Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Debaixo Da Bananeira
Debaixo Da Bananeira

Debaixo Da Bananeira

Autor:: Vania Grah
Gênero: Romance
Em uma pequena cidade cearense, Rafaela Pereira luta com unhas e dentes para salvar uma bananeira plantada por seu pai antes de falecer, ameaçada pela construção de uma nova fábrica. Daniel Correia, o dono da fábrica, fica fascinado pela teimosia da moça e se vê em meio a uma série de confusões hilárias e emocionantes. Entre brigas e estratégias improváveis, o que começa como uma disputa se transforma em uma paixão arrebatadora. Em meio a humor, drama e romance, Rafaela e Daniel descobrem que, às vezes, a maior surpresa está no coração.

Capítulo 1 Banana Gate

Rafaela Pereira

A situação estava tão fora de controle que, se eu contasse, ninguém acreditaria. Mas ali estava eu, amarrada ao pé de bananeira como se minha vida dependesse disso. E, de certa forma, dependia. Era a última lembrança do meu pai, o último vestígio do que ele plantou com tanto carinho naquele terreno. Só que, na minha cidade, nada passa despercebido, principalmente quando se trata de mim.

Eu conseguia ouvir de longe os cochichos das vizinhas, que se aglomeravam no portão para assistir ao espetáculo. A protagonista, claro, era eu. E, claro, quem liderava a turma de comentaristas era Dona Dulceneia, a rainha das fofocas. Ela gritava de longe:

- Ela tá louca! Não falei? Louca por bananas! Eu disse, eu sabia!

Respirei fundo e me virei para encarar Daniel Correia, que me olhava com uma mistura de espanto e exasperação. Ele era o dono da fábrica que ia se instalar ali, no mesmo lugar onde meu pai tinha plantado a bananeira. Por que justo aqui, meu Deus? Entre tantos terrenos no Ceará, ele tinha que escolher esse? O Daniel, com aquele jeito certinho, de quem está acostumado a resolver tudo com uma conversa civilizada, estava claramente no seu limite.

- Você precisa desamarrar isso agora. Não faz sentido... - ele começou, com aquele tom de quem está tentando ser razoável.

- Não faz sentido pra você, né? - interrompi, com a voz um pouco mais alta do que o necessário. - Pra mim, isso aqui é o que me resta do meu pai. Ele plantou essa bananeira com as próprias mãos! E vocês querem derrubar como se fosse uma coisa qualquer!

Ele passou a mão pelos cabelos, impaciente, enquanto as vizinhas se agitavam. De repente, ouvi Dulceneia gritando novamente:

- Acho que ela vai morder ele! Cuidado, moço! Essa menina é perigosa!

Daniel bufou e me encarou.

- Olha... Entendo que isso tem um valor sentimental pra você, porém, a fábrica vai trazer empregos pra cidade. Você precisa ver o lado bom da coisa.

- Empregos? Empregos!? E o emprego do meu pai, de plantar aqui, cadê? Já pensou nisso? - Eu estava me sentindo um pouco dramática, mas quem não estaria? Ele queria destruir uma parte do meu passado!

- Seu pai... Ele não está mais aqui, pelo que soube. - disse Daniel, com um tom mais brando, tentando puxar o lado racional da conversa.

Meu coração apertou, contudo, eu não ia ceder tão fácil.

- Pois é, mas a bananeira está. E eu estou aqui, lutando por ela. Então, se quer destruir essa bananeira, vai ter que passar por cima de mim.

Foi aí que percebi o tamanho do circo que estava se formando. A multidão na rua triplicara, e, com isso, aumentavam os comentários. De repente, ouvi uma voz do outro lado:

- Ô Rafaela, se tu tá precisando de banana, tem lá em casa, mulher! - gritou Dona Jacira, a verdureira da praça.

Olhei feio na direção dela, sem acreditar que essa era a preocupação da galera. Já Daniel, que claramente estava mais constrangido com a situação do que eu, tentou novamente:

- Vamos resolver isso de forma pacífica. Posso ver se a gente consegue replantar a bananeira em outro lugar. Que tal?

Olhei pra ele, incrédula. Replantar? Ele não tinha ideia do que estava falando.

- Ah, claro! Como se fosse tão fácil. Vou só desenterrar as raízes do meu passado e colocá-las em outro canto, não é? - retruquei, o sarcasmo escorrendo pela minha voz.

Ele suspirou, claramente cansado.

- Isso está ficando ridículo.

- Ridículo é você achar que vou deixar destruir a única coisa que resta do meu pai sem lutar!

A coisa estava ficando tensa, mas antes que ele pudesse responder, Dona Dulceneia, que tinha se aproximado, soltou:

- Eu disse! Louca por bananas, só pode! Isso é o que dá ficar tanto tempo sozinha, sem homem na vida!

Ah, mas essa foi a gota d'água. Eu me virei na direção dela e gritei:

- Dona Dulceneia, a senhora não tem nada melhor pra fazer não? Tipo, cuidar da sua vida?

Ela se afastou com uma expressão ofendida, enquanto algumas risadinhas ecoavam pela rua. Daniel aproveitou o momento de distração para tentar uma abordagem mais calma. Ele se agachou na minha frente, quase à altura dos meus olhos, e disse num tom mais suave:

- Rafaela, eu entendo o quanto isso é importante pra você. Mas, de verdade, será que não existe outra maneira de resolver isso sem você ter que... bem, se amarrar a uma árvore?

- Uma árvore não! - eu corrigi, irritada. - Uma bananeira!

Ele levantou as mãos em rendição.

- Certo, uma bananeira. Mas não precisa ser desse jeito, precisa?

Olhei para ele, e por um segundo, achei que ele realmente entendia. Ele tinha uns olhos que quase me faziam esquecer do motivo pelo qual eu estava ali. Quase. Mas eu me segurei.

- Você não sabe o que é perder alguém e só ter uma planta como lembrança - eu disse, mais calma, o que pareceu pegar ele de surpresa.

Daniel ficou em silêncio por um instante. Ele abriu a boca para dizer algo, no entanto, foi interrompido por uma sirene. O que agora? A polícia?

Eram os bombeiros! Claro que alguém chamou os bombeiros. Era só o que faltava.

- Rafaela, saí daí, mulher! - gritou o sargento Roberto, que já me conhecia das outras confusões em que eu me metia.

Revirei os olhos, mas não soltei a corda.

- Não saio! Vocês vão ter que me carregar daqui!

Daniel levantou, impaciente, e foi até o sargento, tentando explicar a situação. Eles conversavam à distância, e eu só conseguia pensar no que o meu pai faria se estivesse vivo. Será que ele aprovaria o meu protesto?

De repente, senti uma mão no meu ombro. Era Daniel.

- Olha, Rafaela, eu realmente não queria chegar a esse ponto, mas a obra vai começar. Se você não sair, vai acabar se machucando.

Ele parecia sincero, e eu me senti dividida entre o orgulho e o medo de que ele estivesse certo. Olhei para a bananeira, para as vizinhas, para os bombeiros, e finalmente para ele. E então suspirei, derrotada.

- Tá bom. Eu saio. - eu disse, com a voz baixa, enquanto começava a desamarrar as cordas.

A multidão soltou um "ahhh" coletivo, decepcionada com o fim do show, e eu, derrotada, deixei a cena. Mas, antes de ir, lancei um último olhar para Daniel e disse:

- Isso não acabou, Correia. Eu vou pensar em outra forma de salvar essa bananeira.

Ele sorriu de canto, como quem já esperava por isso.

- Eu não duvido.

Aquele era o começo da minha luta que poderia parecer loucura, mas que, para mim, tinha todo o sentido do mundo.

Capítulo 2 O Papagaio Fofoqueiro

Eu estava na sala, quase arrancando os cabelos, quando ouvi a voz de Dona Dulceneia vinda da cozinha.

- Menina, você viu o escândalo de ontem?

Olhei em volta, mas, claro, Dona Dulceneia não estava em lugar nenhum. A voz, irritante e esganiçada, vinha do Zezinho, meu papagaio. A desgraça do bicho estava repetindo as fofocas da velha!

- Você viu que a Zuleica tá grávida do irmão do padeiro? - Zezinho continuou, balançando as asas como se estivesse se divertindo com aquilo.

- Zezinho, eu juro que vou te depenar se você continuar com essas fofocas! - cruzei os braços e fui até a gaiola, encarando o papagaio como se ele fosse entender. - Eu já aguento a Dona Dulceneia espalhando essas besteiras pela cidade toda. Agora você vem pra dentro de casa me atormentar com isso?

Ele inclinou a cabeça para o lado, meio que debochado, como se estivesse me desafiando.

- Mas é verdade, viu? - ele insistiu, sacudindo as penas. - Eu ouvi ela dizer!

Dei uma risada nervosa. Aquilo era uma loucura. Eu estava, literalmente, discutindo com um papagaio fofoqueiro.

- Você ouviu, né? Você e o resto da cidade! - respirei fundo, tentando manter a paciência. - E eu aqui, me preocupando com uma bananeira!

- Bananeira, bananeira, bananeira... - Zezinho começou a repetir, e eu só não quebrei o vaso na mesa porque me controlei.

Foi nessa hora que a porta se abriu e Natália apareceu, com aquele jeito descontraído de sempre, segurando uma sacola de laranja.

- Eita, mas tá tendo discussão acalorada por aqui! - ela riu, se aproximando da gaiola de Zezinho. - Esse papagaio aí tá cada vez mais afiado, hein?

- Nem me fala, Nati. - passei a mão pelo rosto, exausta. - Ele tá repetindo tudo o que ouve da Dona Dulceneia. Aí, fica jogando essas fofocas na minha cabeça o dia todo.

Natália largou as laranjas em cima da mesa e se encostou no batente da porta, me encarando com aquela cara de quem ia soltar uma verdade que eu provavelmente não estava preparada para ouvir.

- Amiga, me diz uma coisa. Não tá na hora de parar de se preocupar com essa bananeira, não?

Suspirei, já sabendo onde aquilo ia dar.

- Natália, a gente já falou sobre isso. Aquela bananeira tem história. Meu pai plantou, lembra?

Ela ergueu uma sobrancelha, já armando seu argumento.

- Lembro. E também lembro que você tá gastando suas férias se estressando com essa confusão. - ela cruzou os braços. - Rafa, você tem noção que tem uma praia linda a cinco quilômetros daqui e você tá aqui, brigando com um papagaio e defendendo uma bananeira?

- Não é só uma bananeira! - apontei para fora da janela, onde o tal pé de bananeira brilhava ao sol como se fosse um monumento histórico. - Aquela árvore é o que sobrou da memória do meu pai! Não vou deixar ninguém cortar!

Natália revirou os olhos.

- Rafa, olha só. Entendo a importância sentimental. Mas você tá deixando de viver! Essas férias eram pra ser teu momento de relaxar, curtir, sair desse stress todo. Entretanto, você tá aí, emburrada, brigando com o Daniel da fábrica, brigando com o Zezinho... - ela apontou pro papagaio, que, nesse momento, estava alheio a tudo, roendo um pedaço de madeira.

- Não tô emburrada! - cruzei os braços, me defendendo. - Só acho que eles podiam deixar a bananeira lá. Qual o problema, hein? Tem tanto espaço naquele terreno!

- Amiga, eles vão construir uma fábrica! Não dá para ficar desviando de árvore, ainda mais de uma só porque você tem apego emocional. - ela fez uma pausa, me encarando com um olhar mais suave. - Entendo sua dor. Sei que é uma ligação com teu pai, mas... ele ia querer te ver feliz, não te desgastando por causa de uma árvore.

Fiquei quieta por um segundo, tentando absorver o que ela estava dizendo. A verdade é que eu sabia que ela tinha razão, porém... era complicado demais deixar pra lá.

- É fácil falar. - me virei de costas, encarando a janela e a tal bananeira de novo. - Eu só... sinto que, se eu deixar eles cortarem, é como se eu estivesse abandonando o que restou do meu pai. E se eu não fizer isso, quem vai fazer?

- Você não tá abandonando nada, Rafa. - Natália se aproximou e colocou a mão no meu ombro. - O que teu pai deixou pra você não tá só naquela árvore. Tá nas suas lembranças, no que ele te ensinou. Essa bananeira não define isso.

Suspirei. O peso nas minhas costas parecia dobrar a cada segundo daquela conversa. Eu não queria admitir que ela estava certa, mas, ao mesmo tempo, parte de mim sabia que insistir nessa briga estava me desgastando.

- Talvez eu esteja sendo teimosa. - murmurei, ainda encarando a janela.

- Só um pouquinho. - ela sorriu, apertando de leve meu ombro. - Sua teimosia também é uma herança de família, né?

Dei uma risada curta, meio sem graça.

- Meu pai era o mais teimoso de todos. E olha onde eu fui parar.

- Defendendo uma árvore e discutindo com um papagaio. - Natália riu alto. - Você é única, amiga.

Zezinho, como se tivesse percebido que estava sendo parte da piada, soltou mais uma das suas pérolas:

- Teimosa! Teimosa!

Revirei os olhos, me sentindo derrotada pelo papagaio.

- É isso, agora até o Zezinho tá contra mim.

- Zezinho tá é certo. - Natália balançou a cabeça. - Amiga, relaxa. Aproveita suas férias. Vai dar um tempo dessa confusão com o Correia. Sabe o que você devia fazer?

- O quê?

- Ir até a praia, pegar um sol e, quem sabe, dar uma chance pro dono da fábrica. - ela deu uma piscadinha sugestiva.

Revirei os olhos, no entanto, dessa vez foi mais em diversão do que irritação.

- Ah, não começa com isso também.

- Só tô dizendo. Vai que...

Antes que eu pudesse responder, Zezinho resolveu encerrar a conversa de uma forma muito característica dele:

- Vai que... vai que... - repetiu, balançando a cabeça de um lado pro outro.

Natália caiu na gargalhada, e eu acabei rindo junto, porém, desistir estava fora de questão.

Capítulo 3 Academia do Amor

Acordei naquela quarta-feira com uma missão clara: conquistar o Rodrigo. E qual seria a melhor maneira de fazer isso? Ir para a academia, claro. Não importa que minha única atividade física nos últimos meses tenha sido desviar das fofocas da Dona Dulceneia ou carregar o Zezinho até o veterinário, o importante era fazer uma aparição triunfal na academia do Rodrigo.

Entrei pela porta da academia tentando manter a pose. Estava decidida a me mostrar como alguém que levava a saúde a sério, uma verdadeira fitness girl. Claro, isso ficou um pouco comprometido quando tropecei logo na entrada.

- Tá tudo bem? - perguntou uma moça que, pelo jeito, trabalhava lá.

- Tudo sim! Só estava... testando o reflexo do piso - respondi, tentando disfarçar o fiasco.

Ela não pareceu muito convencida, contudo, me entregou uma ficha para preencher. Enquanto escrevia meu nome e mentia sobre minha rotina de exercícios, meus olhos vasculhavam o local em busca de Rodrigo. E lá estava ele: perfeito como sempre, dando instruções a um cara que parecia ter saído de um filme de ação. Suspirei. Ele nem me notou. É claro.

Após entregar a ficha, fui direto para os aparelhos, fingindo que sabia o que estava fazendo. O primeiro que eu tentei parecia simples. Uma daquelas esteiras modernas. Sabe quando parece que você só vai andar no lugar e que não tem segredo? Pois bem, tinha.

Subi na esteira, apertei uns botões aleatórios e, de repente, ela começou a andar. No início, tudo sob controle. Eu estava me sentindo poderosa, o cabelo balançando com o ventilador da sala, quase uma cena de comercial de shampoo. Porém, a esteira aumentou a velocidade de repente.

- Eita! - gritei, tentando acompanhar.

Minhas pernas mal conseguiam acompanhar o ritmo. Quando percebi, já estava correndo como se estivesse fugindo de um enxame de abelhas. Tentei apertar os botões para diminuir a velocidade, mas nada parecia funcionar. Era como se a máquina tivesse vida própria e quisesse me desafiar.

Rodrigo, que estava de costas para mim, não fazia ideia do caos que se desenrolava. Eu, claro, estava a um passo de ser arremessada da esteira. Por sorte (ou azar), um instrutor se aproximou e, com um simples apertar de botão, resolveu o problema.

- Não é melhor começar devagar? - ele sugeriu, com um sorriso contido, segurando provavelmente o riso para não me humilhar ainda mais.

- Devagar é para os fracos. - eu menti, tentando recuperar o fôlego.

Saí da esteira me sentindo uma vencedora, mas mal conseguindo respirar. Achei que precisava de algo mais tranquilo. Vi uma máquina com uma espécie de barra na frente, e me aproximei. O pessoal puxava a barra para baixo com uma facilidade incrível, então resolvi tentar.

- Só puxar, né? Fácil demais. - murmurei para mim mesma.

Sentei no banco e puxei a barra. Quer dizer, tentei. Ela não se mexeu. Coloquei toda a minha força, e ela continuou ali, firme. Comecei a suar, entretanto, nada da barra descer.

- Precisa ajustar o peso primeiro. - uma voz grave disse atrás de mim.

Olhei para cima e lá estava ele, Rodrigo, me observando com aquele sorriso que fazia meu coração dar piruetas. Tentei parecer casual.

- Eu estava só... aquecendo. Gosto de sentir a tensão nos músculos, sabe?

Ele riu.

- Claro, Rafaela. Mas se precisar de ajuda, é só chamar.

Acenei com a cabeça, tentando disfarçar o rubor que subiu pelo meu rosto. Quando ele se afastou, fiz um juramento: jamais voltaria para aquela máquina. Na verdade, estava prestes a fugir da academia, mas aí me lembrei do motivo nobre que me trouxe até ali. E também do quanto já tinha pagado pela mensalidade.

Resolvi encerrar o treino com uma caminhada rápida. Só que ao sair, ainda sem fôlego, com o rosto vermelho e toda desajeitada, dei de cara com Daniel. Ele estava parado na frente da minha casa, com aquele olhar de quem quer ganhar uma discussão.

- O que você está fazendo aqui? - perguntei, já antecipando o motivo.

- Vim te ver, Rafaela. Precisamos conversar sobre a bananeira. - ele disse, com aquela calma irritante.

Revirei os olhos. Conversar? Ele queria era me obrigar a aceitar sua vontade, isso sim!

- Já te disse, Daniel. Não vou abrir mão da árvore. Meu pai plantou antes de morrer. É como se fosse parte da minha história, entende?

- Eu entendo, mas você também precisa entender que uma fábrica vai trazer empregos para a cidade. Isso vai beneficiar todo mundo.

- Todo mundo, menos a bananeira. - retruquei, cruzando os braços.

Daniel soltou um suspiro, esfregando a testa como se eu fosse a pessoa mais teimosa que ele já conheceu.

- Eu não quero ser o vilão dessa história, Rafaela. Mas precisa haver uma solução. Talvez possamos transplantar a árvore para outro lugar?

- Transplantar?! - quase gritei. - Você acha que a bananeira é um vaso de planta que dá para carregar de um lado para o outro? Além do mais, não é só a árvore. É o terreno, a memória... e você não entende isso, Daniel, porque nunca perdeu alguém importante.

Ele ficou em silêncio, me olhando de um jeito diferente. Por um segundo, achei que ele fosse desistir. Mas claro, Daniel era tão teimoso quanto eu.

- Está bem. - ele disse, depois de um longo suspiro. - Ainda assim, vou insistir. E vou achar uma solução que seja boa para você e para a fábrica.

- Boa sorte com isso! - respondi, sarcástica.

Ele deu um sorriso torto antes de se afastar.

- Você é mais teimosa do que imaginei.

- E você ainda não viu nada! - gritei para ele, me sentindo vencedora mais uma vez. Eu não sabia até onde aquele empresario insistiria em derrubar minha amada bananeira, porém, faria até o impossível para que ele desistisse dessa ideia.

Entrei em casa bufando. Que cara insistente! Porém, uma parte de mim não conseguia parar de pensar na maneira como ele olhou para mim, aquele brilho estranho nos olhos. Dei de ombros, ignorando esses pensamentos. Afinal, o importante era que eu havia sobrevivido à academia. E quem sabe, da próxima vez, eu teria finalmente a chance de impressionar o Rodrigo. Ou, pelo menos, não ser arremessada da esteira.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022