Meu marido, Caio, estava me traindo. Mas quando o confrontei, ele não apenas admitiu, ele me disse que estava cansado da minha ambição e que sua nova amante, uma garçonete de lanchonete, era tudo que eu não era: simples e pouco exigente.
Então ele me empurrou escada abaixo.
A queda me custou nosso filho que ainda não havia nascido. Enquanto eu jazia quebrada no hospital, a amante dele, Joyce, me visitou. Sob o pretexto de cuidado, ela forçou uma sopa nojenta pela minha garganta, sussurrando que era o "sangue e a carne" do meu bebê morto. Quando lutei, Caio entrou, viu Joyce no chão e ordenou que seus seguranças me espancassem por machucá-la.
Cem tapas. Cada um arrancando um pedaço dos nove anos de amor que eu tinha por ele. Ele havia prometido ser minha âncora, mas se tornou a tempestade que me destruiu.
Por que o homem que um dia valorizou meu brilho agora o desprezava? Por que ele protegia o monstro que me atormentava enquanto destruía a mim e ao nosso filho?
Deitada no chão frio do hospital, machucada e sangrando, eu finalmente entendi. O amor estava morto. E com ele, a mulher que um dia o amou. Peguei meu celular e fiz uma ligação. Era hora de queimar tudo até as cinzas.
Capítulo 1
POV de Elisa Ferraz:
A notícia me atingiu como um soco no estômago, mais forte do que qualquer golpe físico jamais poderia. Caio, meu Caio, o homem que me prometeu a eternidade, estava tendo um caso. Mas não era com uma modelo mais jovem ou uma rival corporativa, era com Joyce Matos, uma garçonete de lanchonete, mais velha e divorciada. Meu mundo, construído sobre o que eu pensava ser um amor inabalável, desmoronou em um piscar de olhos.
Eu fiquei ali, parada, com o celular na mão, as palavras na tela embaçadas por lágrimas que eu me recusava a derramar. Meu corpo enrijeceu, um frio se infiltrando em meus ossos. Isso não podia ser real. Não o Caio. Não a gente.
A imagem na tela queimava em minha mente: Caio, com o braço possessivamente em volta da cintura dela, olhando-a com uma intensidade que eu não via dirigida a mim há meses. Seus olhos, geralmente tão afiados e calculistas nos negócios, estavam suaves, cheios de adoração. Era um olhar de afeto genuíno, um olhar que abriu um buraco no meu peito.
Ele chegou tarde naquela noite, como sempre, o cheiro de seu perfume, um conforto familiar que agora parecia uma traição. Ele andava com a mesma confiança de sempre, seu terno perfeitamente alinhado ainda impecável. Ele beijou minha testa, um gesto rotineiro, e eu me encolhi por dentro. Ele não percebeu.
Esperei na penumbra da sala de estar, cada nervo do meu corpo gritando. A foto, impressa e nítida, estava na mesa de centro. Quando ele entrou, eu a empurrei em sua direção.
"Me explica isso", minha voz era um sussurro trêmulo, quase inaudível no silêncio repentino.
Ele a pegou, sua expressão indecifrável por um momento. Então, com um suspiro que parecia carregar o peso dos nossos nove anos, ele a colocou calmamente de volta na mesa.
"É exatamente o que parece, Elisa." Sua voz era fria, desprovida de emoção.
O ar me faltou. Minha mente ficou em branco. O mundo girou.
"Como você pôde?", engasguei, um som cru e primitivo rasgando minha garganta. "E todas as suas promessas? 'Sempre sua âncora', você disse. 'Para sempre nós'. Eram todas mentiras?"
Ele se recostou, passando a mão pelos cabelos. "Eu acreditava nelas na época, Elisa. Mas as coisas mudam. As pessoas mudam." Seu olhar encontrou o meu, frio e distante. "Estou cansado. Cansado de ser sempre sua âncora. Cansado de sempre ter que acompanhar sua ambição, sua independência."
Ele começou a listar coisas, cada palavra um novo corte. "Nove anos, Elisa. Nove anos te impulsionando, te apoiando, celebrando cada sucesso seu. Você sabe o trabalho que isso dá? Estar constantemente correndo atrás do seu brilho? Ser sempre o coadjuvante no seu grande plano?" Ele zombou, um som amargo. "Eu te dei tudo. Meu tempo, minha energia, meu orgulho."
"Orgulho?", sussurrei, minha voz carregada de incredulidade. "Você fala de orgulho? E o meu, quando você está desfilando por aí com... ela?"
Ele me ignorou. "Com a Joyce, é diferente. Simples. Ela apenas... se importa. Ela me vê, me vê de verdade, não como um projeto a ser admirado ou um obstáculo a ser superado. Depois daquele susto com a minha saúde, percebi que o que eu precisava era de paz, não de outro desafio."
"Susto com a saúde?", zombei. "Você teve um resfriado comum, Caio! Isso é o suficiente para jogar fora nove anos? Anos construindo esta vida, este império, juntos?"
Ele me olhou com uma exaustão exasperada. "A Joyce oferece uma paz que eu nunca soube que estava faltando. Um cuidado tranquilo e acolhedor que não exige nada de mim. Ela é tudo que você não é, Elisa. Simples. Amorosa. Pouco exigente."
Minha cabeça pendeu para trás. Ele continuou, esmagando meu espírito a cada palavra. "Não vou me divorciar de você. Não agora. A imagem seria um desastre para a minha empresa. Mas entenda isso: para mim, acabou. Não interfira na minha vida, e eu não interferirei na sua. Considere isso um arranjo."
Ele se virou e foi embora, me deixando desabar no chão de mármore frio. O homem que eu amava, o homem que havia derrubado minhas muralhas, acabara de construir novas, mais altas e mais frias do que nunca.
Caio. Meu Caio. Aquele que me perseguiu incansavelmente na faculdade, encantado pelo meu brilho, minha ambição. O divórcio conturbado dos meus pais me deixou na defensiva, desconfiada do amor, mas ele foi persistente. Ele me mostrou uma devoção tão feroz, tão inabalável, que eu finalmente, timidamente, abri meu coração.
Lembro-me do dia em que meus pais morreram, um acidente horrível que fez meu mundo girar. Caio, sem dizer uma palavra, voltou de sua viagem de negócios, me abraçou enquanto eu chorava e prometeu ser minha rocha, minha âncora.
"Você não precisa ser forte o tempo todo, Elisa", ele sussurrou, acariciando meu cabelo. "Deixa eu ser forte por você. Você pode ser vulnerável comigo. Pode até ser 'exigente'. Prometo que sempre vou te 'mimar', sempre fazer você se sentir amada."
Ele me incentivou a expressar cada emoção, a me apoiar nele, a até mesmo "fazer um escândalo" quando eu sentisse vontade. E eu fiz. Aprendi a ser suave, a ser aberta, a confiar completamente. Agora, essa confiança havia sido usada como uma arma contra mim.
As lágrimas finalmente vieram, quentes e ardentes, queimando trilhas em minhas bochechas. Ele não me amava mais. A percepção era uma dor física. Eu queria acreditar que ele estava apenas perdido, confuso. Agarrei-me à esperança de que ainda poderia lutar por ele, por nós.
Encontrei Joyce na lanchonete no dia seguinte. Ela era mais velha, mais suave, seus olhos grandes e aparentemente inocentes. Ofereci-lhe dinheiro, o suficiente para desaparecer, para começar de novo. Ela olhou para o cheque, depois para mim, seu lábio inferior tremendo.
"Eu... eu não posso", ela sussurrou, sua voz quase inaudível. "Ele precisa de mim."
Um sentimento de vazio se espalhou em meu peito. Nenhum alívio, apenas um pavor sufocante.
Mais tarde naquela semana, meu telefone tocou. Era a polícia. Joyce havia sofrido um acidente de carro. E então, a próxima informação, um golpe de martelo na minha alma já estilhaçada: ela estava grávida.
POV de Elisa Ferraz:
Grávida. Joyce estava grávida. A palavra ecoava em meu crânio vazio. Depois de cinco anos de casamento, de tentativas, de esperança, Caio e eu não tínhamos conseguido. E essa mulher, essa garçonete "simples", conseguiu em questão de meses. A ironia era um gosto amargo na minha boca, queimando minha garganta.
Caio voltou para casa alguns dias após o acidente. Seus olhos estavam escuros, indecifráveis, como um mar tempestuoso. Ele não falou, não ofereceu conforto, apenas caminhou até mim, sua presença gelada.
Ele agarrou meu braço com força, me puxando para ele. Seu toque, antes uma fonte de conforto, agora parecia uma violação. Ele me beijou, um ato brutal e possessivo que me deixou ofegante. Não havia ternura, nem amor, apenas uma necessidade desesperada, quase selvagem.
Por semanas, ele continuou. Ele tratava nossa cama como um campo de batalha, um lugar para ele afirmar uma forma distorcida de domínio. Não era sobre conexão, era sobre controle, sobre algo que eu não entendia. Eu me sentia como um recipiente vazio, esvaziada de meus próprios desejos, de mim mesma. Eu suportei, esperando, em minha desesperança, que essa atenção intensa e perversa fosse um sinal de afeto remanescente, um caminho tortuoso de volta para nós. Eu estava tão completamente quebrada que até mesmo essa aparência de sua presença parecia uma tábua de salvação desesperada.
Deixei que ele fizesse o que quisesse, meu corpo uma casca entorpecida, minha mente uma observadora distante. Eu ansiava por um vislumbre do antigo Caio, um toque terno, uma palavra gentil, mas não havia nada. Apenas essa punição implacável e silenciosa.
Então, um enjoo familiar. Uma leve tontura. Uma suspeita floresceu na paisagem árida do meu coração, frágil, mas persistente.
Saí escondida, uma estranha em minha própria casa, para uma clínica a quilômetros de distância. A confirmação veio em um sussurro abafado do médico. Grávida. Eu estava grávida. Meu próprio filho. Uma pequena fagulha de esperança se acendeu dentro de mim, uma crença desesperada e ilógica de que este bebê poderia consertar tudo. Isso poderia trazer Caio de volta.
Tracei a curva da minha barriga, uma leve ondulação ainda quase imperceptível. Meu coração batia com uma mistura de medo e uma alegria frágil e tola. Esta era a nossa chance. Esta era a minha chance.
Contei a ele naquela noite, minha voz tremendo com uma esperança que eu não sentia há semanas. Ele ouviu, seu rosto impassível, seus olhos ainda indecifráveis. Um longo silêncio se estendeu entre nós, denso de pensamentos não ditos.
Então, um brilho em seus olhos. Não de alegria, nem mesmo de surpresa. Algo frio, duro e absolutamente aterrorizante. Ele pegou o telefone.
"Tragam a Elisa para baixo", ele ordenou, sua voz desprovida de emoção. "Agora."
Meu sangue gelou. "O que você está fazendo, Caio?", sussurrei, um arrepio de medo começando a subir pela minha espinha.
Ele olhou para mim então, uma expressão assustadoramente calma em seu rosto. "Olho por olho, Elisa. Você tirou meu filho. Agora vou tirar o seu."
"Não!", gritei, um som desesperado e cru. "Você não pode! Este é o nosso bebê, Caio! Nosso bebê!"
Minha garganta se fechou, as palavras presas. Dois de seus seguranças corpulentos avançaram, seus rostos inexpressivos.
O pânico explodiu. Lutei, arranhando seus braços, gritando até minha voz rasgar. "Caio! Por favor! Não faça isso!" Meus apelos foram recebidos apenas com seu silêncio frio e inflexível. Ele nem mesmo olhou para mim. Ele simplesmente virou as costas, seus ombros largos uma muralha contra meu desespero.
Eles me arrastaram, uma boneca quebrada e em luta, para o topo da grande escadaria. A madeira polida brilhava, refletindo a luz fria e dura. Vi sua figura no final da escada, uma silhueta de traição.
Então, um empurrão. Um baque doentio. Eu rolei, cada degrau um impacto brutal, uma dor lancinante que rasgou meu corpo. Gritei, um som que era metade grito, metade soluço, enquanto o mundo se transformava em um caleidoscópio de agonia.
Um jorro de calor. O horror pegajoso e visceral de sangue. Tanto sangue.
Suas palavras, de tanto tempo atrás, ecoaram em minha consciência desvanecente: "Eu sempre serei sua âncora, Elisa. Sempre." A ironia foi uma reviravolta cruel e final da faca.
Uma lágrima fria, depois outra, traçou um caminho pelo sangue e sujeira em meu rosto. A realidade de tudo, nítida e inescapável, finalmente se instalou. Ele pretendia me destruir. E ele conseguiu.
Quando acordei novamente, o cheiro estéril de um quarto de hospital encheu minhas narinas. As luzes fluorescentes zumbiam acima. Meu corpo doía com uma dor surda e generalizada. Meu filho se foi. As palavras do médico eram um eco distante e abafado.
Eu não chorei. Não havia mais lágrimas, apenas uma vasta e vazia extensão onde minha alma costumava estar. Uma dormência se instalou sobre mim, uma paz arrepiante que engoliu toda a dor.
Chamei a empregada, minha voz surpreendentemente firme. "Traga-me a caixa de sândalo da minha penteadeira." Ela me olhou, seus olhos cheios de pena, mas obedeceu.
Dentro, aninhado em veludo, havia um pedaço de papel em branco. Estava assinado, com uma caligrafia ousada e confiante: "Caio Azevedo." Uma promissória. Uma promessa, dada no meu aniversário de dezoito anos, de que ele realizaria todos os meus desejos, não importando quão grandes ou pequenos fossem.
"O que você quiser, Elisa", ele havia dito, seus olhos brilhando com adoração juvenil. "Qualquer coisa. Apenas preencha os espaços em branco."
Olhei para o espaço em branco, depois para minha mão trêmula. Era isso. O desejo final. O fim de nós. A criança, minha criança, me comprou essa clareza. Essa liberdade absoluta e inegável de um homem que assassinou meu amor e minha esperança. Eu era Elisa Ferraz novamente, independente e inteira. E eu permaneceria assim.
POV de Elisa Ferraz:
Minha mão, firme apesar do tremor em minha alma, escreveu duas palavras simples na promissória em branco: "Divórcio Imediato." Pressionei a caneta com finalidade, a tinta uma declaração escura e inflexível. Então, liguei para meu advogado.
"Eu quero o divórcio", disse a ele, minha voz tão calma e plana quanto um lago parado. "Eu tenho a promissória assinada. Quero que seja agilizado."
Ele pigarreou, um som nervoso. "Sra. Azevedo, há um período obrigatório de reflexão para divórcios neste estado. E então o processo em si pode ser demorado, especialmente com ativos da sua magnitude."
"Eu sei", respondi, meu olhar fixo na chuva que escorria pela janela do hospital. "Apenas faça acontecer. O mais rápido possível."
Ele saiu, seus passos ecoando no corredor estéril. Eu estava sozinha novamente, um vazio no peito onde meu coração costumava estar. O silêncio era ensurdecedor.
A porta se abriu com um rangido, quebrando o silêncio. Joyce. Ela estava ali, uma visão de mansidão em um vestido pálido, carregando uma pequena cesta coberta. Uma onda de repulsa, aguda e visceral, me invadiu.
"Elisa? Como você está se sentindo?" Sua voz era suave, tingida com uma preocupação fingida que irritava meus nervos em frangalhos. "O Caio me contou o que aconteceu. Eu sinto muito, muito mesmo."
Ela se aproximou, colocando a cesta na mesa de cabeceira. "Ele está tão arrasado, Elisa. Ele se culpa. Ele me disse que nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto. Ele só... ele me ama tanto, sabe, e perder nosso bebê, isso o quebrou." Ela enxugou os olhos com um lenço de papel impecável, mas seu olhar era estranhamente triunfante. "Ele disse que você era tão forte, tão independente, que conseguiria lidar com qualquer coisa. Ele nunca imaginou que você... passaria por isso."
Eu a interrompi, minha voz um rosnado baixo e perigoso. "Saia."
Ela se encolheu, um movimento ensaiado. Mas então, seus olhos endureceram. Ela pegou a cesta. "Eu trouxe uma sopa para você. Para sua recuperação", disse ela, sua voz enjoativamente doce. "É uma receita especial. Muito nutritiva."
"Eu disse, saia!", rosnei, me erguendo, meu corpo gritando em protesto.
Sua delicada fachada se estilhaçou. Seus olhos se estreitaram, brilhando com algo frio e afiado. "Você acha que pode simplesmente me dispensar? Depois de tudo que você fez?"
Antes que eu pudesse reagir, ela avançou. Sua mão agarrou meu queixo, surpreendentemente forte, e ela inclinou minha cabeça para trás. O cheiro doce e enjoativo da sopa encheu minhas narinas, então um líquido grosso e morno estava sendo forçado entre meus lábios. Engasguei, lutei contra ela, mas estava fraca, meu corpo ainda se recuperando do trauma. A sopa escorreu pelo meu queixo, queimando minha pele com seu calor perturbador.
Ela me soltou, observando enquanto eu tossia e vomitava, minha garganta ardendo. Ela limpou as mãos em um guardanapo, um pequeno sorriso satisfeito brincando em seus lábios.
"Qual o gosto?", ela perguntou, sua voz um sussurro arrepiante.
Meu estômago se revirou. Um pensamento súbito e horrível passou pela minha mente. "O que você colocou nisso, sua monstra?", ofeguei, minha voz rouca.
Seu sorriso se alargou, uma visão verdadeiramente grotesca. "Apenas algo para te ajudar a se recuperar, Elisa. Um lembrete do que você perdeu. Do que nós perdemos." Ela se inclinou mais perto, seus olhos brilhando com uma satisfação maníaca. "É o sangue e a carne do seu monstrinho, Elisa. A vingança do meu bebê."
Minha cabeça pendeu para trás. Uma onda de náusea, tão intensa que minha visão turvou, me invadiu. Tive ânsia de vômito, a bile queimando minha garganta. O horror de suas palavras, a depravação absoluta, revirou minhas entranhas. Esta não era apenas uma mulher; era uma víbora.
Lágrimas, quentes e raivosas, brotaram em meus olhos. Ela me observava, sua expressão uma paródia grotesca de pena, seus próprios olhos agora marejados.
"Você merece isso", ela soluçou, mas seus olhos estavam frios, cheios de algo antigo e venenoso. "Você tentou tirar minha família, meu futuro. Seu filho foi um castigo, Elisa. Uma dívida cármica."
Um grito furioso e primitivo rasgou minha garganta. Toda a dor, a traição, a humilhação, se uniram em uma única e explosiva fúria. Minha mão disparou, alimentada por uma adrenalina que eu não sabia que possuía, e a esbofeteei no rosto. O estalo agudo ecoou na sala silenciosa.
A porta se abriu com um estrondo.