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Deixe-Me Te Amar

Deixe-Me Te Amar

Autor:: G.A. Black
Gênero: Romance
Lara, uma estudante de odontologia determinada e otimista, equilibra encontros casuais e a esperança de encontrar o amor verdadeiro. Durante uma noite de diversão ao lado de sua melhor amiga, ela cruza o caminho de Matheson, um pai solteiro devotado que vive para o filho de seis anos. Dividido entre uma amizade tranquila com sua ex e um caso ardente com a intensa Simone, Matheson sente seu mundo virar de cabeça para baixo ao conhecer Lara. A jovem loira de olhos azuis invade seus pensamentos, acende desejos incontroláveis e o faz questionar tudo o que acreditava sobre relações. Mas Lara não está disposta a ceder tão facilmente. Marcada por decepções, ela luta para resistir ao charme irresistível de Matheson, temendo que ele seja apenas mais uma paixão passageira. Entre faíscas de atração, encontros provocantes e batalhas de orgulho, ambos se veem em uma dança irresistível de sedução. Porém, será que o desejo ardente será suficiente para superar os muros que construíram ao redor de seus corações? Ou o amor avassalador que os une será capaz de quebrar todas as barreiras? "Deixe-Me Te Amar" é um romance quente, intenso e inesquecível que vai tocar sua alma e deixar marcas profundas no coração.

Capítulo 1 Lara

Eu adoro aproveitar a vida! Afinal, quem tem tempo para lamentações existenciais?

A vida é curta demais para ser levada a sério. Dançar, rir e ignorar as tragédias que surgem como aquelas nuvens escuras que você sabe que vão passar é o que há.

Elas existem, claro, mas quem disse que merecem um espaço VIP na nossa cabeça.

Enquanto o mundo desmorona ao nosso redor com novos motivos para arrancar os cabelos a cada amanhecer, eu escolhi viver do meu jeito.

Se vou acordar amanhã?

Quem sabe!

E se hoje for meu último dia neste planetinha caótico, pelo menos vou embora com boas histórias para contar para os anjinhos, ou para quem quer que esteja lá em cima.

Mas tem uma coisa que me tira do sério: minha família. Eles têm um talento incrível para sabotar minha paz minha mãe, então, parece ter doutorado nisso. É aquela mistura de amor e frustração que só quem tem uma família intensa entende. Então, por amor próprio, eu valorizo cada segundo que posso chamar de "meu". E hoje, queridos, é um desses dias!

Vou a uma boate nova com minha amiga Hadiya, disposta a dançar até a sola dos sapatos desistir. A ideia é rir, flertar e, claro, beber. Afinal, cada gole é quase uma bênção nesse mundo louco. E Hadiya merece essa diversão tanto quanto eu, aliás, ela merece mais.

Essa mulher é de uma generosidade e força que até inspiram, mas confesso que, como boa amiga, meu maior desejo é vê-la feliz.

Hadiya e eu temos uma história de cumplicidade que já me rendeu alguns "pequenos arrependimentos". Como aquela vez em que, aos dezoito, decidi dar conselhos sobre... bem, vida amorosa. Eu, toda prática, aconselhei Hadiya a se "livrar logo desse negócio de virgindade". E não é que ela me levou a sério?

Foi com o cara que a amava na época, e eu fiquei meio pasma.

"O que foi que eu fiz?", pensei depois. Era um conselho meio precipitado. Devia ter dito para ela esperar o amor verdadeiro, mas quem sou eu para recitar um clichê desses?

Agora, vejo que ela ainda guarda um amor pelo primeiro. Kevin foi seu amigo de infância, e o coração dela ainda bate por ele. Fico com aquela vontade de balançá-la e dizer: "Hadiya, o mundo tá cheio de Kevin's e além!" Mas ela é uma romântica incurável, enquanto eu sou mais prática.

Ela ainda me olha torto quando troco de namorado. Só que, honestamente, se eles não mexem comigo, qual o crime em partir para o próximo? A fila anda, e o que seria da vida sem uma boa dose de aventuras e um pouco de drama?

A verdade é que a vida é mesmo um grande jogo de paciência mas e eu? Ah, eu ainda estou esperando por aquele alguém que, ao menos uma vez, faça meu coração bater mais rápido do que o ponteiro do relógio.

Sei que ele está por aí... em algum lugar, provavelmente perdido ou atrasado. Esse cara tem que ter o poder de mexer comigo, fazer o amor parecer menos um contrato e mais uma aventura.

Só tem um problema: eu pareço atrair um tipo de azar crônico no setor de "parceiros amorosos".

Nunca vi nada assim!

A cada três meses, lá estou eu, jogando tudo para o alto e começando de novo.

Príncipe em um cavalo branco?

Pode ficar com o cavalo e o traje, querido. Só quero alguém que faça minha alma dançar e meu corpo, bem... tremer. Alguém que me faça sentir que a vida é um baile sem fim, onde cada passo tem um sabor novo.

E cá estou eu, me aprontando para sair. As expectativas me invadem. Quem sabe hoje, na pista, aparece alguém que mereça minha atenção e meus três meses de prazo!

Aliás, se tem uma coisa que aprendi é que prazos de validade, em relacionamento, são reais.

Minhas aventuras amorosas duram, em média, três meses.

Não quero alguém ideal, perfeito ou montado em um cavalo de filme. Quero um cara que desperte sensações intensas e revolucione meu mundo, alguém que faça o chão tremer de um jeito que eu queira uma reprise.

Já estou quase sentindo aquele tremor nas pernas, o coração disparando... e aí, sim, vou pensar: "Esse é o homem que vale meu fôlego!"

Mas, sinceramente, encontrar alguém com esses requisitos tem sido uma missão digna de herói.

O desejo por um amor verdadeiro parece sempre alguns metros à frente, brincando de pega-pega. E cada vez que um relacionamento desmorona, sinto que o cupido tá de piada comigo. Estou meio cansada de me abrir, de me envolver, porque o processo ficou, digamos, complicado demais.

E se, por alguma sorte, esse "príncipe" meio improvável cruzar meu caminho, confesso que tenho um receio: será que vou espantá-lo?

Afinal, sou um pouco exótica. Falo o que penso, se algo não me agrada, eu expresso. Sou autêntica até a última célula, e a maioria chama isso de qualidade. Mas, para o público masculino, esse pacote de sinceridade e intensidade parece ser, muitas vezes, uma receita para a fuga.

É um problema? Talvez. Mas, sinceramente, vou continuar sendo eu.

Afinal, alguém aí precisa dar um toque de honestidade nesse jogo chamado amor.

Enquanto não encontro aquela pessoa especial, sigo me envolvendo com os "não tão certos" da vida.

Vou me entregando, mas lá no fundo, desconfio que essa escolha pelos "equivocados" é só uma forma de evitar o medo de me machucar.

A verdade?

Acho que nunca amei de verdade. Já tive alguns relacionamentos casuais, mas o tal do amor profundo e arrebatador... esse ainda não deu as caras.

Não quero um casamento por impulso; isso não é pra mim. Ver tantas pessoas ao meu redor, que do namoro ao altar pareciam viver um conto de fadas, e logo após o "sim" descobriram um universo de incompatibilidades, me faz pensar duas vezes.

Quero um casamento verdadeiro, desses de uma vida inteira, com amor suficiente para atravessar qualquer coisa saúde e doença, alegria e tristeza.

Esse ideal de amor duradouro veio dos meus pais, juntos há mais de trinta anos. Minha mãe, que não é exatamente uma pessoa "simples de lidar", nunca foi um obstáculo para meu pai. Ele a entende, a tolera, e segue firme. Acho que isso é prova de um amor que não cansa. E é esse tipo de relação que eu desejo: alguém que esteja lá nos dias bons e, principalmente, nos difíceis, com quem eu possa contar até o fim.

Enquanto isso, continuo dançando pela vida, com a esperança de que um dia alguém apareça para me fazer sentir que o amor vale cada expectativa, cada suspiro. A cada novo dia, há uma chance de encontrar essa conexão profunda que tanto anseio. Mesmo com as incertezas, sigo acreditando que o melhor ainda está por vir.

Ah, mas se por um lado tenho essa paciência e otimismo, por outro, há a "maravilhosa" presença da minha mãe, que é uma espécie de teste constante de autocontrole.

Quando decidi não seguir a carreira que ela sonhou pra mim, foi como se o mundo desabasse para ela.

Para mim? Apenas o começo da minha verdadeira vida.

Manter a calma com minha mãe é quase um esporte olímpico.

Meu Deus, nunca vi alguém tão controladora!

E hoje, que estava sendo um dia lindo, ela resolveu estragar meu humor me questionando sobre por que eu ainda não arranjei um homem extremamente rico, como se minha existência dependesse do saldo bancário de um futuro marido!

Para ela, o valor de uma pessoa parece resumir-se ao tamanho da conta no banco.

Às vezes me pergunto se ela está genuinamente preocupada ou se isso é só uma pegadinha para me enlouquecer.

Mas, por mais que minha mãe tente me empurrar para essa "realidade" dela, a verdade é que eu vou seguir meu caminho.

O que eu quero é um amor que faça meu coração bater mais forte e me traga a paz que nenhuma conta bancária jamais conseguiria comprar.

- Lara, minha querida - começa minha mãe, como um gravador eternamente em "replay" -, eu digo isso para o seu bem. Você vai envelhecer, e então, quem vai querer se casar com você? Olha sua irmã, namorado com um bom homem, financeiramente estável... Você deveria seguir o exemplo dela! Esses relacionamentos de três meses? Isso não leva a nada, minha filha! Precisa arranjar um casamento duradouro com um homem rico, alguém que lhe dê uma vida confortável. E se vocês se divorciarem, pelo menos terá recursos para viver bem... Não quer acabar como sua prima, não é? Coitada, casou-se por amor, e quando se separou, ficou sem teto, porque aquele homem desprezível a deixou sem nada!

Não posso evitar de amá-la, mesmo com sua visão... bem, peculiar. Dona Lauren definitivamente comete um erro monumental.

Alguém precisa avisá-la que dinheiro não é passaporte para a felicidade!

Casar por conforto financeiro, sem amor, não faz parte dos meus planos. Prefiro um relacionamento real, com alguém que tenha posses modestas, mas traga uma felicidade genuína!

Suspiro, já cansada do mesmo sermão.

- Mãe - digo, paciente, mas exausta -, você repete essas palavras todos os dias, e eu sempre vou responder o mesmo. Eu não quero ser uma "Keila". Quero trilhar meu próprio caminho, e sinceramente, casar com um homem rico só para ter uma vida confortável está bem longe dos meus planos. Eu quero alguém que eu ame, e que me ame de volta. Alguém que me faça rir e me faça sentir algo novo. Até lá, deixa eu aproveitar meus namoros rápidos! Isso ainda é melhor do que me prender a alguém que só me serve de enfeite.

Minha mãe, horrorizada, arregala os olhos, mas não consigo evitar a provocação:

- Aliás, não vejo problema em estar com alguém diferente a cada dia, se é isso que quero! Afinal, sou solteira! Me deixa aproveitar a vida, mãe, e relaxa!

Ela suspira, balança a cabeça, e eu sei que a próxima tentativa de me "converter" ao clube das damas casadas e ricas não vai demorar.

Sinto minhas palavras ecoarem na sala como quem joga confete ao vento, mas sei que elas não vão encontrar abrigo no coração prático da minha mãe. Para ela, o amor verdadeiro é como uma história de contos de fada que lemos para nos distrair da vida real. Mas eu não consigo vê-la desse jeito. A vida não é só sobre segurança financeira; é sobre sentir e viver. Eu quero um amor que me faça vibrar, e não vou permitir que ninguém me molde a um padrão que não escolhi.

Deixo meu discurso no ar, mas conheço bem o roteiro. Ela apenas ajeita o cabelo, lança um olhar reprovador e, com um suspiro dramático, retoma a ladainha:

- Lara, eu só quero o seu melhor, minha filha - insiste, com aquele tom de mãe preocupada que não perdoa -, você precisa de um homem que garanta seu futuro. Enquanto é jovem, aproveite para pensar nisso. A idade chega e as oportunidades diminuem. Já pensou, minha filha? Encontrar um homem que a ame e que seja rico? Isso seria verdadeiramente perfeito!

Reviro os olhos e, para encerrar o assunto, coloco meu casaco, tentando não sorrir.

- Mamãe, eu estou indo para o trabalho e, quem sabe, nem volte para casa hoje... Vou para a casa do meu namorado. Olha só, esse relacionamento já está beirando os três meses. Viu? Até que está durando!

Ela suspira de novo, talvez já se perguntando se dessa vez, o "meu bem" vai entender a importância de uma conta bancária saudável.

Eu só penso em escapar antes de mais uma palestra sobre a nobreza do matrimônio financeiro.

Capítulo 2 Lara

Embora eu esteja cada vez mais inclinada a chutá-lo para

escanteio, confesso que o processo é lento. Meu namorado parece uma versão mal-acabada de uma planta: não sai de casa, não me leva a lugar algum e trata um convite para o cinema como se fosse uma missão de resgate.

E eu? Estou ficando exausta de carregar sozinha o papel de protagonista nesse relacionamento.

Ah, finais de semana, como amo! Meu momento sagrado para renovar as energias depois de uma semana repleta de faculdade, estágio e minha mãe no meu pé. Afinal, ainda sou jovem e, claro, não vou desperdiçar meus preciosos anos ouvindo sermões ou esperando que ele se anime a dar um passeio na esquina!

Enquanto isso, ele passa o dia em casa, feito uma samambaia, só precisando de água e sombra.

Em breve, vai ser só mais um número nas estatísticas dos relacionamentos de três meses. Sempre o mesmo ciclo: ou encontro alguém que não quer sair nem do sofá, ou outro que quer ser o dono da minha vida.

Detalhe, nem minha mãe consegue controlar! Imagine um namorado...

Falando na minha mãe, lá vem ela me chamar, do nada:

- Lara, você vai continuar com aquele morto-vivo? Jura? Ele não faz nada além de esquentar o sofá. Não entendo como você consegue!

Saio de casa deixando-a lá, falando sozinha, antes que eu mesma me irrite. Às vezes, tenho certeza de que fui trocada na maternidade. Por que mais eu estaria numa família onde o senso de humor se perdeu na curva da evolução?

Naquele mesmo dia, decidi dar um fim àquele "relacionamento" com o André se é que podemos chamar de relacionamento.

E o mais difícil de todo o processo foi ouvir dele que eu sou a perdedora e que ele tem "várias" opções.

Várias opções? Achei que ia cair dura de tanto rir!

Larguei o coitado lá, na frente de todo mundo, e segui minha vida.

Sabe de uma coisa?

Aquela gargalhada foi a melhor decisão que já tomei. Agora, ele é apenas um item descartável na minha galeria de ex.

À noite, já planejo meu rolê: vou flertar, beber e dançar até o chão naquela boate!

E não, eu não moro de graça com meus pais; contribuo sim, pago minha parte das contas e ainda suporto o clássico "papo de mãe": as regrinhas e cobranças infinitas, que, claro, são feitas só para mim.

Vida boa?

Boa para eles, que estão lucrando enquanto eu aproveito!

Uma das regras sagradas na minha casa é que meu namorado não pode dormir aqui. Já minha irmã, Keila, é praticamente uma hóspede VIP; o namorado dela não só pode dormir como parece ter a chave da casa!

Para piorar, o quarto dela é ao lado do meu. Ou seja, quando eles estão "em clima de romance", eu fico ali, com a trilha sonora da noite deles tocando alto. Tem vezes que nem consigo me segurar e bato na porta. Só assim consigo uns segundos de paz... mas só uns segundos, porque logo o show recomeça.

Ah, a igualdade de direitos, um sonho distante!

Para minha mãe, Keyla é a santa intocável, enquanto eu? Sou a "problemática" da família.

E nem preciso repetir as palavras carinhosas que ela usa para me descrever. Todo mundo me pergunta: "Por que você não sai de casa, Lara?" Mas, cá entre nós, viver sozinha é caro, e mesmo ajudando nas despesas aqui, juntar para sair é outra história. Mas, se Deus ajudar, esse dia chega logo.

Agora, vamos mudar de assunto, né? Já estou pensando nos gatinhos que me aguardam naquela nova boate!

Depois do plantão na clínica odontológica, o plano é passar na casa da Hadiya para arrastá-la comigo. Ela não é muito fã de festas e rolês, vive com um ar meio melancólico, mas eu não desisto!

Minha amiga carrega um passado complicado que não dá para entender. Tipo... qual mãe deixa a filha de doze anos com uma família estranha?

Hadiya virou a babá de três crianças, sendo que, naquela época, mal sabia cuidar de si mesma!

E o mais bizarro de tudo é que ela se apegou a uma das crianças, um garoto de olhos claros. Ela nunca esqueceu dele, é impressionante!

No fundo, eu sei que ele foi especial. Lembro até do dia em que Hadiya entrou na minha sala pela primeira vez, mais velha que os outros, e com aquela timidez estampada no rosto. As crianças não perdoavam, e aquele olhar triste era algo constante. Perdi as contas das vezes que ela chorou e eu tive que segurar o tranco ao ver aquilo.

Com o tempo, Hadiya e eu nos tornamos inseparáveis. Ela compartilhou tudo sobre sua vida, e eu só queria arrasar as vidas daqueles que abusaram da boa vontade dela.

Se pudesse, já tinha tocado fogo na casa onde tudo aconteceu!

Mas tinha uma exceção: Kevin, o garoto dos olhos claros. Ele era diferente, parecia ver além da tristeza dela, e até hoje Hadiya guarda essa lembrança como um tesouro. E, quem sabe, ainda existe uma esperança no fundo do coração dela.

Hoje sinto que preciso falar com Hadiya. Ela está a mil, se preparando para uma reunião com o novo chefe, e eu conheço bem minha amiga: ela nunca dorme direito antes de uma reunião dessas, mesmo sabendo que é uma funcionária exemplar. Hadiya é dedicada, talentosa e brilhante no que faz. Espero que esse novo chefe saiba reconhecer a jóia rara que tem em mãos.

Sério, por que alguns patrões parecem incapazes de ver o talento diante deles?

É como se usassem uma lente que só enxerga defeitos, e isso me deixa perplexa. Aliás, o mundo está cheio de gente sem um pingo de empatia, e a gente vê isso todos os dias. E, infelizmente, Hadiya sempre acabou cruzando com esse tipo de gente.

Ainda bem que ela teve Maitê, a verdadeira "mãezona" que apareceu em sua vida como um anjo protetor. Maitê foi a salvadora de Hadiya, oferecendo tudo que ela precisava para viver, estudar e ter um lar de verdade. Acho que, sem aquela mulher incrível, a vida de Hadiya teria sido muito mais dura.

Os desafios dela nunca foram leves. Vi de perto como a depressão quase a derrubou. Hadiya passou por tanto: o abandono da própria família, a exploração da outra família e, claro, a ausência de Kevin, aquele garoto de olhos claros que ela nunca conseguiu esquecer.

Até hoje me impressiona como ela é forte. A perda de Maitê me deu medo, achei que Hadiya pudesse desmoronar, mas, com muita garra e apoio profissional, ela se reergueu. Graças a Deus.

Capítulo 3 Lara

Agora, aqui estou eu, de volta à rotina. A clínica está cheia, os pacientes agitados, e por aqui não faltam dentistas que parecem modelos de revista. Eu juro que não flerto, mas... sou humana, e beleza a gente aprecia, não é?

A vida é curta, e olhar para alguém que faz o coração disparar também é viver!

Ah, e o doutor Rômulo... ele realmente me faz perder o foco! Ele tem essas mãos grandes e habilidosas que, bom, me fazem imaginar coisas... Mas chega de divagar! Hora de focar no que realmente importa: a amizade.

É amor e amizade que sustentam a gente, no fim das contas. Então, hora de estar lá para Hadiya, lembrá-la de que ela nunca está sozinha e que tem alguém que acredita no brilho dela.

Ligação on:

- A que devo a honra dessa ligação? - perguntou minha amiga, sua voz transbordando curiosidade, como sempre.

- Amiga, hoje tem a inauguração de uma boate, e quero que você vá comigo.

- Ótimo! Tava precisando mesmo de uma noite divertida para dar um tempo.

- E o seu novo patrão, como é?

- Ah, é o homem mais lindo que já vi na vida.

- Uau! Você encontrou um homem bonito, então... - A empolgação na minha voz era impossível de disfarçar.

Continuamos a conversa, rindo e trocando histórias sobre tudo: sobre a vida, a amizade e, claro, sobre os encantos do amor e os encontros inusitados. O tempo passou tão rápido que nem percebemos.

- Vou deixar você se preparar, então. Não quero que você se atrase para o encontro!

- Pode deixar, vou estar pronta!

Desligamos, e um sorriso iluminou meu rosto. É bom ver Hadiya se permitindo sonhar de novo. Quem sabe essa noite na boate não seja o início de algo mágico para ela?

No fim do dia, fui direto para casa. Precisava de um descanso antes de sair novamente, e minha casa era mais perto do que a de Hadiya.

Cheguei, tomei um banho revigorante, me joguei na cama, e comecei a planejar os próximos passos: me preparar, sair e aproveitar a noite.

Ainda bem que estou solteira!

Adormeci rapidamente, mas acordei de repente quando o alarme tocou. Fui direto para o espelho, caprichei na maquiagem e, claro, realcei meus olhos azuis com uma sombra azulada que me deixava ainda mais deslumbrante. Estava simplesmente maravilhosa.

Agora, era só aproveitar a boate e arrasar!

Desci pelo elevador, fui até a garagem e dei uma olhada no meu carro.

- Olá, meu bebê! Fica tranquilo que a mamãe vai cuidar de você hoje, tá tudo bem? - Subi no carro, dei partida e segui para a casa da Hadiya.

Chegando lá, buzinei várias vezes. Queria chamar sua atenção.

Você consegue acreditar que uma vizinha repugnante veio falar mal do meu carro?

Sim, essa mulherzinha sem noção teve a audácia de criticar o meu precioso bebê, aquele a quem eu trato como se fosse meu filho. Não ia deixar barato. Dei uma resposta à altura, ofendendo-a de todos os jeitos possíveis até que ela, furiosa, finalmente se retirou. E aí, finalmente, Hadiya chegou, radiante como sempre.

- E aí, gata, pronta pra curtir muito?

- perguntei, com um sorriso animado.

- Com certeza! - Hadiya respondeu, compartilhando minha empolgação.

Ao chegarmos na casa noturna, fui surpreendida pela fila gigante e pelo ambiente impecável. O lugar tinha uma vibe chique, do tipo que faz você se sentir especial só de estar ali.

Hoje é o dia! Nada vai me impedir de distribuir uns bons beijos por aqui!

Eu não sabia quem era o dono dessa maravilha, mas eles certamente sabiam o que estavam fazendo. O lugar tinha um ar de elegância que só dava vontade de aproveitar cada segundo.

Fomos direto para o pub. Pedi um drinque forte e avisei Hadiya que ia me jogar na pista de dança - ela prefere só curtir com a bebida, então não se importa de me ver dançar sozinha.

Ah, como eu amo dançar!

Me perdi na música, dançando sozinha e aproveitando o momento, até que, de repente, avistei um cara lindo dançando perto de mim.

Senti uma faísca, e antes que percebesse, já estava me aproximando e... pronto, rolou aquele beijo. Nem perguntei o nome dele, e quer saber? Nem fazia diferença. Hoje eu só queria me divertir.

Esse lugar é mágico, e esse cara... um beijo melhor que o outro!

Já decidi: esse aí tem tudo pra ser meu próximo namorado!

Depois de um tempo, comuniquei ao rapaz que ia ver minha amiga. Me despedi dele com um sorriso, ainda sentindo o calor do beijo, e fui procurar Hadiya.

Ela estava curtindo seu drinque no pub, mas não respondeu quando chamei. Achei estranho e segui o olhar dela... foi aí que vi. Dois homens atraentes conversando, e um deles era simplesmente o homem negro mais lindo que já vi na vida.

Meu Deus do céu, é um deus grego com pele de ébano!

Sério, que homem!

Só de olhar pra ele, senti meu corpo inteiro estremecer. Elegante, poderoso, ele tinha uma presença que parecia tomar conta do lugar.

Que delícia!

- Você conhece esse gato? - perguntei, curiosa.

- É meu chefe.

- Você está muito ferrada! - respondi, segurando o riso.

Não conseguia desviar os olhos daquele homem. Alto, musculoso... era simplesmente uma obra-prima da natureza.

Meu Deus!

Só de olhar, dava para imaginar que ele era bem dotado e, pela confiança que exalava, devia ser muito bom na intimidade.

Ah, eu precisava desse homem só pra mim!

"Para com isso, Lara", pensei. Estava ficando obcecada demais, mas era difícil resistir.

Quando percebi, ele já tinha notado minha presença também. Seus olhos escuros, profundos como jabuticabas, estavam fixos em mim.

Mesmo de longe, senti o calor do seu olhar.

Voltei para a pista de dança, tentando desviar a atenção e focar no meu companheiro da noite. Afinal, ele estava ali, lindo e pronto para dançar comigo.

Só que o tal deus de ébano continuava me olhando... mesmo enquanto trocava beijos com uma mulher negra e linda que parecia ser sua namorada.

Isso só tornava tudo ainda mais intrigante. Por que ele continuava me encarando daquele jeito, mesmo estando com ela?

Logo, o próprio patrão de Hadiya veio falar comigo. Perguntou algo casual, e respondi de forma breve, apenas para vê-lo retornar ao lado de Hadiya. Logo em seguida, os dois saíram juntos.

Ele devia estar levando minha amiga para casa, então segui meu rumo com o rapaz que havia me acompanhado na dança.

Ele me convidou para ir ao seu apartamento, e acabei aceitando. O lugar era bem agradável, então pensei que a noite poderia, quem sabe, terminar melhor do que eu esperava.

- Espero que ninguém roube meu bebê lá no estacionamento. Se acontecer, vou querer outro igualzinho! - comentei, rindo, sobre o meu carro.

Ele riu também e respondeu com um ar exageradamente meloso:

- Eu te dou o que você quiser, gata.

Isso já me desanimou um pouco; meloso não é muito meu estilo.

Mas ele parecia empenhado em me impressionar e me puxou para um beijo intenso. Logo ele tirou meu vestido e avançou para o que seria uma noite inesquecível... ou pelo menos eu pensava. Infelizmente, não demorou nem cinco minutos para ele terminar.

É sério?

Nem preciso dizer que a experiência foi decepcionante, se é que posso chamar o que aconteceu de "experiência".

O sol nasceu, e eu me levantei da cama, pensando se ainda valia a pena dar uma segunda chance para o rapaz. Talvez da próxima vez, sem álcool, ele conseguisse se sair melhor.

Ao sair do apartamento, sorrindo e deixando ele dormindo, pensei comigo mesma: "Vamos ver se o Eduardo consegue se redimir, ou vai ter que sumir da minha vida."

Enquanto caminhava, confesso que minha mente voltou para aquele homem lindo da boate. E por que não? Ele era simplesmente irresistível! Mas a realidade me lembrou que ele tinha uma namorada tão linda quanto ele... e que eu nunca o tinha visto antes.

Que confusão!

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