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Depois que Meu Marido me Traiu, Casei-me com o Maior Rival Dele

Depois que Meu Marido me Traiu, Casei-me com o Maior Rival Dele

Autor:: Mouse
Gênero: Romance
Eu era a Sra. Bragança perfeita. A esposa obediente que esperava acordada até as duas da manhã, treinada para sorrir mesmo quando o marido chegava em casa com o cheiro enjoativo de "Rosa da Meia-Noite" impregnado no terno. Mas naquela noite, a tela do celular dele iluminou o quarto escuro com uma mensagem de "Candy": "Esqueceu as abotoaduras na minha mesa de cabeceira". No colarinho dele, encontrei um longo fio de cabelo loiro, brilhando como ouro. O meu era castanho. A traição silenciosa logo virou humilhação pública. Juliano começou a desfilar com Scarlett, uma herdeira mimada, chamando-me de "tapa-buraco" e "interesseira" na frente dos sócios. Sua mãe me obrigou a assistir Scarlett agir como a dona da minha casa. Quando finalmente exigi respeito debaixo de uma tempestade, Juliano não pediu perdão. Ele me empurrou com força. Minhas costas bateram violentamente contra a escada de pedra. Enquanto eu gemia de dor no chão molhado, ele apenas riu: "Pare de atuar, você é patética." Ele entrou e bateu a porta, deixando-me quebrada na chuva. Fugi com o carro, cega pelas lágrimas, até perder o controle e colidir contra o guard-rail. Presa nas ferragens, esperando a morte, vi a porta ser arrancada. Não era o resgate. Era Alexandre Vargas. O inimigo mortal da família Bragança. O homem que meu marido mais temia. Ele me tirou dos destroços nos braços e, em vez de me entregar, me ofereceu vingança. Dias depois, quando Juliano tentou me comprar de volta com um diamante rosa de três milhões, olhei nos olhos dele e joguei a joia no esgoto imundo da rua. Entrei no Rolls-Royce de Alexandre e sorri. Eu não queria apenas o divórcio; eu ia derrubar o império Bragança, tijolo por tijolo.

Capítulo 1

A chuva não apenas caía; ela agredia o vidro.

Vivian Sterling estava parada diante da janela que ia do chão ao teto do quarto principal na propriedade Kensington, seu reflexo um fantasma pálido contra a escuridão lá fora. O relógio antigo na parede, um presente de casamento de sua sogra que fazia um tique-taque mais alto que uma batida de coração, marcou duas da manhã.

Tique. Taque. Tique. Taque.

Era o som de sua vida se esvaindo.

Feixes de luz gêmeos cortaram a tempestade, iluminando o longo e sinuoso caminho de entrada. O cascalho rangeu sob pneus pesados. Ele estava em casa.

Vivian fechou os olhos por um único segundo. Ela inspirou profundamente, enchendo os pulmões com o ar estéril e condicionado do quarto, e quando expirou, não era mais Vivi, a mulher. Era Vivian Kensington, a esposa. Seus músculos faciais, treinados ao longo de três anos de disciplina rigorosa, se moldaram em um sorriso suave e acolhedor. Era uma máscara feita de carne e osso, mas parecia tão pesada quanto ferro.

A porta da frente bateu com força no andar de baixo. Passos pesados ecoaram na escada de mármore.

A porta do quarto se abriu bruscamente.

Julian Kensington trouxe a tempestade com ele. Seu terno estava úmido, seu cabelo desgrenhado, e o cheiro de uísque caro se agarrava a ele como uma segunda pele. Ele não olhou para ela. Ele nunca mais realmente olhava para ela. Para ele, ela era apenas um acessório no quarto, como o relógio ou as cortinas.

"Você ainda está acordada", ele murmurou, tirando o paletó com um gesto displicente. Ele o estendeu sem virar a cabeça, esperando que ela estivesse lá.

Ela sempre estava lá.

Vivian deu um passo à frente, seus pés descalços silenciosos no tapete felpudo. Ela pegou o paletó. O tecido estava frio e úmido contra a ponta de seus dedos.

"Estava chovendo muito forte", ela disse suavemente. "Eu não consegui dormir."

"Tive uma reunião até tarde. Não pergunte." Julian afrouxou a gravata, seus movimentos bruscos e impacientes.

Vivian se virou para pendurar o paletó no mancebo. Foi quando ela viu.

Era um único fio de cabelo.

Estava preso na lã escura de sua gola, brilhando como um filamento de fio de ouro sob a iluminação embutida. Era longo. Muito mais longo que o dela. E era loiro. O cabelo de Vivian era de um castanho profundo e intenso.

Sua respiração engasgou em sua garganta, um som minúsculo e fraturado que a chuva engoliu.

Ela se inclinou mais, apenas alguns centímetros. O cheiro a atingiu então. Não era apenas uísque e chuva. Por baixo das notas masculinas, havia algo enjoativo. Algo doce. Baunilha e almíscar pesado.

Midnight Rose.

Era um perfume que ela conhecia. Tinha visto o frasco em revistas. Era jovem, agressivo e desesperado por atenção.

A bile subiu por sua garganta, quente e ácida. Seu estômago se contorceu em um nó tão apertado que era fisicamente doloroso. Seus dedos tremeram enquanto ela arrancava o cabelo dourado da gola. Parecia que estava segurando uma lâmina de barbear.

"Vivian? Água", Julian ordenou do outro lado do quarto.

Ela deixou o cabelo cair no bolso de seu roupão de seda. "Já vou."

Sua voz estava firme. Como sua voz podia estar tão firme quando seu mundo estava desmoronando?

Ela serviu um copo de água da jarra de cristal na mesa de cabeceira. Suas mãos tremiam, a água ondulando no copo. Ela forçou seu aperto até que os nós de seus dedos ficassem brancos.

Julian já estava indo para o banheiro. Ele jogou o celular na mesa de cabeceira. O aparelho caiu com a tela para cima.

Vivian pousou a água. Ela não deveria olhar. Ela sabia que não deveria olhar.

A tela se acendeu.

Uma notificação.

Candy: Você deixou suas abotoaduras na minha mesa de cabeceira. Já estou com saudades.

O quarto girou. O chão parecia se inclinar sob seus pés. Vivian encarou o nome. Candy. Parecia uma piada. Parecia o desfecho cômico de uma tragédia que ela não sabia que estava protagonizando.

O chuveiro do banheiro foi ligado, o fluxo de água abafando o silêncio.

Vivian não chorou. Ela não conseguia. O choque foi absoluto demais, congelando suas lágrimas antes que pudessem se formar. Ela se moveu com a precisão de um robô. Pegou seu próprio celular, o desbloqueou e o posicionou sobre a tela de Julian.

Clique.

Ela tirou uma foto da mensagem. Depois, tirou uma foto do horário.

Ela enfiou a mão no bolso e tirou os pequenos sacos plásticos transparentes que guardava para suas joias. Ela colocou o longo fio de cabelo loiro dentro e o selou.

Seu coração martelava contra suas costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola. Tum. Tum. Tum. Era tão alto que ela tinha certeza de que Julian podia ouvi-lo por cima do barulho do chuveiro.

Ela entrou no closet, seu santuário. Ajoelhou-se junto ao cofre escondido atrás de uma fileira de casacos de inverno. Seus dedos voaram sobre o teclado numérico. Lá dentro, aninhado entre seu passaporte e sua certidão de nascimento, havia um laptop que ela não usava há meses.

Ela o abriu. A luz azul da tela iluminou seu rosto pálido.

Ela navegou para um servidor seguro na nuvem que havia nomeado de Project Liberty. Ela carregou a foto da mensagem de texto. Registrou a data e a hora da descoberta do cabelo.

Então, ela abriu um rascunho de e-mail endereçado a Harper Hayes.

Harper era a advogada de divórcio mais implacável da cidade. Ela era um tubarão de Louboutins.

Vivian digitou, seus dedos frios e rígidos.

Assunto: Ativação.

Corpo: Eu tenho a prova. Inicie o Plano B.

Ela apertou enviar.

O chuveiro foi desligado.

Vivian fechou o laptop com força, o enfiou de volta no cofre e o trancou. Ela se levantou, alisando seu roupão de seda. Viu seu reflexo no espelho de corpo inteiro.

Ela parecia a mesma. Essa era a parte mais aterrorizante. Ela parecia exatamente a esposa obediente e submissa que Julian pensava possuir. Mas por trás de seus olhos, algo havia morrido. E outra coisa havia nascido.

Ela voltou para o quarto no exato momento em que Julian saía do banheiro, com uma toalha enrolada na cintura. O vapor saía em nuvens atrás dele.

"Você separou meu pijama?", ele perguntou, sem olhar para ela.

"Na cadeira", disse Vivian.

Ele deixou a toalha cair e vestiu a calça de seda. Subiu na cama, virando-se de costas para ela imediatamente.

"Luzes", ele resmungou.

Vivian apagou o abajur. A escuridão inundou o quarto, pesada e sufocante. Ela subiu em seu lado da cama, ficando o mais perto possível da beirada sem cair.

Julian se mexeu. Seu braço envolveu a cintura dela.

Vivian congelou. Cada músculo de seu corpo enrijeceu. A pele dele parecia ferro em brasa contra seu lado. O cheiro de seu sabonete não conseguia mascarar o aroma fantasma de Midnight Rose que persistia em sua memória.

"Vem cá", ele murmurou, sonolento.

"Eu... estou com dor de cabeça, Julian", ela sussurrou. "Acho que estou pegando alguma coisa."

Ele resmungou, irritado, e retirou o braço. "Tudo bem. Só não me passe a doença."

Em poucos minutos, sua respiração se estabilizou em um ronco.

Vivian ficou deitada no escuro, encarando o teto. Ela podia sentir o fantasma do anel em seu dedo. Ela o deslizou para fora, segurando o pesado diamante na palma da mão. Parecia frio. Parecia uma algema.

Ela o colocou na mesa de cabeceira. Então, depois de um longo momento, ela o pegou e o deslizou de volta no dedo.

Ainda não.

Ela precisava de mais. Ela precisava de tudo.

Lá fora, a tempestade continuava, mas a tempestade dentro de Vivian estava apenas começando.

Capítulo 2

O sol da manhã era um mentiroso. Ele brilhava através das cortinas, radiante e alegre, fingindo que o mundo não tinha acabado na noite anterior.

Vivian estava de pé na frente de Julian, suas mãos ágeis enquanto amarrava a gravata dele. Era um nó Windsor. Perfeito. Simétrico. Assim como o casamento deles parecia ser.

"Você está bonito", disse ela. A mentira tinha gosto de cinzas em sua língua.

Julian checou o relógio. "Vou chegar tarde hoje à noite. Jantar de negócios no The Obsidian Club. Não me espere acordada."

The Obsidian Club. Era um estabelecimento exclusivo para membros, seleto, sombrio e notoriamente discreto.

"Claro", disse Vivian, alisando a lapela dele. "Boa sorte com os... negócios."

Ele beijou sua bochecha. Foi um selinho seco e superficial. "Você é uma boa esposa, Vivian."

Ele saiu.

Assim que a porta da frente se fechou com um clique, o sorriso de Vivian desapareceu. Ela caminhou até a ilha da cozinha e abriu seu laptop. Não entrou em suas redes sociais. Ela acessou a conta bancária que Julian pensava que ela não tinha acesso - a conta conjunta secundária que ele usava para "imprevistos".

Lá estava. Uma reserva no The Obsidian Club.

Camarote VIP 4. Dois convidados.

Vivian fechou o laptop. Suas mãos tremiam, mas não de medo. De raiva. Uma raiva fria e calculista. Mas ela não podia demonstrar. Ainda não. Se o confrontasse agora, ele distorceria tudo. Ele a chamaria de paranoica. Ele a cortaria antes que ela tivesse o suficiente para enterrá-lo.

Ela subiu e se trocou. Não vestiu os vestidos em tons pastel que Julian gostava. Ela escolheu um vestido preto discreto, algo que se misturaria às sombras. Ela calçou os saltos, mas guardou um par de sapatilhas na bolsa.

Ela dirigiu até o clube. Não usou o manobrista. Estacionou na mesma rua, mais para baixo, apertando o casaco contra o corpo.

Ela entrou pela entrada lateral, deslizando uma nota de cem dólares para a hostess de quem ficara amiga meses antes, durante um evento de caridade.

"Estou apenas procurando meu marido", Vivian sussurrou, fingindo um tremor na voz. "Quero fazer uma surpresa para ele."

A hostess assentiu com compaixão e apontou para a área VIP. "Camarote 4, Sra. Kensington."

Vivian não foi para o camarote. Ela foi para o mezanino com vista para os camarotes semiprivativos abaixo. A iluminação era fraca, as sombras, profundas.

Ela ficou nas sombras, olhando para baixo.

E lá estava ele.

Julian estava sentado em um sofá de veludo. Mas ele não estava em uma reunião.

Ao lado dele, sentada, estava uma garota. Ela parecia jovem, dolorosamente jovem. Tinha cabelos loiros e longos que caíam em cascata pelas costas. Usava um vestido vermelho que era pouco mais que um pedaço de tecido.

Scarlett Sharp.

Vivian a reconheceu das colunas sociais. A filha ambiciosa do império Sharp, uma família conhecida por sua ascensão implacável.

O braço de Julian estava jogado sobre o encosto do sofá, seus dedos brincando com as pontas do cabelo de Scarlett. Seus amigos - homens que Vivian havia recebido em jantares, homens que haviam comido sua comida e bebido seu vinho - estavam sentados ao redor deles, rindo.

"Então esta é a nova musa, Julian?", um deles zombou. "E a esposa?"

Julian riu. Foi um som cruel. "Vivian? Ela está em casa tricotando ou sei lá o que ela faz. Já a Scarlett... a Scarlett é cheia de vida."

Scarlett deu uma risadinha e se inclinou para ele, apoiando a cabeça em seu ombro. "Ah, Julian, você é terrível."

Vivian sentiu um golpe físico no peito. Não era o coração partido. Era o choque do puro desrespeito.

Ela agarrou o corrimão. O metal cravou em suas palmas. Ela respirou fundo.

Ela pegou o celular. Suas mãos tremiam, mas ela o firmou contra a cortina de veludo.

Gravar.

Ela capturou tudo. A mão na coxa. O beijo no pescoço. A zombaria. Cada pixel era um prego em seu caixão.

"Eu não sou uma qualquer! Julian, diga a ela!", Scarlett guinchou em resposta a algo que um dos homens disse, embora Vivian não conseguisse ouvir o contexto.

"Esta é a Scarlett", Julian anunciou, sua voz chegando até o mezanino. "Ela é filha de Garrett Sharp. Ela é... como uma irmã mais nova para mim. Estou apenas cuidando dela."

"Uma irmã com quem você dorme?", Mark riu.

Julian não negou. Apenas deu um sorriso de canto e tomou um gole de sua bebida.

Vivian parou a gravação. Era o suficiente. Era mais do que suficiente.

Ela queria gritar. Queria descer correndo e acabar com os dois. Mas ela era Vivian Kensington. A "boa esposa". A "esposa fraca".

Ela virou nos calcanhares e foi embora. Não fez nenhum som. Saiu furtivamente pela porta lateral, passando pela hostess solidária, e encontrou o ar frio da noite.

Ela entrou no carro. O silêncio era ensurdecedor. Não ligou o motor imediatamente. Apenas ficou sentada ali, com a testa apoiada no volante.

Um soluço escapou de sua garganta. Apenas um. Depois outro. Ela se permitiu chorar por exatos cinco minutos. Checou o relógio. Cinco minutos era tudo o que ele teria dela.

Ela enxugou o rosto, checou a maquiagem no espelho retrovisor e ligou o carro.

Quando Julian chegou em casa, três horas depois, Vivian estava na cama, fingindo dormir. Ela o ouviu escovar os dentes, ouviu-o cantarolar uma melodia que tinha ouvido no clube.

Ele não fazia ideia. Achava que ela estava segura em sua ignorância. Ele se achava o caçador.

Ele estava enganado.

Capítulo 3

Três dias depois, o "pedido de desculpas" veio. Não foram palavras. Foi um convite.

"Vista-se", disse Julian, jogando uma capa de roupa sobre a cama. "Nós vamos à pré-festa da Kensington Charity Gala."

Ele não pediu desculpas. Apenas comprou um vestido para ela. Um vestido preto. Simples. Sem graça.

"É um pouco simples demais", observou Vivian, tocando o tecido.

"É elegante", corrigiu Julian. "Você não precisa chamar a atenção. Você sabe como fica ansiosa em meio a multidões."

Ele estava reescrevendo a realidade dela novamente. Pintando-a como a mulher frágil e neurótica que precisava de sua proteção.

Vivian vestiu o vestido. Serviu perfeitamente, é claro. Ele via o corpo dela como um manequim para o seu status.

O local era uma galeria de arte sofisticada no centro da cidade. Garçons circulavam com bandejas de champanhe e canapés. O ar zumbia com a conversa da elite da cidade.

Assim que entraram, Julian soltou a mão dela.

"Preciso cumprimentar os membros do conselho", disse ele. "Fique aqui. Tente não derrubar nada."

Ele desapareceu na multidão.

Vivian caminhou até o bar. "Um Dirty Martini", pediu ela. "Com azeitonas extras."

Ela pegou o copo gelado e vagou em direção ao fundo da galeria, procurando um canto tranquilo. Encontrou um lugar atrás de um grande biombo japonês decorativo. Ele oferecia uma visão do salão através das frestas, mas a escondia da vista de todos.

Ela bebericou sua bebida, a vodca queimando agradavelmente.

Então ela ouviu a voz dele.

"Ah, qual é, Julian. Ela está totalmente na sua mão."

Era um de seus amigos. Mark.

Julian riu. "A Vivian? Por favor. Ela morre de medo que eu a deixe. Para onde ela iria? De volta para aquele apartamento minúsculo onde a mãe dela mora? Ela precisa do nome Kensington para respirar."

A mão de Vivian congelou. O copo estava gélido contra seus dedos.

"Mas a boate...", insistiu Mark. "Achei ter visto um carro parecido com o dela por perto."

"Ela estava em casa, dormindo", descartou Julian. "Mulheres ficam emotivas. Comprei um vestido para ela, a trouxe para sair hoje à noite. Ela está bem agora. Sabe muito bem de que lado o pão dela é passado a manteiga."

"O Julian é o melhor marido!", uma voz aguda e animada interveio.

Scarlett.

Vivian espiou através do biombo. Scarlett estava lá, agarrada ao braço de Julian novamente. Ela usava um vestido branco que parecia suspeitosamente um vestido de noiva encurtado.

"Você é bom demais para ela", arrulhou Scarlett. "Se eu fosse sua esposa, nunca gritaria com você."

"Eu sei, querida", disse Julian, dando um tapinha na mão dela. "Ela é apenas... um tapa-buraco. Um troféu que minha mãe escolheu. Uma interesseira que deu sorte."

Interesseira.

Algo dentro de Vivian se partiu. Não foi um estalo alto. Foi o som de um cabo finalmente cedendo sob tensão demais.

Ela saiu de trás do biombo. Os nós de seus dedos estavam brancos ao redor do copo.

Ela olhou para eles. A vontade de jogar a bebida no rosto dele era avassaladora. Pulsava em suas veias, quente e exigente.

Mas ela viu Mark olhando para ela. Viu os outros convidados por perto.

Se fizesse uma cena, ela seria a esposa louca. Ela seria o problema.

Vivian forçou sua mão a relaxar. Forçou seu rosto a assumir uma máscara de confusão e mágoa.

"Julian?", ela sussurrou, sua voz tremendo perfeitamente.

O grupo ficou em silêncio. Os olhos de Mark se arregalaram. Scarlett ofegou.

Julian se virou lentamente. Quando a viu, sua arrogância vacilou por um segundo.

"Vivian", disse ele, afastando-se de Scarlett. "Há quanto tempo você está aí parada?"

"Eu... eu só queria perguntar se você estava pronto para ir", gaguejou Vivian, dando um passo para trás. Ela deixou o salto prender no carpete. Tropeçou, e o martíni transbordou pela borda, espirrando em seu próprio vestido.

"Ah!", ela exclamou, olhando para a mancha.

"Meu Deus, Vivian", suspirou Julian, revirando os olhos. "Você não consegue passar cinco minutos sem fazer bagunça?"

Scarlett deu uma risadinha, escondendo o sorriso atrás da mão.

"Me desculpe", sussurrou Vivian, com os olhos se enchendo de lágrimas. Lágrimas reais de frustração, mas para eles, pareciam fraqueza. "Eu só... não estou me sentindo bem. A multidão..."

"Vá se limpar", rosnou Julian. "Ou apenas vá esperar no carro. Você está me envergonhando."

"Eu vou... eu vou para o carro", disse Vivian.

Ela se virou e foi embora, de cabeça baixa. Parecia derrotada.

Enquanto atravessava a galeria, ela ouviu a voz de Julian atrás dela.

"Viram? Um desastre total. Ela estaria perdida sem mim."

Vivian saiu para o ar fresco da noite. Ela fez um sinal para o manobrista.

Assim que entrou no carro, as lágrimas pararam instantaneamente. Sua expressão endureceu, tornando-se de pedra.

Ela pegou o celular e abriu o aplicativo de gravador de voz. Parou a gravação.

"Tapa-buraco", ela repetiu para o carro vazio.

Ela não ia apenas deixá-lo. Ela ia arrancar a pele dele vivo.

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