Apresentação 9
Prefácio 11
Poemas de Primavera: 13
Agora e sempre, eternamente... 14
Balada da Esperança 15
É bom te chamar de Maria 16
Eu sou apenas... 17
Eu vi a cruz... 18
Feliz 19
Grito de estrelas 20
Manhãs 22
Minha alma 23
Reflexos da alma 24
Teu jeito 28
Teu nome 29
Visões 30
Eu estava pensando em você 31
Poemas de Verão: 32
Caçador de estrelas 33
Canção guerreira 36
Chove... 37
Cofre de lágrimas 38
Comunhão 39
Distância 40
Do outro lado do espelho 41
Encontro 43
Flores 44
Geometria 45
Herança 46
Ladainha 47
Louca Magia 48
Matadores de sonhos 49
Palavra 50
Passagem 51
Quero amanhecer 52
Rainha 53
Solstício I (Veneno de cobra) 54
Tempo de mudança 56
Ternura 57
Outono: 58
E... 59
Entre nós 60
Entre penas e amores 61
Fabricante de sonhos 62
Florescer 63
Madrugada 64
Nova Era 65
Nunca mais... 66
Ouvi estrelas 67
Pacíficos progressos 68
Palavras 69
Páramo 71
Pequenas pobrezas 72
Por Você! 73
Primaveras perfumadas 74
Quero 75
Talvez... 76
Vida 77
Inverno: 79
Alma Cativa 80
Disfarce 81
Divagações em busca de um tema 82
Indefinição... 83
Inútil... 84
Inútil poesia 85
Lições de Infinito 86
Pequena Canção Noturna 87
Píncaros profundos 88
Promessas proibidas 89
Prosaicos poentes 90
Solstício II (Sonhos de uma Noite de Verão) 91
Tarde... 92
Vaga Música (O amor no perfume das flores) 93
Vida de sonho 94
AGORA E SEMPRE, ETERNAMENTE!
...Será de amores,
felicidade e só...
Faremos piquenique
na relva verde e macia
Nadaremos nos rios
de águas cristalinas
contemplando sereias
Galgaremos montanhas
e ficaremos mais perto das estrelas
Cantaremos odes de alegria
e dançaremos ao luar
espalhando música no ar...
Acordaremos o mundo
com nossa canção
E tudo será festa, será paz
Agora e sempre,
eternamente!
Vinhedo, Primavera de 2008.
BALADA DA ESPERANÇA
Vivo caminhando
à procura de algo que não vem
enquanto a noite é alta
o silêncio é profundo
o céu sem estrelas
me diz de outro mundo.
Num triste sussurro
o vento aparece
trazendo uma voz,
lamentos e prece...
Baladas sem ritmo, sem nome, atroz
doces cantigas,
palavras antigas
momentos passados,
destinos traçados,
no coração de alguém
sou apenas ninguém
chorando, amando,
solitário esperando
a Solidão que não vai
o Amor que não vem...
Ipuã, Primavera de 1966.
É BOM TE CHAMAR DE MARIA
É bom te chamar de Maria
Maria de todos os tempos
Maria, meu sonho encantado
Maria, de meus momentos!
É bom te chamar de Maria
Maria, de doces lembranças
Maria, luz de minha vida
Maria, minha esperança!
É bom te chamar de Maria
Maria que a todos conduz
Maria, doce Maria
Maria, mãe de Jesus!
É bom te chamar de Maria
Maria, com todo louvor
Maria de minha saudade
Maria, meu grande amor!
(Para Maria, onde estiver...)
Cravinhos, Primavera de 2008.
EU SOU APENAS...
É noite...
E novamente esse silêncio triste, esse vazio...
Uma ausência sentida...
Uma saudade amarga.
Uma vontade imensa de te envolver
na minha ternura...
Ah, se soubesses
a falta que tens feito,
a dor tremida
que punge-me o peito,
a tristeza que a tudo escurece,
a solidão que fica,
a dor que permanece...
Sou apenas aquele que ficou
entre restos de sonhos desfeitos,
lembranças de um amor quase perfeito
que o destino separou...
Vinhedo, Primavera de 2008.
EU VI A CRUZ
Há muitas cruzes nos caminhos de Bom Jesus...
Eu vi a cruz
Tão alva e bela,
Sinal da presença dela
Nesse rincão goiano.
Após todos esses anos
Só a lembrança ficou
Ao lado de uma saudade
Que o tempo não apagou.
Nesse alvorecer de luz,
Nessa madrugada fria,
Momento de nostalgia,
Nesse caminho que me conduz...
Eu vi a cruz:
Pequena e singela,
Derradeira presença da minha 'bela',
Por essas bandas de Bom Jesus!
(Para Maria Isabel, com saudade...)
Rio Verde (GO), Primavera de 2008.
FELIZ
Ah, vida feliz!...
Em cada canto, um poema
Em cada abraço, uma ternura
Em cada riso, um beijo meu...
Que importa
Se há tantos 'queria ter' e não temos...
Se há tantos 'queria ir e não fomos...
Se há tantos 'queria ver e não vimos...
O que realmente importa
É que a vida é feliz
E o riso é de graça.
O amor é aprendiz
Há flores na praça
É tudo o que sempre quis...
Vinhedo, Primavera de 2009.
GRITO DE ESTRELAS
Hoje estou com vontade diferente
de ser outra gente
de outro bando e lugar.
Estou com vontade de andar
caminhar [vagar,voar,]
ser infinito enquanto posso...
Quero libertar de
minhas janelas,
e conhecer a imensidão
dos amanhãs, que
são forjados
nas oficinas do tempo,
que ficam escondidas
em lugar nenhum.
Quero escapar,
dos caminhos que existem
dentro das coisas transparentes,
que refletem os cansaços e as indecisões.
Quero viver a vida
em slow motion
no abrigo dos corações invertidos,
pintados como trens
que de repente param
em nenhuma estação...
E assim,
como do fundo da música
brotam as notas
que, ora são lembranças,
ora esperanças,
emudeço o grito,
na pauta do silêncio e da amargura...
E quando a noite vier,
cantarei alguma coisa para dormir,
no silêncio das paredes,
que refletem fantasmas
de minha alma...
Vinhedo, Primavera de 2008.
MANHÃS
Queria ser como as manhãs
Que surgem radiosas
Por entre serras
A embalar o doce sono do menino
Que sonha com um mundo sem guerras.
Queria ser como a andorinha
Que busca horizontes
A voar sem medo
E que depois, mais tarde se aninha
Num mundo de paz,
De amor sem segredo.
Manhãs, sonhar,
Voar, amar,
Caminhar:
Tudo isso queria ser,
Fazer, viver
Enquanto não saio de minha janela.
A manhã já se foi e também meu sonhar;
Fico a esperar o tempo correr
No silêncio, uma saudade dela...
Vinhedo, Primavera de 2008.
Minha alma
Minha alma é um anjo
Que corre com o vento
Que dorme ao relento
E adora sonhar.
Nas noitinhas ele voa
Nas asas do tempo
E enche de cores
Os céus de luar.
Diz que me ama
Me adora e a sorrir
Sempre me chama
Para brincar.
Felizes cantamos,
Corremos, pulamos
E de mãos dadas esperamos
O amanhã chegar...
Minha alma é um anjo
Que vive comigo,
Que mora em meu peito
Num eterno sonhar...
Cravinhos, Primavera de 2008.
REFLEXOS DA ALMA
"A moral, propriamente dita, não é a
doutrina que nos ensina como sermos
felizes, mas como devemos tornar-nos
dignos da felicidade." (I. Kant)
No tempo
que eu
não te conhecia,
aprendi numa lousa
de palavras andantes,
que se movimentavam
na casa do silêncio
e da escuridão...
Foi assim que comecei
a descobrir que
Felicidade,
é uma ave passageira,
que voa horizontes
no coração de poucos seres,
e que muda e se transmuda...
...
Nestes tempos
de escassos valores,
prefiro alimentar cães
a levar flores
na porta das igrejas...
Oh, Felicidade, Felicidade!
Senhora e escrava
dos meus caprichos!
Que cantos tua lira inspira
nos recantos cheios de ilusão?
...
Gostaria de falar sobre a alegria
refletida nos teus olhos...
Mas, tenho somente a mim
neste mar de solidão...
Míseros restos de alma
na brevidade do tempo...
...
Existiram épocas
de fragrâncias coloridas,
nas vozes claras
dos pomares,
que abrigavam
tropéis
azuis e rosa,
à beira do riacho,
na casa das palavras
de ternura e mansidão...
...
Uma vez
vislumbrei
entre brumas,
nos portais
das tendas de luz,
a face do Invisível
que gera o Tudo
o destino, a sorte
a vida, a morte!
...
Decidi caminhar
no pó das estradas,
e sentir o aroma
do araçá dos longes...
... e olhar pro céu
para encontrar despojos,
a troco de vinténs,
na seca do destino.
...
Aquela casa,
escondida numa curva,
sugeria prazeres
que meu sonho ansiava.
E eram os mesmos, os vinténs
que aplacavam a sede e a fome.
E tudo era tão bom...
...
Não se é permitido
hastear sonhos coloridos,
nas janelas das casas
de tijolos amarelos...
E as bocas dos canhões
brilharam infâmias
no tempo da escuridão...
...
Ó Felicidade...
tão frágil,
tão ligeira,
tão depressa
é o teu passar!
Senhora do efêmero,
que determina
o destino de quem
vive a sonhar...
Vinhedo, Primavera de 2008.
TEU JEITO
Ainda que eu falasse dos amores eternos,
não seria o bastante...
Ainda que eu andasse por mil caminhos,
não seria o suficiente...
Ainda que eu escutasse todas as canções da terra e do
céu, não retratariam a beleza do meu amor...
Este teu jeito doce de me amar
me leva à loucura.
Bebo do veneno da paixão
e me entorpeço com a ternura do teu amor.
Sou prisioneiro dos teus carinhos:
Ao mesmo tempo que desço aos infernos,
tenho um céu aos meus pés...
Ah, o meu amor!
Abre-me as portas do coração
e me dá sonhos para sonhar.
Fecha os olhos à razão
e nos mares da fantasia
navegam meus sonhos e minha ilusão.
Incendeia meu espírito
com as chamas do meu padecer...
Renova minha alma
dando calma ao meu viver...
Ipuã, Primavera de 2009.
TEU NOME
Eu te esperei na manhã florida e perfumada
Na tarde ensolarada e no longo anoitecer
Foste a promessa de um amor sem fronteiras
Deste-me a esperança de uma vida verdadeira
Eras o meu tudo e todo o meu viver...
Contigo trilhei muitos caminhos pela vida
Juntos enfrentamos procelas terríveis
E juntos navegamos por mares pacíficos
Na mesma mesa bebemos o amargor da saudade
E brindamos aos nossos sonhos e à nossa felicidade!
E agora este vazio, esta ausência dolorida
Esta falta de você na minha vida
Este não-sei-o-quê que massacra e me consome
Inventei mil caminhos para te encontrar
E mesmo assim não ouso revelar teu nome...
Vinhedo, Primavera de 2008.
VISÕES
Há dentro de mim
um deserto clamando por encontros.
Restos de crepúsculos deixados
nos dias de lucidez.
No abrigo da minha alma
restam vagas lembranças
de amores idos:
espectros de saudade
refletem minhas paixões.
Nos caminhos tardios,
meus rastros cansados
vislumbram a distância
da minha insensatez...
Vinhedo, Primavera de 2008.
VERÃO
"Em algum lugar, sei que há alguém como eu
conjugando o verbo 'solidão'..."
CAÇADOR DE ESTRELAS
I
Grito
E não ouço minha voz.
Tento falar
E não me respondem.
Caminho...
II
Às vezes divago na penumbra
que me faz invisível das minhas emoções...
III
Tem certas noites
que caço vaga-lumes no jardim...
Nem por isso deixo de olhar para as estrelas
que povoaram de maravilhas
meu sonho de menino.
IV
Fico refém do tempo e das possibilidades.
Sou aquele que espera...
V
Há tanta coisa errada
e não me corrijo.
A chuva me enfastia
no cárcere da esquina.
Sou livre para voar...
VI
Ah, se eu pensasse um campo de rosas...
E tivesse a luz de olhares infinitos...
Traria a imensidão deste céu
para dentro das minhas limitações...
VII
Volto a correr pelos campos verdes.
Ajunto minhas lembranças nos alforjes.
Leva-me o vento dos desejos
para onde vive um coração feliz.
VIII
Quem me dera espalhar o meu canto...
Ouvir minha voz, derramar meu pranto.
Caminhar pelas estrelas.
Habitar meus sonhos.
Abrir minhas janelas
e me encontrar...
IX
(Na madrugada fria, apenas uma estrela luzia...)
X
- E tu, o que fazes?
- Caço!
- Caças? Caças o quê?
- Caço o brilho das estrelas
nos olhos de quem ama...
Vinhedo, Verão de 2009.
CANÇÃO GUERREIRA
Quero fazer uma canção triste
que seja como vento ligeiro...
Uma canção para o povo
como um canto de esperança!
Quero fazer uma canção guerreira
que luta para que voltem à vida
aqueles que declararam sua guerra!
Quero fazer uma canção para
animar os que caem...
Quero fazer uma canção de amor
que seja a de todos os tempos
e para sempre...
E que todos se levantem
e levantem suas bandeiras,
acima de seus corpos e cabeças;
levando todos os sonhos,
a todos os povos da terra
que vivem, amam e sofrem
e ainda esperam por
uma canção guerreira...
Vinhedo, Verão de 2008.
CHOVE...
Esta chuva noturna e triste
Vai caindo, vai molhando
Até parece que vai sangrando
O meu pobre coração.
Cada vez que penso nela
Sinto a chuva na janela
Aumentar minha solidão.
Esta chuva vai levando
Meus anseios e esperanças
Destrói as minhas lembranças
E tudo vai acabando.
Acaba com minha alegria
Desbota minha fantasia
E deixa uma saudade chorando.
De repente, restos de lembranças me rodeiam.
Saudades são pingos no chão.
Essa chuva que não cessa,
Tamborila no telhado
E venta na janela,
Deixando um pouquinho dela
A molhar-me o coração.
Vinhedo, Verão de 2009.
COFRE DE LÁGRIMAS
Pelos mares da vida
Vou navegando minha tristeza
entre dor e solidão...
Sempre à procura de um porto
Vou e volto, sem esperanças
E não tenho como descarregar
meu cofre de lágrimas
nem minhas desesperanças...
Havia em meu peito
um coração cigano
que amava sem cessar...
Tantas foram as pedras do caminho
que agora jaz entristecido
sem vontade de amar...
Minha alma é nada...
Minha vida é nada...
Tudo eu queria
Nada tenho...
Nada sou...
Nos meus versos sempre há uma palavra
Qual tarde que morre
sem ao menos dizer adeus...
Quem me dera que eu fosse ninguém
Não tivesse nome
Nem nada...
É triste viver mergulhado nesse passado
E ter pena...
Não há nada nas minhas lembranças
Não há amores na minha saudade
Sou apenas um vazio
Nada mais...
Vinhedo, Verão de 2009.
COMUNHÃO
Vamos
Caminhar pelos campos
Pegando "carona
Na garupa leve
Do vento macio"
Como diz a canção.
Vamos apanhar as flores,
De todas as cores,
Para enfeitar a alegria
Da nossa união.
E aí vamos juntos,
Despreocupados,
Apaixonados,
Viver a vida,
Cavalgar com o tempo
E ser comunhão...
Vinhedo, Verão de 2008.
DISTÂNCIA
A vagar por aí, com certeza não terei a candura do teu olhar, a suavidade da tua voz, o carinho que há nos teus abraços. Cada vez mais, me distancio do teu amor... Cada vez mais me envolve esta saudade amarga, que me sufoca a alma, tirando-me a calma e aumentando a minha dor. Meu coração, às vezes, parece pirata a atravessar os 7 mares em busca de aventuras...
Têm dias
que sonho
ipês colorindo a serra,
chuva molhando a terra
e a felicidade a acompanhar meus passos...
Surpreendem-me
os pássaros que cantam nos arrebóis,
a paisagem que mora no pôr-do-sol
e a paz que em tudo descansa...
Deixam-me triste
as ingratidões,
as falsas paixões
e essa louca e insensata dor,
que aflige minha alma
condenada a viver sem amor...
Mandaguari (PR), Verão de 2009.
DO OUTRO LADO DO ESPELHO
1.
Deixo-te num poema
Uma saudade de mim
Adeus vida serena
Tempo que valeu a pena
Sonho que chegou ao fim...
2.
Vi minha alma
Do outro lado do espelho
Com asas no lugar das mãos
Voava num céu vermelho
Em forma de coração...
3.
Não te agradam os rumos que tomei
Só sei que de tudo que sobrou
Entre o meu amor e o teu
Restaram apenas míseros vinténs
De uma saudade que ficou...
4.
Ah... como sabes de mim,
De meus sonhos e de minhas promessas...
Ontem ainda, em vão busquei-te
Em meus pensamentos
Enquanto a tarde se fazia toda molhada
Com lágrimas do céu...
Agora é preciso
Transformar fábulas em histórias,
Para outra vez saber,
Que tu sabes muito mais de mim
Do que toda a fantasia
Que há no Universo...
5.
Sinto a dor das coisas tristes deixadas para trás
Uma saudade não-sei-vinda-de-onde
Amargurando a alma sozinha e cansada...
Marcas para sempre cravadas no coração
Uma sensação de vazio
De nada fazer
De nada mais ter
De não mais ser...
Vinhedo, Verão de 2012.
ENCONTRO
Estou precisando, urgentemente,
Marcar um encontro,
Limpar gavetas,
Espanar o pó,
Dar asas à imaginação
E fugir da solidão...
Olhar mais as estrelas,
Encantar-me com as flores,
Sentir mais o vento
E ouvir mansamente
A voz das coisas,
Que a vida apresenta,
No cenário de várias formas
E de várias cores...
Preciso marcar um encontro
Que não seja breve,
Mas duradouro
E que me leve,
Qual pluma doce e leve,
De encontro
A mim mesmo...
Vinhedo, Verão de 2008.
FLORES
Passei momentos
sentado em respeitoso silêncio,
debaixo daquele oásis,
que é um puro céu de ônix;
e com as raízes
que levo no pensamento
comecei a florir...
Quantas almas solitárias
tiveram o poder de
voltar o olhar?
Através deste espelho
de lágrimas e escuridão
eu ignorei e esqueci...
Mas, como pensamentos
que levam sementes
para mentes distantes
fico a pensar:
Quantas floresceram?
Quantas...?
Eu não posso imaginar...
Vinhedo, Verão de 2008.
GEOMETRIA
Preciso de um esquadro
para rever posições
e dar voltas
pela vida
em busca
da fonte
que jorra
no átrio
daquele lugar
de vozes veladas
que ensinam segredos
nos densos silêncios eternos...
("A Geometria é uma ciência de todas as espécies possíveis de espaços." - Immanuel Kant)
Vinhedo, Verão de 2008.
HERANÇA
De meu pai
a retidão,
o coração ,
a teimosia,
mas,
o respeito
e a fisionomia...
De minha mãe
a fé,
a alegria,
'mamma mia!'
vontade
de abraçar
o mundo
(enquanto dançava a tarantella...)
que mulher
era aquela!!!
De meus irmãos
a honra,
a fraternidade
e a dolorosa saudade!
Da vida
esta vontade louca de viver
(entre amigos e amores)
e andar pelos caminhos de
(espinhos) e flores,
...amar,
cantar
e
sonhar...
Vinhedo, Verão de 2008.
LADAINHA
O amor que une;
A dor que punge;
As tardes de sonho;
As lembranças de outono;
As flores da primavera;
As lágrimas de outrora;
A saudade de agora.
Por mais um dia...
As manhãs de esperança;
Meu novembro de chuva;
O sino da igreja;
As cores do pôr-do-sol;
Os jogos de futebol;
Noites de solidão;
Serenatas em uma canção.
Por mais um dia...
Os risos de abril;
Vagalumes no jardim;
Flores ao pé da serra;
Poetas da minha terra;
Minha tristeza sem fim;
Saudade, velha saudade,
Que vive dentro de mim.
Por mais um dia, Senhor...
Cravinhos, Verão de 2009.
LOUCA MAGIA
[VAMOS BAILAR, QUERIDA!]
Vamos correr caminhos e veredas
Respirar fundo nas ilações da alma
Procurar sentir perfumes das auroras
Buscando matizes de várias sombras
que se avolumam nas horas paradas
dos lagos serenos de lodo e raiz.
Cuidamos de ver a estrela escondida
Que nasce nas palavras silenciosas
e que se reflete na fronteira das ilusões
Qual trôpegos pirilampos, de cor e fulgor
Vamos bailar pelas praças desertas
a esmo, sem feitiços, nem visões.
E opacos, translúcidos se cruzam olhares
Sutis movimentos se encadeiam após
Cicerones de vento sussurram canções
Que valsam lembranças nos labirintos
Dos longes, estrelas luzem corais azulados
que rodopiam, que brincam de luz e de cor.
(à memória de Pablo Neruda)
Vinhedo, Verão de 2008.
MATADORES DE SONHOS
Os caminhos se alongam
parecem que levam ao infinito
e os passos caminham tristonhos
à beira dos rios
onde outrora navegavam peixes e sonhos...
A água que matava a sede
e limpava o corpo e a alma
hoje mata a vida!
São outras águas
de outras minas
outras Hiroshimas...
O que resta fazer
a não ser chorar
nestes leitos de morte
enlameados
conspurcados,
envenenados
que carregam
o cheiro da podridão,
as falas do descaso
e as mãos do assassino
que flutuam incógnitas
nas mentes de cada um.
Vinhedo, Verão de 2008.
PALAVRA
Que a palavra
seja usada de tal maneira e pouca
para falar das grandezas e vaidades...
Que seja usada
com muitas cores e tons
para falar dos amores inquietos...
Que se faça uso dela
aos gritos e aos brados
para falar das injustiças
E que ela seja
eternamente cantada
nos 4 cantos da Terra,
Amém...
Vinhedo, Verão de 2008.
PASSAGEM
Tem certos dias
que a alma da gente
não se cabe de contente
e se põe a cantar...
Entre beijos e abraços
construímos nossos laços
e o amor se fortalece
na ternura do olhar.
Outros dias há porém
de abandono e solidão:
Simplesmente sou alguém
que lamenta como ninguém
a dor de uma paixão...
E assim passa o tempo
entre sorrisos e dor.
Fica apenas a lembrança
de quem viveu por amor...
Cravinhos, Verão de 2008.
QUERO AMANHECER
Eu quero amanhecer
como uma canção
que me fale de Você...
Uma canção que seja pioneira
e que seja mensageira
de todo o amor que existe em mim...
Eu quero amanhecer
feito um ramalhete
para lhe oferecer:
rosas tão vermelhas
quanto a intensidade
do meu amor...
Eu quero amanhecer
como uma andorinha
a voar sozinha:
para te cobrir
de paz e de bênçãos
no novo dia que vai nascer...
Eu quero amanhecer
feito uma canção
Que cante aos quatro cantos
o meu amor...
Enfim, eu quero amanhecer
sonhando com Você!...
Vinhedo, Verão de 2008.
RAINHA
Se me pedires
Eu te darei
Todas as razões
Todos os motivos
Todas as palavras
Te mostrarei
Todos os caminhos
Todas as direções
Te darei o céu
E todo o meu carinho...
Se assim quiseres
Serás rainha
Bordarei teu manto
Com diamantes
Cravejarei tua coroa
Serei teu servo
Teu fiel companheiro
O teu amante
Pela vida toda, sempre a teu lado
Seguirei confiante.
Se disseres não
Eu entenderei
Mas serei assim mesmo
Teu fiel seguidor
Enquanto existir vida
Carregarei a minha dor
Lamentando o destino
De não fazer-te
Para sempre
O meu amor...
Vinhedo, Verão de 2009.
SOLSTÍCIO I
(Veneno de Cobra)
Prefiro as cobras
a certas pessoas que,
insidiosas e virulentas
andam espreitando
pelas paredes
segredos furtivos,
e instilando venenos mortais
com suas bocas fétidas
onde veiculam
tumores da consciência...
...
Adentrando numa casa de livros
Admirei-me, e fiquei
profundamente triste
ao saber que não tinha Rilke
naquela biblioteca.
Tristeza!...
Livros às centenas,
a mancheias
e nenhum Rainer Maria Rilke!
...
Vou marcar encontro
com 'ele'
numa casa de livros usados...
Mas, continuo preferindo as cobras,
porque eu sei do poder que elas têm!
Enquanto que os outros...
Uma canção passou por mim
dizendo assim:
"Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora..."
E eu estava sozinho
perdido, com meus receios
e meus erros
no meio da avenida...
Volto pra casa,
não necessariamente
a minha...
E busco escrever,
meu dia passar a limpo,
enquanto desenho
com carmim,
corações queridos,
da menina bonita,
que encanta
meu sonho do amanhã...
Prefiro...
Vinhedo, Verão de 2008.
TEMPO DE MUDANÇA
Quero mudar a geografia
Partir sem preocupar
Com a minha aposentadoria
Com a minha teimosia
Com minha melancolia
Eu quero mesmo é viajar...
Atravessar rios e mares
Respirar outros ares
Ser um estranho no jardim...
Sentar no banco da praça
Rir meu riso, que a vida passa
E um dia chegarei ao fim.
Não ter mais filosofia
Olhar a vida sem ironia
Passar meu tempo a caminhar.
Deixar minhas saudades de lado.
Esquecer das dores e do meu fado
Viver, sorrir e sonhar...
Vinhedo, Verão de 2009.
TERNURA
De onde vem esse ar de infinito,
De riso bonito,
Que chega mansinho,
Trazendo carinho
E ternura no olhar?...
É luz que ilumina,
É sol que aquece,
É amor que envolve,
É canto de paz
Já chega e convida:
E diz que me ama
E alegre me chama...
E assim vamos nós,
Caminhantes da vida,
A contar estrelas
Num céu de carinho.
Nas sombras das árvores
Fazer nosso ninho.
Sonhar e ser
Feliz passarinho...
Vinhedo, Verão de 2009.