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Dei O Troco Com Meu Sogro Perverso

Dei O Troco Com Meu Sogro Perverso

Autor:: Lidiane Trindade
Gênero: Bilionários
Elizian sempre acreditou no amor e sonhava em viver sua própria história romântica. Mas tudo desmorona quando ela flagra a pior das traições: seu noivo e sua melhor amiga, juntos, em sua própria cama. Ferida e cansada de ser humilhada, ela decide que não será mais a mocinha indefesa-e sua vingança será implacável. Para isso, escolhe alguém que ninguém jamais imaginaria: Marcelo, o homem que deveria ser apenas seu sogro.

Capítulo 1 Malditos Sejam

Elizian

Finalmente, consegui a promoção que tanto queria. Mal via a hora de contar a novidade para Fred, meu noivo. Mas, como sei que ele não gosta de surpresas, resolvi enviar uma mensagem avisando que estava indo até sua casa.

No caminho, parei na cafeteria de sempre para pegar meu café. Enquanto aguardava o pedido, olhei para o celular na esperança de uma resposta. Nada. Apenas o silêncio preenchendo o espaço onde deveriam estar suas palavras.

Algo dentro de mim sussurrava que havia algo errado. Uma sensação inquietante, um pressentimento incômodo. Algo estava prestes a acontecer-e eu sabia que não iria gostar.

- Elizian? - A voz familiar soou atrás de mim, e quando me virei, lá estava Bianca. O que me pegou de surpresa não foi vê-la depois de tanto tempo, mas sim sua barriga arredondada. Estranhei. A última vez que a vi, ela namorava com sua melhor amiga. - Quanto tempo!

- Eu que o diga! Como você está? E... você está grávida...

- Sim. Me casei com Collen.

Aquilo me pegou de surpresa. Ela o odiava. Os dois viviam brigando por qualquer coisa.

- É, eu sei o que você está pensando. Está com pressa?

- Na verdade, sim. Mas estou livre à noite. Podemos sair e relembrar os velhos tempos, se você não se importar.

- Claro! Estou muito feliz em te ver novamente. Anota meu número e me manda seu endereço. Peço para o Collen me levar.

Trocamos números e nos despedimos. Bianca e eu éramos vizinhas e amigas, mas a vida adulta nos distanciou. Depois de tantos anos, encontrar um rosto familiar me trouxe um breve conforto.

Mas essa sensação durou pouco.

Parada em frente à porta do apartamento de Fred, liguei para ele. Nenhuma resposta.

Peguei a chave reserva que ele esqueceu na minha casa e entrei. Assim que pisei na sala, algo estava... estranho. A bolsa verde jogada na poltrona não era minha. O blazer ridículo no sofá tampouco. Meu coração disparou. Eu sabia exatamente de quem eram aquelas coisas.

Minha respiração ficou irregular, e minhas mãos suavam frio. Tirei os saltos para não fazer barulho e segui para o quarto, cada passo aumentando a pressão no meu peito. A porta da suíte estava entreaberta, e foi o suficiente para que eu ouvisse os murmúrios vindos lá de dentro.

- Ah, Fred... Não para, não para... Estou quase...

A voz inconfundível de Bruna fez meu sangue ferver.

- Aposto que a Eliz não faz nada disso com você.

- Elizian é só diversão e status. Eu gosto mesmo é de você. Adoro sua perversidade.

O mundo pareceu parar. Meu corpo ficou rígido. O ódio tomou conta de mim.

Empurrei a porta com força.

A cena me atingiu como um soco no estômago: Fred estava com a cabeça entre as pernas de Bruna, completamente entregue.

- Que porra é essa?! - Minha voz saiu alta, carregada de incredulidade e raiva.

Os dois se viraram em choque.

- Elizian... - Bruna balbuciou, os cabelos desgrenhados e sua lace barata mal ajustada. - Não é o que você está pensando!

Dei uma risada amarga.

- Ah, não? E o que seria, então? Uma nova técnica de fisioterapia?

Fred se levantou, tentando se recompor.

- Amor, eu posso explicar...

- Você tem noção do quão ridículo isso soa? - Cruzei os braços, lutando para manter minha postura firme. - Bruna, você sempre quis tudo o que era meu. Agora conseguiu. Parabéns. Só me surpreende o pau do Fred estar funcionando.

- Talvez o problema fosse você.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma atrocidade, minha mão agiu antes da razão. O tapa estalou alto no rosto dela, fazendo-a cambalear para trás.

- Sabemos que eu não sou o problema. Mas, já que adora pegar o que é dos outros, espero que guarde bem essa lição e não desperdice suas caixas vazias.

Fred tentou intervir:

- Amor, por favor, me escuta...

- Olha bem para a minha cara e me diz se eu pareço alguém que aceita traição.

Arranquei o anel de noivado do dedo e o ergui diante dele.

- Eu deveria jogar essa merda na sua cara, mas como sei que você nunca me pagaria pelo tempo desperdiçado, considere isso seu último presente. Reze para que tenha algum valor, porque, se não tiver, eu mesma vou garantir que sua reputação valha menos ainda.

Saí dali antes que minha raiva me fizesse fazer algo pior. Meu corpo parecia pesar toneladas, como se estivesse arrastando correntes presas aos pés.

Cheguei em casa e, sem hesitar, recolhi tudo o que era de Fred e joguei no lixo.

O dia passou rápido, mas a ficha ainda não tinha caído. Eu fui traída. E, ainda assim, não chorei. Não senti remorso. Nada.

Então... eu realmente amava Fred? Ou apenas estava carente e me agarrei à ideia de um casamento?

Pensei em tudo o que ele era: mal-humorado, distorcido, sem escrúpulos, mentiroso e o pior de tudo, ele era do tipo que faria qualquer coisa para se dar bem. Eu não sei onde estava com a cabeça quando me meti nisso, talvez a falta de uma amizade nos faça falta de vez em quando.

A batida na porta me tirou do transe, era Bianca com sua barriga enorme e uma cesta em mãos.

- Olá... - Droga! Ela realmente veio e eu esqueci de avisar que não estava em um bom dia, mas já foi... - Desculpa, eu vim em uma má hora? Posso voltar depois se você quiser.

- Não, está tudo bem. Entra, por favor.

Ela ainda mantinha a mesma essência que sempre teve. Bianca era a pessoa mais atenciosa e meiga que eu já conheci e parece que não mudou muita coisa.

- Então, posso saber o que está te deixando assim? - Ela apontou para a garrafa de vinho vazia que estava no chão, juntamente com um copo de whisky.

- Hoje descobri que fui traída. Eu... eu fui tão idiota por acreditar naquilo e... eu acho que estava desesperada por alguém.

- Ei, você é a pessoa mais corajosa que eu conheço e não é nenhum pouco idiota. Todo mundo comete erros, mas olhe pelo lado bom, você descobriu antes de casar, o que torna a situação um pouco menos pior.

Ela tinha razão, mas eu não estava pensando nisso exatamente, mas em como minha vida é solitária e eu não sei como mudar isso.

- Me desculpa por isso, eu deveria ter recebido você melhor. Eu não tive tempo para pensar em nada ainda.

Minha casa estava uma completa bagunça, mudei de apartamento há dois dias e ainda não tive tempo para arrumar as coisas.

- Elizian... a gente se conhece a tempo suficiente para entender as dores uma da outra e eu sei do que você precisa, se ainda servir, é claro. - Quando as coisas estavam difíceis, era Bianca quem me acalentava, quando perdi meus pais, foi ela quem me acalmou e que fez tudo parecer mais leve, confesso que senti falta durante esses anos. E foi ela quem me acalentou mais uma vez.

- Ela era minha melhor amiga, eu fui idiota em confiar tanto nela. Eu deveria ter desconfiado, como disse.

- Eliz, a gente não conhece o caráter de ninguém, mas nem por isso temos que nos privar de viver e conhecer pessoas. Por exemplo, eu estou muito feliz em te ver novamente e acredite, melhorou meu dia.

Capítulo 2 Saidinha

Marcelo

O relógio na parede marcava oito da noite, mas minha cabeça ainda estava enterrada em pilhas de documentos. O escritório estava em silêncio, exceto pelo barulho do gelo batendo no copo de uísque que eu segurava. Tentando me esquentar da onda que estava prestes a me atingir em cheio e me arrastar para o fundo.

As últimas semanas foram um inferno. A empresa estava à beira de um colapso financeiro, e as negociações para um novo contrato estavam emperradas. Eu sabia que precisava agir rápido ou perderia tudo pelo que trabalhei nos últimos vinte anos. Mas, não sei por onde devo começar, nunca cheguei a esse ponto e tudo isso está acontecendo por causa de uma mulher. Sempre uma mulher.

Suspirei, massageando as têmporas.

- Senhor Marcelo? - A voz do meu assistente ecoou pela sala e pelo seu tom, não era nada que eu gostaria de ouvir, o que ele tinha a dizer.

- O que foi agora? - Perguntei impaciente, pois o motivo era o de sempre: Fred.

- Seu filho, senhor. Ele ligou algumas vezes. Ele se recusa a parar de ligar, mesmo eu dizendo que o senhor está ocupado agora.

Como eu disse. Fred age como se ainda fosse um adolescente, e eu queria muito saber onde foi que eu errei.

Fechei os olhos e tentei conter minha frustração.

- Se for sobre dinheiro, diga que não tenho. Eu não suporto mais ter que manter o vícios dele, lamento por ele já ser um homem adulto.

- Ele disse que era importante, senhor.

Bufei, pegando o celular. Minutos depois, eu já me arrependia de ter atendido.

- Pai, eu fiz merda. - Sua voz trêmula soou como se fosse uma novidade, mas não era. Se ele fosse dizer algo bom, aí sim eu teria me assustado.

- Me diga algo que eu não sei, Fred.

- Elizian me largou por um motivo idiota.

Fiquei em silêncio por um momento, como isso é da minha conta? Porém, tem que ter sido muito idiota para ser o motivo de um término.

- E o que eu tenho a ver com isso? Estou no meio de problemas, tentando resolver minha vida financeira e você me vem com seus problemas? Achei que já fosse adulto o suficiente para lidar com seus próprios problemas, Fred.

- Pai... você não entende. Ela pode acabar com minha reputação.

Ri baixo, sem humor. Porque eu não conheço nenhuma reputação citada acima.

- Você traiu a garota e agora está preocupado com sua reputação? Eu não te reconheço, de verdade.

- Pai, você não entende. Ela pode... sei lá, contar para a imprensa, para clientes importantes...

- Acha que alguém se importa com a sua vidinha patética? Se Elizian for esperta, ela já percebeu que perdeu tempo demais com você. Aliás, eu não sei como você conseguiu manter a fachada por tanto tempo. Ela é tão ingênua assim? Ou você que tava se afundando por conta própria.

Pensei que não poderia sair mais nada da sua boca, mas ele não se importou em continuar com sua "reputação" em jogo.

- Ainda bem que não casamos. Não iria suportar ter que ser fiel a ela, e depois, a separação iria me custar muitas coisas.

- Fred, eu só me importo com o que me interessa, se isso acontecesse, eu iria ficar ao lado de sua mulher, não do seu. Eu não tenho dinheiro para emprestar e não quero saber da sua vida.

Fred gaguejou do outro lado da linha, mas eu já estava cansado de ouvir seus problemas sem fundamento algum. O criei para ser o herdeiro de tudo que tenho, mas mudei de ideia quando ele se tornou independente. Sua escolhas sempre foram as coisas mais sem noção, mulher, dinheiro e curtição, mas ainda com meu dinheiro.

- Se quiser resolver seus problemas, faça isso sozinho. Eu tenho negócios para cuidar e você deveria fazer o mesmo. Afinal, dinheiro não cai do céu e sua nova querida, deve gostar de money.

- Pai... eu queria falar sobre outra coisa também. Eu não tenho mais dinheiro. Não tenho como manter o apartamento. O plano era morar com Elizian depois do casamento e agora eu não tenho para onde ir.

- Como não tem? Você traiu sua noiva com uma desconhecida. Se ela teve a capacidade de transar com você, acredito que não vai lhe negar alguns dias até você tomar vergonha na cara e ir atrás de um emprego.

Desliguei antes que ele continuasse a lamentação. Joguei o celular sobre a mesa e esfreguei o rosto.

A empresa, os contratos, os investidores. Agora meu filho me metendo em mais um de seus dramas. Eu só queria um respiro.

Elizian

A visita de Bianca me pegou desprevenida e vulnerável, mas tive certeza em meio a todo esse caos, que eu ainda tenho pessoas que gostam de mim.

Depois do desastre com Fred, tudo que eu queria era focar no trabalho e esquecer aquela fase patética da minha vida. Mas parece que o destino tinha outros planos.

- Elizian, venha cá um instante. - Seu tom autoritário não causava medo, ele soava muito educado pra isso.

Levantei os olhos do computador e encarei meu chefe. Ele tinha um sorriso educado no rosto.

- Sim, senhor Moretti?

- Hoje à noite teremos um jantar com alguns investidores importantes. Gostaria que você nos acompanhasse. Será uma boa oportunidade para networking. É um momento de lazer, não somente de negócios vivem os homens.

Um jantar? Eu não estava com cabeça para isso. Mas dizer não a Moretti seria burrice.

- Claro, será um prazer. - Forcei um sorriso e continue mantendo a pose.

- Ótimo. Nos encontramos no restaurante às oito. Vista-se bem.

Assenti, mesmo sem vontade.

Ao sair do trabalho, corri para casa. Minha mente ainda girava com o que aconteceu com Fred, mas eu me recusei a deixar que aquilo afetasse minha vida profissional.

Fui até meu guarda-roupa e meus olhos pousaram em um vestido que eu não usava há tempos: um longo vestido verde-esmeralda, justo na medida certa, com um decote discreto e uma fenda elegante na perna direita. Ele abraçava minhas curvas sem parecer vulgar, transmitindo exatamente o que eu queria: confiança e poder.

Ao me olhar no espelho, algo dentro de mim mudou. Eu não era mais a mulher traída e humilhada. Eu era Elizian Vasconcellos. E ninguém me colocaria para baixo.

Passei um batom vermelho fechado e soltei os cabelos, deixando as ondas caírem pelos ombros. Peguei uma clutch dourada e finalizei com um salto nude.

Estava pronta.

O restaurante era um dos mais sofisticados da cidade. Luzes baixas, mesas bem postas e uma clientela que exalava riqueza e influência.

- Elizian, que bom que veio. - Moretti sorriu ao me ver.

- Não perderia essa oportunidade. - Respondi, mantendo o tom profissional.

O jantar já havia começado quando me sentei à mesa. Havia vários empresários e investidores, mas um, em especial, me chamou a atenção.

Marcelo Ferraz.

Eu já o tinha visto antes em fotos e eventos, mas nunca tão de perto. Ele exalava poder. Os cabelos levemente grisalhos, o terno impecável, o olhar afiado. Um homem que sabia exatamente o que queria-e como conseguir.

Ele me analisou por um breve momento antes de me estender a mão.

- Marcelo Ferraz, muito prazer.

- Elizian Vasconcellos, igualmente.

Seu aperto de mão era firme. Seus olhos, atentos. E eu? Eu estava me sentindo mole e leve, assim do nada...

- Então, você é a famosa Elizian!

Famosa? Qual será a merda que eu fiz para que esse homem saiba quem eu sou? Espero de verdade que não seja nada de ruim.

Arqueei uma sobrancelha.

- Não sei se famosa é a palavra certa, mas é um prazer conhecê-lo também. - Ele sorriu de canto. E eu não soube o que fazer naquele momento.

- Já ouvi falar muito de você.

- Espero que tenha sido coisas boas, porque não é difícil que tenha ouvido coisas banais sobre mim. Afinal, cada um tem sua opinião.

Moretti interveio antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, e logo todos estávamos imersos em conversas sobre negócios. Mas, a cada troca de olhares, eu sentia que Marcelo me estudava.

E eu não sabia se gostava ou se deveria me preocupar com isso.

- Está acompanhada ou eu posso convidá-la para tomar uma taça de champanhe comigo? Parece que todos estão bem interessados na conversa sobre negócios, mas você não. Você parece interessada em algum assunto que está querendo conversar há muito tempo. Então, a senhorita aceita fugir comigo pata nos embebedarmos.

- Eu adoraria, mas esse não é o lugar adequado, senhor Ferraz.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele levantou e me estendeu a mão, convidando-me a sair da meda junto a ele. Moretti estava focado demais com os outros magnatas, nem sequer percebeu minha saída junto a Marcelo.

Capítulo 3 Diálogo Carnal

Elizian

A mão de Marcelo Ferraz estava estendida para mim, convidando-me a sair da mesa. Seus olhos mantinham um brilho intrigante, como se ele estivesse me desafiando a acompanhá-lo. Olhei rapidamente para Moretti e os outros empresários à mesa. Todos estavam tão imersos nas negociações que não perceberam nossa troca silenciosa. Moretti estava interessado demais nos assuntos da empresa, para prestar atenção em mim.

- Então? - Marcelo arqueou uma sobrancelha, um meio sorriso brincando nos lábios. - Vamos nos embebedar juntos ou vai me deixar falando sozinho?

Cruzei as pernas sob a mesa, hesitante. Eu não era do tipo que saía acompanhando homens desconhecidos por aí, muito menos em um jantar de negócios. Mas algo nele me instigava. Talvez fosse o olhar afiado, a postura confiante, ou o fato de que, por alguma razão, ele parecia saber mais sobre mim do que eu sobre ele. E depois de.muiyo tempo, eu estou sendo "paquerada" por um homem de verdade. Que nao falava coisa ridículas, é sensato e tem maturidade o suficiente (como se a descontrolada não fosse eu).

- Certo, mas só uma taça. - Cedi, pegando sua mão. - Talvez duas.

O toque foi breve, mas firme. Marcelo guiou-me pelo restaurante com a mesma autoridade que exalava ao falar. Passamos por garçons impecavelmente vestidos e casais conversando em tons baixos, até chegarmos a um bar sofisticado no outro extremo do salão.

- Duas taças de champanhe, por favor. - Ele pediu ao bartender, enquanto eu me acomodava em um dos bancos altos.

O ambiente ali era mais intimista. Luzes amareladas pendiam do teto, criando uma atmosfera aconchegante. A música ambiente era um jazz suave, preenchendo os espaços sem roubar a cena.

- Você parece alguém que não gosta de perder tempo com conversas triviais. - Ele observou, girando levemente a taça nas mãos antes de beber um gole. - Acho que eu finalmente encontrei uma pessoa com quem eu gostei de lidar.

Dei de ombros, segurando minha própria taça.

- Prefiro conversas diretas. Não tenho tempo para coisas enroladas. Eu já não sou mais tão nova para ficar tentando conquistar - disse eu, aos 24 anos.

Ele soltou um riso baixo, como se aquilo tivesse soado engraçado.

- Interessante. A maioria das pessoas nesse meio finge interesse em tudo. Você parece mais... realista.

Inclinei a cabeça, estudando-o.

- Você diz isso como se me conhecesse.

- Talvez eu conheça. - Ele sorriu, enigmático. - Você já ouviu falar que o mundo dos negócios é pequeno? Moretti é uma pessoa bastante fluente e ele sempre faz questão de elogiar seus parceiros. Elizan sempre está no meio.

Cruzei os braços.

- O que exatamente ouviu sobre mim, senhor Ferraz? Ou o que Moretti diz sobre mim, espero que tenh sido algo bom.

- Marcelo. - Ele corrigiu, pousando a taça no balcão. - E digamos que você esteve em algumas conversas ultimamente, sempre enaltecendo o trabalho da senhorita. Suas ideias sao geniais.

Meu coração deu um salto desconfortável. Será que ele sabia sobre Fred? Apertei os dedos ao redor da haste da taça, mantendo a expressão neutra.

- Conversas podem ser apenas rumores. Nem tudo o que dizem é verdade. Mas, digamos que tenha boas ideias, de fato.

Marcelo assentiu, como se estivesse esperando por essa resposta.

- Verdade. Mas algumas coisas são bem fáceis de comprovar.

Seu olhar prendeu-se ao meu por um instante longo demais. Ele sabia de algo, mas não entregava o jogo tão fácil. Respirei fundo e decidi mudar o rumo da conversa.

- E você, Marcelo? O que um empresário do seu nível está fazendo me convidando para uma taça de champanhe quando poderia estar discutindo contratos milionários com Moretti e os outros?

Ele sorriu, divertido.

- Talvez eu tenha achado a conversa deles entediante. Ou talvez tenha encontrado algo mais interessante para observar. Eu já vivo em um mundo superficial. Gosto de aproveitar quando conheço alguém interessante.

- Você é bom com palavras. - Observação que saiu antes que eu pudesse evitar. - Isso é bem raro hoje em dia. Gostei de você.

- E você é boa em evitar respostas diretas.

Ergui a taça e bebi um gole, sem desviar os olhos dos dele. Embora ainda me queimasse como brasas que eu estava prestes a pisar.

- Digamos que ambos temos nossas habilidades. Talvez seja isso que no atraiu...

Ele soltou um riso baixo e ergueu a taça em um brinde silencioso. Por algum motivo, a tensão entre nós não era desconfortável. Pelo contrário, era eletrizante. E o mais intrigante? Eu não sabia exatamente o porqu, mas uma coisa era certa: Marcelo Ferraz não era um homem comum. E algo me dizia que essa não seria nossa última conversa.

A noite deslizou como um bom vinho - e, de fato, foram várias taças dele que nos acompanharam depois que saímos do restaurante. Marcelo me levou até um bar de hotel elegante, onde o som era suave, as luzes baixas e o mundo parecia estar do lado de fora.

Conversamos como se nos conhecêssemos há anos. Ele falava pouco de si, mas quando falava, era com precisão. Cada palavra parecia ter sido escolhida a dedo. Eu, por outro lado, senti que minhas defesas estavam baixas. Talvez fosse o vinho, talvez fosse ele. Ou talvez fosse eu, cansada de ser sempre controlada.

- Você tem um olhar que diz mais do que suas palavras, Elizian - ele comentou, inclinando-se um pouco mais perto. - E eu confesso que gostaria de conhecer mais do que apenas palavras.

- E o que ele diz?

- Que está cansada de se esconder atrás de respostas certas e escolhas seguras. Que precisa de um tempo para si mesma.

- E o que o senh... você sugere para que possamos passar um tempo?

- Meu carro esta estacionado na garagem do prédio, eu moro sozinho e eu juro que a levaria para casa quando quisesse. Talvez precise ouvir músicas do seu gosto pessoal, isso sempre ajuda. - E foi ali, naquele momento, que eu soube. Eu não queria segurança. Queria risco. Queria me sentir viva de novo. Mas, sabe o que de verdade me ajudaria? Ele nu, completamente despido à minha frente!

- É um convite sutil para não aceitar. - E lá vamos nós...

A suíte era sofisticada, com tons escuros, lençóis brancos impecáveis e uma vista da cidade que tremeluzia através das janelas de vidro. Marcelo se aproximou lentamente, como se me desse tempo para recuar - mas eu não recuei. Nossos corpos se encontraram com uma urgência calma, como dois mundos colidindo em silêncio. Beijos quentes, mãos ávidas, roupas caindo pelo caminho. Eu o desejei desde o primeiro momento em que o vi.

- Por favor, me fode! - Sussurrei em seu ouvido, como se aquilo fosse algo natural.

Ele me penetrava forte, sem pudor ou dúvidas do quanto me queria naquele momento. E para mim, somente aquele momento importava.

•••

A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas quando acordei. Senti o calor de um corpo ao meu lado, o toque suave do lençol contra minha pele nua e o cheiro inconfundível de vinho e desejo ainda pairando no ar. Como se aquilo fosse loucura. Pisquei algumas vezes, tentando lembrar exatamente onde estava. Olhei ao redor, e lá estava ele, dormindo serenamente, com os traços duros suavizados pelo sono. Marcelo. A lembrança da noite anterior me atingiu como uma onda quente.

Sorri... até o toque insistente de um celular quebrar o silêncio da manhã. Marcelo resmungou algo e virou-se, estendendo o braço até o aparelho para pegá-lo.

- Fred... de novo - ele murmurou com a voz rouca, atendendo a ligação.

E foi aí que tudo parou. O nome. A voz. O tom impaciente dele. Cada célula do meu corpo congelou. Fred? Que merda era aquela?

Meu corpo inteiro reagiu como se tivesse levado um soco. Marcelo. Fred. O pai. O filho. Eu dei para o pai e para o filho? E como pôde o pai se melhor? Eu tinha acabado de dormir com o pai do homem que destruiu minha vida, e tudo que que conseguia pensar, era em o quão bem eu me sentir.

A vergonha subiu queimando minha garganta, mas... junto dela, uma estranha satisfação. Como se, de algum modo, o destino tivesse feito justiça poética. Ainda assim, era errado. Muito errado. Mas também... inevitável. E eu erraria muitas vezes.

Ele desligou a ligação bufando e passou a mão pelos cabelos, como se estivesse cansado de resolver seu porbelmas.

- Desculpe. É meu filho... ele vive se metendo em encrenca. Tão grandes, tão idiota.

Eu o encarei por um longo momento, sem saber se deveria contar. Se ele já sabia. Se aquele homem com quem eu dividi a cama tinha plena consciência de quem eu era. Mas antes que eu dissesse qualquer coisa, ele falou:

- Está tudo bem? - Engoli em seco.

- Sim... eu só... acho que preciso de um banho. E descansar um pouco.

E talvez de um milagre. Quem sabe.

- Posso levá-la se quiser.

- Obrigado. Mas eu vou pedir um táxi.

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