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Depois da Traição do Meu Marido, Conheci Meu Verdadeiro Amor Alfa

Depois da Traição do Meu Marido, Conheci Meu Verdadeiro Amor Alfa

Autor:: PageProfit Studio
Gênero: Lobisomem
Cresci como humana em uma alcateia, mas ironicamente, acabei me tornando a companheira do Alfa do clã. Pensei que me encaixaria perfeitamente no mundo dos lobos-até o dia em que peguei meu companheiro Alfa enredado com outra loba no banco de trás de um carro. Com as mãos tremendo, o enganei a assinar os papéis do divórcio-jurando vingança silenciosamente. Mas eles não pararam. A mãe dele enviou capangas para me destruir. A amante tentou me apagar. Até meus colegas de trabalho queriam se aproveitar de mim. Naquela noite, quase perdi a vida. Até que o Alfa Sebastian me encontrou-frio, implacável, incomparável. Ele disse que não precisava de uma companheira. Mas ele me protegia como um companheiro. Me tocava como um companheiro. Me olhava como um companheiro, como se eu já pertencesse a ele. Tentei resistir à sua aproximação. Não queria cometer o mesmo erro duas vezes. Os lobos nunca aceitariam uma humana como companheira. Mas sempre que ele se aproximava de mim, sempre que aquelas mãos escaldantes me alcançavam, eu ansiava por ele-queria mais-mas já estava cansada de promessas. Até descobrir que meu passado não era simples-e que Sebastian tinha suas próprias razões para se aproximar de mim-

Capítulo 1 A traição de companheiro e uma saída de um bilhão de dólares

Ponto de Vista de Seraphina

Meu companheiro me traiu.

Fiquei do lado de fora do carro, paralisada, assistindo enquanto a amante dele se sentava em seu colo. Ele enterrava o rosto no peito dela, enquanto os dedos dela se entrelaçavam em seu cabelo. O carro balançava violentamente, como um barco pequeno numa tempestade.

Levei a mão à boca, sem conseguir acreditar no que via, as lágrimas escorrendo incontrolavelmente. Então, a dor ardente veio – um fogo começou sob a marca do companheiro no meu pescoço, queimando meus nervos como prata derretida, e uma sensação de aperto, como se mãos invisíveis me estrangulassem. Não conseguia respirar. Mesmo sendo humana, a dor me cortava os ossos.

Minhas pernas quase falharam. Por quê? Por que Marcus haveria de trair o laço abençoado pela Deusa da Lua? Três anos atrás, ele jurou que nunca o faria.

Como uma humana criada na Alcateia, ninguém acreditava que o Alfa Marcus me aceitaria como sua companheira. Quando sua mãe, Margaret Grimhilde, soube que a escolhida de Marcus era eu – uma humana –, vi uma mudança drástica em sua expressão. No final, ela praticamente gritou, com um olhar matador: "Um lobo Alfa nunca ficará satisfeito com uma companheira – especialmente uma mulher humana insignificante!"

Sabe o que meu companheiro Marcus fez então? Ele avançou como uma muralha, pousando na minha frente. "Como Líder da Alcateia, nunca trairei a bênção da Deusa da Lua. Mesmo que ela seja humana, tratarei sua vida como a minha!", ele rugiu, me puxando para seus braços fortes com aquelas mãos.

Seu cheiro – o frescor de pinho e o aroma de uma tempestade – me envolveu. Naquele momento, me senti protegida, segura.

Margaret cedeu, mas seu ressentimento nunca desapareceu. Mesmo assim, aceitei sua marca, como se fosse meu momento de conto de fadas – uma Cinderela humana.

Sempre planejei deixar a Alcateia ao completar vinte anos e viver no mundo humano. Cresci nela; meus pais eram ambos Ômegas. Eles me disseram que me encontraram perto de uma cidade humana. Cheguei a imaginar que poderia ser uma lobisomem, mas mesmo aos vinte anos, nunca estabeleci um vínculo de lobo. Portanto, sou humana.

Mas Marcus me deu um lar. Abandonei meus planos e me dediquei a ajudá-lo a expandir seus negócios. Por dois anos, desfrutei de todo o amor de Marcus.

No entanto, há um ano, tudo começou a desmoronar. Marcus estava sempre viajando, e a distância entre nós aumentou. Cheguei a pensar em engravidar para mantê-lo por perto.

Que tolice. Percebo isso agora. Apenas agradeço por ter acordado antes de trazer uma criança a este pesadelo. Marcus pode ser um Alfa, mas ainda é um homem – e que homem cumpre suas promessas?

Engoli a dor cortante no meu peito e peguei os papéis do divórcio que Margaret me dera na semana passada. Dá para imaginar a felicidade que ela sente agora.

Há uma semana, Margaret me procurou. Ela queria que eu fizesse Marcus assinar os papéis por qualquer meio – e sem que ele suspeitasse. Se conseguisse em trinta dias, ela me daria um bilhão de dólares.

Trinta dias. O Conselho dos Lobisomens tem uma regra não escrita – dizem que o casamento de um Alfa afeta a estabilidade da Alcateia, então não pode ser dissolvido facilmente. Por isso exigem um período de carência de um mês.

Contanto que nada grave acontecesse na Alcateia durante esses trinta dias, eu poderia sair com o dinheiro – sem esforço, longe dos holofotes.

Na época, a expulsei de casa, furiosa com sua proposta. Disse-lhe na cara que Marcus nunca me trairia. Agora é óbvio que Margaret já sabia que Marcus estava me enganando.

A náusea voltou a subir pela minha garganta. Pensar em como toda a Alcateia me tratou como uma idiota durante um mês inteiro – a humilhação me inundou como uma maré. Tinha de pôr fim a essa farsa.

Peguei meu celular e enviei uma mensagem à própria rainha do drama – Margaret: [Prepare meu bilhão.]

Assim que a mensagem foi enviada, entrei no carro, meus olhos fixos na direção de Marcus. fixos no Bentley que ainda balançava. Pisei fundo no acelerador! Com um estrondo ensurdecedor, meu Maserati branco disparou como um raio, colidindo direto com o Bentley preto dele.

BANG! Um estrondo devastador. O som do metal se retorcendo encheu meus ouvidos. E, é claro, ouvi os gritos deles.

Soltei uma risada fria. Graças ao Bentley, forte como um tanque, saí ilesa.

Não esperei que se vestissem. Peguei a pasta do banco do passageiro, corri até a janela do motorista de Marcus e bati nela.

Segundos depois, o rosto escultural de Alfa Marcus apareceu. Quando nossos olhos se encontraram, seu maxilar apertou-se.

"Seraphina? Mas que diabos foi isso?!", ele disse, sombrio, sem um traço de pânico por ter sido pego. Como se eu fosse lixo sob seus pés e ele não me devesse explicação alguma.

Mas nada mais importava. Contanto que ele assinasse os papéis do divórcio ali mesmo, estaria satisfeita.

Ignorei sua raiva e, calmamente, estiquei a pasta pela janela. Meu Deus, como eu queria enfiar aqueles malditos papéis goela abaixo daquela garganta arrogante e mentirosa.

"Oh, Alfa Marcus", fingi uma calma que não sentia, "parece que confundi o acelerador com o freio. Deve ter sido um queda de açúcar no sangue. De qualquer forma, aqui está algo que você precisa assinar."

"Passe aqui." Marcus acenou com a cabeça, rígido, e então rabiscou seu nome onde eu havia marcado com um 'X'.

Ver sua assinatura no documento que poria fim ao nosso vínculo. só de ver. fiz meus pulmões respirarem de novo.

"Desculpe o incômodo. Pode voltar à sua brincadeira agora", disse com um sorriso amargo, pronta para partir – até ver um lampejo de irritação no rosto de Marcus.

"Espere!", ele gritou.

Olhei pra ele com frieza e sarcasmo. "O que foi, Alfa Marcus? Precisa de uma camisinha? Lubrificante? Ou Viagra?"

"Droga, Seraphina! Não é o que parece!", Marcus franziu a testa, mas uma voz melosa o interrompeu. "Alfa Marcus, meu vestido rasgou. você tem que me compensar."

O sorriso no meu rosto congelou. Mordi o lábio com força; o gosto de sangue me encheu a boca. Tinha de sair dali imediatamente, ou não conseguiria me conter de pegar a arma no meu carro e atirar direto nas têmporas deles.

Não podia permitir que meus pais fossem exilados da Alcateia junto comigo.

Sentei-me no banco do motorista, à beira de um colapso – como se fosse a única presa na última página do conto de fadas, onde o príncipe e a princesa partem sob aplausos, enquanto ninguém se importa com o que vem depois.

Como se todos já soubessem – que ali a felicidade acabava, e o que se seguia era apenas traição e mentiras.

Engoli o choro e limpei as lágrimas do canto dos olhos. Agora, apenas o dinheiro de Margaret me traria algum conforto.

Meu telefone vibrou. Como esperado, era Margaret. Seu tom ainda era arrogante: "Quero ver a assinatura do meu filho ao vivo e a cores."

Ri baixinho, tirei uma foto da assinatura de Marcus no documento e a enviei para ela.

"Como desejar. Você tem o número da minha conta."

Nesse instante, Bruce apareceu, batendo na minha janela com urgência.

Ele me entregou uma caixa de veludo elegante. Seu sorriso era cortês, mas seus olhos piscavam nervosos, como se não ousasse olhar para mim.

"Luna Seraphina, o Alfa escolheu isto para a senhora. Disse que é seu presente de aniversário."

Abri a caixa. Dentro, havia um conjunto luxuoso de joias de diamantes – com um design requintado, que brilhava mesmo sob a luz fraca da garagem.

Valia uma fortuna, obviamente. Se Marcus não tivesse me traído, eu teria aceitado – sorrido, ficado quieta, feito o papel de sua Luna discreta, fingindo que aquilo simbolizava nosso amor.

Mas agora? Era apenas uma bela prisão.

Fechei a caixa rapidamente e olhei para o Bruce. "Que atencioso da parte dele, não? Meter o pau em outra enquanto se lembra de comprar um presente para sua Luna trouxa."

"Luna Seraphina", Bruce disse nervoso, "talvez o Alfa Marcus tenha seus motivos."

Claro que tem. A menos que 'trair' tenha se tornado uma emergência médica, não há desculpa que coloque. Mas Bruce era um dos poucos na equipe de Marcus que me tratava com gentileza. Provavelmente só não queria me ver sofrendo. Era tudo o que ele podia fazer – era apenas um assistente.

"Me dê aqui", eu disse, estendendo a mão. Não havia por que Bruce se prejudicar – Marcus era rígido com seus funcionários, e Bruce precisava do emprego.

Quando peguei a caixa, Bruce pareceu mais aliviado. Eu entendi – seu emprego estava em jogo.

Assim que ele saiu, peguei meu telefone e fotografei o colar. Então, enviei uma mensagem ao revendedor de luxo com quem costumava lidar.

[Consegue vender este conjunto o quanto antes? Doe todo o valor para a Fundação Filhotes da Lua que eu apoio.]

Assim que enviei a mensagem, recostei-me no assento e abaixei a janela. A brisa acariciou meu rosto.

O céu estava pintado com as cores vibrantes do pôr do sol. Pela primeira vez em muito tempo, o mundo não parecia tão opressivo.

Trinta dias. Apenas mais trinta dias, e eu estaria completamente livre deste inferno.

Capítulo 2 Marcada pela dor, não pelo amor

Ponto de Vista de Seraphina

Assim que estacionei na garagem, a realidade me acertou em cheio: não tinha nada nessa mansão de Alfa que fosse realmente meu. Nem um misero objeto.

Daqui a 29 dias, nem sei onde vou estar. Mas agora? Agora eu só preciso sair daqui. Longe do Marcus. A única coisa que vou levar é a minha dignidade - provavelmente tudo que ainda me sobrou.

Tava fechando o zíper da mala quando Marcus apareceu escancarando a porta. Ele entrou feito dono do lugar - ou dono de mim, como se ainda tivesse esse direito.

Chegou perto, como se nada tivesse acontecido, e tentou me beijar no pescoço. E, droga, aquele maldito vínculo mexeu comigo de novo - minha espinha até arrepiou. Um suspiro escapou antes que eu conseguisse segurar.

Ele se animou e já enfiou a mão por baixo do meu sutiã, puxando de lado como se fosse normal. Encontrou meu seio num toque e, antes de eu perceber, minhas pernas já tavam quase cedendo. Parte de mim quis esquecer tudo e me entregar...

Aí o celular dele tocou.

A porra daquele toque me fez acordar na hora. Empurrei ele com força.

"Seraphina?! Que merda é essa?!" Marcus gritou, com aquele tom explosivo. Sério mesmo?

Fiquei encarando ele, coração batendo como louco, o sangue fervendo. O vínculo me deixava vulnerável e eu odiava isso. Precisava sair - tipo, ontem.

"Eu tô indo embora", falei, respirando fundo. "Marcus, quero o divórcio."

Crash!

A palavra bateu nele como uma granada. Atrás de mim, o armário de vidro despencou - estilhaços voaram no chão de madeira como um glitter mortal.

Marcus tava lá parado, fora de si, com a mão ainda cerrada depois do soco. Um lobo macho enfurecido vestido de gente.

Cacos de vidro caíram perto dos meus pés, alguns até grudaram no meu cabelo, mas eu nem me mexi.

Nem olhei pra cara dele - só encarei o rombo na porta do armário. Tão simbólico. Aquela bagunça quebrada? Era a gente.

"Divórcio?" A voz dele ficou fria, carregada de autoridade - energia de Alfa transbordando ao redor. "Repete isso, Seraphina."

Não pisquei. Nem pensei duas vezes.

"Quero o divórcio. Acabou." Minha voz saiu firme. Direta.

Ele deu uma risada seca e debochada. "Por causa da Maria? Você só pode estar brincando. Ela é uma parceira de negócios, Seraphina. Tá exagerando por nada."

Parceira de negócios? Quase ri. Era isso agora? Um jeito elegante de dizer "peguete no banco de trás da Bentley"?

"Não insulta minha inteligência, Marcus!" rosnei. A voz baixa, mas carregada de raiva. "Tá, eu sou humana. Pode me achar fraca. Mas nunca - nunca - vou aceitar traição."

Marcus se aproximou, os olhos vermelhos como se fosse atacar. "De onde você tirou essa coragem toda, hein? Você é só uma humana frágil. Tudo que você tem fui eu que dei! Sem mim, devia estar lavando prato em lanchonete de cidadezinha. Você acha mesmo que vale a pena trocar nossa vida por isso?"

Ele me agarrou pelo queixo e forçou meu rosto pra cima, me obrigando a encarar aqueles olhos âmbar onde eu costumava me perder. Agora só enxergava gelo e controle.

Cada palavra dele era como uma facada no peito. Doía. Daquele jeito que parece que algo tá rasgando por dentro, se enfiando até o osso.

Droga.

Claro que ele achava que eu nunca seria capaz de ir embora. Como uma passarinha mimada presa numa gaiola de ouro, com medo de bater as asas.

Pena que ele não sabia que essa passarinha já tinha descoberto como abrir o cadeado fazia tempo. Só de lembrar dos papéis do divórcio assinados - aquele meu golpe - senti até arrepio de satisfação. Um sorrisinho amargo escapou antes que eu conseguisse evitar.

Ele percebeu. Me conhecia demais pra não notar. Os olhos se estreitaram, a voz cortante: "O que você aprontou pelas minhas costas?"

"Se tá tão abalado, Marcus, por quê? Não era você que dizia que eu não sou nada? Que não tenho poder nenhum?" Fitei ele, sem desviar.

Num piscar de olhos, ele estava com a mão no meu pescoço, me prensando contra a porta quebrada. Os cacos cravaram na minha pele, mas mal senti - o que me sufocava era a falta de ar, forçada a olhar dentro daqueles olhos incandescentes.

"Pouco me importa o que você fez. Mas não vou deixar você romper esse vínculo, entendeu? Você é minha, Seraphina. Sempre vai ser."

Me debati, bati com as mãos nos braços dele, forcei tudo que podia. Eu não ia acabar desse jeito. Não mesmo. Foi aí que o celular dele tocou - a porcaria do toque da Maria.

Os dedos dele tremeram, soltaram um pouco. Ele me encarou com um aviso no olhar, depois foi até a varanda pra atender.

"Oi, amor. O que houve?" A voz era doce, melada - a mesma que ele usava comigo.

Não consegui ouvir as palavras exatas, mas aquele tom derretido? Era gritante.

"Não chora, tá bem?... Eu tô indo agora... Se cuida, meu bem."

Encostada no armário quebrado, senti cada pedaço de vidro me cutucando. Mas doía bem menos que esse buraco no meu peito. Todo aquele cuidado dele - agora era só dela.

Ele continuava cochichando ao telefone, numa voz macia. Depois desligou sem nem olhar pra mim. Arrumou a gola da camisa, como se eu fosse transparente.

"Negócios da Alcateia. Você claramente precisa de um tempo pra colocar as ideias no lugar. Não volto tão cedo."

A porta bateu forte, levando junto o cheiro dele.

E aí eu desabei. Escorreguei pela parede, respirando aos trancos.

Por um lado, achei mesmo que ele fosse me matar. E até agora não entendi por que diabos ele ainda queria manter esse vínculo. Já tinha a Maria. Ela era bem mais a cara dele como luna.

Ela tinha pedigree, era uma loba alfa - e eu? Só uma humana comum.

Meu trabalho, sim, sempre foi bom. Mas perto da Maria e aquele dinheiro todo, eu não era nada.

Sendo também uma lobisomem, eu sabia bem o quanto um vínculo entre companheiros é forte. Romper ele ia bagunçar tudo - coração, cabeça - coisa que só a Deusa da Lua devia entender. Mas Marcus era Alfa! Ele aguentava isso. Por que não me deixava simplesmente ir?

Foi ele quem destruiu o que a gente tinha. Fingir que ainda sente alguma coisa? Não cairia nessa.

Se ousasse soltar a palavra "amor", eu juro, enfiava uma faca naquele coração infiel.

Levantei, abri o notebook e comecei a procurar apartamento perto de Moonlight Baía. Aí puxei minha maior mala e fui empacotar tudo.

Minhas coisas? Nessa mansão sufocante? Quase nem tinha nada meu de verdade.

Cada presente dele - desde joias caras até sapatos edição limitada, bolsas de marca, aquelas baboseiras caríssimas de aniversário ou datas especiais - enfiei tudo na mala. Ia vender. Cada peça.

Quando peguei aquela caixinha de veludo, com a aliança de casamento que ele mesmo mandou fazer, minhas mãos tremeram só um pouco.

Dentro, lia: Marcus & Sera.

Eu acreditava de verdade que aquilo significava alguma coisa. Tipo, pra sempre.

Agora só parecia um "eu te amo" escrito na areia, segundos antes da onda levar embora.

Joguei a aliança na mala e dei um tranco no zíper. Aquele barulho? Era eu terminando de vez com qualquer sobra dele em mim.

Claro que Marcus não pisou em casa naquela noite. "Vai esfriar a cabeça," ele disse. Tradução: "Vou curtir com aquela qualquer."

Primeira coisa que fiz foi jogar todas as nossas fotos na lareira. Queimou tudo.

Uns dias depois, meu celular vibrou. Margaret. A voz dela sempre foi gelada, cortante - como uma lâmina de prata mergulhada no gelo. Ela me "convidou" pra ir até a mansão da família pra assinar um tal de "acordo atualizado".

"Beleza," respondi, segurando a pose.

A mansão dos Grimhilde ficava lá no alto do monte Pico Prateado, parecendo uma fera sombria observando a Floresta inteira.

Meu Maserati não aguentou - morreu no meio da subida. Nem pensei em chamar guincho. Tranquei as portas, dei de ombros e continuei a pé naquela estrada particular e enrolada. Graças a Deus eu não tava de salto. Só torcia pra não tropeçar e quebrar o pescoço.

Quase nunca ia naquele lugar - e com razão. Margaret nunca foi exatamente minha melhor amiga. Ela não era do tipo que convida pra tomar chá da tarde.

Mas agora que o caos tinha passado, que eu estava prestes a sair da família, e que Marcus e eu távamos a segundos do "já era", pensei: vai ver ela só quer um adeus civilizado.

Esse pensamento me deu um certo alívio. Até eu pisar no salão principal... e ver tudo arrumado como se fosse um baile de gala exagerado.

Aí eu entendi - Margaret tinha os próprios planos pra esse "encontro".

Capítulo 3 Cuspir na cara da Luna

Ponto de Vista de Seraphina

Que cena encantadora – meu "leal" companheiro, que supostamente estava em uma viagem de negócios para Los Angeles, aparecendo magicamente aqui, no território da Alcateia.

E adivinhe com quem ele estava? Maria, sua suposta "companheira de negócios", praticamente colada a ele num vestido prateado tão justo que parecia pintado.

Ele estava sussurrando algo no ouvido dela, fazendo-a rir como uma adolescente boba. A mão com aquela pulseira de diamantes brilhante que ele deu a ela? Descansando de maneira bem confortável no peito dele.

A marca do laço na nuca, aquela que nos liga como companheiros destinados, de repente começou a queimar como o inferno – como se alguém estivesse pressionando um ferro em brasa bem nos meus nervos, tentando gravar a dor nos meus ossos.

A Margaret? Aquela mulher é a própria definição de mesquinharia. Não havia como ela me deixar sair daqui sem tentar me humilhar.

Soltei uma risada fria e fui direto em direção a Marcus.

"Ora, Alfa Marcus", disse eu, alto o suficiente para os dois se virarem, "já de volta? Sua viagem para LA acabou rápido, hein." Meu tom estava carregado de sarcasmo.

O rosto bonito dele mostrou um lampejo de pânico, rapidamente disfarçado por sua habitual arrogância.

E bem na hora, a Margaret apareceu como se estivesse flutuando, toda convencida como sempre. Ela passou o braço pelo de Maria como se tivesse ganhado um troféu e se virou para mim com sua melhor voz de 'estou sendo educada, mas na verdade estou me exibindo'.

"Ah, Seraphina, você está aqui," disse ela, docemente. "Esta é Maria, filha do Alfa da Alcateia Sunfang. Uma de nossas aliadas mais valiosas."

Então, ela se virou e deu a Maria um sorriso acolhedor. "Maria, esta é Seraphina, uma... gerente de projetos na empresa do Marcus. Pedi que ela viesse porque queria dar a ela algumas lembranças da minha última viagem."

Gerente de projetos. Sério? Com essa única frase, ela apagou meu status de Luna e me reduziu a apenas uma funcionária.

Nossa cerimônia de vínculo tinha sido pública – todos sabiam que eu era a Luna dele. Mas lá estava ela, tentando pintar um quadro onde eu não significava nada, onde até mesmo Maria podia se sentir segura me ignorando.

Maria nem se deu ao trabalho de apertar minha mão. Ela só lançou aquele sorriso falso de socialite. "Ah, já a vi antes," disse ela com desdém. "Na semana passada, na verdade – ela meio que esbarrou em nós enquanto estávamos... curtindo no carro do Marcus."

"O quê? Sera, sério? Por que você fez isso? Está louca?" Margaret exclamou.

"Sim, completamente pirada," eu disse, olhando diretamente para Marcus e dando um sorriso de lado. "Posso acabar mordendo todo mundo, é melhor tomar cuidado. Agora, sobre aquelas lembrancinhas, estou esperando."

Marcus ficou parado como uma estátua, bonito demais e quieto demais – como se achasse que eu estava blefando e não ia fazer confusão.

Apenas uma humana nesse mundo de lobos, o que eu poderia fazer?

Ah, ele logo iria descobrir.

Margaret sorriu como se tivesse acabado de ganhar a batalha. "Marcus, Maria, continuem dançando," ela disse com ar vitorioso. "Seraphina, por que você não me ajuda a servir chá para os nossos convidados?" Ela se virou para mim, fingindo inocência. "Parece bom?"

"Claro," respondi com um sorriso falso. "Mais do que feliz em ajudar."

Um garçom de repente me entregou uma bandeja. Notei que os copos de Maria e Marcus estavam vazios, então alegremente acrescentei um ingrediente especial ao chá deles – apenas um pequeno toque da minha própria saliva.

Então, deslizei até eles. "Senhorita Maria, dançar deve ser exaustivo. Achei que você precisaria de algo forte para animá-la." Ela pegou a xícara com um sorriso satisfeito, claramente gostando da atenção.

"Alfa Marcus, posso lhe oferecer algo?" Virei-me para ele.

"Marcus, acho que você deveria experimentar isso. Acabei de tomar um gole e é realmente melhor do que qualquer coisa que já provei – tem um sabor meio salgado... Você tem que provar," Maria comentou, visivelmente contente.

Marcus hesitou por um segundo, depois pegou a xícara. No momento em que tomou um gole, eu podia literalmente sentir seus olhos queimando em mim como se ele tivesse acabado de perceber algo.

Peguei a bandeja e saí rapidamente.

Como esperado, duas figuras graciosamente surgiram e bloquearam meu caminho.

"Oh, uau, se não é a Seraphina?"

Clarissa e Bethany. Lobas nobres clássicas. Desde que virei a companheira de Marcus, elas nunca pararam de me lançar olhares indiscretos.

Clarissa está ligada ao Gama da alcateia, e Bethany ao filho do ancião. Estão sempre grudadas como duas urubus que vivem da miséria alheia.

Clarissa fingiu um espanto e cobriu a boca. "Querida, esse visual... tão único. Por um segundo pensei que você fazia parte da equipe de limpeza."

Ela nem precisou levantar a voz, apenas o suficiente para os que estavam por perto ouvirem. Os risinhos que se seguiram pareciam agulhas finas espetando minha pele.

Bethany entrou logo na conversa, com aquele sorriso doce que sempre tinha um toque afiado. "Clarissa, vamos lá. Seja legal. Quero dizer, Marcus nunca a trouxe para nenhum evento de verdade antes, né? Talvez ela nunca tenha aprendido como nossa alcateia lida com essas coisas. Honestamente, ele provavelmente acha que trazê-la é... meio embaraçoso."

Clarissa parecia um pouco desapontada com minha expressão calma e decidiu partir para o ataque. Ela deu um suspiro falsamente simpático e se aproximou.

"Sinceramente, esses laços de companheiros predestinados realmente bagunçam a vida das pessoas, né? Forçar nosso incrível Alfa a estar ligado a alguém tão... abaixo de seu status. Mas, olhando ali," ela apontou para Marcus e Maria, "ele finalmente parece estar acordando. Maria é elegante, nobre... perfeita para ser uma Luna, não acha?"

Finalmente olhei para elas, só observando calmamente como se fossem dois macacos cheios de cafeína tentando encenar Shakespeare.

Minha calma definitivamente as desconcertou. O sorriso ensaiado de Clarissa tremulou por um segundo.

"Clarissa,"

Minha voz estava suave, mas cortou o barulho como gelo caindo em óleo fervente. "Você parece... ansiosa hoje."

Seu sorriso congelou. "Desculpe, o quê?"

"Eu disse," me aproximei, com a voz carregada de doçura e veneno, "sua maquiagem está borrando. Chorando de novo? Não a culpo – o Leo anda ocupado fazendo papel de cachorrinho para aquela nova dançarina no clube Moonshade. Sabe, aquela que tem atributos que fazem lobos adultos babarem."

Clarissa ficou pálida. Seu sorriso perfeito desmoronou completamente.

Seus lábios se moveram, mas nenhuma palavra saiu. As lobas que riam por perto de repente encontraram coisas mais interessantes para olhar.

Eu não hesitei nem por um momento. Meus olhos se voltaram para Bethany em seguida.

"E você, Bethany," eu lhe dei um sorriso e observei seu rosto se transformar de choque, "sobre o investimento na Crescente Tech que seu pai fez no último trimestre – lembra quem rejeitou? Fui eu. Acho que ele esqueceu de te falar que afundou tanto que sua família acaba de perder os lucros dos próximos três anos. Esse colar no seu pescoço? Melhor conferir o valor de revenda em breve."

Bethany tremeu, segurando seu colar instintivamente enquanto o medo tomava conta de sua expressão.

Ela achou que os segredos da família estavam bem guardados, mas, como alguém que gerencia as operações principais da empresa de Marcus, eu vi tantas transações sujas no topo da cadeia. Pouca coisa passava despercebida por mim.

Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós, e disse diretamente: "Então, senhoras, enquanto vocês estão ocupadas julgando minha roupa, eu estou limpando a bagunça que seus maridos deixaram para manter a empresa funcionando, apenas para continuarem financiando suas vidas extravagantes e vazias."

Um sorriso frio e vitorioso surgiu nos meus lábios.

"Francamente, vocês deveriam me agradecer em vez de latir como cães vadios. Agora, se me dão licença, eu tenho um negócio de bilhões de dólares para fechar. Ao contrário de vocês, eu não dependo do sobrenome de um homem para definir meu valor – eu o conquisto."

Marcus finalmente olhou para mim, e seu rosto mudou – qualquer sinal de superioridade desapareceu, deixando algo mais cauteloso.

Ele tentou se afastar de Maria reflexivamente, mas ela apenas o segurou mais forte, como uma hera envolvendo uma árvore.

Nos olhos de Maria brilhou um lampejo de ódio, mas foi rapidamente enterrado sob aquela máscara perfeita e triste que ela usava tão bem.

Soltando Marcus, ela deslizou em minha direção, cada passo medido como se tivesse ensaiado em frente ao espelho.

Ela parou perto o suficiente – amistosa, mas mantendo aquela distância da alta sociedade.

"Oh, Seraphina," ela soltou uma voz doce o bastante para causar cáries. "Você está bem? Foram longe demais agora."

Quando ergueu a mão para me tocar, dei um pequeno passo atrás, desviando de seu ato gentil.

"Estou bem," eu disse. "Mas, sinceramente, obrigada pela preocupação, Senhorita Maria. Você tem feito tanto por nós."

"O quê?" Maria piscou, confusa.

Eu lhe dei meu melhor sorriso de 'garota de fraternidade' – aquele que diz 'estou sorrindo enquanto mentalmente te coloco em chamas'.

"Oh, você é uma joia – cuidando do meu marido e ainda encontrando tempo para checar como está a esposa dele, legalmente casada."

Seu rosto endureceu. Eu me aproximei, com a voz exageradamente doce.

"Entre ser o enfeite de braço dele e a consultora pessoal de fetiches nas 'viagens de negócios', fico impressionada que você ainda encontre tempo para respirar. Mas hey, alguém tem que mantê-lo na linha, não é?"

Sons de surpresa percorreram pela multidão.

O rosto de Maria ficou de um vermelho desagradável. "Você... Você está inventando isso!"

"Ah, sério? Esse tipo de dedicação tão próxima deve ser exaustiva," eu disse, cada palavra carregada de veneno. "Então achei que você merecia algo por todo o trabalho. Algo real."

Eu abri minha bolsa e, sob os olhares espantados de todos, calmamente tirei um talão de cheques e uma caneta.

"Então, Dona Maria," eu disse, segurando o talão de cheques na palma, "quanto vale o seu serviço? Diga seu preço. Cem mil? Um milhão? Ou você cobra por hora?"

E então, acrescentando docemente: "Ah, e se você estiver trabalhando no carro, certamente há uma taxa por espaço apertado, né? Isso deve custar extra."

Você poderia ouvir uma agulha caindo no salão de festas.

Um segundo. Dois.

E então alguém não se aguentou.

"Ha–"

Foi tudo o que precisou. De repente, risadas altas explodiram pelo salão como uma onda rompendo uma represa. As mulheres se dobraram, gargalhando, lançando olhares de puro desgosto para Maria.

"BASTA!"

O rugido furioso de Marcus explodiu ao meu lado.

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