Esther
Meu telefone toca uma, duas, três vezes até que atendo sorrindo já sabendo de quem se trata.
Antes de falar alô, ela já vai logo falando.
- Alô, Thethe, vamos sair, por favor, é domingo e o dia está lindo.
Começo a rir ao ouvir a voz da irmã que a vida a me deu.
- Ag, minha querida, você sabe o que acho de sair aos domingos e outra Bryan está trabalhando.
- Ai, Thethe, pelo amor de Deus, esquece um pouco o Bryan e vamos sair só nós duas. E outra, não entendo o porquê de você sempre usa o domingo para organizar suas coisas para a semana. Pelo menos uma vez na vida, deixa de ser tão certinha.
- Você me conhece, Ag, se não deixar tudo organizado fico perdida. Na verdade, já me sinto assim, pois, era para estar arrumando as coisas do casamento que está chegando. Como Bryan está trabalhando, isso já saiu fora do meu cronograma.
- Thethe, esquece um pouco esse Bryan. Tudo é Bryan, af... Você é quem me importa, Thethe.
- Ag, o que você tem contra ele?
- Nada, Thethe, já te falei que não tenho nem nada contra, nem a favor. Agora quanto ao casamento você sabe que tudo está mais que adiantado, falta um ano para a cerimônia e apenas pequenos detalhes estão faltando. Essa sua organização me deixa louca, isso sim. Mas ainda tenho esperança de que um dia algo vai acontecer e sua vida irá virar de cabeça para baixo. O mais legal disso tudo será ver você descobrir que era o lado certo e se culpar por ter perdido tanto tempo. Hahhahaha.
- Deus me livre, Ag, bate na madeira dez vezes ou mais. Minha vida já está toda planejada. Eu me caso com Bryan em um ano, no máximo em dois anos serei mãe e viverei feliz sendo contadora sênior da Mix Contabilidade, além de ajudar Bryan a crescer cada vez mais.
-Tá bom, futura senhora Carter responsável, argh, não está mais aqui quem falou. Mesmo assim saiba que te amo. Beijinhos.
-Também te amo, Ag. - Desligo rindo.
Não sei como nos tornamos amigas, Agnes é companheira para todo momento, tem um coração enorme, mas juízo não tem algum.
Ela é do paz e amor e eu sou todo controladora.
Somos amigas desde o primário e a ajudei na escola em todas as matérias possíveis.
Não sei como ela conseguiu se formar em Turismo, na verdade, nem ela sabe, pois, a faculdade foi a fase que ela mais aprontou. Foram muitas festas e porres, inclusive já a salvei inúmeras vezes.
Hoje, ela tem uma agência de Turismo e, as vezes, larga tudo para dar uma de guia turística. A sorte que ela tem funcionários que confia muito para poder fazer suas aventuras.
Agnes simplesmente ama o que faz.
Eu amo essa minha amiga maluquinha.
Tirando toda essa loucura, Agnes é a pessoa que mais confio no mundo todo. Ela se tornou a irmã que não tive, pois, sou filha única.
Apesar de amá-la, depois que comecei a namorar Bryan nos afastamos um pouco.
Agnes nunca gostou muito dele e, na verdade, não sei o porquê. Ela apenas diz que o santo não bateu e pronto.
Pensando bem, a implicância com ele, que já não era pouca, aumentou consideravelmente de um mês para cá. Às vezes acho que ela sabe algo que não quer me contar, mas ela insiste em dizer que é coisa da minha cabeça.
Volto para as minhas anotações e meu domingo não programado, devido a mais uma emergência que Bryan teve em sua empresa.
Faz uns dois meses que essas emergências vem acontecendo aos finais de semana, porém, é o trabalho dele e o apoio.
Bryan é meu noivo, namoramos há exatos cinco anos. Nos conhecemos no colégio e não desgrudamos mais. Ele sempre foi lindo e cobiçado, era atacante do time de futebol da escola.
Não acreditei quando ele se aproximou e quis ficar comigo, afinal nunca fui popular como ele, sempre fui a nerd certinha.
Muitos alunos se aproximavam por puro interesse em ajudá-los para passar de ano, mas Bryan não, ele se interessou por mim.
Ele me dizia que essa vida de glamour era fajuta e passava, mas que o conhecimento permanecia. Por esse motivo, mesmo tendo a possibilidade de se tornar um jogador famoso, abriu sua empresa de produtos esportivos e hoje sua empresa Cartes Esporte, está em ascensão.
Tenho que me acostumar com o novo status dele, microempresário de sucesso. Ele inclusive recebeu dois prêmios por seu trabalho, um de microempresário revelação e outro de melhor microempresário do estado.
Ele foi a realização do meu sonho de achar um príncipe encantado, que me compreende e me incentiva.
Até minha mania de organização ele suporta sem nem sequer questionar.
Poderia ser mais perfeito?
Minha vida sempre foi planejada, nunca gostei de surpresas, pode até chamar isso de algum tipo de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), mas, para mim, é segurança.
Aprendi a ser assim com meus pais que tinham tudo controlado e foi o que me ajudou quando eles morreram, vítimas de um assalto.
Meus pais foram pessoas maravilhosas.
Meu pai, por exemplo, me ensinou a guardar minha mesada ao invés de comprar doces e acabar com tudo de uma vez só. Ele me dizia que se comprasse apenas um doce por dia teria dinheiro para o mês todo e doces até que recebesse novamente.
Minha mãe era a verdadeira dona de casa, com ela aprendi a poupar sempre, substituindo itens por outros mais baratos, pesquisar preço e nunca desperdiçar. Tudo pode ser reaproveitado de alguma forma.
Nunca passamos necessidade, nunca esbanjamos e tínhamos uma vida bem estruturada.
Ai que saudade deles...
Eu tinha dezoito anos quando meu pai foi surpreendido ao entrar em casa. Na tentativa de nos proteger e não deixar os ladrões entrarem em casa, ele foi atingido. Quando escutamos o barulho do tiro, minha mãe saiu correndo em direção ao portão e, assim como meu pai, ela foi atingida. Só escutei seus gritos para que eu trancasse a porta e não saísse por nada, foram suas últimas palavras.
Sofri muito devido a falta que sentia deles, mas graças a organização que tinham não passei necessidades e consegui me manter até conseguir um emprego.
Com minha notas acima da média no curso técnico de contabilidade, consegui um estágio remunerado na Mix Contabilidade, a empresa dos sonhos de qualquer contador. Com planejamento e muito esforço consegui ser efetivada e hoje posso dizer com orgulho que sou uma contadora sênior muito respeitada na empresa.
Tudo estava seguindo conforme meus planos, tenho o Bryan ao meu lado, estou de casamento marcado e tenho o emprego dos sonhos.
Não poderia estar mais realizada.
Só não imaginava que minha vida sofreria uma mudança tão repentina em tão pouco tempo e isso não estava no meu controle, dessa vez.
Diogo
Tem coisa melhor do que ser livre?
Não tem, pois, eu vou para onde o barco da vida me levar.
O céu é meu limite.
Eu não tenho endereço fixo e acho que nunca fiquei mais do que seis meses no mesmo lugar.
Minha casa é minha mochila, meu teto o céu estrelado, comida e bebida eu ganho com o que sei fazer e olha que sei fazer muita coisa, afinal já fui: malabarista, garçom, lavador de prato, cozinheiro, faxineiro, instrutor de voo, de mergulho, de esqui e por aí vai...
Se tive vontade de ficar em algum dos lugares de estive?
Não, por uma simples explicação, não sou planta para criar raiz.
Aí podem me perguntar, mas e a sua família?
Aprendi a ser assim com eles, meus pais são hippies e nasci e cresci em uma comunidade que fica no interior do estado da Califórnia. Lugar onde aprendi a ser livre, amar e respeitar a natureza. Viver sem precisar de coisas materiais ou qualquer tecnologia.
Para mim, o importante é amar o próximo e amo até demais da conta, ainda mais se for uma linda mulher, com belas curvas, bunda redondinha e seios deliciosamente esculpidos.
Já me envolvi com muitas mulheres, mulatas, loiras, morenas, japonesas, mas nenhuma conseguiu fisgar meu coração. Sempre falo que quando meu coração for fisgado irei fixar morada, porém, acredito que não nasci para isso.
Eu sou um pássaro livre.
Quando completei quinze anos sai sem rumo em busca de algo que sentia falta e que ainda não sei o que é. Meus pais me apoiaram e disseram que sou um espírito livre, por isso deveria levantar voo e procurar meu próprio céu.
Até sinto falta deles, mas sei que eles também estão vivendo da maneira que querem. Nunca foram de me dar muita atenção, mas não posso reclamar de amor, afinal eles sempre me amaram muito do jeito deles.
Também nunca me repreenderam, ou deram castigos e broncas, na verdade, não sei o que é isso.
E olha que aprontei demais, eles já me pegaram fumando escondido, já me pegaram nu em um momento de pegação com uma garota, na cama deles.
E nunca disseram um "A".
A única coisa que me falaram, era que tivesse consciência dos meus atos e respondesse por eles e suas consequências, e essa é a lição que levo deles para a minha vida.
Preciso urgente pensar no meu próximo destino, já faz cinco meses que estou aqui, no Vale Nevado, aproveitando o inverno e ganhando uns trocados dando aulas de esqui, ou sendo camareiro nas horas vagas em uma pousada em troca de um lugar para dormir.
Estou cansado da neve, preciso de sol, calor, mulheres de biquíni, corpos suados, calor humano, me entendem?
Levanto da cama e chamo meu irmão.
- Rafa, Rafa, acorda, cara.
Rafael é meu melhor amigo e irmão caçula por consideração, vivíamos na mesma comunidade e quando ele tinha seis anos seus pais saíram à procura de aventura e nunca mais voltaram.
Não sabemos o que aconteceu com eles.
Todos na comunidade passaram a cuidar dele e eu por sempre querer ter um irmão que meus pais nunca me deram, o adotei como tal. Cuidei do moleque e ensinei tudo e mais um pouco, apesar de, as vezes, ele me ensinar algumas coisas. É onde tiro mais uma lição que vida sempre vai nos ensinando, afinal nunca sabemos de tudo e as coisas mudam na velocidade da luz.
Assim que sai em busca das minhas aventuras, levei meu irmão comigo. Rafael é um incrível companheiro de viagem e de vida, agradeço o dia que seus pais sumiram e o deixaram para trás.
- Me deixa dormir, cara, gastei muita energia com a coroa que estava dando aula particular. Apesar do clima frio tenho que dizer que ela era muito quente, se é que você me entende. - Ri.
Em resposta, jogo o travesseiro nele e acabo rindo junto.
- Você é fogo, pega tudo quanto é turista.
- Olha quem diz. - Continua rindo enquanto se senta esfregando os olhos. - O que aconteceu? A loirinha não deu conta do recado?
- Deu sim, mas não estava a fim de continuar ela. Certamente ela poderia se apegar e não quero fazer ninguém sofrer.
- Ou será que era você que estava se apegando?
- Não, irmão, meu coração ainda está livre e desimpedido de continuar amando sem se apegar. E espero continuar assim por um bom tempo. Mas estava pensando, a temporada está acabando e já estou cansado de tanta neve, preciso de sol e calor humano, se é que me entende, cara.
- Estava pensando nisso, irmão, até dei uma pesquisada e acho que encontrei o lugar perfeito.
- Então fala logo, cara.
- San Andrés, uma ilha localizada na Colômbia, América do Sul, lugar paradisíaco que tem aumentado o número de turistas com o passar dos anos. Com certeza encontraremos algo interessante a se fazer por lá e muitas pessoas interessantes para trocar experiência.
- Perfeito, cara, agora é só ganhar uns extras para comprar nossas passagens e sair daqui. Quem sabe em uma próxima temporada voltamos, ou não...
- Ou não, tudo vai depender dos nossos próximos destinos e o que a vida nos reserva. Agora levanta, irmão, precisamos começar a providenciar a nossa ida e fazer dinheiro. Você não em nenhuma aula particular de esqui hoje?
- Não sei ainda, preciso ir à recepção do hotel e ver o que tem para mim, hoje. Apesar que a coroa me disse que iria querer um bis. - Pisca um olho.
- Bom, eu vou nessa, tenho dois alunos agora cedo e depois volto para arrumar uns quartos e garantir a nossa pernoite.
- Va lá, irmão, vou me trocar e ir ver minha agenda do dia. Até mais.
Termino de me arrumar, tomo um café preto que deixei preparando assim que acordei na cafeteira e saio do quarto deixando Rafael se arrumando.
Sigo para meu dia que sei como começa, mas nunca como termina.
Fui ensinado que vida é uma caixinha de surpresa e nunca sabemos o que encontraremos na próxima esquina.
Esther
Estou sentada analisando as notas para serem lançadas quando reparo em uma pasta de couro. Abro e vejo que são os papéis que Bryan havia separado para levar para a empresa e que são extremamente importantes.
Lembro quando o celular dele tocou e nossos planos foram adiados mais uma vez.
"- Amor, tenho que ir à empresa para analisar esses papéis e enviar ainda hoje para o cliente que está esperando.
- Mas, amor, hoje é domingo, ninguém está esperando nada.
- Amor, no mundo dos negócios não tem essa de domingo, business não dorme, business é vinte e quatro horas. Se você não está pronto perde a chance, lembre-se disso. Vamos ter a vida inteira para ficarmos juntos e o que íamos ver hoje ainda está em tempo. Falta um ano para o grande dia.
- Amor, mas não era só isso, achei que poderíamos aproveitar um belo banho de banheira juntos - digo já tirando a camiseta que estou usando, deixando a lingerie de renda vermelha que ele adora à mostra.
- Deixa para quando eu chegar, agora preciso ir. - Ele se aproxima, beija meu rosto e se vai".
Olho para a pasta e decido levar para ele já que são os documentos que o fizeram ir para a empresa em pleno domingo. Eu me troco rapidamente, sigo para meu carro e no caminho ainda tento ligar para ele, mas o celular só cai na caixa postal.
Chego na empresa, vejo o carro de Bryan estacionado e ao lado do dele, um Civic vermelho. Por um momento, penso que conheço o carro, mas logo tiro da cabeça porque a única pessoa que tem um carro desse e conheço é a minha prima, Andreia, e pelo que sei ela está em uma viagem a trabalho.
Entro e Geremias está na portaria.
- Olá, Geremias, tudo bem? Fazendo hora extra?
- Olá, dona Esther, estou ótimo. Estou fazendo hora extra, sim, tenho que garantir o leite das crianças - diz rindo. - Mas, em que posso ajudá-la?
- Só vim trazer uma papelada para o Bryan. Ele esqueceu na minha casa e precisa deles, é coisa rápida.
- Só um minuto, senhora, que irei avisá-lo.
- Não é necessário, é coisa rápida e já estou de saída. Obrigada, Geremias.
Subo a escada, por ser mais rápido e ainda fazer um exercício, em direção ao escritório de Bryan.
Assim que me aproximo, escuto gemidos e paro na porta sem coragem de abrir.
- Vai, gostoso, mais forte. Delícia.
- Aí você é uma delícia. Ahhhh
- Fala que eu sou mais gostosa que minha prima, fala.
- Dé, você é uma delícia, mas por favor não vamos falar da Esther agora.
Abro a porta chocada com o que havia escutado e vejo Andreia de quatro em cima da mesa de Bryan, enquanto ele a fode.
Andreia me vê e dá um sorriso, antes de falar:
- Bryan, temos um voyer.
Bryan vira o rosto na direção da porta e fica branco me olhando.
- Business, né, Bryan? Belo business. - Deixo os papéis cair no chão e saio correndo.
Escuto ainda Bryan me chamar, mas não quero ouvir nenhuma palavra dele ou da Andreia, afinal o que tinha que ver e ouvi já fiz.
Corro o mais rápido que consigo e as lágrimas caem pelo meu rosto. Passo por Geremias que nem um furacão e só aí quando chego perto do meu carro pego ar.
Que raiva, que ódio!
Não acredito nisso!
Ahhhhhhhhh!
Com tanta mulher no mundo tinha que ser justo com a Andreia?
Continuo gritando para tirar essa dor de dentro de mim.
Meu telefone toca e o nome Bryan brilha então desligo a ligação e bloqueio seu número. Respiro tentando me acalmar enquanto olho o carro dos dois estacionados um ao lado do outro. Abro meu carro e encontro um canivete no porta-luvas, sempre ando com um, afinal nunca se sabe quando podemos precisar.
Saio calmamente e furo sem dó os quatro pneus dos dois carros. Sei que isso é o mínimo que posso fazer para eles sentirem o que sinto, mas já diminui um pouco a raiva.
Saio sorrindo, mesmo estando dilacerada por dentro.
Pego o celular e ligo para a única pessoa no mundo em que confio.
- Alô, Thethe, diz que você mudou de ideia e que iremos sair, preciso conversar com você.
- Ag, eu preciso de você - digo já chorando.
- Amiga, o que aconteceu?
- Estou indo para a sua casa, não vou conseguir contar por telefone.
- Cuidado, Thethe, sinto que é algo grave e não seria prudente você dirigir nesse estado. Mas conhecendo você como a conheço sei que não se colocará em risco. Estou à sua espera.
***
Chego na casa de Agnes e ela já me espera com o portão aberto. Entro com o carro na garagem, desligo e saio correndo para os braços da minha irmã.
- Thethe, pelo amor de Deus, o que aconteceu?
- Eu vi, Ag, eu vi...
- Meu Deus, o que você viu? Fala, por favor, que já estou aflita desde sua ligação.
- Bryan e a Andreia juntos.
- Eu avisei para ele que não era para te fazer sofrer, eu avisei. Ele me jurou que nunca mais ia se repetir, mas... Eu vou matá-lo!
Agnes percebe que falou demais e tapa a boca assustada.
- Você sabia, Ag?
- Sabia, mas você não ia acreditar em mim, mesmo sendo sua melhor amiga no mundo. Você estava enfeitiçada pelo senhor perfeito, o príncipe encantado. Eu peguei os dois juntos no banheiro na festa da sua avó, mês passado. Tentei bater nele, mas não podia fazer escândalo. E também não podia contar porque seria minha palavra contra a dele. Eu não queria ser a portadora de más notícias. Mas já estava achando um jeito de te contar, hoje mesmo queria fazer isso.
- Traída por você, Ag? Não acredito.
- Amiga, pensa, sem provas você iria acreditar em mim?
- Não, pensaria que você estava de birra com ele.
- Tá vendo.
Abraço minha amiga, que apesar de me omitir essa história toda, eu ainda amo. Acho que no lugar dela eu faria o mesmo, afinal sem provas eu nunca iria acreditar nisso. Pensando bem, Bryan sempre me manipulou e ainda iria conseguir me deixar com raiva de Agnes.
Como foi tão burra assim?
Como nunca percebi isso?
Ficamos na sua casa, comendo brigadeiro e assistindo shows de stand-up para ver se conseguia me animar.
Bryan ainda tem a cara de pau de ligar para Agnes para saber de mim, mas ela diz meia verdade, que não sabe onde estou, até porque tinha falado comigo mais cedo e estava em casa organizando as coisas para a semana.
Durmo na casa dela até porque não quero encontrá-lo nesse momento.
Como toda manhã, chego na empresa e cumprimento a todos. Chego na minha mesa impecável e encontro um aviso para ir até a diretoria para tratar de um assunto urgente. Tento imaginar p que pode ser, mas nada me vem a mente.
Chego na sala da diretoria e Alexia, a secretária, me anuncia ao diretor.
- Pode entrar, senhorita Esther, estão à sua espera.
- Obrigada.
Entro na sala e lá estão os três sócios da empresa.
- Sente-se, Esther - diz o senhor Araújo. - Bom, vamos ser direto, como você bem sabe, estamos com problemas na nossa folha. Muitos clientes nossos faliram devido a crise e nossa empresa está passando por apuros. Para tentar minimizar o impacto da crise no mercado em geral, nas nossas contas, colocamos a venda algumas ações que foram compradas por um investidor que prefere se manter anônimo. Uma das exigências dele foi que o setor de contadores sênior fosse reformulado. Por mais que tentei tirar essa ideia da cabeça dele, não consegui. Então com muito pesar digo, Esther, você está demitida.
Sento sem reação alguma e meu único pensamento é que o mundo está contra mim.
Minha vida perfeita acabou foi arruinada em menos de vinte e quatro horas.