Depois de dois anos de tratamentos brutais de fertilização in vitro, eu finalmente segurava um teste de gravidez positivo em minhas mãos. Eu era o cérebro por trás da nossa empresa de tecnologia bilionária, e este bebê deveria ser meu maior empreendimento conjunto com meu marido, Heitor.
Então, uma mensagem anônima chegou. Era um vídeo de Heitor beijando uma modelo do Instagram, com a mão bem alta em sua coxa. Uma segunda mensagem se seguiu: um extrato bancário mostrando que ele havia roubado milhões da nossa empresa para bancá-la.
Decidi ir à festa de gala da empresa e usar minha gravidez para nos salvar. Mas a amante dele, Celine, apareceu primeiro, também alegando estar grávida.
Na frente de todos, minha sogra a abraçou, chamando-a de a verdadeira mãe do próximo herdeiro. Ela deu a Celine o colar da família que havia se recusado a me deixar usar no dia do meu próprio casamento.
Mais tarde, Celine me empurrou. Eu caí, e uma dor excruciante atravessou meu abdômen. Eu estava sangrando no chão, perdendo nosso bebê milagroso. Implorei por ajuda a Heitor.
Ele olhou para mim, irritado. "Para de fazer tanto drama", disse ele, antes de virar as costas para consolar sua amante.
Mas enquanto meu mundo escurecia, outro homem correu para o meu lado. Meu maior rival, Dante Castilho. Foi ele quem me pegou nos braços e correu comigo para o hospital.
Quando acordei, com o bebê perdido e meu mundo em cinzas, ele ainda estava lá. Ele olhou para mim e fez uma oferta. Uma aliança. Uma chance de tirar tudo dos homens que nos traíram e queimar seus impérios até as cinzas.
Capítulo 1
O teste de gravidez positivo estava sobre a bancada de mármore do nosso banheiro, uma cruz azul perfeita, impossível. Toquei minha barriga lisa. Depois de dois anos de injeções, consultas e corações partidos em silêncio, finalmente era real. Uma vida minúscula, um segredo que eu compartilhava apenas com a porcelana branca e os metais cromados.
Imaginei contar para o Heitor. O rosto dele, o jeito como seus olhos se iluminariam. Ele era o rosto carismático da Solarys Inovações, nosso sonho de tecnologia verde. Eu era o cérebro, a cientista que tornava suas grandes promessas realidade. Éramos uma equipe, no laboratório e na vida. Este bebê seria nosso maior empreendimento conjunto.
Meu celular vibrou na bancada. Um número desconhecido.
Um arquivo de vídeo.
Meu polegar pairou sobre a tela. Provavelmente spam. Mas uma sensação fria subiu pela minha espinha. Eu apertei o play.
O vídeo era granulado, filmado do outro lado de um restaurante. Heitor estava lá, seu perfil familiar nítido mesmo na luz fraca. Ele estava rindo, inclinando-se sobre uma mesa. E então uma mulher se inclinou, seus lábios encontrando os dele.
Não era um beijo amigável. Era profundo, faminto. A câmera deu um zoom. A mão de Heitor estava na perna dela, bem no alto da coxa. O mundo girou. Minha respiração ficou presa na garganta. Eu não conhecia aquela mulher, mas ela era linda de um jeito que gritava "internet". Maquiagem perfeita, cabelo arrumado, um vestido que parecia feito de dinheiro.
Reconheci o anel em seu dedo. Uma serpente espalhafatosa, cravejada de diamantes. Eu já tinha visto antes, em algum feed do Instagram que Heitor estava rolando. Celine Luna. Uma modelo. Uma influenciadora. Uma mulher com dois milhões de seguidores e um sorriso vazio e cruel.
Meu celular vibrou de novo. Desta vez era minha melhor amiga, Maya.
"Kendra? Você está bem? A reunião do conselho é em uma hora."
A voz dela era uma tábua de salvação na tempestade súbita e silenciosa na minha cabeça.
Forcei minha própria voz a funcionar, a soar normal. "Tudo bem. Só estou um pouco atrasada. Já chego aí."
"Você parece estranha."
"Só cansada", menti, a palavra com gosto de cinzas. "Dia cheio."
Desliguei antes que ela pudesse fazer mais perguntas. Meu reflexo me encarava do espelho. Kendra Moraes, a cientista brilhante, cofundadora de uma empresa bilionária. Uma mulher que controlava a energia geotérmica, mas não conseguia controlar a própria vida.
Deslizei pela parede de azulejo frio, minhas pernas cedendo. O teste de gravidez jazia no chão ao meu lado. A cruz azul perfeita zombava de mim. Um soluço rasgou minha garganta, cru e feio.
Nossa vida inteira era uma mentira. Dez anos. De namorados de faculdade em um dormitório apertado, sonhando em mudar o mundo, a isso. Este apartamento de cobertura, esta empresa, esta... traição. Nós construímos um império do nada. Tínhamos tudo. Uma casa linda, um negócio de sucesso, um futuro que brilhava.
Tudo o que eu sempre quis, além do nosso trabalho, era um filho. Uma família.
Os anos de fertilização in vitro foram um inferno particular. As injeções de hormônios que me deixavam louca, os procedimentos invasivos, a decepção esmagadora a cada mês. Heitor segurou minha mão durante tudo isso. Ele enxugou minhas lágrimas. Ele me disse: "Nós vamos superar isso, Ken. Somos nós contra o mundo."
Ele estava com ela naquela época? Ele a tocava, a beijava, enquanto eu estava em casa me injetando mais uma rodada de esperança?
A alegria de momentos atrás se transformou em algo venenoso. Um único dia perfeito, estilhaçado. Tentei racionalizar. Um erro. Uma coisa de uma vez só. Homens como Heitor, poderosos e bonitos, tinham tentações. Poderíamos consertar isso. Tínhamos que consertar.
Eu precisava vê-lo. Ouvi-lo negar.
Esperei. Os minutos se arrastaram por uma hora. As luzes da cidade do lado de fora de nossas janelas do chão ao teto piscaram, uma por uma, indiferentes.
A porta da frente finalmente se abriu. Heitor entrou, afrouxando a gravata.
Ele parecia perfeito, como sempre. Seu terno era sob medida, seu cabelo impecável. Mas agora eu via. O leve brilho de suor em sua testa. O rubor sutil em suas bochechas. Um arranhão minúsculo, quase invisível, em seu pescoço, logo acima do colarinho.
"Oi", disse ele, sua voz suave como uísque. "Desculpe o atraso. Os investidores foram implacáveis."
Eu me mantive firme, de braços cruzados. "Onde você estava, Heitor?"
Ele parou, seu sorriso vacilando por um segundo. "Eu acabei de te dizer. Uma reunião com o grupo Bainbridge. Demorou." Ele caminhou em minha direção, com os braços abertos para um abraço.
"Não", eu disse, minha voz seca. "Quem é Celine Luna?"
Ele congelou. A máscara carismática caiu, substituída por um lampejo de pânico. Ele tentou encobrir, tentou rir da situação. "Quem? Não sei do que você está falando."
"A modelo do Instagram, Heitor. A do anel de cobra."
Seu rosto ficou pálido. Ele passou a mão pelo cabelo perfeito, bagunçando-o. Ele se sentou na beirada do nosso sofá feito sob medida, a imagem de um homem torturado. Foi uma boa atuação.
"Ken, não é o que você pensa."
"Então o que é?", insisti, minha voz tremendo.
Ele não me olhava. Colocou a cabeça entre as mãos. "É minha mãe", ele murmurou. "Ela está no meu pé há meses. Sobre nós. Sobre... você sabe."
Ele se referia ao bebê. O herdeiro. Beatriz Almeida, sua mãe fria e esnobe, nunca gostou de mim. Eu era de uma família de classe trabalhadora, uma bolsista. Eu não era boa o suficiente para seu filho precioso. E minha incapacidade de gerar um neto era, aos olhos dela, meu fracasso final.
"Ela me desgasta, Ken", disse Heitor, sua voz carregada de uma dor falsa. "A pressão é imensa. Eu só... precisei de uma fuga. Não significou nada."
Eu quase acreditei nele. Eu queria acreditar. Meu coração doía pelo homem que eu pensei que ele era, o homem que estava cedendo sob o peso das expectativas de sua família. Nossa empresa, nosso sonho compartilhado, dependia de nós. Um escândalo destruiria tudo o que construímos. Um divórcio seria um desastre.
Então, tomei uma decisão calculada. Eu manteria minhas cartas na manga.
"Ok", eu disse, a palavra soando estranha na minha boca. "Ok, Heitor."
Ele olhou para cima, seus olhos arregalados de alívio. Ele correu para mim, me puxando para seus braços. Eu me senti rígida contra ele, uma estátua de gelo.
"Temos a festa de caridade neste fim de semana", disse ele, seus lábios contra meu cabelo. "Temos que ir. Temos que parecer perfeitos. Pelos investidores. Pela minha mãe."
"Tudo bem", sussurrei.
Eu interpretaria o papel da esposa perfeita e solidária. Eu iria à festa. E lá, eu contaria a ele sobre o bebê. Na frente da mãe dele. Na frente de todos. Nosso bebê. Nosso milagre. Isso consertaria tudo. Tinha que consertar.
Eu ainda podia salvar isso. Nós ainda podíamos ser uma família.
Enquanto ele me abraçava, meu celular, ainda na minha mão, vibrou mais uma vez. Olhei para a tela. Outra mensagem do mesmo número desconhecido.
Desta vez não era um vídeo. Era a captura de tela de uma transferência bancária. De uma conta da Solarys Inovações que eu não reconhecia. Uma transferência de quinhentos mil dólares.
Para Celine Luna.
O endereço era de uma suíte privativa no topo do Hotel Fasano. A mensagem de texto tinha sido simples: "Se você quer toda a verdade, esteja aqui. Sozinha. - D.C."
D.C. Dante Castilho. O herdeiro playboy e imprudente da dinastia do petróleo Castilho Energia. Nosso maior e mais odiado rival. O que diabos ele queria comigo?
Entrei na suíte. Cheirava a uísque caro e ao próprio Dante Castilho, que estava esparramado em um sofá de couro, com um copo na mão. Ele era exatamente como os tabloides o pintavam: pecaminosamente bonito, com cabelos escuros e bagunçados e olhos que prometiam problemas.
"Dra. Moraes", disse ele, sua voz um rosnado baixo. "Uma honra." Ele não se levantou.
"Não tenho tempo para joguinhos, Castilho. O que é isso?", tentei manter minha voz firme, profissional.
Ele deu um sorrisinho, tomando um gole lento de sua bebida. "Você tem classe, tenho que admitir. Seu marido está transando com uma celebridade de quinta categoria com o seu dinheiro, e você ainda está interpretando o papel da rainha de gelo inabalável."
"Foi um erro", eu disse, a mentira parecendo frágil até para os meus próprios ouvidos. "Estamos lidando com isso."
"Um erro?", ele riu, um som sombrio e sem humor. Ele gesticulou para seus seguranças. "Nos deem licença."
Os dois homens grandes assentiram e saíram, fechando as portas pesadas atrás deles com um clique suave. Agora estávamos sozinhos.
"Você acha que um único caso é o problema?", disse Dante, inclinando-se para a frente. Ele tocou em seu telefone, e a grande televisão na parede piscou e ligou.
Era um vídeo, mas este era cristalino. Era de uma câmera de segurança no que parecia ser um quarto de hotel. Heitor e Celine. Eles não estavam apenas se beijando. Estavam entrelaçados nos lençóis de uma cama.
Meu estômago revirou.
"Eu te amo", a voz de Heitor disse pelos alto-falantes da TV. Era uma declaração clara e inconfundível. "Você é tudo o que ela não é. Viva. Divertida."
As palavras me atingiram com mais força do que a imagem. Ele a amava.
"Ela é tão fria, Celine", continuou Heitor, sua voz cheia de desprezo por mim. "Tudo o que importa para ela é o trabalho. É como ser casado com um robô. Um robô brilhante e rico, mas ainda assim. Só estou com ela pela empresa. Assim que eu tiver o controle total, ela está fora."
O ar saiu dos meus pulmões de uma vez. Cambaleei para trás, agarrando o braço de uma cadeira para me firmar. A fachada de rainha de gelo se estilhaçou em um milhão de pedaços.
"Não", sussurrei, o som quase inaudível.
"Sim", disse Dante suavemente. "Ele está te enganando há anos."
Minha voz voltou, crua de fúria. "Por quê? Por que você está me mostrando isso? O que você quer?", eu era uma mulher de negócios. Eu entendia de transações. Isso era uma jogada.
"Todo mundo tem um preço, Dra. Moraes", eu disse, minha voz endurecendo. "Qual é o seu?"
"Eu quero a Solarys", disse ele simplesmente. "Ou melhor, quero me associar a ela. Sua tecnologia, meus recursos. Poderíamos enterrar a indústria de combustíveis fósseis. Começando pela da minha família."
"Você quer destruir seu próprio pai?"
"Minha madrasta", ele corrigiu. "Chantal comanda o show. E sim. Eu quero queimar o império dela até as cinzas. Mas para fazer isso, preciso tirar o Heitor do meu caminho. Ele tem feito acordos secretos com ela."
"Uma aquisição", respirei. "Você está propondo uma aquisição hostil."
"Estou propondo uma aliança", disse ele. "Você e eu. Nós o tiramos com nossos votos. Reestruturamos. Vencemos."
Balancei a cabeça. "Não. A empresa está estável. Nossas ações estão subindo. Não vou arriscar." Eu estava pensando no bebê. Nosso bebê. Eu precisava de estabilidade, não de uma guerra corporativa.
Dante pareceu ler minha mente. "Você acha que tem escolha?", ele passou para outra imagem na tela. Era um extrato financeiro detalhado.
"Esta é uma empresa de fachada registrada nas Ilhas Cayman", explicou ele, sua voz calma e letal. "Heitor tem desviado dinheiro da Solarys para esta conta nos últimos dezoito meses. Ele já movimentou mais de vinte milhões de dólares."
O número era impressionante. Era roubo em grande escala.
"Ele tem gastado", continuou Dante, passando novamente. Recibos. Um Porsche novo para Celine. Um apartamento em Miami. Um colar de diamantes que custou mais do que meu primeiro carro.
O arranhão em seu pescoço. As mentiras. O dinheiro roubado. Tudo se encaixou. Isso não foi um erro. Foi uma traição longa e calculada. Ele estava saqueando nossa empresa, nosso sonho, para financiar uma vida com outra mulher. Ele estava planejando me deixar sem nada.
O último pingo de esperança dentro de mim morreu.
Não dormi naquela noite. Deitei na nossa cama, o espaço ao meu lado frio e vazio, e encarei o teto. Os extratos financeiros que Dante me mostrou estavam gravados na minha memória. Vinte milhões de dólares.
Quando o sol nasceu, olhei no espelho. Círculos escuros pairavam sob meus olhos. Meu rosto estava pálido, tenso com uma raiva tão fria que parecia uma nova parte da minha anatomia.
Heitor entrou no banheiro, cantarolando. Ele estava fazendo café, agindo como se fosse apenas mais uma terça-feira.
"Você parece cansada, Ken", disse ele, sua voz cheia de falsa preocupação. Ele tentou envolver meus braços em volta da minha cintura.
Eu me afastei. "Não me toque."
Sua atuação era impecável. O marido preocupado. O parceiro amoroso. Era tudo mentira. Agora eu conseguia ver os fios.
Eu tinha que manter a calma. Tinha que jogar o jogo dele, mas melhor.
"Preciso que você cancele sua tarde", eu disse, minha voz uniforme. "Preciso de acesso total à sala do servidor principal. Vou rodar um novo diagnóstico no núcleo."
"Claro", disse ele, facilmente. "Qualquer coisa pela minha esposa genial."
Mais tarde naquela manhã, ele tocou no assunto. Casualmente. "Sabe, a Celine está procurando um novo desafio. Ela tem uma presença enorme nas redes sociais. Poderíamos trazê-la para fazer um pouco de Relações Públicas para a Solarys. Seria ótimo para a nossa imagem."
Meu sangue gelou. Ele queria trazer sua amante para a nossa empresa. Pagá-la com nosso dinheiro para ficar perto dele.
Olhei diretamente nos olhos dele. "Não."
"Por que não? Ela tem alcance."
"Porque ela é uma parasita interesseira e sem qualificação", eu disse, as palavras afiadas. "E ela nunca terá um lugar na Solarys."
Ele realmente teve a audácia de parecer magoado. "Isso é um pouco duro, Ken. Vocês são apenas tipos diferentes de ambição."
"Tipos diferentes?", eu ri, um som amargo e quebrado. "Você está me comparando a ela?"
"Não, claro que não", ele recuou, vendo que tinha ido longe demais. "Eu te amo, Kendra. Você sabe disso."
"Saia", eu disse, minha voz perigosamente baixa. "Tenho trabalho a fazer."
Ele saiu. Imediatamente liguei para meu chefe de TI, um jovem gênio chamado Leo que era leal apenas a mim.
"Leo, preciso de você. Sede da Solarys. Sala do servidor. E traga seu melhor equipamento. Isso é extraoficial."
Uma hora depois, estávamos na sala do servidor. "Preciso que você espelhe o laptop de Heitor Almeida. Cada arquivo, cada e-mail, cada tecla pressionada nos últimos dois anos. E preciso de um keylogger instalado. Quero saber de tudo."
Os olhos de Leo se arregalaram, mas ele não fez perguntas. Apenas começou a trabalhar.
Observei o fluxo de dados em um monitor. Estava tudo lá. Pastas dentro de pastas. Contas ocultas. Arquivos criptografados. Leo os quebrou um por um.
O quadro completo era pior do que eu poderia ter imaginado. Não apenas a conta nas Ilhas Cayman. Havia outras. Zurique. Singapura. Uma teia de mentiras e roubos se estendendo pelo globo.
E as fotos. Centenas delas. Heitor e Celine em iates, em jatos particulares, em suítes de hotel. Rindo, se beijando, vivendo uma vida que ele havia roubado de nós. Havia uma foto dela usando uma pulseira de diamantes. Cliquei nas propriedades do arquivo. A data em que foi tirada? O mesmo dia da minha primeira transferência de embrião fracassada. Enquanto eu estava na clínica, chorando por mais uma perda, ele estava comprando diamantes para ela.
A traição foi tão completa, tão absoluta, que foi quase esclarecedora. A dor era uma coisa física, um ponto branco e quente no meu peito. Cravei as unhas nas palmas das mãos, a picada aguda me ancorando.
"Copie tudo", eu disse a Leo, minha voz um sussurro. "E certifique-se de que o keylogger seja indetectável."
"Feito", disse ele, fechando o laptop.
Saímos da sala do servidor, deslizando como fantasmas. Enquanto caminhávamos pelo saguão, as portas do elevador se abriram. Heitor saiu, segurando um buquê dos meus lírios favoritos.
"Ken! Eu estava vindo te procurar", disse ele, seu sorriso brilhante e falso.
A assistente de Leo, uma jovem que idolatrava Heitor, suspirou. "Ele é tão dedicado a você, Dra. Moraes."
Uma performance. Era tudo uma performance.
Eu queria gritar. Queria jogar as provas na cara dele e ver seu mundo queimar. Mas ainda não. Não aqui. Eu tinha que ser inteligente. Eu tinha um bebê para proteger. E uma empresa para salvar.
Deixei que ele me puxasse para um abraço, meu corpo rígido. Eu usaria sua própria traição contra ele. Minha gravidez era meu ás. A empresa era meu reino. Ele queria uma guerra? Ele teria uma.
"É melhor irmos", eu disse, me afastando. "Vamos nos atrasar para a festa."
No carro, ele segurou minha mão, falando sobre a disposição das mesas e os palestrantes principais. Eu sorri e assenti, minha mente a quilômetros de distância, planejando meu ataque. Eu pegaria o que era meu. Eu tomaria o controle da Solarys. E eu o destruiria.