Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > De Vítima a Vingadora
De Vítima a Vingadora

De Vítima a Vingadora

Autor:: Patricia
Gênero: Romance
"Você vai dançar na boate, Sofia." A voz de Pedro, meu noivo e famoso jogador de futebol, parecia uma facada. Era uma ordem. Eu segurava a bandeja com os analgésicos para ele, grávida do nosso filho. Ele me disse para trabalhar na boate Blue Velvet, a partir de amanhã. Minha barriga ainda não aparecia, "perfeito para conseguir o dinheiro da dívida de jogo dele" , segundo ele. Eu, ingênua, acreditei na dívida, no desespero nos seus olhos, nos nossos dez anos de amor e sonhos de casamento. Mas então, o celular dele tocou e Juliana, minha meia-irmã, ativou a caixa postal. "Pedro, querido, como foi? A idiota da Sofia concordou? Mal posso esperar para ver a cara dela quando descobrir que o dinheiro que ela ganhar vai ser para sustentar nosso filho, e não para pagar dívida nenhuma." O celular caiu no chão. O mundo parou. A voz de Juliana ecoava na minha cabeça: "Pedro e Juliana. Nosso filho. O dinheiro." Tudo era uma farsa cruel. A máscara de desespero de Pedro caiu, revelando o manipulador por baixo. Meus joelhos cederam, uma dor aguda e lancinante atravessou meu abdômen. "O bebê..." . Pedro não se importou, seu olhar frio e calculista. Ele chamou Juliana para me levar a um "médico que resolveria o problema" . Eles me arrastaram para fora do nosso apartamento, o lugar que eu decorei esperando que se tornasse nosso lar. Para uma clínica clandestina, suja, para me forçar a abortar nosso filho. A dor física era excruciante, mas a do meu coração era insuportável. Eu amei esse homem por uma década. Quando puseram a seringa em minhas mãos, Juliana sorriu, prometendo mais dor e sofrimento. Eles achavam que estavam tirando meu filho, destruindo minha alma. Mas, naquele inferno, jurei que sobreviveria. E eu me vingaria. A felicidade deles não duraria para sempre. Sofia, a vítima, morreria ali. Uma nova mulher nasceria.

Introdução

"Você vai dançar na boate, Sofia." A voz de Pedro, meu noivo e famoso jogador de futebol, parecia uma facada. Era uma ordem.

Eu segurava a bandeja com os analgésicos para ele, grávida do nosso filho.

Ele me disse para trabalhar na boate Blue Velvet, a partir de amanhã. Minha barriga ainda não aparecia, "perfeito para conseguir o dinheiro da dívida de jogo dele" , segundo ele.

Eu, ingênua, acreditei na dívida, no desespero nos seus olhos, nos nossos dez anos de amor e sonhos de casamento.

Mas então, o celular dele tocou e Juliana, minha meia-irmã, ativou a caixa postal.

"Pedro, querido, como foi? A idiota da Sofia concordou? Mal posso esperar para ver a cara dela quando descobrir que o dinheiro que ela ganhar vai ser para sustentar nosso filho, e não para pagar dívida nenhuma."

O celular caiu no chão. O mundo parou.

A voz de Juliana ecoava na minha cabeça: "Pedro e Juliana. Nosso filho. O dinheiro." Tudo era uma farsa cruel.

A máscara de desespero de Pedro caiu, revelando o manipulador por baixo. Meus joelhos cederam, uma dor aguda e lancinante atravessou meu abdômen. "O bebê..." .

Pedro não se importou, seu olhar frio e calculista. Ele chamou Juliana para me levar a um "médico que resolveria o problema" .

Eles me arrastaram para fora do nosso apartamento, o lugar que eu decorei esperando que se tornasse nosso lar. Para uma clínica clandestina, suja, para me forçar a abortar nosso filho.

A dor física era excruciante, mas a do meu coração era insuportável. Eu amei esse homem por uma década.

Quando puseram a seringa em minhas mãos, Juliana sorriu, prometendo mais dor e sofrimento.

Eles achavam que estavam tirando meu filho, destruindo minha alma. Mas, naquele inferno, jurei que sobreviveria.

E eu me vingaria. A felicidade deles não duraria para sempre. Sofia, a vítima, morreria ali. Uma nova mulher nasceria.

Capítulo 1

"Você vai dançar na boate, Sofia."

A voz de Pedro era calma, mas cada palavra era como uma pedra atirada contra mim, não havia espaço para negociação, era uma ordem.

Estávamos no nosso apartamento, o lugar que eu decorei com tanto amor nos últimos anos, esperando que um dia se tornasse nosso lar de casados.

Ele estava sentado no sofá de couro caro, ainda vestindo o uniforme do time, o suor brilhando em sua testa.

Ele era Pedro, o famoso jogador de futebol, o homem que eu amava há dez anos, meu noivo.

Eu fiquei parada, segurando uma bandeja com um copo de água e seus analgésicos.

"O que você disse?"

Eu devo ter ouvido errado, era a única explicação.

Pedro levantou o olhar para mim, e pela primeira vez, não vi o carinho que eu conhecia, seus olhos estavam frios, impacientes.

"Eu disse que você vai trabalhar como dançarina na boate Blue Velvet, eu já falei com o gerente, você começa amanhã."

A bandeja tremeu em minhas mãos, o copo de água balançou, quase derramando.

"Pedro, isso é algum tipo de piada? Eu estou grávida, você sabe disso, como eu poderia trabalhar em uma boate?"

Ele riu, um som seco, sem humor.

"Exatamente por isso, Sofia, essa sua barriga ainda não aparece, ninguém vai notar, é o momento perfeito, precisamos do dinheiro."

"Dinheiro? Mas e o seu salário? Você é um dos jogadores mais bem pagos do país."

Eu me aproximei, colocando a bandeja na mesa de centro, minha voz era um sussurro trêmulo.

Ele se levantou, andando de um lado para o outro na sala, sua agitação enchendo o espaço.

"Dívidas de jogo, Sofia, perdi muito, mais do que você pode imaginar, se não pagarmos, eles vêm atrás de mim, de nós."

Seu rosto se contorceu em uma expressão de desespero, ele segurou meus ombros, me sacudindo levemente.

"Você me ama, não é? Você faria qualquer coisa por mim, não faria? É só por um tempo, até eu conseguir o dinheiro de volta, eu prometo."

Aquelas palavras, "você me ama", eram a minha fraqueza, por dez anos, eu amei Pedro com tudo o que eu tinha, desde a adolescência, quando ele não era ninguém, eu estive ao seu lado, eu acreditei nele, acreditei em suas promessas de casamento, em nosso futuro.

Eu olhei em seus olhos, procurando o homem que eu amava, e por um momento, eu o vi, o desespero parecia real.

Mas então, meu celular tocou, era minha meia-irmã, Juliana.

Antes que eu pudesse atender, Pedro pegou o celular da minha mão.

"Não atenda, não agora."

Ele recusou a chamada e a voz de Juliana soou da caixa postal que ativou automaticamente: "Pedro, querido, como foi? A idiota da Sofia concordou? Mal posso esperar para ver a cara dela quando descobrir que o dinheiro que ela ganhar vai ser para sustentar nosso filho, e não para pagar dívida nenhuma."

O celular caiu da mão de Pedro, batendo no chão com um baque surdo.

O mundo ao meu redor parou, o som da voz de Juliana ecoava na minha cabeça, cada palavra se repetindo, se cravando na minha mente, cruel e clara.

Pedro e Juliana.

Nosso filho.

O dinheiro.

Tudo era uma mentira, uma armação cruel e elaborada.

Meu olhar se moveu lentamente do celular no chão para o rosto de Pedro, o choque e o pânico estavam estampados em seus traços, a máscara de desespero tinha caído, revelando o manipulador por baixo.

"Sofia... eu posso explicar."

Ele tentou se aproximar, mas eu recuei como se ele fosse veneno.

"Explicar o quê?" minha voz saiu rouca, quebrada. "Explicar que vocês dois me enganaram? Que você e a minha própria irmã... vocês têm um filho?"

A dor era física, uma pressão esmagadora no meu peito, o ar se recusava a entrar nos meus pulmões.

Eu amei esse homem por uma década, eu carregava o filho dele no meu ventre, um filho que eu pensava ser fruto do nosso amor.

Mas era tudo uma farsa.

De repente, uma dor aguda e lancinante atravessou meu abdômen, me fazendo dobrar de dor.

Eu gemi, agarrando minha barriga.

"O bebê..."

Pedro olhou para mim, seu pânico se transformando em algo frio, calculista.

"Juliana está chegando, ela vai te levar ao médico."

"Que médico?" , eu consegui perguntar entre as contrações de dor.

"Um médico que vai resolver esse problema" , ele disse, e seu tom não deixava dúvidas sobre o que ele queria dizer.

Resolver o problema.

Ele estava falando do nosso filho, ele queria que eu o abortasse.

A porta se abriu e Juliana entrou, ela usava um vestido caro e um sorriso triunfante, seu olhar passou por mim, caída no chão, com uma satisfação cruel.

"Parece que a festa acabou mais cedo" , ela disse, sua voz doce e venenosa. "Vamos, Sofia, temos um compromisso, não queremos que você continue carregando esse... empecilho."

Ela e Pedro me levantaram, um de cada lado, eu estava fraca demais para lutar.

A dor no meu ventre era intensa, mas a dor no meu coração era insuportável, eles estavam me arrastando para fora do apartamento, para longe da vida que eu pensei que teria.

Enquanto eles me forçavam a entrar no carro, eu ouvi Juliana sussurrando para Pedro.

"Não se preocupe, querido, depois que nos livrarmos disso, ela vai ser uma boa fonte de renda, a culpa e a dor vão deixá-la dócil, ela vai fazer qualquer coisa que mandarmos."

Naquele momento, em meio à dor e ao desespero, algo dentro de mim se quebrou.

O amor que eu sentia por Pedro se transformou em pó, e em seu lugar, uma semente de ódio começou a brotar.

Eles me levaram para uma clínica clandestina, um lugar sujo nos fundos de um prédio abandonado.

A dor era excruciante, física e emocional.

Eles me forçaram a deitar em uma maca fria e enferrujada.

Um homem com um jaleco manchado se aproximou de mim com uma seringa.

Eu lutei, gritei, implorei, mas minhas forças se esvaíram.

A última coisa que vi antes de a escuridão me engolir foi o rosto de Juliana, sorrindo para mim, um sorriso que prometia mais dor e sofrimento.

Eles não estavam apenas tirando meu filho, eles estavam tentando destruir minha alma.

Mas eles subestimaram minha força, subestimaram a resiliência de uma mãe.

Naquele inferno, eu fiz uma jura, eu sobreviveria, e eu me vingaria.

A felicidade deles, construída sobre a minha ruína, não duraria para sempre.

Eu me certificaria disso.

Capítulo 2

O cheiro de antisséptico barato e mofo enchia minhas narinas quando eu acordei.

Meu corpo inteiro doía, mas o vazio no meu ventre era a pior dor de todas.

Eu estava em um quarto pequeno, com paredes descascadas, a única luz vinha de uma lâmpada fraca pendurada no teto.

Eu estava sozinha.

Tentei me sentar, mas uma tontura forte me forçou a deitar novamente, eu estava fraca, drenada.

A porta se abriu com um rangido e Juliana entrou, ela carregava uma bandeja com um prato de sopa rala e um copo de água.

Ela colocou a bandeja na mesinha de cabeceira ao meu lado com um baque.

"Coma, você precisa recuperar suas forças."

Seu tom era falsamente preocupado, mas seus olhos brilhavam com malícia.

Eu desviei o olhar, incapaz de encará-la.

"Por quê, Juliana? Por que você me odeia tanto?"

Ela riu, um som desagradável.

"Odeio? Não, Sofia, eu não te odeio, eu tenho pena de você, sempre tão ingênua, tão cega pelo amor, você realmente achou que o Pedro, um astro do futebol, iria se casar com uma órfã sem eira nem beira como você?"

Suas palavras eram cruéis, calculadas para me ferir.

"Nossa mãe..." eu comecei a dizer.

"Não se atreva a falar da minha mãe!" , ela me interrompeu, sua voz subitamente cheia de veneno. "Sua mãe roubou meu pai da minha mãe, ela destruiu nossa família, você é filha da mulher que causou a infelicidade da minha vida inteira, você acha que eu ia deixar você ser feliz? Nunca."

Então era isso, uma vingança distorcida, passada de uma geração para outra.

Eu era a culpada pelos pecados da minha mãe, aos olhos dela.

"E o bebê?" , perguntei, a voz embargada. "Ele não tinha culpa de nada."

Juliana deu de ombros, um gesto de total indiferença.

"Era um mal necessário, ele só iria atrapalhar nossos planos, Pedro precisa de dinheiro, e você, minha querida irmã, vai nos fornecer."

Ela se inclinou sobre mim, seu rosto a centímetros do meu.

"Você vai voltar para a boate, e desta vez, não será só para dançar, você vai fazer o que for preciso para conseguir clientes, clientes ricos, o gerente já tem uma lista para você."

O horror me gelou por dentro, eles não queriam apenas que eu fosse uma dançarina, eles queriam me transformar em uma prostituta.

Usar meu corpo, minha humilhação, para financiar a vida luxuosa deles e do filho que eles tinham juntos.

"Eu não vou fazer isso" , eu disse, reunindo a pouca força que me restava.

O sorriso de Juliana se alargou.

"Ah, você vai sim, porque se não o fizer, nós temos maneiras de te convencer."

Ela tirou o celular do bolso e me mostrou uma foto, era uma senhora idosa, com cabelos brancos e um sorriso gentil, sentada em uma cadeira de rodas em um jardim.

Era Dona Elvira, a única família que me restava, a vizinha que cuidou de mim depois que minha mãe morreu.

Ela estava em um asilo, e eu pagava as despesas com o dinheiro que economizava.

"Ela parece tão frágil, não é?" , disse Juliana, com uma doçura aterrorizante. "Seria uma pena se acontecesse um acidente, um incêndio, talvez? Asilos podem ser tão perigosos."

A ameaça era clara, a crueldade, ilimitada.

Eles usariam a pessoa mais vulnerável da minha vida para me controlar.

As lágrimas que eu segurava finalmente rolaram pelo meu rosto, lágrimas de raiva, de impotência, de desespero.

Juliana sorriu, satisfeita com a minha reação.

"Eu sabia que você entenderia, agora seja uma boa menina e coma sua sopa, você tem uma longa noite pela frente."

Ela se virou e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, me deixando sozinha com a minha dor e a certeza de que meu pesadelo estava apenas começando.

Eu olhei para a sopa rala, meu estômago se revirou, mas eu sabia que ela tinha razão.

Eu precisava recuperar minhas forças, não para obedecê-los, mas para lutar.

Eu comi cada colherada daquela sopa insípida, cada gole de água, sentindo a energia, por menor que fosse, voltar ao meu corpo.

Eles achavam que tinham me quebrado, mas estavam errados.

Eles tinham acabado de criar seu pior inimigo.

Eu não sabia como, nem quando, mas eu ia escapar daquela prisão.

E quando eu escapasse, eu faria Pedro e Juliana pagarem por cada lágrima, cada gota de sangue, cada pedaço da minha alma que eles tentaram roubar.

A vingança não seria apenas um prato servido frio.

Seria um banquete.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022