Dois viciados. Uma história de amor épica.
Prepare-se para o pior.
É o que Lily e Lo tentam fazer quando Jonathan Hale agenda uma reunião "importante". O problema: depois de serem empurrados aos olhos do público e lutarem contra seus vícios, eles não têm mais certeza do que é o pior.
Em um mar de muitas mudanças - incluindo Ryke e Daisy morando com eles - Lily percebe que a melhor parte de seus hormônios flutuantes pode ser o pior.
Seu desejo sexual está fora de controle.
Loren sabe que ela é insaciável, mas ele não está desistindo dela. Ela é uma parte muito grande dele. E enquanto ele carrega mais e mais responsabilidade, algumas das pessoas que ele ama duvidam de sua determinação.
Na conclusão de sua história de amor, Lily & Lo ficam lado a lado para lutar, uma última vez, pelo felizes para sempre deles.
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LOREN HALE
No breu da noite, corro tão rápido quanto à raiva me carrega. Cascalho da estrada suburbana escava em meus pés descalços, o frio de fevereiro mordendo minha carne. Eu não tive tempo para calçar sapatos, uma camisa ou até mesmo pegar um casaco.
- Filhos da puta, - Ryke rosna com os dentes cerrados, usando todo o seu poder e resistência - tudo o que fez dele uma estrela do colegial - para perseguir figuras vestidas de preto que correm pela rua. Eu nunca pensei que seria capaz de igualar a velocidade do meu irmão. Sem o peso da autopiedade e ódio, posso ir mais longe do que sonhei.
E eu vou.
Minhas pernas avançam em sincronia com as dele, nossos músculos se aguçam da mesma maneira. Nossas veias estourando e aquecendo com fúria vermelho-sangue. Porque nós pensamos que esses idiotas estúpidos atiraram em uma das garotas através da janela.
Um minuto atrás, Ryke e eu estávamos no andar de cima e ouvimos alguns estrondos altos, seguidos pelos gritos de pânico de Lily e Daisy. Quando corremos para o andar principal, Daisy estava pálida como um fantasma. Lily estava segurando a mão de sua irmãzinha, e meu olhar caiu para o estômago de Lil, um aumento perceptível nas dezoito semanas de gravidez.
Eu fodidamente corri no instinto. Só que desta vez, não sou eu quem está sendo perseguido.
Ryke estava ao meu lado, sem hesitação, sem perguntas. Ele deu uma olhada no rosto horrorizado de Daisy, e ele simplesmente enlouqueceu. Nossa fama e notoriedade não deveria colocar nenhuma das garotas em perigo. É uma besteira completa.
Todos os seis de nós - Ryke, Daisy, Connor, Rose, Lily e eu - agora moramos em um rico bairro fechado da Filadélfia. Só que esses "portões" cercam o bairro, não nossa casa de oito quartos. Às vezes, as verdadeiras merdas são as que estão na mesma rua e, nas últimas duas semanas, elas incitam nossa porta, usaram papel higiênico no quintal e bifurcaram a grama.
Essa é a primeira vez que os ouvimos fugir, e essa é a primeira vez que tentamos pegá-los.
Nós nos aproximamos deles, e sua maldição abafada se torna mais alta, seu pânico mais claro em seus passos apressados, e metade dos caras se dispersam em direção a uma mansão de tijolos com holofotes iluminando uma porta maciça. Cerca de três caras continuam correndo.
Então eles giram e apontam suas armas de paintball para nós. Uma série de estalos cortam o ar antes de alguns tiros se conectarem com o meu ombro e costelas, como um soco de dois segundos.
Jesus. Eu quero gritar até minha garganta sangrar e sacudi-los até que eles entendam. Até eles perceberem que não estamos em um jogo de tabuleiro com quem eles podem brincar - quando estão sentados em seus quartos sem nada para fazer.
Nós somos pessoas. Reais. Coisas reais que respiram que têm pontos de ruptura. Eu quero gritar tudo, mas eu não posso pronunciar uma única maldita palavra. Tudo está preso em meus pulmões.
Os caras param de atirar em nós quando percebem que estamos muito mais próximos. - Vai, vai, vai! - Eles gritam um para o outro. Um rapaz de capuz olha por cima do ombro e depois tropeça nos próprios pés. Assim que ele tropeça, prestes a comer o asfalto, eu agarro a parte de trás de seu moletom preto. Meu pulso dispara foguetes com minha adrenalina.
Ryke diminui a velocidade comigo.
- Me solta porra! - O cara grita, se debatendo em minhas mãos. Eu sinto meu coração bater contra o meu peito, minhas sobrancelhas franzem com seu corpo magro. Ele é jovem.
Em questão de segundos, seus amigos o abandonaram, avançando ainda mais na escuridão. Ele percebe seus amigos correndo, e ele redireciona sua raiva. - EI! MULHERZINHAS! VOCÊS VÃO ME DEIXAR AQUI?!
Eu tiro a arma de paintball de sua mão e a jogo para Ryke, e então o cara se vira para mim, balançando o punho ao acaso no meu rosto. Eu evito facilmente, mas ele está se contorcendo tanto que é difícil segurá-lo na posição vertical sem que ele escorregue em minhas mãos.
- Se controla, - Ryke rosna para ele.
Ele tenta me dar uma cotovelada nas minhas costelas e eu agarro seu braço, adicionando com um sorriso de escárnio: - Você é quem está fodendo com a gente.
- E você é o idiota que chamou os policiais como uma cadela, - o cara rosnou de volta. É quando o capuz caiu de sua cabeça e eu olho diretamente para o seu olhar venenoso. Cabelo castanho desgrenhado e um rosto jovem e suave. Ele não pode ter mais de dezessete anos.
Meu sangue esfria. E eu estico meu pescoço para Ryke. - Você vê algum policial? - Eu pergunto a ele com um tom de zombaria.
- Não, - Ryke diz, sua voz áspera.
Eu volto para o cara que estou segurando. - Veja, é só você e nós...
- Isso é ótimo, - ele me interrompe com uma risada curta, - vamos dar a porra de uma festa de chá e celebrar o ano novo. E então, quando eu sair, vocês dois podem foder a mesma garota e engravidá-la novamente.
Eu tremo, meu coração batendo em minhas costelas. Um milhão de insultos diferentes queimam meu cérebro, os maldosos tentando se firmar.
Então Ryke avança, com os punhos cerrados. - Seu filho da puta...
- Pare, - digo a Ryke, me certificando de colocar meu corpo entre ele e o adolescente. Ele não pode bater nele. Nem mesmo se esse cara der mil rumores que circulam nos tabloides. Não se ele souber mais sobre nós do que nós jamais saberemos sobre ele. Ele é um adolescente entediado, lutando suas próprias batalhas que nunca veremos.
Eu entendo.
Eu costumava fazer essa merda o tempo todo. Fui preso por vandalismo com mais frequência do que por beber com menores de idade.
- O quê? - O cara finge confusão, provocando Ryke. - Você está chateado que não teve mais tempo com a vadia...
- Você quer jogar esse maldito jogo comigo, - eu interponho, minha voz tão aguda que fisicamente me dói. - Eu posso fazer você chorar tanto, você sangrar pelo seus olhos, então vamos voltar - você fodeu com a gente primeiro, e tudo o que estamos pedindo é que você pare. Não somos seus amigos da escola preparatória. - Estou tentando não ser condescendente. Eu poderia facilmente dizer "nós não somos seus amigos da escola preparatória, criança." Mas se alguém dissesse isso para mim aos dezesseis, dezessete ou dezoito anos, eu cuspiria na cara deles e diria para eles comerem merda.
Ele respira pesadamente com um lábio enrolado, ódio se espalhando por suas feições, como se ele não pudesse suportar ficar aqui por mais de um segundo a mais. Eu olho diretamente para ele, não dando a ele uma saída fácil. E ele finalmente diz: - Estávamos apenas brincando.
Ryke se aproxima e levanta a arma de paintball no rosto do cara. - Isso não é a merda de uma brincadeira!
O cara bufa e diz para mim: - Seu irmão é um idiota? É só uma arma de paintball.
Ryke joga a arma na estrada, e o estojo se quebra.
- Ei! - O cara grita.
- Minha namorada tem TEPT*, seu idiota do caralho, - Ryke rosna. - Você aponta algo que se parece com uma arma em uma janela, e a pessoas pensarão que é uma.
Minhas costelas se apertam. Daisy já passou por mais do que a Lily e eu imaginamos, e são esses fatos - os que eu precisava desesperadamente - que tornam mais fácil ver a felicidade dele com ela. Eu nunca pensei que iria orar a cada maldito Deus para garantir que o relacionamento deles durasse. Não é nem um desejo egoísta.
Eu estudo o rosto do cara, e qualquer remorso é afogado pela raiva, sua voz tremendo com isso. - Que namorada é essa? - Ele zomba de Ryke. - Aquela que você estuprou quando tinha quinze anos ou a noiva do seu irmão?
- Você está brincando comigo, porra?! - Ryke grita, seu nariz se inflando. É uma merda. As pessoas sempre saberão detalhes sobre nossas vidas antes mesmo de sabermos seus nomes. Mas eu não posso culpá-lo por isso. É do jeito que é.
Eu vejo esse adolescente furioso olhar para o chão como se quisesse dizer me deixe ir, me deixe ir embora, porra.
Ainda não.
Eu aperto sua mandíbula e forço seu rosto para o meu. - Ótimo, - eu digo, - você pode acreditar nessas malditas mentiras, você pode espalhá-las, o que for, mas nós vemos você em nossa casa, assustando nossas meninas, faremos pior do que chamar a polícia. - ameaço, deixando sua própria imaginação assustá-lo. - Eu conheci merdinhas piores do que você, então não pense que você é algo especial.
Seu peito desmorona enquanto ele respira pesadamente, me lançando um olhar que não pode ser igual ao meu. E então ele gira de costas para nós e corre pela estrada, tropeçando por um segundo antes de recuperar a velocidade.
Ele grita de volta: - Vá chupar um pau, sua bicha! - E ele acena com os dedos do meio para nós.
Ryke solta um gemido frustrado. - Eu odeio esses caras.
- Eles estão apenas entediados. - O bairro ouviu que "pessoas famosas" se mudaram para o quarteirão, e então esses adolescentes foram atraídos para a nossa casa desde então. - Nós não podemos chamar a polícia, - eu digo para ele. - Espero que você perceba isso. - Por um lado, aquele cara no capuz poderia ter sido eu aos dezessete anos. E toda vez que fui jogado na cadeia, isso não fazia nada além de me irritar ainda mais. Por outro lado, só lhes dá razão para retaliar contra nós. Para voltar com mais ovos, mais bolas de tinta e talvez algo pior na estrada.
Agora sou inteligente o suficiente para reconhecer a falta de sentido desse tipo de disputa e vingança.
Connor Cobalt me ensinou isso.
Meus lábios se levantam lentamente.
Ryke geme de novo, perfurando meus pensamentos. - Eu gostaria que houvesse uma fodida solução para isso.
- Sim, - eu aceno. - Eu também. - Começamos a andar de volta pela rua escura até a nossa casa. Eu tento soltar meus ombros tensos, girando-os. - Talvez as meninas não devam comparecer à reunião amanhã. - Me lembrar do telefonema do meu pai essa noite tensiona os meus músculos novamente. Eu esfrego a parte de trás do meu pescoço, essa agitação familiar inflamada. Depois dessa noite, eu gostaria de cancelar com o meu pai. - Eu só não quero que ele deixe cair mais merda em cima de nós, não enquanto estamos lidando com isso.
- Eu não quero Daisy lá de qualquer maneira. - Ele estende os braços, e eu posso ver respingos de tinta azul em seu ombro e peito com vergões avermelhados. - Por que diabos ele está arrastando as meninas para seus problemas, para começo de conversa? Deveria ser só você e eu. - Ele gesticula de seu corpo para o meu.
- Nós não sabemos do que se trata, - lembro Ryke. - Tudo o que ele disse foi que ele queria falar com nós quatro. - Eu lambo meus lábios, minha respiração fumando o ar. Eu tento não tremer no frio, especialmente com o pensamento de como ele deixou Connor e Rose de fora. O que quer que nosso pai esteja fazendo, envolve apenas Ryke, Daisy, Lily e eu. Eu espero que não seja sobre os rumores no Celebrity Crush- que Lily pode estar carregando o filho de Ryke, não o meu. Eu odeio até mesmo entreter essas mentiras.
Eu tento soltar outro suspiro longo, mas sinto meu rosto se contorcer em uma expressão irritada.
- Com Jonathan, essa porra poderia significar qualquer coisa, - retruca Ryke.
- Sim, e pegue de alguém que já foi a essas 'reuniões improvisadas' - você tem que estar preparado para qualquer coisa. - Eu me lembro daquela em que ele basicamente me forçou a pedir a Lily em casamento, em seu escritório.
Eu me recuso a acreditar que isso é pior do que aquilo. Então talvez seja por isso que eu não estou tão assustado quanto Ryke. Meu irmão reviveu seu relacionamento com nosso pai - e é isso que vem com ele. Eu entro na toca do leão toda vez que entro na mansão de Jonathan Hale, e eu simplesmente rezo para que eu saia sem uma ferida profunda. Eu rezo para que eu seja forte o suficiente para suportar tudo o que ele joga em mim. E pela primeira vez, acredito que alguém lá fora, alguma coisa esquecida por Deus ou espírito ou louco, está ouvindo um fodido como eu.
Eu diminuo meu ritmo assim que faróis apontam em nossa direção. Eu levanto minha mão para proteger meu olhar da luz. Ryke pega meu bíceps e me guia para o meio-fio, então não somos atingidos no escuro. Eu não estou surpreso quando o Escalade para ao nosso lado. A janela escurecida desce, revelando o motorista.
Connor Cobalt, de 26 anos, tem uma mão no volante, vestido com uma camisa social branca. Seu cabelo castanho ondulado está perfeitamente estilizado como se ele acabasse de voltar de uma reunião de negócios.
Ele não voltou, a propósito. Eu sei que ele estava em um escritório no terceiro andar com a Rose, lendo ou folheando um dicionário - o que quer que eles façam em seu tempo livre.
Ele não consegue esconder seu sorriso ofuscante, o humor palpável em seu olhar enquanto ele examina nossa falta de roupas no inverno frio. Então seus profundos olhos azuis encontram meus âmbar.
- Solicitando de novo? - Ele brinca com uma sobrancelha arqueada. - Quanto por um boquete, querido?
- Tanto quanto você vale a pena, - eu respondo, abrindo a porta do passageiro.
- E você, Ryke? - Connor pergunta enquanto meu irmão sobe no banco de trás.
- Eu não estou a venda, porra, - Ryke diz bruscamente, batendo a porta fechada.
Eu dou a Connor uma olhada. - Tem sido uma longa noite. O que você estava - lendo?
- Gozando, na verdade, - diz Connor, colocando o carro em marcha e dirigindo de volta para a nossa casa.
- Fodidamente fantástico, - Ryke geme. - Enquanto estávamos congelando nossas bundas, perseguindo esses idiotas, você estava transando.
Connor nem sequer tenta conter o sorriso dele. - Eu sou o vencedor por aqui. Não deveria ser surpresa para ninguém agora. - Nem sua arrogância. Eu realmente sorrio e aponto os ar-condicionado para o meu corpo, o calor expelindo.
Os olhos de Connor voam para os respingos laranja e azul nas minhas costelas e ombros. Como Ryke, vergões vermelhos estão sob a pintura. Seu sorriso desaparece. - Eu não vejo como persegui-los enquanto eles ainda tinham armas de paintball nas mãos foi eficaz.
- É chamado de intimidação, - digo a ele.
- Você quer dizer estupidez.
- É? Qual a melhor opção? Chamar a polícia? Nós não estamos fazendo isso, Connor, - eu lembro a ele.
- Eu nunca disse que deveríamos. A imprensa pegaria a história e colocaria mais atenção em todos. - Ele faz uma pausa. - Vocês dois percebem que eles poderiam ter acidentalmente atirado em vocês nos olhos?
- Valeu a pena, porra, - diz Ryke, cruzando os braços sobre o peito.
Eu acrescento: - Se você visse as garotas, teria querido que corrêssemos atrás deles, com armas de paintball ou não.
Connor treina seu olhar de volta na estrada. - Eu vi as meninas.
Eu franzo a testa enquanto examino suas feições. Ele está se fechando de novo, o que me deixa nervoso. - Lily está bem? - Eu aperto os dentes com medo da possibilidade de que ela não esteja. Minhas costas retas e meus músculos tensos. - Connor...
- Ela está bem. - De repente, ele tranca as portas do carro, e seus olhos piscam para o espelho retrovisor, para o meu irmão mais velho no banco de trás, que fica mais angustiado. Se a Lily está bem, então isso significa... - Por favor, não pule do carro, - diz Connor. - Eu nunca machuquei ninguém enquanto dirigia e gostaria de manter o meu registro limpo.
Seu nariz se inflama. - O que há de errado com a Daisy?
- Ela teve um pequeno ataque de pânico.
Cristo. Eu faço uma careta, como facas cortando meu estômago, e é principalmente por sentir meu irmão atrás de mim. Eu giro para olhar para Ryke. Ele aperta a ponte do nariz, com os olhos bem fechados. Eu posso dizer que ele está engolindo um grito e se impedindo de socar o encosto do banco.
- Pelo menos ela não está grávida, - eu digo. Um lado bom.
Ryke deixa cair a mão e se encolhe. Seus olhos castanhos se levantam para os meus. - Eu odeio pra caralho quando as pessoas a atormentam.
Eu sei disso agora. - Mas se nos mudarmos para outro bairro, será a mesma coisa em um cenário diferente. - Trazemos atenção para nós mesmos onde quer que estejamos e isso não mudará, não depois que o vício sexual de Lily foi divulgado, não depois de Princesas da Filadélfia, E definitivamente não depois dos boatos de abuso sexual do meu pai.
A realidade é essa: Lily está grávida. Rose está grávida. Daisy está se segurando em sua sanidade. E a mídia é tão cáustica quanto sempre espalhando rumores, tentando tirar fotos dos corpos de Lily e Rose, e assediando Daisy sobre seu relacionamento com Ryke e sobre o relacionamento dele com a minha namorada.
Eu não sou o mais inteligente de nós. Ou o mais forte. Mas eu sei que todo mundo tem um ponto de ruptura. E às vezes me pergunto se nossos limites serão testados agora que Ryke está com Daisy, agora que estou prestes a ser pai, e Connor terá um filho com Rose. Essas coisas nos esticam mais do que antes.
Um passo em falso parecerá fatal. Porque não sou só eu que estou sofrendo. É Lil. É o nosso filho. Não há mais espaço para erros.
Eu gostaria de poder estar cheio de otimismo, mas para ser honesto, tudo só me assusta pra caramba.
*Transtorno do estresse pós-traumático
LILY CALLOWAY
Eu me ajoelho no azulejo frio do banheiro bagunçado de Ryke e Daisy, esfregando as costas da minha irmãzinha enquanto ela vomita na privado. - Nós deveríamos jogar papel higiênico no quintal da frente deles, - eu digo com um aceno de cabeça. Eles merecem, por toda a merda estúpida que fizeram na nossa casa na semana passada e depois pulando do nada e nos assustando com armas de paintball.
- Ou devemos rasgar as bolas deles. Lentamente, - Rose diz com uma voz fria e ameaçadora. Ela anda de um lado para o banheiro com um leque de papel japonês, jogando ar fresco em si mesma metade do tempo e em Daisy a outra metade. Ela para de vez em quando para dobrar uma toalha amarrotada no chão ou reajustar o tapete verde de banho. Ela já reorganizou as garrafas de xampu e guardou os absorventes e a escova de cabelo de Daisy.
É muito estranho, mas acho que sou a mais composta de nós três agora. O sexo ainda não está no cérebro. Eu sorrio internamente. Eu me certifico de registrar a rara conquista com algumas outras.
- Eu não estou tocando na... coisa deles, - digo a Rose, e simples assim, meu rosto aquece.
- Bolas, - Rose enfatiza a palavra, me lançando um olhar de morte em uma escala épica. Eu culpo seus hormônios pela intensidade daqueles olhos verde-amarelados. Eles estão muito mais assustadores agora. - Ou testículos, se isso os torna melhores para você.
Eu balanço minha cabeça repetidamente, meu rosto corando. Eu já fiquei tonta a noite toda, um sintoma da gravidez, e a erupção vermelha não está ajudando minha cabeça girando. - Isso é pior. E eu não tenho problema com eles. Eu gosto de bolas. - Eu me encolho. Isso parece tão ruim. - Quero dizer, eu gosto delas.- Uma imagem do pau de Lo, duro e muito ereto, aparece na minha cabeça, e minha pele esquenta. Não. Não. Não. Pressiono minhas coxas mais apertadas juntas.
Através do olhar intenso de Rose, vejo vislumbres de preocupação fraternal.
Eu sou como uma tartaruga, lenta e firme. Eu não sou cem por cento capaz de falar sobre sexo sem corar. Não tenho certeza se algum dia eu ficarei tão confortável sem sentir que alguém vai arremessar um vibrador na minha cara.
Isso aconteceu há duas semanas fora do restaurante do Lucky. Não tem graça. E eu pensei que estar grávida me daria uma espécie de indulto como: não jogue brinquedos sexuais em mim e no meu feto. Nem tanto.
- Independentemente de você gostar delas ou não, as bolas deles precisam ir, - diz Rose. Ela está tão chateada com esses caras que ficam nos perseguindo. Eu também estou, mas eu não tenho mapas de guerra e armações planejadas na minha cabeça.
Daisy se levanta da privada, finalmente acabou de vomitar. Eu lavo o vaso sanitário e, em seguida, pressiono uma toalha fria em sua testa enquanto ela respira fundo.
Estamos todas em silêncio por um minuto, exceto pelo barulho do ventilador de papel de Rose enquanto ela joga o ar em Daisy. Eu tenho esses dolorosos flashbacks do que aconteceu, e estou mais abalada com a reação da minha irmã às armas de paintball do que com os caras de verdade.
Ela estava pintando minhas unhas com uma garrafa de Lucky Lavender enquanto eu lia histórias de gravidez em voz alta de uma revista de "futura mamãe". Minhas costas estavam para a janela, mas ela olhou para cima, com um puro pânico em seus olhos, do tamanho de pires.
E foi aí que começou os barulhos. Eu vi a tinta azul e laranja na vidraça como coco neon de pássaro, e nós duas nos levantamos juntas, o esmalte se derramando no tapete.
Quando Ryke e Lo correram para nós e saíram pela porta, Daisy murmurou alguma coisa e depois subiu a escada aos tropeções. Ela era um fantasma, sua respiração afiada enquanto ela sufocava por ar. Como se ela estivesse ofegando em terra seca. Eu a ajudei a ir ao banheiro dela no segundo andar e tentei acalmá-la para que ela respirasse normalmente.
Tudo isso durou cerca de vinte minutos, e só depois que ela vomitou que começou a se acalmar, a ficar mais à vontade. Sua regata branca com as palavras - kapow, baby - está encharcada de suor. Ela não está usando sutiã, o que eu entendo. Nem eu estou. Seios livres é o melhor. Além disso, somos ambas muito pequenas na parte de cima.
- Você pode falar? - Eu pergunto a ela, puxando uma mecha de cabelo loiro do seu rosto. Quando ela voltou da Costa Rica com Ryke, ela tingiu os fios multicoloridos de volta para o loiro e depois mudou as pontas dos cabelos para tons de verde menta. Ela é legal demais para mim e é minha irmãzinha. Eu nem acho que ela percebe o efeito que ela tem em muitas pessoas. Quando ela sorri, geralmente todo mundo sorri também.
Talvez seja por isso que a tristeza de Daisy dói tanto. É como assistir a um Ursinho Carioso chorar.
- Eu exagerei, - diz ela com uma voz sombria, lágrimas se acumulando.
Meu estômago dá um nó. - Eu estava lá, Daisy, foi assustador. - Eu a puxo para mais perto de mim para que ela não esteja agarrada ao vaso sanitário, e eu envolvo meu braço em volta da sua cintura. Ela está usando o boné azul e vermelho de Ryke para trás, e ela descansa a cabeça cansadamente no meu ombro.
- Eu sinto muito, - ela murmurou, enxugando os olhos rapidamente. - Eu só estou decepcionada... comigo mesma. - Sua voz treme.
Eu dou a Rose um olhar para não interpor. Ela não é o ser humano mais reconfortante do mundo. E ela sabe disso. Então ela gesticula, tá, para mim e fica fora disso.
- Eu quase fiz xixi nas calças, - digo a Daisy.
Ela ri baixinho e olha para mim.
- Estou falando sério. Eu sei que eu fiz xixi pelo menos um pouco.
- É porque você está grávida, - diz Daisy com um sorriso fraco. - Você não pode segurar sua bexiga.
- Não, definitivamente foi de medo. Eu não estou tão ainda. - Dezoito semanas e a barriga de grávida é apenas perceptível. Eu ganhei talvez cinco quilos ou menos, e meu médico quer que eu coma mais, já que estou "abaixo do peso". Acho que desengonçada é uma palavra mais legal do que abaixo do peso.
Rose está com vinte semanas e muito mais grávida do que eu. Ela tem um solavanco redondo no vestido preto da Calloway Couture que molda seu corpo. Ela está desenhando mais roupas de maternidade - só para si mesma. Lo a chamou de vaidosa na semana passada, e ela o golpeou com seu caderno de desenhos.
Eu gosto que ela esteja se certificando de que ela se sinta confortável. Isso é importante, especialmente quando muitas coisas estão mudando.
Daisy limpa a última lágrima com a manga da blusa, o outro antebraço embrulhado em um gesso amarelo brilhante. Ninguém ficou surpreso com o fato de a Costa Rica ter causado a Daisy uma fratura exposta e um ombro deslocado. Quando ela fica livre na natureza, ela se esforça.
Eu retiro o pano da testa dela.
- Obrigada, Lily, - ela sussurra para mim.
Meu coração incha. Eu reconheço que meu vício (e toda a atenção desagradável da mídia que ele trouxe) é a origem de sua dor. Mas não é culpa que me faz querer estar aqui para Daisy. É puramente por amor a minha irmã. - Lily, seu pé, - diz Rose com uma careta.
Eu olho para baixo. Lucky Lavender está derramado em todos os meus dedos e minhas unhas esquerdas estão metades pintadas.
Daisy diz: - Eu vou refazê-las.
Rose se ventila. - Você não terá tempo. No minuto em que Ryke aparecer aqui, ele vai querer te abraçar. - Ela revira os olhos, mas acrescenta: - É meio fofo.
Eu imagino esse abraço levando a outros atos sensuais. Mas eu não penso muito sobre isso. Eu me contorço um pouco, apertando minhas coxas. - Pelo menos você provavelmente vai transar hoje à noite, - eu digo para Daisy e cutuco seu quadril. Isso seria definitivamente uma vantagem no meu livro. Mas não com Ryke Meadows. Com Lo. Separadamente. Eu aceno resolutamente em minha mente e evito um rubor vermelho escuro.
- Eu estou menstruada, - diz Daisy, suas bochechas ainda pálidas. - Então, isso está fora de questão.
Estamos todas em silêncio por um segundo, e eu não consigo segurar. - Apenas faça sexo no chuveiro. - Estou me surpreendendo, mais aberta do que o habitual. Talvez todas as conversas sobre sexo que tenho com Ryke estejam subconscientemente ajudando um pouco. Posso compartilhar algumas dicas sem precisar de uma mesa para me esconder.
- Nós nunca fizemos assim. Seria estranho, - diz ela.
Minhas sobrancelhas franzem. - Vocês nunca transaram no chuveiro? - Espere. Eu levanto minhas mãos. - Ryke diz que ele transou na floresta antes. Mas ele nunca transou lá dentro? - Eu aponto para as portas de vidro do seu chuveiro gigante com três bocais e torneiras diferentes, além de azulejos de parede de paralelepípedos chiques.
Rose parece fascinada por essa conversa, as costas retas e os olhos alertas.
- Nós transamos lá, mas não enquanto eu estava menstruada. - Daisy não é tímida sobre sua vida amorosa com Ryke, o que eu realmente gosto. Isso torna mais fácil falar com ela sobre Lo. - Não é nojento? - Ela pergunta.
- Vale a pena ... - Eu paro. - Embora eu possa não ser a melhor fonte.
Eu sou conhecida por classificar o sexo acima da comida.
Daisy ri baixinho. Ainda bem que posso brincar com meu vício agora. Eu até sorrio.
- Que tal uma festa de pijama no quarto de hóspedes? - Rose pergunta a Daisy. - Vamos refazer as unhas dos pés de Lily e dormir na cama king size.
- Eu vou chutar vocês, - Daisy diz de repente. - Se dormirmos na mesma cama, quero dizer. Eu me movo muito e posso te chutar no útero ou algo assim e vocês duas teriam um aborto por causa de mim. - Ela inala bruscamente.
- Então você estaria me fazendo um favor.
- Rose! - Eu grito.
Ela revira os olhos novamente, arrependimento piscando neles. Ela não está filtrando nada ultimamente. - Está quente aqui. - Ela se abana mais um pouco, suando na testa.
- Talvez você devesse se sentar, - sugere Daisy.
- Vou me sentar depois de tramarmos nossa retaliação e nossos planos hoje à noite. Eles são mais importantes. - Ela gosta de fingir que a gravidez não tem efeitos colaterais nela, mesmo que ela tenha sido atingida por um enjoo matinal ruim. Eu felizmente contornei isso.
- Eu voto na festa do pijama e em jogar papel higiênico na casa deles. - Eu levanto a minha mão no ar, assim que passos apressados soam e a porta se abre com tudo.
LILY CALLOWAY
Ryke entra no banheiro primeiro, seguido rapidamente por Lo e depois Connor. Enquanto eles se erguem acima de nós, uma nova tensão aparece no ar, e acho que todos sentimos a dinâmica mudando um pouco. Costumava ser Daisy e Ryke do lado de fora do círculo interno.
Agora são os caras contra garotas.
Nós os examinamos enquanto eles fazem o mesmo conosco, medindo nosso bem-estar de longe. Percebo as marcas vermelhas no ombro e nas costelas de Lo, salpicadas de tinta azul e laranja. Ryke tem impressões de paintball semelhantes. É seguro assumir que eles foram baleados. Meu estômago se revira. Eles foram baleados. Essa frase - não. Eu não quero imaginar algo assim acontecendo.
- Espero que esses caras estejam dez milhões de vezes piores do que vocês dois, - diz Rose, cortando a tensão.
- Eles são adolescentes, - diz Lo categoricamente. Eles devem ter os deixado ir.
- Perfeito, vamos ligar para os pais deles.
Os caras estão quietos, e Ryke não tira os olhos de Daisy. Eu posso dizer que ela está envergonhada pelo que aconteceu e pela atenção extra que tem sobre ela. Ela levanta as pernas até o peito, protegendo os peitos (e a camiseta transparente) dos caras. Eu a vejo mexer no branco dentro de seu gesso, e então ela coloca sua bochecha de volta no meu ombro.
- Olá? - Rose estala os dedos para eles e, em seguida, se concentra em Connor, que está com as mãos nos bolsos de sua calça preta. -Você.
- Nós não estamos dedurando, Rose.
Ela o encara com raiva. - Por favor. Não é dedurar. É justiça.
- É ambos. Embora dedurar, sem dúvida, supera a justiça.
Ryke e Lo se aproximam de nós enquanto Connor caminha até Rose na pia.
- Dais... - Ryke sussurra, se agachando, no nível dos olhos com ela. A preocupação em seu rosto aperta meu coração de maneiras diferentes. Eu sempre quis que minha irmã encontrasse alguém que se importasse com ela, tão profundamente, mas nunca pensei que esse alguém fosse parente de Loren Hale. Eu sempre amarei esse vínculo extra que compartilho com Daisy, por quanto tempo ele durar.
Eu estou torcendo para que eles durem para sempre.
Ela levanta a cabeça e finalmente encontra seus olhos. Lágrimas derramam de seus cílios, cascateando pela longa cicatriz em sua bochecha. - Eu... - Seu queixo treme, e eu tenho uma suspeita de que ela estava prestes a dizer que exagerou mas se conteve.
Ryke se senta na frente de Daisy e abre as pernas ao redor dela, então quando ele a puxa para perto, ela se encaixa bem contra o peito dele. É um abraço terno e gentil que eu nunca esperaria de um cara agressivo como Ryke. Mas ele tem um lado gentil quando se trata da minha irmãzinha.
Ela vira o boné de beisebol e o abaixa, bloqueando os olhos dele e de todos os outros. Seu corpo vibra com lágrimas mais pesadas e não sei como consolá-la. Ela se sente como se tivesse falhado, chateada que ela teve um ataque de pânico sobre armas de paintball e causou uma cena.
Ryke a segura com força, e seus braços magros envolvem seu peito nu. Uma pedra impenetrável em uma tempestade violenta. É isso que Ryke Meadows sempre foi.
- Lily. - A voz aguda captura minha atenção. Lo está acima de mim. O foco de olhos âmbar é todo meu. Suas feições são maravilhosas, as maçãs do rosto bem cortadas e a pele irlandesa suave. Eu penso: o bebê dele está em mim. É um pensamento tão estranho.
Mas isso me varre em uma corrente elétrica, provocando cada nervo e adicionando uma batida extra ao meu coração.
- Oi, - eu respiro superficialmente, como se essa fosse a primeira vez que eu o vejo. Meu pescoço aquece, sem dúvidas com um tom vermelho vibrante.
Seus lábios se levantam em um lindo sorriso. - Lily, - ele diz meu nome novamente, roucamente em uma voz profunda e sexual.
Meu corpo se arrepia. - Não faça isso, - sussurro, ruborizando mais.
- Lily, - ele repete, sutilmente lambendo o lábio inferior. Oh meu Deus. Eu me levanto do chão para beliscá-lo ou socá-lo nas costelas por me provocar com o meu nome. Quem faz isso? Ele nem me tocou ainda. Assim que me ponho de pé, o mundo gira cento e oitenta graus. Eu me inclino para trás quando a minha visão se enche com manchas pretas e brancas.
- Lily.- A preocupação rompe sua voz, mas eu sinto suas mãos em volta dos meus quadris antes que eu caia. Ele penteia meu cabelo castanho curto para fora do meu rosto, e eu pisco algumas vezes, suas feições limpando a névoa tonta.
- Esse é... meu Lilymenos favorito, - eu digo em voz baixa.
Ele exala em voz alta. - Não fique de pé tão rápido da próxima vez. Sua pressão...
- ...está baixa, - eu termino. - Eu sei. - Tomei muitas medidas adicionais para garantir uma gravidez saudável: vitaminas, comer menos besteira e ler livros. Mas quanto mais eu tento, menos eu consigo. Rose deixa sua médica com uma nota 10 e um tapinha nas costas. Eu deixo a minha com uma lista de coisas para trabalhar.
Lo disse que eles provavelmente subornam a médica para dizer coisas legais, apenas para nos fazer trabalhar mais. Eu duvido. Embora, talvez a médica esteja com medo da ira de Rose. Essa é uma possibilidade provável, especialmente desde que ela passou por quatro ginecologistas antes de escolher a Dra. Freida Dhar.
Meu dedo roça a tinta azul em suas costelas, o lugar tão vermelho embaixo que eu me pergunto se isso vai doer. E eu apenas abraço Lo, meus braços voando ao redor de sua cintura. A ideia de uma bala real cortando sua pele quase sufoca a respiração dos meus pulmões. Perder Loren Hale é perder a minha vida. São esses momentos - de mudança catastrófica e de fatalidade brutal e feia - que reconheço o quanto eu o amo profundamente.
Ele inclina meu queixo para cima com os dedos, lendo bem minhas feições doloridas, e ele sussurra, - Estamos bem.
Eu concordo. E então ele beija meus lábios, cheios de pressão e força que entorpecem meu cérebro. Sim. Fecho os olhos e flutuo com as sensações arrebatadoras, sua mão caindo para o cós das minhas leggings. Sim. Eu me sinto tão molhada e pronta para aquela imagem de seu pau se tornar realidade. Mas talvez não seja um bom momento?
Não tenho certeza.
E então ele se afasta, meus lábios ainda quentes de seu toque. Ele sussurra, mais tarde.
Mais tarde. Eu posso aceitar mais tarde. - O que tem mais tarde? - Eu pergunto.
Ele apenas sorri.
Sua provocação está me matando. De um jeito bom-ruim. Eu cruzo meus tornozelos, me viro para as minhas irmãs, e me inclino contra o peito de Lo. Suas mãos se fixam em meus quadris, alguns de seus dedos mergulhando abaixo do cós das minhas leggings. Ele é sorrateiro.
Eu me pego esfregando minha bunda contra sua virilha, e paro quando as pontas dos dedos dele cavam na minha pele como se ele estivesse tentando não ficar tão excitado.
Mais tarde.
Eu posso ouvir Ryke sussurrando baixinho para Daisy, mas eu não consigo entender nenhuma das palavras.
Na minha frente, Rose puxa seu cabelo castanho e sedoso em um rabo de cavalo enquanto fala com Connor em francês. E então seu olhar se dirige para o meu e ela fica quieta.
- Falando sobre nós? - Lo pergunta a ela, e eu posso sentir seu meio sorriso amargo atrás de mim.
Os olhos de Rose se estreitam. - Você está passando muito tempo com meu marido, - diz ela. Connor mal se inclina, sabendo exatamente para onde ela está indo. Minhas sobrancelhas apertam em confusão com Lo.
- Por que isso? - Pergunta Lo.
- Você adquiriu o narcisismo dele. Não, nós não estávamos falando sobre você. - Ela coloca o amarrador de cabelo no lugar. - Supere isso.
O rosto de Lo se aguça. - Ei, Rose, - diz ele. Ah não. - Você quer saber como é a justiça cármica? Seu bebê, rasgando lentamente sua vagina ao sair. - Ele dá outro sorriso seco, e eu lhe dou um soco no braço. Ele mal reconhece o ataque. O comentário sobre se superar deve ter realmente atingido ele.
Rose endireita a atenção e mostra dois dedos do meio para ele. - Vai. Se.
Foder. Duas vezes.
- Eu posso contar, obrigado, - diz Lo.
Connor está encostado no balcão da pia com o braço preso na cintura de Rose. Seu sorriso cresce e cresce quanto mais tempo eles continuam com isso. Isso é ótimo para ele, mas eu estou começando a suar excessivamente, com medo de que a luta verbal entre eles seja ruim. Eles já estiveram lá antes e isso pode acontecer facilmente novamente.
- Eles ensinam álgebra na detenção? - Ela diz com uma inclinação da cabeça.
- Fraco, - ele responde de volta.
Ela franze os lábios.
Eu olho para Daisy, que ainda está sentada no chão com Ryke. Ele gira o boné de beisebol azul para trás em sua cabeça novamente, suas lágrimas secas. Ela raramente usa maquiagem como eu, então ela não tem rastros de rímel. Ryke se inclina para beijá-la e ela vira a cabeça rapidamente.
A parte inferior do meu estômago cai com a rejeição.
Ryke está rígido e imóvel. E então Daisy diz: - Eu vomitei mais cedo... - Oh... Daisy. Eu me encolho em quantos momentos ela provavelmente desejaria poder alterar e rebobinar. Ela se levanta e se dirige para a pia. Connor desliza para o lado para que ela tenha espaço para escovar os dentes.
Ryke se levanta e esfrega os lábios em pensamentos enquanto vagueia até nós. E então ele sussurra para mim, - Ela vomitou?
Eu concordo. - Ela estava enjoada. Ela está melhor agora, eu acho.
- Pelo menos ela te deu um aviso, - diz Lo ao Ryke. - Lily teria simplesmente me beijado.
Eu fico boquiaberta e depois penso por um segundo. - É... talvez. - Eu provavelmente teria esquecido que vomitei. Eu enrugo meu nariz. - Eu sou tão nojenta assim?
- Não, amor, - diz Lo e, em seguida, beija o exterior dos meus lábios como o maior provocador. Eu só percebi agora que Ryke já saiu do nosso lado e foi para o lado da Daisy.
Rose limpa a garganta para controlar a atenção de todos.
- Bola de pelo? - Lo pergunta.
Rose o ignora batendo as mãos uma vez bem alto. - Estávamos realizando uma votação antes de vocês três aparecerem. Queremos nos vingar desses caras...
- Não, - diz Lo imediatamente, me surpreendendo tanto que minha boca cai.
Rose cruza os braços, chamando mais atenção para os seios, que cresceram consideravelmente desde a primeira semana de gravidez. - Eu desprezo os eleitores desinformados.
- Eu entendo, - reforça Lo, dando um passo em frente e se soltando de mim. - Você quer assustá-los tanto quanto eles assustaram sua irmãzinha. Mas você retalia, e você está os provocando ainda mais.
Eu respiro profundamente. Esse é um novo Loren Hale. Aquele que aprendeu com todos os seus erros. Aquele que entende o certo e o errado e todas as partes cinzentas e confusas no meio.
É um Loren melhor, a versão de si mesmo que ele tem lutado o tempo todo. Estou tão impressionada com sua proclamação que preciso enxugar rapidamente as lágrimas antes que elas apareçam.
- Isso não é uma autocracia. - Rose aponta seu leque de papel dobrado para ele. - Você não pode decidir o que a casa vai fazer.
- Se é uma democracia, - Connor interrompe, - então por que você estava votando sem nós, Rose? - Bom ponto.
- Vocês não estavam aqui, Richard. - Ela gira para ele. - Agora que vocês estão, vocês podem votar.
- Um voto de pena, - diz Connor com facilidade. - Você está me dando algo que você odeia.
Os olhos estreitos de Rose realmente se suavizam com esse golpe. Seus ombros relaxam por um segundo.
Daisy desliga a torneira e percebo que ela já lavou a pasta de dente da boca. Ryke está segurando a mão dela, o que é realmente fofo. Eu tento conter um sorriso que quer brotar. Um segundo, estou quase chorando e agora estou quase sorrindo. Meus hormônios precisam dar uma pausa e me deixar em uma estase de contentamento, de uma vez.
- Eu não acho que devemos brigar sobre isso, - diz Daisy suavemente.
- Não estamos, - quase todo mundo diz em uníssono - todos, menos Ryke, que apenas revira os olhos para nós.
- É papel higiênico, - de repente eu falo. - Estamos recuperando nosso...
- Poder, - Rose proclama, levantando o queixo.
Ryke balança a cabeça. - Há maneiras melhores de se sentir seguro do que retaliando. - Seus olhos voam de mim, para Rose, para Daisy, e depois de volta para mim.
Hesito em ficar do lado de Lo, que acredito estar certo em não provocar nossos vizinhos ou do lado das minhas irmãs, que precisam do meu apoio. - Daisy deve decidir, - percebo. Eu quero fazer o que Daisy acha que é melhor. Ela é quem está mais assustada.
Daisy oscila desconfortavelmente, todos os olhos fixos nela. Ryke está atrás dela, seus braços ao redor de seu peito para que ninguém possa ver seus mamilos. Isso é ainda mais fofo do que segurar as mãos. Eu vejo minha expressão no espelho. Oh meu Deus, meu sorriso é tão apaixonado.
- Eu... não quero incomodar ninguém. - ela finalmente diz.
- Você não vai, - diz Connor. - Todo mundo tem suas próprias opiniões e nós respeitamos a sua. Embora haja uma resposta certa e uma resposta errada aqui.
Rose bate no peito com as costas da mão. Ele pega e beija a palma da mão dela.
- Posso ter algum tempo para pensar sobre isso? - Daisy pergunta.
- Sim, - eu digo antes de Rose negar isso a ela. - É provavelmente melhor se você pensar sobre isso primeiro.
Surpreendentemente, Rose concorda com a cabeça, embora eu aposto que ela ainda está planejando cenários de vingança em sua mente. Eu gostaria de ter um boneco de vodu ou magia onde eu poderia decretar castigos não letais de longe. Como Sabrina, Aprendiz de Feiticeira. Embora seus feitiços geralmente saem pela culatra.
Enfio o dedo na barra da calça de moletom de Lo e fixo os olhos em Daisy.
- Festa do pijama?
- Do que você está falando? - Ryke pergunta.
Os dedos de Rose estão entrelaçados com os de Connor. - Estávamos pensando em passar a noite em um dos quartos de hóspedes, apenas nós, meninas.
As feições de Ryke escurecem como uma tempestade chegando. Ele obviamente preferia que ela dormisse com ele, mas talvez ele também esteja com medo de que ela nos chute. E eu me pergunto o que ele faz à noite para fazê-la se sentir segura e se ela vai adormecer com a gente.
- Fala, - Rose estala para ele.
- Se a Daisy quer ter uma festa do pijama com vocês duas, está tudo bem, porra, - declara Ryke. - Eu não vou dizer a ela o que fazer. Tudo que eu quero é o que ela quer.
Os cantos dos lábios de Rose se curvam para cima. - Você é muito melhor do que o Julian.
Lo solta uma risada seca. - Mais da metade da população masculina é melhor do que o ex-namorado da Daisy.
- Porra, não me lembre dele. - diz Ryke.
Daisy limpa a garganta. - Eu sei o que eu quero fazer, sobre dormir essa noite. - Todo mundo se concentra nela. Ela inala com força e diz, - Acho que devo dormir na minha própria cama. Eu realmente não quero rolar em cima de uma de vocês, e tenho medo de ficar tão preocupada com isso... e com outras coisas, que eu não vou conseguir dormir.
Eu aceno de maneira compreensiva, assim como Rose.
- Obrigada por nos dizer seus sentimentos, - eu digo para Daisy com um sorriso.
Ela sorrir de volta.
Eu teria gostado de qualquer coisa que ela tivesse escolhido, mas essa é uma ótima opção. Estou ficando Loren Hale essa noite. Minha coisa favorita no mundo.