. Você é fraca até nisso?

Ela puxou com cuidado.

Valentina virou-se lentamente, os olhos fixos nela como lâminas afiadas.

- Não é cansativo viver onde ninguém quer você?

Isadora parou. A pergunta soou mais baixa, quase sussurrada, como se houvesse curiosidade genuína nela. Mas não havia.

- Eu... já me acostumei. - respondeu, tentando parecer neutra.

- Que triste - disse Valentina, com um sorrisinho satisfeito. - Eu não suportaria.

A cozinha estava quente e barulhenta. Isadora foi buscar os pratos quando ouviu as risadas abafadas de duas empregadas no canto.

- Você viu a cara que ela fez quando a dona Clarisse chamou de lavadeira? - disse uma, enxugando as mãos no avental.

- Dizem que ela é filha de uma prostituta. Uma daquelas de beira de estrada, sabe?

- Se fosse minha filha, já teria sumido faz tempo. Mas né... fingem que é da família só pra parecer bonitos na mídia.

O riso ecoou no azulejo.

Isadora fingiu não ouvir, mas as mãos tremiam tanto que quase deixou cair o prato.

A sala de jantar já estava cheia. Clarisse sorria e cumprimentava os convidados como se fosse a dama de Versailles. Valentina posava ao lado do pai, com um vestido novo, sorriso treinado e taça de vinho nas mãos.

Isadora passou com uma bandeja de canapés.

- Nova garçonete? - perguntou um dos empresários, franzindo o cenho ao vê-la.

Clarisse não hesitou:

- Não exatamente. É só uma... agregada.

Valentina riu, e Isadora sentiu o rosto arder. O orgulho latejava como um corte recém-aberto.

Já não conseguia respirar direito.

Afastou-se, recolhendo taças vazias, e parou atrás da divisória de vidro que separava a sala de jantar do hall. Foi ali que escutou.

Clarisse, com a taça na mão, falava com a sogra, Dona Celina - uma mulher com olhos de pedra e voz de funeral.

- Ela ainda está aqui por pena. Mas nem isso ela sabe agradecer.

- Devia estar é no orfanato - disse a velha, seca. - Bastarda ou não, ainda come melhor que muita gente.

Isadora não reagiu. Nem uma vírgula. Mas por dentro, algo se rompeu.

Deixou a bandeja sobre a bancada e subiu as escadas devagar, como se cada degrau a afundasse em lama.

No banheiro, trancou a porta, ligou a torneira, e encostou a testa no espelho. O vidro estava embaçado pela umidade. Ela inspirou fundo, a garganta presa.

- Eu vou sair daqui - sussurrou, para si mesma. - Nem que seja sangrando.

E pela primeira vez, não foi só um pensamento.

Foi uma promessa.

Capítulo 2 Mar, Café e Veneno

POV: ISADORA

O céu ainda estava pálido quando Isadora empurrou a porta dos fundos com o ombro e pisou no jardim encharcado de orvalho. O ar da manhã tinha um gosto quase limpo - quase - porque nem mesmo o silêncio daquela hora conseguia apagar o gosto amargo que restara da noite anterior.

Segurava uma caneca de café requentado. Tinha passado a noite virando na cama, espremida entre lençóis duros demais para consolar um coração pesado. Não chorou. Não tinha chorado. Mas havia algo dentro do peito que doía como se tivesse gritado até perder a voz.

Sentou na mureta do jardim, com as pernas encolhidas sob o corpo e os olhos fixos no céu que clareava devagar. As palavras de Clarisse ainda martelavam sua cabeça. Agregada. Favor. Bastarda. Tantas formas diferentes de dizer que ela não pertencia àquele lugar - e mesmo assim, ali estava.

Pensou na mãe. A biológica. A desconhecida. A mulher que, segundo os boatos, havia sido uma prostituta. Nunca teve uma imagem clara dela, só fragmentos inventados por necessidade emocional. Às vezes, se perguntava: Será que ela teria me defendido? Ou me teria abandonado igual aos outros?

- Você sempre acorda tão cedo... ou é culpa da insônia da casa?

A voz fez seu coração acelerar.

Virou-se devagar e encontrou Enzo parado na lateral da varanda, encostado no batente da porta com um copo na mão e o cabelo bagunçado pelo vento da manhã. Vestia uma camiseta simples e uma calça de moletom escura. Pela primeira vez, ele parecia menos untado de poder e arrogância. Mais humano.

- Não dormi - respondeu, após um segundo de hesitação.

Enzo se aproximou, passos lentos, como quem respeitava o espaço. Mas ainda assim, se movia com a confiança silenciosa de quem sabia que, no fim, ocuparia todo o ambiente.

- Notei - disse ele. - Você parecia... abatida ontem.

Isadora franziu o cenho, o estômago apertando. Ele reparava?

- Foi só cansaço - tentou mentir, encolhendo os ombros.

Enzo assentiu, mas os olhos dele - um castanho âmbar quase dourado com o sol nascendo - ficaram cravados nos dela.

- Você não merece ser tratada daquele jeito. Nem ontem. Nem nunca.

Foram só palavras. Mas acertaram onde mais doía.

Ela desviou o olhar. A caneca tremia levemente em sua mão. Era um gesto pequeno, quase imperceptível, mas Enzo percebeu. Se sentou ao lado dela, deixando uma distância segura entre os dois, e estendeu seu próprio café.

- Quer? O meu está melhor. Prometo.

Ela sorriu de leve, sem graça, e recusou com um aceno.

- Sempre achei você diferente - comentou ele, após um breve silêncio. - Quietinha. Mas observadora. Como se soubesse mais do que deixasse transparecer.

Isadora ergueu a sobrancelha.

- Está debochando?

- Não. - O sorriso dele era leve. Charmoso. Quente o bastante para derreter qualquer desconfiança - se ela tivesse alguma. - Só dizendo o que deveria ter dito há muito tempo.

Ela não sabia o que dizer. Estava acostumada a palavras afiadas, ordens secas, risos falsos. Aquilo era novo. Era gentil. Era perigoso.

- Se você tivesse um dia só para você... o que faria?

Isadora piscou, surpresa com a pergunta. Pensou por alguns segundos antes de responder:

- Fugiria.

Ele riu. Um som baixo, verdadeiro.

- Então foge. Pelo menos hoje. Comigo.

Ela o encarou, desconfiada.

- Como assim?

- Me dá um presente de despedida. Quero passar umas horas com você antes da minha sentença final.

- Sentença?

Enzo respirou fundo e soltou devagar, como se o ar estivesse preso há dias.

- Vou me casar com a Valentina.

Isadora sentiu algo revirar no estômago. Era esperado. Era lógico. E mesmo assim... doía. Por que doía?

- Parabéns, então - disse, seca.

- Não é bem assim - ele respondeu, amargo. - É... necessário. Político. A união das duas famílias. Essas coisas de gente podre.

Ela se calou. O silêncio era seu abrigo.

- Antes disso, só queria... respirar. Sentir que sou alguém. E não um herdeiro programado para obedecer.

- Por que está me contando isso? - perguntou ela, sem conseguir disfarçar a confusão.

Ele virou o rosto devagar e a olhou como se a enxergasse pela primeira vez.

- Porque você é a única pessoa de verdade nessa casa.

Ela engoliu seco.

Pela primeira vez em muito tempo, se sentiu vista.

- Vamos até a casa de praia. Preciso buscar umas coisas que deixei lá. Vem comigo?

Isadora hesitou.

- Clarisse vai me matar.

- Ninguém vai saber. Te deixo de volta antes que percebam. Vai ser rápido. Prometo.

O impulso de recusar estava ali, mas... também estava o desejo desesperado de sair. Nem que fosse por algumas horas. Nem que fosse com Enzo.

Vestiu um casaco velho, prendeu o cabelo num coque alto e entrou no carro com ele.

A estrada era tranquila, ladeada por árvores altas e o som baixo de uma música antiga preenchia o espaço entre os dois. Isadora não reconhecia a canção, mas gostou da melodia lenta.

- Gosta do mar? - ele perguntou, sem desviar os olhos da estrada.

- Nunca vi de perto - confessou.

Ele a olhou de relance, com um brilho estranho nos olhos.

- Você merece ver o mundo. Merece tudo o que não te deram.

Ela virou o rosto para a janela, sentindo os olhos arderem. Ninguém falava com ela daquele jeito. Ninguém nunca disse que ela merecia qualquer coisa.

***

A casa de praia era afastada. Bonita, mas com um silêncio que parecia crescer em volta. Isadora saiu do carro devagar, observando tudo.

Enzo abriu a porta da frente com naturalidade. Pegou duas garrafas de água e lhe entregou uma.

- Vem. Vou te mostrar algo.

Ela o seguiu por corredores amplos, decorados com móveis rústicos e janelas enormes. O som das ondas distantes quebrava o silêncio.

Até que ele abriu a porta de um quarto de hóspedes.

Isadora parou na soleira.

- Pode entrar. Só quero conversar.

Ela deu dois passos hesitantes. Ele fechou a porta atrás deles.

O ar mudou.

Ela percebeu na hora.

Enzo deu um passo à frente. Os olhos estavam sérios agora. Não havia mais sorrisos.

- Eu preciso de você, Isadora.

Ela não soube o que responder.

Só sentiu o coração acelerar - e algo invisível, mas muito perigoso, rastejando no ar.

Capítulo 3 O Gosto do Nunca

POV ISADORA

O quarto era bonito demais. Janelas abertas, cortinas esvoaçando com o vento que trazia o cheiro salgado do mar. Lençóis brancos, colchão macio, uma poltrona azul ao canto e um armário de madeira escura entalhada com arabescos.

Mas apesar da beleza, o silêncio era o que mais preenchia o espaço. Um silêncio denso. Suspenso. Quase perigoso.

Isadora estava sentada na beirada da cama, as mãos espremendo a barra do casaco. Ainda não entendia por que estava ali. Por que Enzo a tinha trazido para aquele lugar afastado? Por que olhava para ela daquele jeito?

Ele estava próximo, mas não muito. Encostado na parede, observando-a com uma calma que beirava o reverente. Como se tivesse medo de espantá-la.

- Está tudo bem? - ele perguntou, a voz baixa, quebrando a tensão como quem quebra gelo com a ponta dos dedos.

Ela hesitou, sem saber como responder. Não sabia se estava tudo bem. Não sabia de nada, na verdade. Só sentia o peito apertado, os batimentos fora de ritmo.

- Você não precisa ficar se tiver com medo - ele continuou. - Eu só... queria conversar. Longe do barulho. Da hipocrisia daquela casa.

Ela assentiu, engolindo em seco.

Enzo deu dois passos à frente e se sentou ao lado dela. Os ombros largos, os cabelos levemente bagunçados, os olhos intensos com um brilho de exaustão - ou sedução. Talvez os dois.

- Às vezes, eu penso que estou vivendo a vida de outra pessoa - ele começou. - Que tudo já veio decidido, planejado, engessado... e eu só tô ali, fazendo figuração.

Isadora o olhou de lado, sem saber como reagir. Ele parecia genuinamente abatido.

- A Valentina é linda. Inteligente. Mas... é política. Meu noivado com ela não tem nada a ver com sentimento. É sobre manter o sangue limpo. As alianças intactas.

Ela não disse nada.

- Ninguém me vê, Isadora. Nem meu pai. Nem minha mãe. Nem Valentina. Eles enxergam o que querem: o nome, o sobrenome, o poder. Mas você... você olha de verdade.

O coração dela disparou. Porque ele estava dizendo exatamente o que ela sempre quis ouvir. Que ela não era invisível. Que alguém, enfim, a via.

Enzo estendeu a mão devagar e tocou os dedos dela. Os movimentos eram lentos, quase tímidos. Como se ele soubesse que, se fosse rápido demais, ela fugiria.

- Você escuta sem julgar. Fica em silêncio, mas está presente. Você é tudo o que eu deveria querer... mas não posso.

Isadora prendeu a respiração.

Os olhos de Enzo estavam nos dela. Ele se aproximou mais, e ela não recuou. As mãos dele seguraram seu rosto com uma leveza quase contraditória àquele homem que sempre fora duro, confiante, inalcançável.

E então, ele a beijou.

O toque foi suave no início. Um sussurro de desejo contido. Mas logo se intensificou, como se ele estivesse se desfazendo nela, como se o mundo todo estivesse naquele momento. Naquele beijo.

Isadora se entregou.

Seu corpo, tão acostumado ao gelo, derreteu sob o calor daquele gesto. Era terno, era intenso. Era carregado de promessas que ela nem sabia que precisava.

Quando os lábios se afastaram, ele encostou a testa na dela.

- Eu precisava disso.

Ela também.

Enzo a puxou com cuidado até o centro da cama, como se conduzir uma dança. Cada movimento dele era gentil. As mãos percorriam seus braços, suas costas, como se pedissem permissão a cada segundo.

- Você é linda - ele sussurrou. - Ninguém nunca vai machucar você de novo.

Ela acreditou.

As roupas caíram devagar, com hesitação e desejo misturados. Era a primeira vez dela. E mesmo sem dizer isso em voz alta, Enzo parecia saber. Tratou cada toque como uma oferenda, cada carícia como um segredo compartilhado.

Isadora fechou os olhos quando ele a penetrou, e chorou em silêncio. Mas não era dor. Era o peso de uma vida inteira de abandono sendo anestesiado, por um instante, pela ilusão de amor.

Enzo a abraçou com força. E, por alguns minutos, o mundo pareceu certo.

***

Depois, deitados sob os lençóis desarrumados, ela se virou para ele. A cabeça no peito nu, os dedos brincando com a corrente que ele usava no pescoço.

- E a Valentina?

Ele demorou a responder.

- Eu resolvo isso. Você merece mais.

Ela sorriu.

E pela primeira vez em muito tempo, adormeceu com o coração leve.

***

O sol entrava pela janela, quando ela abriu os olhos. O quarto estava vazio.

O lugar onde ele dormira ainda guardava a marca do corpo dele. Mas era só isso: uma marca. A roupa que ele usara - a camiseta largada na poltrona - não estava mais ali. Nem o relógio. Nem o cheiro dele.

Isadora se sentou devagar.

O silêncio tinha mudado de tom. Agora era incômodo. Frio. O tipo de silêncio que avisa: algo está errado.

Vestiu o casaco de novo. O coração já apertado antes mesmo de sair do quarto. Na garagem, um carro a esperava com um motorista que ela não conhecia.

- Ele me mandou de volta? - perguntou, sem conseguir esconder o desconcerto.

- Tenho ordens de levá-la pra casa, senhorita - foi tudo o que o homem respondeu.

Durante o caminho de volta, ela tentou se convencer de que ele só havia saído para resolver algo importante. Que explicaria tudo depois. Que havia uma razão. Sempre há uma razão. Mas nada disso silenciava o peso no peito.

Ao chegar na mansão, mal teve tempo de respirar. Um funcionário se aproximou, tenso.

- Senhora Clarisse quer vê-la na sala principal. Agora.

Isadora congelou. Algo havia acontecido. Algo grande. Algo que faria o mundo dela - e o coração - despencar de onde acabara de subir.

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