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Corações Unidos Pela Vingança

Corações Unidos Pela Vingança

Autor:: Elara
Gênero: Horror
O cheiro de antisséptico ainda grudava na minha garganta, um lembrete constante do que aconteceu com Bia. Minha irmã gêmea estava na cama do hospital, pálida, com os pulsos enfaixados, vítima do bullying implacável que ninguém fez questão de parar. Mas a situação escalou quando Carol, a líder da seita de agressores, entrou no quarto com os pais, desdenhando da dor alheia e culpando Bia por ser "sensível demais". O diretor da escola e a Professora Lúcia, cúmplices em sua negligência, negaram qualquer responsabilidade, alegando falta de "provas concretas", enquanto a mãe de Carol sorria vitoriosa, declarando que minha irmã só queria chamar atenção. Naquela noite, algo dentro de mim se quebrou e, ao mesmo tempo, se fortaleceu. O sistema falhou com a gente, mas eu não falharia com a Bia. Cortei meu cabelo, me transformando em um reflexo idêntico dela, e naquele momento, a Ana se foi, e Bia, ou melhor, a nova "Bia" renasceu para a guerra. Eu iria para a escola, não para aprender, mas para caçar. Eles não sabiam com quem estavam se metendo. Eles não sabiam que a escuridão da nossa família, que meus pais sempre acharam que a bondade de Bia controlaria, estava faminta. Eles iriam se arrepender de terem nascido.

Introdução

O cheiro de antisséptico ainda grudava na minha garganta, um lembrete constante do que aconteceu com Bia.

Minha irmã gêmea estava na cama do hospital, pálida, com os pulsos enfaixados, vítima do bullying implacável que ninguém fez questão de parar.

Mas a situação escalou quando Carol, a líder da seita de agressores, entrou no quarto com os pais, desdenhando da dor alheia e culpando Bia por ser "sensível demais".

O diretor da escola e a Professora Lúcia, cúmplices em sua negligência, negaram qualquer responsabilidade, alegando falta de "provas concretas", enquanto a mãe de Carol sorria vitoriosa, declarando que minha irmã só queria chamar atenção.

Naquela noite, algo dentro de mim se quebrou e, ao mesmo tempo, se fortaleceu.

O sistema falhou com a gente, mas eu não falharia com a Bia.

Cortei meu cabelo, me transformando em um reflexo idêntico dela, e naquele momento, a Ana se foi, e Bia, ou melhor, a nova "Bia" renasceu para a guerra.

Eu iria para a escola, não para aprender, mas para caçar.

Eles não sabiam com quem estavam se metendo.

Eles não sabiam que a escuridão da nossa família, que meus pais sempre acharam que a bondade de Bia controlaria, estava faminta.

Eles iriam se arrepender de terem nascido.

Capítulo 1

O cheiro de antisséptico do hospital grudava na minha garganta, um cheiro que eu passei a associar com o silêncio e o som constante de um monitor cardíaco. Minha irmã gêmea, Bia, estava deitada na cama, pálida como os lençóis que a cobriam. Os pulsos dela estavam enfaixados, um lembrete branco e limpo da escuridão que a levou a tentar acabar com tudo. Ela parecia pequena, frágil, uma boneca de porcelana que alguém havia quebrado de propósito. A culpa era do bullying, uma crueldade diária e implacável na escola que ninguém se importou em parar.

A porta do quarto se abriu sem aviso, e Carol, a líder do grupo que atormentava Bia, entrou com seus pais. A mãe dela usava um vestido caro e um olhar de desprezo, como se o próprio ar do hospital público a ofendesse. O pai permaneceu atrás, uma sombra arrogante.

"Viemos ver como a sua filha está," a mãe de Carol disse para a minha mãe, mas a voz dela não tinha um pingo de simpatia, era apenas uma formalidade irritante.

Minha mãe, que estava sentada ao meu lado, se levantou. Seu rosto estava cansado, mas seus olhos eram duros.

"Sua filha colocou a minha aqui," ela respondeu, a voz baixa e controlada.

A mãe de Carol riu, um som feio e forçado.

"Ah, por favor. Crianças são crianças. Elas brigam. A sua filha que é sensível demais. Talvez ela precise de ajuda profissional."

Carol, que até então estava quieta, olhou para a cama onde Bia dormia sob o efeito dos sedativos e soltou uma risadinha.

"Ela parece patética," Carol sussurrou para sua amiga Laura, que esperava no corredor. "Parece que nem pra se matar ela serve direito."

Aquelas palavras flutuaram pelo ar e pousaram em mim. O som do monitor cardíaco pareceu ficar mais alto, um bipe furioso acompanhando a batida do meu próprio coração. Minha mão se fechou em um punho.

A professora de Bia, Lúcia, e o diretor da escola também estavam lá, convocados para uma reunião de emergência. O diretor, um homem flácido com um terno mal ajustado, suava e olhava para todos os lados, exceto para nós.

"Nós sentimos muito pelo ocorrido," ele começou, a voz sem convicção, "mas a escola não pode se responsabilizar por desentendimentos pessoais entre os alunos. Não temos provas concretas de 'bullying' , como vocês alegam."

A mãe de Carol sorriu, vitoriosa.

"Exatamente. Minha filha tem notas excelentes e um futuro brilhante. Essa menina," ela apontou para Bia, "provavelmente tem problemas em casa. Está tentando chamar atenção."

Minha mãe ficou em silêncio, mas eu vi a fúria contida em seus olhos, uma fúria que eu conhecia muito bem. Era uma raiva fria, paciente. Meu pai, que estava encostado na parede, não disse uma palavra, mas seu olhar encontrou o meu, e naquela troca silenciosa, um acordo foi selado. O sistema não faria nada. As regras não se aplicavam a nós. Nós resolveríamos isso do nosso jeito.

Naquela noite, depois que todos foram embora, eu fiquei sozinha com Bia. A luz fraca do quarto iluminava seu rosto pacífico. Fui até o pequeno banheiro do quarto, peguei a tesoura de unha da minha bolsa e parei em frente ao espelho. Meu cabelo era um pouco mais longo que o dela. Sem hesitar, comecei a cortar. Mecha por mecha, meu cabelo caiu na pia, até que a garota no espelho fosse um reflexo exato da minha irmã. A mesma altura, o mesmo rosto, agora o mesmo cabelo.

Amanhã, Bia não iria para a escola.

Eu iria.

Capítulo 2

Eu e Bia éramos como duas faces da mesma moeda, idênticas por fora, mas opostas por dentro. Nossos pais sempre a trataram como a frágil, a que precisava de proteção. Ela era a luz, a inocência. Eu era... diferente. Desde pequena, eu era a que brigava, a que não levava desaforo para casa. Enquanto Bia era ensinada a ser gentil e a evitar conflitos, eu era ensinada a lutar, a sobreviver. Nossos pais nos amavam igualmente, mas nos criaram para papéis diferentes. Eles sabiam da escuridão que existia em mim, uma herança de família, e acreditavam que a bondade de Bia a equilibrava.

Eles estavam errados.

Nossa família não era normal. Vivíamos em uma casa grande e isolada, e meus pais pareciam nunca envelhecer. Havia um segredo em nossa beleza e juventude, um segredo que crescia no jardim dos fundos de casa. Bia sempre foi protegida desse lado da nossa vida, mantida pura e ignorante. Eu, por outro lado, era a guardiã. Eu entendia o que era necessário para manter nossa família segura e próspera.

Peguei o celular de Bia da mesinha de cabeceira. A tela estava trincada, provavelmente da queda. Consegui desbloqueá-lo e comecei a procurar. Eu sabia que encontraria algo. Em uma pasta escondida, havia um vídeo. Meu dedo tremeu um pouco antes de eu apertar o play.

A imagem era tremida, gravada por um celular. Mostrava Bia encurralada no vestiário feminino da escola. Carol, Laura e mais duas garotas a cercavam. Elas a empurravam, riam enquanto Bia pedia para elas pararem. A voz dela era um sussurro assustado. Então, Carol pegou a mochila de Bia, jogou tudo no chão molhado do chuveiro. Livros, cadernos, um pequeno chaveiro de coelho que eu dei a ela. Elas a forçaram a ficar de joelhos e a pedir desculpas por ser "esquisita" . A humilhação no rosto de Bia era total.

O vídeo terminou, mas a imagem da minha irmã de joelhos no chão sujo ficou gravada na minha mente. A raiva que eu senti antes era apenas uma faísca. Agora, era um incêndio. Não havia lágrimas, não havia tristeza. Apenas uma clareza fria e absoluta. Aquele sentimento familiar, a coisa dentro de mim que meus pais achavam que Bia controlava, despertou. E estava com fome.

Voltei para o lado da cama. A respiração de Bia era suave, regular. Em um momento de semi-consciência, ela murmurou algo, os olhos ainda fechados.

"Meu diário..." ela sussurrou, a voz quase inaudível. "Elas... leram pra todo mundo..."

Meu sangue gelou. O diário dela. Eu sabia o quanto aquele pequeno caderno de capa rosa era importante para ela. Era onde ela guardava seus pensamentos mais secretos, seus sonhos, seus medos. A violação era muito mais profunda do que o vídeo mostrava. Era uma invasão da alma dela.

Aproximei-me e segurei sua mão. A pele dela estava fria.

"Bia," eu sussurrei. "Eu prometo. Eu vou fazer cada uma delas pagar. Elas vão se arrepender de terem nascido."

Peguei o uniforme escolar de Bia, que estava dobrado em uma cadeira. O cheiro dela ainda estava no tecido. Vesti-lo pareceu certo. Era como vestir uma armadura. Amanhã, a caçada começaria.

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