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Deixando Cinzas, Encontrando Seu Céu

Deixando Cinzas, Encontrando Seu Céu

Autor:: Mila
Gênero: Romance
Eu dei um dos meus rins para o meu marido, Caio, para salvar a vida dele. Em troca, ele se casou comigo. Eu era uma garota de um orfanato; ele, um magnata de São Paulo. Eu tolamente acreditei que sua gratidão um dia se transformaria em amor. Então, seu primeiro amor, Krystal, voltou. Quando ela foi diagnosticada com uma doença sanguínea rara, Caio me arrastou para o hospital e exigiu que eu doasse minha medula óssea para ela. Meus médicos o avisaram que, com minha saúde em frangalhos, outra grande cirurgia seria uma sentença de morte. Ele me chamou de egoísta e me forçou a ir para a mesa de operação. Enquanto as portas se fechavam, eu vi Krystal, que deveria estar morrendo, sentar-se em sua cama. Um sorriso perverso e triunfante se espalhou por seu rosto. Através do vidro, ela articulou as palavras. "Eu não tenho nenhuma doença no sangue, sua imbecil." Uma enfermeira cravou uma agulha grossa na minha coluna. Eles estavam drenando minha vida para satisfazer uma mentirosa, tudo sob as ordens do meu marido. Eu morri naquela mesa, meu último pensamento sendo uma prece para que eu nunca mais o visse. Mas quando abri os olhos, não estava no céu. Estava em uma clínica particular, e meu amigo de infância há muito perdido, Elias, estava de pé ao meu lado. Ele me olhou, seus olhos queimando com um fogo protetor. "Eu forjei sua morte, Eva", ele disse, sua voz fria de raiva. "Agora, vamos fazê-los pagar."

Capítulo 1

Eu dei um dos meus rins para o meu marido, Caio, para salvar a vida dele. Em troca, ele se casou comigo. Eu era uma garota de um orfanato; ele, um magnata de São Paulo. Eu tolamente acreditei que sua gratidão um dia se transformaria em amor.

Então, seu primeiro amor, Krystal, voltou. Quando ela foi diagnosticada com uma doença sanguínea rara, Caio me arrastou para o hospital e exigiu que eu doasse minha medula óssea para ela.

Meus médicos o avisaram que, com minha saúde em frangalhos, outra grande cirurgia seria uma sentença de morte. Ele me chamou de egoísta e me forçou a ir para a mesa de operação.

Enquanto as portas se fechavam, eu vi Krystal, que deveria estar morrendo, sentar-se em sua cama. Um sorriso perverso e triunfante se espalhou por seu rosto.

Através do vidro, ela articulou as palavras.

"Eu não tenho nenhuma doença no sangue, sua imbecil."

Uma enfermeira cravou uma agulha grossa na minha coluna. Eles estavam drenando minha vida para satisfazer uma mentirosa, tudo sob as ordens do meu marido. Eu morri naquela mesa, meu último pensamento sendo uma prece para que eu nunca mais o visse.

Mas quando abri os olhos, não estava no céu. Estava em uma clínica particular, e meu amigo de infância há muito perdido, Elias, estava de pé ao meu lado.

Ele me olhou, seus olhos queimando com um fogo protetor.

"Eu forjei sua morte, Eva", ele disse, sua voz fria de raiva. "Agora, vamos fazê-los pagar."

Capítulo 1

Hoje é nosso terceiro aniversário de casamento. É também o dia em que Krystal Palmer, o primeiro amor do meu marido, voltou.

Ela parou na minha porta, usando um vestido que custava mais que meu primeiro Celta, e deslizou um cheque em branco sobre a mesa.

"Diga o seu preço, Eva."

Sua voz era suave, confiante.

"Eu quero que você desapareça da vida do Caio."

Eu olhei para o cheque, depois para ela. Não senti nada. O choque e a dor haviam sido queimados de mim há muito tempo.

Ela sorriu, um sorriso afiado e cruel. "Você tem uma semana para assinar os papéis do divórcio e ir embora. Não torne isso mais difícil do que precisa ser."

Eu apenas assenti.

"Boa menina", ela disse, e saiu.

Fiquei sentada ali no silêncio, o cheque um retângulo branco e gritante na madeira barata da minha mesa de jantar. Por que eu pensei que este casamento seria algo mais do que uma transação? Uma dívida paga com meu corpo e minha vida.

Eu já sabia como essa história terminava. Eu sabia há três anos.

A memória estava sempre lá, esperando nos momentos de silêncio. Era a noite da festa de recuperação do Caio. Ele havia sobrevivido, graças ao meu rim. A mansão da família Rothmann estava cheia da elite de São Paulo, o champanhe correndo solto.

Eu não fazia parte da celebração. Estava nas sombras do corredor, meu corpo ainda fraco, ouvindo. Ouvindo meu novo marido e sua avó, Dona Doralice Rothmann, na biblioteca.

"Você não pode estar falando sério, Caio", a voz de Doralice era como gelo. "Krystal te abandonou quando você estava no seu leito de morte. Ela fugiu para a Europa com aquele jogador de polo. Eva foi quem ficou. Eva te deu um pedaço literal de si mesma para te salvar."

"Eu sei o que a Eva fez", a voz de Caio estava tensa. "Sou grato."

"Grato? Você deve sua vida a ela!"

"Mas não é a mesma coisa, vovó. Krystal... quando ela chora, eu não consigo... Eu ainda a amo."

As palavras me atingiram com mais força do que qualquer golpe físico. Apoiei-me na parede, minha mão cobrindo a boca para abafar o som.

"E a Eva?", Doralice pressionou, sua voz afiada de incredulidade. "O que ela é para você? Sua esposa?"

Houve uma longa pausa. Prendi a respiração, rezando por uma resposta que não me quebrasse.

"O que eu sinto pela Eva", disse Caio, sua voz baixa, mas clara, "é gratidão. Não é amor."

Gratidão. Não amor.

A memória se desvaneceu, me deixando de volta no meu pequeno e solitário apartamento, aquele que Caio alugou para mim a poucas quadras da mansão Rothmann. Era mais conveniente assim. Ele não precisava ver a lembrança viva de sua dívida todos os dias.

Meu celular vibrou. Uma mensagem de Krystal. Era uma foto. Ela, enrolada nos lençóis da cama de Caio, um sorriso triunfante no rosto. A data e hora eram da noite passada. Véspera do nosso aniversário.

Uma única lágrima escorreu pela minha bochecha, quente e úmida. Depois outra. Eu não conseguia pará-las. Meu corpo tremia com soluços silenciosos.

Eu era uma garota de um bairro operário da Mooca. Ele era o herdeiro de um império financeiro de São Paulo. Nós nunca deveríamos ter nos conhecido. Mas quando eu era uma criança assustada e solitária em um orfanato, um menino de olhos gentis me deu sua barra de chocolate e me disse para não chorar. Aquele menino era Caio. Eu o amei desde aquele momento.

Anos depois, quando soube que ele estava morrendo de insuficiência renal, não hesitei. Eu era compatível. Dei a ele meu rim e, com ele, minha saúde. Desenvolvi uma grave condição cardíaca devido ao esforço de viver com um único rim, um segredo que guardei para mim.

Ele me pediu em casamento em sua cama de hospital após a cirurgia. Não houve anel, nem romance. Apenas um silencioso: "Case-se comigo, Eva. É a única forma de eu poder te pagar."

Eu me iludi pensando que sua gratidão um dia se transformaria em amor. Acreditei que meu sacrifício significaria algo.

Eu fui uma tola.

A dor no meu peito era aguda agora, uma agonia familiar. Agarrei meu coração, minha respiração saindo em arquejos irregulares.

Meu celular tocou. Era Caio.

"Você viu, Eva?", sua voz era alegre, distante.

"Vi o quê?", sussurrei.

"Olhe pela sua janela."

Arrastei-me até a janela. No céu acima de São Paulo, uma frota de drones estava escrevendo uma mensagem com nuvens de pétalas de rosas vermelhas.

EU TE AMO EVA.

Estava nos noticiários, um espetáculo grandioso e público de um amor que não existia.

"Você gostou?", ele perguntou, esperando elogios.

Meu último pingo de esperança vacilou. "Caio", implorei, minha voz falhando. "Por favor, só venha para casa."

"Não posso agora, meu bem. Estou em uma reunião."

Então ouvi a voz dela ao fundo, uma risada leve e musical. Krystal.

"Falo com você mais tarde", ele disse rapidamente, e a linha ficou muda.

Foi isso. O corte final. O mundo escureceu nas bordas. A dor no meu peito explodiu, e eu caí no chão.

Meu coração. Estava desistindo.

Rastejei até minha bolsa, meus dedos desajeitados procurando o pequeno frasco de pílulas. As palavras do médico ecoaram em minha cabeça da minha última visita.

"Seu coração não aguenta o estresse, Eva. Seu rim restante está falhando. Você tem talvez seis meses. Um ano, se tiver sorte e evitar todo o estresse."

Estresse. Minha vida não era nada além de estresse.

Engoli as pílulas a seco, o gosto amargo um reflexo da minha vida. Tinha acabado. Tudo. A esperança, a dor, o amor.

Meus dedos, tremendo, digitaram uma última mensagem. Não para Caio. Para Krystal.

Pode ficar com ele.

Então, adicionei uma última e desesperada condição. Uma última barganha pela vida que eu havia jogado fora.

Só me deixe morrer em paz.

Capítulo 2

O mundo ficou preto depois que enviei a mensagem.

Devo ter desmaiado no chão, porque a próxima coisa que soube foi que Caio estava de pé sobre mim. Era cedo, o sol mal havia nascido.

"Eva? Por que você está dormindo no chão?"

Sua voz continha um pingo de preocupação, do tipo que você mostraria a um animal de estimação.

Ele me pegou no colo. Seus braços eram fortes, familiares. Por um segundo, me permiti fingir que aquilo era real. Ele me deitou gentilmente na cama e puxou as cobertas sobre mim. Meu nariz ardeu, e tive que lutar contra uma nova onda de lágrimas.

Ele realmente era o marido perfeito, na superfície. Gentil, educado, um homem que se lembrava que eu gostava do meu café com duas colheres de açúcar e colocava protetores macios nos cantos afiados dos móveis porque eu era desastrada. Ele até mandou fazer um tapete grosso e macio para a sala porque eu gosto de andar descalça.

Eu me afoguei nessa gentileza por anos. Mas o retorno de Krystal foi como um balde de água fria no rosto. Era tudo uma performance.

Mantive meus olhos fechados, não querendo ver a pena nos dele.

Ele suspirou, seus dedos inclinando meu queixo para cima. "Pare de fazer birra, Eva. Tenho algo para você."

Eu quase ri. Birra? Era isso que ele pensava que era?

Ele colocou uma pequena caixa de veludo na minha mão. Eu a abri. Dentro, aninhado no cetim, havia um único brinco de diamante. Apenas um.

A campainha tocou.

Caio foi atender e, um momento depois, a voz de Krystal flutuou para dentro do quarto.

"Caio, querido, você não pode dar a uma garota apenas um brinco. Deveria ser um par."

Eu me sentei. Krystal estava parada na porta do meu quarto, um sorriso presunçoso no rosto. Brilhando em seu lóbulo da orelha estava o pino de diamante correspondente.

Ele me deu o que ela descartou.

Lembrei-me de uma promessa que ele me fez, anos atrás, no branco estéril do hospital. "Eu te darei tudo, Eva. Um amor que é seu e somente seu."

As palavras eram cinzas na minha boca agora. Eu não era nada mais do que alguém que pegava as sobras que Krystal deixava para trás.

Uma dor aguda atravessou meu peito.

Krystal passou o braço pelo de Caio, agindo como se fosse a dona do lugar. Como se ela fosse a esposa, e eu, a convidada.

"Estou morrendo de fome", ela anunciou, seus olhos pousando em mim. "Eva, você cozinha tão bem. Por que não faz o café da manhã para a gente?"

Era uma ordem, não um pedido.

"Não estou me sentindo bem", eu disse, minha voz mal um sussurro.

O rosto de Krystal se fechou instantaneamente. Ela fez beicinho para Caio. "Se ela não me quer aqui, eu simplesmente vou embora."

"Não seja ridícula", disse Caio, sua testa franzida de aborrecimento. Não com ela. Comigo. "Eva, pare de ser difícil. Apenas faça o café da manhã."

Ele estava me tratando como a empregada.

Minha luta havia acabado. Eu estava cansada demais, quebrada demais. Arrastei-me para fora da cama e fui para a cozinha.

Eu estava fritando ovos quando aconteceu. Minhas mãos tremiam, minha visão estava embaçada por lágrimas não derramadas. Tropecei no tapete - aquele que ele comprou para o meu conforto - e a frigideira quente voou da minha mão.

Óleo fervente respingou no meu braço. A dor foi imediata, lancinante.

Eu gritei.

Caio correu para dentro. Mas ele não correu para mim. Ele correu para Krystal, que estava de pé, segura, perto da porta.

"Você está bem? Te atingiu?", ele perguntou, sua voz frenética de preocupação enquanto inspecionava as mãos dela, o rosto dela.

Ela não havia sido tocada.

"Acho que um pouquinho respingou em mim", Krystal choramingou, mostrando a mão perfeitamente intacta. "Dói, Caio. Leve-me ao hospital."

Ele a pegou no colo e saiu correndo pela porta sem um único olhar para trás, para mim.

Fui deixada sozinha no chão da cozinha, meu braço empolando, meu coração estilhaçado em um milhão de pedaços.

Eu ainda podia ouvir sua voz, um fantasma do passado, sussurrando: "Eu vou te proteger, Eva. Pelo resto da minha vida."

Capítulo 3

Peguei um táxi para um pronto-socorro.

A enfermeira fez uma careta quando viu meu braço. A queimadura era feia, uma confusão de pele vermelha e bolhas raivosas.

"Isso parece doloroso", ela disse, sua voz cheia de simpatia. "Seu marido te trouxe?"

Consegui um sorriso fraco e amargo. "Ele está ocupado."

Naquele exato momento, ouvi vozes do corredor. A voz de Krystal, doce e enjoativa.

"Caio, o que você fez foi tão heroico. Você é meu cavaleiro de armadura."

Então ela baixou a voz, um sussurro sedutor. "Por que você não me chama de sua esposa? Quero ouvir você dizer."

Uma pausa. Então a voz de Caio, baixa e indulgente. "Tudo bem, minha linda esposa."

Esposa.

A palavra me atingiu como um tapa. Ele nunca, nem uma vez em três anos, me chamou de sua esposa. Era sempre "Eva". Eu pensei que ele era apenas um homem reservado e discreto. Agora eu sabia a verdade.

Eu não era digna do título.

Eu não conseguia respirar. Saí cambaleando da clínica, paguei o taxista e fui para casa.

Ele estava lá, me esperando na sala de estar, seu rosto uma nuvem de tempestade.

"Onde você esteve?", ele exigiu.

"Na clínica", eu disse, sem olhá-lo.

Ele agarrou meu braço, seu aperto firme. Ele viu as bandagens. "Meu Deus, Eva, está tão ruim assim?" Seu tom não era de preocupação. Era de acusação.

Puxei meu braço. "O da Krystal estava pior, tenho certeza."

Ele franziu a testa. "Por que você é sempre assim? Não pode ser mais compreensiva? Eu tenho uma história com ela. Você precisa ter mais maturidade."

Meu coração parecia estar sendo retalhado. Eu era a única com uma queimadura empolada. Eu era a única que ele abandonou. E eu deveria ter mais maturidade?

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, silenciosas e quentes. Ele não se importava comigo. Ele só se importava com ela.

Eu era apenas a empregada. A enfermeira particular. A doadora de órgãos.

"Você vai ficar livre em breve, Caio", eu disse, minha voz vazia.

"O que disse?" Ele estava distraído, já pegando o celular.

Ele não me ouviu. Ele nunca realmente me ouvia.

"Vou te levar à praia amanhã", ele disse, sem tirar os olhos da tela. "Só nós dois. Vamos resolver isso."

Na manhã seguinte, Krystal estava no carro, usando um biquíni minúsculo que deixava pouco para a imaginação.

"Pensei em vir junto e ensinar a Eva a nadar", ela disse com um sorriso brilhante e falso, aninhando-se em Caio.

"Krystal estava preocupada que você ficasse entediada", Caio explicou, evitando meus olhos.

A mentira era tão transparente que era quase engraçada. Isso não era para mim. Era o encontro deles.

Eu não sabia nadar. Ele sabia disso. Então, sentei-me na areia, um fantasma totalmente vestido na festa de praia deles, e os observei. Eles brincavam e riam nas ondas, as mãos dele demorando em sua cintura. Ele jogava água nela de brincadeira, e ela gritava. Pareciam um casal perfeito.

O celular dele tocou. Uma ligação de negócios. Ele se afastou pela praia para conseguir um sinal melhor.

Krystal saiu da água e caminhou até mim, pingando.

"Hora da sua aula", ela disse, seu sorriso não alcançando os olhos.

Antes que eu pudesse protestar, ela agarrou meu braço e me arrastou em direção à água.

"Eu não quero", eu disse, tentando me soltar.

Ela era mais forte do que parecia. Ela me puxou para o raso, então, com um movimento súbito e vicioso, ela enfiou minha cabeça debaixo d'água.

O pânico me dominou. Água salgada inundou meu nariz e minha boca. Eu me debati, mas ela me segurou.

"Você vai aprender a nadar hoje, Eva", sua voz era um som distorcido e monstruoso acima da água. "Vou me certificar de que você tenha o suficiente."

Meus pulmões queimavam. Pontos pretos dançavam na minha visão. Eu estava morrendo.

Ela puxou minha cabeça para cima. Eu arquejei por ar, tossindo e engasgando.

Ela segurou meu cabelo, forçando-me a olhá-la. "Você realmente acha que ele vai se importar se você morrer aqui mesmo? Ele nem vai notar."

"Não", engasguei, uma centelha de desafio ainda viva em mim. Ele não faria isso. Ele não podia. Depois de tudo que fiz por ele.

Ela sorriu, uma visão verdadeiramente maligna. "Veremos."

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