A agente penitenciária disse: "Prisioneira 9305, você está livre agora. Cuide do seu bebê, não se envolva em problemas e não volte mais para cá."
Em silêncio, Emma Clark atravessou os portões da prisão, e, sem sequer olhar para trás, afastou-se dali, determinada a nunca mais voltar.
Do lado de fora, as folhas secas estalavam sob seus pés a cada passo. O outono já estava chegando ao fim, e o vento frio cortava seu corpo, fazendo-a estremecer.
Assim que sentiu o ar gelado, Ellie Clark, sua filha, começou a se mexer inquieta e a chorar.
"Calma, Ellie. A mamãe está aqui, não chore..." Emma apertou a bebê contra o peito e usou o próprio corpo para protegê-la do vento. Enquanto olhava para a filha, sentiu uma dor amarga apertar seu coração.
Quando foi presa, Emma nem sabia que estava grávida. Só descobriu a gravidez três meses depois de começar a cumprir a pena.
A vida atrás das grades havia sido brutal, e o bullying constante tornava aqueles dias ainda mais difíceis.
Ellie nasceu prematuramente e, mesmo seis meses depois do nascimento, continuava extremamente pequena e fraca. Seu choro era tão baixo e frágil que mal passava do miado de um gatinho.
Emma encostou a testa nos cabelos macios da filha, com os olhos marejados. "Acabou, meu amor. A mamãe vai levar você para casa. Ninguém mais vai poder nos manter aqui."
Depois, ela levou Ellie para o ônibus estacionado ali perto.
Pouco depois, um Cayenne preto parou silenciosamente diante da prisão. O vidro da janela traseira baixou, revelando o perfil frio e bem definido de Shane Holt.
Shane observava a entrada da prisão sem demonstrar qualquer emoção, enquanto girava lentamente a aliança de casamento em seu dedo.
Ao notar alguém no ônibus que lhe pareceu familiar, o motorista se inclinou para a frente e falou apressadamente: "Senhor Holt, ali está ela. A senhorita Clark já foi libertada."
Após olhar de novo, ele hesitou e se corrigiu rapidamente: "Não, não pode ser ela. Ela está com um bebê."
Shane voltou os olhos para a mulher dentro do ônibus. De fato, havia algo naquele perfil que lhe lembrava Emma, mas o corpo da mulher parecia magro e frágil demais.
Aquela figura abatida não combinava com a mulher teimosa e de língua afiada que ele conhecia.
Shane desviou o olhar imediatamente, mas a cena diante dele trouxe de volta uma lembrança de dezoito meses atrás.
Naquela época, Emma e Shane haviam tido a briga mais séria do casamento.
Tudo começara quando Emma acreditou nos rumores de que Shane estava tendo um caso com sua irmã adotiva, Joelle Clark. Tomada pela raiva, Emma fizera um escândalo e jogara os papéis do divórcio na cara dele.
Nada do que Shane dissesse conseguiu fazê-la desistir da ideia de terminar o casamento.
As acusações sem fundamento haviam esgotado a paciência de Shane, e a insistência de Emma em não ceder o levou ao limite.
Naquela noite, o álcool destruiu o pouco autocontrole que ainda lhe restava, e ele a forçou.
A lembrança daquela noite voltou à mente de Shane, fazendo-o pressionar os dedos contra as têmporas, cansado. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda não conseguia compreender o turbilhão de sentimentos que aquela lembrança despertava.
Desde o início, o casamento dos dois havia sido apenas um acordo prático. Shane precisava de uma esposa adequada para apaziguar a família e acabar com os rumores sobre sua vida particular.
Durante os três anos de casamento, ele nunca havia se deitado com Emma.
Depois daquela noite, porém, Shane se viu perturbado ao perceber que desejava ter Emma por perto muito mais do que imaginava. Chegara a pensar que aquele acontecimento poderia finalmente diminuir a distância entre os dois, no entanto, essa esperança não durou nem um dia.
Na manhã seguinte, a notícia de que Emma havia roubado informações confidenciais do Grupo Holt já havia se espalhado.
Os depoimentos das testemunhas e as provas materiais apontavam para ela, mas, ainda assim, Emma se recusava a admitir qualquer culpa.
A raiva de Shane aumentou, mas sua decepção foi ainda maior. Emma já era sua esposa, isso ainda não era o suficiente para ela? Por que precisava traí-lo?
Cego pela raiva, Shane ordenou que o departamento jurídico buscasse a pena máxima e recusou qualquer possibilidade de acordo, exigindo a sentença mais severa possível.
Ele sempre acreditou que a culpa merecia punição, e foi assim que justificou o que havia feito.
Dezoito meses atrás das grades deveriam ser suficientes para fazê-la reconhecer o próprio erro e pensar duas vezes antes de desafiá-lo novamente.
Agora, porém, sua raiva já havia diminuído.
Se Emma admitisse a culpa e demonstrasse que havia mudado, Shane estava disposto a deixar tudo aquilo para trás.
"Estamos aqui há mais de trinta minutos, senhor Holt. O senhor quer esperar mais?", perguntou o motorista em voz baixa.
A pergunta trouxe Shane de volta ao presente, e sua expressão se fechou imediatamente.
Ele havia até cancelado uma reunião importante para buscar Emma pessoalmente, mas ela ainda não havia aparecido.
Isso só podia significar mais um desafio - mais uma tentativa de provocá-lo.
Ele soltou uma risada de escárnio.
Se a prisão não havia ensinado Emma a ser mais flexível, ele não pretendia continuar se rebaixando por causa dela.
"Nos leve de volta para a Vila Seashell", ordenou Shane friamente, e fechou o vidro da janela, voltando a esconder a expressão.
Afinal, depois de ser libertada, Emma não tinha mais ninguém para acolhê-la, e não lhe restaria outra opção além de voltar para casa.
Shane queria ver o que ela pretendia fazer em seguida.
Assim que o Cayenne entrou no pátio da mansão, Shane percebeu que a luz do quarto de Emma estava acesa.
"Então, no fim das contas, ela voltou por conta própria", pensou.
Incapaz de conter a ansiedade, Shane subiu as escadas mais depressa do que de costume.
Depois de dezoito meses, ele mal podia esperar para descobrir qual desculpa aquela mentirosa inventaria dessa vez.
Emma havia voltado para a mansão com o bebê uma hora antes com o único objetivo de pegar seus pertences.
Embora ela e Shane ainda não estivessem oficialmente divorciados, para Emma, o casamento havia terminado no momento em que ele a mandara para a prisão.
"Se-senhorita... Clark?" Pamela, a empregada da casa, demorou a reconhecer Emma.
Somente ao fixar o olhar em seu rosto, a hesitação deu lugar à pergunta: "Como... você ficou assim?"
As palavras mal haviam saído de sua boca quando seus olhos se encheram
de lágrimas.
A Emma que Pamela conhecia era uma jovem cheia de vida e radiante, uma herdeira que sempre se portara com graça e confiança naturais.
Agora, porém, Emma vestia um simples casaco cinza com o jeans desbotado, e seu rosto, antes delicado, havia perdido a cor por causa da má alimentação. Os olhos que antes brilhavam com vida agora estavam cheios apenas de exaustão e desespero.
"Pamela." Ao reencontrar alguém que conhecia do passado, Emma esboçou um sorriso, mas, ao ver a preocupação nos olhos dela, não conseguiu conter as lágrimas.
Emma sempre fora destemida diante das dificuldades, acreditando que, assim que saísse da prisão, conseguiria deixar para trás toda a dor daqueles dezoito meses.
Mas, no momento em que alguém demonstrou preocupação genuína, as emoções que ela vinha reprimindo de repente vieram à tona.
Talvez sentindo que sua mãe estava triste, Ellie, aninhada nos braços de Emma, soltou alguns arrulhos suaves.
Emma rapidamente se recompôs, conteve as lágrimas e arrulhou: "Boa menina. A mamãe está bem."
Finalmente notando o bebê nos braços de Emma, Pamela perguntou: "E esta é...?"
Emma não tinha intenção de esconder nada de Pamela, que já havia cuidado dela com tanto carinho.
Mas, se Shane soubesse da criança, isso só traria mais problemas.
Com os lábios cerrados, ela perguntou, seca: "Onde ele está?"
Pamela encarou o bebê por um momento, atônita. Quando percebeu que Emma estava perguntando por Shane, explicou rapidamente: "Depois do que aconteceu, o senhor Holt não tem ficado aqui, e mesmo quando volta, nunca fica por mais de uma hora. Ultimamente, só eu fico aqui, cuidando da casa, mas agora que você voltou, isso é maravilhoso. Já arejei a roupa de cama do seu quarto, está tudo limpo e fresco."
Enxugando as lágrimas, Pamela sorriu enquanto se preparava para levar Emma ao seu quarto.
As palavras aqueceram o coração de Emma, mas ela balançou a cabeça. "Pamela, obrigada. Mas não vou voltar para casa hoje. Só vim pegar minhas coisas."
Ao olhar para Ellie em seus braços, o coração de Emma se enterneceu.
Ela sabia que havia conseguido economizar uma boa quantia de dinheiro ao longo dos anos. Mesmo sem Shane, conseguiria proporcionar uma vida confortável à filha.
Talvez não pudesse dar a Ellie uma família completa, mas faria tudo o que estivesse ao seu alcance para protegê-la.
"Senhorita Clark, mas..." Ao ouvir que Emma estava de partida, Pamela ficou sem saber o que fazer. Seus olhos revelavam claramente a relutância e o pedido silencioso para que Emma ficasse.
Emma parou na entrada do quarto e olhou para dentro - tudo continuava exatamente como ela havia deixado.
Até o anel sobre a penteadeira estava no exato lugar em que ela o havia colocado.
Depois de lançar um último olhar para aquele quarto que havia sido seu lar durante três anos, Emma abriu a gaveta e pegou os documentos e os cartões bancários. Então, seu olhar pousou sobre a certidão de casamento que ainda a ligava a Shane.
Emma apertou os lábios por um instante antes de dizer: "Eu queria me divorciar dele naquela mesma noite. No meu coração, já somos estranhos há muito tempo."
Deixando para trás tudo que a família Holt lhe dera, de joias e roupas de grife a bolsas e celulares de luxo, ela pegou apenas as coisas que realmente pertenciam a ela.
"Por que está se submetendo a isso? Na verdade, o senhor Holt..."
"Pamela...", interrompeu Emma, que não queria ouvir nada sobre Shane. "Obrigada por ter cuidado tão bem de mim por três anos. Agora, eu só quero viver uma vida tranquila com minha filha, longe de qualquer pessoa que possa nos incomodar."
As palavras vinham do fundo do coração.
Pamela olhou para Emma e depois para Ellie em seus braços. No fim, só conseguiu suspirar.
Foi então que o som de um carro vindo do andar de baixo chamou a atenção das duas.
Ao ouvir o barulho, a expressão de Emma mudou imediatamente. Nesse horário, só podia ser Shane voltando para a vila.
Sem hesitar, Emma apertou a filha contra o peito e se virou em direção à porta.
Sabendo que Emma queria evitar Shane a qualquer custo, Pamela segurou seu pulso e a conduziu rapidamente pelo outro lado da escada, até a porta que dava para o quintal. "Rápido, saia por aqui. O senhor Holt não saberá que você esteve aqui."
Percebendo que aquela talvez fosse a última vez que veria Emma, Pamela enxugou as lágrimas enquanto observava a silhueta magra e frágil da jovem. "Senhorita Clark, não se preocupe. Não contarei a ninguém que você esteve aqui. Por favor, se cuide."
Os olhos de Emma também se encheram de lágrimas.
Ela não queria deixar Pamela, mas sabia que, se permanecesse ali por mais tempo, poderia perder a oportunidade de escapar.
Emma mordeu o lábio, virou-se e foi embora com a filha nos braços, sem olhar para trás.
Assim que Emma saiu, Shane entrou pela porta, empurrando-a com força, sua aura fria emanando dele. Contudo, a essa altura, não havia sinal de Emma em lugar nenhum da casa.
A grande janela panorâmica estava aberta diante dele. A brisa de outono entrava de fora, levando consigo o último vestígio do perfume de Emma enquanto as cortinas brancas esvoaçavam.
Shane parecia calmo, mas, por trás da expressão controlada, mal conseguia conter a raiva.
Seu assistente, Charles, que havia entrado logo atrás dele, já tinha acessado as imagens das câmeras de segurança da casa. "Senhor Holt, parece que há um problema com as imagens da vigilância."
Shane encarou a tela com frieza.
A gravação havia sido editada de maneira tão grosseira que as falhas eram evidentes. Quem quer que tivesse feito isso realmente achara que conseguiria enganá-lo.
Shane desviou o olhar para Pamela e a chamou em um tom gélido: "Pamela."
"Senhor Holt, o... o senhor precisa de alguma coisa?"
Fixando o olhar na empregada, Shane perguntou: "Onde ela está?"
Sob o olhar intimidante, Pamela ficou visivelmente tensa, e a expressão de Shane se tornou ainda mais sombria.
Lembrando-se da promessa que fizera a Emma, Pamela baixou a cabeça e fingiu não entender. "Não sei o que o senhor quer dizer, senhor Holt. De quem o senhor está perguntando?"
A voz de Charles permanecia calma, mas a ameaça por trás de suas palavras era evidente. "Pamela, pare de tentar proteger a senhorita Clark. Sua filha e a família dela dependem do senhor Holt para ter uma vida estável. Preciso mesmo explicar de que lado você deveria estar?"
Charles não conseguia acreditar que Pamela ainda estivesse tentando acobertar Emma.
Será que ela não percebia o quanto Shane estava furioso?
"Eu..." Pamela tentou responder, mas o medo tomou conta dela, deixando-a presa em uma dolorosa batalha interior.
"Eu conto!" Ao ver que Charles já estava ligando para o departamento de recursos humanos, as pernas de Pamela perderam a força.
Ela caiu no chão e começou a tremer. "Eu conto tudo. Por favor, não demita minha filha..."
Pamela pedia perdão a Emma em silêncio, com os olhos ainda vermelhos e inchados de tanto chorar.
"A senhorita Clark voltou e foi direto para o quarto pegar os documentos e os cartões do banco. Logo depois, saiu e pegou um táxi. É tudo o que eu sei, senhor Holt. Eu juro..." Sem conseguir suportar o peso da culpa, Pamela acabou escorregando até o chão.
Shane permanecia em silêncio, mas seu olhar gélido tornava o ambiente ainda mais sufocante.
Charles lançou um rápido olhar para Pamela e insistiu: "A senhorita Clark confia em você mais do que em qualquer outra pessoa. Como pode não saber para onde ela foi? Você ainda está escondendo alguma coisa de nós, Pamela!"
"Eu juro que ela não me disse para onde ia. Talvez... talvez tenha voltado para a Propriedade dos Clark!"
Sem conseguir conter as lágrimas, ela implorou a Charles: "Eu lhe dei todos os detalhes que tenho, senhor Mitchell. Minha filha e a família dela não tiveram nada a ver com isso. Por favor, não vá atrás deles. Eu faço qualquer coisa, mas deixe minha família em paz!"
Charles já não suportava mais assistir aos apelos desesperados de Pamela. Por fim, aproximou-se de Shane e falou com cautela e respeito: "Senhor Holt..."
A sala mergulhou novamente no silêncio.
O olhar de Shane percorreu o ambiente e seu maxilar se contraiu, emanando uma fúria que criava uma pressão quase sufocante, deixando clara sua irritação. Charles sentiu-se impotente. Se Emma não havia voltado para casa depois de ser libertada, para onde mais poderia ter ido?
A falta de respostas só tornava a expressão de Shane ainda mais sombria. Quando os dois já estavam de volta ao carro, Charles, sentado no banco do passageiro, perguntou cautelosamente: "O senhor gostaria que eu entrasse em contato com a família Clark para descobrir se ela está com eles?"
As luzes da cidade brilhavam do outro lado da janela enquanto o carro avançava pelas ruas movimentadas. Shane, porém, não sentia nada além de um frio amargo e um vazio profundo dentro de si.
Emma nunca tivera uma relação próxima com os próprios pais. Na maior parte do tempo, os três sequer conseguiam esconder a hostilidade que existia entre eles.
Mesmo assim, ela preferira voltar para a vida fria e miserável na Propriedade dos Clark a retornar para ele.
Para Shane, essa foi a gota d'água - já havia tolerado os desafios de Emma por tempo demais.
Com o olhar frio, ele ordenou: "Congele todos os bens e propriedades registrados em nome dela. E certifique-se de que nenhuma empresa esteja disposta a contratá-la."
Cedo ou tarde, Emma ficaria sem opções e seria obrigada a voltar para implorar seu perdão.
Charles ficou chocado com a ordem.
Pelo espelho retrovisor, conseguia ver apenas o semblante sombrio de Shane, cuja expressão permanecia impossível de decifrar.
Ainda assim, o frio que parecia dominar o interior do carro deixava uma coisa evidente: Shane estava realmente furioso com Emma.
Se a ordem fosse cumprida, Emma não teria para onde ir.
Não seria o mesmo que encurralá-la completamente?
Charles reuniu toda a coragem que tinha para tentar defendê-la, embora a dúvida ainda estivesse evidente em sua voz. "A senhorita Clark talvez só precise de um pouco de tempo sozinha depois de ser libertada. É provável que volte para casa assim que tiver a oportunidade de colocar a cabeça no lugar..."
"Chega, Charles", Shane o interrompeu antes que ele pudesse terminar.
O olhar afiado que lançou ao assistente foi suficiente para fazê-lo se calar imediatamente. "Você quer que eu o mande para se juntar a ela?"
Charles sentiu um arrepio percorrer o corpo e forçou um sorriso sem graça. "Vou cuidar disso imediatamente, senhor Holt."
"Isto é exatamente o que ela merece", respondeu Shane, cujo tom seco não continha misericórdia.
Diante dessa resposta, Charles recuou e não ousou defender Emma novamente.
Nada havia alertado Emma sobre o que acontecera na Vila Seashell depois que ela partiu. Enquanto o táxi avançava, ela observava Ellie dormir pacificamente em seus braços, o coração tomado de ternura.
Emma deu um beijo suave na testa de Ellie, e um alívio trouxe um sorriso suave aos seus lábios.
Nada importava mais para ela do que estar ali para ver Ellie crescer. Se a vida lhe concedesse apenas um desejo, Emma desejaria nunca mais encontrar Shane.
"Apartamentos Crestview, senhorita. Chegamos", anunciou o motorista do táxi.
Emma desceu do carro com Ellie firmemente protegida em seus braços. As luzes quentes iluminavam o complexo tranquilo ao redor delas.
Um imóvel nos Apartamentos Crestview custava dezenas de milhões, e Emma havia comprado o seu com o próprio dinheiro antes de ser presa.
Era aqui que ela e Ellie começariam uma nova vida.
Emma mal havia chegado à entrada quando o choro de Ellie rompeu o silêncio. Como a pequena raramente chorava sem motivo, ela soube na hora que algo a incomodava.
Ao verificar, descobriu que a fralda de Ellie estava completamente encharcada.
Emma sorriu para tranquilizá-la e procurou na bolsa, mas percebeu que já havia usado a última fralda.
"Shh, meu amor. A mamãe vai comprar algumas fraldas limpas para você. Daqui a pouco você vai se sentir muito melhor", sussurrou Emma.
Então, seguiu em direção ao supermercado de luxo localizado perto do complexo.
"É tão bom vê-la novamente, senhorita Clark." A atendente a recebeu com um sorriso caloroso.
Antes de se casar com Shane, Emma havia morado nos Apartamentos Crestview e costumava frequentar esse supermercado. Por isso, ser reconhecida pela atendente depois de tanto tempo a pegou de surpresa.
Emma sorriu e acenou com a cabeça em resposta. Enquanto mantinha Ellie segura em um dos braços, usou o outro para pegar alguns pacotes de fraldas e um pouco de fórmula infantil.
Depois de reunir tudo o que precisava, dirigiu-se ao caixa. "Fica $34.000, 00."
O supermercado vendia principalmente produtos importados de alta qualidade, então Emma não se incomodou com o preço.
Ela pegou um dos cartões bancários e o entregou à atendente.
A atendente passou o cartão pela máquina, mas o pagamento não foi aprovado.
Com um olhar de desculpas, devolveu o cartão a Emma. "Sinto muito, senhorita Clark, mas este cartão parece não estar funcionando."
Como o cartão não era usado havia muito tempo, Emma imaginou que a tarja magnética pudesse estar danificada. A princípio, não deu muita importância ao problema. Continuou acalmando Ellie enquanto tentava usar os outros cartões que carregava na bolsa.
No entanto, a máquina recusou todos eles.
"Receio que todos os cartões que você tentou foram congelados, senhorita Clark", murmurou a atendente.
Emma apertou os cartões com mais força, seu rosto perdendo toda a cor.
Shane - só podia ter sido ele.
A crueldade de Shane havia ultrapassado qualquer coisa que Emma pudesse imaginar. Ele sabia que ela seria libertada hoje e, mesmo assim, escolhera justamente esse momento para cortar seu acesso a todas as contas.
Por que ele faria isso com ela?
Dezoito meses atrás das grades por um crime que ela não havia cometido ainda não eram punição suficiente?
A expressão da atendente se suavizou ao perceber o estado de Emma. Os olhos dela estavam vermelhos por conter as lágrimas, enquanto Ellie continuava chorando, claramente desconfortável. A cena desoladora de mãe e filha despertou a compaixão da atendente.
Vestindo roupas simples e com uma aparência exausta, Emma deixava evidente que havia passado por tempos muito difíceis.
A atendente soltou um suspiro discreto e se abaixou para pegar algumas coisas debaixo do balcão.
Pouco depois, colocou alguns pacotes de fraldas de amostra e duas latas de fórmula infantil sobre o balcão e os entregou a Emma.
"Você não precisa pagar por nada disso, senhorita Clark. São amostras grátis, então, por favor, aceite."
A gentileza inesperada fez novas lágrimas surgirem nos olhos de Emma.
Nesse momento, não havia espaço para orgulho, então ela aceitou os suprimentos.
Emma respirou fundo e lutou para manter a voz firme. "Eu não sei como agradecer."
Quando finalmente voltou para casa, já eram onze horas da noite. O ar do fim do outono estava frio e úmido, e uma rajada repentina de vento fez Emma estremecer.
Ela apertou Ellie ainda mais contra o peito a cada sopro de vento, tentando proteger a filha do frio.
Enquanto caminhava para casa, Emma não conseguia parar de suspirar.
Shane havia bloqueado todas as contas que ela possuía.
Como ela deveria cuidar de Ellie agora?
Elas conseguiriam sobreviver sem renda e sem economias?