Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Contrato de casamento Bruno e Eduarda
Contrato de casamento Bruno e Eduarda

Contrato de casamento Bruno e Eduarda

Autor:: A.santos13
Gênero: Romance
Bruno Lester e Eduarda Andrade tiveram um casamento arranjado. Bruno se casou por que sua família tem uma consideração muito grande pela família Andrade já a família Andrade está em ruinas e a mãe da Eduarda antes de morrer por conta do câncer dá a mão da filha Eduarda em casamento a Bruno para que ele cuide da Eduarda e da Mariah sua filha caçula quando morrer já que o pai de Mariah faliu com a empresa da família. Bruno aceita se casar com Eduarda já que sua noiva havia o deixado a cinco anos atrás ele achava conveniente para os negócios ter uma esposa para acabar com os rumores que ele era gay. Eduarda entre tanto é jovem estava preste a entra na universidade de moda mas com o apelo da sua mãe ela resolver aceitar e conceder-lhe seu ultimo desejo. Mas ao se conhecer eles resolvem fazer um contrato de casamento onde ficariam junto por três anos até Eduarda se formar e se estabilizar o que eles não contavam é com o surgimento de um sentimento forte mistura entre obsessão, desejo, ciúmes, briga e muita falta de auto controle. Sem contar que uma ex noiva vai fazer o possível para separar os dois e um novo chefe vai usar todo o seu charme e carisma para conquistar ela.

Capítulo 1 Desembarque

No salão de desembarque eu não me preocupo em procurar alguém na multidão sei que não avisei a ninguém que voltaria já que a minha volta estava programada para daqui a um mês mas saiu o resultado das provas finais e também a minha carta de aceitação em Harvard então aproveitei para vir ver minha mãe e minha irmã Mariah que está de aniversário hoje antes de eu me mudar para o dormitório da faculdade.

O táxi me deixa em frente a casa dos meus pais que eu fui obrigada a deixar a 5 anos atrás e confesso não ter o mesmo sentimento de antes em relação a ela, não sinto que é meu lar. Entro na casa atravesso a sala e a sala de jantar e vou até o jardim onde vejo minha mãe organizando o aniversário da minha irmã vejo os balões cor de rosa pendurados algumas mesas espalhadas pela grama com toalhas brancas e rosas e arranjos de flores em cima. Finjo uma tosse para que a atenção seja voltada para mim. Minha mãe se vira e fica sem cor ao me ver, ela demora para reagir mas quando volta a si ela corre para me abraçar.

- Marina, filha, por que não me contou que ia chegar eu queria te receber meu amor. Que saudade de você.

Ela chora como uma criança.

- Mãe eu estou aqui agora. Queria fazer uma surpresa para você e para Mariah. E onde ela está? Quero conhecer ela.

Não demora muito e vejo uns fios dourados correndo em direção a nós e é ela minha irmã Mariah.

-Mariah venha aqui. Lembra das fotos que te mostrei e das chamadas de vídeo? Então ela é sua irmã meu amor.

-Oi Mariah

Ela me olha assustada e se esconde atrás da minha mãe. Não a culpo, afinal só nós conhecemos por chamadas e fotos. Me aproximo dela e tiro da mala uma caixa e entrego para ela. Que agarra a caixa com um sorriso encantador.

(Pequena interesseira) penso e abro um sorriso com seu jeito meigo de pegar a caixa.

-Mamãe abre pra mim.

Minha mãe a ajuda a abrir a caixa e retira de lá um vestido rosa bebê com flores em sua saia.

-Nossa que lindo Eduarda. Deve ter custado uma fortuna. Não precisava gastar tanto filha.

-Mãe gastei apenas com o tecido foi eu quem desenhou e costurou ele. As flores também são minhas, eu aprendi em uma aula como desidratar e usei nos vestidos.

-Minha mãe me olha como se não acreditasse que eu havia feito, mas era visível o orgulho em seu olhar.

- É lindo filha. Agradece sua irmã Mariah

Ela me olha com seus olhos castanhos e me abraça. Aquele momento foi único e eu sabia que tinha acertado em ter voltado. Entrego o presente da minha mãe que é o mesmo vestido que o da Mariah ela se emociona e volta a me abraçar. Eu fico um pouco perturbada com todo esse sentimento da minha mãe, conversávamos todos os dias e mesmo assim parece que a cada movimento ou palavra é como se fosse o nosso primeiro encontro.

Uma empregada me ajuda com as minhas malas me levando para meu antigo quarto e quando entro deixo escapar.

- Nossa parece que eu saí daqui ontem não mudo nada.

- Senhorita, sua mãe não deixou mexer em nada ela vem todos os dias aqui ou de manhã ou de tarde. Ela fecha a porta e fica aqui um longo tempo, ela ama você.

- Minha mãe é muito sensível, nós sempre fomos muito próximas mas não imaginei que ela estaria tão mexida assim.

- Se me permite dizer senhorita Eduarda.

- Pode falar Ana.

Ana estava com minha mãe desde do tempo que fui embora meu padrasto a contratou quando descobriu a gravidez minha mãe sempre falava dela nas nossas conversas e como ela a ajudava.

- Quando a senhorita foi embora é como se ela tivesse morrido, ela ficou muito tempo de cama e estávamos com medo de que ela perdesse o bebê ou morresse de tristeza. Mas com o tempo ela foi reagindo um pouco pela Mariah, mas mesmo assim ela ficava horas no seu quarto e ela mesma limpava ele. Quando Mariah nasceu o seu tio queria que ela ficasse no seu quarto porque era mais perto do deles mas sua mãe não deixou eles brigaram por dias mas no fim ele concordou em deixar seu quarto ali. A cada ano que passava nas vésperas de feriado das férias da escola ou final do ano sua mãe limpava toda a casa dizendo que você iria chegar nos próximos dias e queria tudo limpo para te receber e ficava na cozinha fazendo as coisas que você gostava de comer. Mas perto dos dias você dizia que não ia poder vir e então ela ficava triste novamente muitas vezes peguei ela chorando em seu quarto nessas datas e no seu aniversário ela ficava o dia todo em seu quarto olhando suas fotos e chorando.

Quando escuto tudo o que a Ana me diz meu estômago embrulha e minha cabeça pesa. Os meus olhos ardem e sinto o choro que tantas vezes segurei de saudade da minha brotar e lágrimas escorrem eu achava que ela estava bem e que o melhor seria eu não vir para não dar problemas mas ela sofria muito mais que eu. Eu me culpo por não fazer nenhum esforço para vir visitar ela.

Ana me deixa no quarto eu tiro poucas coisas da mala e vou tomar um banho me visto para o almoço e vou em direção a sala de jantar chego lá e vejo minha mãe, meu tio/padrasto e a minha irmã quando notam a minha presença se viram na minha direção. Meu tio esboçou um sorriso cínico com se realmente estivesse feliz com a minha presença o que me deixa muito confusa. Começamos a almoçar e quem de fora visse acharia que éramos o retrato de uma família feliz o que me enoja.

Capítulo 2 Festa

Saio da mesa e vou para meu quarto o jet-lag está me deixando mal e com dor de cabeça tomo uma aspirina e tento dormir até a festa da minha irmã começar.

Acordo assustada com batidas na porta e olho para o relógio e são 18:45 a recepção dos convidados começa às 19:15 tomo um banho rápido, colo meu vestido na cor marsala, sem alças e com um detalhe em flores na fenda do vestido na perna direita, e junto uma sandália de salto fino preto, deixou meus cabelos loiros por trás da orelha e soltos chegando até o meio das minhas costas faço um delineado pouco marcado e passo um batom quase no mesmo tom do vestido para finalizar coloco o colar de esmeralda que meu pai me deu no meu aniversário de 8 anos e lembro de cada palavra que ele disse quando estava o colocando no meu pescoço "esse colar reflete os seus olhos mas não são tão bonitos quanto eles" me perco nessa lembrança e quando olho para o relógio me desespero já são 19:25 me atrasei e não é nenhuma novidade. Saio apressada do quarto e esbarro em um convidado que mais parecia uma parede e quando estou perto de cair no chão ele agarra minha cintura e quando eu encaro seu rosto eu fico perdida nos seus olhos castanhos que pareciam olhar até a minha alma aquela sensação me causou um arrepio mas me recupero e me afasto dele.

- Me desculpa senhor, eu sinto muito mesmo.

Desço as escadas rapidamente sem dar chance de ele me responder e nem de ver a vergonha estampada em meu rosto. Encontro minha mãe subindo as escadas.

- Estava indo te chamar. Está melhor ?

- Estou sim, obrigada mãe.

Acompanho minha mãe até o jardim onde estão os convidados e dou umas olhadas para trás para achar aquele homem mas não o vejo.

O Jardim está lindo com toda a decoração, minha irmã está perto do seu pai e nós vamos em direção a eles. E então ele me anuncia para todos os presentes.

- Quero que conheçam minha sobrinha que considero minha filha Eduarda.

Todos me olham e me cumprimentam até que uma senhora se aproxima de mim, pega nas minhas mãos e me avalia demoradamente em cada traço do meu rosto depois ela suspira me olha nos olhos profundamente e diz.

- Você me lembra muito seu pai, o rosto angelical e a sinceridade no olhar como se fosse possível enxergar sua alma através dos teus olhos. Que linda mulher você se tornou, ele teria muito orgulho de você querida.

Todas aquelas palavras me jogaram de volta ao passado lembrando de como meu pai era um homem maravilhoso.

- Não chore querida. Eu sei como é difícil perder quem amamos.

- Obrigada, a senhora é muito gentil e está muito bonita. Desculpa ser indelicada como é seu nome?

- Me desculpa por não me apresentar, sou Abigail Lester e obrigada querida pelo elogio, senti que era uma ocasião especial. Venha, quero te apresentar ao meu marido e meu neto Bruno.

Não deu tempo nem de responder e a senhora foi me puxando pelo jardim de um ponto ao outro. Chegando perto da mesa tinha um homem virado de costas e um senhor que nos acompanhava com os olhos enquanto nos aproximávamos da mesa.

- Olhe querido como ela é linda. Esse é meu marido Eduarda, senhor Afonso Lester. Afonso está é a jovem Eduarda Andrade.

- Estendo minha mão para ele que a pega e puxa para o seu encontro me envolvendo em um abraço, me sinto amada por eles sem nem os conhecer. Solto ele e me recompondo abro um sorriso agradecendo pelo carinho.

- Prazer senhor Lester.

- Eduarda esse é o meu neto Bruno Lester.

Quando olho em direção aquele homem que estava sentado vejo ele se levantando e quando olho para seu rosto é o homem com que esbarrei no começo da festa fiquei corada instantaneamente ele me olha com intensidade e sinto um frio na minha barriga como se ele pudesse sentir as sensações que me causa sou despertada desse transe com ele estendendo a sua mão em minha direção.

- Prazer Eduarda sou Bruno.- Sua voz sai grave e seu rosto não demonstra muitas emoções. O que me faz acreditar que ele não gostou de mim.

- Prazer, Sr. Bruno. -Tento soar o mais formal possível. Abigail aponta para uma cadeira ao lado do Bruno para que eu me sente e assim eu faço. Sentados todos a mesa a Abigail quebra um pouco do clima.

- Então Eduarda, como foi ficar tanto tempo fora do país estudando gostou da escola?

- Sim, eu gostei muito de morar na Coreia.

-Me diga querida e quais são os seus planos agora vai tirar um ano sabático para aproveitar mais a família?

-Não, eu ganhei uma bolsa e já estou até matriculada na faculdade começo no próximo verão.

-Sua mãe não tinha me falado sobre isso.

-Ela não sabe senhora, eu ainda não contei, voltei agora e vou ficar alguns dias só e irei viajar de novo preciso arrumar meu dormitório na faculdade.

-E vai estudar aonde ?

-Em uma escola de artes e moda em Londres.

-É um pouco longe da família, não acha Eduarda?

-São apenas algumas horas de avião e vou vir com mais frequência depois que me estabilizar.- Sinto o clima na mesa ficar um pouco pesado depois de eu falar que ia para faculdade mas afinal eles não tem nada a ver com as minhas decisões. Peço licença e vou ao encontro da minha mãe.

- Eduarda, vi que estava com os Lester. O que achou do Bruno?

- Nossa mãe você é bem direta. Mas respondendo são boas pessoas e o Bruno é normal.

-Acho que você não lembra deles. Você era muito pequena quando a mãe deles faleceu, mas ela era a Júlia que está em algumas fotos suas de bebê.

-Aquela mulher morena com os olhos azuis?

-Sim, essa mesmo. Ela era muito especial para mim e para seu pai.

-Mas ela não tem mais filhos?

-Sim, ela teve mais dois filhos, os gêmeos Gabriela e Gabriel são mais novos que o Bruno.

- E onde eles estão ? Você não os convidou?

- Chamei a família inteira mais o Gabriel saiu da escola e tirou um ano para viajar o mundo ele não aceita muito bem a irmã deles ter síndrome de down e então ele se afastou e a Gabriela não vem porque chegou ontem de viagem e não passa bem.

-Nossa mãe que situação complicada.

Ao me virar para olhar novamente para aquela família vejo que estavam me encarando quando volto para pedir dos pais deles vejo minha mãe caindo no chão desmaiada e fico desesperada tento acordar ela e grito por ajuda Bruno a pega no colo e vai em direção ao seu quarto e eu chamo seu médico o médico chega e diz que ela vai ficar bem e pede para eu avisar os outros para não ficarem preocupados converso com os convidados e eles vão indo embora e desejando melhoras a minha mãe a família Lester foi um dos últimos a sair senhora Abigail me abraçou e desejou forças. Fico ao lado da minha mãe durante a noite depois do médico sair e não dizer nada sobre o que ela tinha. Eu e a Mariah dormimos com ela.

Capítulo 3 Lembranças

ATENÇÃO !

GATILHO: VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Depois de ver minha mãe naquele estado eu me pego pensando em tudo o que perdi durante esses anos eu não sabia como ela estava o que havia passado depois que me mudei para a Coreia mal conversamos pelo FaceTime e eu não vinha em nenhum feriado e nem nas férias odiava a ideia de conviver com tio Victor novamente. E sempre que eu pensava na minha mãe e na saudade que sentia eu imaginava como seria se meu pai estivesse vivo eu tenho certeza que nunca nos separaríamos o que me faz sentir raiva dessa cidade mas vou precisar voltar aqui para ver minha mãe com mais frequência. Tento fechar os olhos mas sempre volto para aquela noite e revivo os meus traumas da infância com meu padrasto.

Lembrança on:

Meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos, estávamos em um restaurante jantando em família eu, minha mãe, meu pai e meu tio Victor que ficou viúvo a quase três meses e como ele não tinha filhos estava morando com a gente porque se sentia muito sozinho na fazenda onde morava com sua esposa. Quando saímos do restaurante meu tio pediu para darmos uma volta no parque já que ele e sua esposa sempre foram lá quando vinham nos visitar meus pais e eu sempre fizemos tudo que o deixasse feliz, estávamos muito triste com sua perda recente eles foram casados por apenas três anos e ela veio à falecer.

O parque onde estávamos caminhando era lindo ainda mais a noite era possível ver as pequenas luzes em algumas árvores que indicavam o caminho havia muitas árvores e flores e um pequeno lago à frente. Quando me viro para meu pai ele está rígido e faz um movimento para olhar para frente mas antes de me virar vejo dois homens caminhando em nossa direção meu pai logo comenta.

- Eu quero que fiquem calmos mas tem dois homens vindo atrás de nós a algum tempo entreguem tudo o que eles pedir para sairmos bem disso e ir para casa.

Vi nos olhos do meu pai que não era brincadeira, senti autoridade e confiança ele sabia que seríamos assaltados por esses bandidos. Não demora muito para que eles nos alcancem eles apontam uma arma para nossas cabeças e nos fazem entregar tudo de valor meu pai e minha mãe entregam sua carteira, bolsa, relógio e pulseiras quando eles viram para mim não fazem eu dar nada acho que nem viram meu colar que ganhei alguns meses atrás de aniversário ele tinha uma esmeralda linda da cor dos meus olhos como dizia meu pai. Quando um deles mirou a arma para meu tio pedindo para ele entregar tudo o que tinha meu tio entregou a carteira e o bandido pediu a sua aliança mas ele se recusou o homem segurava a arma apontando para a cabeça do meu tio e o meu tio sacou sua arma e depois desse movimento dele tudo aconteceu em câmera lenta meu pai pulando na frente do meu tio e a bala saindo da arma daquele bandido e meu pai caindo no chão com o peito cheio de sangue.

Os bandidos fugiram com nossas coisas meu pai estava no chão, minha mãe segurando sua mão suplicando e pedindo a ele se forte que ajuda iria chegar meu tio estava com a cabeça do meu pai em seu colo e eu estava em pé parada não tinha reação eu estava vendo a vida do meu pai se esvaindo junto com sua força em cada suspiro que ele dava. Ele me olhou com aquele olhar de afeto que sempre me dava antes de um beijo na testa e um "Até logo, te amo." antes de eu ir dormir ou ir para a escola ele estava me dizendo Adeus e eu covarde disse eu te amo em um sussurro mas sem sair do lugar e sem pedir a ele para ficar. Meu pai olha para minha mãe que chora cada vez mais ela entende que ele quer se despedir ela se desespera e diz o quanto o ama depois disso ele sussurra para meu tio alguma coisa no ouvido e ele assentiu dizendo que vai cuidar de nós e meu pai perdeu sua vida naquele momento dando seu último suspiro.

Depois do enterro do meu pai meu tio assumiu suas responsabilidades na fábrica e na nossa casa minha mãe o agradeceu pois ela nunca lidou com as demandas da fábrica logo que casou com meu pai ela engravidou e depois cuidou de mim e da casa.

Um ano se passou e meu tio Victor pediu a mão da minha mãe em casamento nos dizendo que era a coisa certa a se fazer e seu irmão ficaria feliz e minha mãe como se sentia muito sozinha acabou aceitando já que meu tio queria que fosse só no papel o casamento não queria nenhuma outra aproximação com ela. Eu no começo relutei e fui contra mas sabia como ela se sentia e como minha mãe era jovem ainda preferia que ela casasse com meu tio do que com um estranho e acabei aceitando.

Mal eu e ela sabia o que iríamos sofrer depois do seu sim. Minha mãe casou apenas no civil e não fez questão de festa nem nada, meu tio aceitou e então foi tirado apenas algumas fotos com os meus avós por parte de mãe sendo que os pais do meu pai faleceram uns dois anos depois do meu nascimento. O primeiro ano passou e as atitudes do meu tio estavam começando a nos assustar, ele demitiu todos os empregados da casa dizendo que precisava cortar gastos e também para não me mudar de escola já que meu pai sempre quis o melhor ensino para mim e me avisou que eu teria que ajudar a minha mãe nas tarefas da casa pelo menos até nós sairmos dessas dívidas que segundo ele meu pai havia deixado na fábrica antes de morrer.

Passou alguns dias desde que ele demitiu todos os funcionários, ele começou a discutir com minha mãe dizendo que ela deveria dar um filho para ele, sendo que ele sempre cuidou tão bem de nós depois da morte do meu pai eu vi que muitas vezes minha mãe o negava até que um dia vejo ela sair do quarto dela durante a noite e depois de um tempo eles começam a dormir no mesmo quarto isso me entristeceu muito como se não respeitassem a memória do meu pai.

Depois de começar a dormir juntos minha mãe começou a aparecer com hematomas no corpo e usava roupas sempre largas e compridas mas as vezes eu conseguia ver os roxos em seu corpo eu não entendi bem certo o que era aquilo até que um dia minha mãe ficou na cama o dia inteiro e eu cuidei das tarefas da casa sozinha quando meu tio chegou ele estava bêbado foi até a sala de jantar e mandou eu servir a janta para ele eu tinha feito apenas uma sopa já que minha mãe estava doente e servi isso para ele que no mesmo instante jogou tudo no chão quebrando o prato e vindo na minha direção gritando.

- Eu pago as coisas nessa casa, e quando quero comer você faz sopa, será que vou ter que te ensinar uma lição Eduarda.

E assim ele me dá uma bofetada fazendo meu ouvido zumbir depois disso minha mãe desceu as escadas correndo e veio até mim chorando.

- O que fez com ela.

Ela grita desesperada com ele, meu tio volta a si e depois disso se ajoelha e pede desculpa desesperado ele me pega no colo e me leva para meu quarto minha mãe o segue chorando e eu fico novamente petrificada como no dia da morte do meu pai. Ele me deixa lá e sai.

- Mãe, ele te bateu né por isso dos hematomas e por causa disso que você estava na cama.

- Filha eu não vou negar que isso aconteceu mas foram poucas vezes e ele estava irritado com alguma coisa que fiz mas isso acabou eu fiquei de cama por que estou grávida descobri faz uma semana e hoje estava muito mal.

- Sério mãe?

Fico chocada com minha mãe e o misto de sentimentos que tenho entre raiva e felicidade sempre quis uma irmã mas não do meu tio com minha mãe. Então eu faço o que a minha imaturidade naquele momento pede e grito com minha mãe.

- Sai agora do meu quarto. Como pode trair meu pai e ter um filho com esse monstro. Odeio você, você tinha que ter morrido no lugar do meu pai.

- Eduarda, por favor minha filha eu te amo não diga isso faço isso para nosso bem.

Ela fala chorando e vejo a tristeza em seus olhos, mas também sinto em mim um ódio dela por aceitar tudo isso.

- Sai daqui agora.

Ela sai chorando e me olha da porta uma última vez e assim logo depois a fecha. E depois que ela sai eu permito que minhas emoções tomem conta do meu peito e dos meus olhos chorando até dormir. No outro dia acordo cedo e arrumo minha mochila para ir a escola desço e vejo que a mesa do café está posta e tem tudo o que gosto de comer.

- Filha, vem comer seu tio Victor contratou uma empregada para nos ajudar nas tarefas. E agora vou ter mais tempo para me dedicar a você meu amor.

- Vejo que estão os dois na mesa me aproximo e vejo ele sentar na cadeira que era do meu pai e minha mãe ao seu lado aquilo me enoja. Até que meu tio começa a falar.

- Eduarda sobre ontem eu peço desculpas a você, nunca mais voltarei a ser o que fui ontem. Eu amo você como minha filha e agora que a família está aumentando por que não deixamos tudo no passado e podemos nos chamar de pai e filha.

Eu não acredito no que ouvi, olho para ele e para minha mãe que está de cabeça baixa sentados na mesa do meu pai na casa do meu pai e não acredito realmente nisso.

- Você acha mesmo que um dia eu vou te chamar de pai ou que algum dia você será pai de alguém? Você não tem capacidade para isso, deve ser por isso que meus avós deixaram tudo para meu pai e nada para você. Eu espero que esse bebê nem nasça. Vai para o inferno os dois.

Saio de lá batendo a porta e pude escutar ele gritando meu nome.

- EDUARDA.

Vou para o único lugar em que posso ter paz no cemitério junto com meu pai passo o dia todo lá. Quando volto para a casa minha mãe está na sala chorando.

- Eduarda, onde esteve? Estava tão preocupada com você minha filha.

Minha mãe fala enquanto me abraça chorando. Eu a acalmei.

- Mãe, estou aqui. Desculpa se te ofendi hoje quero que o bebê nasça bem.

Abracei ela e continuamos ali por um tempo. Fomos dormir e no meio da noite escuto minha mãe e meu tio gritar um com o outro eu entro no quarto e ele está em cima da minha mãe com as duas mãos agarrando o pescoço dela ele iria matar ela eu nem penso e me jogo em cima dele e ele me joga contra o guarda-roupa e vou ao chão depois disso não vejo nada.

Acordo no hospital com a cabeça doendo, minha mãe dorme em uma cadeira. Eu chamo ela e ela acorda.

- Minha filha como está? Dói muito à cabeça?

- Estou bem e você como está?

- Estou bem. Eduarda precisamos conversar sobre o que aconteceu. Tem pessoas que querem falar com você e preciso que diga que caiu da escada filha não conte o que aconteceu.

- Ficou maluca mãe? Ele ia te matar e ele me agrediu duas vezes. Eu vou denunciar ele.

- Filha pense nesse bebê como vou criar ele e pense na fábrica como vamos administrar ela. Ele me jurou não fazer mais isso.

Penso no que minha mãe disse e vejo como ela é tão dependente de uma figura masculina mesmo que a machuque minha mãe permitiu que ele fizesse coisas que meu pai nunca faria com ela. Eu tomei uma decisão.

- Mãe, chame o tio Victor.

- Eduarda, pense bem.

Eu a encaro e ela entende e sai logo depois que meu tio entra.

- Duda como está?

- Poderia estar melhor se você não tivesse me batido.

- Duda me desculpa, eu não sou esse monstro, não sei o que aconteceu comigo.

- Eu sei bem quem você é e vou te dizer uma coisa. Vamos fazer um acordo, eu tenho relatos e fotos dos hematomas da minha mãe em uma nuvem e pode ser que eu enviei alguns desses relatos para o jornal hoje sem nomes claros mas eles podem tentar entrar em contato sabemos como são essas coisas. Enfim a proposta é a seguinte: não haverá um arranhão mais em minha mãe, vocês vão dormir em quartos separados já que ela já vai te dar um filho que tanto quis.

- Eduarda, eu não vou mais ser aquele homem que fui. Mas não posso deixar de dormir com sua mãe, somos casados.

Ele fala gaguejando e a raiva o consumido.

- Tio vocês são casados com comunhão total de bens vai ser tudo dividido e nós vendemos nossa parte e viveremos bem. E sem contar que quando denunciar você o que fez com a minha mãe é considerado tentativa de homicídio seria preso na hora.

- Meu tio me encara, bufa e solta uma risada sarcástica se volta pra mim olhando nos meus olhos.

- Você é que nem ele. Como seu pai é sabe de uma coisa eu o odiava como odeio você. Mas vou fazer isso porque não quero ficar longe do meu filho e fazer sua mãe sofrer. Mas você vai sair daquela casa e vai para um colégio interno.

- Não vou mesmo. Não sei o que vai fazer com minha mãe quando eu estiver longe.

- Você tem que acreditar e vai ter que pagar o preço por me desafiar. E se não aceitar eu não perco nada matando eu, você e sua mãe.

- Tudo bem eu aceito.- Ganho alta do hospital, vou para casa e logo arrumo minhas malas antes de ir eu converso com minha mãe nos despedimos e isso acaba comigo e dentro do carro e choro até chegar ao aeroporto de lá eu vou para a Coreia onde vou ficar até me formar.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022