ATENÇÃO!
Este livro faz parte da série DONOS DO ASFALTO e não pode ser lido individualmente. Para compreender a história, é necessário seguir a ordem de leitura:
LIVRO 1 E 2 - DARK PARADISE 1
LIVRO 3 - DARK PARADISE 2
LIVRO 4 - DARK PARADISE 3
O ÚLTIMO PARAÍSO DE REBECA...
Rebeca nunca teve uma vida fácil. Criada em meio à pobreza, ao abandono e às dificuldades, aprendeu desde muito cedo que sobreviver era uma necessidade, não uma escolha. Cresceu sem conhecer suas verdadeiras origens, cercada por segredos, mentiras e pessoas que, de alguma maneira, decidiram seu destino antes mesmo que ela pudesse escolher o próprio caminho.
Em Dark Paradise, uma herdeira perdida começou a descobrir que o mundo era muito maior e mais perigoso do que imaginava. Entre o luxo, o dinheiro, as descobertas e os primeiros sentimentos, Rebeca percebeu que nem todos os paraísos eram tão bonitos quanto pareciam.
Em Lost Paradise, tentou encontrar seu lugar no mundo, enfrentando perdas, dores, decepções e sentimentos que não sabia compreender. Conheceu o amor, a amizade, a traição e o peso de carregar responsabilidades que nunca pediu para ter.
Mas foi em Hidden Paradise que tudo começou a desmoronar.
A menina que um dia só queria uma família e um lugar para chamar de seu se tornou uma mulher impulsiva, desconfiada e disposta a enfrentar qualquer pessoa para proteger aqueles que amava. Cometeu erros, machucou pessoas importantes, desafiou homens perigosos e se envolveu em situações das quais talvez não pudesse mais escapar.
Tentou salvar todos ao seu redor, mas não conseguiu salvar a si mesma.
E, quando decidiu partir, deixando para trás as pessoas que amava e os problemas que já não conseguia resolver, seu caminho terminou em uma estrada escura, entre tiros, uma emboscada e um carro destruído.
Agora, em Golden Paradise, chegamos ao quarto e último livro dessa jornada.
O ouro sempre foi símbolo de riqueza, poder e conquista. Mas, para alguém que passou a vida inteira procurando um paraíso, talvez a verdadeira riqueza nunca tenha estado no dinheiro, nas propriedades ou na herança.
Rebeca ainda tem perguntas sem respostas, sentimentos mal resolvidos, inimigos à sua espera e pessoas que fariam qualquer coisa para tê-la por perto.
Só que nem todo amor é capaz de salvar. Nem toda família é construída com verdades. E nem todas as pessoas que entram em nossa vida estão destinadas a permanecer.
Em uma terra de deuses e monstros, até o paraíso tem seu preço.
E, desta vez, talvez Rebeca precise perder muito mais do que imaginava para descobrir o verdadeiro valor de tudo o que conquistou.
Bem-vindos a GOLDEN PARADISE. Apertem os cintos!
Capítulo 1
Armando se abaixou e falou, puxando-a para fora com força:
- Não era pra ser você hoje, gatinha, mas eu acho que temos um acerto de contas pra fazer.
Ela gemeu de dor e pôde ver que era o Armando. Ele continuou falando:
- Eu só lamento por não nos divertirmos, não tenho tempo. Mas, em compensação, posso me divertir sozinho.
Ele a chutou duas vezes no abdômen e foi arrastando-a para o asfalto, dizendo que, com sorte, um atropelamento ia acabar com aquilo, mas que ele ia garantir que ela não atrapalhasse mais os planos de ninguém. O comparsa dele o interrompeu, dizendo que estava vindo alguém. Viram as luzes e era a polícia. Ele falou, chutando-a:
- Vai viver com medo mais um tempinho, vad1a. Ainda não terminamos! Vou te caçar.
Os dois saíram correndo às pressas. Ela foi perdendo a consciência e ouviu seu nome, como se estivessem chamando de longe.
- Rebeca? Rebeca?
Ela reconheceu, era a Eloá, que continuou falando mexendo nela.
- Rebeca, fica comigo. Não dorme! Eiii, tenta ficar acordada.
Rebeca levou a mão até o braço dela, sussurrou com os olhos semi cerrados.
- Me desculpa, eu te a...
Ela não conseguiu continuar a frase, ouviu mais distante Eloá gritando.
- Po.rraaa chamem o resgate.
Rebeca sentiu alguém mexendo em seu corpo, desmaiou, algum tempo depois acordou dentro de uma ambulância, não disse nada com receio de se prejudicar. Foi socorrida e atendida, fingiu estar muito desorientada.
Os machucados não foram graves. Assim que a colocaram no quarto, ela perguntou se tinham pegado o celular dela. Ninguém deu informação nenhuma.
Logo entraram no quarto um homem mais maduro com roupa social e a Eloá, fardada como policial federal. Estava muito séria, com o cabelo preso em uma trança boxeadora.
O homem se apresentou como delegado, e perguntou se ela sabia do tamanho do problema em que se meteu. Ela permaneceu calada, com a Eloá encarando-a fixamente, séria, com as mãos para trás. Ele começou a falar, com folhas nas mãos:
- Há muito tempo estamos investigando uma quadrilha que opera no mercado de luxo, contrabando, lavagem de dinheiro do tráfico, roubos grandiosos, e você foi apontada como integrante.
- Mas nós temos fontes seguras afirmando que você é uma vítima. Como podemos ver, tem apenas dezoito anos e há menos de um ano entrou para esse meio, ostentando uma vida de alto padrão da qual nunca teve condições de manter.
- Então, vou te mostrar sua ficha. Temos fotos e vídeos que ligam você a atentados criminosos. Essa pulseira no seu pulso aparece em duas ocasiões, e ninguém é tolo de não associar seu porte físico a essas fotos e gravações.
- O que quero dizer é que temos tudo pra te prender, mas você pode colaborar conosco, dando informações, e fazer um acordo.
- Essas pessoas cortam a própria mão para se safarem, e você é peixe pequeno. Nós queremos te ajudar, só precisamos de informações. Para onde levaram as joias? Avaliadas em mais de um milhão?
Rebeca disse, irônica:
- Eu não sei de nada e meu porte físico é bem comum.
A Eloá falou, chegando mais perto:
- Rebeca, não se faça de boba. Temos escutas por todos os lugares. Está envolvida até o pescoço e vai se prejudicar por pessoas que te deixam sozinha?
- Eles estão delatando a própria família pra se livrar, imagina você, que nem é nada deles. Seu envolvimento com o Noah é um agravante nisso, porque ele é o cabeça das piores coisas e você está com ele desde o ano passado, imagino que como amante, pelo que pudemos ouvir nas conversas. Temos fotos suas na casa dele, na sua cidade natal.
Rebeca respondeu friamente sem demonstrar qualquer sentimento:
- Eu o conheço faz um tempo mesmo, era amiga da irmã dele e depois virei funcionária. Babá, faxineira, garçonete, caixa. Com quem eu tran.so não é da conta de ninguém, imagino!
O homem começou a falar, mostrando fotos de obras de arte roubadas:
- Acho que a Kimberly não está a par do envolvimento de vocês. Como ela reagiria ao saber?
- Poderia te incriminar para te tirar do caminho? Reconhece alguma dessas obras? Ouviu ou viu alguma conversa sobre isso? Roubos de obras raras?
- Como babá e funcionária, deve ter visto e ouvido muitas coisas, é só falar do que se lembra.
- Encontrando informações e os compradores, podemos poupar você e mais alguém. Seus amigos fazem parte, não? Otaviano, Ramon, Levi.
- Acho que preciso refrescar sua memória sobre as leis e penas para crimes cometidos por pessoas assim. Com isso aqui e uma pequena fraude, podemos fazer você pegar uns quinze vinte anos.
- Um quilo de coca no seu carro, um revólver associado a qualquer assassinato da região, obstrução da justiça, falso testemunho, sonegação e corrupção.
Rebeca permaneceu calada. A Eloá falou:
- O que aconteceu hoje? Sabe quem estava atrás de você? Por que essa pessoa queria te matar?
- Você teve muita sorte, coloquei um rastreador no seu carro, a semanas.
Rebeca respondeu com indiferença, bocejando:
- Já vou ser presa? É que estou precisando dormir. Esses remédios todos e a agitação, vou dormir como um bebê.
Ele disse, irritado:
- Vai ter muito tempo pra dormir na cadeia. Essa semana prendemos um traficante apontado como um dos líderes da facção.
- Ele disse que negociou com você recentemente. Seu nome está ligado ao hotel que estava lavando dinheiro pra ele.
- Então, de uma forma ou de outra, você vai se dar mal. Ajude a gente só a conseguir provas, algumas conversas gravadas com escutas, uma lista de compradores. Se quer ajudar seu amante e a você mesma, é bom começar a falar.
- Ele vai a julgamento sozinho e não vai ver a rua até você chegar à terceira idade.
Ele saiu, deixando as duas a sós, porque achavam que a Rebeca ia confiar na Eloá e falar. Ela perguntou de novo quem tinha feito aquilo, atirado nela, quis saber o que aconteceu. Rebeca respondeu, encarando-a nos olhos fixamente:
- Por que você fez isso comigo?
- Precisava ir tão longe?
Eloá começou a falar que só estava fazendo o trabalho dela, mas foi interrompida, Rebeca falou decepcionada:
- Era seu trabalho fazer eu me apaixonar pra me usar e brincar comigo? Fingir ser minha amiga já não estava bom?
- Engraçado que você falou de como eu uso as pessoas. Quem te alertou sobre eu ser falsa? O Neto?
- A pessoa por quem eu morreria sem pensar duas vezes? Eu não fiz nada!
- Ele está cego, e você é igual.
A Eloá chegou mais perto da cama e falou, séria:
- Às vezes, a pessoa por quem você levaria um tiro é a mesma que vai atirar em você. Não vem tentar me manipular, eu sei do seu jogo.
- Pude ver e sei de muito mais coisas da sua vida íntima do que pode imaginar. Noah, Lara, Ramon, Pablo, todos que tinham algo a te oferecer.
- Você se faz de frágil e sozinha, manipula todo mundo. Imagina a hora que o seu namorado souber de nós.
- Ahhhhh, e sua amiga grávida, quando vir você dormindo com o marido dela, tem fotos né.
- Espera, tem a Helena, ela é mente aberta, mas não o suficiente pra dividir o Ramon com você. Há muito tempo estamos com uma operação muito grande.
- Você não gosta de ajudar os pobres? Então, começa a falar. Como, por exemplo, virou sócia e diretora do hotel sem um puto no bolso?
- O DNA do seu paizinho deu negativo, você queimou sua casa, tem sustentado sua madrinha e como? De onde vem o seu dinheiro?
Ela respondeu com os olhos marejados, olhando-a fixamente:
- Você devia ter me deixado morrer afogada, eu sei que foi você, lembro do seu cheiro, sua voz me dizendo que ia ficar tudo bem.
- Não faria muita diferença pra ninguém mesmo! É casada? Gosta de mulheres ou fez esse personagem pra me manipular? Por que não me deixou morrer?
Eloá estava com uma aliança de ouro na mão esquerda, respondeu friamente:
- Sou, com um homem, e tenho um filho. Eu sabia que você se lembrava da noite no iate, tive certeza quando te amarrei em casa.
- Ficou toda em choque, é claro, tão previsível e ingênua, super carente porque vive jogada de escanteio.
- Acredita em qualquer palavra bonita que te falam com uma esmola de carinho, né? Quer um miojo?
- Eu posso trazer, como sua última refeição em liberdade! E um suquinho barato porcaria, sem graça como você, o que acha, ruiva?
- Aiii, me ensina a te dar prazer, me fala se eu estiver fazendo algo errado. Garota, você é muito dissimulada!
- Quer mentir pra mentiroso. Foi o Armando que te atacou? Aquele com certeza entregaria até a mãe pra se livrar, nosso melhor parceiro.
- Me colocou no hotel, colabora demais com as investigações. Sabia que seu namorado é parceiro dele?
- Mas esse é espertinho, não se suja como o seu clã. Ele joga dos dois lados! É assim que se chamam, né? O clã!
- Ai, que dó, nem pra mascote você serve. Vai me dizer algo ou não? Eu realmente queria te ajudar!
- Apesar de tudo, tenho pena de você. No fundo, é uma menina que acredita demais nos outros.
- Com certeza faz as coisas erradas pra ter um espacinho entre os grandões, pra ganhar parabéns e uma chupadinha. Homem você chupa, né?
- Só mulher que não. Então, eu acho que, no final das contas, você quem estava me usando.
- Sabia que era eu no iate e só se aproximou depois. Pensou que sua buc3ta valia tanto assim? Que eu ia abrir o jogo só porque estava te fu.d.en.do um pouco e sozinha?
- Morta como era na cama, eu posso imaginar por que todos preferem as mulheres de verdade e não você. Aiiii, tô tão apaixonada, gosto tanto que d.ói.
- Nem um virg.em de quinze anos cairia nessa sua cantada ridí.cula.
Rebeca estava chorando, olhando a Eloá fixamente, sentindo a d.or da dece.pção, traição e humil.hação. Falou, triste:
- Eu não sei de nada. Sempre fui sincera com você. Espero que tenha valido a pena todo o seu esforço me aturando e fingindo gostar.
O Neto estava ouvindo tudo atrás da porta. Entrou também fardado e começou a falar, encarando-a fixamente nos olhos:
- Você está sendo leal sozinha. Eles estão entregando a eles mesmos, seu nome está sendo citado por mais de uma pessoa e o seu namorado rico, com certeza, só está com você interessado na sua parte do hotel.
- Fala o que sabe contra o Noah, a Kimberly. Nós vamos te ajudar, Rebeca!
Ela respondeu, irônica:
- É claro, e por que mais alguém ficaria comigo, se não por interesse? Eu já disse que não sei de nada.
- Se não forem me prender agora, vou dormir. Quem sabe aqui eu tenho paz ou na cadeia, né? Sozinha!
- Do jeito que eu mereço ficar. Ah, sei de uma coisa, o Armando é um assa.ssino, estr.upa.dor e matou a Aisha grávida dele, acabou com a Lara, com os sogros dele, mas isso com certeza não traz benefício nenhum pra vocês, né?
Ela deitou de lado com dificuldade. Os dois se olharam, notando que o plano deu errado, Eloá saiu primeiro. Neto falou antes de sair do quarto:
- Vai ficar um policial na sua porta, por precaução, caso quem tentou te mat.ar volte para terminar o que começou. Quer ligar para alguém?
- A Suzan não pode passar nervoso por causa da gravidez de risco, mas com certeza disso você já sabe, já que ontem ligou pra dizer apenas que a ama.
Ela ficou quieta, perplexa com a novidade. A Suzan estava grávida do Célio. Logo Rebeca dormiu, depois de chorar muito e sabia que não ia falar nada de ninguém, porque não ia adiantar.
Lá fora, estavam falando sobre ela. O Neto falou que ela não ia falar se tivesse medo, que com certeza recebia ameaças.
A Eloá falou que não era medo, era lealdade. Eles decidiram ir atrás do Armando, que estava fugindo há meses e deixou de colaborar com as investigações.
Horas depois, a enfermeira foi levar o almoço e mais medicação, acordou-a e aplicou na veia. Com do.res no corpo todo, cansada e sem saber se poderia ir embora ou não, ela foi ao banheiro e voltou a dormir.
Estava "desaparecida" há mais de dez horas, desde a madrugada e durante o dia inteiro. Cedo, o Ramon foi para o sítio e, ao ver a Solange lá, ficou mais preocupado.
Começou a ligar perguntando por ela. O Dylan foi à casa dela e disse que ela não dormiu lá. A Suzan falou para o Tato sobre a última ligação recebida, e ele disse que a Rebeca devia estar com o namorado, mentiu para tranquilizá-la.
Não ligaram para o Pablo, porque ele já tinha enviado uma mensagem ao Tato cedo, perguntando da Rebeca. Por último, o Ramon falou com a Kim.
Ela disse chorando que havia passado a noite em claro, sentindo que tinha algo errado acontecendo. Ninguém sabia e nem tinha visto nada. A polícia não deu entrada dela na delegacia e nem no hospital. Fizeram de propósito pra ninguém saber onde encontrá-la e terem mais tempo para coagir ela.
Quando Rebeca acordou, o Neto estava lá, sentado ao lado da cama, sério, a observando. Ficaram em silêncio um tempo, olhando-se fixamente, e, mesmo sem dizer nada, ambos estavam pensando nas mesmas coisas, no passado e em como tudo mudou.
A diferença era só que ela estava pensando em como se orgulhava dele, e ele, em como era contra a nova pessoa que ela se tornou.
Ela logo disse, sonolenta, mexendo-se para se sentar e vê-lo melhor:
- Vai me prender agora, Neto? Ou veio brigar mais um pouco?
Ele disse, debochado, indo sentar na beirada da cama:
- Hoje não, Rebeca! Como se sente?
Ela disse que já esteve pior. Ele falou, tocando a mão dela sutilmente, olhando as escoriações:
- Por que o Armando foi atrás de você? O que você sabe que ele quer esconder?
Ela disse apenas:
- Não sei.
Ele tocou na pulseira, falou mexendo no pingente de trevo que ele deu a ela de aniversário:
- Voltou a usar? Está precisando de sorte? Acho que esse trevo não será o suficiente pra resolver seus problemas.
Ela segurou na mão dele sutilmente, por não saber se ele ia tirar ou segurar de volta, respondeu:
- Eu não consigo te odiar, não sei por que você tem tanta raiva de mim.
Ele segurou, entrelaçando os dedos aos dela, e falou sério:
- Eu não te odeio, só quero fazer o meu trabalho. Você escolheu o lado errado pra ficar e insiste nisso! Eu ouço e vejo muitas coisas nas investigações, fico me perguntando como te mudaram tanto.
- Você não é a mesma que cresceu comigo, não é que eu te odeio, só não gosto mais de você.
Ela respondeu, sentida:
- Se você estivesse sozinho como eu, sem esse futuro brilhante que está construindo, também mudaria. Desculpa por não ser boba como antes e por não ter sido a amiga que você queria.
O médico entrou e interrompeu. Foi examiná-la e deu alta. O Neto entregou os pertences dela: celular quebrado, chaves, uma bolsa, uma mala, tudo o que estava no carro. Disse que o carro foi levado ao pátio e que foi perda total.
Entregou um cartão com um contato para o qual era pra ela ligar caso decidisse falar e deu o recado de que ela corria perigo ficando onde estava, que não podia confiar em ninguém.
Ela respondeu, irônica:
- Nem em você, policial bonzinho?
Ele disse que só queria ajudar. Estavam se encarando, ela falou triste:
- Estou orgulhosa de você. Fala pro seu pai ir buscar a Suzan, eu não sabia que ela está grávida e não quero atrapalhar a vida de ninguém.
Ele disse "ok". Não soube se ela foi sincera ou não sobre estar orgulhosa. Ela foi ao banheiro, lavou o rosto, enrolou o cabelo e se preparou pra ir embora. Ele tinha saído do quarto sem se despedir.
Àquela hora, o Ramon já tinha achado o carro dela no pátio e viu os tiros, mas não disse nada pra ninguém. Todos estavam super preocupados, achando que o pior tinha acontecido. Estavam reunidos na casa dela: Tato, Levi, Kim, Dylan, Helena, Pablo e Ramon.
O Ramon soube por um colega que ela estava no hospital e foi até lá as pressas com a Kim. Disseram aos outros que iriam ao hotel e esconderam o fato de terem achado o carro dela destruído.
Ao ser liberada, não tinha como chamar ninguém, a polícia tinha ido embora. Assim que ela saiu da área de acesso restrito, viu o Ramon e a Kim na recepção brigando com as atendentes.
A Kim viu ela, se aproximou, começou a chorar e perguntou o que tinha acontecido. Foram saindo juntos, a Rebeca falou:
- Bati o carro e não consegui avisar.
Ramon perguntou se era só aquilo mesmo. Ela disse, irônica:
- É, o que mais seria?
A Kim perguntou se ela estava muito machucada, se não era melhor irem ao médico particular. Ela falou com indiferença:
- Agora você se preocupa comigo, doutora?
- Não finja que se importa. Você me virou as costas.
O Ramon deu sinal pra Kim deixar quieto. A Rebeca foi no banco de trás sem dizer uma palavra. Quando chegaram ao condomínio, a Kim falou:
- É melhor irmos pra minha casa, todos estão preocupados na sua. O Ramon fala com eles, diz que você prefere ficar sozinha.
Rebeca disse, séria:
- Não, eu tô indo embora, vou pegar as minhas coisas e sair daqui. Você não é a minha mãe, nem minha irmã, não manda em mim. Acabou!
- Você não é mais nada, pra mim.
Assim que encostaram o carro, o Ramon foi ajudar a Rebeca, falou baixinho:
- Eu vi seu carro, depois vamos conversar a sós.
Eles estavam entrando na casa, na frente a Kim, e ela disse que estava tudo bem. Atrás, os dois próximos demais, o Ramon estava amparando-a. O Pablo se levantou de imediato, perguntou irritado o que tinha acontecido.
Ela se soltou do Ramon, falou que tinha batido o carro e que precisava tomar banho. Ele respondeu ainda alterado, nervoso:
- Quando? Onde? Fazem horas que eu tô tentando falar com você, sumiu desde a madrugada, faz ideia de como eu me senti sem notícias suas, caramba? Não teve como me avisar e eles te acharam como?
O Ramon falou, ainda próximo, segurando-a de novo:
- Ela não teve como avisar ninguém, achamos porque fomos atrás. Não ficamos sentados só esperando.
O Pablo interrompeu, irado:
- Pode deixar que eu ajudo ela!
Indo se segurar no Pablo, ela falou para os outros:
- Gente, tá tudo bem, eu tô aqui, viva.
- Podem voltar pra casa de vocês. Eu capotei o carro de madrugada e o celular quebrou, não tive como avisar ninguém, fiquei apagada por causa dos medicamentos o dia inteiro.
Eles estavam só observando o show do Pablo. O Tato falou baixinho, incomodado:
- Esse cara é um otário mesmo!
A Helena e o Dylan já estavam indo para a porta, passaram pela Rebeca e desejaram melhoras. O Ramon foi perguntar se a Kim ia ficar, a Rebeca falou, subindo as escadas:
- Não, ninguém além do Pablo vai ficar, podem ir embora. Eu preciso descansar!
A Kim estava olhando fixamente, chorando. Foi saindo. Lá fora, a Helena falou, incomodada, ao Ramon:
- E você quem achou ela, que coisa, hein? Super protetor e apaixonado!
Eles estavam todos próximos na calçada. A Kim falou, entrando no meio:
- Helena, não começa, é muito sério o que aconteceu.
Ele olhou a Helena com desaprovação, falou que era pra ela parar. Ela respondeu, sentida:
- É, o que eu tô passando não é tão sério quanto uma menina que fica andando feito louca por aí.
- Me tirou do repouso pra isso, você é a pessoa mais egoísta com quem eu já estive.
- Desde que voltamos, você não está ficando comigo, era seu filho também, tá doendo, Ramon, e você nem fala comigo sobre nada, não se importa em como eu me sinto.
- Talvez eu nunca mais tenha outra chance de engravidar, e você não liga, sua vida é correr atrás delas. Você vive para limpar as merdas delas duas.
Ele tentou se aproximar, ela o empurrou. O Dylan abraçou-a, chamou pra entrar. O Ramon foi atrás, o Tato falou, confuso:
- O que aconteceu?
A Kim respondeu, chateada:
- Ela está com um tumor e engravidou. Se não interrompesse, ia acelerar a evolução e ficar inoperável ou também se espalhar até o bebê nascer.
- Ela teve que escolher, pra poder se tratar! Mas não sabe se vai conseguir engravidar depois do tratamento, por causa da idade e das mudanças que vêm junto.