O despertador tocou às seis e quarenta da manhã, mas, como sempre, eu já estava parcialmente acordada alguns minutos antes. O sol ainda mal tocava o horizonte, e a luz que entrava pela fresta da cortina dourada do meu quarto iluminava as paredes com tons suaves de âmbar. Suspirei, espreguicei-me e me sentei na cama, observando por alguns segundos o mundo silencioso lá fora.
Eu sou Elisa Carvalho, e posso admitir, gosto da vida do jeito que ela parece ser perfeita de fora, mesmo sabendo que nem tudo é tão simples. Acordar cedo, tomar meu café da manhã, organizar a mochila, checar mensagens cada detalhe da minha rotina me dá a sensação de controle, mesmo que, às vezes, a vida queira me surpreender.
Levantei-me e caminhei até o closet, que mais parecia uma pequena boutique particular. Hoje, queria algo que refletisse meu humor equilibrado: elegante, mas sem esforço exagerado. Escolhi uma blusa branca de seda, de mangas longas levemente bufantes, combinada com uma saia lápis azul-marinho que chegava pouco acima dos joelhos. Nos pés, optei por sapatilhas nude, discretas, mas sofisticadas. Completei o look com alguns acessórios: um colar delicado de ouro com pingente de coração, e um relógio fino de pulseira marrom. Cada detalhe era pensado, porque gosto de sentir que posso controlar ao menos minha própria imagem.
Segui para o banheiro e comecei minha maquiagem, que era sempre natural, mas destacava meus traços favoritos. Comecei com uma base leve, suficiente para uniformizar a pele, seguida de um pó translúcido, para não brilhar demais. Delicadamente, apliquei blush pêssego nas maçãs do rosto, realçando meu tom de pele clara com algumas sardas. Nos olhos, um sombra marrom suave, delineador fino e máscara de cílios para abrir o olhar. Nos lábios, um batom nude levemente rosado, que combinava com minha personalidade discreta, porém confiante.
Enquanto me arrumava, observei meu reflexo no espelho e sorri levemente. Não era apenas vaidade; era consciência de quem eu era, de como queria ser percebida. Eu era linda, sim, mas também determinada e observadora, qualidades que nem todos notavam à primeira vista.
Depois de terminar, desci para a cozinha. Minha mãe ainda não tinha saído para o trabalho, e o silêncio da casa era reconfortante. Preparei meu café com leite, coloquei uma fatia de pão integral na torradeira e, enquanto esperava, olhei pela janela. A cidade começava a acordar devagar: algumas pessoas caminhando para o trabalho, o cheiro do pão fresco vindo da padaria da esquina, os carros passando lentamente. Tudo parecia tão normal... tão previsível.
Ao sentar-me para tomar meu café, comecei a pensar no dia que me esperava. Aula de manhã, estágio no pequeno ateliê de design à tarde, algumas tarefas de casa, e, provavelmente, alguns encontros inesperados - embora eu ainda não soubesse de quem ou de que forma. Mas havia algo na sensação de expectativa, aquela pontinha de curiosidade no peito, que me lembrava que cada dia poderia ser o início de algo diferente, mesmo quando parecia comum.
Depois de me alimentar e arrumar a cozinha, subi novamente para o quarto para pegar minha bolsa. Olhei mais uma vez no espelho, ajeitei uma mecha de cabelo e senti aquela mistura de ansiedade e animação que surge quando você não sabe exatamente o que o dia reserva, mas tem a sensação de que algo vai mudar.
Enquanto caminhava para a porta de saída, meu olhar se perdeu no jardim da frente. As flores estavam frescas da noite, o cheiro de terra molhada ainda pairava no ar. Sorri sozinha, respirando fundo. Pequenos detalhes, pensei, são capazes de transformar qualquer rotina em algo memorável.
E, sem saber ainda, naquele instante, algo estava prestes a acontecer que tornaria qualquer dia comum... absolutamente inesquecível.
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Perfeito! Vamos continuar o Capítulo 1, expandindo mais 900 palavras, mantendo Elisa como narradora, mostrando seu dia, rotina, personalidade e o primeiro vislumbre de Josué, de forma sutil, natural e intrigante.
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Saí de casa com a bolsa pendurada no ombro e a sensação de leveza misturada à expectativa. O caminho até a escola era curto, mas sempre gostava de caminhar devagar, absorvendo cada detalhe da rua: a padaria com o cheiro de pão recém-assado, a senhora que varria a calçada com cuidado, o barulho suave do vento balançando as árvores. Eu adorava essas pequenas coisas - para mim, elas eram como pequenas peças de um quadro que contava a história de cada dia.
Chegando à escola, a rotina começou a se desenrolar como um relógio bem ajustado. Cumprimentei as amigas no portão, sorri para alguns professores e senti aquela familiar mistura de ansiedade e conforto que só os primeiros minutos em um lugar conhecido proporcionam. Sentei-me na minha sala, organizando meu material antes que a aula começasse, e observei os colegas. Alguns falavam animadamente sobre provas, outros ainda pareciam sonolentos. Eu, como sempre, tentava manter a atenção, mas meu pensamento divagava sobre coisas pequenas: um novo tom de sombra que queria testar, a cor que queria para o próximo esboço de pintura, ou apenas o quanto gostava de sentir que tudo estava sob meu controle.
A primeira aula passou rapidamente, entre cadernos e lápis de cor, notas e explicações da professora. Ainda assim, algo em meu coração me dizia que o dia não seria completamente comum. Talvez fosse apenas intuição, mas havia um friozinho de expectativa que eu não conseguia ignorar.
No intervalo, caminhei até o pátio, onde o sol começava a aquecer levemente o espaço, iluminando o concreto e deixando tudo com uma cor dourada. Foi quando o vi pela primeira vez, sem que tivesse qualquer intenção de olhar. Ele estava encostado perto do mural de avisos, conversando com um grupo pequeno de colegas, rindo levemente. Não era apenas sua aparência que chamava atenção - embora fosse impossível não notar os cabelos escuros e os olhos intensos -, mas havia algo em sua postura, na forma como se mantinha, que o fazia parecer diferente de todos os outros.
Não sei dizer exatamente o que senti naquele instante. Foi como se um detalhe no mundo tivesse mudado, imperceptível, quase sutil. E, por algum motivo, meu coração deu um leve salto, sem que eu compreendesse por quê.
Decidi me aproximar da mesa onde minhas amigas conversavam, tentando ignorar o que meu olhar teimava em acompanhar. Mas minha mente continuava a revisitar a imagem dele, analisando cada gesto, cada sorriso que lançava para os amigos. Ele parecia calmo, confiante, mas não arrogante - uma diferença sutil que despertou minha curiosidade imediatamente.
As horas seguintes se passaram entre aulas de desenho, teoria das cores e práticas de design digital. Eu me mantinha concentrada, mas não conseguia apagar a presença dele da minha mente. Cada vez que eu levantava os olhos, de relance, parecia que ele estava ali, ou pelo menos a lembrança de seu rosto permanecia.
Quando o sinal do almoço finalmente tocou, saí da sala apressada, ansiosa por aquele momento de pausa. Decidi comer no jardim da escola, um local que sempre me trouxe tranquilidade. Sentei-me em um banco sob a sombra de uma árvore frondosa, tirando da bolsa meu lanche cuidadosamente preparado. Pão integral, queijo fresco e algumas frutas simples, mas suficiente para me dar energia.
Enquanto mordia uma maçã, senti um movimento próximo. Olhei de relance e percebi que ele se aproximava, sozinho. Meu coração acelerou sem que eu pudesse controlar, mas mantive a postura tranquila. Ele parou a alguns metros, parecendo hesitar por um instante, antes de se sentar em um banco próximo. Não houve palavras imediatas, apenas uma distância respeitosa entre nós, e eu percebi que estava consciente de cada detalhe: a forma como ele ajeitou a mochila, o leve sorriso que surgiu quando percebeu que eu o observava.
Foi um momento estranho e silencioso. Não nos apresentamos, não houve conversa, mas havia algo no ar - uma energia tênue e inesperada que fez meu coração bater mais rápido. Não era amor à primeira vista, certamente, mas uma espécie de reconhecimento, de curiosidade mútua que não podia ser ignorada.
Passei o resto do almoço tentando me concentrar na minha comida, mas minha mente continuava a voltar a ele. Quem era? O que estudava? Por que parecia tão familiar, mesmo sem nunca termos nos falado? São perguntas que eu sabia que provavelmente não teriam resposta imediata, mas que, de alguma forma, me deixavam animada.
Depois do intervalo, tivemos mais uma aula de artes, prática de desenho ao ar livre. Enquanto eu esboçava a paisagem do jardim, ele apareceu novamente, desta vez um pouco mais próximo, apoiando-se no corrimão da escada que dava para o pátio. Eu tentei me concentrar no traço do lápis, mas minha visão o acompanhava discretamente. Ele parecia atento a algo, talvez a um detalhe do ambiente, ou talvez apenas perdido em pensamentos.
Quando finalmente nos encontramos olhando diretamente, senti meu rosto aquecer. Ele desviou o olhar rapidamente, mas não antes de um breve encontro de olhares que me deixou estranhamente elétrica. Era como se a vida tivesse colocado ali, naquele banco, naquele jardim, alguém que mudaria algo, sem que eu soubesse ainda o quê.
O restante da tarde passou entre trabalhos de design, pequenas conversas com colegas e a constante sensação de que meu dia tinha mudado. Cada som parecia mais claro, cada detalhe mais intenso. Eu sabia que não se tratava de uma paixão instantânea - era algo mais sutil, como uma faísca acesa pela curiosidade e pela energia que ele transmitia sem perceber.
Ao voltar para casa, o sol já começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. Caminhei lentamente, refletindo sobre o dia. Algo me dizia que aquele jovem, Josué Martins, não era apenas mais um estudante da escola. Havia algo nele que despertava minha atenção de maneira que eu não conseguia explicar, algo que não tinha relação apenas com sua aparência ou presença.
Chegando em casa, respirei fundo e senti uma mistura de cansaço e excitação. A rotina havia sido normal, mas havia acontecido algo diferente. Um encontro silencioso, um olhar compartilhado, um instante que parecia simples, mas que carregava consigo uma estranha promessa.
Enquanto me preparava para jantar, ainda refletindo sobre os acontecimentos do dia, percebi que uma nova curiosidade havia surgido em mim. Quem era realmente Josué? Por que parecia tão familiar e, ao mesmo tempo, tão distante?
Deitei-me mais tarde naquela noite, o corpo cansado, mas a mente inquieta.
A manhã começou como qualquer outra.
O despertador tocou às seis e meia, e eu levei alguns segundos para perceber onde estava. A luz suave do sol já atravessava as cortinas do meu quarto, desenhando linhas douradas no chão de madeira.
Suspirei, alongando os braços acima da cabeça antes de finalmente me levantar.
Meu quarto ainda estava silencioso, e aquela tranquilidade sempre me ajudava a organizar os pensamentos antes de começar o dia. Caminhei até a janela e a abri um pouco. O ar fresco entrou imediatamente, trazendo consigo o cheiro leve das flores do jardim.
Sorri.
Gostava de manhãs assim.
Depois de alguns minutos, fui até o closet. Escolher a roupa era quase um pequeno ritual diário para mim. Não porque eu quisesse impressionar alguém, mas porque me fazia sentir bem começar o dia sabendo que estava confortável e confiante.
Passei os olhos pelas peças organizadas e escolhi uma blusa de tecido leve na cor lavanda, com mangas três quartos e pequenos botões delicados na frente. Combinei com uma saia midi branca plissada, que se movia suavemente quando eu caminhava.
Nos pés, optei por sapatos baixos cor creme, elegantes e discretos.
Soltei o cabelo, escovando lentamente os fios castanhos até que ficassem macios e alinhados. Depois deixei-os soltos, caindo naturalmente sobre os ombros.
No banheiro, comecei minha maquiagem.
Primeiro uma base leve, apenas para uniformizar a pele. Depois um pouco de corretivo, pó translúcido e um blush rosado suave que dava um aspecto saudável ao rosto.
Nos olhos, usei sombra em tons neutros, delineador fino e algumas camadas de máscara de cílios.
Finalize com um batom rosado suave, quase da cor natural dos meus lábios.
Observei o resultado no espelho.
Simples, elegante e natural.
Perfeito.
Peguei minha bolsa, coloquei dentro meu caderno de desenho, celular, carteira e desci para a cozinha.
Minha mãe já estava lá.
- Bom dia, querida - ela disse enquanto colocava café em uma xícara.
- Bom dia.
Sentei-me à mesa enquanto ela colocava algumas torradas e frutas.
- Tem muitas aulas hoje? - ela perguntou.
- Algumas. E depois tenho que terminar um projeto de design.
Ela assentiu.
- Não se esqueça de descansar também.
Sorri levemente.
- Vou tentar.
Terminamos o café conversando sobre coisas simples: compromissos da semana, um evento que aconteceria na cidade no próximo mês, e algumas notícias que ela tinha visto pela manhã.
Nada extraordinário.
Mas eu gostava desses momentos tranquilos antes de sair.
Depois de me despedir, peguei minha bolsa e saí de casa.
O caminho até a universidade estava agradável. Algumas pessoas caminhavam pelas calçadas, lojas começavam a abrir, e o movimento de carros aumentava aos poucos.
Quando cheguei ao campus, a movimentação já era grande.
Estudantes atravessavam os jardins, conversando animadamente ou caminhando apressados para não se atrasarem.
Entrei no prédio de artes e fui direto para minha primeira aula.
A manhã passou entre explicações da professora, exercícios de composição visual e algumas conversas com colegas sobre trabalhos futuros.
Durante o intervalo, sentei-me com minhas amigas no pátio.
Marina estava contando uma história exageradamente dramática sobre um professor da semana anterior, fazendo todos rirem.
- Ele olhou para o meu desenho e disse: "interessante".
- Isso não é ruim - eu disse.
- Elisa, quando um professor de arte diz "interessante", significa que ele não entendeu nada.
Rimos novamente.
Depois do intervalo tivemos mais uma aula, dessa vez prática.
Eu estava concentrada no meu caderno de esboços quando o professor passou observando os trabalhos.
- Muito bom, Elisa - ele comentou. - Você tem um bom senso de composição.
- Obrigada.
Esses pequenos elogios sempre me deixavam satisfeita.
Quando a aula terminou, caminhei com Marina até o café da universidade.
O lugar estava movimentado, como sempre.
Pegamos café e nos sentamos perto da janela.
Enquanto conversávamos sobre um trabalho em grupo que precisaríamos entregar na semana seguinte, Marina parou de falar de repente.
- Ei.
- O que foi?
Ela inclinou discretamente a cabeça.
- Você viu quem está ali?
Segui a direção do olhar dela.
Do outro lado do café, um grupo de estudantes conversava perto do balcão.
Entre eles estava o rapaz que eu tinha visto no jardim no dia anterior.
Reconheci imediatamente.
Ele parecia exatamente como lembrava: postura tranquila, expressão serena, rindo de algo que um dos amigos dizia.
- Acho que já vi ele - murmurei.
Marina olhou para mim surpresa.
- Só "acho"?
- Vi ele ontem no jardim.
Ela arregalou levemente os olhos.
- E você não sabe quem ele é?
- Não.
Marina apoiou os cotovelos na mesa.
- Aquele ali é Josué Martins.
Por um momento, apenas repeti mentalmente o nome.
Josué Martins.
Franzi levemente a testa.
- Martins...?
Marina assentiu.
- Da família Martins.
O sobrenome era impossível de ignorar.
Eu já tinha ouvido aquele nome muitas vezes antes.
Principalmente em conversas mais sérias dentro de casa.
Não era exatamente um segredo que havia uma rivalidade antiga entre a família Carvalho e os Martins.
Mas, sinceramente, aquilo nunca tinha sido algo que ocupasse muito espaço na minha mente.
Era mais uma dessas histórias antigas que adultos mencionam ocasionalmente.
Mesmo assim, ouvir aquele sobrenome me fez olhar novamente para ele.
Josué parecia completamente alheio àquela informação.
Ele conversava com os amigos de forma relaxada, sem qualquer sinal de arrogância ou importância exagerada.
Parecia apenas mais um estudante comum.
- Você já falou com ele? - Marina perguntou.
- Não.
- Dizem que ele é bem inteligente.
- Dizem?
- Administração. Um dos melhores alunos do curso.
Voltei a tomar meu café.
- Interessante.
Marina sorriu de lado.
- Só isso?
Dei de ombros.
- O que você quer que eu diga?
Ela riu.
- Nada.
Continuamos conversando sobre outros assuntos: aulas, projetos, planos para o fim de semana.
Em algum momento, o grupo de Josué saiu do café.
Eu nem percebi exatamente quando.
A tarde continuou normalmente.
Tive mais uma aula prática e depois passei algum tempo na biblioteca pesquisando referências para um projeto.
Quando finalmente deixei o prédio da universidade, o sol já começava a se inclinar no céu.
O campus estava mais silencioso.
Caminhei pelos jardins em direção à saída.
Foi então que vi uma figura familiar mais à frente.
Josué.
Ele caminhava pelo mesmo caminho, alguns metros adiante.
Não parecia ter notado minha presença.
Seguia olhando o celular enquanto caminhava.
Não havia nada de especial naquele momento.
Apenas duas pessoas atravessando o mesmo espaço ao mesmo tempo.
Quando ele guardou o celular e levantou o olhar, nossos olhos se encontraram por um instante.
Ele pareceu reconhecer meu rosto.
Talvez do café.
Talvez do jardim.
Seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso educado.
Aquele tipo de sorriso que se dá a alguém que já se viu antes, mas ainda não conhece de verdade.
Retribuí com um gesto de cabeça.
E continuamos caminhando em direções opostas.
Sem palavras.
Sem apresentações.
Apenas um breve cruzar de caminhos.
Quando saí da universidade alguns minutos depois, pensei rapidamente no que Marina tinha dito.
Josué Martins.
Agora eu sabia quem ele era.
Mas, no fim das contas, aquilo não mudava muita coisa.
Ele continuava sendo apenas mais um estudante da universidade.
E minha vida continuava cheia de aulas, projetos, planos e pequenas rotinas que eu gostava de seguir.
Ainda assim, havia algo curioso naquela coincidência.
Aquela não tinha sido a primeira vez que nossos caminhos se cruzaram.
Acordei alguns minutos antes do despertador tocar.
Fiquei deitada olhando para o teto por um instante, ainda meio perdida entre o sono e a consciência. O quarto estava silencioso, e a luz suave da manhã já começava a atravessar as cortinas.
Estiquei o braço, desliguei o despertador antes mesmo que ele tocasse e me sentei na cama.
Respirei fundo.
Gostava daquele momento calmo do início do dia, quando tudo ainda parecia tranquilo e organizado. Antes das aulas, dos trabalhos, das conversas e do movimento constante da universidade.
Levantei-me e caminhei até o closet.
Passei os olhos pelas roupas até escolher algo confortável, mas que ainda mantivesse meu estilo.
Peguei uma blusa de malha fina na cor verde-oliva, com mangas longas ajustadas, e combinei com uma calça jeans clara de cintura alta. Para completar, escolhi uma jaqueta leve bege, já que as manhãs ainda estavam um pouco frescas.
Nos pés, coloquei tênis brancos simples, perfeitos para caminhar pelo campus.
Depois segui para o banheiro.
Escovei o cabelo castanho até que ficasse alinhado e macio, deixando-o solto sobre os ombros.
Minha maquiagem, como sempre, foi natural. Apliquei uma base leve, um pouco de corretivo, blush suave, e nos olhos apenas uma sombra marrom clara, delineador discreto e máscara de cílios.
Por fim, um batom rosado hidratante.
Observei o resultado no espelho.
Simples.
Do jeito que eu gostava.
Desci para a cozinha e encontrei minha mãe terminando de preparar café.
- Bom dia, Elisa - ela disse.
- Bom dia.
Sentei-me à mesa enquanto ela colocava uma xícara de café na minha frente.
- Dormiu bem?
- Sim.
Peguei uma fatia de pão e passei um pouco de manteiga enquanto ela comentava sobre algumas tarefas do trabalho que teria naquele dia.
Conversamos por alguns minutos, depois terminei de comer e peguei minha bolsa.
- Até mais tarde - disse.
- Tenha um bom dia.
Saí de casa sentindo o ar fresco da manhã.
O caminho até a universidade já me era tão familiar que eu poderia percorrê-lo quase sem pensar. As mesmas árvores ao longo da rua, a padaria na esquina com o cheiro de pão quente, algumas pessoas caminhando apressadas.
Quando cheguei ao campus, o movimento já estava intenso.
Estudantes conversavam perto das entradas dos prédios, alguns sentados na grama dos jardins, outros caminhando com pressa.
Entrei no prédio de artes e segui para a primeira aula.
Durante as duas horas seguintes, ficamos concentrados em um exercício de composição visual. O professor pediu que criássemos um pequeno projeto usando formas geométricas e cores contrastantes.
Eu estava tão concentrada no trabalho que quase não percebi o tempo passar.
Quando o intervalo chegou, senti aquele leve cansaço nos ombros que sempre aparece depois de ficar muito tempo desenhando.
Encontrei Marina no corredor.
- Café? - ela perguntou.
- Sempre.
Descemos até o café da universidade, que estava ainda mais cheio do que nos dias anteriores.
Pegamos nossos pedidos e procuramos uma mesa livre.
- Você terminou o esboço do projeto? - Marina perguntou.
- Quase. Falta ajustar algumas cores.
Ela fez uma careta.
- Eu ainda estou completamente perdida.
- Não está tão ruim assim.
- Elisa, meu trabalho parece um quebra-cabeça quebrado.
Ri.
- Talvez seja arte moderna.
- Engraçadinha.
Continuamos conversando enquanto tomávamos café.
O assunto mudou várias vezes: aulas, filmes que queríamos assistir, um evento de arte que aconteceria na cidade no fim do mês.
Depois de algum tempo, Marina se levantou.
- Vou buscar um guardanapo.
Assenti, olhando rapidamente algumas mensagens no celular.
Quando levantei os olhos novamente, percebi movimento perto da mesa ao lado.
Era Josué.
Ele estava passando entre as mesas, segurando um copo de café.
Por um momento pareceu procurar um lugar para sentar.
Seus olhos passaram rapidamente pelo espaço até encontrarem uma cadeira vazia na mesa ao lado da nossa.
Ele se sentou ali, colocando a mochila no chão.
Não parecia ter percebido que eu estava ali.
Voltei a olhar para o celular.
Alguns segundos depois, Marina voltou e se sentou novamente.
Continuamos conversando normalmente.
De vez em quando eu percebia o som da voz dele conversando com alguém ao telefone. A voz era calma, baixa, e ele parecia falar de algo relacionado a um trabalho ou estudo.
Não prestei muita atenção.
Depois de alguns minutos, ele terminou a ligação, guardou o celular e ficou olhando o movimento do café enquanto bebia seu café.
Em determinado momento, ele levantou o olhar e me viu.
Reconheci a expressão breve de reconhecimento em seu rosto.
Aquele mesmo tipo de reação que acontece quando você vê alguém mais de uma vez no mesmo lugar.
Ele sorriu levemente.
- Oi - disse, de forma simples.
A surpresa me pegou desprevenida por um segundo, mas respondi com naturalidade.
- Oi.
Marina observou a pequena troca de cumprimentos com curiosidade evidente.
Josué voltou a beber seu café, como se aquilo tivesse sido apenas um gesto educado.
E, de certa forma, era.
Depois de algum tempo, ele terminou o café, pegou a mochila e se levantou.
Antes de sair, fez um pequeno gesto de cabeça em despedida.
- Até mais.
- Até - respondi.
Quando ele saiu do café, Marina imediatamente se inclinou sobre a mesa.
- Você disse que nunca tinha falado com ele.
- E nunca tinha mesmo.
- Mas agora falou.
- Foi só um "oi".
Ela sorriu.
- Ainda assim.
Dei de ombros, pegando minha xícara.
- Ele só foi educado.
Marina riu.
- Claro.
Terminamos o café e voltamos para nossas aulas.
O resto da tarde passou entre projetos, explicações do professor e algumas risadas com colegas.
Quando finalmente deixei o prédio no fim do dia, o campus estava mais silencioso.
Alguns estudantes ainda caminhavam pelos jardins, outros conversavam perto da saída.
Caminhei até o portão principal com a bolsa no ombro, pensando no trabalho que ainda precisava terminar em casa.
O céu começava a ganhar tons alaranjados enquanto o sol descia lentamente.
Respirei fundo o ar fresco da tarde antes de seguir meu caminho para casa.
***
Continuei caminhando pela calçada que levava para fora do campus, sentindo o peso leve da bolsa no ombro. O ar da tarde estava agradável, e uma brisa suave balançava as folhas das árvores que cercavam a entrada da universidade. Eu gostava daquele momento do dia quando as aulas acabavam e a mente começava a se libertar lentamente das preocupações acadêmicas.
Alguns estudantes ainda conversavam perto do portão principal, enquanto outros chamavam carros por aplicativo ou esperavam ônibus. Passei por dois colegas da minha turma que discutiam animadamente sobre um projeto de fotografia. Acenei para eles em cumprimento e continuei andando.
O caminho até em casa não era muito longo, e muitas vezes eu aproveitava para organizar mentalmente tudo o que precisava fazer. Hoje não seria diferente.
Primeiro, terminar o esboço do projeto de design.
Depois, talvez revisar algumas referências que o professor tinha indicado.
E, se ainda tivesse energia, começar a trabalhar em uma ideia que vinha surgindo lentamente na minha mente para um desenho novo.
Enquanto pensava nisso, atravessei a rua perto da padaria da esquina. O cheiro de pão fresco estava ainda mais forte naquele horário, e por um momento considerei entrar para comprar algo doce.
Acabei cedendo à tentação.
Empurrei a porta de vidro e o pequeno sino preso acima dela tilintou suavemente.
O lugar estava relativamente tranquilo. Uma senhora escolhia alguns pães no balcão, enquanto o atendente organizava bandejas recém-saídas do forno.
- Boa tarde - ele disse com um sorriso educado.
- Boa tarde.
Aproximei-me da vitrine e observei as opções. Bolos simples, croissants, pequenos doces polvilhados com açúcar.
Escolhi um pequeno folhado de creme e paguei antes de sair novamente para a rua.
Enquanto caminhava, dei uma pequena mordida no doce ainda quente.
Sorri sozinha.
Pequenos prazeres.
O resto do caminho até em casa foi tranquilo. Quando finalmente abri o portão, o jardim estava silencioso e iluminado pela luz suave do final da tarde.
Entrei em casa e deixei a bolsa sobre o sofá antes de ir até a cozinha pegar um copo de água.
Minha mãe ainda não tinha chegado do trabalho, então a casa estava silenciosa.
Depois de beber água, subi para o meu quarto.
Coloquei a bolsa sobre a cadeira e tirei os sapatos antes de me sentar na escrivaninha.
Abri o caderno de esboços e observei o trabalho que tinha começado na aula.
Algumas linhas ainda precisavam ser ajustadas, e eu queria experimentar uma combinação diferente de cores.
Peguei um lápis e comecei a trabalhar.
O tempo passou quase sem que eu percebesse.
Desenhar sempre teve esse efeito em mim. Quando estava concentrada, o mundo ao redor parecia diminuir de volume, como se tudo se tornasse secundário.
Algum tempo depois ouvi a porta da frente se abrir.
- Elisa? - a voz da minha mãe chamou.
- Estou no quarto!
Ela apareceu alguns minutos depois na porta.
- Como foi o dia?
- Normal.
Mostrei rapidamente o esboço que estava fazendo.
- Está bonito - ela comentou.
- Ainda falta muita coisa.
- Mesmo assim.
Ela sorriu antes de sair para se trocar.
Continuei trabalhando no desenho por mais um tempo até que a luz natural do quarto começou a desaparecer.
Acendi o abajur da mesa e observei o resultado.
Ainda havia ajustes a fazer, mas eu estava satisfeita com o progresso.
Fechei o caderno e me levantei para alongar um pouco os braços.
Meu celular estava sobre a cama.
Peguei-o e vi algumas mensagens no grupo da turma.
Alguns colegas discutiam detalhes de um trabalho coletivo que precisaríamos apresentar na próxima semana.
Respondi rapidamente algumas perguntas e deixei o celular de lado.
Depois fui tomar um banho.
A água morna ajudou a aliviar a tensão leve nos ombros que sempre aparecia depois de um dia cheio de aulas e desenho.
Quando saí do banho, vesti um conjunto confortável de moletom cinza claro e desci para jantar.
Minha mãe já estava terminando de preparar a comida.
- Parece que alguém trabalhou bastante hoje - ela comentou ao ver meus cabelos ainda úmidos.
- Um pouco.
Sentamos à mesa e começamos a comer enquanto conversávamos sobre o dia.
Ela contou algumas situações do trabalho, e eu mencionei brevemente os projetos da universidade.
Nada extraordinário.
Mas aquelas conversas simples sempre me faziam sentir relaxada.
Depois do jantar, ajudei a arrumar a cozinha e voltei para o quarto.
A noite já tinha se instalado completamente lá fora.
Abri a janela por alguns minutos para deixar o ar fresco entrar e me sentei na cama com um livro que estava lendo há alguns dias.
Li alguns capítulos antes de sentir o cansaço começar a pesar nos olhos.
Fechei o livro, desliguei a luz principal do quarto e deixei apenas o abajur aceso por alguns instantes.
O dia tinha sido cheio, mas tranquilo.
Nada fora do comum.
Coloquei o celular no criado-mudo, apaguei o abajur e me deitei.
O quarto ficou mergulhado na penumbra silenciosa da noite.
Fechei os olhos lentamente, deixando o cansaço do dia finalmente me levar para o sono.