Finalizo o quinto relatório que tenho que revisar e mandar para meu pai, para que ele possa apenas assinar. Confesso que prefiro a ação, a adrenalina de comandar o transporte das cargas, os leilões de mulheres e o prazer de matar os traidores. Porém, fazer a parte burocrática faz parte do meu treinamento para sub-chefe, e isso é algo que eu entendo e aceito de bom grado para um dia poder exercer meu desejado cargo, com excelência. Bufo, esfregando as temporas já com a vista cansada de tantas letras pequenas e da luz que o computador reflete.
Minha atenção é roubada de meus próprios pensamentos por vozes que vem do lado externo da minha sala, sem aviso prévio, a porta é aberta e Angelina entra por ela sendo seguida pela minha secretária eufórica.
-Senhorita...- trava na porta assim que me vê. - Me desculpe senhor, eu disse que não queria ser incomodado. - Se apressa em justificar, tomando o braço de Angelina.
- Me solta! - sua voz doce tenta ser severa mas são quase como uma suplica, ela parece angustiada. - Eu preciso falar com você, é urgente...
A encaro em silêncio. O que pode ser tão sério? Ela nunca vem atrás de mim para me pedir nada, ainda mais neste estado.
- Eu vou chamar o segurança. - A secretária sai para telefonar, já perdendo a paciência.
-Alessandro... Por favor... - Súplica sem fazer som com a voz, entendo usando leitura labial.
Sua feição doce me faz parar um segundo em minha porta órbita. O rosto arredondado com bochechas saltadas que agora estão coradas, moldado por seu cabelo ruivo solto de forma selvagem, seu olhar submisso faze meu coração dar um salto, e respiro fundo, me levantando.
Vou até a porta e encaro a secretária.
- Não precisa chamar ninguém, volte ao seu trabalho e não nos interrompa. - Me tom autoritário faz ela tomar um susto e assentir prontamente.
De volta a sala, fecho a porta atrás de nós, e quando meu olhar recai sobre ela, não posso evitar que percorra dos pés a cabeça, passando pelas pernas torneadas de coxas grossas, quadril largo e cintura fina, até chegar em seus medianos e empinados seios. Tudo isso coberto por uma pele alva branca que facilmente fica rosada. Isso me dá ideias.... pensamentos, devaneios.
- Então Angelina, o que quer falar comigo? - Pergunto com as mãos no bolso.
Avalio cuidadosamente suas expressões e sua respiração que está descompensada.
- Eu vim te fazer um pedido...- parece roubar coragem do fundo de seu ser para dizer isso, as mãos suando.
- Que pedido?
Ela fecha os olhos e respira fundo, tentando manter a coragem que pegou lá no fundo, tentando não dar para trás e a cada segundo a minha ansiedade só aumenta tanto quanto a sua.
- Eu quero que tire minha virgindade.
- Bateu a cabeça?
É o que eu consigo concluir.
- Não me olhe assim, se estou aqui é porque não tenho mais opções, estou desesperada... Essa é a única saída para mim.
- O que houve? - indago, preocupado com seu estado.
Angel está noiva...e por mais que eu não goste disso, é um fato. Achei que só nas minhas mais profundas fantasias ela entraria pela porte e me pediria para....
- Você tinha razão quando disse que eu nunca amei o Peter, só estava conformada com meu destino.. O acordo que meu pai fez com o pai dele foi necessário e eu estava pronta para honra-lo com o consolo que Peter era um homem bom e eu iria ter uma boa vida com ele mas... - a frase morre no meio do caminho, vejo seus lábios tremularem e que ela contém as lágrimas, ao menos tenta.
- Mas o quê?
- Eu descobri que ele sempre me traiu, sempre teve amantes... Ele nem fez questão me negar, me colocou contra a parede, gritou comigo e... E me deu um tapa.
- Ele se atreveu a tocar em você?
- Eu não posso me casar com um homem assim, minha vida vai ser um inferno. Eu mereço mais.
- Seu pai-...- Me interrompe.
- Meu pai não pode saber, se ele souber ele vai romper o acordo na mesma hora e quebrar sua palavra, você sabe o que acontecer com os homens que não tem palavra na máfia.
Ela tem um ponto.
- Coisa pior acontece com as mulheres desonradas. - Rebato.
- As coisas não são como aqui por lá...ele não pode pedir minha morte.
- Mas pode pedir uma punição pela honra dele. Ele é daqui, vão tentar fazer uma média entre as leis das duas máfias e de alguma forma vai fazer você sair severamente prejudicada.
- Qualquer coisa é melhor que me casar com ele. Além do quê meu pai iria inventar algo, minha mãe é esperta e me mandaria embora daqui da Rússia de vez antes que algo acontecesse comigo.
Não sei se ele se importa o suficiente com ela para ir atrás...mas não seria bom arriscar.
- Por que está pedindo isso para mim?
Ela treme o corpo no lugar e em um impulso se joga em meus braços espalmando suas mãos em meu peito, minha vontade é retribuir e agarrar sua cintura mas obrigo minhas mãos a ficarem no lugar.
- Você é perfeito para isso! Eu te conheço a vida toda, somos amigos e... E tem um cargo maior que o dele, sendo o próximo sub-chefe ele não pode te matar. Mesmo estando desesperada, não quero fazer isso com outro e ser culpada pela morte de um inocente.
- Angelina, não.
- Alessandro... - pisca os olhos. - Por favor... - Sussurra em um clamor.
O sangue corre mais rápido pelas minhas veias e minha respiração fica pesada, sua proximidade não me deixa escolha. Eu quero isso...quero agora.
Agarro sua cintura com uma mão e a trago para mais perto com um puxão.
- Tem certeza disso?
- Tenho. - Diz segura.
Sem pensar em mais nada tomo sua boca em um beijo possessivo, minha mão livre percorre seu corpo e vai para baixo da sua saia, apertando sua bunda farta, a carne coberta pela pele mais macia que já senti preenchendo minha mão.
Ela passa os braços por meu pescoço gemendo baixinho em aprovação, o som faz com que minha ereção fique ainda mais dolorosa. A giro e sem parar o beijo, a coloco sentada na mesa fazendo as coisas que estavam em cima dela caírem no chão. Ignoro o barulho que isso causa, preso apenas na sensação.
Ela abre as pernas para que eu me encaixe melhor no meio dela, e inclinando meu corpo sobre o dela, a faço deitar na madeira lisa da mesa.
- Alessandro... - Seu gemido sai baixo e suave, gerando mil pensamentos proibidos que fazem minha mente se despertar.
Abruptamente paro o beijo, me afastando dela como se fosse veneno.
- O que foi? - Busca com o olhar alguma razão para o afastamento.
Os cabelos ruivos bagunçados a deixam mais linda.
-- Não pode ser assim, não aqui, não desse jeito... - A puxo para ficar de pé. - Você merece mais...
Sem dar tempo para ela responder pego meu celular e chaves e seguro sua mão a arrastando para fora da sala, passamos pela secretaria que nos encara em estranhamento.
Seguimos pelo elevador e para fora do prédio, pelo horário o estacionamento está vazio, o que me deixa mais tranquilo.
Destravo o carro para em seguida coloca-la lá dentro, fechando a porta.
Ao assumir a direção, saio cantando pneu, dirijo o mais rápido possível pelas ruas de Moscou, passando os sinais vermelhos, pisando no acelerador. Em menos de trinta minutos estamos entrando no prédio onde fica meu apartamento.
Já no andar certo, paro no corredor, abrindo a porta que dá para o triplex, a dando passagem.
Vejo que ela olha em volta um pouco tímida, de surpresa agarro mais uma vez sua cintura fazendo suas costas baterem no meu peito.
- Última chance de desistir. - Sussurro beijando seu pescoço, viciado e ansioso por mais de seu gosto e cheiro.
- Não! Eu quero...
volto a tomar seus lábios com certa urgência, dominado pela sensação de posse que me toma. Quando paramos, a guio até o quarto. A coloco na cama e a encaro, a visão de seus lábios vermelhos que estão um pouco inchados devido ao beijo. Sua carinha de safada ao me olhar me faz sentir como um animal enjaulado, pronto para atacar sua presa. Tiro minha roupa na velocidade de luz ficando apenas de cueca.
Ela encara meu membro que estava duro e pesado na cueca, engole em seco se encolhendo um pouco.
- Você é muito grande... - Me olha com medo.
Dou um sorriso de lado, mesmo não sabendo ela diz as palavras exatas que deixam qualquer homem feliz... Sua inocência me deixa ainda mais encantado e duro.
- Vai doer se ficar nervosa. - aviso baixo e volto para cima dela, mordiscando o lóbulo de sua orelha.
- Minha Angel...
Murmuro como um mantra.
Com cuidado vou desabotoando sua blusa que revelando seu sutiã branco rendado, moldando perfeitamente seus seios redondos. a saia foi facilmente retirada com um puxão no zíper, mostrando agora a parte inferior de sua lingerie. Seu corpo é perfeito, assim como ela por completo.
Quando finalmente tiro sua calcinha, minha mente processa o fato de nunca ter tido uma visão tão maravilhosa quanto sua buceta rosada.
Me enfio no meio de suas pernas e passo a língua na sua entrada estreita.
- Está prontinha para mim.
Envergonhada, ela abaixa a cabeça e Assente submissa apertando os lábios.
Brinco um pouco com seu clitóris a fazendo gemer cada vez mais alto.
- Ah...hmmm - Geme e força minha cabeça contra sua carne.
A penetro com a língua deixando mais lubrificada e abrindo espaço, sinto seu corpo tremer e continuo progressivamente, mas paro ante que chegue ao orgasmo.
- Não... Não pare. por favor... - Choraminga.
- Calma, você não vai gozar a primeira vez na minha boca, vai gozar a primeira vez no meu pau.
Tiro a cueca liberando meu membro que já estava implorando para ficar livre, vou até a mesa de cabeceira e coloco uma camisinha.
de volta a cama, com um puxão rasgo o sutiã como sem fosse papel, balançando seus seios pelo movimento rápido. Os Chupo, cada um deles, dou leves tapas fazendo ela dar gritinhos e tremer no lugar. Ao lamber o bico de seus seios, sinto ela ficar cada vez mais molhada, já que estou fazendo isso com meu dedo intruzido em seu interior extremamente apertado.
- Abra as pernas para mim. - Ordeno para que ela faça o suficiente para que eu possa ficar entre elas.
Agora não tinha doçura ou fofura, a luxúria me predominava fazendo meu lado dominador se fazer presente. Ela obedece no mesmo momento.
Vou para cima dela e posiciono a cabecinha em sua entrada. Toco seu clitóris mais uma vez e sorrio.
- Tão apertadinha e molhadinha...
De vagar vou entrando nela até que meu pau se depara com seu hímen, como se estivesse pedindo para ser rompido, rasgado por mim.
- Depois daqui não tem mais volta, tem certeza?
Ela faz que sim.
Sem esperar mais nada entro nela de uma vez tirando sua virgindade, a fazendo minha completamente.
- AAA...- Seu grito é de dor e ela se agarra mais a mim.
Fico um tempo parado para que ela possa se acostumar e começo lento.
Ela geme ainda com dor mas com um tempo sua careta vai embora e ela começa a sorrir.
- Está gostando? - Pergunto indo mais rápido.
- Sim... Quero mais rápido... - Ela abre os olhos e vejo o puro desejo neles.
Aumento a velocidade e aperto sua coxa com força, com certeza vai ficar marca. E é exatamente assim que eu a quero a partir de hoje, marcada por mim de todas as formas.
- É assim que você gosta, Angelina? Sinta querida meu pau arrombado essa bucetinha gostosa...ahhhh...
- Alessandro...- joga a cabeça para trás, empurrando o quadril.
- Isso, diga meu nome... Do homem a quem você pertenceu primeiro... Do seu único homem.
- Alessandro... Mais... Ahhhhh....
- Porra... Caralho, gostosa... - Gemo alucinado pelo prazer que nunca havia conhecido nesta proporção, nesta intensidade avassaladora.
Vou cada vez mais rápido até que sinto seu corpo treme mais uma vez, porém dessa vez não paro, indo mais rápido e forte até que chegamos ao ápice, gozando juntos.
Eu já sabia disso antes de me derramar dentro dela, mas agora é mais do que certa que não há mais escapatória, Angel é minha. E nem ela poderá mudar isso.
10:32AM
18 de janeiro.
Sabe quando o seu dia anterior é tão insano e inimaginável que quando você acorda no dia seguinte, acha que tudo foi um sonho? Foi o que aconteceu, acordar e ver Alessandro do meu lado após três segundos de olhos fechados achando que tinha vivido apenas um sonho estranho, me jogou de volta a realidade.
O homem que estava do meu lado na cama foi simplesmente meu melhor amigo a vida toda, o qual eu brinquei, briguei, chorei, ri, e confiei. E agora confiei mesmo, o suficiente para entregar a coisa mais valiosa que eu tinha pra mim, minha pureza. Ele é muito bonito, não é algo que pode se negar só que eu nunca o vi com olhos de malícia e atração, o que me trouxe até ele ontem foi o desespero e ouso até dizer que o bom senso, porque, se eu tivesse escolhido qualquer outro para participar desse plano, eu estaria condenando um inocente a morte e tornando o que era um problema meu, o de outra pessoa também. E isso não seria justo.
Foi incrível, não é algo que eu posso negar, nunca conheci o prazer nessa proporção, na hora em que ele estava dentro de mim, eu já não pensava mais em nada, é o que o tesão faz com as pessoas, as move e as cega. Só que agora, eu me sinto envergonhada, como se eu tivesse cometido um incesto, como se também tivesse usado ele...claro que eu fui transparente desde o primeiro momento e disse o porquê do meu pedido e ele aceitou sabendo, só que essa sensação ainda está em mim.
O que mais eu poderia fazer? Era o único jeito de salvar a minha vida, eu sempre tive uma vida maravilhosa, e eu sei o quão sortuda fui até aqui, nasci no melhor momento da vida dos meus pais, que individualmente tiveram uma vida muito difícil e fizeram questão de proporcionar pra mim tudo que eles não puderam ter.
Eu tive luxos que a maioria das pessoas não tem acesso, uma mãe maravilhosa e atenciosa, um pai que colocaria o mundo aos meus pés se eu apenas piscasse os olhos e fizesse um biquínho. A felicidade deles depende da minha também, e tudo que eu quero é ver eles felizes, ver que se saíram bem no seu plano de me fazer a menina mais feliz do mundo. Como eles sentiriam que não falharam se me vissem perdendo o brilho caindo em um casamento cheio de agressões e traições com alguém fora do meu país? Fora de nossas leis igualitárias na medida do que a máfia permite.
Quando meu pai retomou a máfia, reconstruiu ela ao voltar para a irlanda, fez inúmeras reformas para que garantir que eu não sofreria com o machismo e injustiça do mundo do crime. Fez da nossa máfia, a máfia O'neill, como foi nomeada depois da tomada do poder de volta, um lugar seguro para mim, para que um dia eu pudesse governar em seu lugar e nossas gerações, independente do sexo, pudessem fazer parte do crescimento.
E me sinto burra ao pensar, que quase estraguei tudo caindo na lábia de Peter Romanov. Ele é um dos mais novos membros do conselho, seu pai faleceu recentemente, e pouco depois disso nos conhecemos melhor e na minha cabeça, seria bem conveniente aceitar seu pedido de casamento para deixar as alianças com a Rússia mais sólidas.
Não o amava, nem poderia dizer que estava apaixonada, mas sentia afeto por ele, ele era legal comigo, me fez promessas e eu acreditei, acreditei que ele deixaria eu trabalhar e assumir o lugar do meu pai, até ver que ele esse casamento era mais conveniente para ele do que para mim. Quando eu descobri que ele me traia, eu não fiquei mal como normalmente pessoas com o coração quebrado ficam, esse foi o lado positivo de me envolver por impulso em uma relação séria, o que me doeu de verdade foi a agressão e a forma com a qual ele me tratou, não quis me deixar sair disso. Temendo meu futuro, fui parar nas mãos de Alessandro, alguém que eu confiei que poderia me ajudar e sair impune, já que Peter não seria louco nem em seus mais profundos sonhos de fazer algo contra ele.
Eu sei agora que me salvei do Peter, só que eu estou com um sensação estranha, de que talvez do Alessandro eu não possa me salvar. Ele...sempre teve um ciúme de mim, desde criança, bem intenso e que as vezes me assustava, diversas vezes eu justifiquei a mim mesma dizendo que era um ciúme fraternal, coisa de irmãos, até não poder mais justificar e ficar claro que tipo de ciúme era.
Não queria me aproveitar dos seus sentimentos por mim, só que eu não tive escolha, qualquer um no meu lugar escolheria esse caminho, entre apanhar e ser traída e privada de tudo.
Caio na realidade, deixando o copo de suco sobre a mesa de café da manhã, extensa e bem cheia de muito mais do que duas pessoas poderiam comer sozinha, eu não acho que precisava de tudo isso mas ao mesmo tempo acho fofo a preocupação dele de colocar inúmeras opções para seja lá o que eu tiver vontade. Todo mundo sabe o quanto eu sou comilona, meu pecado capital com certeza é a gula.
Fico completamente arrepiada quando ele encosta os lábios no meu pescoço, deixando um beijo molhada e em seguida um selinho em meus lábios, retribuo ainda meio atônita e sorrio.
- Como acordou feliz, que bom humor... é difícil te ver assim. Você é todo bravo. - Dobro a fatia de pão, levando a boca enquanto ele serve seu café.
- Não era para estar de bom humor vendo minha mulher no café da amanhã?
tomo o suco com os olhos arregalados, tentando não deixar que o pão fique entalado na garganta.
Okay...ele estava falando sério mesmo, acho que eu acordei a fera que nem estava adormecida, estava em um sono leve, esperando apenas uma cutucada de vara curta.
- Que cara é essa? - Seu punho se fecha enquanto o outro continua segurando a xícara, a qual ele abaixa lentamente sem desviar o olhar de mim. Um olhar mais do que sério.
Deixo a expressão morrer, ficando vermelha de vergonha, e sei disso porque sinto a ardência do rubor em minhas bochechas.
- Nada...só fiquei um pouco surpresa com a escolha de palavras. - encolho os ombros.
Minha mulher.
- O que a incomodou? O minha mulher?
- É...- abaixo o olhar , levando o garfo a boca, começando a comer uma salada de frutas em uma taça de sobremesa.
Comida acalma meu nervosismo.
- Diga o que esta pensando Angelina.
- Não achei que era sério...só isso. Achei que era coisa que se dizia na hora só tesão.
- Acha que o que tivemos não foi nada? - Sua cara fica ainda mais fechada, acho que estou deixando ele realmente ofendido. - O que pensa da vida? O que acha que vai acontecer daqui pra frente Angelina?
Se ele soubesse que é exatamente isso que me assusta...
- Alessandro...eu não sei! As pessoas fazem sexo casual o tempo inteiro...achei que estava dizendo aquelas coisas por excitação...eu te pedi ajuda e você sempre foi meu amigo e fez isso por mim. Achei que podia ser só isso.
Não achei tanto...tive esperança que pudesse ser.
- Sexo casual? Você acha que tirar sua virgindade foi sexo casual? Esta louca, Angelina? - Bate na mesa, fazendo ela vibrar com tudo em cima.
- Então me diz o que você esperava? O que acha que somos agora?
Me diz o quão fundo cai nessa buraco...
- Agora você é minha mulher.
- E o que isso quer dizer? Que quer que sejamos namorados?
- Eu não namoro.
- Pode ser claro?! - Gesticulo ainda mais confusa.
- O que pode ser mais claro que você é minha mulher?Isso quer dizer que quero exclusividade. Então se livre daquele imbecil.
- Você ficaria só comigo também?
Não que eu queira isso, mas por curiosidade pergunto, meu senso de justiça também grita com essa dúvida.
Já chega de ser traída, uma vez já foi mais que o suficiente e estourou a cota.
-Eu não quero ninguém além de você. Sempre foi assim...
- Isso é tipo aquela coisa que sua família tem?...de obsessão, vocês se enlouquecem por uma mulher do nada e ficam meio doidos?
- Do que está falando? - Franze o cenho. - Não somos assim.
Ele acha que não? Então acho que eles não enxergam as coisas de outro jeito do lado de dentro. É normal...a gente nunca vê nossa vida e situação da forma com quem está vendo a situação de longe.
- Ah...seu pai foi assim com sua mãe e seu vô com sua vó. - comento, sem jeito.
- Esta tendo informações erradas sobre nós... Somos apenas... - Pensa por um minuto, procurando palavras. - Homens obstinados que não param até ter o que nos é de direto...
- Loucos obsessivos. - corrijo rindo.
- A gente é amigo há tanto tempo, é estranho me imaginar assim com você. - encolho os ombros. - Foi bom... nossa, como foi. - solto um suspiro admirada com as lembranças, o prazer descomunal percorrendo meu corpo e me fazendo esquecer a realidade, esquecer quem ele era para mim a vida toda. Foi como passar horas em uma bolha, que pela manhã, foi estourada bem na minha cara. - só que ainda parece um pouco errado.
- Eu nunca te vi como amiga... Nao é errado. E não é obsessão.
- Pra mim parece errado. - reforço com a mão no peito, indicando a mim mesma, que estou falando do que sinto. - Agora que acabou parece que eu cometi um incesto. - dou uma risada nervosa. - E eu não sou burra, percebi que desde criança você tinha ciúme de mim...eu me convenci que era outra tipo de ciúme e agora que transamos eu sei que não é. E não vou mentir que tenho um pouco de medo do quão forte isso pode ficar agora que acha que eu sou sua.
-Eu não sou um monstro, e eu não acho que você é minha, você é. E sobre transarmos, não vamos esquecer que foi você quem veio para cima de mim. - ri.
- Alessandro 1, Angel 0. - pisco.- Só vamos com calma. parece besteira dizer que precisamos nos conhecer melhor porque...- balanço ombros.
- Estamos um com o outro a vida toda, mas entre o que tínhamos e uma relação...tem muita coisa para ver e saber. Vamos deixar as coisas fluírem. - sugiro tentando parecer que não estou o enrolando, só que eu estou.
- E eu acabei de sair de um noivado...quer dizer, tenho que contar que o noivado acabou.
- Eu posso cuidar disso.
- Conheço a forma com que lida com as coisas. E eu não quero guerra, quero que seja um fim mais calmo do que é possível com um Mafioso russo.
- Nao existe guerra eu sou o futuro subchefe, tudo acontece como eu quiser.
- Que sexy! - apoio a cabeça na mão. - Deixa eu tentar resolver isso sozinha, mas prometo que se eu precisar de reforços o número que vai estar na ligação de emergência é o seu.
- Tá. - ele cede com um meio sorriso.
Coloco minha mão sobre a sua, dando um leve aperto em agradecimento por tudo, pela compreensão, por ter me ajudado a sair dessa, pela sua amizade.
- Você é o melhor. - lanço um beijo.
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19 de janeiro.
12:32AM
Entro às pressas no andar quando saio do elevador, andando até a mesa onde uma moça de altura mediana está sentada em frente a sala da Nádia. Ela é muito bonita, tem olhos claros e cabelo castanho claro liso até a altura do busto, ela é esguinia e tem uma postura tímida.
- Oi...a Nádia está aí? - aponto para a porta e levo a barra de chocolate ainda envolta da embalagem até a metade a boca.
- Olá, boa tarde... Não a Nádia não está, ela teve que sair. Você tem horário marcado? - Pergunta, procurando no computador.
- Não, eu não preciso disso. - balanço a mão no ar. - E o Eric, ele está? Olha...eu não queria ter que falar com ele porque eu estou puta, e a Nádia me acalma sempre antes de eu enfiar as unhas nos olhos dele mas deve ser sinal do destino ela não estar. - falo tentando mostrar o quanto estou brava. - quer chocolate? - estendo a barra levemente em sua direção. Não quero ser mal educada
- No, Gracias. - recusa docemente enquanto se levanta. Só agora percebi que ela não é daqui, e sim que é espanhola. - Por que não se senta e me conta o que ele fez? - Sugere apontando para o sofá amigável.
- Não...- olho o sofá e continuo em pé.
- É que eu estou muito atrasada. Esse desgraçado marcou uma reunião importante em cima do horário pra hoje, e eu tenho um vôo marcado daqui 5h para o meu país, e ele marcou a reunião pra daqui 2h! E eu não posso faltar porque que eu sou a representante do meu pai aqui, mas se eu perder meu vôo...- relaxo os ombros desanimada, mastigando o chocolate atonita. - Desculpa...qual o seu nome?
- Eu sou Esther... - Estende a mão e eu aceito.- Eu posso ligar para o Eric e ver se conseguimos adiantar a reunião para que não perca seu vôo e consiga representar seu pai. Que tal?
Jogo a cabeça para trás aliviada.
- Obrigada...você é um anjo. Só espero que esse rato aceite, porque ele gosta de me sacanear, ele faz de propósito! - faço um bico. - Ah, eu sou a Angel. - mudo de expressão radicalmente novamente sorrindo ao me apresentar e notar que meu sotaque também está mais que carregado.
- Quem é o anjo é você então... - Sorri, pegando o telefone e discando o número, e não demore para que ela seja atendida.- Eric. Sim, sou eu... Não agora não, Eric. Eu só liguei para dizer que vamos ter que adiantar a reunião em uma hora porque uma das participantes tem um vôo para pegar. A senhorita Angel... Eric, não seja assim. Facilite a minha vida no meu primeiro dia, por favor. Ok. Gracias... Até mais tarde.- Desliga o telefone. - Acho que deu tudo certo.
Quando ela desliga meus olhos ainda estão arregalados.
Me apoio na bancada e aproximo o rosto do dela. -
Vocês estão juntos? - pergunto em um quase sussuro.
- Por que acha isso? - Tenta se fazer de desentendida.
Ah não...não adianta, eu conheço ele.
- Ninguém fala assim com ele...a menos que queira um belo chute na bunda para ir parar no meio da rua, no melhor dos casos, é claro...
- Ah... Eu só... Só fui eficiente e...
- E ousada. E ele não gosta de ousadia e nem aceita...- cerro os olhos desconfiada. - Se estiverem juntos, boa sorte, ele é insuportável...e não querendo ser fofoqueira mas a família dele ter um histórico horrível de obsessão doentia então se a próxima for você, se prepara. - falo em tom de fofoca. - Mas você é linda, ele deu sorte. - Suavizo a voz e sorrio.
Fecha os olhos suspirando.
- Ok... Só tenho um dia de trabalho e duas pessoas já sabem, eu não sou boa em mentir. - Deixa os ombros caírem.
Faço um sinal de zíper na boca.
- Eu não sei de nada.
- Você parece íntima deles. Quer dizer, do Eric e da Nádia.
- Nós crescemos juntos. - conto.
- Ah, é? E você disse que tem histórico de obsessão? não que eu queira saber... Mas... - Morde a unha, curiosa.
- Não eu queira contar, porque eu não sou fofoqueira...- Olho para os lados e de volta a ela de um jeito cúmplice.- o pai deles é louco pela mãe, tipo, louco mesmo...bem louco, um tempo atrás a mulher nem pisava na rua, e o avô com a avó...e assim por diante...quer dizer, assim por trás. - faço sinal pelas costas. - A gente estava esperando o dia que ia acontecer com ele. Havia até esperança de que não fosse acontecer...Eric não é muito apegado às coisas, nunca foi ciumento. Sabe? Aquela sensação de quem tem tudo e não tem medo de perder nada porque pode substituir com outras coisas ainda melhores? Mas não funciona assim com pessoas...então...sabe.
- Ele costuma a descartar as pessoas fácil? - Pergunta, receosa.
Ela está preocupada...está gostando dele de verdade.
- Não...- balanço a cabeça em dúvida. - Amigos e família não, com as mulheres é difícil dizer, ele nunca liga pra nenhuma delas e nem leva muito a sério. Se ele é diferente com você, pode confiar que a maldição de família te pegou. - sorrio acolhedora.
- Ahh... - exclama atônita. - Talvez queria tomar uma água antes da reunião.
- Ah...não, eu vou lá na sala de uma pessoa enquanto isso. - Faço sinal na direção do elevador. - Obrigada, Esther. Salvou minha vida. Fica com isso. - deixo uma barra de chocolate belga na sua bancada. - É meu preferido.
- Gracias. - me lança uma piscadinha.
- Pede meu número pra Nádia! - falo alto entrando no elevador antes que ele se feche.
Já no andar superior, eu paro em frente a porta da sala de Alessandro, tomando coragem para dizer a ele que estou partindo hoje.
Bato na porta duas vezes.
- Posso entrar? - grito do lado de fora com pressa e logo a porta é aberta.
- Pode. - Abre um enorme sorriso vendo meu rosto, e eu acabo fazendo a mesma coisa. - Entre. - Dá espaço, fechando a porta.
- Oii...está muito ocupado?
- Sim e você está me interrompendo... Mas você pode fazer isso quantas vezes quiser. O que faz aqui?
- Eu vou ser rápida. - faço um sinal com a mão aberta. - Eu só vim te dizer tchau, vou participar da reunião daqui a pouco e correr para pegar meu avião de volta para irlanda. Estou até pronta já...- Dou meia volta, exibindo meu look.
O vestido de seda branco pérola até altura das coxas molda bem meu corpo, o tomara que caia sustentado o tamanho mediano dos meus seios.

Ele fica me olhando por vários segundos, vejo que sua boca quase se abre mas ele se apressa em controlar a reação, minhas bochechas coram pela confirmação de que estou bonita .
- Uma porra que vai.
Acabo rindo da maneira que ele fala, achei que seria mais difícil.
- Sim, eu vou sim. - Reafirmo branda. - Esse não é meu país, aqui não é a minha casa, eu trabalho e tenho missões e obrigações fora daqui. Tenho muita informação pra levar para o meu pai.
- Existem telefones, sabia? E você tem assustos mais importantes para resolver aqui.
- Não tenho por enquanto, eu terminei com o Peter, ele morreu de raiva e quis me matar, só coloquei seu nome no meio e ele virou outra pessoa. A conformação em carne e osso! - Conto. - Eu tenho que ir, são minhas obrigações. Mas eu volto...você sabe que eu sempre volto pra você. - Noto o que eu falei e balanço a cabeça. - vocês. - corrijo rapidamente e sorrio docemente para ele. Desde criança é um ritual sua reprovação e infelicidade com minha partida.
-Não quero que você vá.Quero que fique... Aqui comigo. - Toma minha cintura, me levando para si e não soltando meu corpo quando sente nossas peles em contato.
- Eu sei, também adoro ficar aqui mas sinto saudade da minha família, e o dever me chama. Você entende isso, também é herdeiro de muitos compromissos...- toco seu peito e aliso sua gravata para cima e para baixo.
- Posso cuidar disso e você vai poder ficar mais. - Sugere, suspirando. - Eu quero você. - Inicia uma trilha de beijos pelo meu pescoço, fazendo arrepiar.
Aquela sensação de que isso é errado permanece, entretanto, ainda sinto uma enorme atração por ele desde que tive minha primeira vez. Só a lembrança de como me senti, do seu toque e seu cheiro, sinto que o desejo cresce em mim. É carnal.
- Duas semanas...- inclino o pescoço o dando mais liberdade.- E eu volto, prometo....ah...- gemo enquanto ele continua os beijos que se tornam mais quentes e molhados.
- Se não voltar vou te buscar...- Sua voz rouca decreta contra meu ouvido depois que ele morde o lóbulo da minha orelha. - Aliás, pode me dar algo para que eu me lembre de você. -
Sua mão já está por baixo do meu vestido, indo até minha bunda, apertando e alisando.
- E o que você quer? - me faço de inocente com um sorriso travesso. Eu descobri que gosto de palavras sujas, e gosto quando ele diz elas pra mim.
- Quero que você grite meu nome enquanto enquanto como sua bucetinha em cima da minha mesa. - me gira agilmente, colocando-me sobre a mesa.
Suas mãos passaram de minha bunda para minha coxa sem sair do meu corpo, subindo por cima do vestido até meus seios, chegando ao meu pescoço que ele agarra.
- Diz que é minha. - aperta a área, causando uma leve dificultada na minha respiração, o que causa uma reação na parte entre minhas coxas.
Ele ordena isso olhando fundo em meus olhos, as pupilas esverdeadas estão dilatadas.
- Alessandro...- gemo seu nome apertando os lábios quando minha buceta dá uma forte pulsada.
- Diz que é. - aumenta o aperto em seu pescoço, ele está selvagem, possessivo e sedento por uma afirmação.
- Eu sou sua...- digo movida pela excitação.
Um sorriso perverso toma seus lábios, a palma de suas mãos separa meus joelhos, abrindo minhas coxas para dar espaço para o seu dedo que ele introduz após afastar a calcinha.
- Porra. Tão molhadinha. - Pragueja ao sentir minha entrada molhada e quente.
- Ah... hum..- gemo, abrindo mais as pernas e o dando passagem, deixando que ele aumente a pressão dentro de mim, que seus dedos trabalhem em meu interior, crescendo meu prazer. - Me faça sua de novo. - imploro quando a pressão vai aumentando, fazendo que flashbacks e fantasias bombardeiem meus pensamentos.
Fantasias impuras, violentas e tão prazerosas quanto dolorosas, me fazendo perguntar de onde isso saiu.
- Como quiser, amor. - Ele libera seu pau, abrindo o zíper da calça social preta, abaixando a cueca e deixando a minha vista seu enorme volume, pulsante e cheio de veias o qual ele enfia em mim sem sobreaviso.
Entrando de uma vez só.
Um grito de dor escapa pelo surpresa de seu tamanho tomando espaço em mim, e q dor logo se torna prazer.
Agarro em seu ombro enquanto ele mete dentro de mim impiedosamente.
- Vai mais forte...não precisa ter pena de mim. - olho ardente no fundo dos seus olhos, possuída pela luxúria, a sensação que tenho é que algo demoníaco dentro de mim pedr para que ele me rasgue, me puna de algo que eu não fiz.
- Vadia. - Bate em meu rosto, fazendo com que o mesmo se vire e minha expressão quando o olhar se volta a ele é masoquista.
Sorrio ainda mais safada e gemo sem controle.
- Alessandro...- quase grito seu nome sentindo o orgasmo se aproximar e o prazer se tornar quase insuportável dentro de mim. Meu corpo se Arqueia para trás, sinto que estou desmoronando enquanto minha buceta aperta seu pau que não para de golpear fortemente meu útero.
Alessandro agarra minha bunda com forças, seus dedos afundando em minha carne, forçando seu pau dentro de mim para atingir o ápice que ele se derrama dentro de mim.
Prendo o cabelo em um coque solto quando nos separamos, me abanando pelo calor que exala do meu próprio corpo.
- Eu tenho que ir...- digo preguiçosamente enquanto assopro o ar a minha frente.
- Eu vou te esperar. - Ele fecha o zíper da calça, voltando a se aproximar de mim ainda sentada na mesa e cola sua testa na minha.
- Você sabe que é minha, não é?
Não posso dizer que não...não tenho coragem de dizer que não. Ontem eu fui dele, e hoje fui ainda mais. Só não sei se isso vai dar certo, se quero isso, se estou pronta pra isso. A única coisa que sei é que dizer não pra ele é inútil, e que eu quero mais do que ele pode me dar.
Só preciso quebrar essa sensação de que estou dando para um irmão postiço.
-Eu sei...eu vou voltar. - Falo em um Murmurio, não digo segura e forte como se eu tivesse certeza, porque eu não tenho. - Me espera.- peço.
DUBLIN, IRLANDA.
20 de Janeiro.
9:56AM
- Não tem ninguém aqui?! - grito passando pelo hall e pela sala de estar, dou meia volta, deixando a mala de rodinhas na sala mesmo e ando até a sala de jantar onde acho eles tomando café da manhã.
- Voltei. - respiro fundo, soltando o ar pela boca e sorrio.
- Minha filha. - minha mãe se levanta para me abraçar.
- Oi mamãe. Demorei quase um mês e meio...estava com saudades. - beijo seu rosto e depois vou até meu pai, sentado na cabeceira da mesa para dar um beijo em sua bochecha.
- Está linda. - me abraço. - Como foi a viagem?
- Cansativa.
-Sente-se. - minha mãe chama para eu me sentar no lugar de sempre e eu o faço. - Deveria ficar mais em casa, eu morro sem você aqui. - acabo sorrindo carinhosamente de seu típico drama. Somos muito unidas e cúmplices, ela é como minha melhor amiga e eu não consigo esconder nada dela. Faz muita falta quando fico distante.
- Vocês aproveitam muito sem mim, isso sim. - olho atrevida para os dois enquanto estou enchendo uma taça de suco. - Resolvi todas as pendências por lá, fechei negócio, acabei com outros, fiz vistorias. - conto na ordem.
- Hum.. E não quer nos contar do seu noivo? - Pergunta com a sobrancelha arqueada.
Eles já sabem...
Solto o pão que eu comia.
- vocês já sabem, não é? - olho de um para o outro e meu pai assente. Está inexpressivo, e isso me assusta um pouco. Mas meu pai é muito paciente, então sua inexpressividade talvez seja porque ele não vai se alterar com nada até ouvir da minha boca que é algo o qual ele deva se preocupar.
Ele acredita muito na gente, então não importa o que outros digam, nossa palavras são as únicas que importam.
- Ele mesmo fez questão de me contar, com muita raiva, como deve imaginar. Mas não fez ameaças...- fala estranhando, franzindo as sobrancelhas levemente e dando de ombros. - E me contou antes de você, sabe que odeio saber as coisas da minha família pelos outros.
- Eu terminei com ele faz menos de vinte quatro horas, nem tive tempo. Ele foi rápido em avisar. - bufo frustada.
Linguarudo.
- O que houve, filha?
Olho para minha mãe um pouco tímida.
- Eu notei que não gostava dele, e não era a pessoa que eu queria passar o resto da minha vida. - falo superficialmente, mas o olhar que dou a minha mãe, entrega que depois contarei mais detalhadamente pra ela longe do meu pai .
- E ele não aceitou bem...não teria como aceitar, sabe como é no nosso mundo.
- E o que fez ele aceitar? - Indaga meu pai, ainda mais desconfiado.
- Eu...inventei algo pra ele.
- Que seria?...- me estimula a continuar.
- Que estou apaixonada por Alessandro e estamos namorando. A única forma dele não tentar nada contra nós por vingança e nem sujar nossa imagem por quebrar a palavra, por medo de Alessandro.
- O que? - Minha mãe engasga, levando o guardanapo a boca.
- É... mãe. Eu tinha que ser esperta, se dissesse isso de qualquer outro mataria um inocente, então...pra salvar a mim, tive que envolver ele nisso. Ele aceitou fingir...por um tempo, depois inventaremos que terminamos porque não deu certo, porque era só amizade e confundimos as coisas...
- Alessandro aceitou fingir que namora você? - Pergunta ela, achando graça. - Entendo...
- O que ele não vai aceitar é que isso é uma mentira, vai querer se aproveitar. Conheço o sangue dos Petrov. - Meu pai diz, já não achando tanta graça nessa situação.
- Não se preocupe, papai. Ele não vai fazer nada que eu não queira, ele só quis me ajudar. - falo tentando convencer a mim mesma também, sabendo que provavelmente não é bem assim que a banda toca. - Ele não vai se aproveitar de nada. - toco sua mão, acariciando e sorrindo.
- Sua ingenuidade me preocupa. - responde sério, mas retribuindo o carinho na minha mão.
- Estevan... Vamos deixar nossa filha, ela precisa comer em paz, se ela disse que tudo bem, está resolvido. E você tem aquela reunião, não tem? - Ela se levanta, o puxando da cadeira também. - Está na hora, meu amor.
- Não pense que vai conseguir desviar minha atenção disso. - Ela se deixa levantar, jogando o guardanapo na mesa - Depois conversamos mais sobre. - avisa sério, se curvando para deixar um beijo na minha testa e depois um nos lábios da minha mãe.
- Não se preocupe, papai. Eu fiz o que tinha que fazer, eu salvei a mim e a nós.- Digo sorrindo e quando ele sai, o sorriso morre e eu encaro minha mãe com a expressão preocupada.
Antes que ela vá o acompanhar, ainda sentada, a seguro pelos dedos.
- O que você fez, Angelina? - Joga a bomba agora que estamos sozinhas.
- Perdi a virgindade. - digo mexendo a boca sem fazer som, e sua expressão muda radicalmente quando faz a leitura labial.
Seus olhos arregalam até quase sair de orbita, e ela se joga na cadeira ao meu lado, se virando de frente para mim.
Acho que por essa ela não esperava...
- Não me diga que foi com...
Faço que sim.
Engole em seco.
- oh meus Deus... Está ficando maluca, Angelina? Você não pensa, menina? Jesus... Como isso aconteceu?
Ela tem uma filha, acho que ela sabe como aconteceu...
Eu riria com meu pensamento se não estivesse com o....não mão.
- É justamente por pensar que tive que fazer isso. O Peter e eu não acabamos só porque eu não gostava mais dele, ele me bateu, e me traia com todas as mulheres que passavam pela sua frente. Nada ia fazer ele me largar porque nossa relação era muito conveniente a ele, nada ia fazer ele aceitar se não fosse eu perder a virgindade com o futuro Subchefe, tinha o Eric claro,...mas credo. - faço careta. - E Alessandro não ia me negar essa ajuda. Sabe como ia ser horrível minha vida...apanhar e ser traída para sempre. Eu fiz o que eu pude.
- Ele bateu em você? Vou falar com seu pai, esse Maldito não vive mais um dia.
Balanço as mãos eufórica, colocando sobre a dela tão rápido que faz um barulhinho de tapa.
- Não! Foi justamente por isso que não contei nada pra ele. Você sabe que ele ia querer colocar o mundo abaixo e isso não é bom e nem seguro, vamos deixar isso pra lá, por favor. Nós estamos conseguindo crescer tanto, não podemos ficar arrumando conflitos. - meu olhar implorando.
- Minha filha, a sua vida vem antes da máfia, nada é mais importante do que ela. E é por isso que você não deveria ter envolvido Alessandro nisso... Você sabe que isso significa, não sabe?
- Mãe, se eu tivesse aceitado continuar com o Peter eu ia viver um inferno, e não foi pra isso que vocês me criaram com tanto amor e lutaram tanto pra eu ter direitos e poder governar aqui. E se eu tivesse dito não a ele sem usar o Alessandro, ele ia fazer algo contra nós...ou sei lá o que ele usaria para me fazer mal. Não tive outro caminho...- explico. - E está tudo bem com isso, Peter agora está no passado. Ele não é mais um problema e não pode mais nos prejudicar. O problema agora é que Alessandro disse que eu sou dele.
- É claro que ele disse... Em que mundo achou que ter Peter como problema era pior que Alessandro? Poderia vir para casa e faríamos um jeito... Não é de hoje que esse rapaz tem sentimentos por você. Desde sempre... E a família dele...Você sabe do histórico.
- dar que Jeito, mamãe?! - balanço a cabeça. - Íamos ficar com a imagem suja, de pessoas que quebram a palavra e sabe como isso pesa, ainda mais para os russos. - Ela se cala por um segundo, sabendo que eu estou certa neste ponto. - E sobre o Alessandro, eu senti coisas diferentes...depois que fiquei com ele. Mas não é amor e também não é paixão, eu estou atraída...mas não acho que isso é o suficiente para que eu queira ser dele.
- Esse é o problema... Você não o quer, mas ele quer você. Sabe quantas vezes eu vi as mulheres na Rússia sofrerem por causa desse impasse? Angel. - Passa a mão por meu rosto com carinho, olhando em meus olhos com compaixão. - Não seja inocente, você precisa estar pronta.
- Pronta como?
- Pronta para lidar com toda a intensidade, ciúmes e controle que ele vai tentar exercer sobre você. Se quiser levar isso adiante, fale agora e vamos resolver isso, mas se seguir com isso... Tem que ser forte.
- Eu...não sei. - fico completamente sem rumo. - Sabe como eu gosto de ser livre, de rir, viajar, conversar, festejar...- penso em tudo que eu perderia e ainda mais, como uma vida de casal com Alessandro parece estranha pra mim.
Como poderão resolver isso? Acho que ele não vai aceitar um não...não existe como escapar dele sem sairmos no prejuízo.
- Primeiro tente desvendar o que foi esse sentimento que sentiu e vai ter um norte... Nunca se esqueça que sempre vamos estar aqui para você.
- Eu te amo...- seguro mais forte sua mão, tentando tomar suas forças para mim, como se fosse possível. - Vou precisar...de um tempo. - respiro fundo, olhando para o nada.
[...]
Duas batidas na porta semi aberta do meu quarto, roubam minha atenção da televisão que eu assistia, sentada em minha cama.
- Oi, papai.
- Ocupada?
- Não, mas pra você nunca estou, vem! - Chamo com a mão, varrendo o ar para minha direção e ele sorri, caminhando até mim e se sentando na beirada da cama.
- Vim te chamar para jantar, então...largue isso. - tira o balde de pipoca do meu colo, colocando sobre o seu, levando um punhado a boca em seguida.
- Eu consigo comer pipoca e jantar, consigo comer tudo! - faço um biquinho vendo que ele não para de comer a pipoca roubada. - Dá o exemplo e para você também! - dou um tapinha em sua mão e ele ri.
- Não é só isso que eu vim falar. Eu não engoli aquela história no café da manhã.
- Como assim?
- Entendo que pra acabar com o noivado com o Peter sem sujar nossa imagem você teve que fingir namorar o Alessandro Petrov, mas sabe que não me importo com nada disso, o importante é a sua felicidade e você não tem que se submeter a fingimentos.
- Papai, eu me importo e me importo muito. Roubaram tudo da gente, você voltou pra cá e lutou muito para recuperar tudo isso...ainda estamos reconstruindo e eu quero que vocês partam desse mundo vendo que toda a dedicação de vocês não foi em vão, que somos grandes e fortes. Você sempre faz tudo certinho pra não sujar a nossa imagem, não se dá o ao luxo de arrumar conflitos por ego igual os outros Mafiosos podem....você se importa sim.
- Mais importante do que isso, é partir desse mundo sabendo que você está feliz. Você é acima de tudo.
- E pra mim vocês e a O'neill também são acima de tudo. Eu só vou ser feliz se puder realizar nosso sonho, e foi por isso que fiz o que fiz.
- Você saiu de um problema e se colocou em outro. Ele sempre foi obcecado por você e isso sempre me incomodou, porque sabia que na primeira oportunidade de render você, ele faria.
Seguro sua mão, olhando profundamente em seus olhos.
- Ele não fez nada comigo que eu não queira, papai. Pode confiar.
Falo sincera, até agora ele realmente não fez nada que eu não queira. Só...está tentando, me fazendo voltar pra Rússia e ser dele.
- Vou te falar uma coisa, e preste atenção, Angelina. Sei que conhece ele a vida toda e confia nele, mas não deveria, você acha que o conhece mas não xonhece...as pessoas mostram outra face por amor, e é o que ele vai fazer, se é que já não fez. Porque sinto que está me escondendo algo, mas não vou te obrigar a falar nada.
Me sinto muito culpada por estar mentindo para o meu pai, só que eu não quero deixar ele preocupado, mais preocupado...
- Não estou, eu vou ser inteligente, papai, vou continuar fazendo o que tenho que fazer. E quanto a minha felicidade, não se preocupe, vocês me fizeram a menina mais feliz do mundo até hoje, me ensinaram a ser feliz em qualquer lugar do mundo, a ver magia nas coisas mais simples, desde o nascer do sol até às mais grandes como uma jóia.
- E eu faria tudo de novo.
Sorrio.
- Confie em mim.
- Se precisar de mim, sabe que estarei onde precisar, e não importa o que faça ou o que aconteça, você sempre será o meu orgulho. Nada pode mudar isso. Você é minha princesa.
Me coloco de joelhos no colchão, atirando meu corpo em seu abraço, fico segundos com a cabeça apoiada em seu ombro, sentindo o carinho em minhas costas e usando isso como força para o que pode vir pela frente.
- Eu te amo...- sussuro.
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Dia seguinte....
21 de janeiro, 09:12AM
Largo todas as coisas que estava fazendo no quarto e me jogo na cama, atendendo o telefone que tocava insistentemente.
- Bom dia! - digo para Alessandro, na Rússia agora são 11H mas aqui em Dublin são 9h, o fuso horário não é muito grande mas faz uma pequena diferença.
- Bom dia... O que está fazendo? - Dá para saber que ele está sorrindo agora, pela maneira que sua voz soa.
- Estava arrumando o closet, colocando minhas roupas de volta no lugar e todas as compras que eu fiz. - respondo ele também sorrindo. - E você? Como está? E o que está fazendo?
- Estou indo para a sede. E não perca tempo desfazendo as malas já vai refaze-las em breve.
- Ainda faltam alguns dias. - falo tentando parecer normal com essa ideia, e não preocupada como realmente estou. - O Peter falou com meu pai, foi reclamar do final do noivado, passou na minha frente. E eu...disse pro meu pai que o casamento acabou porque eu notei que não gostava do Peter, e pra justificar para o Peter o fim, havia inventado que estamos namorando. Não contei que perdi a virgindade...e que o Peter tinha me batida e traído, contei para minha mãe mas para ele não...sabe o que ia acontecer,e eu só quero ficar em paz, não causar um estrago. Então não mencione nada diferente do que eu falei, por favor.
- Poderia dizer a verdade a ele, eu cuidaria do resto. - Diz gentil e protetor. - E fique tranquila, vou cuidar para que Peter não fique mais com seu nome na boca. E quando aos seus pais, faremos como achar melhor... Você decide se quer ou não dizer, o importante é que esteja aqui em breve.
- Eu mal sai daí. - acabo dando uma leve risadinha tensa, falhando na tarefa de disfarçar. - Sem pressa.
- Duas semanas, Angelina. Foi o combinado...- Agora sua voz muda, grossa e incisiva, com uma leve irritabilidade. - Não se esqueça que é minha.
- Alessandro, o que planeja? Aqui é minha casa, eu vou aí a negócios ou férias sempre que vou. Mas eu moro aqui, na irlanda, com meus pais. - Deixo cair por terra a tentativa de esconder meus sentimentos conflitantes. Eu sei que não quero voltar pra Rússia, eu gosto daqui, da minha casa, da minha família, dos meus amigos e de ficar com o Barry, das minhas missões.
Ele fico em silêncio por um tempo, segundos, e enquanto ele não fala nada meu coração golpeia meu peito.
- Volte e vamos falar sobre isso... Não se esqueça de não aprontar aí, eu vou saber. Preserve o que é meu, não se esqueça disso.
- Tudo bem..- concordo contra minha vontade. Não é difícil não transar com ninguém, fiquei sem isso por anos até ter Alessandro, o difícil mesmo, é fazer algo que não o vá irritar profundamente com ciúme, porque, coisas bobas o deixam assim, e se já era terrível quando éramos só amigos, agora que acha que eu sou dele, vai ser um caos. - pode voltar ao trabalho...não quero te atrasar. até mais.
- Até...- responde suave antes de desligar.
Bato a cara no colchão, dando um grito abafado.
[...]
Quando meu pai voltou para refazer a máfia, e a nomeou como O'neill, decidiu fazer as coisas diferentes. Ao chegar, a primeira coisa que fez foi ir atrás dos membros fiéis que sobreviveram, alguns muitos estavam até mesmo fora do país, eles os achou e apresentou a nova proposta, os que aceitaram, voltaram para a irlanda e tiveram seus cargos recolocados, alguns ficam em outros países para cuidar dos negócios por lá, somos muito influentes na Inglaterra, estados unidos e Rússia, que é onde estamos distribuidos, temos força, mas ainda não tanto quanto antes.
O plano era um grande sistema de lavagem de dinheiro, uma empresa fictícia para explicar de onde todo o nosso dinheiro vem. A O'neill como máfia só trabalha com contrabando de drogas, bebidas ilícitas, também há alguns casos de agiotagem para jogadores viciados em cassinos.
E é aí que entra a empresa fictícia, uma financeira de nível médio, com bastante capital. A empresa se localiza no 5° andar de um dos maiores prédios comerciais no centro de Dublin.
Não temos mais uma sede, meu pai não acha isso discreto, temos uma grande mansão localizada em uma área deserta cheia de vegetação onde os membros se reúnem.
Quanto a área de treinamento, compramos uma academia, é privada e só os membros da O'neill podem entrar, e é nela que estou agora.
Assim que passo pelo lobby, aceno para todos que sorriem de volta para mim, ao passar pela porta dupla que dá acesso a primeira sala extensa, com cerca de 30 metros de largura por 45 de comprimento.
Essa é a sala de tiro, com proteção sonora, ela tem as paredes brancas e vários alvos simulando humanos posicionados por toda parte.
- Oi, Clark. - Aceno na direção do homem loiro com cerca de 1,80 de altura, os olhos verdes e as bochechas rosadas.
- Oi, Angel. Demorou dessa vez, como foi na Rússia? - Diz ele colocando munição na arma.
- Foi bom, sabe que eu gosto muito de lá, estamos indo bem nos negócios por lá. Você viu o Barry?
- Na última sala. Ele chegou faz umas duas horas, deu umas aulas para os novatos e acho que está sozinho de novo.
- Eu vou lá fazer uma surpresinha pra ele. - dou um tapinha em seu ombro e ele sorri.
- Vai fazer o velho infartar, ele sente sua falta. Aluna favorita. - ri de lado.
- Não chama ele assim! - Falo alto com um sorriso no rosto ao caminhar para a segunda porta que divide as salas.
Cumprimento todos pelo caminho, mas ao chegar na última porta, eu a abro com cuidado sem fazer barulho e o vejo de costas em pé, mexendo no celular.
Tiro os saltos, deixando no chão e vou descalça na ponta dos pés, pisando fofo até chegar nele. Ele é muito alto, 2 metros de altura, e com meus 1,66 tenho que continuar na ponta dos pés ao passar minhas mãos por trás e cobrir seus olhos.
- Advinha quem é? - pergunto sorrindo completamente animada, minhas bochechas chegam a doer de tanto sorrir.
- A única mulher inocente o suficiente para achar que não notei sua presença assim que abriu a porta.
- Ah, não acredito!
- O seu andar te entrega, seu cheiro também, e mais ainda essas mãos pálidas pequenas com unhas pintadas de rosa. - Segura minha mão, tirando dos olhos, e se vira para mim.
- Sentiu minha falta? - me jogo em seus braços.
- Sempre sinto.
Barry é meu mentor, tem quarenta e dois anos e é um homem e tanto, as mulheres suspiram por onde ele passa. Nem dá pra acreditar que até hoje ele está solteiro, é muito centrado do negócio. Dois metros de altura, uma barba meio grisalha e cabelos pretos, é muito forte, musculoso e sua voz é grossa, capaz de arrepiar qualquer mulher, e seu cheiro amadeirado com fundo adocicado é hipnotizante, mas acima de tudo, o que mais encanta nele, é a pessoa maravilhosa que é. É paciente, inteligente, bem humorado, embora tenha uma aparência bem séria, muito leal e alguém que pode você confiar de verdade.
O pai dele foi um dos membros que na hora em que meu pai pisou na Irlanda, se uniu a ele para refazer a máfia morta. O pai dele era muito amigo do meu avô, foi um dos que escapou da carnificina, e nunca culpou meu avô por ter entregado a todos, entendeu completamente. O Barry cresceu e tomou o lugar do seu pai, e agora é um dos pilares da máfia O'neill.
Quando eu fiz dezesseis anos, ele começou a me treinar, se tornou meu mentor. Ele me ajudou a moldar o que eu sou hoje, ele me ensinou a lidar com a frustração, a lutar, atirar, a armar planos, me ensinou os ossos do ofício, tudo que eu preciso saber para um dia tomar conta do lugar do meu pai.
Nunca fui muito boa na parte de luta corporal, eu sou boa em atirar e me garanto na auto defesa, mas minha praia mesmo são as negociações. Só que eu preciso saber me defender, e ele é bem paciente, toda vez que eu perco, e perco feio pra ele, ganho uma nova dica de como fazer da melhor forma e escapar, ele nunca se irrita com as minhas falhas.
Barry foi tudo na minha vida.
- Estou te devendo seu presente de formatura, você saiu daqui antes que eu entregasse. Vai ser difícil ser memorável como eu queria, seu pai te deu uma ferrari. - ri, jogando as sobrancelhas para cima e para baixo quando balança os ombros.
- Barry, sabe que você também tem os melhores presentes, e se me der uma pedra catada do chão, eu vou guardar com todo carinho.
- É uma pedra, mas não peguei do chão. - Ele começa a caminhar na direção dos armários e eu o acompanho. Quando paramos em frente ao seu, ele retira uma caixinha azul escura e me entrega.
O olho de baixo, dando um sorriso analítico antes de abrir e minha boca formar um O. Passo os dedos sobre o colar de pérolas com um pingente pequeno de diamante em forma de coração no meio.
- Parabéns pela formatura. - abre os braços e eu ainda encantada, aceito.
- Eu estou apaixonada, vou usar muito. Combina com quase todas as minhas roupas.
- Não poderia ter nada tão você quanto isso, foi o que pensei quando vi.
- Obrigada...- me separo do abraço e me viro para que ele coloque. De costas para ele, entrego o colar e sinto seus dedos na minha nunca quando o colar é envolvido na área, ele demora um pouquinho para conseguir fechar.
- Está linda.
- Você é incrível, obrigada. E obrigada por ter me apoiado tanto e feito parte disso tudo.
- O mérito é seu, eu estou aqui para o que precisar. Estou orgulhoso. - a voz grave não esconde a emoção. - Agora vamos voltar para a sala, temos uma tradição para cumprir.
- Dardos? - Questiono.
- Sim. - movimenta a cabeça.
Além de tudo, ele também é um ótimo conselheiro, como se fosse um psicólogo. Desde quando ele começou a me treinar, desenvolveu uma tática simples porém muito eficiente, para ele saber como estava meu humor e respeitar meus limites daquele dia, nós íamos para a sala e jogávamos dardos no alvo enquanto eu contava tudo sobre como foi meu dia, minha semana, dependendo do período o qual ficamos longe. Ele me aconselhava, mas às vezes só escutava. Isso também ajudava a desenvolver os sentidos, porque era uma conversa casual a qual estávamos focados e tendo que dividir essa atenção entre a conversa e o alvo, então quanto mais eu conseguia acertar o alvo enquanto me focava na conversa, mais atenta eu me tornava com tudo ao meu redor.
O Problema, é que esse jogo de Dardos vai ser difícil de ganhar enquanto o que eu conto, não é sobre a escola, a faculdade ou sobre alguma pessoa idiota que me irritou, sobre meus pais, e sim sobre eu ter perdido a virgindade com meu amigo de infância, Alessandro Petrov, na Rússia.