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Coração amaldiçoado

Coração amaldiçoado

Autor:: Evvy
Gênero: Lobisomem
Alaric é o alfa mais temido de Valtheria. Séculos atrás, ele desafiou a deusa errada e foi condenado a viver sem coração, literalmente. Agora, preso a uma maldição que o impede de amar e de ter herdeiros, ele tem um último prazo: encontrar sua companheira destinada... ou enlouquecer para sempre. Eulália só queria comemorar seus dezoito anos no pacato vilarejo de Sunlake. Em vez disso, vê a festa ser invadida por lobos gigantes, um Lycan monstruoso surgir da floresta e, diante de todos, ser reclamada como companheira do alfa cruel que domina as terras ao redor. Levada à força para a fortaleza dos Lobos Sangrentos, ela descobre um mundo de deuses antigos, lobas ciumentas, segredos de sangue, e um homem quebrado, capaz de presentes impossíveis, mas também de destruir qualquer um que a ame. Entre tentativas de fuga, beijos que não deveriam acontecer e a guerra silenciosa entre destino e escolha, Eulália se vê presa em um jogo divino: ou ela encontra o coração perdido de Alaric... ou será obrigada a decidir quem merece viver com ele. Um romance de lobisomens, maldição e redenção para quem ama alfas perigosos, humanas teimosas e amores que literalmente custam um coração.

Capítulo 1 Prólogo

A noite já havia caído com toda a sua escuridão quando Alaric surgiu das sombras, uma figura imponente e cruel. Jovem, de cabelos negros como o breu e olhos tão profundos quanto a noite sem estrelas, ele caminhava nu sobre a terra fria, seu corpo forte reluzindo sob a luz prateada da lua. Cada passo seu era marcado por uma fúria silenciosa, enquanto se aproximava do último reduto das bruxas que ousaram desafiar sua sede de poder.

O lugar que outrora fora uma vila delicada e bonita agora era um cenário de terror e sangue. Em meio à penumbra, os corpos das bruxas jaziam espalhados, formando uma macabra e silenciosa oferenda à violência que ali se consumara. Alaric não tinha remorso nem piedade; não sentia pena ou compaixão, a única coisa que seu peito conseguia processar era o prazer de matar.

"Agora a última!" rugiu Alaric, sua voz rouca e implacável rasgando o silêncio da noite.

Alaric caminhou em direção à bruxa mais jovem, a ultima que havia restado do grupo de mulheres que viviam naquela região. Seus olhos, estreitos e assustados, mal conseguiam fixar o olhar no alfa, enquanto suas mãos trêmulas tentavam, em vão, afastar o destino que se aproximava.

Sem hesitar, Alaric agarrou-a com força e, num único movimento violento, rasgou seu pescoço com as garras afiadas, fazendo jorrar um sangue escarlate que manchou sua pele e se espalhou pela terra já marcada pela carnificina.

O grito da garota foi como musica para os ouvidos dele, enquanto seu corpo caía pesadamente sobre a pilha de corpos sem vida de suas irmãs. Os olhos do alfa, banhados por um prazer que fazia o sangue em suas veias pulsar, deslizaram pelo cenário de destruição. Ele se permitia um instante de satisfação, inalando profundamente o cheiro metálico do sangue, que se misturava ao odor terroso do campo encharcado.

"É isso o que ganham por tentarem se opor a mim!", murmurou, enquanto se preparava para sair.

Seu trabalho estava feito e o exemplo foi dado, agora nenhuma mortal ousaria desafiá-lo, estejam elas sob a proteção de seus deuses ou não. Ele sempre seria maior e mais perigoso que qualquer divindade.

Mas o destino, sempre caprichoso e implacável, tinha outros planos para ele. No exato instante em que Alaric se preparava para se afastar, algo aconteceu. Sobre um dos corpos que jaziam inertes, uma aura sombria começou a se formar, os olhos da bruxa, antes opacos e sem vida, se abriram subitamente, revelando um brilho negro e sombrio. O sangue, que há instantes se encontrava parado, voltou a fluir com força, como se a própria morte tivesse se recusado a aceitar seu silêncio.

Alaric parou, seu coração acelerando em surpresa, era a primeira vez que via algo assim. Cada músculo do seu corpo se contraiu enquanto ele observava, paralisado, aquela cena. Aos poucos, a figura reanimada ergueu a cabeça, seus traços agora carregados por uma fúria ancestral e um poder que transcendia a compreensão humana. E então, em um tom profundo e ressonante, a voz saiu dos lábios da bruxa:

"Eu sou Sidonia!"

A voz, grave e poderosa, ecoou pela noite, fazendo o próprio ar tremer. A bruxa, agora tomada pelo poder de uma entidade divina, erguia-se como a personificação da Umbra, a deusa esquecida e temida por todas as bruxas que outrora a veneraram. Seus olhos negros, sem qualquer vestígio de humanidade, fixaram-se em Alaric, como se quisessem penetrar em cada recanto de sua alma.

"A deusa da Umbra, senhora dos mistérios e das sombras", continuou ela, a voz aumentando em intensidade a cada palavra. "Você, alfa, ousou tocar naquilo que me pertence!"

Alaric, que antes se sentia a criatura mais forte daquela terra, agora encontrava-se imobilizado por uma força invisível. Seus pés se ergueram do chão e seu corpo flutuou até a bruxa que movia-se como uma marionete controlada pela deusa a quem foi devota em vida.

"Seu coração, frio e desprovido de compaixão, é um fardo que não posso mais permitir que você carregue..."

Os olhos de Sidonia brilhavam com um poder sombrio enquanto ela falava, e o silêncio ao redor parecia engolir cada palavra. Alaric tentou mover-se, lutar contra aquela força, mas seus membros não respondiam. O medo e o desespero se misturavam em seu interior, nunca havia sentido algo assim em toda sua vida.

"Pare, por favor!", ele tentou se debater, a voz embargada pela agonia que se espalhava pelo seu corpo.

Com um gesto frio e impiedoso, Sidonia estendeu a mão em direção ao peito de Alaric. Seus dedos deslizaram pela pele do jovem alfa com uma precisão cruel, atravessando-a como papel. Sem qualquer hesitação, ela enfiou a mão e, num movimento que misturava a graça do destino com a brutalidade do castigo, puxou de dentro o pulsante coração de Alaric.

O coração pulsava freneticamente preso entre os dedos ensaguentados da deusa, que olhava para o orção com desprezo. Alaric sentiu uma dor indescritível invadir cada centímetro do seu ser, como se cada fibra de sua existência estivesse sendo arrancada com força. O sangue, antes vibrante e vivo, agora escorria livremente, marcando o solo com a prova de sua queda.

"Você não precisa dele", a voz de Sidonia cortou o ar, fria e definitiva. "Sua natureza já está selada pela ausência de compaixão. Apenas uma, e apenas uma, poderá resgatar o que você perdeu: sua companheira. Ela deverá te amar, mesmo quando seu coração estiver ausente, e somente assim, quando esse amor se tornar verdadeiro, ela encontrará a forma de devolver-lhe o que você perdeu."

As palavras da deusa ressoavam com a autoridade de um destino imutável. Alaric, ainda em choque, tentou se erguer, mas sua força parecia ter sido drenada por aquele ato impiedoso. Lágrimas de dor misturavam-se ao sangue que escorria de seu peito, enquanto ele murmurava, num sussurro carregado de desespero:

"Não... meu coração... como posso viver sem ele?"

Sidonia, com um olhar impassível, continuou sua maldição:

"Se não encontrar essa companheira nos próximos 500 anos, você jamais conhecerá o amor que é destinado a você. Nenhuma loba poderá, então, gerar seus filhotes e sua linhagem se perderá, como folhas levadas pelo vento. Você será condenado a vagar eternamente, um ser solitário e desprovido de toda a glória que seu sangue e sua crueldade poderiam ter garantido!"

A intensidade das palavras da deusa caiu sobre Alaric como um golpe mortal. Cada frase parecia gravar uma cicatriz em sua alma, transformando sua existência em um fardo insuportável. Ele tentou implorar mais uma vez, a voz carregada de uma mistura de dor e arrependimento:

"Por favor, Sidonia, dê-me uma chance... Faço qualquer coisa! Por favor, qualquer coisa!"

Mas, assim como Alaric não mostrou misericórdia, Sidonia permaneceu decidida. Seu semblante permaneceu inalterado, enquanto ela observava o jovem alfa, que agora se debatia entre a dor e o terror.

"Este é o destino que você escolheu, são as consequências das suas escolhas! Assim como você não ofereceu misericórdia aqueles que lhe imploraram, eu não a darei a você!".

Com essas palavras, a aura da deusa começou a se dissipar. O corpo possuído tremeu brevemente antes de desmoronar em cinzas e sombras, deixando no ar um rastro de fumaça. A maldição fora lançada, e o silêncio, pesado e absoluto, retomou seu domínio sobre a noite.

Capítulo 2 A Chegada do Inverno

499 anos depois

O sol começava a se pôr em Sunlake, tingindo o céu de tons quentes enquanto a pequena vila se preparava para a festa da colheita. Havia um burburinho animado nas ruas de terra batida, e o ar cheirava a pão fresco, frutas maduras e o perfume sutil das flores que enfeitavam as casas. Hoje era um dia especial: o fim da colheita e o início de um inverno rigoroso, mas com a promessa de prosperidade, pois os campos renderam mais do que o esperado.

Eulália caminhava devagar pela rua principal, com os cabelos negros semi presos por um delicado enfeite de flores. Ela usava um vestido simples que lhe chegava até os pés, a saia tinha um tom acinzentado e o corpete tinha alguns bordados simples. Na mão, segurava uma cesta cheia de frutas recém-colhidas e seu sorriso era tão sincero quanto a brisa fresca que anunciava o fim do dia.

"Hoje vai ser um dia inesquecível", disse Eulália, com os olhos brilhando de expectativa, enquanto passava por um pequeno grupo de vizinhos que se despediam do trabalho do campo.

Seu pai, um homem de traços gentis e olhar afetuoso, apareceu logo ao seu lado, após se despedir dos trabalhadores. Ele estava carregando um ar de satisfação e orgulho, o que fazia seus olhos se iluminarem ao ver a filha.

"Lália, venha cá, deixa-me ajudar com essa cesta" disse ele, puxando-a gentilmente pelo braço.

Eulália riu e deixou a cesta nos braços dele. Juntos, seguiram pela rua, o som dos passos marcando o compasso de uma conversa repleta de carinho e simplicidade.

"Você sabe, minha menina, cada dia que passa eu agradeço aos deuses por ter você comigo. Você ilumina esta casa como as estrelas iluminam a noite", disse o pai, com a voz suave e calorosa.

"Ah, papai, assim me deixa sem graça!" retrucou Eulália, com uma risada contagiante. Mas por dentro, ela sentia uma pontada de ternura a cada elogio, mesmo que disfarçado de brincadeira.

Caminharam juntos até as últimas casas da vila, que ficavam próximas à imponente floresta que circundava Sunlake. A floresta, densa e cheia de histórias, parecia guardar segredos antigos que poucos se atreviam a desvendar. Enquanto avançavam, a conversa se enchia de lembranças e planos para o futuro.

"Lembra quando você era pequena e adorava correr entre as árvores?" perguntou o pai, sorrindo nostalgicamente.

"Claro que lembro, papai. Eu me perdia e você me achava, sempre com um abraço apertado", respondeu Eulália, os olhos cintilando com a lembrança de momentos simples e felizes.

A caminhada foi leve, com os dois imersos em uma conversa que mesclava risos e lembranças. Quando chegaram à porta de casa, a construção simples e acolhedora parecia um refúgio seguro contra o mundo lá fora. Seu pai abriu a porta com cuidado, dentro da sala, ele acendeu algumas velas, dando um ar de intimidade ao ambiente.

"Hoje, minha filha, vamos celebrar não só a colheita, mas também a promessa de um futuro repleto de bênçãos" disse ele, enquanto colocava a cesta sobre uma mesa rústica. Seus olhos, cheios de orgulho, encontraram os de Eulália, que estava sentada num banco de madeira, ouvindo atentamente.

"Papai, todas as festas de passagem são especiais", retrucou a jovem, num tom meio brincalhão. "Quem sabe nesta festa alguém finalmente se interesse por mim e você possa acalmar seu coração, em?"

O pai sorriu e aproximou-se, colocando uma mão sobre os ombros dela e respondendo:

"Minha querida Lália, você ainda tem muito tempo para isso. Mas eu confio que os deuses já têm um plano traçado, afinal, você é tão única quanto a própria lua que enfeita o nosso céu nas noites de inverno."

Eulália sorriu timidamente, lembrando-se das histórias que sua mãe costumava contar sobre amores impossíveis e destinos traçados pelas estrelas. Seu pai, então, fez uma pausa e olhou diretamente em seus olhos.

"Tenho uma surpresa para você" disse ele, com um brilho misterioso na voz.

Eulália arregalou os olhos, curiosa, enquanto seu pai caminhava até um pequeno baú de madeira encostado na parede. Abrindo-o com cuidado, ele retirou um colar com um delicado pingente em forma de lua, brilhando suavemente à luz das velas.

"Este colar pertencia à sua mãe, Anabel. Sempre disse que, assim como a lua ilumina a escuridão, o amor verdadeiro ilumina a alma. Quero que você o use hoje, para lembrar que a beleza vem dos pequenos gestos e dos laços que nos unem" explicou ele, entregando o colar a Eulália com delicadeza.

Eulália segurou o colar com as mãos trêmulas, emocionada.

"Obrigada, papai. Vou cuidar dele com todo o carinho" prometeu, fixando o olhar no pingente que reluzia como uma esperança silenciosa.

Seu pai então a encarou, com um tom sério misturado com a ternura habitual.

"Prometa-me que, hoje à noite, você vai pelo menos tentar conversar com alguém. Não fique só aí sonhando com o futuro, minha menina. O mundo tem muito a oferecer, e quem sabe, você não encontra alguém especial que te faça sorrir ainda mais."

Eulália riu e balançou a cabeça, mas o olhar dela traía um misto de nervosismo e expectativa.

"Prometo, papai. Mas sabe que eu não sou de me apressar em nada, né? Prefiro viver cada momento como ele vem" disse ela, com um sorriso que iluminava o ambiente.

"Ah, Lália, sempre tão teimosa!" exclamou ele, com um leve tom de brincadeira, mas também com um toque de preocupação. "Mas é exatamente essa sua forma de ser que me enche de orgulho. Hoje você é uma mulher, e o mundo está esperando por você."

Capítulo 3 É Meu Aniversário

Eulália estava no seu quarto, concentrada em se arrumar para o festival. Ela vestia o vestido de sua mãe, um traje simples, porém encantador, com um corpete que apertava suavemente a sua cintura e realçava seus seios de forma discreta. O decote, elegante e sutil, deixava transparecer uma feminilidade delicada, sem ser ousado demais. O tom rosa claro do tecido contrastava lindamente com seus cabelos negros, que estavam semi presos e adornados com flores frescas. Seus sapatos, simples e confortáveis, completavam o conjunto, enquanto a saia esvoaçante acompanhava cada movimento com graça.

Enquanto ajustava os detalhes do vestido, Eulália passava os dedos pela renda bordada à mão, sentindo a textura familiar que sempre lhe lembrava da ternura de sua mãe. Na única joia que usava, o colar com pingente de lua presenteado por seu pai, repousava a memória e a proteção daquela figura tão querida.

De repente, ouviu uma voz suave do corredor:

"Eulália, você está pronta?"

Ela virou a cabeça e viu seu pai parado na porta, com os olhos brilhando de emoção. Ele segurava, com delicadeza, o retrato da sua mãe, Anabel, o único registro que ela tinha da mulher que tanto amava. O quadro, pintado pela própria Eulália seguindo as orientações do pai, exalava carinho e lembranças.

"Papai, estou quase pronta..." respondeu ela, ajeitando um fio solto de cabelo.

Seu pai aproximou-se e, com um sorriso emocionado, disse:

"Minha querida, hoje você está deslumbrante. Olhe só para você... você se parece tanto com sua mãe."

Eulália olhou para o retrato e, por um breve instante, seus olhos se encheram de saudade e ternura. Sem perder tempo, ela respondeu:

"Eu também sinto falta dela, papai. Mas é bom saber que ela vive em mim de alguma forma."

Seu pai, ainda sorrindo, colocou o retrato sobre a penteadeira e estendeu os braços:

"Venha, Lália. Vamos aproveitar este dia. Hoje é seu aniversário, finalmente está completando 18 anos e o festival vai ser maravilhoso! Quero que você se divirta e que, pelo menos, dê uma chance para alguém, entendeu?"

Ela hesitou por um instante, mas o carinho no olhar do pai a encorajou. Com um leve suspiro e um sorriso tímido, ela respondeu:

"Está bem, papai. Prometo que tentarei aproveitar."

O pai então lhe deu um beijo suave na testa e acrescentou:

"Isso mesmo, ao menos tente se divertir e se enturmar, tenho certeza que vai gostar!"

Com essas palavras, Eulália deixou o quarto, levando consigo a emoção e a lembrança da mãe. Ao atravessar o corredor, o ambiente familiar se misturava com o som distante das preparações para o festival. Ela sentia o coração bater rápido, não só pela ansiedade do evento, mas também pela expectativa de um novo capítulo em sua vida.

Logo na entrada da casa, conseguia ouvir os sons do festival, pessoas conversando, música, muito burburinho acompanhando o anoitecer. Era uma noite feliz para todos.

"Vamos, Lália, a festa já começou!" exclamou seu pai, segurando seu braço com carinho.

Caminhando juntos pelas ruas de Sunlake, os dois se dirigiram para o centro da vila. O caminho era repleto de decorações simples, mas cheias de encanto: lanternas penduradas nas janelas, guirlandas feitas com flores locais e fitas que dançavam ao vento. O aroma de pães e frutas, misturado com o cheiro do campo, deixava o ar leve e cheio de promessas.

Ao chegarem à praça central, Eulália avistou a festa já em pleno andamento. Havia mesas repletas de comida, barracas decoradas com cores vivas e uma banda que tocava canções alegres, embalando a celebração. Homens e mulheres, jovens e idosos, estavam bem arrumados, cada um contribuindo para aquele clima de festa e união.

No meio da multidão, duas vozes se destacaram. Sussi e Blair, as únicas amigas próximas de Eulália, correram para abraçá-la com entusiasmo.

"Feliz aniversário, Lália!" exclamaram em uníssono, os rostos iluminados de alegria.

Eulália riu, abraçou as duas com força e respondeu:

"Obrigada, meninas! Vocês sempre sabem como me fazer sorrir!"

As três olharam umas para as outras, admirando seus vestidos que, mesmo simples, eram lindíssimos. Sussi foi a primeira a falar, passando as mãos pelo corpete do vestido de Eulália:

"Você está perfeita! Tenho certeza que os nobres se vestem assim, Lália!"

Eulália corou e respondeu, brincando:

"Não exagera, vocês estão perfeitas também!"

Os moradores conversavam animadamente, trocando cumprimentos e histórias enquanto a banda aumentava o ritmo, convidando todos a dançar. O ambiente era vibrante e acolhedor, repleto de sorrisos e vozes que se misturavam num coro harmonioso.

Enquanto Eulália dançava com Sussi e Blair, logo uma figura jovem e simpática aproximou-se dela. Era Tom, irmão de Sussi, que estava de olho nela desde o começo da festa. Com um sorriso tímido e sincero, ele a chamou:

"Eulália, que tal dançarmos um pouco?"

Ela olhou para Tom, surpresa. Pensou em recusar, mas, de longe, viu seu pai os olhando esperançoso, então, para agradá-lo, respondeu:

"Claro, Tom. Vamos dançar!"

Enquanto se moviam ao som da música, os dois começaram a conversar de forma descontraída:

"Sabe, eu já te observei durante a festa e..." começou Tom, hesitante, tentando encontrar as palavras certas.

"Acho melhor... Er... Deixarmos a dança falar por nós agora!", interrompeu Eulália, com um sorriso suave, desviando-o com delicadeza.

"Queria dizer algo a você, é importante", insistiu ele, tentando retomar o fio da conversa.

"Se é tão importante, melhor falar depois, não?", Eulália continuou o interrompendo, sabia o que ela provavelmente iria dizer, mas não sabia se ser pedida em casamento por Tom seria uma ideia tão boa. .

De repente, antes que Tom continuasse, um uivo profundo e inconfundível ecoou vindo de dentro da floresta que circundava a vila. Foi um som tão alto e claro que fez os passos de todos pararem e a música se interromper.

Os sorrisos se desvaneceram e as conversas cessaram num misto de surpresa e temor. Eulália e Tom pararam de dançar, seus rostos se transformando em expressões de preocupação. Ao redor, os convidados se entreolhavam, e um murmúrio inquieto começou a se espalhar.

"O que foi aquilo?", perguntou uma voz nervosa entre os presentes.

"Não foi nada, só animais da floresta" um homem disse, tentando acalmar a todos.

Nunca haviam sido atacados por nada a floresta, ao mesmo tempo que parecia puro perigo, funcionava como uma redoma os isolando do mundo.

O pai de Eulália, que até então sorrira orgulhosamente, aproximou-se rapidamente para ouvir o que estava acontecendo. Seu olhar, antes de afetuoso, agora demonstrava seriedade.

"Fiquem calmos, todos. São apenas os lobos que habitam a floresta, eles nunca vieram aqui, não vão vir hoje", afirmou ele, mas sua voz traía uma leve tensão.

Enquanto o uivo ecoava novamente, mais alto desta vez, e a atmosfera festiva se transformava num cenário de suspense, Tom segurou a mão de Eulália e a olhou com intensidade:

"Fique comigo, Lália. Se algo acontecer, vou proteger você..."

Eulália, com os olhos grandes e o coração acelerado, apenas assentiu silenciosamente.

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