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De Repente Pai

De Repente Pai

Autor:: Ney Ellen Moura
Gênero: Romance
Sinopse: De Repente Pai é uma história de aprendizado, amor, superação e entrega. Veremos o quanto a vida de um homem pode mudar, quando ele se torna pai. Como o amor pode transformar e as bênçãos que essa transformação nos traz, quando deixamos para trás as mágoas do passado e buscamos naqueles que nos amam e nos aceitam, uma maneira de ser feliz. A vida é feita de escolhas; só nos resta saber o que e como escolher e, no final! Você colherá os frutos destas escolhas, sejam eles bons ou ruins. Veremos também a história de uma garota, que já passou por muita coisa na vida. Mas que o destino ainda tem algumas surpresas para lhes apresentar. Afinal, os mistérios que a vida nos reserva ninguém sabe, as voltas que o mundo dá são incontáveis e o que o destino escreveu para nós apenas Deus sabe. Só nos resta estar preparados para as surpresas, sejam elas boas ou ruins. Afinal, Deus sempre escreve certo, nós é que desviamos ao longo do caminho e o que para nós é doloroso e absurdo, para ele é apenas uma forma de nos preparar para o que está por vir.

Capítulo 1 Surpresa

Capítulo 01

Bryan O'Connell

- BRYAN! Você precisa vir aqui fora! - Grita Caio por sobre o som que toca alto dentro de casa.

Levanto a cerveja para ele e contínuo a acariciar as coxas da loira safada que está sentada em minha perna já louca para ser muito bem fodida.

- BRYAN, PORRA!

Caralho!

Que merda está acontecendo nessa porra de porta?

Não ouvi ninguém chamar nessa boceta!

Também, com essa música não dá para ouvir caralho de nada. Eu vou matar Caio se ele estiver com frescura para meu lado, mesmo quando estou prestes a foder essa loira.

Me levanto deixando a loira peituda reclamando por não continuar o que estava fazendo. Calma aí que o papai aqui volta já.

- Qual é a merda Caio?

- Eu é que pergunto cara? - Ele se afasta para o lado e posso ver uma senhora, de cabelos grisalhos com duas crianças de aproximadamente uns... Sei lá, cinco anos talvez, em pé ao seu lado.

A senhora olha para mim e olha para as crianças que coloca as mãos nos ouvidos, devido ao som, que está estrondando no ambiente.

Faço sinal para Caio sair da frente e fecho a porta atrás de mim ainda olhando para senhora.

Eu não tenho vizinhos, então não tem nada a ver com som alto. Qual será a merda?

- Algum problema, senhora? - Pergunto, pois, apesar de ter bebido, ainda não estou bêbado e não vou tratar mal uma senhora e duas crianças.

- Infelizmente sim meu rapaz. - Ela parece nervosa, mas também decidida. - Eu não posso cuidar deles. A mãe deles se foi e fiquei com a responsabilidade de os trazer até você.

Oi! Espere aí, vamos com calma que essa eu não entendi e posso assegurar que bêbado ainda não estou.

- O que eu tenho com isso? - Pergunto, pois, até onde eu sei possuo um clube e não um orfanato.

- Eles não têm mais ninguém. Eu sou só a babá, se pudesse eu juro que ficaria com eles. Mas não posso e o último pedido dela foi para traze-los até você.

E eu por um acaso tenho o que com isso! Se tenho condições financeiras? Bom, condições financeiras sim. Porém o resto... eu não tenho mesmo. O que essa mulher louca está pensando que sou!

- Onde está o pai deles? - Pergunto serrando os olhos e vejo por minha visão periférica Caio abrindo e fechando a boca, olhando de mim para as crianças como se eu fosse algum retardado que não soubesse que a soma de dois mais dois são quatro.

Que porra está acontecendo aqui?!

- Meu querido, o pai deles é você. Bryan Williams O'Connell. - Ela fala meu nome completo e isso me causa um arrepio, meus olhos se arregalando em choque, espantado com o que acabei de ouvir. Eu... o quê?

- Oi! Como é que é? -Acho que não ouvi direito. Tenho certeza que não ouvi.

- Filho, não tenho tempo para explicar. O táxi está me esperando, preciso seguir de volta para o aeroporto, ou perderei meu voo, e não posso perde-lo. Mas, saiba que esses são sim, seus filhos. Thomas e Theodore.

Engulo em seco, pois nem sei o que dizer. Como assim, eu? Pai? Está doida Dona! Eu devo ter enchido a cara e está vivendo um pesadelo. Alguém me belisca, ou melhor, joga um balde de água fria em minha cara, para que eu acorde dessa alucinação. Deus não pode está pregando essa peça em mim.

Sem ligar para minha cara, a mulher continua falando.

- Aqui nessa mala tem tudo que eles podem precisar por enquanto, mas ainda essa semana as coisas deles estarão chegando. Aí dentro tem uma carta deixada pela mãe das crianças, explicando algumas coisas, além de uma procuração. Por um milagre usando suas últimas forças, ela conseguiu tomar algumas medidas para deixar eles amparados. Eles não dão trabalho, já sabem tomar banho sozinhos e só precisam de orientação e disciplina, tenho certeza que você logo irá se adaptar, assim como eles. Agora eu preciso mesmo ir. Fiquem com Deus!

Olho para Caio que está tão perdido quanto eu. Não é alucinação. É real.

A senhora está quase chorando e ainda não sei o que fazer, nem o que dizer. Eu não posso ser pai. Eu não nasci para ser pai.

- Lilian - As crianças a chamam e ainda estou mudo sem entender nada do que está acontecendo à minha frente.

- Amorzinhos, esse é o papai de vocês. Ele vai cuidar de tudo a partir de agora. Lembre-se, a mamãe de onde estiver, vai estar olhando por vocês.

Papai, eu!?

E dizendo isso ela entrega uma mala para Caio, o que imagino ser devido a minha falta de reação e então se vai.

Só quando ela entra no táxi é que me permito dá um passo à frente e chamar por ela, só que aí, ela já se foi.

- Que. Porra. Você. Fez? - As palavras saem da boca de Caio, todas pontuadas e eu só sei que não fiz nada. Nada mesmo. Nunca trepei sem camisinha. Tenho o maior cuidado para algo assim nunca acontecer.

- O tio falou palavra feia. - Fala O.... meu Deus! Como vou saber quem é quem? O que eu faço agora?

Fodeu!

- Isso está errado. Tem alguma coisa errada aqui. - Digo para Caio enquanto seguro meus cabelos puxando-os para trás sentindo o coro cabeludo arder.

- Acho que você enfiou o pau desencapado em alguém por aí.

- Cala a boca seu idiota. Não fala merda e você sabe que isso nunca aconteceu.

- Cara, certo ou errado, se aconteceu ou não, isso não vêm ao caso nesse momento, não podemos deixar duas crianças jogadas na rua.

- É claro que não seu sabichão. Está pensando que sou o quê? Mas, que tem coisa errada, ah, isso tem, cara. Essas crianças não podem ser minhas. Eu nunca "fodi sem camisinha". - Falo baixo para que só Caio possa me ouvir.

- Se você parar e olhar bem para eles, não vai ser isso que você irá pensar. São a sua cara quando você era criança. Até o corte do cabelo.

Olho para os dois à minha frente que me olham abismados, encarando-me com seus olhos tristes e.... Puta que pariu!

- Cara, para tirar qualquer dúvida acho que você vai precisar de um exame de DNA. Mas antes, acho melhor entrarmos, aqui fora está ficando frio e não sei se é bom para eles.

Imagino onde vou colocar eles para dormir pois a casa está cheia, a não ser meu quarto, tenho certeza que os demais estão todos ocupados e puta que pariu mais uma vez! Duas crianças em um antro de perdição! Porra! Por que nasci tão fodido?

- Vou subir com eles. De um jeito nessa bagunça. - Falo para Caio pegando a tal mala.

- Encerrar a festa? A galera vai surtar. - Foda! Que se lasquem.

- Faça o que quiser, se vira. Não tenho mais clima para isso.

Seguro a mala e chamo o T1 e T2 que me seguem tampando os ouvidos com as mãozinhas, andando um tanto quanto assustados, quase grudados nas minhas pernas.

As pessoas me olham, mas finjo não os ver, sigo escada cima passando pelo grande corredor, onde fica os inúmeros quartos; encontrando alguns casais pelos corredores, quase se comendo e praticamente grito com esses putos.

A alguns minutos atrás eu estaria pouco me fodendo se tudo isso virasse uma orgia, só que agora tem duas crianças aqui, merda. Que porra que aconteceu? Como duas crianças, que eu nunca tive ideia que existiam, podem cair assim na porta da minha casa? Isso só pode estar errado. Muito errado.

- Vão para os quartos seus idiotas. - Berro apressando o passo para que os meninos vejam o mínimo possível dessa bagunça. Caralho, além de peito até pau tem para fora. Essas porras não sabem irem para um quarto não. Vendo de fora minha casa está mais parecendo um puteiro.

Posso ser um escroto, mas sei os limites entre certo e errado. Crianças não devem ver certas coisas, isso pode influenciar e muito no seu futuro, meu Deus, espero não os traumatizar.

Pegando outro lance de escada para a cobertura onde fica meu quarto, puxo uma chave do meu bolso abrindo a porta e então dou passagem para os dois entrarem fechando-a e, em seguida, abafando o barulho de som alto que vem lá de baixo.

- Esse aqui é meu quarto. Por hoje vocês ficam aqui comigo. - Murmuro indo colocar a mala em um canto.

- Vai nos mandar embora? - T1 pergunta, fazendo biquinho, ou será T2? Seus olhos brilham com lágrimas. - Porque você não quer a gente?

Engulo em seco pois não é isso. Eu.... Eu não sei o que é ser pai, não nasci para ser pai, nem sei se realmente sou pai deles. Deus! Que bagunça do caralho!

- Olha, eu nem sei se sou mesmo o pai de vocês.

- A Lilian disse que você é. Você tem o olho igual o meu e do Thedy. - Ah, então esse é o Thomas! Olho bem para ele e para sua xerox procurando alguma coisa que possa identifica-los, mas é trabalho perdido. Nunca vi nada tão igual. Parece até que estou de porre vendo em dose dupla. Será que bati a cabeça?

- Vamos fazer assim. Vamos dormir e amanhã vamos descobrir se essa história é mesmo verdade. Qual o nome da mãe de vocês?

- Thalita Collins Peterson

Peterson! Peterson! Não conheço nenhuma Peterson. Pelo menos não que eu me lembre. Se eles forem mesmo meus filhos eu conheci essa mulher a.... o quê? Uns 6 anos atrás? Caramba! Já tive tantas mulheres que não sei o nome nem da metade. Eu nunca liguei para saber o nome de nenhuma. Nunca me interessei em nomes até porque nunca ligaria e nem ligo para nenhuma delas. É apenas uma transa e nada mais.

- O que aconteceu com a mãe de vocês?

- A Lilian disse que ela morreu. Um homem mal bateu no carro dela.

- Meu Deus! Eu.... Eu sinto muito. - Vendo suas carinhas de choro os puxos para meus braços me ajoelhando a sua frente ficando um pouco mais baixo da altura dos mesmos. - Olha, vai ficar tudo bem. Não chorem. - Ah, não. Choro não.

Eles deitam suas cabeças em meus ombros e começam a fungar.

- A mamãe falava que o papai estava viajando. Porque você viajava tanto?

- Eu, é, eu não sei. - O que eu vou falar? Que nunca soube de filho nenhum! - Em que sua mãe trabalhava? - Mudo o foco da questão.

- Ela cuidava dos dodóis.

- Ela era médica? - Eles confirmam com a cabeça balançando seus fios loiros.

- Olha, minha cabeça está... - dando voltas, confusa, perdida... - Eu preciso pensar em tudo isso, está bem? Também preciso ler a tal carta que sua mãe deixou. Vamos ajeitar a cama para vocês dormirem.

- Podemos ver a festa?

Quê!! Está doido moleque?

- Oh, mocinho. Devagar aí. A festa que você viu lá em baixo é apenas para adultos, vocês são duas crianças. Não vão descer até que toda aquela bagunça tenha acabado.

- E o que tem demais nisso? - Mas olha só esse pivete atrevido!

- Muita coisa mocinho. Agora vamos tirar essa roupa e colocar um pijama.

- Vai dormir conosco. A mamãe quando estava em casa contava uma historinha para a gente dormir. A Lilian também.

- História! - Que tipo de historinha eu posso contar? A do lobo mau que comeu a chapeuzinho? Minha versão não é para criança.

Passando minhas mãos mais uma vez em meus cabelos vou até a mala colocando-a sobre o sofá a abrindo para ver se tem algum pijama dentro dela. Enquanto procuro vou tentando descobrir alguma informação que possa me ajudar a esclarecer de onde essas duas pérolas saíram.

- Onde vocês moravam crianças?

- Em Nova York, com a mamãe e a Lilian.

Certo, eu vou muito a Nova York. Mas ainda não consigo me lembrar dessa tal de Thalita.

Encontro os pijamas colocando-os de lado sobre o sofá e, os meninos já começam a tirar os casacos.

- Vocês jantaram? - Pergunto me lembrando de que se eles acabaram de chega de viagem é bem certo de estarem com fome.

- Comemos lanche no avião.

- Ok. Vou pedir uma pizza. Qual sabor vocês gostam?

- Pepperoni com presunto e muita mussarela. - Eles falam e arregalo os olhos pois esse é meu sabor predileto.

Assustador!? É, eu sei.

- Que tal um banho enquanto peço a pizza. - Eles fazem careta, mas não ligo para isso. Vão tomar banho sim. Nada de porquinhos na minha cama.

No banheiro separo as toalhas enquanto eles tiram o resto das roupas. Ajusto a temperatura da água e ligo o chuveiro ficando fora do boxe para ver se eles sabem mesmo tomar banho sozinhos.

Enquanto os observo ligo para a pizzaria e peço a pizza e um refrigerante, mas lembrando que não sei o sabor que eles gostam, olho para eles e pergunto:

- Qual refrigerante vocês gostam?

- Coca-Cola. - Ambos respondem.

- Certo.

Termino de fazer o pedido avisando em seguida para Caio receber. Deixo claro que se trata da janta dos meninos para garantir que a pizza e o refrigerante não sejam surrupiados no caminho. Com todos aqueles folgados lá em baixo, se bobear é capaz de não chegar nada aqui em cima.

Capítulo 2 A carta

Capítulo 02

Bryan O'Connell

Quando eles terminam o banho, entrego as toalhas para que ambos possam se secarem. Já secos eles vestem o pijama e me entregam as toalhas molhadas.

Pego uma toalha seca e aquecida no porta toalhas e seco o cabelo do T1 e depois do T2. Dormir com cabelo molhado pode ficar doente, meu pai sempre dizia isso.

Caramba! O que meu pai vai pensar quando descobrir isso? Vai é arrancar minhas orelhas de tanto as puxar isso sim.

- Preciso arrumar um jeito de identificar vocês. Não consigo saber quem é quem. - Murmuro e recebo em troca risinhos dos pestinhas.

- Só mamãe e a Lilian sabem. Até nossa professora se confundia.

Professora! Merda. Claro que eles estudam seu babaca. Repreendo-me por tamanha lerdeza.

Eles mesmo penteiam os cabelos e não demora para ouvirmos alguém bater à porta.

- Deve ser nossa pizza.

Vou até a porta, onde Caio me entrega a caixa de pizza e uma sacola com o refrigerante, assim como também os copos.

- Já peguei os copos lá na cozinha e trouxe. Como estão as coisas por aqui?

- Se ajeitando. E lá em baixo?

- A galera está querendo saber quem são as crianças e o que aconteceu. Falei que depois você contava. Inventei uma desculpa de que eles são filhos de uma prima sua, mas não sei se colou.

Se colar colou ou, não, não importa. Não devo nada a ninguém.

- Obrigado Caio. Por favor cuide de tudo lá em baixo para mim e ver se não deixa que destruam minha casa.

- Pode deixar, cara. Amanhã a gente conversa. - Faço que sim com a cabeça e fecho a porta.

-Vamos comer!

- Oba! Eu estou com fome. - Fala T1 ou será T2? Sentando-se no chão perto do sofá.

- Eu também. Minha barriguinha chega roncou agora.

Sorrio com a cara dos dois, abrindo a caixa da pizza e colocando-a na frente deles tirando uma fatia e entregando a cada um.

- Ui, está quente! - Merda! As mãos deles são sensíveis seu idiota.

- Desculpa. Deixe esfriar um pouco, vou colocar o refrigerante no copo.

Não sei se é a fome ou se realmente esfriou, mas logo eles estão comendo. Que bom que eles não têm frescura para comida. Se bem que pizza não tem como não gostar.

Pedi uma pizza grande, o que dá para nós três, comer. Quando terminamos falo para escovarem os dentes, enquanto recolho tudo colocando em um canto perto da porta, para depois descer e jogar no lixo.

Arrumo a cama para que os dois possam se deitar e procuro em meu celular um livro de história infantil para poder ler. Cara, quando foi que eu li história infantil?

Não leio nem adulta.

Em fim encontro uma história de uma estrelinha.

- Terminamos. - Falam chegando perto de mim e mostrando os dentes limpos.

- Ótimo. Banho tomado, barriga cheia, dentes escovados... acho que está tudo certo. Agora, cama.

- E a historinha?

- Vou ler alguma coisa que achei aqui na Internet.

- A gente tem livros lá em Nova York, só que está nas coisas que Lilian embalou.

- Certo. Vamos improvisar aqui. - Não quero pensar em caixas agora. Só os dois já bastam para me fazer entrar em parafuso. Já estou quase surtando só em imaginar que eles possam de fato serem meus.

Me deito na cama e para minha surpresa cada um fica de um lado me fazendo de sanduíche.

Ajeito-me para que ambos fiquem confortáveis e então começo a história.

- A ESTRELINHA MALANDRINHA - da autora Tânia Santos.

- A Lilian disse que a mamãe virou uma estrelinha. - Sussurra... quem é ele mesmo? T1, T2? Amanhã vou dá um jeito de identificar cada um nem que seja amarrando uma fitinha em cada braço, ou comprando uma daquelas pulseiras com a plaquinha para colocar o nome. Alguma coisa vou ter que fazer.

- Tenho certeza que sim. - Respondo voltando para meu celular pois não quero ver os mesmos tristes.

- Quero ouvir a história da estrelinha. - Resmunga o outro do meu lado esquerdo, esfregando os olhinhos.

- Então vamos lá. Prontos?

- Sim...

- A ESTRELINHA MALANDRINHA. A estrelinha vivia no céu, mais precisamente na via láctea. Sabem o que é a via láctea?

- Não.

- É um sítio no céu onde habitam milhões de estrelas. Tem a forma de espiral e quando olhamos para ela, é como se algum anjo, ao passar, tivesse estendido uma faixa brilhante de luz pelo seu caminho...

Quando estou na metade da história vejo que ambos já estão de olhos fechados e começo a imaginar o que devo fazer.

Primeiro preciso ler a tal carta e tentar pelo menos começar a entender tudo isso. Uma explicação há de ter.

Eles são mesmo muito parecidos comigo quando criança, mas preciso de certeza antes de qualquer decisão, afinal, como já disse, eu nunca transei sem camisinha. Sei que se eles realmente forem meus, minha vida terá que mudar e muito e, não estou afim de pensar nisso agora.

Me levanto e com cuidado arrumo sobre eles o lençol, caminhando para as janelas que dão para varanda de onde vejo o mar e posso ouvir o quebrar das ondas.

Respiro fundo tentando tomar coragem para enfrentar tudo isso, voltando para o quarto e procuro na mala pela carta que a tal Lilian mencionou, quando a encontro volto para a varanda onde me sento em uma espreguiçadeira, olhando o envelope em minhas mãos e vejo que está endereçado a mim. Abrindo-o, puxando de dentro uma folha escrita à mão e então começo a ler.

***

Bryan!

Se estiver lendo essa carta é porque eu não resisti e já parti para o outro lado. Primeiro quero que saiba que eu nunca imaginei que seria assim que um dia você saberia dos dois. Acho que na verdade nunca imaginei que você um dia os conheceria.

Não é por maldade, só acho que não é o que você queria e certo ou errado, eu só queria os proteger.

Nos conhecemos a 6 anos em uma festa aqui em New York. Você tinha 19 anos eu acho, estávamos comemorando que seu pai tinha vencido as eleições para o senado. Eu era uma das muitas pessoas que tinha se voluntariado na campanha, no meu caso acho que mais pela influência das minhas amigas. Nós dois acabamos saindo e passamos a noite juntos. No outro dia, você se foi, eu nem sei para onde, só soube que você tinha viajado. Isso não me importava, eu sabia que não teria uma segunda noite, não com o Bryan O'Connell.

Tudo estava certo. Com o fim da eleição segui meu caminho voltando a me dedicar apenas aos meus estudos. Eu sempre fui cdf então cedo, (pelo menos para minha idade) eu já estava fazendo residência médica, e já estava terminando minha residência quando descobri.

Descobri que estava grávida e como o último cara que eu tinha transado nos últimos 6 meses foi você, eu soube que era seu.

Foi um choque. Confesso que no início pensei em interromper a gravidez, mas não consegui. Foi difícil e muito complicado fazer a residência enquanto minha barriga crescia. Vida de residente não é fácil, pode ter certeza.

Quando descobri que eram gêmeos meu desespero só aumentou eu não sabia o que fazer, por sorte tinha amigos que me apoiaram e me ajudaram. Consegui terminar minha residência mesmo carregando em meu ventre dois bebês, estava começando minha especialização e tudo estava se encaixando.

Eles são maravilhosos são o xodó de todos aqui. Mas é você o pai deles. E se estou partindo, é com você que eles devem ficar.

Eu sofri um acidente de carro. Meu corpo todo está lutando, mas sei que vai ser quase impossível sair dessa. Não sou eu que estou escrevendo, estou ditando e minha amiga escrevendo. Eu sinto que não vou resistir e quero deixar meus dois tesouros em segurança.

A Lilian os levará até você. Ela também cuidará para que minhas coisas sejam enviadas. Tenho alguns imóveis e outros bens que meus pais deixaram para mim, estou deixando uma procuração para que você cuide de tudo. Venda se achar melhor. Só peço que cuide dos nossos filhos. Eles são seus Bryan. Por favor, cuide deles.

Eu preciso parar, estou muito cansada, usei todas as minhas forças para que essa carta fosse escrita.

Obrigada por ter me dado mesmo sem querer esses dois presentes. Agora estou passando-os para você. Cuide bem deles e se cuide.

Com carinho.

Thalita.

Puta que pariu!

Vejo a tal procuração dentro do envelope e nem sei o que fazer com isso, minha vida está aqui em Santa Monica. Meu trabalho, minha vida é aqui. Volto a olhar a carta e me lembro dessa festa, e até lembro da garota, mas como isso aconteceu? Sei que nenhum método é 100% seguro, mas caralho, como isso pode acontecer logo comigo?

Mas que merda grande!

- Eu não sei como é ser pai - falo para as estrelas - mas prometo que vou cuidar deles. Se você conseguiu, eu também consigo.

Enxugo uma lágrima que desce em meu rosto, guardo a carta de volta no envelope e volto para o quarto parando ao lado da cama olhando os dois inocentes que dormem tranquilamente.

- Seremos nós três, pequenos. Não sei como vou fazer, peço que vocês tenham paciência comigo, pois sei que vou errar muitas vezes, mas prometo que tentarei ser um bom pai para vocês. Para começar, preciso aprender a identificar vocês.

Olho seus rostinhos que são iguaizinhos. Nariz, boca, cabelos... e então vejo algo que me faz sorrir. Um pequeno sinal perto da orelha. Olho no outro e o sinal está atrás do pescoço. Começo a rir, pois esse sinal é de família. Meu pai tem, assim como eu também o tenho. O meu fica nas costas e o do meu pai fica bem no quadril.

- Agora eu não me perco mais.

Descobri o segredo para identifica-los e amanhã sorrateiramente descobrirei quem é quem e a partir daí nada mais de ficar perdido.

Penso na festa lá em baixo e sei que essa será a última, pelo menos nesse estilo, aqui em casa.

Quem diria, Bryan O'Connell, o puteiro, De Repente Pai!

É cara, sua vida nunca mais será a mesma!

Capítulo 3 Marca de nascença

Capítulo 03

Bryan O'Connell

Acordo com dois corpos minúsculos sobre o meu e abro os olhos um tanto assustado. Nunca dormi com ninguém antes, mas olhando para os lados, vejo que não se trata de qualquer pessoa. Ou melhor dizendo, pessoas.

Ontem depois de horas pensando, tomei um banho, coloquei o pijama e voltei para a cama onde me deitei entre os dois. Foi estranho pois sempre dormi sozinho e pelado. Tive que colocar uma roupa e ainda ter que tomar cuidado para não os machucar.

O sol que entra pela fresta da cortina diz que o dia já amanheceu, então, com cuidado tento me levantar sem acordá-los, mas eles acabam acordando mesmo assim.

- Bom dia. - Digo sentando-me na beirada da cama olhando os dois.

- Bom dia papai. - Eles falam e colocam a mão na boca ao mesmo tempo.

PORRA! Papai. Caralho eu sou pai. Será que um dia vou me acostumar com isso!?

- Tudo bem crianças. É isso que eu sou não é mesmo? - Eles balançam a cabeça, mas permanecem calados. - Ótimo. Agora que tal levantar e ir ao banheiro. Alguém aqui quer... fazer número 1?

- Fazer xixi, papai.

- Ah, foi mal. Alguém aqui quer fazer xixi?

Os dois fazem que sim é se sentam.

- Quem vai primeiro, Thomas ou o Theodore? - Fico de olho no que está de costas para mim calçando o chinelo.

- Eu vou primeiro, o Thedy vai depois.

Sorriu para mim mesmo pois agora já sei quem é quem. Theodore é quem tem o sinal atrás do pescoço, os cabelos quase cobrem, mais ainda consigo ver.

- Vamos organizar tudo aqui e depois descemos para fazer o nosso café. - Digo me alongando e depois começo a arrumar a cama com a ajuda do Theodore, que puxa de um lado, depois do outro e quando o irmão termina de usar o banheiro ele vai.

Termino de arrumar os travesseiros e deixo tudo no lugar. Quando Theodore sai é minha vez.

Vestidos ainda de pijama descemos nós três para o andar de baixo e vejo que pelo menos o pessoal juntou a bagunça antes de irem embora. Caio com certeza colocou todo mundo na linha.

Sento os dois meninos nas cadeiras que tem perto da bancada enquanto procuro o que fazer de café da manhã.

- Preciso da ajuda de vocês. - Digo para eles enquanto olho para dentro da geladeira. - O que vocês gostam de comer pela manhã?

- Panquecas, ovos, bacon, cereal com leite, torrada fruta mais ou menos...

Ok barriguinhas sem fundo.

Eles vão falando e vou pegando o que encontro na geladeira. Tiro uma caixa de suco de laranja e sirvo em dois copos para os dois enquanto preparo uma caneca de café para mim terminar de acordar.

Vou tomando o café e colocando as fatias de bacon para fritar. Por sorte sei fazer comida, então de fome não iremos morrer. Frito os ovos, faço umas torradas e vou colocando tudo na bancada. Corto algumas frutas, pego a geleia de morango que tem na geladeira e então me sento com minha segunda caneca de café.

- Que tal a minha comida? - Pergunto quando os vejo devorando as fatias de bacon.

- O bacon está gostoso. - Fala Thomas e sorrio com o seu elogio.

- Pode passar um pouco da geleia, papai? - Pede Thedy e não sei por que estou sentindo um orgulho danado ao ouvi-lo me chamar de papai.

- Claro filho. Você também quer Thomas? - Eles param de mastigar e me olham.

- Você acertou!

- Acertei? - Eles confirmam com a cabeça. - Vai ver é instinto de pai.

Falo na maior cara de pau, me achando o tal.

Os dois sorriem com a boca cheia de bacon e voltamos a comer, em meio a uma animada conversa já que agora que sei que eles são mesmo meus filhos... sim, eu tenho certeza. Depois de ler aquela carta e ver tantos sinais, eu sei que eles são mesmo meus. Não adianta eu ficar me contorcendo e tentando me esquivar. Para quê chorar o leite derramado, não é mesmo? Se ajoelhou, tem que rezar. Até porque se foi homem para fazer, tem que ser também para criar.

Quando terminamos eles me ajudam colocando seus copos na pia e meu celular começa a tocar.

Olho o visor e vejo que é o Caio.

- Fala, Caio!

- Bom dia para você também, putão. - Foda. - Como estão as coisas aí?

- Estamos bem. - Sorrio para os pequenos que não tiram os olhos de mim. - Terminamos de tomar nosso café agora.

- Olha, eu liguei para o laboratório de um amigo meu que é médico e falei sobre seu caso, ele disse que pode mexer uns pauzinhos, inclusive pode recolher o material hoje e fazer com que o resultado do exame saia segunda. Mas para isso vocês têm que estar lá hoje até às 9h00.

Olho a hora e xingo um palavrão mentalmente, pois já são 8h20. Merda.

- Me mande o endereço por mensagem que vou agilizar as coisas aqui. - Isso se der tempo.

- Certo. Eu vou encontrar você lá.

- Obrigado Caio. Realmente obrigado cara.

- Amigos são para essas horas também, mano. Não é só para a farra não. Sabe que pode contar comigo sempre.

- Eu sei disso. Obrigado mais uma vez Caio.

- Agora vá lá arrumar suas xerox. - Sorrio.

Desligando o celular, volto minha atenção para os meninos que me olham atentamente.

- Meninos, preciso conversar com vocês. - Eles me olham sérios me dando toda atenção. - Olha, eu já não duvido que sou seu pai, mas tem um exame que vai dizer 100% que vocês são meus filhos. Nós vamos fazer esse exame hoje e segunda sairá o resultado.

- E se.... Se não for, com quem eu e Thedy vai ficar?

- Eu já não tenho mais dúvida. Não precisam ter medo. Só... só vamos fazer, está bem? Precisamos cuidar porque se não, vamos nos atrasar.

Por sorte não tem muito o que fazer. Pego tudo que é documento deles, separei umas roupas para que ambos possam se vestir enquanto já os coloco embaixo do chuveiro.

- Vamos ser rápidos. - Tiro meu pijama e entro com eles para agilizar e assim não perdermos tempo. Eles me olham, se olham, depois me olha outra vez.

- Seu pipi é igual o meu. - Diz Thomas olhando para mim.

Merda! Esse assunto.

- É não Tomy, o do papai é grandão. - Responde Theodore.

- O meu vai ficar grandão papai? - Pronto, agora eu arranjei.

- Vai sim. Os dois. Agora vamos agilizar nesse banho se não vamos nos atrasar.

Banho tomado ajudo os mesmos a se secarem, vestirem a roupa, até porque escolhi uma calça comprida para cada um deles, o que deu um pouquinho de trabalho para ambos vestirem e precisou do meu apoio, mas foi rápido, depois ajudei eles a pôr a camisa e enquanto eles colocavam o tênis, vesti minha roupa e em 10 minutos estávamos prontos.

Sorte que somos homens!

Descemos as escadas e saímos trancando a porta atrás de mim, levando-os para minha Ranger Rover, onde me lembro que preciso comprar cadeirinha para os mesmos.

- Quando voltarmos da clínica vamos passar em uma loja e comprar cadeirinhas para vocês, certo.

- Certo, papai.

- Ótimo. Agora não tire o cinto.

Ajeito os dois e assumo meu lugar ao volante, dando partida no carro e seguindo para a clínica. Já li o endereço que Caio me enviou, então acelero, pois, estamos em cima da hora.

Faltando dois minutos para as 9h00 paro no estacionamento onde avisto Caio me esperando. Ele caminha até o carro onde me ajuda a tirar os pequenos.

- Cara, pensei que não fosse dar tempo.

- Eles são ágeis. Não foi muito difícil arrumar os dois.

- É, mas acho que esqueceu de pentear os cabelos deles. E aí galerinha eu sou o tio Caio. - E merda! Não é que esqueci mesmo! Até o meu.

- É só passar os dedos - Falo mostrando como é, passando meus dedos em meus cabelos e vejo eles fazendo o mesmo e rindo.

- Sou o Theodore, mas eu gosto de Thedy.

- Sou o Thomas. Pode me chamar de Tomy.

- E aí não vá fazer as coisas igual a esse cara aí não. - Caio faz graça apontando para mim antes de se exibir para meus filhos. - Aprenda com o Tio Caio, o gostosão aqui.

- Vai sonhando, Caio. - Os meninos riem e segurando em suas mãos, caminho para a clínica.

Entramos na clínica e por sorte Caio já tinha feito tudo antes de chegarmos. Logo somos levados para coletarem as amostras de sangue, saliva e também mechas de cabelo.

Peço para tirarem primeiro de mim, para que eles vejam e só depois tirem o sangue deles. Por sorte eles não choram, o que foi um alívio para mim.

- Tudo bem? - Pergunto para os dois quando terminamos.

- Tudo. - Thomas responde olhando o adesivo em seu braço.

- Nem doeu. - Diz Thedy todo faceiro.

- Eu posso fazer mais alguma coisa? - Caio pergunta quando já estamos saindo da Clínica.

- Cara eu sei que vou precisar ir a Nova York resolver umas coisas lá. Mas por enquanto vamos agilizar as coisas daqui primeiro. Preciso passar em uma loja e comprar umas coisas para eles. Vou ligar para David segurar as pontas para mim lá no clube por esses dias e vou trabalhar de casa. Preciso que você fique de olho em tudo por mim.

- Claro. Acho que se você fizer as compras pela Internet vai ser ainda melhor. Vamos para casa, eu te ajudo lá.

Faço que sim com a cabeça e seguimos para o estacionamento.

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