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Depois de separa (continuação correta)

Depois de separa (continuação correta)

Autor:: Gigi Giacomini
Gênero: Romance
Depois de ser abandonada durante a gestação e trocada por uma mulher 10 anos mais jovem, Gisela precisa de forças para se reerguer. O objetivo é dar a volta por cima e fazer com que o marido se arrependa da terrível decisão que destruiu sua família. Decidida a dar um novo rumo à sua vida, ela encontra em um amigo a força necessária para seguir em uma jornada de autorresgate, porém uma ameaça começa a rondar seu ambicioso plano de uma vida nova: as visitas e investidas constantes de seu ex-marido.

Capítulo 1 O início depois do fim

Ela não tinha mais o frescor da juventude, os 20 anos já haviam passado há tempos e os 36 anos a assombrava. Na realidade era um misto de tristeza e pavor que ela vivia, há dois anos havia sido abandonada grávida, trocada por uma mulher 10 anos mais jovem. Foram dias e noites intermináveis até que pudesse sentir alívio novamente. A dor do desprezo, da rejeição e do abandono deixaram marcas em seu rosto, já estava incomodada com a idade, mas o sofrimento daqueles dias parece ter acelerado o envelhecimento um pouco mais.

Gisela era uma mulher bonita, expressão marcante, cabelos longos e loiros e o corpo já estava em forma novamente. Entrar em uma academia foi um dos concelhos dados pelo terapeuta.

Gisela havia sido casada por 14 anos, não é errôneo dizer que não fora um casamento ruim, porém, ela parecia carregar uma grande carga o tempo todo, já que o marido dia após dia a alertava de que gostaria de se separar a qualquer momento. Desde o dia do casamento ele já parecia distante, agora ela se sentia uma tola por não ter percebido isso antes. Porém era tarde para tentar imaginar qualquer outra atitude que precipitasse toda aquela tragédia.

Ela precisava reagir, levantar, dar a volta por cima e tentar ser feliz, mas a dor ainda acompanhava seus dias. Apesar de todo horror que seu esposo a havia feito passar, Gisela ainda o amava e sentia sua falta. Maurici sempre vinha até sua casa para ver o filho, mas sua frieza o impedia de olhá-la nos olhos, porém, naquela noite, ele estava diferente. Havia ficado 10 dias sem fazer visitas, já que havia viajado por alguns dias com a namorada, uma ninfeta abusada de pernas finas. A viagem havia agravado ainda mais uma dor no peito que Gisela sentia constantemente, era inevitável imaginar os momentos maravilhosos que os dois estavam vivendo na praia.

Mas naquela noite, quando Gisela abriu a porta se deparou com um par de olhos azuis que pareciam sorrir para ela, com cumprimentos cordiais de dois conhecidos educados eles começaram a conversar:

- Como passaram esses dias? Não pude ligar...

- Passamos bem.

Ela respondeu exitosa, já que os últimos dois dias foram praticamente vividos no hospital, pois Noah havia ficado doente.

- Você parece cansada, está á até com olheiras.

Parecia observar demais, falou isso sem tirar os olhos das pernas dela. A visita noturna foi inesperada, Gisela já estava de pijama, apesar de ainda ser início da noite. Um baby-doll bem pequeno, com uma discreta transparência na blusa e um micro short em um tecido leve e macio. Não havia posição que ela ficasse que fosse possível cobrir alguma coisa, os sete meses de academia haviam sido generosos com ela. As pernas, que sempre foram bonitas, estavam bem torneadas e apesar da aparência cansada e sofrida ela era uma mulher muito bonita.

-Sim, estou cansada não durmo há dois dias ... Noah não passou o sábado bem, tivemos que ir ao hospital.

Ela estava sentada em uma pequena poltrona enquanto ele brincava com o menino no chão.

- Nossa... coitadinho do meu filho, eu não sabia que ele não estava bem, sinto muito. Se você quiser deitar um pouco para descansar, eu fico aqui na sala com ele.

Ele realmente pareceu preocupado, ela olhou surpresa para ele e levantou-se demonstrando ter aceito o favor.

- Vou aproveitar então, meia hora que seja de descanso já vai me ajudar. Qualquer coisa pode me chamar, estarei no meu quarto.

O quarto estava um breu, tateou até chegar na cama e deixou seu corpo cair no colchão, estava exausta, se enrolou nos lençóis e com apenas um minuto já estava cochilando. Como ela precisava de um descanso, Noah era um bom menino, mas não estava sendo fácil cuidar de tudo sozinha. Gisela já estava perdendo a consciência quando sentiu algo... era ele, ele estava em seu quarto. Não foi possível falar nada, ele deitou na cama e já tocou em sua intimidade. Não foi um toque romântico, foi voraz, parecia faminto e desesperado por aquilo. Penetrou dois dedos e ela deu um pequeno gemido involuntário

-Você gosta disso?

Ele perguntou enquanto beijava seu pescoço e brincava com os dedos, nossa como ele era bom em fazer aquilo, ela abriu as pernas como sinal de aprovação e logo os dedos foram substituídos. Ele parecia inflamado de tanto desejo, ela não aparentava estar tão diferente.

-Não acredito que estamos fazendo isso, achei que nunca mais isso aconteceria.

Ele não parecia querer muita conversa, com as mãos apertou-a e levantou seu quadril, fazendo o encaixe ficar perfeito, ele sabia que ela gostava daquilo. Ela estava em êxtase, estava tão molhada que ficou preocupada, mas ele parecia gostar ainda mais. Enquanto ele a penetrava com apetite animalesco ele a beijava e chupava seus seios, de repente ele parou... foi interrompido pelos seus pensamentos...

-Nossa, não poderíamos estar fazendo isso... estou namorando outra pessoa.

Que comentário infeliz, Gisela entristeceu e sentiu seu rosto queimar.

-Vamos parar então...

Ela já foi se ajeitando, tentando encontrar a calcinha, mas tomado de desejo ele não deixou, ao invés de penetrá-la novamente ele a beijou nas partes íntimas, chupava tão forte, com tanta vontade que ela não podia impedi-lo, alcançou o clímax ali mesmo, ele sentiu, parecia delirar ao ver ela se revirando de tanto prazer. Agora eles não podiam mais parar, ficaram ali, entregues a desejos, que naquele momento pareciam proibidos, já que ele estava com outra, mesmo ainda estando casado com Gisela.

Apesar de assombrada com diversos pensamentos não era momento de focar naquilo, ela queria mais, precisava de mais. Virou-se, ficando de costas, e parecia oferecer a ele algo que ela sabia que ele amava. Maurici a penetrou novamente, dessa vez segurou seus longos cabelos para trás e enquanto a penetrava beijava seu pescoço e seu ombro.

O filho estava na sala, entretido com um musical infantil e no quarto, seus pais pareciam quebrar regras de um acordo silencioso. Entre suspiros e gemidos eles se completaram mais uma vez, os corpos estavam suados, mas, não queriam parar, ficaram ali se ardendo em um reencontro que jamais foi imaginado, por nenhuma das partes. Finalmente quando já não aguentavam mais ele cedeu ao ápice daquele ato. Descansou ainda encima dela e depois quebrou o silêncio daquele intenso momento;

-Não vai contar isso para ninguém, eu não vou deixar minha namorada para voltar com você.

Gisela sentiu um misto de tristeza e fúria;

-Vai embora daqui, fique tranquilo porque não vou contar para ninguém, para mim, seria uma vergonha!

Ele se vestiu, e não pareceu arrependido com o que havia acabado de falar. Ainda insistiu mais duas vezes para que ela jamais contasse sobre aquele momento para alguém. Depois de dar um beijo no filho, que havia adormecido no carrinho, saiu batendo a porta de despedindo-se apenas com um "tchau".

Capítulo 2 Por inteiro

O dia começou nublado, ainda na cama Gisela consultou o clima pelo celular, ela custava acreditar no que havia acontecido e apesar do comentário infeliz no final, tudo havia sido inesperado e delicioso. Quando foram casados os dois não passavam muitos dias sem se amar, tanto que, para ela, o divórcio havia sido algo confuso, porque nada parecia faltar para ele. Mas do jeito que eles haviam "se pegado", ah não acontecia a tempos.

O cheiro de Maurici parecia impregnado nela, com um sorriso bobo de canto preparou o café da manhã e organizou a rotina do filho, apesar de bem pequeno ele já frequentava uma creche afinal de contas a mãe precisava trabalhar. Gisela trabalhava no setor de reclamações de uma grande empresa, sua carga horária era curta, o que facilitava no cotidiano com o filho, mas o trabalho era horrível, maçante e porque não dizer frustrante. Além do mais, com uma carga horária reduzida, o salário foi reduzido também e, como o ex-marido atrasava em enviar a pensão, as contas foram se acumulando e o sofrimento, que no início era pelo término do relacionamento, ganhou proporções maiores com o acúmulo de dívidas.

Gisela espantou os pensamentos preocupantes da mente, com medo de atrair ainda mais problemas, subiu em um salto e foi viver seu dia. Entre suspiros cheios de lembranças trabalhou no automático. Após o almoço, foi fazer seu treino na academia e depois buscou Noah na escolinha. Ela não tinha parado para pensar e nem pesar a noite passada, sua mente estava dominada pelas lembranças daquele encontro. A verdade é que intimamente Gisela ainda tinha esperanças de recuperar seu casamento, Maurici era seu grande amor da adolescência e mesmo com o passar dos anos a paixão não tinha diminuído. É claro que agora tinha uma carga de decepção, mas o que ela sentia era grande demais e facilmente poderia perdoá-lo. Não que essa seja a melhor decisão, mas a ânsia por ter a família reunida era maior que o orgulho por ter sido abandonada.

Com o filho no colo, já com a chave do portão na mão Gisela foi interrompida com o gritinho de uma vizinha;

- Minha filha do céu, ficou sabendo que a Lurdinha faleceu?

Gisela foi surpreendida, Lurdinha era uma jovem de 42 anos de idade

-Faleceu do quê?

A senhora se aproximou e cobriu um pouco a boca, como se quisesse contar um segredo.

-Parece que foi um infarto, achei tão estranho... moça de tudo.

-Nossa que coisa triste.

Gisela comentou enquanto segurava o menino a bolsa dele, a dela e algumas sacolas do mercado.

- O pior é o Senhor Tércio, 84 anos, sem família e essa moça já trabalhava para ele há anos!

Parecendo preocupada Dona Helena, a vizinha, continuava com a conversa sem perceber o quanto Gisela estava desajeitada segurando o menino e as coisas.

-Como ele vai contratar alguém a essa altura da vida? É até perigoso né? E ele parece ser muito bem de situação...

- Então dona Helena, difícil mesmo toda essa situação... bom, vou entrar e depois conversamos mais. Preciso trocar o Noah.

Gisela se viu forçada a interromper, aquela conversa levaria horas caso não desse um jeito de entrar. A verdade é que ela queria tomar um banho, provavelmente Maurici não apareceria aquela noite, ainda mais depois de tudo o que tinha acontecido, porém ela achou melhor estar preparada.

Trocou o menino e o colocou no cercadinho para brincar, ele era um bom menino, parecia sentir o que a mãe estava passado e se comportava para aliviar tanta tensão. Pelo menos essa, era a impressão. Depois foi para o banheiro, pronta para um ritual, que ela amava: o banho. Girou o registro e deixou a água cair em seu rosto, pensou em se tocar para tentar reviver um pouco do que havia sentido na noite anterior, mas, abandonou essa ideia porque não era seu próprio toque que ela queria, ah ela queria sentir ele... ficou um pouco constrangida e com raiva de si mesma por ainda desejar aquele homem.

Enquanto lavava os longos cabelos, se surpreendeu pensando e imaginando ele ali. Foi inevitável, escorregou as mãos pelos seios e desceu até sua intimidade na tentativa de reproduzir um pouco do que estava imaginando. Suspirou profundamente enquanto sentia seu próprio corpo, porém seus devaneios foram interrompidos com um barulho de porta batendo. Sentiu um frio na espinha e desligou o chuveiro, seria possível que não tivesse passado a chave na porta? Não poderia simplesmente se trancar no banheiro porque o pequeno Noah estava na sala, vestiu-se com um roupão atoalhado branco que sempre ficava dependurado no banheiro e foi verificar, meio receosa foi passo a passo até a sala, de onde havia vindo o barulho.

Não havia dado tempo de se secar e saiu pela casa deixando um rastro de pegadas molhadas, ao chegar na sala se deparou com um homem de estatura mediana, corpo em forma, cabelos castanhos e um par de olhos azuis, era ele.

-Meu Deus, que susto! Como entrou aqui? A porta não estava trancada?

Ele sorriu, de um jeito que só os canalhas conseguem.

-Estava no banho? Nossa me desculpe, te atrapalhei?

Sem dar explicações ele se aproximou e a pegou no colo, isso nunca tinha acontecido, nem no dia do casamento. Ela não conseguiu responder, e nem poderia, pois ele já lhe meteu a língua em sua boca. O roupão pareceu colaborar com a situação pois, uma das mangas estava caída o que acabou deixando os seios à mostra, aproveitando esse deslize ele aproveitou para passar a língua ali também. Ela achou que ele a levaria para a cama e repetiriam a noite anterior, no entanto ele parecia ainda mais louco, levou-a para o banheiro.

- Vou te ajudar com o banho, eu não podia ter atrapalhado.

Ela não respondeu, ficou com medo de dizer algo errado... ela só queria mais. Apenas sorriu, consentindo. Ele a colocou debaixo do chuveiro deixando a porta do box aberta, ele queria vê-la enquanto ainda tirava a roupa. Gisela começou a se tocar, deixando Maurici inflamado passava uma das mãos nas suas partes íntimas e a outra ela começou a massagear atrás. Maurici enlouqueceu, ele ainda não tinha a possuído na parte de trás, entrou no banho com ela, abraçou seu corpo molhado, apertou suas nádegas e a levantou. O beijo dele era delicioso, e os dois se beijavam como nos primeiros encontros, depois ele desceu e caiu de boca em sua intimidade, enquanto a beijava ela delirava e tentava aproveitar o máximo daquele momento. Beijava com um beijo quente e faminto e com as mãos abria suas nádegas e massageava o ânus como quem procura um tesouro. Gisela era muito apaixonada, sentia-se desmanchando de tanto prazer. Logo ele levantou e a penetrou, acalmando um pouco o anseio que ela parecia sentir, depois de perceber que ela estava regozijando, ele a beijou e a virou de costas. Estava disposto a conseguir seu "tesouro", ainda sobre êxtase ela permitiu a penetração anal. Apesar do desconforto e de sentir uma dor latejante, ela se entregou. Agora sim ela era totalmente dele, ele havia a possuído por inteiro. Enquanto Maurici se ajeitava, massageava a vagina de sua parceira, o que fazia ela sentir-se mais relaxada. Aos poucos a dor foi passando e ela parecia gostar do que estava acontecendo, a água escorria pelos corpos que já não parecia mais dois e sim um só.

Depois ela continuou no banho e ele foi se trocar, não disseram uma palavra.

Capítulo 3 Novos ares

Quando foi até a sala Maurici não estava mais lá, Gisela sentou no chão e chorou. Estava se sentindo um objeto usado, chegou a pensar que era mais infeliz que uma prostituta, pois estava sendo usada apenas para sexo, sem ganho nenhum. Toda euforia da transa foi substituída pela tristeza da rejeição, estava sendo difícil de acreditar e aceitar que depois de tanto tempo juntos ele a estava tratando daquela forma. Aquilo precisava parar, é certo que ela estava se esforçando para recuperar seu marido, mas o nível de humilhação quando aqueles momentos passavam estava demais para ela.

Ficou ali no chão indagando a si mesma, como se fosse possível receber alguma resposta "Como poderia possuí-la daquela forma e depois ir para os braços de outra? "

Depois de alguns minutos, Gisela se recompôs cuidou de Noah e em seguida foi ligar para o Senhor Tércio, certamente ele estava abatido com a perda de sua cuidadora. Gisela lembrou que ele já havia comentado que era sozinho no mundo, nunca tinha sido casado e sua única irmã faleceu sem dar à luz a um filho. O velhinho simpático havia cultivado uma longa amizade com o avô de Gisela, especificamente 50 anos, até o avô dela falecer, os dois passavam horas jogando xadrez na pracinha do bairro, então Gisela tinha muito carinho por ele. Depois de três longos toques ela ouviu um alô meio roco do outro lado:

- Alô? Quem é? Gisela pensou em falar tudo em uma frase, assim evitaria desgastar o velhinho que certamente havia tido um dia difícil

-Alô? Senhor Tércio? É a Gisela, queria ver se o senhor está precisando de alguma coisa?

- Oi minha filha, estava esperando sua visita mesmo, que horas você vem?

Ela achou estranha a reação dele, parecia ter tanta certeza de que Gisela se preocuparia.

-Ah sim, eu não atrapalho se eu for daqui a pouco?

- Claro que não minha filha.

Apesar da rouquidão ele pareceu bem-disposto, Gisela desligou o telefone e foi se ajeitar para visita-lo. Passou na padaria com Noah no carrinho, pegou algumas quitandas e foram até a casa mais bonita do bairro. O simpático velhinho morava em um antigo casarão, logo após passar por um imponente portão de ferro, era preciso atravessar um extenso jardim para chegar até a porta principal. Ele estava esperando, sentado em uma grande cadeira de madeira que ficava no alpendre ao lado da porta. Os três passaram um fim de tarde muito agradável, ele parecia ansioso em tratar com ela de um assunto urgente, como ele mesmo definiu.

Já em casa, Gisela começou a pensar em Maurici e no banho que haviam tomado juntos, porém também lembrou da desfeita de sair sem ao menos se despedir, então espantou seus pensamentos e focou na proposta que o senhor Tércio havia feito. Ele pediu que Gisela fosse sua nova cuidadora, era um senhor de 84 anos, mas era muito ativo e não tinha nenhuma necessidade específica. Sem contar que estaria perto de casa, poderia sair daquele emprego horrível, também poderia levar o Noah, já que o senhor Tércio amava crianças além de ter oferecido um salário bem maior que o dela. Pronto decidida, seria uma nova fase, ela trocaria de emprego e se manteria firme em não ceder mais aos encantos de Maurici, pelo menos enquanto ele tivesse com aquela mulher.

O dia seguinte foi para organização de sua nova rotina, conseguiu pedir desligamento da empresa, o que foi bem mais fácil do que ela tinha imaginado. A empresa era grande e Gisela tinha um cargo simples, apesar de ser formada em administração, ela jamais teve uma oportunidade de crescimento, ao contrário disso, tinha uma rotina maçante e era quase invisível aos olhos da gestão. Depois foi para casa do senhor Tércio para conversar e ver se ele precisava de alguma coisa urgente:

- Minha filha, estive pensando, você me disse que está com problemas financeiros, não é?

Gisela tinha feito algumas confidências com o simpático senhor.

-Estou sim, mas vou tentar me organizar.

Ficou um pouco acanhada, mas era a pura verdade.

- Você paga aluguel da sua casa, acho que poderia ver com seu filhinho pra cá, seria um gasto a menos e eu teria companhia por mais tempo.

Nossa, senhor Tércio estava sendo um anjo para Gisela, realmente seria um grande alívio poder ficar livre do aluguel e estando na casa dele, Maurici teria que se controlar ou até mesmo poderia tomar uma atitude e acabar com toda aquela palhaçada de separação.

-Nossa Senhor Tércio, seria muito bom pra mim, mas o senhor não ficaria incomodado?

-Imagina minha filha, pra mim vai ser uma alegria!

Mais ares de mudança! Ela estava precisando daquilo, pediu o fim de semana para se organizar e preparar sua mudança. Gisela avisou Maurici, que não pareceu se importar muito, pelo contrário, parecia sentir alívio. A moça conseguiu ajuda de sua mãe, dona Miriam morava em um sítio na zona rural da região e raramente vinha até a cidade pois tinha que cuidar do esposo que tinha problemas no coração. Maurici estava morando com a nova namorada então fez questão de ficar com alguns móveis da casa, Gisela sentiu uma pontada no coração ao imaginar as coisas dos dois sendo usufruída por aquela "vagabunda", mas não tinha como levar muita coisa para o novo lar, ela e Noah teriam um quarto com banheiro, então quanto mais rápido se desvencilhasse de tudo, melhor para ela.

Após a mudança Maurici sumiu, não tentou mais nada com Gisela e também não foi ver o filho. Gisela cuidava do filho e do senhor durante o dia e passava grande parte da noite chorando e se lamentando de tudo o que estava acontecendo. Na casa do senhor Tércio também morava Carlota uma senhora de estatura baixa, bem magrinha, de cabelos brancos e extremamente simpática que cuidava da cozinha, tinha também Rita, uma jovem senhora de cabelos louros esbranquiçados e um par de olhos verdes, que cuidava da limpeza. Além também de Joaquim, o jardineiro que vinha 4 dias na semana e um motorista que morava na edícula.Todos já trabalhavam com o senhor Tércio há mais de 20 anos. Gisela se aproximou ainda mais do senhor Tércio, ela já o visitava ao menos uma vez na semana, mas agora os dois passavam dia e noite pra lá e pra cá. Apesar da idade, claramente era ele quem estava ajudando a moça, conversavam e davam risadas e Gisela chegava a sentir mal, pois aquilo nem parecia trabalho. Senhor Tércio era extremamente gentil e vaidoso, nunca ficava sem uma camisa branca bem passada, uma calça de alfaiataria bege presa em um suspensório e quando iam para o jardim ele ainda botava uma boina para proteger sua careca do sol.

Já tinha quase um mês que Gisela e Noah haviam se mudado quando Maurici ligou avisando que viria visitar o menino, Gisela avisou ao seu simpático patrão que liberou a moça por toda manhã. Noah estava lindíssimo em um simpático conjunto, ele era muito parecido com o pai, e os olhos azuis que Gisela tanto admirava, haviam sido herdados pelo filho. Maurici deu 3 buzinadas e Gisela correu para o portão, ela estava louca de saudades, apesar de toda tristeza que havia passado no último mês, sempre que via Maurici reacendia a chama da esperança em recuperar e restaurar seu casamento. Ao chegar no portão viu que ele estava com um carro diferente, e para terror de Gisela a dita cuja estava sentada no banco do passageiro

-Eu tive alguns problemas e passei por uma mudança também, por isso tive que dar uma sumida.

Ele começou a se desculpar antes mesmo de cumprimentar Gisela.

-Nossa, mas nem mesmo uma ligação ou mensagem você enviou...

Reclamou Gisela. Maurici segurou o filho e o apertou em seus braços, Gisela estava vermelha de raiva, como ele pode sumir um mês e aparecer ali com "aquelazinha".

-Você disse que se mudou?

Gisela tentava puxar assunto tentando disfarçar sua raiva.

-Sim, acabamos indo para nossa antiga casa. Amanda está usando uma das garagens como loja.

Aquela foi a gota d'água, ele era um cretino mesmo.

-Como pode levar essa vagabunda para casa que foi nossa por tantos anos? Casa que foi do seu filho?

Ouvindo aquilo a mulher saiu do carro, com as mãos na cintura e um ar debochado. Ela era de estatura baixa, cabelo escuro bem liso escorrido até a cintura, era magra, bem magra. Tinha uma boca larga e os dentes eram um tanto pra frente, o que deixava ela com um ar engraçado. Usava roupas muito curtas que marcava todo corpo, não era bonita, aos olhos de Gisela, mas chamava atenção dos homens.

-Minha filha, vê como fala comigo, não sou vagabunda!

Gisela não tinha condições mais de viver aquela situação, aquilo precisava de um fim. Ela se virou para Maurici na intenção de ignorar a moça.

-Precisamos conversar, você tem que visitar mais o Noah e não deve ficar expondo ele a essas situações!

A mulher continuava parada com a mão na cintura e Maurici tinha posto o menino no chão, senhor Tércio estava vendo tudo de longe e se aproximou quando viu que a mulher saiu do carro. Ela sentia muita pena de Gisela.

-Noah vem com o vovô ver os passarinhos.

Ele chamou e Gisela balançou a cabeça agradecendo, ela não queria que o menino ficasse ali no meio de tudo.

- Volto outra hora para ver meu filho.

Antes dele virar e entrar no carro Gisela quis continuar com a conversa.

-Você precisa ver ele mais, ele sente sua falta.

Amanda, a namorada de Maurici parecia querer confusão, e se adiantou para responder por ele.

-Você quer que ele fique vindo te ver, mas depois que ele ficou comigo, jamais vai querer ficar com você!

Ela era uma mulher ridícula.

-Fica tranquila que não tenho interesse nenhum nele.

Gisela respondeu e se virou para entrar pelo portão.

-Eu que não tenho interesse em você, eu que não te quis você é velha, quem vai te querer agora acabada e com um filho.

Gisela não se aguentou, voltou e esbofeteou aquele canalha. Amanda se aproximou para impedir Gisela, mas levou uns bons safanões também. Gisela ficou cega de raiva, nunca tinha brigado na vida e estava ali, naquela cena horrenda. Bateu naquela mulher, puxou-lhe os cabelos e entrou na casa de alma lavada.

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