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Contrato do Destino

Contrato do Destino

Autor:: Viih Felix
Gênero: Moderno
Liam é um CEO talentoso, mas completamente avesso a responsabilidades pessoais. Aos 30 anos, começa a sentir a pressão dos pais para se casar e assumir um papel mais tradicional em sua vida. Determinado a evitar um relacionamento real, ele encontra a solução perfeita em Ashley, uma de suas funcionárias, que está enfrentando dificuldades financeiras e emocionais. Vendo uma oportunidade, Liam propõe a Ashley um contrato inusitado: um casamento de conveniência que atende aos interesses de ambos. Mas o que começa como um acordo estritamente profissional pode acabar desafiando tudo o que Liam acredita sobre o amor, o compromisso e o destino.

Capítulo 1 Liam

Liam Narrando

Me Chamo Liam Grenville, Sou moreno, Cabelos castanhos, olhos Castanhos e tenho 1,89 de altura, Gosto de malhar, mantenho o meu físico, para acompanhar a minha rotina, sou CEO da Grenville Enterprise, a empresa fundada pelo meu pai, que se tornou uma das multinacionais maiores do país, não tenho o patrimônio, e a cada dia faço novas conquistas, aprendi com meu pai a não ser o CEO que fica sentado o dia todo, sou ativo, reunião, visito os setores, ando a empresa toda. Conheço todos os funcionários, embora não pare para falar com todos.

Hoje é meu aniversário de 30 anos. Eu deveria estar comemorando em uma das minhas festas memoráveis, cercado de luxo, champanhe e mulheres deslumbrantes. Esse sempre foi meu estilo, minha marca, rei das páginas de fofoca, um homem que tem o mundo a seus pés e não pede desculpas por isso. Tudo o que conquistei foi porque eu sou bom no que faço. Negócios. É isso que importa. Amor? Compromisso? Casamento? Isso é coisa de gente antiquada. Não preciso dessas amarras, nunca precisei.

Ou pelo menos era isso que eu pensava até hoje. O dia que era para ser memorável, virou o dia do meu pesadelo.

Meu pai resolveu me dar o "presente" mais absurdo que alguém poderia imaginar. Não foi um relógio de luxo, um carro importado ou até mesmo ações da empresa, como eu esperava. Foi uma ordem. Isso mesmo, uma ordem. Ele disse, com todas as palavras: ou eu encontro uma noiva e me caso em um ano, ou perco tudo. Simples assim. Meu cargo de CEO, meu poder, minha vida. Tudo isso será passado para o meu irmão mais novo, Noah, o garoto perfeito, que sempre seguiu as regras, mas que não tem metade do talento que eu tenho para liderar o império Grenville. A prova disso é que aos 21 anos ele já está de Casamento marcado, com a noiva que a nossa mãe escolheu para ele. Patético.

Fiquei sentado na sala de estar da mansão, ouvindo meu pai falar com aquele tom sério e desapontado. Ele sempre foi rígido, mas nunca imaginei que chegaria a esse ponto. Segundo ele, minhas festas excessivas, os escândalos nas colunas de fofoca e meu comportamento irresponsável estão manchando o nome da empresa.

- Um líder deve ser mais do que competente nos negócios, Liam. Ele deve ser um exemplo - ele disse, me encarando como se eu fosse uma decepção.

Eu quis rir. Um exemplo? Desde quando ser um exemplo tem algo a ver com lucro? A Grenville Enterprise nunca esteve tão bem quanto agora. As ações estão no topo, fechamos contratos internacionais, e a empresa está no radar de todas as grandes corporações do mundo. Isso é por minha causa. Não importa se eu saio com modelos, gasto milhares de dólares em festas ou compro carros que custam o salário anual de muita gente. Eu sou bom no que faço, e isso deveria ser suficiente.

Mas aparentemente, não é.

Quando meu pai terminou seu discurso, fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando processar o absurdo da situação. E então ele soltou a última bomba:

- Você tem até seu próximo aniversário para encontrar uma noiva e mostrar que pode construir uma família. Se não fizer isso, Noah assume a presidência, Essa é a minha última palavra.

Mas casamento? Isso é ridículo. Eu nunca quis me casar. Não acredito no conceito. Hoje em dia, tudo se resume a desejo, sexo e luxúria. O que as pessoas chamam de "amor" é apenas uma desculpa para não ficarem sozinhas. Eu tenho tudo o que preciso sem isso. Posso ter qualquer mulher que quiser, a qualquer momento. Então, por que me prender a apenas uma?

Passei o resto do dia tentando encontrar uma saída. Liguei para alguns amigos, mas eles não conseguiram segurar as risadas ao ouvir minha situação.

- O rei Liam finalmente foi encurralado! - disse um deles. Sim, muito engraçado. Enquanto eles riam, eu só conseguia pensar em como resolver isso sem sacrificar minha liberdade.

Pensei em ignorar a ordem do meu pai, mas sei que ele não está brincando. Ele sempre cumpre suas ameaças. E a última coisa que quero é perder tudo pelo que trabalhei. Essa empresa é minha vida. Eu a assumi há cinco anos, quando meu pai decidiu se aposentar. Desde então, a Grenville cresceu mais do que em qualquer outro período de sua história. Isso porque eu sou inovador, visionário. Não porque sigo as regras.

Agora, ele quer que eu me curve ao seu ultimato, Como se eu fosse um garoto no jardim de infância, um Cachorrinho adestrado. Meu pai não me respeita como homem que sou.

Bem, talvez eu tenha que jogar o jogo. Não disse que vou desistir, Só preciso encontrar uma solução que me permita manter o controle da empresa sem realmente me prender a um casamento de verdade. Talvez um acordo. Um contrato. Algo que me permita cumprir os requisitos do meu pai sem perder minha liberdade.

Mas quem aceitaria uma proposta como essa? Preciso de alguém discreto, alguém que não se envolva emocionalmente, alguém que entenda que tudo isso é apenas um negócio. Não posso escolher qualquer uma das mulheres que frequentam minhas festas. Elas são ótimas para diversão, mas nenhuma delas serve para um papel tão sério.

E há outro problema. Meu pai não é burro. Ele vai saber se eu estiver tentando enganá-lo. Preciso que tudo pareça genuíno, real. O suficiente para convencer até mesmo o velho Aurélio Grenville.

Suspirei, olhando para o copo de uísque na minha mão. Nunca imaginei que estaria nessa situação. Sempre vivi do meu jeito, sem pedir permissão a ninguém. Agora, estou encurralado, forçado a jogar um jogo que não escolhi.

Mas uma coisa é certa: não vou perder o que é meu. Não importa o que eu tenha que fazer, vou encontrar uma maneira de manter meu lugar como CEO da Grenville Enterprise. Vou agradar meu pai, vou conseguir a noiva de mentirinha perfeita, as Cartas foram jogadas na mesa, agora só me resta Jogar.

Capítulo 2 Ashley

Ashley Narrando

Às vezes, penso que a vida é uma eterna batalha, e eu sou uma soldada que nunca teve tempo de descansar. Meu nome é Ashley Davis, tenho 22 anos e me formei em administração recentemente. Mas, apesar de tudo o que consegui até aqui, a estrada nunca foi fácil. Na verdade, ela ainda é cheia de buracos.

Perdi minha mãe muito cedo. Eu tinha apenas sete anos quando ela partiu, e desde então, minha vida virou de cabeça para baixo. Minha mãe era o pilar da nossa casa, e quando ela se foi, sobrou apenas meu pai e eu. No início, ele tentou manter as coisas no lugar, mas o álcool rapidamente tomou conta dele. Acho que era a forma dele de lidar com a dor. Eu era jovem demais para entender completamente, mas logo percebi que ele não era mais o mesmo homem que me colocava para dormir contando histórias.

Meu pai se tornou um homem amargurado e perdido. Ele começou a beber cada vez mais e, com isso, vieram as dívidas. No começo, eram apenas contas atrasadas, mas depois vieram os empréstimos e os problemas com gente perigosa. Hoje, o que ganho no trabalho vai direto para pagar essas dívidas e para colocar comida na mesa. O pior é que ele se recusa a aceitar qualquer tipo de ajuda. Já tentei conversar, implorar, até sugerir tratamento, mas ele sempre se fecha e me acusa de não entender sua dor. Talvez ele tenha razão, mas isso não torna minha vida mais fácil.

Eu trabalho duro, muito mais do que deveria para alguém da minha idade. Enquanto meus colegas da faculdade iam para festas, viagens ou até conseguiam poupar dinheiro, eu estava em dois empregos, tentando equilibrar as contas da casa e pagando as confusões que meu pai arranjava. Sempre que ele bebia demais, acabava se metendo em brigas ou destruindo algo. E quem acabava lidando com as consequências? Eu, claro.

Mas nunca reclamei. Pelo menos, não para os outros. Quando saio de casa, coloco um sorriso no rosto. Não importa o quão cansada ou frustrada eu esteja, nunca deixo que as pessoas vejam meu sofrimento. Trato todos com gentileza, educação, como se minha vida fosse perfeita. Não quero que sintam pena de mim. No fundo, acho que é porque, se alguém realmente soubesse o que passo, seria como admitir que estou perdendo essa batalha.

Minha única confidente é Morgana, minha melhor amiga. Ela sabe de tudo. Foi ela quem me deu forças para continuar estudando quando pensei em desistir. Muitas vezes, Morgana foi quem me empurrou para viver um pouco. Se não fosse por ela, acho que nunca teria ido a uma festa na faculdade. Ela sempre dava um jeito de me arrastar para algum evento, e quando eu dizia que não tinha roupa para isso, ela emprestava as dela. Morgana é como uma irmã que a vida me deu.

Lembro de uma vez em que ela apareceu na minha casa com um vestido incrível e disse: "Hoje você vai sair, nem que eu tenha que te carregar nos braços!" Eu ri, mas no fundo queria chorar, porque sabia que não tinha dinheiro para pagar nem uma bebida. Morgana, como sempre, resolveu isso. Ela dizia que a única coisa que eu precisava levar era meu sorriso. E era o que eu fazia. Por algumas horas, esquecia os problemas e fingia que minha vida era normal.

Mas quando voltava para casa, tudo caía sobre mim como uma avalanche. Meu pai provavelmente estaria dormindo no sofá, com garrafas vazias ao redor. E lá estava eu, limpando a bagunça e me preparando para mais um dia de luta.

É difícil descrever como é viver assim. Existe uma tristeza constante dentro de mim, uma sensação de que nunca vou sair desse ciclo. Sonho com uma vida diferente, mas, às vezes, me pergunto se isso é possível. Quero ter um emprego estável, uma casa onde não precise me preocupar com o aluguel ou com contas atrasadas. Quero poder viajar, conhecer o mundo, viver de verdade. Mas esses sonhos parecem tão distantes...

No entanto, tento me agarrar a qualquer fagulha de esperança. Minha formatura foi um desses momentos. Foi um dia incrível, porque pela primeira vez em anos, senti que estava conquistando algo para mim. Meu pai não apareceu, o que não foi surpresa, mas Morgana estava lá, gritando meu nome e aplaudindo como se eu fosse uma estrela.

- Você vai mudar sua vida, Ash. Eu acredito em você - ela me disse naquele dia. Essas palavras ficaram comigo.

Agora, estou tentando dar o próximo passo. Envio currículos todos os dias, na esperança de encontrar um emprego que me permita finalmente respirar. Quero sair dessa vida de dívidas e sofrimento. Quero poder cuidar do meu pai sem me sentir presa a ele.

Às vezes, me pergunto como seria minha vida se minha mãe ainda estivesse aqui. Será que as coisas seriam diferentes? Será que eu seria mais feliz? Não sei. Mas o que sei é que, mesmo com todas as dificuldades, ainda estou aqui. Ainda estou ligando.e

A verdade é que, mesmo quando tudo parece perdido, há algo dentro de mim que me faz continuar. Talvez seja o desejo de honrar minha mãe ou a promessa que fiz a mim mesma de nunca desistir. Ou talvez seja porque, apesar de tudo, ainda acredito que dias melhores virão.

Eu não sei como, mas vou encontrar uma maneira de mudar minha história. E quando isso acontecer, prometo a mim mesma que nunca mais vou deixar que ninguém, nem mesmo o destino, tire o meu sorriso.

Hoje é o meu aniversário de 22 anos. Eu sei, é só mais um dia para o mundo, mas para mim, tem um significado diferente. Só que, de uma maneira bem irônica, ninguém além da Morgana me deu os parabéns. Não que eu esperasse grandes celebrações, ou que qualquer um lembrasse, mas seria bom, sei lá, sentir um pouco de carinho. Eu não sou dessas pessoas que comemoram muito, mas um simples "feliz aniversário" já me deixaria feliz. Morgana me ligou logo cedo, me desejou um dia incrível e, claro, me fez prometer que iria me dar um tempo para mim hoje. Uma parte de mim queria deixar tudo isso para trás, mas a outra parte sabia que a rotina e as obrigações ainda estavam lá, esperando por mim.

Hoje também é o aniversário do Sr. Liam, o CEO da empresa em que trabalho. A coincidência é quase engraçada. Já trabalho aqui há meses e, sinceramente, nunca vi o Sr. Liam falar com ninguém do meu setor. O máximo que a gente ouve sobre ele é do chefe, que, claro, sempre fala dele como se fosse o próprio deus do trabalho. O que eu posso dizer? Eu sou apenas uma funcionária qualquer aqui, sem grandes ambições.

Hoje, então, o escritório está fervilhando de falatório. Todo mundo falando sobre o aniversário do Sr. Liam, como se fossem íntimos dele, como se estivessem na lista dos convidados para a festa de gala dele. Como se o simples fato de mencionar o nome dele já fosse um passaporte para o clube dos "privilegiados". Eu só dou risada, vai que ele me chama pra festa.

Capítulo 3 Liam

Liam Narrando

Minha festa de aniversário sempre foi um evento. Um daqueles em que todos se esforçam para parecer impecáveis, mesmo que a maioria dos sorrisos sejam mais falsos do que a porcelana nas mesas. Todo ano é a mesma coisa: minha mãe, incansável, organiza cada detalhe junto com sua fiel secretária, escolhendo a dedo quem será convidado. Não são todos os funcionários da empresa, claro, afinal, nem caberiam. Apenas os chefes de setores, alguns sócios e as figuras influentes da cidade têm esse privilégio. É uma festa formal, com direito a trajes de gala e conversas cheias de superficialidade.

Naquela noite, enquanto me olhava no espelho do meu quarto, ajustando o nó da gravata, me senti como um ator se preparando para entrar no palco. Vesti o terno com a confiança de quem sabe que está impecável, mas, lá no fundo, sentia aquele desconforto habitual. Um misto de ansiedade e cansaço, como se o peso de ser o anfitrião da noite já estivesse sobre os meus ombros antes mesmo de eu descer as escadas.

Assim que desci, ouvi o som das conversas e risadas que ecoavam do jardim. O ambiente estava iluminado com luzes que serpenteavam pelas árvores e decoravam o espaço como um verdadeiro cenário. O ar estava carregado com o cheiro das flores que minha mãe insistia em espalhar por todos os cantos. Apenas a elite da cidade circulava por ali, com seus passos calculados e sorrisos treinados.

Respirei fundo antes de passar pela porta que dava para o jardim. Assim que entrei, os olhares se voltaram para mim. Já me acostumei com isso. Minha mãe veio em minha direção com um sorriso radiante, como se fosse ela a estrela da noite.

- Liam, meu querido! Finalmente, o aniversariante chegou. Está lindo, como sempre.

- Obrigado, mãe. A Senhora também está deslumbrante - respondi, tentando soar sincero.

Ela segurou meu braço e começou a me apresentar para os convidados como se eu fosse uma peça de arte recém-adquirida. Enquanto ela falava, eu sorria e cumprimentava as pessoas, procurando meus amigos, e alguma mulher bonita, para começar o esquenta. A festa de verdade começa, quando essa termina.

Logo depois, fui abordado por Marcus, um dos sócios mais antigos da empresa. Ele segurava uma taça de champanhe e parecia mais animado do que o normal.

- Liam! Parabéns, meu jovem. Mais um ano de sucesso, hein? Como se sente?

- Obrigado, Marcus. Me sinto bem. Apenas mais um ano.

Ele riu alto, como se minha resposta fosse uma piada incrível.

- Ah, Liam, você sempre tão espirituoso. Aproveite a noite.

Concordei com um sorriso antes de me afastar. Enquanto caminhava pelo jardim, observei os pequenos grupos espalhados. Conversas sobre negócios, política e, claro, fofocas discretas. Era curioso como as pessoas se comportavam nesses eventos. Tudo parecia tão ensaiado.

Então, encontrei uma brecha para me afastar. Fui até o bar montado perto da piscina e pedi um whisky. O barman me serviu rapidamente, e eu me sentei em uma das cadeiras altas, tentando aproveitar aquele momento de paz. Mas não demorou muito para que uma voz familiar me chamasse.

- E aí, aniversariante? Fugindo da própria festa?

Virei-me e vi Adam, meu melhor amigo, uma das poucas pessoas que realmente me entendem.

- Adam, ainda bem que você veio. Eu precisava de uma parceria no meio disso tudo.

Ele riu e se apoiou no balcão, pedindo uma taça de vinho.

- Achei que você gostasse de toda essa atenção. É o seu grande dia, afinal, Rei Liam.

- Claro que gosto, mas Cara, só tem mulher casada nessa festa.

- As solteiras, estão se produzindo, para logo mais - ele falou sorrindo, e eu, sorri também.

O jantar estava servido. Tudo parecia perfeito, como sempre é nas festas organizadas pelos meus pais. A mesa estava impecável, cheia de detalhes que mostravam o esforço e o dinheiro investidos. As pessoas riam, brindavam, e eu me mantinha no automático, sorrindo e acenando, participando apenas o suficiente para não atrair questionamentos.

O discurso de aniversário, claro, não podia faltar. Meu pai levantou sua taça de champanhe e começou a falar sobre mais um ano de conquistas, união e, é claro, sobre como a família sempre vem em primeiro lugar. As palavras saíam dele com uma naturalidade que eu nunca consegui entender. Como ele conseguia ser tão convincente? Fiquei ali, escutando, mas minha mente estava a quilômetros de distância.

- E agora, um brinde ao aniversariante! - ele concluiu, erguendo a taça para mim, enquanto todos seguiam o gesto e gritavam "saúde!"

Sorri e agradeci. Agradeci por quê? Nem eu sabia. Minha mente já estava na festa que viria depois, a festa de verdade, onde eu finalmente poderia me soltar. Eu só precisava sobreviver a algumas horas dessa encenação.

Quando o jantar terminou, as despedidas começaram. Adam, meu cúmplice em quase todas as situações, estava impaciente. Ele me puxou para um canto no jardim.

- Assim que a última pessoa sair daqui, eu vou para o apartamento. Chega lá depois.

- Pode deixar - respondi, mantendo a voz baixa para que ninguém nos ouvisse, principalmente o meu pai - Só vou me livrar dos meus pais e já apareço.

Adam saiu pouco depois, me deixando para lidar com o interminável ritual de cumprimentar cada convidado. Meus pais insistem que isso é essencial. É importante demonstrar consideração, minha mãe dizia sempre que eu tentava escapar dessas formalidades.

Convidado por convidado, eu os acompanhava até a porta, sorrindo e agradecendo por terem vindo. Quando finalmente a casa estava vazia, soltei um suspiro de alívio. Olhei ao redor, me certificando de que não havia mais ninguém.

- Boa noite, Filho - disse minha mãe, subindo as escadas com meu pai logo atrás.

- Boa noite - respondi, esperando alguns segundos para garantir que eles não voltariam.

Assim que ouvi a porta do quarto deles se fechar, fui para o meu quarto. Troquei o terno desconfortável por algo mais casual, mas ainda apresentável. Peguei a chave do carro e enviei uma mensagem para Adam: A caminho.

O apartamento de Adam ficava a poucos minutos. Ele escolheu o lugar perfeito, um prédio discreto, mas com apartamentos espaçosos o suficiente para festas do tipo que gostávamos. Quando cheguei, já dava para ouvir a música alta e os sons abafados de conversas e risadas vindos do lado de dentro.

Entrei, e o contraste com a festa anterior era gritante. Aqui, ninguém se preocupava com discursos ou etiquetas. Mulheres lindas dançavam no centro da sala, enquanto outras conversavam nos cantos, taças de champanhe na mão. Homens riam, bebiam e jogavam conversa fora. Essa é a minha zona de conforto, o tipo de ambiente onde eu realmente posso ser eu mesmo.

Adam me viu e veio até mim com um sorriso.

- Achei que você nunca fosse chegar!

- Meus pais demoraram para subir - respondi, pegando um copo de whisky que ele me entregou. - Mas aqui estou.

Ele riu.

- Bom, agora é hora de aproveitar.

Eu concordei com a cabeça e dei o primeiro gole no uísque. A sensação era de alívio imediato, como se eu estivesse me libertando de uma prisão invisível. A música, as luzes, as pessoas. Tudo era exatamente como eu queria que fosse.

Enquanto a noite avançava, eu percebia que não havia nada de errado em viver de acordo com minhas regras, mesmo que isso significasse equilibrar duas versões completamente diferentes de mim mesmo. Durante o dia, eu era o filho perfeito, o CEO promissor. À noite, eu era apenas Liam, alguém que queria viver sem amarras. Gosto de ser assim.

E ali, naquela festa, com a música alta e os olhares curiosos ao meu redor, eu sabia que tinha feito a escolha certa, mas ao mesmo tempo eu estava me despedindo dessa vida, a partir de amanhã serei um novo homem, com sorte, daqui a algum tempo eu volto a viver assim, novamente.

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