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Coração Quebrado, Alma Vingativa

Coração Quebrado, Alma Vingativa

Autor:: Rabbit2
Gênero: Moderno
Meu nome é Ana Clara e, para a lei, meu pai cometeu suicídio. Para mim, foi assassinato. Há quinze anos, o magnata Mendes destruiu nossa família: meu pai, um arquiteto brilhante, foi acusado de fraude e se enforcou na prisão. Minha mãe perdeu nosso restaurante, e eu e meu irmão, Lucas, fomos arrancados de casa por assistentes sociais e separados. Com apenas doze anos, vi minha vida desmoronar. Como o sistema que nos destruiu pôde falhar tanto em proteger um inocente? Que verdade se escondia por trás de tanta maldade? Essa injustiça me sufocava. Eu escolhi a advocacia, a mesma lei que nos traiu, como minha arma. Eu me tornaria a justiça que Mendes tanto temia, custasse o que custasse.

Introdução

Meu nome é Ana Clara e, para a lei, meu pai cometeu suicídio. Para mim, foi assassinato.

Há quinze anos, o magnata Mendes destruiu nossa família: meu pai, um arquiteto brilhante, foi acusado de fraude e se enforcou na prisão.

Minha mãe perdeu nosso restaurante, e eu e meu irmão, Lucas, fomos arrancados de casa por assistentes sociais e separados. Com apenas doze anos, vi minha vida desmoronar.

Como o sistema que nos destruiu pôde falhar tanto em proteger um inocente? Que verdade se escondia por trás de tanta maldade? Essa injustiça me sufocava.

Eu escolhi a advocacia, a mesma lei que nos traiu, como minha arma. Eu me tornaria a justiça que Mendes tanto temia, custasse o que custasse.

Capítulo 1

A tela do meu notebook iluminava meu rosto no escritório escuro, as pilhas de processos judiciais ao meu redor pareciam montanhas que eu nunca conseguiria escalar. Meu nome é Ana Clara, sou advogada de direitos humanos. De dia, eu luto por estranhos. De noite, luto pela minha própria família, ou pelo que restou dela.

O nome no topo do arquivo que eu lia pela centésima vez era o do meu pai. Um arquiteto brilhante. Um homem bom. Um homem morto. A palavra oficial era suicídio. Para mim, era assassinato.

A tragédia começou há quinze anos. Meu pai ganhou a licitação para um grande projeto público, a construção de uma nova biblioteca central. Ele estava radiante, era o projeto da vida dele. Mas a alegria durou pouco. Acusações de fraude e desvio de verbas surgiram na mídia. As evidências eram forjadas, plantadas com uma precisão cirúrgica. O arquiteto por trás de tudo era um magnata imobiliário, o Sr. Mendes, um homem cujo império foi construído sobre as ruínas dos sonhos de outros. Meu pai era apenas mais um degrau em sua subida.

Ele foi preso. Lembro-me da última vez que o vi, através de um vidro grosso na sala de visitas da prisão. Seus olhos, antes cheios de vida e projetos, estavam vazios. Ele me disse para cuidar da minha mãe e do meu irmão. Uma semana depois, ele se enforcou na cela.

A queda foi rápida e brutal. Minha mãe, Maria, uma chef de mão cheia, perdeu nosso restaurante. As dívidas e o escândalo consumiram tudo. Sem renda, sem reputação, ela foi considerada incapaz de cuidar de nós. Um juiz, com um martelo e uma assinatura, desfez nossa família. Eu tinha doze anos, e meu irmão mais novo, Lucas, tinha apenas sete. Fomos levados por assistentes sociais.

"Vocês vão para lares diferentes, é temporário."

A mulher disse isso com uma calma assustadora. Eu agarrei a mão de Lucas com força. Ele chorava em silêncio, o rosto enterrado no meu casaco. Foi a última vez que senti o calor da sua mão pequena na minha por muitos anos. Nos separaram ali mesmo, no corredor frio de um prédio do governo. Eu fui para um lar, ele para outro. O "temporário" durou uma década.

Agora, eu estava aqui. Uma advogada. A ironia não me escapava. Eu escolhi a lei, o mesmo sistema que destruiu minha família, como minha arma. Eu acreditava, ou queria acreditar, que poderia consertar a injustiça por dentro. Meu objetivo era um só: limpar o nome do meu pai e fazer Mendes pagar.

Meu celular vibrou sobre a mesa, afastando-me das memórias dolorosas. Era uma mensagem de um número desconhecido.

"Consegui uma coisa. Servidores da Mendes Corp. O firewall deles é uma piada."

Não havia assinatura, mas eu sabia exatamente quem era. Lucas.

Meu irmão. Nós nos reencontramos há dois anos. Ele não era mais o menino assustado que eu lembrava. Os anos em um lar adotivo abusivo o transformaram. Ele era alto, magro, com olhos que pareciam ter visto coisas demais. E ele era um gênio. Um hacker autodidata, capaz de entrar e sair de sistemas digitais como um fantasma.

Mas havia uma escuridão nele, uma raiva que ardia em fogo baixo. Ele não compartilhava da minha fé na justiça legal. Para ele, o sistema era o inimigo. A justiça, para Lucas, era algo que se tomava com as próprias mãos, fora da lei.

Eu disquei o número. Ele atendeu no primeiro toque.

"Ana?"

Sua voz era grave, sempre um pouco desconfiada.

"Lucas, o que você fez?"

"O que você não tem coragem de fazer. Entrei. Peguei registros financeiros, e-mails, contratos internos. O esquema todo está aqui, Ana. A forma como Mendes subornou os fiscais, como ele criou as faturas falsas em nome do pai."

Meu coração acelerou. Era a prova. A prova que eu procurei por anos.

"Me mande tudo. Agora."

"Não. Isso não vai para um tribunal. Eles vão enterrar isso em burocracia. Vão dizer que a prova foi obtida ilegalmente. Mendes vai sair livre, como sempre."

"Então o que você sugere? Que a gente publique na internet? Lucas, isso é crime! Você seria preso."

"E daí? O pai morreu na prisão sendo inocente. Eu ir para a cadeia por ser culpado de expor o assassino dele me parece uma troca justa."

"Não! Eu não vou perder você também!"

O silêncio do outro lado da linha era pesado. Eu podia senti-lo lutando contra seus próprios demônios.

"Ana, eu te amo. Mas você precisa entender. Existem monstros que a lei não alcança. Para esses, você precisa se tornar um monstro maior."

Ele desligou.

Fiquei olhando para o telefone, o silêncio do meu escritório de repente ensurdecedor. O abismo entre mim e meu irmão era claro. Ambos queríamos justiça, mas nossos caminhos se dividiam em luz e sombra. E eu tinha um medo terrível de que, no final, a escuridão de Lucas nos engolisse a todos.

Capítulo 2

Dois dias depois, um envelope pardo apareceu debaixo da porta do meu apartamento. Sem remetente, sem selo. Dentro, um pen drive. O aviso de Lucas era claro: "Use com sabedoria. Ou não use. A escolha é sua."

Passei a noite inteira analisando os arquivos. Era exatamente como ele disse. Tudo estava lá. E-mails codificados, planilhas de pagamentos secretos, registros de transferências para contas em paraísos fiscais, tudo ligado diretamente ao Sr. Mendes e ao projeto da biblioteca. Lucas não tinha apenas arranhado a superfície; ele tinha dinamitado a fortaleza digital de Mendes e saído com as joias da coroa.

A prova era irrefutável, mas Lucas estava certo. Sua origem era ilegal. Nenhum juiz em sã consciência aceitaria isso em um tribunal. Apresentar isso publicamente me colocaria em risco profissional e colocaria Lucas na mira da polícia federal.

Eu precisava de uma estratégia diferente. Eu não podia usar a fruta da árvore envenenada, mas talvez pudesse usar o conhecimento dela para encontrar a árvore original.

Passei as semanas seguintes trabalhando incansavelmente, usando os dados de Lucas não como prova, mas como um mapa. O mapa me levou a um nome: Arthur Pires, o contador-chefe da Mendes Corp na época da fraude. De acordo com os registros, ele se aposentou subitamente logo após o escândalo e se mudou para uma cidade pequena no interior.

Encontrei Arthur vivendo em uma casa modesta, cuidando de um jardim de rosas. Ele era um homem velho, curvado pelo peso dos anos e, eu suspeitava, da culpa.

Quando me apresentei como advogada e mencionei o nome do meu pai, o rosto dele ficou pálido.

"Eu não sei de nada", ele disse, a voz trêmula, recusando-se a abrir o portão.

"Sr. Pires, meu pai era um homem inocente. Ele se matou em uma cela de prisão por um crime que não cometeu. Eu tenho provas de que o Sr. Mendes orquestrou tudo, e que você foi cúmplice."

Eu estava blefando, claro. Eu não podia admitir a origem das minhas informações.

"Você não tem nada", ele cuspiu, mas seus olhos o traíram. Havia pânico neles. "Vá embora ou eu chamo a polícia."

"Você pode chamar. Mas saiba que eu não vou desistir. Mendes destruiu minha família. Você acha que eu tenho medo de um processo por perturbação? Eu vou voltar aqui todos os dias. Vou conversar com seus vizinhos. Vou perguntar a eles se eles sabem que o simpático velhinho que cuida de rosas ajudou a colocar um homem inocente na cova."

Ele me encarou, o rosto uma máscara de conflito. Eu mantive meu olhar firme. Eu não era mais a menina de doze anos que chorava em um corredor do governo. Eu era uma mulher com uma missão.

Voltei no dia seguinte. E no outro. Na quarta visita, o portão estava aberto. Arthur estava sentado na varanda, uma xícara de café intocada na mesa ao seu lado.

"O que você quer de mim?", ele perguntou, derrotado.

"A verdade. Um depoimento oficial. Conte tudo o que sabe."

Ele riu, um som seco e sem alegria. "Você é jovem. Você não entende. Mendes não é um homem, é uma instituição. Se eu falar, não serei o único a morrer. Tenho filhos, netos. Ele sabe onde eles moram."

"Eu posso te colocar em um programa de proteção a testemunhas. Eu vou te proteger."

"Ninguém pode me proteger de Mendes", ele disse, olhando para o nada. "Ele me pagou para ficar calado. Uma aposentadoria generosa. Mas o preço real foi minha alma. Eu vivo com isso todos os dias. Vejo o rosto do seu pai nos meus pesadelos."

Lágrimas brotaram em seus olhos. E pela primeira vez, eu não vi um cúmplice, mas outra vítima.

"Então me ajude a acabar com isso", eu disse, minha voz mais suave. "Ajude a dar paz ao meu pai. E a você mesmo."

Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Finalmente, ele assentiu lentamente. "Existe uma cópia física dos livros contábeis. Os originais. Mendes me fez criar um conjunto falso para a auditoria. Mas eu guardei os verdadeiros. Um seguro de vida, eu pensava. Eles estão em um cofre, em um banco na cidade."

Meu coração batia forte contra minhas costelas. Era isso. A prova limpa. A arma que eu precisava.

No dia seguinte, com uma ordem judicial que consegui com muito custo, um oficial de justiça e eu acompanhamos Arthur ao banco. O gerente nos levou à sala dos cofres. Arthur, com as mãos trêmulas, inseriu sua chave.

O cofre estava vazio.

Arthur caiu de joelhos, um gemido de puro desespero escapando de seus lábios. "Não... não pode ser."

O gerente do banco parecia nervoso. "Houve um acesso a este cofre ontem à noite, senhora. Pelo proprietário secundário da conta."

"Proprietário secundário?", perguntei, sentindo um frio na espinha.

"Sim. Um Sr. Mendes."

Saímos do banco e o celular de Arthur tocou. Ele atendeu, o rosto branco como um fantasma. Eu podia ouvir uma voz fria e calma do outro lado, mesmo à distância. Arthur apenas ouvia, tremendo.

Ele desligou e olhou para mim, o terror absoluto em seu rosto.

"Era ele. Ele disse... ele disse que meus netos têm um belo sorriso. E que seria uma pena se algo acontecesse com eles."

Naquele momento, Arthur Pires se quebrou. "Eu não posso. Me desculpe. Eu não posso ajudar."

Ele se virou e saiu correndo, me deixando sozinha na calçada, o som da cidade ao meu redor desaparecendo. Mendes não estava apenas um passo à minha frente. Ele estava em um universo paralelo de poder e crueldade, e eu era apenas uma formiga tentando mover uma montanha.

Voltei para casa derrotada. Liguei para Lucas.

"Ele sabe. Mendes sabe que eu estou perto."

"Eu te avisei, Ana. Você brinca com as regras dele, no tabuleiro dele. Ele sempre vai vencer."

"O que eu faço, Lucas?"

"Agora? Agora você me deixa jogar o meu jogo."

Antes que eu pudesse responder, ele desligou. Senti um calafrio percorrer meu corpo. O jogo de Lucas não tinha regras. E eu temia que o preço para vencer fosse mais alto do que qualquer um de nós poderia pagar.

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