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Curupira: Um Amor de Outro Mundo

Curupira: Um Amor de Outro Mundo

Autor:: Gavin
Gênero: Xuanhuan
Quando abri os olhos, o cheiro de terra molhada e a luz verde da floresta me envolveram, e entendi que estava de volta ao inferno que um dia chamei de lar. A Joana estava lá, minha melhor amiga, com o mesmo brilho de excitação nos olhos que me enganou da primeira vez. Na vida passada, eu, tola, corri para os braços do Rei Jaguar, um monstro disfarçado de rei, enquanto Joana, fascinada, seguiu o Curupira para seu domínio sombrio. Fui traída, humilhada e subjugada, vivendo em uma gaiola de ouro onde o título de Rainha dos Jaguares era uma sentença de sofrimento e traição pelas concubinas, e pela própria Joana. Ela me traiu, me empurrando para a morte certa, direto para as mãos de um Curupira furioso, que em seus olhos, antes de eu cair no nada, revelou algo que parecia choque e tristeza. Mas desta vez, algo mudou, e no exato momento do meu retorno, Joana correu, com um sorriso vitorioso, não para o Curupira, mas para o homem com olhos de predador, o Rei Jaguar. Um sorriso gelado se formou nos meus lábios, de pura ironia, pois ela não fazia ideia do inferno que a esperava. Decidi que meu caminho seria diferente, e virei as costas para a cena de Joana se jogando nos braços do Rei, procurando por ele, o Curupira. Parei na sua frente, estendi a mão, um pedido silencioso de confiança, e quando sua pele fria tocou a minha, o mundo girou, a escuridão me engoliu, mas dessa vez, não estava sozinha, eu confiei.

Introdução

Quando abri os olhos, o cheiro de terra molhada e a luz verde da floresta me envolveram, e entendi que estava de volta ao inferno que um dia chamei de lar.

A Joana estava lá, minha melhor amiga, com o mesmo brilho de excitação nos olhos que me enganou da primeira vez.

Na vida passada, eu, tola, corri para os braços do Rei Jaguar, um monstro disfarçado de rei, enquanto Joana, fascinada, seguiu o Curupira para seu domínio sombrio.

Fui traída, humilhada e subjugada, vivendo em uma gaiola de ouro onde o título de Rainha dos Jaguares era uma sentença de sofrimento e traição pelas concubinas, e pela própria Joana.

Ela me traiu, me empurrando para a morte certa, direto para as mãos de um Curupira furioso, que em seus olhos, antes de eu cair no nada, revelou algo que parecia choque e tristeza.

Mas desta vez, algo mudou, e no exato momento do meu retorno, Joana correu, com um sorriso vitorioso, não para o Curupira, mas para o homem com olhos de predador, o Rei Jaguar.

Um sorriso gelado se formou nos meus lábios, de pura ironia, pois ela não fazia ideia do inferno que a esperava.

Decidi que meu caminho seria diferente, e virei as costas para a cena de Joana se jogando nos braços do Rei, procurando por ele, o Curupira.

Parei na sua frente, estendi a mão, um pedido silencioso de confiança, e quando sua pele fria tocou a minha, o mundo girou, a escuridão me engoliu, mas dessa vez, não estava sozinha, eu confiei.

Capítulo 1

Quando abri os olhos, o cheiro forte de terra molhada e flores exóticas invadiu meus pulmões.

Eu conhecia aquele cheiro.

Conhecia a luz verde que se filtrava pelas folhas gigantes das árvores, criando padrões dançantes no chão da floresta.

Conhecia a umidade que grudava na minha pele.

Eu estava de volta.

Meu coração, que deveria estar acelerado pelo choque, batia com uma calma assustadora.

Eu estava de volta ao exato momento em que tudo começou.

Olhei para o lado. Joana estava ali, seus olhos brilhando de excitação, exatamente como da primeira vez. Ela era minha melhor amiga, a pessoa que eu mais amava no mundo, até ela me trair.

Na minha vida passada, fomos transportadas juntas para este mundo de lendas. Eu, ingênua e impressionada, fiquei fascinada pelo poder e carisma do Rei Jaguar. Corri para ele, pensando ter encontrado um porto seguro.

Joana, por outro lado, se encantou pela beleza estranha do Curupira e o seguiu para a mata.

Desta vez, algo mudou.

Joana não olhou para o Curupira.

Seus olhos estavam fixos na figura imponente que emergia da selva, o homem com a pele dourada e olhos de predador.

O Rei Jaguar.

Ela correu na direção dele, com um sorriso de triunfo nos lábios, sem sequer olhar para trás.

Um sorriso gelado se formou nos meus lábios.

Pobre Joana.

Ela não fazia ideia do que a esperava.

Ela não sabia que o Rei Jaguar tinha um harém de concubinas, mulheres cruéis que viviam em uma guerra constante por um pingo de sua atenção.

Ela não imaginava o inferno de intrigas, humilhações e solidão que era a vida ao lado dele.

O título de Rainha dos Jaguares, que eu conquistei com tanto sofrimento na outra vida, não era um prêmio. Era uma sentença.

Que ela aproveitasse.

Desta vez, o caminho dela era dela. O meu seria diferente.

Virei as costas para a cena de Joana se jogando nos braços do Rei Jaguar e caminhei na direção oposta.

Lá, encostado em uma sumaúma antiga, estava ele.

O Curupira.

Seus cabelos eram como chamas vermelhas, e seus pés, virados para trás, afundavam levemente na terra fofa. Seus olhos verdes eram profundos e indecifráveis. Na vida passada, Joana o descreveu como frio e indiferente.

Eu me aproximei lentamente.

Ele não se moveu, apenas me observou com uma intensidade que parecia atravessar minha alma.

Parei na sua frente.

Estendi minha mão, a palma virada para cima. Um gesto de confiança. Um pedido silencioso.

Quero ir com você.

Seus olhos se arregalaram por uma fração de segundo. Ele olhou da minha mão para o meu rosto, uma expressão de pura perplexidade em suas feições.

Então, lentamente, ele levantou sua mão e a tocou.

No instante em que sua pele fria tocou a minha, o mundo ao meu redor girou violentamente. As árvores se tornaram borrões verdes e marrons, o chão pareceu desaparecer sob meus pés. Uma tontura avassaladora me atingiu, e a escuridão tomou conta da minha visão.

A última coisa que senti foi um par de braços firmes me segurando antes que eu caísse no chão.

---

Capítulo 2

A escuridão trouxe as memórias de volta.

Imagens da minha outra vida piscaram na minha mente com uma clareza dolorosa.

Lembro-me de Joana, aprisionada pelo Curupira.

Ela o havia seguido para a floresta, fascinada, mas quando percebeu que ele não lhe daria o poder e o luxo que ela desejava, ela o traiu. Tentou roubar algo dele, algo precioso. Por isso, ele a prendeu em uma gaiola de cipós mágicos.

Ela me chamou.

"Maria! Me ajude! Por favor, você é a Rainha dos Jaguares, você tem poder! Me salve!"

E eu, idiota, fui.

Ainda a via como minha melhor amiga.

O Rei Jaguar me deu seus melhores guerreiros. Fomos até o coração da floresta. Encontramos Joana, chorando, parecendo frágil e arrependida.

Eu ordenei que a soltassem.

No momento em que ela ficou livre, o Curupira apareceu, furioso. Ele não nos atacou, apenas ficou lá, seus olhos em chamas, uma barreira protetora entre nós e a floresta.

E então, aconteceu.

Joana, a amiga que eu acabara de salvar, agarrou meu braço.

"Desculpe, Maria", ela sussurrou.

E me empurrou.

Ela me usou como escudo, me jogando na direção do Curupira enfurecido, enquanto corria para a segurança dos guerreiros jaguar.

A última coisa que vi foram os olhos do Curupira, não de raiva, mas de choque e... tristeza?

Depois, a dor. E o nada.

Ser a Rainha dos Jaguares não foi fácil.

Eu lutei por aquilo. Lutei contra as outras concubinas, que envenenavam minha comida e colocavam cobras na minha cama. Lutei para ganhar o respeito dos guerreiros. Lutei para manter a atenção do Rei, um homem que me via como um troféu exótico, uma posse valiosa.

Eu sangrei por aquele título. Chorei por ele. Sofri por ele.

E por quê?

Para salvar a amiga que, no final, me empurrou para a morte sem hesitar.

Não mais.

Desta vez, não haveria Rei Jaguar. Não haveria harém, nem intrigas, nem a luta constante por um poder que só trazia dor.

Desta vez, eu escolhi o desconhecido.

Eu escolhi o guardião silencioso da floresta.

Acordei em uma cama macia, feita de musgo e folhas secas. A luz que entrava no ambiente era suave, filtrada por paredes que pareciam ser feitas de madeira viva. O ar cheirava a resina e orquídeas.

Sentei-me, a tontura tinha passado.

O Curupira estava sentado em um canto da sala, me observando. O silêncio era pesado, mas não desconfortável.

"Você acordou", ele disse. Sua voz era baixa e rústica, como o som do vento passando pelas árvores.

"Onde estou?", perguntei.

"Na minha casa. No coração da floresta."

Ele se levantou e veio até mim. Seu corpo era esguio, mas forte. Ele parou ao lado da cama e me olhou nos olhos.

"Você me escolheu."

Não era uma pergunta. Era uma afirmação.

Eu assenti. "Sim."

Ele pareceu ponderar minhas palavras por um longo momento. Seus olhos verdes buscaram os meus, como se tentasse ler minha alma.

"Por quê?"

Eu não podia contar a verdade. Não ainda.

"Eu não queria ir com ele", respondi, e isso era verdade.

Ele pareceu aceitar a resposta. Então, ele fez algo que me chocou completamente. Ele se ajoelhou ao lado da cama.

"Então, case-se comigo."

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