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Dante - Em busca da redenção - Série Voyaller 2

Dante - Em busca da redenção - Série Voyaller 2

Autor:: Mainy
Gênero: Romance
Dante Voyaller, mais conhecido como dragão de Veneza, herdeiro e chefe da máfia Italiana, não mede esforços para conseguir o que quer. Foi criado para ser assim, sanguinária a ponto de matar sem sentir remorso, culpa ou pena, mas nem sempre desejou o poder que carrega em suas mãos. Em uma época de sua vida seu único desejo era ser amado pela mulher que ele sempre protegeu, mas por consequências e atos inesperados foi obrigado a puxar o gatilho de suas Taurus gêmeas contra a pessoa que ele mais amou em toda a sua vida, vendo-a tombar diante de seus olhos por uma de suas balas. O que ele não imaginava é que após onze anos o destino lhe reservava uma surpresa, trazendo de volta sua amada para seus braços. Agora o seu maior objetivo é se redimir e protege-la acima de tudo e todos, mas nem tudo é tão fácil quanto parece, afinal ela perdoará os erros e traições do passado?

Capítulo 1 Prólogo

Dante Voyaller

Observo o pequeno menino de olhos azuis analisar o pai com uma expressão perdida, enquanto o pequeno bebê de cabelos avermelhados esperneia nos braços do homem ao lado.

- Sua noiva foi escolhida, seu dever a partir de hoje é zelá-la, amá-la e ela será sua esposa. - O homem à sua frente diz sério e o garotinho continua a encará-lo com dúvidas e suspeitas.

Como em um filme, épocas importantes da minha vida passam pelos meus olhos, todo o crescimento de Eva e o entendimento do que as palavras de Donatel significaram naquela noite.

Minha mente foca em um momento em especial, no sorriso fácil da jovem a minha frente, naqueles cabelos esvoaçantes que tanto chamam a minha atenção, ela ainda era pequena e o vestido rosa delicado balançava com o vento.

Eva segura minhas mãos delicadamente e me vejo com dez anos, aquele sorriso largo, olhos brilhantes e cheios de vida sussurram cheios de amor e esperança.

- Olha Dan agora eu tenho um gatinho. - Sorrio feito bobo com o pequeno animal que eu nunca poderia ter, pois mesmo tão jovem e com pouca idade já entendia que apego resultaria a castigos severos e pesadas torturas, ainda assim, sorrio largamente vendo os olhos da menininha à minha frente brilharem ainda mais.

- É lindo - comento sabendo que aquilo a deixaria ainda mais feliz, e como previsto ela segura as minhas mãos rodopiando pelo saguão da grande mansão e inesperadamente meu coração é tomado por alegria e felicidade, coisa que não era acostumado a sentir, mas com Eva tudo era diferente, tudo tão colorido e cheio de vida como nunca tinha visto antes.

Mais uma vez a passagem de tempo muda rapidamente, tirando de mim aquela bela imagem que tanto me alegrava, me jogando para nossa adolescência, onde compreendia muito bem a palavra casamento e o sentido do que aquela menina, que agora já tinha os seus quinze anos, significava.

Eva foi destinada a mim, desde o ventre da sua mãe, mas eu não podia lhe contar a verdade, não podia explicar a ela que seríamos noivos, pois essas eram as regras e quebrá-las resultaria em uma grande catástrofe. Me doía saber a verdade e não contar para minha amada garota, doía esconder dela tudo o que eu sabia, pois nós tínhamos promessas e uma delas era jamais mentir um para o outro.

A ruiva com o delicado corpo de menina, entrando na sua fase adulta, observava o jovem rapaz à sua frente com paixão. Eles sorriam e olhavam as estrelas no quintal da sua casa estirados no chão.

O sorriso fácil de Eva sempre me encantou, os olhos cheios de vida e os sonhos de um dia viajarmos juntos pelo mundo com apenas uma mochila e nada mais, conhecer países novos, culturas diferentes e abandonar a prisão controlada que ela chamava de vida achando que era superproteção de seus pais. Eu sabia da verdade, mas isso era irrelevante quando eu tinha a menina doce que tanto amava esparramada em meus braços, com o rosto apoiado em meu peito contando estrelas.

O que eu não esperava era o que aconteceria a seguir e em questão de instantes o sonho se torna um pesadelo e vejo o mar de sangue manchar o tapete felpudo da sala com os corpos dos familiares de Eva espalhados pelo chão e o mais desesperador era ver como o vermelho corrompia o branco daquele local.

NÃO.... Tento gritar, mas minha voz presa a minha garganta impede. Tento correr, mas a cada passo as imagens ficam distantes e os olhos aflitos e desesperados de Eva se fixam em minha mente, o pedido silencioso de socorro e a minha frieza em demonstrar poder para não ver aqueles que amo pagando pelos meus erros.

O que era pior? A morte dos meus irmãos ou a morte dela? Eu não sei, não consigo raciocinar, não consigo ver uma saída para o labirinto que gira diante dos meus olhos. Para todos os lados eu vejo portas, portas trancadas com cadeados grossos e a escuridão me engole me fazendo reviver mais uma vez aquele rapaz de olhos frios puxando o gatilho.

A vida ali já não fazia sentido, não tinha mais cor, tudo era preto e branco. Os dias passaram depressa e a dor era insuportável.

Eu vi o menino feliz, com esperanças e sorridente se tornar o homem arrogante, controlador e sem sonhos. Revivi a minha dor presenciando cada fase da minha angustiante vida, até chegar o momento de ver aquela ruiva de corpo escultural bailando no jardim da minha casa onze anos depois.

Como era possível Eva estar ali? Eu não sabia, mas tinha a certeza que aquela mulher tinha algo especial, senti no mais profundo da minha alma que ela era minha garota, minha Eva, mas nem tudo que reluz é ouro e a decepção veio forte quando o homem preso naquele sonho estranho reviveu as palavras dolorosas da mulher que tanto amava.

Morte e vingança era o que ela buscava e agora tudo faz sentido. Era isso que havia acontecido, morte. Estava morto, condenado ao inferno, a reviver diariamente o meu maior pecado e nesse limbo angustiante a escuridão me toma mais uma vez.

- Dante... - Uma voz suave me chama distante e quero agarrar aquele tom angelical, mas a escuridão me engole.

Tento forçar meu corpo a se mexer e nada que faça surte efeito, porém a voz suave está ali, próximo ao meu ouvido surrando gentilmente palavras das quais não consigo compreender e isso me traz lembranças da minha menina.

Por quê? Por que não consigo acordar? Não consigo me mexer? Esse era o meu castigo? A minha punição?

Não sei, entretanto ver o sorriso de Eva com seus quinze anos pronta para me abraçar por ganhar uma pequena caixinha de música preenche meu peito de alegria e dor.

Sinto tanta falta daquela época, falta do que vivi e sei que não tenho mais, pois já sonhei com isso antes, várias vezes, mas no final a escuridão sempre me toma e sei onde isso acaba, sempre no mesmo lugar em seu olhar de arrependimento e desilusão.

- Não desista, volte para mim Dan, estou te esperando meu amor... - A voz insiste e mesmo que eu grite ninguém me ouve, quero agarrar aquele fio de esperança que parecia cada vez mais próximo, porém o vazio retumba em minha frente, a escuridão e o desespero insiste em me cegar.

Eva... Grito na intenção de me desculpar e dizer que a amava.

- Dan...

Um fio de luz aparece no fundo e o espaço à minha volta fica mais claro, minha mente grita por Eva e imagens da adorável ruiva se instalam em minha mente. Do seu sorriso fácil, do cheiro do seu perfume, da maciez de sua pele e por um momento observo a linda mulher à minha frente me chamar de braços abertos.

Eva estava me chamando, me guiando para a pequena luz ao fundo. Estendo minha mão na tentativa de tocá-la e um grande sorriso surge em seus lábios quando ela estende sua mão em minha direção cada vez mais próxima da luz, com um impulso sinto seus dedos se envolverem em minhas mãos quando o clarão toma meus olhos.

- Ivi... - Puxo o ar com força, perdido em meio aos bips de aparelhos e olhos repletos de alívio me encaram cheios de lágrimas.

Capítulo 2 1 Capítulo

Dante Voyaller

- Dante. - Eva envolve meu pescoço, me abraçando apertado e solto um gemido ao sentir meu corpo dolorido.

- Ivi... - sussurro apoiando minha mão em suas costas perdido e desorientado. - O que aconteceu? A quanto tempo estou aqui? - resmungo e a única coisa que ela sabe fazer é chorar e acariciar meus cabelos.

Apoio meu rosto na base do seu pescoço inspirando seu cheiro maravilhoso.

- Isso é um sonho? - questiono incerto. - Não lembro de sonhar com esse momento.

- Isso não é sonho, você está vivo, você está aqui. - Ela sorri olhando em meus olhos e um grande alívio percorre o meu peito, mas minha mente está confusa demais para lembrar de tudo corretamente, me sinto entorpecido, sonolento e perdido.

- Não lembro do que aconteceu, está tudo muito confuso. - Apoio a mão na cabeça e sinto uma fisgada no ombro que me faz parar o movimento.

Olho para o lado e vejo um grande curativo forçando-me a lembrar dos detalhes que me levaram até a enfermaria.

- Nós precisamos conversar. - Ela sorri. - Eu te amo Dan, juro que te amo.

Confuso a observo por um longo período tentando entendê-la e assimilar tudo que dizia, mas a equipe médica chega retirando Eva da sala.

- Não, Eva, espere. - reclamo tentando levantar, mas porra, estou fodidamente dolorido e sou obrigado a deitar, pois cada músculo do meu corpo reclama com os meus movimentos.

Vejo Esther retirar Eva do quarto enquanto Pietro faz uma enxurrada de perguntas me deixando ainda mais confuso do que já estou.

***

Duas semanas depois.

Tento respirar profundamente, mas a dor em minha costela não permite. Tenho assuntos pendentes com Eva e apesar da sua confissão há várias coisas que precisamos esclarecer e mesmo com suas visitas constantes evitamos o assunto, mas não podemos adiar ainda mais essa conversa.

Algumas coisas ainda permanecem confusas em minha mente. Me recordo brevemente do que aconteceu, mas a cada dia que se passa tudo fica mais nítido e segundo os médicos os lapsos de memória são efeitos colaterais dos medicamentos ministrados para recuperação.

Lembro-me de ter Eva em meus braços e Kraz atirando em nós. Aquele desgraçado seguiu as ordens de Donatel como um verdadeiro cão e sua única intenção era atingir Eva. Naquele momento não pensei em mais nada além de sua vida, para mim era suficiente saber que ela estava bem e não pensei duas vezes em usar meu corpo como escudo. Quando ouvi o som do disparo tudo parou, os sons à minha volta pareciam silenciar e meu único foco era a ameaça que Kraz trazia para Ivi. Já havia perdido ela uma vez, não testaria a sorte com o destino novamente, pois mais vale suas lágrimas de dor ao me ver tombando do que as minhas ao segura-la inerte em meus braços.

Apoio a mão na testa sentindo minha cabeça doer com a enxurrada de lembranças que me atinge, ainda tinha momentos confusos em minha mente, mas já não aguentava mais ficar trancado nesse quarto passando por uma bateria de exames. Cheguei a cogitar a possibilidade de sair, mas Pietro garantiu que meu corpo precisava de descanso ou meus órgãos não resistiriam, me obrigando a ceder, já que Donatel com suas técnicas de tortura me danificou mais do que imaginei e a recuperação está sendo mais demorada do que gostaria, porém necessária, ainda assim, sinto-me um animal enjaulado.

Um suave toque na porta chama a minha atenção e Eva entra no quarto me observando com um olhar preocupado.

- Como está se sentindo? - Ela se aproxima.

- Quando vou poder sair desse quarto? - questiono chateado.

- Dante você é o Dragão de Veneza, mas não é imortal.

A observo com um sorriso no rosto lembrando do porque amava tanto essa mulher.

***

Bato na porta e espero sua confirmação para entrar e assim que a recebo encontro, Eva sentada na poltrona de frente para pequena mesa redonda lendo um livro, mas logo aquelas pedras cristalinas se voltam para mim.

- Dante? - Me observa surpresa.

- Precisamos conversar.

- Sim, precisamos. - Ela coloca o livro que lia sobre a mesa voltando sua atenção para mim.

- Há tantas coisas que preciso lhe dizer e uma delas é o fato de que não suportaria perdê-la novamente. Fomos treinados para não ter sentimentos, mas você sempre foi a minha fraqueza e a minha fortaleza. Tive medo de você me odiar e desistir de nós. Não planejei nada do que aconteceu em nosso passado, fui obrigado a fazer a escolha mais difícil da minha vida, sua família ou meus irmãos. Sei que você não sabia da existência deles, mas vê-los sendo torturados sabendo da desonra dos seus pais, a escolha para mim não foi difícil, entretanto, jamais imaginei que você estaria lá naquela noite. Ele prometeu que você viveria e fui ingênuo de acreditar em Donatel.

- Nada que nos envolve faz um pingo de sentido, mas simplesmente não consigo ignorar o fato de que não quero me distanciar de você. Sei que não teve culpa, que foi usado e manipulado por seu pai e sei que naquele momento você não tinha opções, mas dói tanto Dante. Estou magoada com meus pais, vivi onze anos alimentando um ódio que não era real, matei a saudade e o amor que sentia achando que você era o culpado e errei, pois, os culpados eram na verdade nossos pais. - Eva se levanta com um olhar triste e quando vejo a puxo para meus braços apoiando sua cabeça no meu peito.

- Não se culpe pela ganância daqueles que deveriam lhe proteger. Você era apenas um bebê não tinha como saber o que estava acontecendo. Errado foram seus pais de fazer um contrato com Donatel sabendo o monstro que ele era. Somos a máfia e quem nasce na máfia morre na máfia, vivemos do poder e seus pais tentaram quebrar as regras, mas isso não justifica a minha falha, prometi que te protegeria e falhei.

- Não Dante, você não falhou. - Seus olhos se voltam para os meus. - Eu estou aqui hoje porque você errou propositalmente meu coração evitando um tiro em minha cabeça.

- Eu te vi morrer, vi seu caixão sendo enterrado e quando vi Dana no jardim da mansão jurava que era um anjo que retornou para me assombrar, achei que aquele era o meu castigo e tive medo. Cheguei a achar por um curto período de tempo que poderia ter uma segunda chance, que poderia amar novamente, construir uma família, seguir em frente, mas não me achei merecedor. Imagine o tamanho da minha surpresa quando descobri que Dana era na verdade você? Enlouqueci Eva, enlouqueci, pois todos os meus desejos e pesadelos se tornaram reais e quando fui até você em busca de respostas, você deixou claro que desejava a minha morte e como forma de redenção quis realizar seu último desejo.

- Não quero te perder porque eu te amo e me arrependo de ter lhe acusado daquela maneira. Quando você tombou na minha frente, sua pele manchada de sangue e os disparos ensurdecedores reverberando pelo local... - Ela estremece em meus braços. - Achei que tinha te perdido, que havia me deixado e naquele momento nem pude me desculpar adequadamente. - Seus olhos transbordam e a aflição de suas palavras comprimem meu peito. - Nunca mais coloque sua vida na frente da minha Dante, me arrependo das palavras que lhe disse, mas do resto não me arrependo de nada, pois, Donatel merecia morrer, sei que isso reflete negativamente em sua vida, mas ele merecia morrer.

- Eva, darei minha vida pela sua quantas vezes for necessário, pois eu te amo. Amo tanto que não cabe em mim, não tenho palavras para explicar o tamanho do amor que sinto por você.

- Eu também te amo Dante e agora compreendo isso. Compreendo tudo e você não precisa se culpar mais - afirma acariciando meu rosto com as pontas dos dedos.

- Mas o nosso passado sempre pesará em nossas vidas - digo com pesar.

- Isso só nos torna mais fortes e prova que estamos vencendo o egoísmo de nossos pais.

- Desculpa por tudo. - Acaricio seu rosto fixando meus olhos nos seus.

- Não é só você que precisa pedir desculpas Dante, eu também peço perdão pelo meu egoísmo e ódio, isso quase me custou a sua vida e eu me arrependo, porém, o que importa no momento é que estamos juntos, depois de tantos anos e tantos erros, finalmente estamos juntos.

Um alívio se instala em meu peito ao ouvir aquelas palavras. As mãos de Eva passeiam por meus braços e me curvo beijando seus lábios com amor.

- Nunca duvide do meu amor por você Eva. Você sempre será o amor da minha vida. - Distribuo vários beijos por seu rosto e lábios, em retribuição ganho um maravilhoso sorriso que preenche minha alma.

- Você sabe que temos que explicar tudo isso para seus irmãos, não é? - Ela faz uma careta me fazendo rir.

- Faremos isso mais tarde. Agora eu só quero você. - Apoio minha mão em sua cintura puxando seu corpo para mais próximo do meu.

Colo meus lábios nos seus, beijando-a avidamente, e Eva retribui com voracidade apoiando suas mãos em minha nuca.

***

Aninho Eva em meus braços acariciando seus cabelos com cuidado, desfrutando do prazer que é vê-la dormir ao meu lado.

Com suavidade deslizo meus lábios por seu rosto sentindo sua pele quente em contato direto com a minha. Eva se remexe e resmunga com minhas carícias e arrumo meu corpo para melhor acomodá-la.

Deixo um beijo demorado em sua testa e levanto seguindo para o banheiro.

Deixo a água quente escorrer pelos meus cabelos e fecho os olhos por um momento sentindo um leve tremor passar pelo meu corpo, suspiro sabendo que tanto eu quanto Eva ainda temos um longo caminho a percorrer.

Donzel não ficará quieto até conseguir o que quer e aquele monstro jamais colocará suas mãos sujas na minha mulher.

Com o aniversário dos gêmeos chegando precisamos convocar uma reunião com meus irmãos, para discutirmos a segurança e redobrar a atenção na casa, pois realizaremos uma festa aberta à alta sociedade para promover o porto, e assim aproveitamos esse dia para melhorar nossa imagem ao público.

Sei que preciso explicar toda a minha história e a de Eva aos meus irmãos, mas confesso que apenas queria apagar o passado de nossas memórias e seguir adiante sem olhar para trás.

Estou tão perdido em pensamentos que não noto Eva parada na porta.

- O que te causa tanta aflição? - Sua pergunta me pega desprevenido.

- O aniversário dos gêmeos está chegando e somos acostumados a realizar uma festa aberta à alta sociedade e mesmo redobrando a segurança nunca sabemos o que pode acontecer ou quantos inimigos teremos em nosso território. O fato de Donzel estar à solta e tentando de alguma forma nos atingir me preocupa, então eu peço que tome cuidado e não aja impulsivamente, pois você é meu sol e minha escuridão, não medirei esforços para destruir aqueles que colocarem sua vida em perigo - confesso, pois sei que ela me entende.

Vejo ela refletir minhas palavras enquanto desligo o chuveiro me secando, e pensativa ela responde:

- Tudo bem, compreendo a situação e tentarei ser menos impulsiva.

- Eva por que não consigo acreditar que esse "tentarei" não resultará em nada? - Estreito os olhos a observando e ela levanta a sobrancelha com um sorriso nos lábios.

- Eu já disse que tentarei. - Ela encolhe os ombros me observando. - Sabe que não conseguimos mudar do dia para noite, mas me recordo bem o que minhas ações impulsivas causam, então terei cuidado com meus passos.

- Estou começando a ter uma dor de cabeça. - Apoio a mão na testa e vejo ela me ignorar seguindo para o quarto.

Termino de me secar e caminho atrás dela me lembrando que precisamos falar com meus irmãos.

- Se arrume, pois estamos indo falar com meus irmãos. Sei que remoer o passado não é agradável, mas é necessário explicar para eles o que aconteceu.

Eva maneia a cabeça em concordância e antes de ir para o closet deixa um suave beijo em meus lábios.

***

Vejo Eva parada em frente a porta do quarto de Max e sei que ela tem receios, afinal não sabemos como meus irmãos irão reagir, mas conhecendo bem cada um deles, compreenderam os fatos e entenderam que tudo foi um jogo de Donatel e como sempre dançamos em suas mãos conforme as suas vontades, mas isso acabou, não será mais assim.

- Entre Ivi - Falo próximo a sua orelha apoiando a mão na base da sua coluna sentindo sua pele em contato com a minha - Dará tudo certo - Afirmo e seus olhos preocupados se fixam nos meus.

- O que me deixa apreensiva é Royal, sabe que ele é o mais complicado dos três, temo que ele não me aceite por ter mentido - Desvia o olhar do meu para a porta novamente.

- Apenas dê alguns créditos a ele, Royal realmente é o mais complicado, mas apesar de não parecer é muito compreensivo, vai entender que você teve seus motivos quando ouvir tudo o que temos para contar - Tento acalmá-la, mas ela não parecia tão certa sobre aquilo.

- Sabe Dan, é incrível a forma como vocês protegem uns aos outros, mas confesso que nada me tira da mente que Royal me odiará a partir de hoje.

Me surpreendo com seu comentário e a observo por longos segundos sem dizer nada, volto meu olhar para um ponto qualquer e apoio a mão na cabeça pensativo.

- É inconsciente defendermos uns aos outros, precisamos aprender isso ao longo dos anos se não queríamos ver nossos irmãos sendo torturados por nossas falhas.

- Como Donatel consegue ser tão horrível e asqueroso? - Pergunta com desdém.

- Ele não queria filhos Ivi, queria soldados e fez de tudo para conseguir isso.

- Parte do objetivo aquele velho asqueroso concluiu, pois ele realmente criou soldados fortes e blindados, mas se esqueceu que bem no fundo de cada um de vocês ainda bate um coração. - Ela apoia a mão no peito sorrindo.

- Talvez você tenha razão, mas nem sempre consigo proteger a todos como gostaria. - Falo com pesar.

- Por que diz isso?

- Jack passou a me odiar depois do acordo assinado por Donatel e Edgar, mas não há nada que eu possa fazer, já tentei de tudo e foi em vão.

- Você mesmo disse para dar um crédito a Royal, então dê um a Jack. Sei que é normal esse tipo de acordo entre máfias, mas ele só está perdido e assustado, tenha calma. - Eva tenta me confortar, mas não surtiu muito efeito.

- Normal quando somos pequenos Ivi, assim crescemos sabendo que aquela pessoa é nossa prometida, mas no caso de Jack ele já passou dessa idade, achei que somente eu teria que lidar com uma situação como essas, agora vejo Jack se desfazendo por culpa das atitudes daquele velho desgraçado e juro que queria matá-lo com minhas próprias mãos... - Eva apoia os dedos em meus lábios e sorri.

- Tenho um pouco de fé que tudo se resolverá, Jack é cabeça dura eu sei, mas pelo pouco que conheço dele vai entender toda a situação. - Desliza seus dedos do meu peito para meu rosto e me permito sentir a suavidade de sua pele em contato com a minha.

- Espero que esteja certa. - Falo com sinceridade, pois realmente esperava que Jack saísse do limbo de seu desespero e enxergasse a verdade diante dos seus olhos, pois ao meu ver o objetivo de Donatel é tentar nos separar, fragmentar nossa lealdade para ter a vantagem de controlar cada um de nós separadamente, mas não permitirei isso.

- Vamos, precisamos esclarecer tudo para eles. - Gira a maçaneta da porta e concordo entrando no quarto.

Max que está sentado sobre a cama volta seu olhar curioso para nós enquanto Royal continua sentado na poltrona mexendo em seu celular.

- Max, como você está? - Eva se aproxima da cama.

- Bem na medida do possível, mas essa coisa incômoda. – Indica a tipoia no braço.

- Em breve você estará melhor - fala e ele concorda com sorrindo como sempre.

- Jack ainda não chegou? - Questiono observando Royal que me observa com indiferença, mas era tão natural dele aquela expressão que para mim já não é mais uma novidade.

- Acredito que estará aqui em breve - Guarda o celular no bolso da calça para estudar Eva que conversava com Max.

- E aqui estamos nós. - Ouço a voz de Jack e volto minha atenção para a porta.

E confesso que não esperava ver meu irmão caçula se desfazendo em álcool e cigarros, pois o cheiro que ele exala é exatamente esse e sua aparência deplorável me preocupa. Queria iniciar uma discussão sobre suas atitudes, enfiar na sua cabeça o que Donatel estava fazendo, mas não adiantaria nada fazer isso agora, pois só o deixará ainda pior, então procuro focar no que era realmente relevante para agora.

- Com todos presentes vou contar como Eva e eu chegamos até aqui - Volto meu olhar para ela que continuava sentada ao lado de Max na cama.

- Eu gostaria de começar por favor. - Pede educadamente e concordo com um aceno de cabeça sentando na poltrona livre próximo a ela.

Capítulo 3 1.1 Capítulo

Eva parecia um pouco incomodada com a situação, suas mãos cruzadas sobre as pernas estavam inquietas, seu corpo apesar de demonstrar uma postura ereta e centrada era tensa, e consigo compreender suas ressalvas dada as circunstâncias, afinal meus irmãos a observavam fixamente esperando respostas para as últimas semanas e apesar de Jack saber parte de tudo ele não sabe de todos os detalhes, por isso exige sua presença assim como os demais.

- Acredito que antes de começarmos devo desculpas a cada um de vocês. - Eva fixa seu olhar no meu e logo em seguida volta sua atenção para sua mãos apoiadas sobre seu colo. - Meu verdadeiro nome não é Dana Trion como vocês já perceberam, mas sim Eva Becker, além disso, não sou irmã de Robert Trion, ele na verdade foi incumbido pelos meus pais de me proteger e me criar caso algo acontecesse com eles e desde então ele é a pessoa que mais se aproxima de uma família para mim, já todos foram mortos a onze anos atrás - fala com sinceridade e aquilo não me agrada nem um pouco, pois eu odeio Trion e mesmo que Eva afirme que ele é só um irmão nada me tira da mente que ele queria ser muito mais do que isso.

- Por que mentiu ser outra pessoa? - Royal volta sua atenção para Eva que contrai os lábios encolhendo os ombros e resolvo tomar a frente.

- Porque Eva Becker foi morta há onze anos atrás por mim. - Vejo surpresa na expressão de Max, mas Royal continuava impassível tentando compreender toda a situação desastrosa, já Jack se mostrava entediado, mas mantinha o respeito em ouvir tudo em silêncio.

- Você a matou? - Max franze as sobrancelhas confuso. - Não estou entendendo nada.

- Exatamente... - Explico com calma tudo que envolve nosso passado e, nesse momento, todos fazem silêncio prestando atenção em cada palavra que digo.

- Vindo de Donatel isso não me surpreende. - Royal diz e Max concorda.

- A única finalidade dele era criar máquinas sem sentimentos, por isso ele tomou de nós tudo aquilo que considerávamos mais importante do que a máfia. - Max se ajeita na cama e logo em seguida apoia a mão no ombro fazendo uma careta.

- E ainda somos obrigados a deixá-lo vivo para evitar maiores conflitos. Eu juro que quero matar aquele velho com minhas próprias mãos. - Jack se manifesta e compreendo seu ódio, pois o sentimento é mútuo.

- Assim como vocês desejam a morte de Donatel, esse também era meu objetivo, mas como não sabia de exatamente nada sobre meu passado, queria entender o porquê de tudo. Sempre achei que Dante fosse filho único e confesso que chegar aqui e descobrir mais três Voyaller de brinde foi um choque e tanto, entretanto em nenhum momento vocês fizeram parte do meu desejo de vingança. Meu ódio era destinado apenas a Dante e Donatel, e custou para eu entender que os únicos culpados eram nossos pais.

- Você estava no seu direito Eva, veio em busca da verdade e de vingança, em seu lugar acredito que faria a mesma coisa, porém erraria em um sentido, não esperaria a verdade, apenas mataria sem olhar para trás. - Royal diz observando Eva com seriedade.

- Vocês não conheceram Eva quando pequenos, pois era o desejo de Donatel e Frank que somente eu tivesse contato com ela, assim evitávamos conflitos internos. Nenhum de vocês podia se apaixonar e se aproximar já que ela estava destinada a mim - Explico e retiro o papel dobrado em formato de carta de dentro do bolso interno do terno entregando para Eva. Seus olhos receosos observam o envelope com atenção e com a mão trêmula ela segura o envelope. - Esse é o nosso verdadeiro contrato de casamento. Quando você completou dezesseis anos se tornou oficialmente minha esposa já que seus pais assinaram para isso.

Vejo Eva abrir o papel correndo os olhos rapidamente pela escritura, seus dedos trêmulos tocam a assinatura dos pais no fim da folha e a emoção toma seu semblante fazendo meu peito se apertar.

- Ivi... -Sussurro e ela volta seus olhos para os meus enxugando rapidamente algumas lágrimas que escapam.

- Desculpa. - Sorri envergonhada passando as mãos pelas bochechas.

- Quem lhe deve desculpas sou eu Ivi, pois mesmo recusando matar sua família, Donatel não me deu muitas opções ou seguia suas ordens ou meus irmãos pagaria no lugar. Não me importava em pagar com meu próprio corpo, mas desta vez ele usou meus irmãos e se eu não concordasse com seus planos, ele mataria cada uma deles na minha frente e logo em seguida torturaria você. Não quis acreditar, recusei achando que ele não seria capaz de matar os próprios filhos sendo que era benéfico para ele quatro homens no poder, mas estava enganado. Ele nunca se importou conosco de verdade, só se importou com o poder e com o nome que tinha a zelar. Para provar que não estava brincando torturou os meus irmãos na minha frente sem que eu nada pudesse fazer e quando percebi que ele realmente mataria os três, aceitei a proposta com uma única condição, que ele não encostasse em você e a deixasse livre, mas meu erro foi acreditar no diabo de olhos fechados.

- Não posso acreditar. - Max arregala os olhos surpreso. - Naquele dia você não moveu um único músculo em nosso favor. - Max nega com a cabeça decepcionado. - Eu te culpei por anos irmão, me perguntei por que você não nos defendeu, por que não interferiu por Jack que ainda era tão pequeno e não tinha idade para passar por aquilo, mas agora compreendo tudo.

- Naquele momento estava sendo forçado e usado, não queria ceder às vontades de Donatel, mas se eu continuasse em silêncio ele mataria vocês e naquela época a morte de familiares não era uma regra a ser seguida.

- Essa regra só favorece quem está no poder, nos forçando a abaixar a cabeça para nossos superiores e segui-los em silêncio. Somos forçados a não matar um superior e esperar a vontade dele em entregar o trono. - A expressão sombria de Royal faz jus a cada sentimento obscuro dentro de nós.

O sentimento de raiva, incompreensão, vazio e solidão, de ódio, rancor, ira e fúria que só crescia ainda mais em nosso interior.

- Royal tem razão Dante, mesmo você estando no poder não pode ir contra as ordens de Donatel por ele ainda ser nosso superior e mesmo suas palavras tendo o mesmo peso que a dele, se ele discordar de algo que você faz ou fez, a decisão dele se sobrepõe a sua por ser mais velho e ainda estar vivo. Essa regras feitas pelos nossos avôs são patéticas. - Max não esconde o ódio e ressentimento dos nossos familiares.

- Não adianta discutirmos sobre isso, foi votado e assinado, não seremos nós a ir contra algo tão grande, além do mais não ganharíamos essa batalha, pois é cômodo e conveniente para os velhotes. - Apoio as mãos no encosto da poltrona expondo a verdade. -Não é conveniente nos envolvermos com algo tão grande com Donzel esperando um deslize de nossa parte, afinal, isso geraria polêmica e pode abalar alianças fiéis que discordem com nossos atos. Seria imprudência da nossa parte deixar que isso aconteça debaixo dos nossos narizes dando a possibilidade de Donzel atacar sem medo já que nossas alianças estariam enfraquecidas.

- Dante tem razão. - Jack resolve dar um parecer em meio a sua passividade sobre a situação. - Não adianta tentarmos mudar as regras principais, temos apenas que dar um fim no homem que chamamos de pai de uma maneira que pareça natural ou simplesmente vamos ter que forçá-lo a quebrar as regras para o bem de todos.

- Não vamos soltá-lo para deixar que ele quebre as regras - Royal afirma com convicção.

- Não mesmo - Max balança a cabeça em negativo.

- Não estou falando de soltá-lo, estou apenas dizendo que precisamos tirá-lo dos nossos caminhos ou ele nos destruirá. Vocês sabem que para Donatel somos apenas peões manipuláveis. A partir do momento que ele perceber que perdeu nosso total controle, investirá pesado contra nós, pois para ele mais vale morrer demonstrando poder do que sucumbir por nossas mãos. - Jack se levanta passando as mãos no cabelo.

- Jack está certo, veremos o que podemos fazer o quanto antes - Max diz.

- A verdade é que deveríamos ter deixado Eva matá-lo quando teve a chance. - Royal diz.

- Isso não importa no momento, o que importa é que estamos aqui e juntos resolveremos o que será melhor para todos. - Eva se levanta segurando os papéis com certa força. - Não podemos mudar o passado, mas podemos mudar o futuro.

A sua frase pega todos de surpresa inclusive eu, pois aquela visão otimista dos fatos não fazia parte do nosso mundo ou de nós.

- O que foi? Disse algo errado? - questiona percebendo o choque estampado no rosto dos meus irmãos.

- Não temos essa visão esperançosa que você tem Eva, tendemos a analisar tudo o que pode acontecer de ruim e não o que pode acontecer de bom - Max explica.

- Temos que nos apegar às esperanças que nos restam, afinal o que seria de nós sem elas? - Eva balança os ombros e compreendo seu ponto de vista, para ela era simples ver o mundo em cores e cheio de vida, para nós que fomos privados disso não é tão simples.

- Você é engraçada, estranha mas engraçada. - Royal diz a observando com curiosidade e sei que ele vê em Eva o nunca viu em ninguém.

Perseverança e obstinação.

- Tenho alguns assuntos para resolver, discutimos sobre Donatel em outro momento - Royal se levanta e sai da sala atendendo uma ligação e Jack aproveita para se levantar, mas nego indicando que ele permaneceria ali.

- O que foi? Não está satisfeito com a reunião familiar? - Jack provoca, mas ignoro.

- Precisamos conversar.

- Para quê? Não bastou toda sua história? O que quer mais irmão? Terminar o que começou no passado? - Jack não mede suas palavras atingindo um ponto frágil demais que me faz recuar por um momento.

- Jack... Você está indo longe demais - Max o repreende e ante que possa dizer algo Eva se levanta irritada.

- Estou decepcionada com você Jack. Aonde foi parar aquele homem carismático e cheio de atitudes que conheci ao chegar aqui? Não desconte sua raiva em quem faz de tudo para protegê-lo, você não é esse moleque mimado e mesquinho que está se mostrando. - Vejo sua expressão de indiferença morrer diante das palavras de Eva. - Está culpando Dante pelas atitudes de Donatel.

- O que você sabe sobre nós? - ele questiona.

- O suficiente para saber que você não é essa pessoa que fica distribuindo ódio gratuito entre seus irmãos. Você é melhor do que essa casca que está criando para afastar a todos.

- Compreendo toda a sua história, mas defender o homem que lhe acertou um tiro no peito é um pouco... - Antes de terminar a frase Eva desfere um tapa em seu rosto.

- Sim, defendo o homem que atirou na tentativa de me proteger, pois sei que no passado ele foi tão vítima quanto você está sendo agora, e mesmo você sabendo que ele está fazendo de tudo para ajudá-lo, e que ele não pode mudar a sua situação, você insiste em machucá-lo para tentar amenizar o seu egoísmo, então sim Jack, eu defendo e vou continuar defendendo Dante.

Jack leva a mão ao rosto surpreso com a atitude de Eva.

- Você é melhor do que isso, Jack. Estou decepcionada por te admirar tanto.

Jack abaixa a cabeça sabendo que passou dos limites, mas ao erguer o olhar me prontifico em afastar Eva e tomar o seu lugar, pois sabia que não estava agindo com razão e sim com a escuridão das emoções que o tomavam deixando seu olhar sanguinário o suficiente para atacar.

- Vocês acham que sabem de alguma coisa, mas na verdade não sabem nada. Julgar e apontar é fácil, mas não sabe do que terei que abrir mão para concluir a porcaria do desejo daquele velho. - Cospe com tanto ódio e dor que me preocupa seriamente.

- Se não sabemos é porque você não permite, pois sempre estivemos aqui por você. - Eva conclui e Jack ri com escárnio.

- Jack vá tomar um banho, pois está fedendo a álcool e suor, antes que fale algo que se arrependerá depois, você tem um imenso respeito por Eva e sabe disso, não ataque ela sem motivos, compreendo toda a sua revolta e você sabe que estou tentando fazer tudo ao meu alcance para reverter a situação, mas não é tão simples assim.

Mesmo alterado pela bebida o que era visível ele presta atenção em cada palavra e volta sua atenção para Eva com pesar. O que fazia Jack respeitar tanto Eva eu também não sabia, mas ele tinha uma grande admiração por ela para recuar daquela maneira.

Sem dizer mais nada ele baixa a cabeça e sai do quarto nos deixando ali, Max ainda observava tudo em silêncio e apoio a mão na testa sentindo minha cabeça doer.

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