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De Herdeira a Vingativa

De Herdeira a Vingativa

Autor:: Violet
Gênero: Romance
Eu era a noiva de Bruno Barreto, o herdeiro frio de um império de tecnologia. Nosso noivado era uma fusão de dinastias, uma mentira perfeita estampada nas capas das revistas. Mas, por trás das portas fechadas, nossa vida era uma guerra bizarra, travada com dinheiro e humilhação pública. A guerra se tornou brutal quando sua amante, Kaila, invadiu nossa casa com seus amigos e me espancou, pisando na minha mão até quebrá-la. Eu prestei queixa, mas quando Bruno chegou à delegacia, ele olhou para o meu rosto machucado e passou por mim para consolar uma Kaila que soluçava. "Não faça um escândalo, Clara", disse ele, a voz carregada de irritação. Ele os liberou sem pensar duas vezes. A traição final veio quando Kaila me empurrou para dentro de um lago. Eu não sei nadar. Bruno mergulhou, passou direto por mim para salvá-la e virou as costas enquanto eu afundava, me deixando para morrer. Um estranho me tirou da água. Naquele momento, eu finalmente entendi. Não era que ele fosse incapaz de amar; ele era apenas incapaz de me amar. Por quem ele amava, ele destruiria qualquer um. Por quem ele não amava, ele a deixaria para morrer. As últimas brasas do meu amor tolo viraram cinzas. Deitada na cama do hospital, peguei meu celular e liguei para o único homem que já me mostrou bondade. "Jairo", eu disse, minha voz firme. "Estou pronta para queimar tudo."

Capítulo 1

Eu era a noiva de Bruno Barreto, o herdeiro frio de um império de tecnologia. Nosso noivado era uma fusão de dinastias, uma mentira perfeita estampada nas capas das revistas. Mas, por trás das portas fechadas, nossa vida era uma guerra bizarra, travada com dinheiro e humilhação pública.

A guerra se tornou brutal quando sua amante, Kaila, invadiu nossa casa com seus amigos e me espancou, pisando na minha mão até quebrá-la.

Eu prestei queixa, mas quando Bruno chegou à delegacia, ele olhou para o meu rosto machucado e passou por mim para consolar uma Kaila que soluçava.

"Não faça um escândalo, Clara", disse ele, a voz carregada de irritação. Ele os liberou sem pensar duas vezes.

A traição final veio quando Kaila me empurrou para dentro de um lago. Eu não sei nadar. Bruno mergulhou, passou direto por mim para salvá-la e virou as costas enquanto eu afundava, me deixando para morrer.

Um estranho me tirou da água. Naquele momento, eu finalmente entendi. Não era que ele fosse incapaz de amar; ele era apenas incapaz de me amar. Por quem ele amava, ele destruiria qualquer um. Por quem ele não amava, ele a deixaria para morrer.

As últimas brasas do meu amor tolo viraram cinzas. Deitada na cama do hospital, peguei meu celular e liguei para o único homem que já me mostrou bondade.

"Jairo", eu disse, minha voz firme. "Estou pronta para queimar tudo."

Capítulo 1

Na gaiola dourada da elite de São Paulo, Clara Gouveia e Bruno Barreto eram o casal perfeito. Ela, a herdeira graciosa da dinastia imobiliária Gouveia; ele, o herdeiro frio e brilhante do império de tecnologia Barreto. As fotos do noivado deles estavam em todas as revistas de sociedade, um símbolo do dinheiro antigo se fundindo com o novo.

Mas por trás do flash das câmeras, a vida deles era uma guerra silenciosa e brutal.

Bruno transferiu cinco milhões de reais para sua amante, uma modelo do Instagram chamada Kaila Barros, para um novo carro esportivo. No dia seguinte, Clara transferiu exatamente a mesma quantia para uma fundação, destinando-a a um fundo de bolsas de estudo.

O mais recente beneficiário do fundo era um jovem chamado Jairo Horta.

Bruno comprou para Kaila uma cobertura com vista para o Parque Ibirapuera. Clara, por sua vez, comprou um casarão histórico na Vila Madalena e o doou para um abrigo de mulheres.

A competição deles era o assunto do seu círculo. Era um duelo bizarro e não dito, travado com transferências bancárias e gestos públicos.

Ele estava prestes a adquirir uma promissora startup de IA. Pouco antes de o acordo ser fechado, a empresa de tecnologia de moda de Clara, AURA, adquiriu a principal concorrente da startup, uma empresa menor, mas mais inovadora, sabotando efetivamente seus planos de expansão.

"Eles são um casal feito no inferno", as pessoas cochichavam nos bailes de gala, seus olhos alternando entre o sorriso educado de Clara e a expressão indiferente de Bruno. "Ela é obcecada por ele, e ele não a suporta. É um desastre em câmera lenta."

Eles estavam certos sobre o desastre. Estavam errados sobre a obsessão.

Clara sentou-se em seu escritório, o horizonte de São Paulo se estendendo diante dela. Todas as suas ações, todas as retaliações aparentemente mesquinhas, tinham um único e desesperado objetivo: fazê-lo olhar para ela. Fazê-lo vê-la como mais do que uma parceira de negócios em sua fusão dinástica.

A raiz de tudo era uma memória de cinco anos atrás, um trecho de conversa que ela nunca deveria ter ouvido.

Bruno estava falando com seu pai, Bernardo. Sua voz era gélida, desprovida de qualquer emoção.

"Ela? Ela é uma Gouveia. É só isso que importa. Não finja que você se importa com qualquer outra coisa."

"Ela é apaixonada por você desde que eram crianças", seu pai havia dito, uma rara nota de algo além de negócios em seu tom.

"Isso só torna tudo mais fácil", Bruno respondeu. "Ela fará o que eu quiser."

Suas palavras haviam estilhaçado algo dentro dela. Ela o amava desde que se lembrava, um amor quieto e persistente pelo garoto brilhante e inatingível que morava ao lado. A rejeição dele não matou seu amor; ela o distorceu. Tornou-se um desafio. Uma montanha a ser conquistada.

Ela pensou que se pudesse ser perfeita o suficiente, bem-sucedida o suficiente, implacável o suficiente, poderia ganhar seu afeto. Era uma doença, uma obsessão autodestrutiva que ela confundia com força.

Seu celular vibrou, tirando-a da memória. Era Jairo Horta.

O garoto que a fundação de sua família havia enviado para a USP. O prodígio da tecnologia que transformou sua bolsa de estudos em uma empresa de capital de risco bilionária.

"Clara", sua voz era quente, um contraste gritante com a frieza a que ela estava acostumada. "Estou de volta a São Paulo."

Ela sorriu fracamente. "Bem-vindo de volta, Jairo. Ouvi dizer que você tem estado ocupado."

"Não tão ocupado a ponto de não ver o que está acontecendo", disse ele, seu tom ficando sério. "Eu vi as notícias sobre a Barreto Tech e Kaila Barros. Isso tem que parar."

O aperto de Clara no celular se intensificou.

"Eu te amo, Clara", disse Jairo, as palavras claras e diretas. "Há anos. Você merece coisa melhor. Termine o noivado. Deixe-me cuidar de você."

As palavras a atingiram como um golpe físico. Amor. Era uma palavra que Bruno nunca havia dito a ela.

"Eu... eu preciso ir", ela gaguejou, sua mente girando.

"Apenas pense sobre isso", disse ele suavemente. "Você não precisa viver assim."

Ela desligou, o coração batendo forte. Olhou ao redor da opulenta cobertura que dividia com Bruno. Fotos deles sorrindo para as câmeras cobriam as paredes, uma galeria de belas mentiras. Em cada foto, os olhos dele estavam vazios.

Por cinco anos, eles estiveram noivos. Por cinco anos, ele encontrou desculpa após desculpa para adiar o casamento. Ele estava muito ocupado com o lançamento de um produto. O mercado estava muito volátil. Seu pai não estava bem.

Sempre havia algo.

Ela se lembrava de ser uma adolescente, seguindo-o em festas no jardim, o coração doendo com um amor que ele nunca reconheceu. Ela se lembrava dos amigos dele perguntando por que ele nunca lhe dava atenção.

"Ela está apenas... ali", ele dizia com um encolher de ombros, uma crueldade casual que a fez chorar por uma noite inteira.

Então, os interesses comerciais se alinharam. O império imobiliário Gouveia precisava de uma injeção de tecnologia, e a dinastia de tecnologia Barreto precisava da legitimidade do dinheiro antigo. De repente, ela não estava mais apenas "ali". Ela era um ativo valioso. Uma noiva.

O noivado foi uma sentença de prisão que ela aceitou de bom grado, esperando que isso o mudasse.

Não mudou.

Logo após o anúncio oficial, Kaila Barros apareceu. Uma modelo linda e astuta que Bruno patrocinava e exibia abertamente.

Clara notou imediatamente - a maneira como os olhos dele se suavizavam quando olhava para Kaila, um calor que ele nunca mostrava a ela. Ele lhe comprava presentes, a levava em viagens, a protegia das críticas.

Clara tentou lutar. Eles tinham discussões furiosas e unilaterais, onde ela gritava e ele apenas a observava, com uma expressão plácida.

"Já terminou?", ele perguntava quando ela estava exausta e rouca.

"Eu sou sua noiva!", ela gritou uma vez, seu autocontrole se despedaçando.

"Sim", ele disse calmamente. "E eu vou me casar com você. Cumpriremos os termos do acordo. Mas não espere amor, Clara. Eu não tenho nenhum para te dar."

Aquele foi o momento em que sua esperança deveria ter morrido. Mas ela se agarrou, uma erva daninha teimosa. Ela queria amor. Ela ansiava por isso.

Ela deveria desistir? A pergunta ecoou em sua mente mil vezes. Mas ela não conseguia. Ela o amava demais. Ou assim ela dizia a si mesma.

Agora, ouvindo a declaração simples e honesta de Jairo, a base de seu mundo começou a rachar. Pela primeira vez, um caminho diferente parecia possível. A vida era muito curta para passá-la perseguindo um fantasma.

A porta da frente apitou, o som do teclado sendo destravado. Clara franziu a testa. Bruno estava no Vale do Silício durante a semana.

A porta se abriu e Kaila Barros entrou, seguida por dois de seus amigos de aparência rude.

Kaila sorriu com desdém, seus olhos percorrendo o apartamento como se fosse dela. "Belo lugar. Um pouco frio, no entanto. Precisa de um toque feminino."

Clara se levantou, a voz tremendo de raiva. "O que você está fazendo aqui? Como entrou?"

"O Bruno me deu a senha, claro", disse Kaila, examinando as unhas. "Ele disse que eu deveria me sentir em casa."

As palavras foram uma lâmina no coração. A senha da casa deles. Ele havia dado a ela.

"Saia", disse Clara, a voz baixa.

Kaila riu. "Ou o quê? Vai chorar para o Bruno? Ele não se importa com você, sua velha patética." Ela gesticulou para seus amigos. "Ela está me irritando."

Um dos homens agarrou o braço de Clara. Ela lutou, mas ele era muito forte. O outro deu um tapa em seu rosto.

O som ecoou na sala silenciosa.

"Mais forte", Kaila incentivou, um sorriso cruel no rosto. "O Bruno disse que ela tem sido uma verdadeira vadia ultimamente."

Eles a espancaram. Punhos e mãos abertas choviam sobre ela. Ela desabou no chão, a dor explodindo em seu corpo.

Kaila se agachou, o rosto a centímetros do de Clara. "Viu? Você não tem nada. Ele é meu."

Quando eles se viraram para sair, Kaila pisou deliberadamente na mão estendida de Clara. Um estalo agudo, e um grito rasgou a garganta de Clara.

A dor era ofuscante, mas através dela, ela ouviu o som do elevador chegando. Sua equipe de segurança pessoal, alertada por um alarme silencioso, invadiu o local. Eles derrubaram os amigos de Kaila e contiveram uma Kaila que gritava.

"Chame a polícia", Clara ofegou do chão. "Preste queixa. Por agressão e invasão de domicílio."

Na delegacia, os policiais pareciam relutantes. "Senhorita Gouveia, talvez possamos resolver isso em particular. Um mal-entendido..."

"Não", disse Clara, a voz firme apesar da dor. Sua mão estava quebrada, seu rosto machucado. "Eu quero que eles sejam processados com todo o rigor da lei."

Kaila, sempre a atriz, já estava ao telefone, sua voz um apelo choroso. "Bruno, ela está tentando me prender! Você tem que me ajudar!"

Bruno chegou menos de trinta minutos depois. Ele olhou para os ferimentos de Clara, a testa franzida por uma fração de segundo. Foi o único indício de preocupação que ela veria.

Ela encontrou o olhar dele, seus próprios olhos queimando com um apelo silencioso por justiça. "Eles invadiram nossa casa. Eles me agrediram. Eu os quero na cadeia."

Bruno a ignorou. Ele se aproximou do delegado e falou em voz baixa. Dinheiro e poder foram trocados através de palavras. Os policiais, que estavam tomando notas, de repente guardaram suas canetas.

"O que você está fazendo?", Clara exigiu, a voz se elevando.

"Não faça um escândalo, Clara", disse Bruno, a voz seca. Ele se virou para Kaila, que agora soluçava em seus braços.

"Como você pode deixá-los ir?", Clara chorou, a voz quebrando. "Olhe para mim! Foi ela quem fez isso comigo!"

"Pare com isso", disse ele, o tom carregado de irritação. "Apenas pare."

A dor crua e latejante que fora sua companheira constante por anos surgiu, uma onda de agonia e traição. "Você tem um coração, Bruno? Você sente alguma coisa?"

Ele apenas olhou para ela, os olhos tão frios e vazios quanto um céu de inverno.

"Eu... eu vou puni-la", disse ele com desdém, como se estivesse falando de um animal de estimação malcomportado.

Puni-la. A palavra era tão absurda, tão insultuosa, que era quase engraçada. Ele segurou Kaila, acariciando seus cabelos, sussurrando palavras de consolo enquanto a conduzia para fora da delegacia. Ele não olhou para trás uma única vez.

Deixada sozinha na delegacia estéril, Clara sentiu as últimas brasas de seu amor por ele piscarem e morrerem.

Ela saiu para a noite fria. Uma chuva repentina começou, encharcando-a em segundos, mas ela não sentiu. O frio já estava dentro dela, um calafrio profundo e final em sua alma.

Todos os anos de sua crueldade casual, de ser a segunda opção, de sua preferência descarada por Kaila - tudo se fundiu em uma única e dura constatação. Ele nunca a amaria. Ele nunca a respeitaria.

A chuva lavou as lágrimas de seu rosto. Quando chegou em casa, pegou o celular. Suas mãos tremiam, mas seu propósito era claro.

Ela encontrou o número de Jairo e ligou.

"Jairo", disse ela, a voz agora firme. "Estou pronta para queimar tudo."

Capítulo 2

No momento em que desligou o telefone com Jairo, uma nova clareza se instalou em Clara. A dor ainda estava lá, uma dor surda nos ossos e um fogo em sua mão quebrada, mas a névoa de sua obsessão havia se dissipado.

Primeiro, ela cuidou dos danos físicos. Dirigiu até o pronto-socorro, teve sua mão engessada e seus hematomas tratados. Ignorou os olhares de pena das enfermeiras.

Depois, foi para casa e começou a apagá-lo.

Passou a noite inteira expurgando a cobertura de todos os vestígios de Bruno Barreto. Cada foto emoldurada deles foi retirada, o vidro quebrado, as imagens rasgadas em pedaços. Cada presente que ele já lhe dera - presentes indiferentes e obrigatórios de aniversários e feriados - foi jogado em sacos de lixo.

Os ternos feitos sob medida em seu armário, os perfumes caros em sua cômoda, os livros em sua mesa de cabeceira - tudo se foi. Ela trabalhou com uma fúria metódica, uma satisfação sombria crescendo a cada item que descartava. Ao amanhecer, o apartamento estava estéril, meio vazio, um espaço oco que finalmente refletia a verdade de seu relacionamento.

Bruno voltou na manhã seguinte, esperando lidar com mais um de seus "episódios". Ele entrou e parou abruptamente, seus olhos percorrendo a sala de estar despojada.

"Que diabos é isso?", ele exigiu, a voz afiada de irritação.

"Estou limpando", disse Clara, a voz calma. Ela estava sentada no sofá, tomando café, a mão engessada apoiada no colo.

"Você ainda está de birra por causa de ontem?", ele zombou. "Eu disse que cuidaria da Kaila. Você não precisa fazer um escândalo."

"Isso não é um escândalo", ela respondeu, sem olhá-lo. "Estou apenas me livrando de coisas que não preciso mais."

Ele estreitou os olhos, estudando-a. Assumiu que era uma nova tática, outra jogada desesperada para chamar sua atenção. Estava tão acostumado a vê-la lutar por ele que não conseguiu reconhecer que ela finalmente havia parado.

"Suas ameaças não funcionam comigo, Clara. Não me importo se você jogar fora todas as minhas coisas", disse ele friamente.

Ela finalmente se virou para olhá-lo, um sorriso fraco e curioso nos lábios. Agora que o amor se fora, ela sentia uma estranha sensação de desapego. "Tenho uma pergunta para você, Bruno."

Ele esperou, irritado.

"Por que você concordou com este noivado? O verdadeiro motivo."

"Eu já te disse", disse ele, acenando com a mão com desdém. "Nossas famílias. Foi uma boa decisão de negócios."

"Uma decisão de negócios", ela repetiu suavemente. Um peão. Era tudo o que ela sempre fora para ele. A constatação nem doía mais. Era apenas um fato, frio e duro.

Ela respirou fundo, as palavras se formando em sua língua. O noivado está desfeito.

Mas antes que pudesse falar, o celular dele tocou.

Sua expressão, que era uma máscara de irritação, suavizou-se instantaneamente. A mudança foi tão abrupta, tão completa, que foi como assistir a uma pessoa diferente emergir.

"Kaila", ele murmurou no telefone, a voz uma carícia baixa e gentil. "Você está bem? Dormiu bem?"

Ele ouviu por um momento, de costas para Clara. "Não se preocupe, estarei aí em breve."

Ele passou por ela na sala de estar, indo em direção a uma pequena caixa antiga na lareira. Abriu-a e tirou um colar de pérolas. Era um presente que Kaila havia admirado, um que ele comprara para ela e deixara aqui.

Ele havia voltado pelo colar de Kaila. Não por ela.

A última e microscópica partícula de dúvida desapareceu. Acabou. Verdadeiramente, finalmente acabou.

Uma risada amarga escapou de seus lábios, seguida por uma única lágrima silenciosa que traçou um caminho por sua bochecha machucada.

Ela descansou, depois se preparou para o Gala Esplendor anual naquela noite. Era um dos maiores eventos do calendário social de São Paulo. Ela escolheu um deslumbrante vestido preto com as costas nuas, um vestido que gritava confiança e desafio.

No baile, a cena que ela esperava a aguardava. Bruno estava lá, e Kaila se agarrava ao seu braço, radiante em um colar de diamantes que Clara sabia que custava mais do que um carro pequeno.

Seu coração deu um tremor familiar e doloroso, mas ela o forçou a se acalmar. Era apenas um reflexo, o membro fantasma de um amor há muito morto.

Bruno mimava Kaila abertamente. Ele lhe trazia champanhe, ajustava seu xale quando ela tremia e ria de suas piadas, seus olhos cheios de uma luz que ele nunca, jamais, mostrou a Clara.

Os sussurros a seguiram enquanto ela se movia pela multidão.

"Olhe para ele, ele nem tenta mais esconder."

"Pobre Clara. Ela é uma piada. Todo mundo sabe que ele só a está usando pelo nome da família."

"Ouvi dizer que ela está enlouquecendo. Um amigo de um amigo disse que ela teve um colapso completo na semana passada. Dou seis meses para ela acabar em um sanatório."

As palavras flutuavam ao seu redor, afiadas e cruéis. No passado, elas a teriam cortado até o osso. Naquela noite, pareciam distantes, como o barulho de outra sala.

Não vou enlouquecer, pensou ela, uma fria determinação se solidificando dentro dela. Vou me vingar.

Ela terminaria o noivado. Cortaria todos os laços. Faria com que ele visse o que havia jogado fora.

Precisando de um momento de silêncio, ela saiu para uma das grandes varandas com vista para as luzes da cidade.

Um momento depois, uma voz pingou veneno atrás dela. "Ainda tem coragem de mostrar o rosto depois que mandei te espancar?"

Era Kaila.

"Pensei que você estaria em casa, chorando no travesseiro", Kaila zombou, aproximando-se. "Mas acho que você já está acostumada com a humilhação."

"O Bruno só te mantém por perto pelo nome da sua família", Kaila continuou, a voz um sussurro cruel. "Ele mesmo me disse. Ele te acha chata. Previsível."

Clara se virou para encará-la, a expressão indecifrável.

"Meu nome é Clara Gouveia", disse ela, a voz firme e clara. "Era meu nome antes de conhecer o Bruno, e será meu nome muito depois que ele for uma nota de rodapé na minha vida. Você, por outro lado, não é nada sem ele."

Ela deu um passo mais perto, seus olhos se fixando nos de Kaila.

"Você é uma parasita, Kaila. Uma parasita bonita e gananciosa. Mas parasitas não sobrevivem sem um hospedeiro. Ele nunca vai se casar com você. Você nunca terá um título, nunca terá um nome. Você sempre será apenas a amante, o segredinho sujo."

Ela sorriu, uma curva lenta e fria de seus lábios.

"Agora me diga, qual de nós é mais patética?"

Capítulo 3

O rosto de Kaila se contorceu de raiva. As palavras de Clara haviam atingido o alvo.

"Sua vadia!", Kaila gritou, sua compostura cuidadosamente construída desmoronando. "Você se acha muito melhor do que eu!"

Clara viu a selvageria nos olhos de Kaila e decidiu ir embora. O confronto era inútil.

Mas Kaila não havia terminado. Ela se lançou, as mãos arranhando o rosto de Clara.

Clara se esquivou facilmente. Kaila, impulsionada por seu próprio ímpeto, tropeçou para a frente, seu salto alto prendendo na barra de seu vestido. Ela soltou um grito de surpresa ao tropeçar e cair com força no chão de pedra.

O barulho ecoou da varanda e, de repente, todos os olhos estavam sobre elas.

Bruno apareceu em um instante. Ele passou correndo por Clara sem um olhar e se ajoelhou ao lado de Kaila, envolvendo-a em seus braços.

"Kaila! Você se machucou?", ele perguntou, a voz grossa de pânico e preocupação.

Kaila começou a chorar, uma performance magistral de inocência injustiçada. "Ela me empurrou, Bruno! Ela me chamou de parasita e depois me empurrou!"

A cabeça de Bruno se ergueu, seus olhos se fixando em Clara com fúria gélida. "Traga-a aqui", ele latiu para um de seus seguranças.

O guarda escoltou Clara de volta ao salão de baile, onde ela agora era o centro de um círculo silencioso e julgador.

"Qual é o seu problema?", Bruno rosnou, o rosto sombrio. "Não consegue deixá-la em paz por uma noite? Você tem que ser tão mesquinha, tão ciumenta?"

A multidão murmurou, seus olhares mudando de pena para desprezo. Eles acreditaram na mentira.

Clara manteve a cabeça erguida, a voz firme. "Eu não a empurrei. Ela me atacou e caiu."

"Ela me insultou, Bruno. Ela me xingou", afirmou Clara, mantendo o tom uniforme.

"Então ela tentou me bater", continuou Clara, "e tropeçou nos próprios pés."

Kaila soluçou mais forte nos braços de Bruno. "Eu não... eu não tentei bater nela. Ela deve ter me feito tropeçar", ela sussurrou, distorcendo a verdade com facilidade praticada. "Bruno, por favor, não fique bravo com ela. Tenho certeza de que ela não quis."

Seu falso apelo por misericórdia apenas solidificou a convicção de Bruno. Ele via Clara como a agressora, a noiva ciumenta atacando.

"Peça desculpas a ela", Bruno ordenou, a voz baixa e perigosa. "Agora mesmo. Ou eu juro, Clara, vou fazer você se arrepender."

A exigência era tão absurda, tão completamente desconectada da realidade, que Clara quase riu. Pedir desculpas? Para a mulher que havia orquestrado seu espancamento?

"Não", disse ela, a voz soando com finalidade. "Não vou me desculpar por algo que não fiz."

O rosto de Bruno endureceu em uma máscara de pura raiva. "Tudo bem", ele sibilou. Ele agarrou o braço dela e a arrastou de volta para a varanda, empurrando-a em direção à beirada. "Você tem duas escolhas. Peça desculpas, ou mandarei meus homens te jogarem daqui."

O ar da noite estava frio contra sua pele. Abaixo, as ruas da cidade eram uma queda vertiginosa. Uma onda de medo a invadiu.

"Bruno, você não pode estar falando sério", ela sussurrou, a voz trêmula. "Ela mandou me espancar em nossa própria casa, e você não fez nada. Agora, por isso, você me mataria?"

Sua comparação, o contraste gritante entre a reação dele às lágrimas de crocodilo de Kaila e seu desprezo por sua agressão física real, parecia pairar no ar.

Nesse momento, Kaila soltou um gemido suave e ficou mole em seus braços, os olhos se fechando. Ela havia desmaiado.

Toda a atenção de Bruno voltou-se para ela. Sua raiva de Clara foi instantaneamente substituída por uma preocupação frenética por sua amante. "Kaila! Kaila, acorde!"

Ele a pegou no colo, o rosto uma máscara de terror. Ao se virar para levá-la a um médico, ele lançou um último olhar venenoso para Clara.

"Jogue-a daqui", ele ordenou a seus guardas.

O mundo inclinou. A mente de Clara não conseguia processar as palavras. Ele não podia estar falando sério. Não podia.

Mas os guardas se moveram em sua direção, os rostos impassíveis. Eles agarraram seus braços.

E então ela estava caindo.

O impacto foi uma explosão de dor branca e quente. Ela aterrissou no telhado de azulejos do terraço abaixo, apenas um andar, mas foi o suficiente. Ela ouviu um estalo doentio quando sua perna se quebrou.

Sua visão embaçou. A dor era um fogo que a consumia por completo. A última coisa que viu antes de desmaiar foi a imagem de Bruno, embalando Kaila em seus braços, desaparecendo na noite sem um olhar para trás.

Ela acordou em uma cama de hospital. O mundo era uma névoa de branco e o cheiro estéril de antisséptico.

Duas enfermeiras cochichavam perto da porta.

"É ela, a noiva de Bruno Barreto."

"Eu sei. Ele está aqui a noite toda, no quarto do fim do corredor. Não sai do lado dela."

"Ele deve amá-la muito."

Clara fechou os olhos, uma risada amarga e silenciosa presa na garganta.

Elas estavam falando de Kaila.

Naquele momento, ela finalmente entendeu. Não era que Bruno fosse incapaz de amar. Ele era perfeitamente capaz disso. Ele apenas não a amava. Por quem ele amava, ele moveria montanhas, perdoaria qualquer pecado e destruiria qualquer um que entrasse no caminho.

E por quem ele não amava, ele a deixaria quebrada e sangrando em um telhado de pedra fria sem pensar duas vezes.

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